
Flávio deverá ficar na ofensiva e Lula em busca de reação
Jeniffer Gularte
Luísa Marzullo
O Globo
Após passar ao segundo turno em primeiro lugar, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, conta com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para ampliar a vantagem no estado e deve viajar com o aliado pelo país, em agendas que devem ser fechadas nos próximos dias.
A campanha também aposta no desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma tentativa de apresentá-lo como um personagem político ultrapassado. Já a campanha do atual presidente mira em ampliar o placar no Nordeste e vai aumentar o papel do vice, Geraldo Alckmin, buscando atrair eleitores de centro.
ANTIPETISMO – A campanha de Flávio vai manter o mote do antipetismo, das bandeiras de segurança pública e aumento de custo de vida e fará uma ofensiva para aproximar aliados que saíram fortalecidos das urnas, caso de governadores que foram vitoriosos no primeiro turno.
A vantagem obtida no primeiro turno, em que teve 47% dos votos contra 45% de Lula, levou a campanha de Flávio a descartar, neste primeiro momento, uma reformulação profunda da estratégia. A avaliação é que o candidato precisa ampliar o eleitorado sem abandonar o discurso que o levou à dianteira. Para isso, a estratégia é investir nos eleitores dos candidatos Augusto Cury (Avante), Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que foram derrotados.
Juntos, Renan, Caiado e Zema somaram 5,6 milhões de votos. Zema deve declarar apoio a Flávio junto com o Novo nos próximos dias, enquanto Caiado ainda não anunciou seu voto, e aliados avaliam que pode evitar uma adesão formal.
VOTO NULO – A campanha aposta, mesmo assim, em absorver parte dos 2,6 milhões de votos do ex-governador de Goiás. Renan, que recebeu 2,67 milhões, também não deve apoiar nenhum dos dois candidatos e tende a incentivar o voto nulo, orientação que a equipe de Flávio acredita que não será seguida por todo o seu eleitorado.
Mais difícil, na avaliação da campanha, será avançar sobre os 3,4 milhões de eleitores de Augusto Cury (Avante) e sobre quem não escolheu nenhum candidato no primeiro turno. Nesse campo, a estratégia é explorar a insatisfação com o governo e dar mais espaço a temas econômicos que atinjam o cotidiano, sobretudo preços e poder de compra, sem depender apenas da identificação com a direita. A equipe também pretende buscar parte dos eleitores que se abstiveram ou votaram em branco e nulo, grupo visto como uma fonte adicional de votos numa disputa em que Flávio já começa próximo da maioria necessária.
A busca por esses eleitores terá também um componente territorial. A campanha pretende concentrar esforços nos três maiores colégios eleitorais e aproveitar o resultado de aliados que saíram fortalecidos das urnas. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo, deverá entrar de forma mais intensa na campanha e pode ceder integrantes de sua equipe, sobretudo das áreas de marketing e redes sociais. Em Minas, Flávio contará com Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador, e Nikolas Ferreira (PL), que teve mais de 3 milhões de votos para deputado federal; no Rio, Douglas Ruas (PL) também deverá participar das agendas.
AGENDAS – A intenção, porém, é não limitar essas lideranças às fronteiras de seus estados. Tarcísio já se colocou à disposição para participar de compromissos fora de São Paulo, e nomes com apelo sobre segmentos específicos deverão ser deslocados segundo o público que a campanha pretende alcançar. Nikolas, presença frequente ao lado de Flávio no primeiro turno, deverá continuar sendo acionado em agendas voltadas principalmente aos eleitores mais jovens e cristãos.
Na tarde desta segunda, Flávio se reunirá com a equipe para fazer um alinhamento total antes dos próximos 19 dias. A expectativa é que ele intensifique agendas também no Nordeste, com o intuito de reduzir a vantagem de Lula na região.
Também mirando essa fatia do eleitorado que não optou por Flávio nem Lula no primeiro turno, a campanha do PL vai reforçar a necessidade de mudança, tom usado pelo senador no discurso após o resultado do primeiro turno. O presidenciável disse que a “era do PT” terminou e vai insistir na rejeição a Lula como trunfo para sair vitorioso no segundo turno.
OS PLANOS DE LULA – No caso de Lula, o desafio é buscar uma virada inédita — nunca um candidato à Presidência que passou ao segundo turno atrás do adversário foi vitorioso. A necessidade vai forçar uma guinada na campanha, e uma nova estratégia está sendo desenhada.
O plano inclui a tentativa de ampliar a vantagem no Nordeste, onde superou Flávio e o PT reelegeu três governadores, e reduzir a abstenção. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, um índice de 21,08%, o maior desde 1998 e recorde em números absolutos. O PT já começou a orientar a militância a procurar eleitores que não votaram e convencê-los a ir nas urnas em 25 de outubro.
Internamente, Lula disse a aliados logo após o resultado que é preciso ver onde se errou e buscar corrigir rumos para o segundo turno. Auxiliares que acompanharam a apuração com o petista avaliam que o cenário não está perdido, mas que as mudanças são urgentes.
A estratégia do PT deve começar por tentar ampliar apoio em estados onde Lula e candidatos petistas já tiveram boa votação, especialmente no Nordeste, onde o PT reelegeu os governadores Rafael Fonteles, no Piauí, Elmano de Freitas, no Ceará, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia. Haverá também um foco em ampliar a votação em Minas Gerais, onde Lula venceu em 2002, mas foi derrotado por Flávio agora.
PROTAGONISMO – Lula também deve dar mais protagonismo a Alckmin, em busca de eleitores de centro. “Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal para mim e para o Alckmin. Pelo que ele fez no estado de São Paulo e pelo nós fizemos no Brasil “, disse Lula, em uma das citações no discurso domingo à noite, após a divulgação do resultado.
Setores do governo e da campanha criticaram o fato de Alckmin não ter tido um papel de destaque no primeiro turno. A avaliação é que o vice tem condições de dialogar melhor com uma fatia do eleitorado que é refratária a Lula e ao PT. Pelo plano definido após o resultado do primeiro turno, o vice da chapa também deve aparecer mais no horário eleitoral na televisão.
Na tarde desta segunda-feira, Lula deve se reunir em Brasília com a coordenação da campanha, além de políticos aliados que disputaram vagas ao Senado e aos governos estaduais para discutir o rumo da candidatura do petista no segundo turno. Auxiliares do presidente entendem também que podem usar a rejeição a Flávio para desidratar o adversário e vai seguir fazendo a vinculação às fraudes do banco Master — Lula tem se referido ao caso como a “orgia do Master”. As pesquisas indicam um patamar alto de rejeição aos dois candidatos: segundo a Quaest, Flávio é rejeitado por 56% dos eleitores, e Lula por 55%.
Licença…
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Mote de campanha do debochado!
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