Fachin tenta “defender” Moraes, que  é acusado pelo Congresso americano

Fachin defende código de ética no STF, e Moraes rebate; Margot Robbie  elogia Wagner Moura; Bad Bunny protesta contra o ICE | GZH

Ilustração de Miguel Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Samanta Nogueira
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, divulgou uma nota nesta quinta-feira, 2, em que rebate um relatório preliminar elaborado pela Comissão Judiciária da Câmara de Representantes dos Estados Unidos. O documento acusa o ministro Alexandre de Moraes de praticar censura que pode afetar a lisura das eleições presidenciais de 2026 no Brasil.

“O relatório traz caracterizações distorcidas da natureza e do alcance de decisões específicas do Supremo Tribunal Federal, bem como, mais amplamente, do sistema de proteção à liberdade de expressão no ordenamento jurídico brasileiro”, diz Fachin.

GENERALIZANDO… – Na nota, Fachin não cita diretamente Moraes, mas defende a atuação geral da Corte. “Registre-se preliminarmente que o Tribunal e todos os seus integrantes primam pela defesa da independência entre os Poderes e autoridade de suas decisões. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal seguem à risca os preceitos constitucionais, sendo a liberdade de expressão um desses primados fundamentais de nossa República”, afirma.

O ministro também justifica ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais, em inquéritos relatados por Moraes, como o das fake news e o das milícias digitais.

Segundo ele, as medidas “inserem-se no contexto de investigações que têm por objeto a instrumentalização criminosa de redes sociais por milícias digitais, com a finalidade da prática de diversas infrações penais, em especial aos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal), golpe de Estado (art. 359-M do Código Penal) e associação criminosa (art. 288 do Código Penal)”.

“No âmbito daqueles inquéritos, foram emitidas medidas cautelares quando presentes indícios robustos da prática daqueles crimes”, acrescenta.

O presidente do STF informa ainda que esclarecimentos “que possam contribuir para a restituição de uma leitura objetiva dos fatos” serão encaminhados ao órgão do Congresso dos EUA, por canais diplomáticos e no nível adequado.

A Comissão Judiciária da Câmara de Representantes dos EUA divulgou nesta quarta-feira, dia 1.º, o teor de seu mais recente relatório sobre a liberdade de expressão no Brasil. O documento provisório foi elaborado por uma equipe vinculada ao colegiado.

“As ordens de censura e as manobras jurídicas do ministro Moraes contra a família Bolsonaro e seus apoiadores podem prejudicar significativamente a capacidade deles de se manifestarem online sobre assuntos de importância pública nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”, diz um trecho do documento.

O colegiado americano é dominada por aliados do presidente Donald Trump, junto aos quais atua em Washington o lobby da oposição bolsonarista. Em janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a Presidência da República, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o youtuber Paulo Figueiredo visitaram o gabinete do parlamentar republicano Jim Jordan, que presidente a comissão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fachin não teve coragem de defender Moraes, o único citado no relatório da matriz USA, e saiu pela tangente, defendeu genericamente o Supremo, sem mencionar o ministro lá investigado. Na verdade, o problema é que Moraes não tem argumentos para justificar suas decisões ditatoriais e abusivas. A vaidade é tanta que Moraes mandou que suas “ordens”, emitidas aqui na filial Brazil, fossem obedecidas pela Justiça da matriz USA, e Fachin ainda tem a desfaçatez de defender esse tipo insano de decisão, vejam a que ponto decaiu o Supremo brasileiro. Vamos voltar ao assunto, com mais detalhes, porque Fachin mentiu na resposta à Câmara da matriz. (C.N.)

Relatório da Câmara dos EUA ataca Moraes e fala em ameaça à liberdade de expressão

Grupo diz que Moraes atua em “campanha de censura”

Luis Felipe Azevedo
O Globo

O Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos publicou na última a quarta-feira um novo relatório sobre o Brasil, no qual critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O grupo, atualmente comandado pelo partido Republicano, do presidente Donald Trump, afirma que o magistrado atua em uma “campanha de censura” que “atinge o cerne da democracia brasileira e ameaça a liberdade de expressão” americana.

“A supervisão do Comitê revela que o ministro Moraes e outros membros do Judiciário brasileiro, assim como um número crescente de censores estrangeiros, buscam impor um regime global de censura ao ordenar a remoção de conteúdos em todo o mundo”, diz o documento sobre decisões de Moraes no STF.

ARGUMENTOS – No relatório, o comitê argumenta que decisões, avaliadas pelos deputados como de censura, proferidas Moraes e outros magistrados brasileiros “têm repetidamente mirado os discursos proferidos nos Estados Unidos, incluindo os de jornalistas e comentaristas brasileiros” que vivem no país governado por Trump.

O documento também menciona o cenário eleitoral no Brasil, citando a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os parlamentares americanos, “as ordens de censura e o ‘lawfare’” de Moraes contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiadores “podem prejudicar significativamente sua capacidade de se expressar on-line sobre questões de interesse público nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”.

A comissão é presidida pelo deputado Jim Jordan, que é apoiador de Trump. Ele esteve com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e Flávio em 8 de janeiro deste ano. O Globo procurou o STF, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. O texto será atualizado em caso de resposta.

Traído por Lula em 2018, Ciro Gomes se alia a Flávio Bolsonaro contra o PT

Ciro Gomes se filia ao PSDB ao lado de lideranças da oposição e  bolsonaristas no Ceará

Ciro lidera as pesquisas, com apoio de Tasso Jereissati

Merval Pereira
O Globo

Ciro Gomes volta à eleição no Ceará, possivelmente para disputar a eleição para governador, aliado a Flavio Bolsonaro. Pode parecer estranho no primeiro momento, porque ele sempre se disse de esquerda, mas virou um antipetista total. É o tipo de político capaz de fazer acordo com Flavio Bolsonaro para derrotar Lula.

Ficou engasgado com o PT e nunca perdoou, porque acha que sofreu várias traições de Lula. Inclusive em 2018, quando Lula não podia disputar e ele quase foi o candidato da esquerda.

UM ANTILULA – Ciro Gomes virou o eleitor antipetista que vota em qualquer um, menos em Lula. Numa região em que o PT é muito forte, ele está em primeiro lugar nas pesquisas, se junta a Flávio Bolsonaro e ganha uma força eleitoral grande.

O PSDB, partido atual de Ciro, virou para a direita. A maioria de seu eleitorado deixou o partido e ficou a parte que era de direita e centro-direita. Lula tanto fez para jogar o PSDB para a direita que conseguiu – pelo menos, o que sobrou do partido virou antipetista.

Do eleitorado do antigo PSDB, que votava contra Lula, muita gente ficou na direita, apoiando Bolsonaro.

Caso Master: Investigação alcança paraísos fiscais e expõe conexões políticas em Brasília

Valdemar sugere Caiado como vice de Flávio e acena com recuo na disputa presidencial

Valdemar também sugeriu que Caiado disputasse o Senado

Deu no O Globo

O presidente do PL Valdemar da Costa Neto disse nesta quarta-feira que Ronaldo Caiado (PSD) poderia ser um nome para a vice-presidência em uma chapa com o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro. A declaração foi feita em uma entrevista ao site Metrópoles, após ele ser questionado sobre a possibilidade.

Ele também sugeriu, no entanto, que o ex-governador de Goiás pode desistir da candidatura presidencial e se lançar ao Senado pelo estado: “Sim. O Caiado está preparado para tudo. Por isso, acho que ele pode inclusive voltar ao estado dele e ser candidato ao Senado. Não estou dizendo que eles estão enganando ninguém. O Caiado é parceiro nosso, é da direita. Vamos estar juntos. Agora, eu gostaria que todos estivéssemos juntos no primeiro turno”, diz Valdemar

CONVITE – O presidente do PL  disse que ele e Flávio não discutiram ainda sobre a possibilidade de convidar Caiado para a chapa. “Não tivemos essa conversa ainda. O Flávio está andando da maneira que ele tem de andar. Ele tem de ir devagar. Essa eleição só não ganhamos se errarmos”, afirmou

O nome de Caiado foi confirmado como a escolha do PSD para disputar a Presidência da República nesta segunda-feira, dias após Ratinho Júnior desistir da disputa. Ao discursar no anúncio, feito na sede do partido em São Paulo, Caiado atacou o PT e aflinetou Flávio Bolsonaro, com quem deve disputar o eleitorado de direita. Ele argumentou que para governar é necessário ter experiência prévia no Executivo.

GOVERNAR NA CADEIRA – “Difícil é governar para o PT não ser mais opção no país. Ganhar não é a maior dificuldade, e vamos ganhar. Mas (quem ganhar) vai saber governar, ou vai aprender a governar na cadeira?”, questionou, ao evocar sua experiência como governador.

Em outro momento, Caiado voltou a tratar sobre o assunto. “O ímpeto da idade, às vezes, ultrapassa o momento de equilíbrio. E não se governa com decreto, mas dialogando, sentando à mesa. Não se governa com queda de braço. (…) Na democracia tem que se conviver harmonicamente. O que precisa é de experiência. Não cabe a improvisação neste momento”, afirmou.

Investigação revela acesso a dados fiscais de autoridades e mira empresário foragido

Conde é apontado como “mandante” de estrutura

Pepita Ortega
O Globo

A investigação sobre o esquema de obtenção ilícita de dados fiscais de autoridades identificou o acesso a informações de 1.819 pessoas, entre elas familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal de Contas da União, deputados, ex-senadores e até um ex- governador. Houve acesso irregular, por exemplo, às informações fiscais da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci.

A informação foi destacada pela Procuradoria-Geral da República ao pedir a abertura da segunda fase da Operação Exfil. A ofensiva fez buscas nesta quarta-feira em seis endereços do empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde.

“MANDANTE” – Marcelo Conde é apontado como “mandante” da estrutura que teria acessado indevidamente dados dos magistrados da Corte. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva do empresário, mas ele está foragido. De acordo com depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF), Conde teria fornecido listas de CPFs a estrutura sob investigação e feito pagamentos de R$ 4,5 mil, em espécie, para acessar as declarações fiscais obtidas de forma ilícita.

Segundo o inquérito, foram identificados múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil para obtenção dos dados de ministros. As informações teriam sido extraídas não só dos sistemas do Fisco, mas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Ao autorizar a operação, Moraes indicou que as buscas eram necessárias para a “reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos”. Os investigadores pretendem confirmar a negociação dos valores e a atuação do grupo a partir dos dispositivos colhidos durante a ofensiva.

INTERMEDIAÇÃO – A Polícia Federal viu uma “cadeia de intermediação estruturada”, que contava com a participação de servidores públicos, funcionários terceirizados, despachantes e intermediários. Segundo a corporação, as mensagens trocadas entre os investigados poderiam “evidenciar a extensão da atuação” de Conte.

A primeira fase da Operação foi aberta em fevereiro, com o em “apurar o repasse de documentos fiscais submetidos à proteção legal e obtidos de forma criminosa mediante remuneração”, segundo a PF.

Sem convite formal, Tereza Cristina entra no radar como possível vice de Flávio Bolsonaro

‘Nunca fui convidada; se for, vamos pensar’, diz senadora

Alvaro Gribel
Estadão

A senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS) afirma que “não chegou o convite” para ser candidata a vice na chapa encabeçada pelo também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República pelo PL. Se o convite for feito, complementa, irá “pensar mais à frente”.

“Nossa senhora, esse assunto não sai da minha frente. Nunca fui convidada. Se eu for, lá na frente nós vamos pensar. Nunca chegou esse convite”, afirmou em entrevista ao Estadão. A senadora também afirmou que o agronegócio brasileiro tem uma posição pragmática, especialmente os exportadores, e irá se distanciar do presidente dos EUA caso sejam prejudicados pela guerra no Irã travada por Donald Trump.

PRAGMATISMO – “Tem vários agros, mas vamos falar do agro exportador. O agro que é onde (a guerra) pode atrapalhar. O agro exportador é muito pragmático. Se o Trump atrapalhar muito, eles vão ficar contra. Se o Trump atrapalhar menos, eles vão ficar a favor, porque o agro é conservador. Mas, assim, o agro é pragmático”, afirmou.

Nesta semana, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que torce para que uma mulher seja escolhida como vice de Flávio Bolsonaro. “Eu torço para que seja uma mulher. Porque as mulheres, apesar de ter pouca mulher aqui, são muito melhores do que os homens, em todos os sentidos”, afirmou durante evento do grupo Lide, em São Paulo.

PESQUISA – Levantamento do instituto Paraná Pesquisas indica um cenário de disputa acirrada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno das eleições de 2026, com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PT) numericamente à frente.

De acordo com a pesquisa, Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44,1% – um empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos porcentuais da pesquisa.

Outros 6,2% afirmam que votariam em branco ou nulo e 4,5% não souberam ou não opinaram. Em fevereiro, os dois estavam numericamente mais próximos, com 44,4% para Flávio e 43,8% para Lula.

MISOGINIA –  Sobre a aprovação no Senado do projeto de lei da misoginia, como voto a favor da senadora, ela diz que o País vive uma violência “fora do normal” contra as mulheres e que se posicionou de acordo com as suas convicções.

“Estamos vivendo um tempo muito complicado para as mulheres. Feminicídio todo dia, uma violência fora do normal, fora dos patamares anteriores. Não sei se é rede social, o que está acontecendo – mas é fato, porque a estatística está aí e a gente tem visto casos aterradores”, afirmou. “É um tema difícil, mas eu acho que precisava ser feito, Eu tenho também as minhas convicções, e eu votei a favor.”

TIPIFICAÇÃO – Aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra, a proposta define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres” e altera a redação da legislação vigente para incluir o termo “misoginia” entre as formas de preconceito já tipificadas – como as praticadas por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.

“O que a gente tem visto é um escândalo nunca visto no Brasil e que pega de A a Z. Pega direita, esquerda, centro, meio, para cima, para baixo, uma coisa que cada dia a gente fica mais estarrecido”, afirma. “Eu acho que todo mundo precisa ser investigado e a verdade tem de vir à tona e, aí, as medidas precisam ser tomadas.”

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Caso Master: 8 mil vídeos nos celulares podem redesenhar conexões com o poder

Volume de dados inclui registros pessoais e profissionais

Patrik Camporez
O Globo

Peritos envolvidos na análise dos celulares apreendidos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontraram mais de 8 mil vídeos nos aparelhos. O material foi extraído de nove smartphones ligados ao banqueiro, obtidos ao longo das diferentes fases da investigação. Além desses vídeos, há grande quantidade de outros tipos de arquivos digitais sob análise.

O volume de dados inclui registros pessoais e profissionais, com arquivos que vão desde registros antigos até conteúdos mais recentes. Os peritos estão separando conteúdos pessoais e interações corriqueiras do que realmente importa para a investigação. Diante da quantidade de dados, a análise demanda tempo e cautela para evitar conclusões precipitadas, dizem pessoas com acesso ao processo.

CONEXÕES – Imagens de Vorcaro ao lado de políticos e autoridades, por exemplo, vêm sendo selecionadas e analisadas. A avaliação, no entanto, é que registros de presença em eventos e encontros sociais, por si só, não configuram indícios de irregularidades. Por isso, o material tem sido tratado com cautela pelos investigadores, sendo necessário cruzá-lo com outros elementos de prova para verificar eventual relevância para a apuração.

A avaliação de pessoas com acesso ao material é que, à medida que os arquivos forem examinados, novas frentes de apuração possam ser abertas, inclusive com base em elementos ainda não identificados nas etapas iniciais do caso.

Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, onde negocia um acordo de colaboração premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República. A expectativa entre pessoas envolvidas no processo é que a eventual delação contribua para esclarecer pontos ainda pendentes da investigação, especialmente aqueles que não puderam ser totalmente reconstruídos a partir do material apreendido.

DESAFIO DA TRIAGEM –  O volume de dados é apontado como um dos principais desafios do processo. Segundo relatos, o material apreendido inclui milhares de arquivos sem relação direta com os fatos apurados, o que impõe um trabalho de filtragem para separar conteúdos pessoais de possíveis evidências.

Integrantes da investigação afirmam que, embora a delação seja considerada relevante, boa parte das informações já está contida nos dispositivos apreendidos. Nesse cenário, a expectativa é de que a colaboração traga elementos inéditos, capazes de lançar luz sobre pontos ainda não alcançados pelos policiais.

De acordo com pessoas com conhecimento do assunto, a apuração ainda está em fase intermediária, com diversas frentes abertas e pontos pendentes de aprofundamento. Assim, investigadores afirmam que medidas “mais incisivas” só são adotadas quando há robustez suficiente nos elementos reunidos, de forma a evitar fragilidades processuais. A preocupação é garantir que eventuais pedidos à Justiça sejam sustentados por provas consistentes, reduzindo o risco de questionamentos ou nulidades no curso do processo.

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Após meses de trava política, Lula envia indicação de Messias ao STF sob pressão do Senado

Nome de Messias será avaliado pelos senadores

Ivan Martínez-Vargas
Sérgio Roxo
Luísa Marzullo
O Globo

Mais de 24 horas depois de a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência ter comunicado que o governo enviaria ao Senado a mensagem presidencial que oficializa a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o documento foi enviado ao Legislativo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia anunciado, no dia anterior, que enviaria a documentação ao Senado na terça-feira, após quatro meses de espera.

Ao O Globo, ministros do governo e aliados de Messias dizem desconhecer a razão pela qual o prazo estipulado pelo próprio Planalto demorou para ser cumprido, afirmam estar surpresos com a demora e atribuem o problema à Casa Civil. Integrantes da pasta, que será comandada por Miriam Belchior após a saída do ministro Rui Costa, oficializada nesta semana, dizem que a demora se deve simplesmente a trâmites burocráticos. O ministro da AGU já mandou a documentação necessária à pasta.

ENTREGA DA DOCUMENTAÇÃO – Em nota, no começo da tarde, a Casa Civil confirmou o envio. “A Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República acaba de realizar a entrega da documentação do ministro Jorge Messias para a indicação à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal”, diz a nota.

Nesta terça-feira, Lula anunciou a seus auxiliares que enviaria o nome do chefe da AGU ao Senado durante a reunião ministerial que oficializou a saída de ministros que devem disputar as eleições em outubro.

COBRANÇA – De acordo com relatos de pessoas presentes na reunião, o presidente desejou êxito a Messias e cobrou empenho do ministro nessa nova etapa junto aos senadores. O chefe do Executivo também pediu que os ministros trabalhem junto a seus aliados no Senado para garantir a aprovação do nome de Messias.

O presidente anunciou o nome de Messias para a vaga na Corte, aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em 20 de novembro do ano passado, mas não enviou a mensagem presidencial ao Senado como forma de contornar a resistência de parlamentares ao nome do chefe da AGU.

A indicação de Messias contrariou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que fez campanha pelo nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). De lá para cá, houve um distanciamento de Alcolumbre com o Palácio do Planalto — o senador foi um dos principais aliados que garantiram a governabilidade do Executivo no Congresso neste terceiro mandato de Lula.

SABATINA – O presidente do Senado chegou a marcar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa para 10 de dezembro de 2025, prazo que, na leitura de governistas, inviabilizava a aprovação do nome de Messias.

Diante do cenário desfavorável para o indicado por Lula, o Planalto segurou o envio da mensagem presidencial formal como estratégia para ganhar tempo. Com o envio da mensagem, é esperado que o rito regimental seja destravado.

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Senador Contarato reage à decisão de Moraes e vê restrição ao Coaf como “muito grave”

Senador alertou que decisão é retroativa

Deu no O Tempo

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou, nesta terça-feira (31/3), que a restrição da produção de relações financeiras (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como “muito grave”. A decisão foi proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na sexta.

As restrições também passam a se aplicar à CPI e às CPMIs. Moraes autorizou o Coaf a produzir RIFs apenas de pessoas formalmente investigadas. Os pedidos vão ter que indicar, de “forma concreta, individualizada e objetiva a real”, a necessidade dos RIFs e a pertinência entre as informações solicitadas e o objetivo do pedido.

EFEITO RETROATIVO – Contarato ressaltou que a decisão proferida pelo ministro tem efeito retroativo. “Todas aquelas transferências de sigilo que nós aprovamos, que tinham como base um requerimento fundamentado aprovado e vieram os dados, agora, sob pena de nulidade de todos os atos, têm que ser revistas”, questionou.

O presidente voltou a criticar a decisão do ministro Gilmar Mendes em anular o RIF da empresa do também ministro Dias Toffoli e de seus irmãos. “Quando há decisões do órgão máximo do Poder Judiciário que ressuscita mandado de segurança arquivado e é direcionado para determinado ministro para uma concessão de habeas corpus para pessoa jurídica, fico estarrecido”, disse.

DOIS PESOS – O senador ainda acusou o STF de ter dois pesos, mas duas medidas ao interpretar as votações em bloco de requerimentos como inconstitucionais. “Se você verificar, até órgãos superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgam em bloco, mas ninguém questiona que tem que ser julgada uma a uma”, apontou.

Em tom de desabafo, Contarato defendeu que os senadores têm prerrogativas e têm que ter responsabilidade com os próprios eleitores. “Nós somos 81 senadores. Tenho que ter responsabilidade com a população capixaba que me elegeu, assim como todos os senadores que aqui estão. CPI é um instrumento de minoria e uma das funções do parlamento é essa”, acrescentou.

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