Após viagem com Nunes Marques, desembargador decide a favor de filho do ministro

Irã dos aiatolás caminha para se tornar “sucursal” da China no Oriente Médio

IRÃ : O LABIRINTO DOS AIATOLÁS - Tecnodefesa

Líderes do Irã fazem o país retroceder cada vez mais

Luiz Felipe Pondé
Folha

Ouço as gargalhadas dos aiatolás quando vem a mídia de muitos países ocidentais, incluindo o Brasil, torcendo por eles. Os aiatolás e sua Guarda Revolucionária contam com esse apoio. Ódio ao Trump, amor ao Irã dos aiatolás, ainda que disfarçados em análises de especialistas. Ouvimos os gritos de “bem feito” quando aviões americanos são destruídos ou Israel é bombardeado pelos iranianos.

Lembro de quando criança, sendo criado num ambiente no qual os adultos discutiam política durante a ditadura, de como a inteligência de então torcia pelos vietcongues, Vietnã do Norte, URSS e China na guerra contra os EUA, guerra esta vencida pelos comunistas, apesar de que hoje, longe daquele tempo, vimos o capitalismo vencer tanto na Rússia, quanto na China – ambos regimes ainda totalitários – e no próprio Vietnã, hoje destino turístico de gente chique e metida. A mesma reação é vista com relação a Cuba ainda hoje, uma ditadura mentirosa e miserável. Nada mudou.

ANJOS E INTERESSES – Não se trata de dizer que o capitalismo ou os americanos são anjos. Em geopolítica não há anjos, só interesses pragmáticos e violentos. Não há por que torcer por ninguém, afinal de contas, não é um videogame. Pergunto-me se quem torce pelo Irã preferiria ir para Nova York ou Teerã? Há uma grave dissociação cognitiva nessa torcida pelo Irã.

O regime do Irã pratica feminicídio, perseguição a gays —toco nesses temas porque estão na moda na imprensa— tortura da sua população, corrupção em larga escala.

Há poucos dias vimos milhares de pessoas protestando contra a guerra nos Estado Unidos. Alguém preso? Torturado? Internet cortada? Virou moda dizer, com sustentação supostamente científica, que a democracia americana está em declínio, que a democracia brasileira é melhor. A democracia brasileira é corrupta em todos os poderes, funcionando sob a eterna “lei” de para os amigos tudo, para os inimigos a lei. Vivemos sob ameaça de censura jurídica e acumulam-se leis para processar todo mundo por qualquer coisa que escreva ou fale. O STF hoje é um abraço de afogado para o Lula e o PT.

FEDERAÇÃO DE ARAQUE – A democracia americana é uma federação real, os estados têm enorme autonomia em sua legislação – todo mundo sabe que soberania descentralizada fortalece a democracia – enquanto o Brasil é uma federação de araque em que todo o dinheiro e o poder estão nas mãos de Brasília. Quando os democratas ganharem as eleições americanas, tudo muda, e o Irã poderá fazer sua bomba atômica em paz.

Logo a sociedade civil americana tirará os Estados Unidos da guerra, como fez com o Vietnã, com a ajuda massiva da mídia. Os aiatolás “celebrarão a resistência” contra americanos e israelenses, graças a pressão do petróleo. E os defensores da democracia poderão ficar felizes com a vitória da “democracia iraniana”.

O livro de Mohsen M. Milani, “Iran’s Rise and Rivalry with the US in the Middle East”, lançado em 2025, pode nos ajudar a entender a geopolítica de fundo desta guerra, ao invés de ficarmos xingando Trump como adolescentes jogando War.

PODER INIMIGO – Desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979, o país se definiu como um poder inimigo e competidor dos Estados Unidos na disputa pelo poder no Oriente Médio, poder esse atravessado pelo seu fanatismo religioso.

Nunca houve confronto direto entre os dois países até agora, mas o conflito sempre foi indireto, “by proxies” –por procuração – como se diz. O Irã, país agressivo geopoliticamente na região, alimenta e alimentou vários grupos violentos e terroristas: Houthis no Iêmen, o ex-governo da Síria que massacrava sua população, grupos armados xiitas no Iraque, Hezbollah que visa destruir Israel e destruiu o Estado Libanês, Hamas em Gaza.

O Irã, ao longo dos anos, buscou tornar-se a maior potência da região, mesmo contra a Arábia Saudita, aliado dos EUA, além de Israel. Portanto, o Irã dos aiatolás, sim, é um regime agressivo que invade e interfere nos Estados a sua volta.

AÇÃO ESTRATÉGICA – Como escreve o analista geopolítico Marco Vicenzino no jornal português Expresso, “O que está a surgir é uma nova forma de ação estratégica: a geopolítica das cadeias de abastecimento – o uso da infraestrutura econômica como instrumento de poder”.

Agora a coisa pegou: o Irã caminha para se tornar um “proxy” da China na região. Todo mundo sabe disso, por isso Trump foi pra guerra.

Controlar a região é controlar o petróleo iraniano e pressionar a China nos seus recursos energéticos. A história dos adultos voltou. O problema com as análises geopolíticas ideologicamente enviesadas é que ignoram a realidade em favor do “parquinho anti-imperialista”.

Flávio Bolsonaro amplia palanques, mas enfrenta incertezas em estados-chave da eleição

Janela partidária redesenha forças: PL de Bolsonaro cresce e partidos governistas recuam

Maior partido da Casa, a bancada do PL saiu fortalecida, chegando a 100 integrantes. A legenda foi uma das que mais conquistou novas filiações e recuperou perdas registradas ao longo dos últimos anos. A sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro elegeu 99 deputados em 2022, mas contava com 87 integrantes antes do período de trocas. O União Brasil foi a bancada que mais perdeu nomes — 28, no total —, mas conseguiu equilibrar as perdas com 21 novas adesões. A sigla tem agora 51 integrantes, sete a menos do que no período pré-janela, mas ainda segue como o terceiro maior partido da Casa.

MUDANÇAS – Legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT teve ao menos uma baixa, a deputada Luizianne Lins (CE), que deixou a sigla após 37 anos para se filiar à Rede. A bancada petista também filiou Paulo Lemos (AP), antes do PSOL, e se mantém como o segundo maior partido da Câmara, com 67 integrantes. As mudanças também deram fôlego para o PSDB, que registrou 11 entradas e sete saídas, chegando a 19 integrantes na Câmara. Já o PDT, proporcionalmente, foi uma das siglas com saldo mais negativo, filiando apenas um deputado e perdendo outros oito.

Partidos como PP, PSD e Republicanos registraram números semelhantes de saídas e novas filiações. A estimativa de ganhos e perdas por sigla aponta: União Brasil, com 28 saídas e 21 adesões; Republicanos, com 15 saídas e 15 adesões; PSD, com 13 saídas e 9 adesões; MDB, com 13 saídas e 7 adesões; PP, com 9 saídas e 6 adesões; PL, com 7 saídas e 20 adesões; PDT, com 8 saídas e uma adesão; PSDB, com 7 saídas e 11 adesões; PSB, com 5 saídas e 6 adesões; Avante, com 4 saídas e uma adesão; PRD, com 3 saídas e uma adesão; Podemos, com duas saídas e 13 adesões; Solidariedade, com três saídas e quatro adesões; Rede, com uma saída e duas adesões; PT, com uma saída e uma adesão; Cidadania, com uma saída e nenhuma adesão; MISSÃO, com nenhuma saída e uma adesão; PC do B, com nenhuma saída e uma adesão; PSOL, com uma saída e uma adesão; e PV, com nenhuma saída e uma adesão.

TROCA-TROCA – A janela partidária tem duração de 30 dias e, neste ano, começou em 5 de março. Previsto na legislação eleitoral, o período permite que deputados federais, estaduais e distritais mudem de sigla sem sofrer punições. O princípio da fidelidade partidária estabelece que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato eleito, razão pela qual a janela para esses cargos é aberta apenas em anos eleitorais e seis meses antes das eleições. Após o período de trocas, o próximo passo das articulações envolve as convenções partidárias, nas quais os candidatos serão escolhidos. Em 2026, os brasileiros irão às urnas para o primeiro turno das eleições em 4 de outubro.

No Senado, onde os cargos são majoritários e eleitos os mais votados independentemente do desempenho partidário, não há necessidade de janela para mudanças de legenda. Prefeitos, governadores, senadores e o presidente da República podem trocar de partido a qualquer momento, desde que respeitem o prazo mínimo de seis meses de filiação antes da eleição. Ainda assim, a corrida eleitoral também motivou trocas recentes na Casa.

O PSD perdeu três integrantes: Rodrigo Pacheco, cotado para disputar o governo de Minas Gerais, deixou a legenda para se filiar ao PSB; a senadora Eliziane Gama (MA), aliada do governo, também saiu do PSD rumo ao PT; e o senador Angelo Coronel (BA), que mira a reeleição, migrou para o Republicanos. O PSD, por sua vez, ganhou um novo integrante com a filiação de Carlos Viana (MG), vindo do Podemos. O PL ampliou sua presença com a chegada de dois senadores oriundos do União Brasil, Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB), mas perdeu a senadora Dra. Eudócia Caldas (AL), que se filiou ao PSDB.

Família de Moraes comprou R$ 23,4 milhões em imóveis nos últimos 5 anos

Ao ampliar adoção de sigilo e decisões individuais, o STF agrava sua própria crise

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Hugo Henud
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou, a partir de 2022, uma forma de atuação marcada por decisões sigilosas, individuais e pela distribuição de processos sem sorteio – modelo que, na avaliação de especialistas, não ficou restrito àquele momento e chega às eleições de 2026 sob risco de questionamentos. Ao mesmo tempo, apontam, esse padrão afeta garantias do processo e a confiança na instituição, em meio a uma crise de credibilidade.

Levantamento do pesquisador e professor do Insper Ivar Hartmann mostra que essa forma de atuação se sustenta em três mecanismos centrais: o aumento do sigilo, a predominância de decisões individuais e a crescente distribuição por conexão, em que processos são direcionados, sem sorteio, a um mesmo ministro por estarem ligados a outras investigações.

A PARTIR DE 2019 – O modelo ganhou força com medidas adotadas pelo tribunal a partir de 2019, quando Lula foi solto, e se consolidou durante a disputa eleitoral de 2022, em meio à polarização e a ataques às instituições. À época, essas medidas foram justificadas como resposta a uma situação considerada excepcional.

“Já passaram quatro anos daquela eleição e esses poderes especiais se consolidaram para além do período eleitoral. Foram normalizados. O Supremo só ganhou poder e ficou menos sujeito à responsabilização e à prestação de contas”, diz Hartmann.

Aquele ano foi marcado por investigações sensíveis, como casos envolvendo desinformação e ataques às instituições, que resultaram em suspensão de plataformas digitais e a remoção de perfis e conteúdos em redes sociais ligados a aliados de Bolsonaro e a outros políticos e influenciadores de diferentes espectros políticos. Parte desses processos tramitou sob algum grau de sigilo.

CASOS CRIMINAIS – Dados do STF indicam que 36% das decisões em investigações criminais estiveram sob essa condição em 2022, porcentual que se manteve em patamares semelhantes em 2025 e chegou a 46,2% nos primeiros meses de 2026, com base ainda reduzida de casos.

A exceção foi 2023, quando a abertura de um número atipicamente elevado de inquéritos relacionados à tentativa de golpe do 8 de Janeiro inflou o total de casos no ano, reduzindo proporcionalmente a fatia sob sigilo.

Para a diretora da Transparência Brasil, Juliana Sakai, a manutenção desse padrão ao longo dos anos exige maior rigor na avaliação do uso do sigilo. “O sigilo tira a transparência e a possibilidade de acompanhamento pela sociedade”, diz, ao ressaltar que a medida deve ser justificada somente em casos específicos, como para proteger investigações em curso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Notem que 2019 foi o ano- chave do desvirtuamento do Supremo, quando “interpretaram” a lei para soltar Lula (além de milhares de criminosos de larga estirpe), fazendo o Brasil se tornar o único país da ONU que não prende criminosos após condenação em segunda instância. Uma vergonha. De lá para cá, a esculhambação se instalou e está difícil de consertar. A verdade é essa. (C.N.)

Derrota por 8 a 2 freia ascensão de Mendonça e revela guerra interna no STF

CPI do Crime busca sobrevida e intensifica pressão após freios impostos pelo STF

Galípolo impôs sigilo aos documentos do banco Master e colocou BC sob suspeitas

BC blinda documentos do caso Master e impõe sigilo de oito anos

Galípolo, do Banco Central, deveria estar sob investigação

Jonatas Martins,
CNN Brasil

O BC (Banco Central) classificou como secretos os documentos relacionados à decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, impondo sigilo de oito anos sob os processos. A informação consta em resposta a um pedido feito pela CNN via LAI (Lei de Acesso à Informação).

De acordo com o Banco Central, a divulgação imediata dos documentos do caso Master iria contra o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”.

TUDO EM SIGILO – A classificação do sigilo foi indicada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025. Sendo assim, os arquivos sobre a interrupção das atividades do Banco Master devem permanecer secretos até novembro de 2033.

A autarquia federal também fundamentou, juridicamente, a aplicação do segredo com o argumento de que os documentos podem comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações.

No final de março deste ano, conforme apuração da CNN, o Tribunal de Contas da União questionou o BC. O ministro Jhonatan de Jesus, relator das investigações no TCU sobre a conduta do Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master, acionou a autoridade monetária sobre a eventual retirada de sigilo das documentações anexadas ao processo.

LIMITES DO SIGILO – No despacho, assinado em 24 de março, o ministro Jhonatan solicitou que o BC indique especificamente quais peças ou trechos do processo precisam permanecer sob restrição de acesso ou se todos os documentos podem ser liberados publicamente.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. A decisão foi motivada por “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou a autoridade monetária em nota na época.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O sigilo compromete diretamente Gabriel Galípolo. Na reunião com jornalistas, antes do Natal, ele se jactou de ter sido pressionado para proteger o Master, acrescentando que tinha documentado todas as pressões. Até hoje ele não informou o autor das pressões, mas todo mundo sabe de quem ele está falando. Ao que parece, o país não tem mais homens públicos, apenar um bando de aproveitadores, e Galípolo deveria estar sendo investigado. (C.N.)

Perícias apontam suicídio de “Sicário”, mas PF ainda busca respostas sobre últimas ligações

Após troca de farpas entre Eduardo e Nikolas, Michelle compartilha vídeo de deputado

BRB de Ibaneis “investiu” R$ 30,4 bilhões no Master, mesmo sabendo da fraude

🏛️ 𝐃𝐄𝐂𝐈𝐒𝐀̃𝐎 | O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha  (MDB), afirmou que irá recorrer da decisão liminar da Justiça que proibiu o  Governo do Distrito Federal (GDF) de utilizar imóveis públicos

Reprodução do Instagram

Demétrio Vecchio e Isadora Teixeira
Metrópoles

O Banco Regional de Brasília (BRB) comprou R$ 30,4 bilhões em carteiras do Banco Master desde o dia 1º de julho de 2024, como mostram planilhas de prestação de contas obtidas com exclusividade pelo Metrópoles com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

A este valor somam-se outros R$ 10,8 bilhões em carteiras adquiridas pelo BRB a partir de “substituições”, em que o Banco de Brasília devolvia uma carteira podre do Credcesta ao Master e recebia no lugar novos ativos. A partir desta segunda-feira (6/4), o Metrópoles vai mostrar que esses ativos hoje em posse do BRB também são de baixíssima qualidade.

DESDE 2024 – As compras de carteiras do Master começaram em julho de 2024 e se dividiram em crédito de varejo, atacado, CDI, CRI e fundos. A partir de março de 2025, quando o BRB detectou que parte das carteiras adquiridas do Master era fraudulenta, o banco não interrompeu os negócios – pelo contrário: comprou mais R$ 20,7 bilhões em produtos do Master.

Outro sinal de alerta ao BRB foi a negativa, pelo Banco Central, à compra do próprio Master, em setembro de 2025. Após a rejeição do pedido pelo BC, o BRB repassou ao Master mais R$ 1,9 bilhão.

As aquisições dos ativos seguiram até outubro de 2025, um mês após o Banco Central ter impedido a compra e pouco antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro.

TIPOS DE ATIVOS – No total, o BRB informou à CVM ter realizado 120 aquisições de carteiras de crédito de varejo do Master. A maior parte das compras foi de consignados da Credcesta, mas as negociações também envolviam carteiras de “PIX Crédito”, de parcelamento de faturas e de empréstimo rotativo, por exemplo.

Outros ativos bilionários foram comprados junto ao Master no que o BRB classificou como “crédito atacado”. São basicamente Cédulas de Crédito Bancário (CCB), títulos que registram dívidas assumidas em operações de crédito feitas por empresas e até por uma pessoa física, Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas.

Por fim, o BRB informou à agência fiscalizadora que realizou 44 aquisições de CDI (Certificado de Depósito Interbancário), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e fundos diversos do Master, em transações que somam R$ 8,1 bilhões.

CRÉDITOS PODRES – Metade desse montante diz respeito a substituições de créditos podres, que ocorreram todas entre maio e o começo de agosto de 2025, quando o Banco Central já dava indícios de que não aprovaria a compra do Master pelo BRB.

Em parte dessas transações para devolver carteiras podres, o BRB recebia de volta novos ativos do Credcesta, uma linha de crédito consignado voltada principalmente a beneficiários do INSS, em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício.

Em fevereiro, o presidente Nelson Antônio de Souza disse ao Metrópoles que buscava compradores para toda a carteira comprada do Master. Segundo ele, o pacote – que agora se sabe que custou R$ 30,4 bilhões ao Banco de Brasília – estava avaliado em R$ 21,9 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente e reveladora matéria, enviada por José Perez, sempre atento ao apodrecimento dos Três Poderes. Aliás, em maio de 2025, já se sabia que o Master estava quebrado e Tribuna da Internet havia enviado dossiês ao Banco Central, à CVM e ao TCU. Mesmo assim, os estelionatários a serviço de Ibaneis Rocha continuaram “investindo” recursos públicos no Master. E até agora ninguém foi preso em Brasília. Que país é esse, minha gente? (C.N.)

Dirceu critica o Supremo e diz que Lula ainda liderará o país, mesmo se perder

Delação meia-sola excluiria ministros, devolução do dinheiro e prisão de Vorcaro…

Vorcaro completa um mês preso com rotina discreta enquanto elabora delação # charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Mario Sabino
Metrópoles

Há alguns dias, publiquei que advogados da ex-equipe de defesa de Daniel Vorcaro (dois deles) haviam procurado o ministro André Mendonça para propor que o seu então cliente deixasse Alexandre de Moraes de fora de uma eventual delação. Receberam uma negativa.

Agora, com novo advogado comandando o espetáculo, Vorcaro continua a resistir à ideia de incluir Moraes na delação que está em fase de negociação com a PF e a PGR. Quanto a Dias Toffoli, a disposição do dono do finado Banco Master não está clara, assim como permanece na penumbra se ele entregará Nunes Marques.

CASO DO RESORT – De acordo com o jornalista Aguirre Talento, “interlocutores de Vorcaro dizem que ele já sinalizou que quer falar sobre os pagamentos ao resort Tayayá, que tinha participação acionária do ministro do STF Dias Toffoli, mas o formato disso ainda não está fechado”.

Diz o jornalista que, se a sua delação for aceita, Vorcaro não quer também ser obrigado a pegar cana de verdade por algum tempo, mandatória dado o tamanho do crime, e rejeita a ideia de sair sem dinheiro nenhum da encrenca que criou, obrigado que será a ressarcir as vítimas das suas fraudes bilionárias.

“A postura inicial do banqueiro chamou a atenção de quem se reuniu com ele ao longo desse período: Vorcaro demonstrou uma resistência em admitir a prática de crimes e assumir o papel de ‘delator’, o que seria essencial para o avanço da colaboração. Essa resistência, em um primeiro momento, é considerada natural pelos advogados e investigadores em um processo de delação, mas pode travar a construção do acordo”, publica Aguirre Talento.

DELAÇÃO MEIA-SOLA – Temos, assim, um criminoso que não quer delatar tudo, mas que exige benefícios a que não teria direito ainda que revelasse toda a tramóia.

Há outro aspecto espantoso na negociação em torno da delação. “Interlocutores” do dono do finado Master acham que a inclusão de Moraes, Toffoli e Nunes Marques pode causar “contra-ataques” da parte do tribunal.

“Mesmo que André Mendonça homologue um acordo que contenha nomes do STF, a percepção é que ele ficaria isolado e perderia votações para os demais ministros”, escreve o jornalista.

IMPRENSA LIVRE – Há um recado desses interlocutores embutido na “percepção”, e esperemos que Mendonça não se intimide. Inexiste delação digna de tal nome que deixe de incluir os ministros do STF envolvidos com o maior fraudador do sistema financeiro da história do país, simples assim.

As dificuldades enfrentadas por Mendonça só serão insuperáveis se a imprensa deixar de fazer o seu trabalho de ajudar a PF, que quer revelar tudo, e constranger a PGR, que gostaria de não revelar nada. É o trabalho da imprensa que mantém vivos o clamor público e a esperança de que ele ultrapasse as fronteiras das redes sociais e ganhe as ruas, em manifestações legítimas que obriguem a casta brasiliense a tomar o caminho certo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ a delação meia-sola ou meia-bomba, a que nos referimos assim que o advogado Oliveira Lima assumiu a defesa de Vorcaro. Será a Piada do Século. (C.N.)

Congresso esvazia poder de Lula e deixa 77% das MPs perderem a validade

Taxa de aprovação é a menor desde 2001

Pedro Penteado
Estadão

O Congresso Nacional converteu em lei apenas 23% das medidas provisórias do terceiro governo Lula (PT). É a menor taxa registrada desde a Emenda Constitucional 32, de 2001, que proibiu a reedição de MPs e fixou prazo máximo de 120 dias para cada medida, encerrando a prática de manter normas provisórias em vigor indefinidamente por renovação automática.

Os dados são do levantamento do Ranking dos Políticos com base na plataforma oficial do Planalto e mostram que o principal instrumento legislativo do Executivo federal perdeu eficácia ao longo das últimas duas décadas, independentemente do partido no poder.

CADUCIDADEDas 192 MPs editadas por Lula no terceiro mandato, 38 foram convertidas em lei. Outras 26 ainda estavam em tramitação no fechamento do levantamento. Das 166 com desfecho definido, 128 — ou 77% — não chegaram a se tornar lei. Na maior parte dos casos, o mecanismo foi a caducidade: o prazo máximo de 120 dias, composto por dois períodos consecutivos de 60 dias, se encerrou sem que o Congresso deliberasse sobre o texto.

Ao não pautar uma MP dentro do prazo, o Congresso a barra sem assumir o custo político de uma rejeição formal. O estudo descreve o fenômeno como “veto silencioso”, estratégia que se consolidou nos últimos anos e permite ao Legislativo exercer poder concreto sem confronto direto com o Executivo.

A série histórica levantada pelo Ranking dos Políticos começa no período pós-EC 32 do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, que abrange o último ano e meio de seu governo: 102 MPs editadas, 84 aprovadas, taxa de 82,3%. No primeiro mandato de Lula, de 2003 a 2006, o índice subiu para 90,4%, o mais alto do período analisado: das 240 MPs editadas, 217 foram aprovadas. A partir daí, a tendência geral é de queda.

RECUO – No segundo mandato, a taxa recuou para 83,2%, com 149 aprovações em 179 MPs editadas. No primeiro governo de Dilma Rousseff, caiu para 74,4%, com 108 aprovações em 145 MPs. No segundo mandato dela, encerrado pelo impeachment, o índice foi de 78%, com 46 aprovações em 59 MPs editadas. Michel Temer registrou 75%, com 108 aprovações em 144 MPs e Jair Bolsonaro chegou a 68,3%, com 194 aprovações em 284 MPs editadas, o maior volume do período, parcialmente explicado pelo uso intensivo do instrumento durante a pandemia de Covid-19.

O contraste com o período anterior à reforma constitucional é ainda mais expressivo. No governo Fernando Collor, o Plano Collor foi implementado por meio de 17 medidas provisórias, incluindo o confisco da poupança. Todas foram aprovadas pelo Congresso sem alteração de nenhum dispositivo, retrato de uma época em que o Executivo legislava com quase nenhuma resistência parlamentar.

O levantamento aponta dois fatores estruturais para a reversão desse padrão. O primeiro é o fortalecimento orçamentário do Parlamento, em especial após a institucionalização das emendas parlamentares impositivas, que deram a deputados e senadores capacidade de entrega direta de políticas públicas em suas bases eleitorais, reduzindo a dependência da intermediação do governo federal.

POLARIZAÇÃO – O segundo é a polarização política iniciada nas eleições de 2014, que fragmentou coalizões tradicionais, culminou no impeachment de Dilma Rousseff e produziu um ambiente de desconfiança persistente entre os Poderes.

A isso se soma uma mudança de comportamento dos próprios presidentes. A partir do segundo mandato de Lula, os governos passaram a recorrer com mais frequência a outros instrumentos legislativos, como projetos de lei, propostas de emenda constitucional e projetos de lei complementar, enviados pelo próprio Executivo ou por líderes dos partidos da base. As MPs foram deixando de ser a principal via de produção legislativa do Executivo.

COMPOSIÇÃO – O processo se acentuou após 2022. A disputa polarizada entre Lula e Bolsonaro produziu um Congresso heterogêneo, com parcela da bancada estruturalmente inclinada à oposição ao Executivo eleito, não por estratégia conjuntural, mas por composição eleitoral.

O estudo conclui que o presidencialismo brasileiro preserva sua capacidade de ação, mas o centro decisório se deslocou. A medida provisória, instrumento que na origem simbolizava a força unilateral do Executivo, passou a medir a capacidade de cada governo de entrar em consenso com o Parlamento antes de agir.

Michelle celebra evolução da saúde de Bolsonaro; Carluxo descreve quadro grave

Saúde de ex-presidente vira disputa de narrativas

Deu no O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou no sábado (4) que o ex-presidente Jair Bolsonaro está há seis dias sem episódios de soluços e apresenta evolução no quadro de saúde. A declaração foi feita nas redes sociais e contrasta com o relato recente do filho, que havia descrito uma situação mais delicada.

Segundo Michelle, Bolsonaro voltou a realizar sessões de fisioterapia. Em publicação no Instagram, ela comemorou a melhora clínica, referindo-se ao marido como “galego” e agradecendo a Deus pelo progresso.

CRISES – A avaliação difere da apresentada por Carlos Bolsonaro na quarta-feira (1). Após visitar o pai, o vereador afirmou que o ex-presidente enfrentava crises contínuas de soluços e apontou agravamento do estado geral, citando comorbidades e restrições impostas pela situação judicial.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar temporário. A Justiça autorizou a transferência do complexo da Papuda para casa por 90 dias, após o ex-presidente permanecer dez dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no fim de março.

Relações entre STF e Vorcaro colocam PGR sob pressão e expõem dilema institucional

Sob Bolsonaro, regra do INSS mudou após ofício do Master e impulsionou cartão investigado

Defesa de Vorcaro diz que cartão consignado seguiu normas

Vinicius Sassine
Folha

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) fez alterações em regras sobre o crédito consignado para permitir o funcionamento de um cartão de benefícios que impulsionou o Banco Master entre 2022 e 2025, até a derrocada da instituição financeira. Uma dessas mudanças foi implementada pelo órgão federal 16 dias após o recebimento de um ofício do Master com a intenção de operação do cartão.

A criação de normas específicas para o funcionamento do chamado cartão consignado de benefício, no último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), alavancou as operações do Credcesta, do Master, uma modalidade de crédito consignado levada para o banco de Daniel Vorcaro por Augusto Lima –os dois viriam a se tornar sócios.

CARTÃO CONSIGNADO – O Credcesta –um cartão consignado que incluía serviços adicionais, como desconto em farmácia e auxílio-funeral– funcionou como um motor do Master, praticamente até a liquidação pelo Banco Central, em novembro do ano passado. Expandiu-se por 24 estados e 176 municípios, com foco em servidores públicos nas esferas estaduais e municipais.

Com a alteração de regras no INSS, o Credcesta passou a operar junto a aposentados e pensionistas do regime geral de previdência, além de beneficiários do BPC (benefício de prestação continuada). Dados compilados pelo INSS, extraídos pela Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), mostram que os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.

Documentos do acordo de cooperação técnica firmado entre o INSS e o Master, obtidos pela Folha, mostram que as regras adotadas sob medida em 2022 permitiram o funcionamento do Credcesta no mesmo ano, com expansão acelerada nos anos seguintes e de forma irregular, conforme a interpretação da atual gestão do INSS.

NORMAS – Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o Master sempre atuou em observância a normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, “incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.

Em 25 de março de 2022, o então presidente do INSS, José Carlos Oliveira, assinou uma instrução normativa que passou a permitir operações com cartão consignado de benefício, como o Credcesta, junto a aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. A instrução normativa alterou regras vigentes desde 2008 e não detalhou como se daria essa operação.

Com base nessa norma, o Master buscou o INSS para que fosse feito um aditivo no acordo de cooperação voltado a operações de crédito consignado. Esse acordo vigorou entre 2020 e 2025, e deixou de ser renovado diante das suspeitas de fraudes em carteiras do banco de Vorcaro, investigadas pela PF (Polícia Federal).

ADITAMENTO DE ACORDO – Em um ofício ao INSS em 7 de junho de 2022, o Master pediu “aditamento do acordo de cooperação técnica para inclusão do cartão consignado de benefício”. O banco citou, como base para o pedido, a instrução normativa publicada em março.

Até então, não havia um detalhamento sobre como esse cartão deveria operar, o que passou a estar previsto em nova instrução normativa, publicada no Diário Oficial da União em 23 de junho, 16 dias após o envio do ofício do Master.

Essa segunda norma sobre cartões consignados, como o Credcesta do Master, foi assinada por uma presidente substituta do INSS, Larissa Mora, servidora efetiva do órgão. José Carlos Oliveira havia sido nomeado por Bolsonaro, em 30 de março, para o cargo de ministro do Trabalho e Previdência.

SEM RESPOSTA – O termo aditivo para inclusão do Credcesta no escopo do acordo de cooperação técnica com o INSS foi assinado em 13 de julho. Quem assinou o aditivo pelo Master foi o diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do banco, Luiz Antonio Bull. O INSS não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem por e-mail e por WhatsApp na tarde de segunda-feira (30).

A reportagem buscou a defesa de Oliveira na segunda, mas não conseguiu contato. O ex-gestor esteve acompanhado do advogado durante o depoimento prestado na CPMI do INSS em setembro do ano passado.

No depoimento no Senado, o ex-presidente do INSS disse que o órgão não tinha capacidade de fiscalizar acordos de cooperação técnica firmados e que esses processos se davam de forma “mecânica”, após passarem por diversos setores da autarquia.

NOVO REGRAMENTO – O Master foi a primeira instituição financeira a fazer uso do novo regramento, com início das operações do cartão consignado de benefício, conforme acordos ou aditivos publicados no Diário Oficial da União, referentes a outras instituições financeiras.

Ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro, Oliveira mudou de nome e passou a se chamar Ahmed Mohamad Oliveira. A PF afirma que ele teve participação, de forma estratégica, no esquema de desvio de dinheiro de aposentadorias por meio de descontos fraudulentos. A polícia diz ter existido recebimento de propina pelo ex-gestor.

Bull, por sua vez, foi preso pela PF junto com Vorcaro, na primeira prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025. Naquele momento, as principais suspeitas investigadas eram de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília), com créditos inexistentes no valor de R$ 12,2 bilhões.

DELAÇÃO – Vorcaro voltou a ser preso preventivamente, no último dia 4, e negocia um acordo de delação premiada com a PF e com a PGR (Procuradoria-Geral da República). Reportagem publicada pela Folha em 13 de fevereiro mostrou a explosão dos contratos do Credcesta –um aumento de 2.500% em dois anos, com base em dados extraídos pela Dataprev– e o padrão reiterado de “desconformidades”, além do risco de danos aos beneficiários, elencados pelo INSS. A atual gestão do órgão decidiu não renovar o acordo de cooperação.

Em 2 de março, em outra reportagem veiculada no jornal, o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que o Credcesta operou de forma irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados.

“Quando se faz um [contrato de] Credcesta, ele começa com o empréstimo pessoal. Havendo margem, esse crédito pessoal migra para o crédito consignado. Na visão do INSS, isso é irregular”, disse Waller Júnior. “Nosso aposentado e pensionista têm de assinar um crédito consignado do INSS com todas as cláusulas e informações específicas.”

Governadores recuam da disputa e transformam sucessão em jogo de poder

A Pascoa de Paulo Peres e a solidão divina de Carlos Drummond…

Tribuna da Internet | Um recado a senadores e deputados, numa bem-humorada  canção de protesto

Peres, poeta e compositor carioca

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres, no poema “Páscoa”, faz uma reflexão sobre o significado deste acontecimento para a Humanidade.

PÁSCOA
Paulo Peres

Há mais de dois mil anos,
Jesus Cristo tentou
Mostrar à Humanidade
Uma vida melhor,
Mas a ignorância
Da maior parte da população,
Incentivada
Pelos poderes da época,
Mercenários e imperialistas,
Como os de hoje,
Impediram-no…

Houve sofrimento,
Houve lágrimas,
Houve escuridão…

Todavia,
Houve sabedoria,
Houve fé,
Houve busca,
Houve perdão,
Houve salvação,
Houve liberdade,
Houve luz,
Houve ressurreição!..

Ressurreição diária
Que existe na Páscoa
Do coração
De quem tem como dogma
Os Mandamentos
Da Justiça Divina!

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E DRUMMOND DESCOBRIU QUE DEUS É TRISTE…

COMO E POR QUE LER CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Solar do Rosário

Drummond refletia sobre Deus

O Bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira, no poema “Deus é Triste”, expõe a sua visão sobre a solidão divina.

DEUS É TRISTE
Carlos Drummond de Andrade

Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.

A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo
E cobre tudo tristinfinitamente.

A tristeza de Deus é como Deus: eterna.

Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.