Campanhas começam com R$ 770 milhões, mas 85% do dinheiro vêm dos partidos

Sob tensão política, Praça dos Três Poderes terá segurança reforçada no 7 de Setembro

Operação terá revistas e monitoramento em tempo real

Luísa Marzullo
O Globo

Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e à expectativa de manifestações políticas no 7 de Setembro, a região da Praça dos Três Poderes e da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, terá um esquema reforçado de segurança na próxima segunda-feira. A operação contará com grades em torno de prédios públicos, restrição de acesso a áreas próximas às sedes dos Poderes e monitoramento por drones e câmeras em tempo real.

O planejamento reúne forças federais e do Distrito Federal e prevê ainda revistas, bloqueios e restrições no espaço aéreo. A inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) monitora a organização de manifestações previstas para a data e trabalha com a possibilidade de atos simultâneos. Nesse cenário, o esquema prevê manter grupos distintos em áreas separadas para reduzir o risco de confrontos.

OPERAÇÃO CONJUNTA – O STF integra a operação e informou ao O Globo que o planejamento está sendo realizado de forma conjunta com a SSP-DF, o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), as forças de segurança do DF e os demais órgãos envolvidos.

Segundo a Corte, a atuação conjunta contempla “compartilhamento de inteligência, avaliação de riscos e definição coordenada de efetivos”, além de áreas de responsabilidade, revistas, bloqueios, restrições do espaço aéreo e monitoramento de drones. O tribunal afirmou ainda que adotará, em sua área de responsabilidade, “as medidas de reforço necessárias”.

O esquema ocorre em um momento de aumento da tensão dentro e fora do Supremo. Nos últimos dias, Alexandre de Moraes e André Mendonça entraram em confronto em torno das investigações sobre o Banco Master. Depois de Mendonça tornar públicas mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, uma decisão na qual apontou “fortes indícios” de irregularidades na atuação do colega e usou como base um relatório de inteligência da Polícia Federal sem assinatura e classificado como documento de trabalho, sem valor probatório.

PRESSÃO POLÍTICA – A crise também ampliou a pressão política sobre o Supremo às vésperas do feriado. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro intensificaram a defesa do impeachment de Moraes, que deverá ser um dos principais alvos das manifestações de direita previstas para a data. Mendonça, por sua vez, passou a receber manifestações públicas de apoio de políticos e lideranças religiosas ligadas à direita.

Apesar do novo ambiente de tensão, o planejamento de segurança já vinha sendo preparado antes da escalada do embate entre Moraes e Mendonça e segue protocolos adotados nos últimos anos em grandes eventos na capital. O esquema em torno das sedes dos Poderes foi intensificado após os ataques de 8 de janeiro de 2023.

CIDADE POLICIAL –  Na Esplanada dos Ministérios, as forças de segurança terão como base uma estrutura chamada “Cidade Policial”, que será montada ao lado do Museu da República. O local reunirá os comandos móveis das corporações e servirá como ponto de apoio para os agentes envolvidos na operação.

A região será monitorada por câmeras e drones, com imagens transmitidas em tempo real para auxiliar o policiamento. A Praça dos Três Poderes terá acesso restrito, e prédios públicos serão protegidos por gradis. Tropas especializadas também estarão mobilizadas, além de equipes de emergência e de combate a incêndios.

A Cidade Policial também funcionará como ponto de atendimento ao público. Será possível registrar ocorrências e solicitar o bloqueio de celulares roubados ou furtados. Militares especializados em atendimento pré-hospitalar circularão pela região, e as Forças Armadas manterão postos de saúde durante a programação.

DRONES –  Embora drones das forças de segurança façam parte da operação, equipamentos particulares estarão proibidos de sobrevoar a região. Entre 0h e 18h do dia 7, estará em vigor uma Zona de Restrição de Voo na área destinada ao desfile e em seu entorno.

Apenas drones operados por órgãos de segurança pública e instituições previamente autorizadas poderão circular. O descumprimento da restrição poderá levar à adoção de medidas de mitigação e a sanções administrativas, civis e penais. As revistas do público começarão às 6h e serão feitas individualmente nos acessos. Entre os itens proibidos no perímetro estão armas, facas e outros objetos perfurocortantes, fogos de artifício, explosivos, substâncias inflamáveis, drones, recipientes de vidro, sprays, mastros rígidos e capacetes.

O desfile cívico-militar está previsto para começar às 9h e terminar por volta das 11h, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministros e outras autoridades, entre elas os chefes dos demais Poderes. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou presença, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o do STF, Edson Fachin, também são esperados.

Vorcaro diz à PF que BC e Galípolo incentivaram fusão entre Master e BRB

No 7 de Setembro, Lula vai esquecer a crise do STF e falar apenas sobre a soberania

Jorge Messias vê ação da cúpula da PF para desgastá-lo em meio à crise do STF

Relatórios usados por Moraes citam advogado-geral da União

Tainá Falcão
CNN

O advogado-geral da União, Jorge Messias, vê um movimento da cúpula da Polícia Federal para desgastá-lo em meio à crise envolvendo integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal). A visão tem sido compartilhada nos bastidores com aliados.

A avaliação ganhou força depois de divulgados relatórios de inteligência produzidos pela PF sobre André Mendonça. Um dos documentos cita Messias ao mencionar o apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral ao STF como parte de uma suposta estratégia do ministro para alterar a correlação de forças na Corte.

“CORTINA DE FUMAÇA” – Nos bastidores, interlocutores de Messias avaliam que as críticas à atuação da AGU funcionam como uma espécie de “cortina de fumaça” diante do desgaste provocado pela crise no Supremo.

A PF havia pedido à AGU para questionar decisões de Mendonça consideradas pela corporação como interferência na autonomia das investigações. A avaliação dentro da AGU é de que um confronto com Mendonça dificilmente alcançaria o objetivo pretendido pela PF e ainda colocaria o governo Lula no centro da crise, o que o presidente teria deixado explícito ao AGU que não queria.

ARGUMENTO – Interlocutores de Messias questionam ainda por que, diante de eventuais irregularidades na condução das investigações, a PF não provocou a Procuradoria-Geral da República. O argumento é que o Ministério Público é responsável pelo controle externo da atividade policial e titular da ação penal pública. Na visão da AGU, portanto, caberia à PGR avaliar eventual interferência indevida do relator sobre a investigação, em vez de transferir à Advocacia-Geral da União a responsabilidade de confrontar Mendonça.

Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, chegou a procurar Mendonça posteriormente, mas, na avaliação de integrantes do governo, a crise já havia escalado. Apesar do episódio, o chefe da PF continua com a confiança do presidente e do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Messias resolveu “crescer” na crise e comprou a briga contra a direção da Polícia Federal, que está completamente desmoralizada. Quem está em alta é a Associação dos Delegados da Polícia Federal, que  partiram para o ataque contra o ministro Moraes, o procurador Gonet, o próprio Andrei Rodrigues (diretor da PF) e quem mais entrar na reta. É hora de Messias ficar fingindo de morto, senão pode ser atropelado pelo destino. (C.N.)

Michelle Bolsonaro aposta em sua origem humilde para conquistar o Senado

Crise entre Moraes e Mendonça repercute nas redes e supera até condenação de Bolsonaro

Aliados de Mendonça no STF também querem afastar Gonet do caso do Banco Master

Associação dos Delegados quer afastar Gonet, que ainda tenta blindar Moraes

CNN Brasil on X: "Por @jussarasoares → Oposição pede impeachment de PGR  após parecer por nulidade em caso Moraes https://t.co/natOXDQS2E" / X

Charge reproduzida da CNN

Eduardo Gonçalves
O Globo

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu neste sábado que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido no caso Master e uma apuração “sem seletividade” em relação às autoridades envolvidas.

A manifestação pública ocorre após Gonet abrir apuração sobre “possível ocorrência de ordem ou interferência externa” na produção do relatório da PF que apontou a relação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, com o ministro do STF Alexandre de Moraes e o próprio PGR. O documento listou 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.

IMPEDIMENTO – “A ADPF requer que o Procurador-Geral da República se declare impedido e se abstenha de praticar atos, seja como fiscal da lei, seja como titular do controle externo, nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado; que o procedimento instaurado seja arquivado por ser via inadequada ao questionamento de ato do STF”, diz o requerimento, que completa:

“E que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”, diz a nota antecipada pela coluna de Lauro Jardim.

O relatório “questionado” por Gonet foi encomendado na semana passada pelo ministro André Mendonça e assinado por quatro delegados e três agentes da PF. No ofício sobre a instauração de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, Gonet apontou que o objetivo é saber se eventual interferência maculou o seu conteúdo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A nota da Associação mostra que Moraes não tem mais saída. Em tradução simultânea, os delegados da Polícia Federal advertem que não vão aceitar a blindagem de Moraes, que o procurador Gonet ainda tenta fazer. Isso significa que Moraes não tem mais saída e vai apodrecer em público, ao vivo e a cores. (C.N.)

Alcolumbre se afasta de Flávio Bolsonaro e entra na mira da campanha bolsonarista

No desespero, Moraes usou relatórios da PF sem validade, para pedir investigação contra Mendonça

Corrupção, Moraes e evangélicos: o novo risco que ronda a campanha de Lula

Caso Moraes acende alerta no Planalto

Míriam Leitão
O Globo

A corrupção vai desempenhar um papel importante nesta eleição. A pesquisa da Quaest mostra, por exemplo, que 66% dos entrevistados souberam do caso Dark Horse e 52% consideram que Flávio Bolsonaro não deu explicações suficientes. Mas é importante observar que, nos últimos tempos, o que ganhou mais evidência foram as informações sobre as relações de Fábio Luís, filho do presidente, com Roberta Luchsinger.

É esse o caso que está mais recente na memória dos eleitores. E, nesse episódio, os números são muito semelhantes ao do envolvendo os Bolsonaros: 66% tiveram conhecimento e 54% consideram que as explicações não foram convincentes.

MORAES E VORCARO – Agora veio à tona o relatório da Polícia Federal que revela diálogos e encontros do ministro do STF Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mudando novamente o cenário. Quero fazer um cruzamento dessa questão com o eleitorado evangélico.

Apesar de os evangélicos não poderem ser vistos como um grupo monolítico, 30% dizem ter escolhido Lula — um terço, portanto, é um dado importante. Mas é  preciso lembrar também que, à frente desse questionamento envolvendo Alexandre de Moraes, está o ministro André Mendonça, que é evangélico.

ASSOCIAÇÃO – Isso pode, de alguma forma, influenciar esse eleitorado, sobretudo pela associação que se estabelece entre Alexandre de Moraes e Lula. Ou seja, o episódio pode afastar esse grupo da candidatura do presidente.

Afinal, a tendência é que parte desse eleitorado se identifique mais com André Mendonça, que já se declarou “terrivelmente evangélico” e é pastor de uma Igreja Presbiteriana, ligada à tradição da Reforma. Nos últimos anos, porém, esse segmento religioso também passou a ser fortemente marcado pela participação política de direita.

Caso Master e o silêncio dos três Poderes diante de uma República sob suspeita

Cury invade eleitorado de jovens e mulheres e se torna surpresa da corrida ao Planalto

Conselho do MPF decide investigar Gonet por seu envolvimento com Daniel Vorcaro

O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e familiares dele são  mencionados ao menos 33 vezes nas investigações do caso Master no Supremo  Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi levantado nesta terça-feira (Gustavo Côrtes
Estadão

O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para investigar a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de conversas dele com o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 3, a pedido do Partido Novo.

A legenda defende que Gonet seja afastado de forma cautelar das investigações que miram o banco Master, inclusive a Compliance Zero, sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal federal (STF). Se o pedido for acatado, Gonet será substituído por um subprocurador.

IMPEDIMENTO – “Enquanto o objeto da apuração alcançar tratativas dirigidas ao Procurador-Geral da República ou a familiar seu, a titularidade da ação penal pública perante o Supremo Tribunal Federal, nesse recorte, não pode ser exercida pelo próprio Procurador-Geral da República, sem comprometer a imparcialidade objetiva exigível da acusação”, diz o pedido.

Relatório da Polícia Federal mostra que o dono do Banco Master lhe enviou mensagens por meio de um intermediário, o advogado Ciro Soares. Nesses diálogos, Gonet aceitou um convite para uma degustação de uísque e charutos em Londres e ainda pediu que seu filho fosse incluído no evento custeado pelo empresário.

O advogado Ciro Soares enviou foto ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, segundos antes de intermediar uma ligação telefônica entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro.

FESTA DE ARROMBA – “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e (uísque) macalan”, disse o procurador logo após aceitar o convite.

Essa reunião reservada contou com a presença de outras autoridades, dentre as quais os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Gonet chegou a dizer ainda que sentia saudades de Vorcaro. Também o chamou de “animal” em tom elogioso após o banqueiro consentir com a presença do filho do PGR no convescote em Londres.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A festa está acabando. Não somente para Moraes, mas também para Gonet, Andrei e o resto da patota, que participou do festival de corrupção montado por Vorcaro. E o cerco aos corruptos está apenas começando. (C.N.)

Crise no STF avança rumo à eleição e pode explodir às vésperas do primeiro turno

Piada do Ano! Moraes e Toffoli ainda pensam (?) que têm alguma importância

Inquérito de Moraes sobre vazamento é anomalia jurídica - 15/01/2026 - Economia - Folha

Moraes e Toffoli são os mais indignos ministros do STF

Roseann Kennedy
Estadão

Na mesma semana, o Brasil registrou três sinais de fatos que podem pôr uma democracia em risco. Os casos ocorreram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

O País se deparou com a canetada desproporcional de um magistrado que tentou banir a comunicação de um presidenciável; assistiu à sua mais alta Corte ser arrastada para a lama sem fazer nada diante das suspeitas de corrupção, exploração de prestígio e advocacia administrativa que pesam contra um dos seus integrantes; e ainda viu o “inquérito do fim do mundo”, digo, inquérito das fake news, ser usado mais uma vez como instrumento de vingança.

SEM PRECEDENTES – Os episódios ocorreram em sequência, causando espanto a qualquer cidadão que prime pelas normas constitucionais. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tomaram decisões sem precedentes contra “inimigos” que exigem explicações sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Na Justiça Eleitoral, que tem, acima de tudo, o dever de garantir a lisura democrática, Dias Toffoli determinou a suspensão da campanha digital do candidato Renan Santos (Missão), sua participação em debates e também os repasses de recursos do fundo eleitoral para a candidatura.

Posteriormente, o ministro teve de recuar, ciente de que seria derrotado em plenário e visando a evitar uma decisão coletiva adversa sobre o caso.

RETALIAÇÃO – Para muitos, a decisão de Toffoli cheirava à retaliação pela crítica contumaz que Renan faz ao Judiciário e em razão dos questionamentos sobre as relações do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, no caso do Tayayá Resort, do qual foi sócio.

As relações com Vorcaro também expuseram diálogos nada republicanos com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Como revelou o Estadão, os dois trocaram 51 mensagens em 21 dias, incluindo pedidos, cobranças e até uma consulta do banqueiro para saber se deveria fugir, dois dias antes da prisão.

O ministro relator do caso, André Mendonça, encaminhou o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República e derrubou o sigilo.

GONET RECUOU – O procurador-geral Paulo Gonet, entretanto, achou melhor botar tudo para debaixo do tapete e pediu arquivamento do documento, como se fosse possível a população esquecer tudo que leu.

Primeiro, Moraes chamou Mendonça ao seu gabinete para indagar sobre o pedido o relator faria à PGR. Ora, como ficou sabendo antes? Recebeu alguma informação antecipada da Polícia Federal? Claro que sim.

Depois, fez de conta que não era com ele e nem sequer foi cobrado pelo presidente da Corte, Edson Fachin a dar explicações sobre o teor das mensagens. Moraes também não deixou dúvidas de que estava à vontade para ser fotografado rindo na cara de todos, no Supremo.

MORAES REVIDA – No dia seguinte, foi possível entender seu comportamento efusivo. O ministro já elaborava o plano para revidar, utilizando seu instrumento preferido de poder supremo: o inquérito das fake news.

Desta vez, tirou a peça da gaveta para acusar André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

Enquanto isso, Alexandre de Moraes continua sem apresentar explicações convincentes sobre os pedidos, cobranças e até consulta que recebeu de Vorcaro sobre a data para tentar fugir do País.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Moraes quer manter a mesma estratégia se sempre, fingindo que não está acontecendo nada, enquanto a avalanche da corrupção está arrasando o Planalto para destruir seu castelo de areia. Sua infantilidade chega a ser constrangedora. Já deveria ter renunciado desde o início, quando se descobriu o contrato de R$ 129 milhões, que na verdade era de R$ 131,2 milhões. O resultado é que agora Moraes vai apodrecer em cena aberta, dia-a-dia, sob o olhar espantado do respeitável público, sonhando que ainda é um Napoleão de hospício, a da ordem unida aos outros pacientes. Não tenho pena dele, porque fez por merecer. (C.N.)

Fachin deu uma gargalhada falsa e vai trabalhar para excluir Alexandre de Moraes do STF

Fachin deixou claro: cargo no STF não pode servir de escudo. Agora, André Mendonça pretende levar o caso de Alexandre de Moraes ao plenário, e o voto de Cármen Lúcia poderá ser decisivo. A batata está ...

Charge reproduzida do Instagram

Carlos Newton

A frase famosa – “Uma imagem vale mais do que mil palavras” – é atribuída erradamente ao filósofo chinês Confúcio, que viveu lá atrás, há 2,5 mil anos. O verdadeiro criador da expressão foi o jornalista americano Arthur Brisbane (1864/1936), ao afirmar: “Use a picture. It’s worth a thousand words” (Use uma imagem. Ela vale por mil palavras), num evento para publicitários em 1911, quando o uso da fotografia, com a invenção do clichê, estava revolucionando a imprensa.

Na quinta-feira, a foto feita por Brenno Carvalho para O Globo tornou-se o assunto do momento, por mostrar a falta de seriedade dos ministros do Supremo diante da maior crise já vivida pela instituição. No flagrante, o presidente do Supremo, Edson Fachin, está rindo tanto que chegou a se entortar. Parece até ser cúmplice de Moraes.

APARÊNCIAS ENGANAM – No entanto, outro ditado imortal nos lembra que as aparências enganam. No STF, está acontecendo justamente isso, porque Fachin parece estar se divertindo junto com Moraes, mas sua gargalhada é falsa e na verdade ele está empenhado em facilitar que haja impeachment.

Outros ministros compartilham as gargalhadas, como demonstra a foto de Brenno Carvalho, um flagrante que faz lembrar a cena do então presidente Jânio Quadros todo entortado, na célebre foto do Correio da Manhã, que deu o Prêmio Esso de Fotojornalismo a nosso amigo Erno Schneider.

Depois da cena grotesca de quarta-feira, Fachin agiu com firmeza, ao dar cinco dias para a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o relator André Mendonça para confirmarem suas posições sobre o pedido para abrir investigação contra Alexandre de Moraes no caso do Bando Master.

ESFRIOU O CLIMA – Assim, com maestria, Fachin esfriou o clima e deu também a Moraes o mesmo prazo de cinco para se explicar. Mas o ministro está de pavio curto, não quis nem saber e na manhã seguinte já pedia a destituição de Moraes por “abuso de poder”, através do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que não acaba nunca e serve para tudo.

No entanto, foi um tiro no pé, porque Moraes se baseou num documento da Polícia Federal que é considerado sem valor probatório pela própria PF, não tem assinatura e foi entregue a Moraes pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues, que está envolvido no caso Vorcaro junto com a namorada, a jornalista  e lobista Renata Varandas, e o presidente Fachin imediatamente retirou do inquérito interminável a falsa acusação contra Mendonça. 

Na próxima semana, passados os cinco dias,  na sexta-feira Fachin já terá recebido os relatórios dos ministros e das instituições que receberam intimação, vai distribuir cópias aos demais membros do STF e pode marcar para a outra semana a sessão que decidirá investigar e afastar Moraes por advocacia administrativa e outros crimes conexos, com base nas mensagens existentes nos celulares de Daniel Vorcaro.

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P.S.
Tudo isso significa que a decisão inicial contra Moraes poderá sair antes da eleição, que será dia 4 de outubro, com resultados devastadores para o candidato Lula, que cometeu o maior erro estratégico de sua vida pública, ao aceitar um jantar na casa de Moraes, um ministro que já se encontrava em putrefação e mesmo assim conduziu esse encontro comes e bebes para celebrar conluio de Lula com os presidentes da Câmara e do Senado, os nada recomendáveis Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e tudo isso com a cumplicidade de outro ministro, Cristiano Zanin, que se comportou infantilmente, pois não tinha motivos para participar desse tipo de relacionamento vicioso. (C.N.)

O medo de falar: mais da metade dos trabalhadores evita expor opinião política

Aliados de Fachin defendem punição a Moraes e Mendonça para encerrar crise no STF

Interlocutores rejeitam “varrer para debaixo do tapete”

Andréia Sadi
G1

Aliados do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, defendem que ele leve ao plenário uma proposta que dê respostas aos dois protagonistas da “crise Master” na Corte. E não descartam nem mesmo a discussão de uma punição aos dois colegas. Tanto para André Mendonça como para Alexandre de Moraes.

Mendonça deve ser advertido pelo que foi considerado uma invasão de prerrogativas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República quando o magistrado avançou sobre dados envolvendo o colega. Moraes porque precisa explicar sua ligação com Daniel Vorcaro e esclarecer se tomou alguma medida para beneficiar o ex-banqueiro.

CRISE INÉDITA – Segundo esses interlocutores de Edson Fachin, a crise atingiu um ponto nunca antes visto dentro do tribunal, com uma guerra aberta entre dois ministros, e que isso demanda algum tipo de decisão para mostrar que o Supremo não fica defendendo seus ministros e atuando de forma corporativista.

“Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete, tal como aconteceu no caso de Toffoli. É preciso mostrar para a sociedade que o tribunal não poupa seus pares”, disse reservadamente um aliado de Edson Fachin.

O presidente do STF já adotou nesta sexta-feira (4) uma medida importante, retirando o pedido de Alexandre de Moraes contra André Mendonça do âmbito do inquérito das fake news e levando o pleito para o seu gabinete.

EXPLICAÇÕES – Fachin juntou o pedido de Moraes ao de André Mendonça e determinou que todos os envolvidos na “crise Master” enviem, num prazo de cinco dias, explicações para que o presidente do STF tome a decisão do que será discutido no plenário. Segundo a equipe de Fachin, o caso será submetido ao plenário físico. A expectativa é que a temperatura, que nesta quinta-feira (3) atingiu um ponto explosivo, baixe nos próximos dias.

Depois, o presidente do STF vai aguardar as respostas de todos os lados para definir o que deve propor ao plenário do tribunal. Nos bastidores, ministros das duas alas avaliam que teria faltado pulso a Fachin na condução da crise, o que ampliou o embate entre Moraes e Mendonça.

Integrantes da Corte ouvidos sob a condição de reserva apontam que o presidente do STF deveria ter sido mais enfático nas conversas na tentativa de costurar algum entendimento ou até mesmo estabelecer um protocolo entre os colegas para evitar os ataques públicos, o que é visto como uma forma até mesmo de deslegitimar o Supremo e reforçar ataques externos.

PRESERVAÇÃO – Interlocutores de Fachin, no entanto, afirmam que o presidente tem atuado de forma firme e intensa para preservar a Corte diante da escalada da crise e ainda para evitar a guerra pública entre os dois colegas.

Esses auxiliares citam que o presidente tem feito intensas reuniões não só com Moraes e Mendonça, mas também com interlocutores deles e conversado individualmente com todos os ministros para construir uma solução conjunta.