Fuga de Flávio Bolsonaro e carta golpista ganham destaque na imprensa internacional

5 thoughts on “Fuga de Flávio Bolsonaro e carta golpista ganham destaque na imprensa internacional”

  1. A fuga do amarelão, Flávio Bolsonaro

    Não faltam sinônimos para definir Flávio como covarde, mentiroso e incapaz de encarar a lei

    Qual você prefere? Amarelão, covarde, medroso, pusilânime, frangote, maricas, desertor, foragido, poltrão, peidão, pipoqueiro, frouxo, trêmulo, borrão, arregão? Ou, numa palavra, cagão — digo, fujão?

    Se você for um dos meus fiéis leitores bolsonaristas ou um dos 59.826.041 eleitores que cravaram o número de Flávio Bolsonaro na urna neste domingo (25), a escolha é farta.

    Todas definem o caráter do ‘preposto’ do ex-mito que, não fosse por outros 64.256.232 brasileiros, poderia ser agora o presidente da República.

    Derrotado e sujeito a investigação e processo por uma quantidade de acusações — a escolha também é farta —, preferiu escafeder-se a enfrentar a Justiça. Onde está o machão que ele fingia ser?

    Menos de 12 horas depois de produzir um vídeo em que bateu no peito e desmentiu a possibilidade de fugir do país — ao contrário, entregaria os passaportes e ficaria para liderar a oposição, retomar o Brasil e fazer e acontecer —, meteu-se na escuridão, tomou um avião na moita ou atravessou de cócoras a fronteira e foi se esconder sob a gravata vermelha de seu chefe, Donald Trump.

    Como ficaram seus seguidores que assistiram ao vídeo e acreditaram nele? Como passaram a vê-lo depois desta?

    Se quiserem, aqui vão sugestões: falso, embusteiro, fingido, enganador, trapaceiro, mendaz, pérfido, perjuro, desleal, simulado, charlatão, cascateiro, impostor, xavequeiro, patureba, trambiqueiro. Ou, também, em uma palavra, mentiroso.

    É uma atitude decepcionante para alguém que, assim como seus adeptos, fala grosso, faz arminha, ronca motocicletas e se exibe sob camisetas amarelas, mas é incapaz de enfrentar uma Justiça armada apenas com fatos, números e provas.

    A contrapô-los com seus próprios fatos, números e provas, escolheu vazar, escapar, ciscar, dar o pira, cair fora, dar no pé, picar a mula. Em resumo, fugir.

    Ao abandonar seus eleitores — na verdade, traí-los —, Flávio Bolsonaro apenas repetiu o que levou toda a campanha fazendo: mentir para eles, iludi-los, ludibriá-los, fazê-los de otários.

    Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 28.out.2026 às 8h00 Por Ruy Castro

  2. “Ao vencedor, a revanche: o Wall Street Journal descreve o roteiro brasileiro.

    A imprensa internacional começa a enxergar o que parte da imprensa brasileira ainda trata como ‘normalidade institucional’: o uso seletivo do aparato de Estado contra opositores, com cronômetro político.

    Rodrigo Constantino para a Gazeta do Povo:

    O Wall Street Journal publicou nesta quarta-feira o editorial “To Brazil’s Victor Goes Political Revenge” (“Ao vencedor do Brasil, a vingança política”). O texto não é de um blogueiro de direita nem de um militante bolsonarista. É do conselho editorial de um dos jornais mais influentes e sóbrios do mundo, o mesmo que acompanha de perto a deterioração institucional do Brasil há anos. O que ele descreve é exatamente o que já está acontecendo – e o que o regime lulista anunciou com todas as letras.

    Os vencedores políticos deveriam ser magnânimos com os derrotados. No Brasil, processam. Lula venceu, em um pleito bizarro, o segundo turno no domingo (25). Em minutos, o aparato ordenou a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro. Alexandre de Moraes, aliado notório, assinou o pedido da Polícia Federal. Flávio não foi formalmente acusado de crime. Ainda assim, cruzou a fronteira com a Argentina na terça e chegou a Miami na quarta, onde os Estados Unidos concederam vistos à família – “oferta justificável de proteção política”, nas palavras do próprio WSJ.

    Flávio tem motivos concretos para duvidar de um julgamento justo. No debate da Globo, Lula deixou claro: assim que o adversário perdesse a imunidade parlamentar, enfrentaria investigações. “Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”, resume o editorial. Coisa de regime soviético. A competência para decidir processos criminais contra políticos federais é da Procuradoria-Geral da República. Moraes, no entanto, tem o hábito de expandir sua jurisdição quando convém politicamente. O passaporte foi só o primeiro ato. O recado é mais amplo: o candidato derrotado não tem o mesmo tratamento que o eleito.

    O WSJ lembra o contexto. Jair Bolsonaro foi condenado no ano passado pelo STF, por 4 a 1, por orquestrar uma tentativa de golpe. Um golpe impossível. Moraes presidiu. O ex-advogado pessoal de Lula e o ex-ministro da Justiça nomeado por ele votaram pela condenação. Flávio Dino chamava Bolsonaro de “demônio” e não se considerou suspeito. Luiz Fux escreveu um voto divergente de 452 páginas apontando falta de jurisdição, insuficiência de provas e violações ao devido processo. Jair cumpre 27 anos em prisão domiciliar. Foi ostracizado pelo regime durante a eleição.

    Flávio se junta a jornalistas, blogueiros e formadores de opinião que optaram pelo exílio depois que o STF anulou a condenação de Lula por corrupção e passou a censurar críticos. Nos próximos quatro anos Lula poderá indicar até quatro novos ministros ao STF. Caberá ao novo Senado defender a independência do Judiciário – se for capaz. Será? O teste será derrotar Alcolumbre na reeleição, o que só será possível se a oposição se unir.

    O editorial termina com o roteiro clássico da passagem da liberdade à autocracia: um demagogo vence nas urnas (normalmente de forma suspeita), controla o Judiciário e prende os inimigos. “Onde as instituições são fortes, o Estado de Direito pode sobreviver. Não está claro se o Brasil conseguirá. ”Não se trata de opinião isolada. O mesmo jornal já apontou a reação negativa dos mercados à reeleição (queda de ações, desvalorização do real, deterioração fiscal). A imprensa internacional começa a enxergar o que parte da imprensa brasileira ainda trata como “normalidade institucional”: o uso seletivo do aparato de Estado contra opositores, com cronômetro político.

    Sete minutos após o resultado do TSE, a representação da PF já estava assinada. Quem acredita que a perseguição diminui porque Flávio perdeu está enganado. Sem o risco de chegar ao Planalto, o custo político de avançar cai. A imunidade acaba em fevereiro de 2027. Os inquéritos já estão no STF.O Estado de Direito exige igualdade perante a lei. O que se vê é o aparato usado de forma assimétrica contra um lado.

    Enquanto Flávio tem o passaporte apreendido em minutos e se junta à lista de exilados, casos envolvendo o entorno do poder seguem sem a mesma pressa ou rigor. Lulinha está protegido na Espanha. Moraes sequer é investigado. Isso não é justiça. É instrumento de poder. Países que seguem esse caminho não voltam facilmente. O WSJ apenas descreveu o roteiro que já está em andamento. Resta saber se o Brasil ainda tem instituições – e vontade política – capazes de interrompê-lo.”
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