Gilmar pede que Lula bloqueie Mendonça e manipule a apuração da Polícia Federal

Lula se encontra com Gilmar em meio à crise envolvendo Moraes

Gilmar tenta convencer Lula a intervir na Polícia Federal

Roseann Kennedy
Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para orientá-lo sobre a crise entre a Corte e a Polícia Federal (PF). No encontro, segundo apurou a Coluna do Estadão, ele defendeu que a corporação reaja a determinações do ministro André Mendonça quando as considerar excessivas ou ilegais.

O magistrado traçou caminhos para os passos futuros do governo diante das decisões do relator dos casos Master e do INSS, que envolve investigações sobre um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha).

FREAR MENDONÇA – Na avaliação de Gilmar Mendes, compartilhada com Lula, o governo falhou ao não cobrar um freio nas medidas de André Mendonça desde o início. A mesma crítica foi dirigida ao Ministério da Justiça e à própria Polícia Federal.

O magistrado citou episódios específicos para ilustrar a situação. Um deles foi a decisão que impediu o acesso de investigadores da PF a parte do material apurado. O outro foi a ordem que determinou a remessa de todas as ações e processos para o gabinete do relator.

O impasse envolve também episódios anteriores de bastidores. Em julho, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, chegou a solicitar ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que questionasse essas decisões de André Mendonça.

MESSIAS RECUOU – No entanto, Messias se recusou a adotar qualquer medida, argumentando que a atuação da AGU em uma causa criminal seria inédita e poderia suscitar acusação de tentativa de obstrução de justiça.

Diante desse cenário, Gilmar sustentou uma posição firme para a direção da Polícia Federal. Para ele, o diretor-geral pode declarar que ordens ilegais não serão cumpridas, recorrendo diretamente ao próprio Judiciário para que haja uma suspensão sobre a determinação.

O ministro ponderou que, em uma situação extrema, caberia até impetrar um mandado de segurança contra as decisões de André Mendonça. No entanto, ele indicou não acreditar que seja necessário chegar a esse ponto.

DENTRO DA LEI – A recomendação principal é buscar uma solução por vias institucionais. Para fundamentar essa reação, o magistrado indicou pontos já levantados no caso.

Um deles envolve os novos relatórios da PF, que foram rejeitados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O outro diz respeito ao depoimento do empresário Daniel Vorcaro prestado a Mendonça, no qual o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, é citado.

A articulação proposta prevê uma ação institucional conjunta. Ela pode ocorrer por meio do ministro da Justiça com o presidente do STF, Edson Fachin, ou em um diálogo direto entre Andrei e Fachin.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Gilmar Mendes simplesmente propôs que o presidente Lula e apoie a consolidação definitiva da Ditadura do Supremo, que já vinha sendo emboçada por Alexandre de Moraes desde a criação ilegal do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que não acaba nunca. Como Lula é analfabeto trilateral (de pai, mãe e vizinhança), não entendeu nada que Gilmar dizia e deu uma desculpa, dizendo que ia pensar no assunto. No desespero, Gilmar vazou a conversa para a imprensa, tentando sensibilizar Lula e levá-lo para o caminho de um golpe branco, pior do que o aquele que Bolsonaro não conseguiu dar. (C.N.)

Áudios revelam que Nikolas Ferreira buscou Vorcaro para ajuda em liberação de minério

Depoimento de Vorcaro fora da PF levanta suspeitas e aumenta pressão sobre Mendonça

Investigadores questionam oitiva de Vorcaro

Bela Megale
O Globo

Não foi só para a Polícia Federal que Daniel Vorcaro prestou depoimento na semana passada. O banqueiro, que está preso desde março, também foi ouvido pelo gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso que investiga as fraudes do Banco Master.

O depoimento do banqueiro foi colhido por um juiz auxiliar do gabinete, sem a participação da Polícia Federal. Um representante do Ministério Público Federal participou da oitiva. Entre os nomes citados no depoimento, estava o do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

SUSPEITAS – O fato de o depoimento ter sido realizado sem a presença da PF, que preside o inquérito sobre as fraudes do Master, levantou suspeitas entre investigadores. Há a desconfiança de que Mendonça poderia estar negociando diretamente com Vorcaro uma nova tentativa de delação premiada.

Procurado, o advogado Daniel Bialski, que é um dos representantes de Vorcaro, não respondeu aos contatos da coluna. O gabinete de Mendonça disse que “o depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa” de Vorcaro e que os advogados pediram a oitiva sob o argumento de que o banqueiro “relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência”. O gabinete do ministro afirmou que não comentaria o conteúdo da audiência, que “é resguardado por sigilo legal”.

“A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido. Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

Após ser preterido para o STF, Pacheco conquista vaga vitalícia no TCU com aval do Congresso

Lula prepara fala sobre Moraes para impedir que crise no STF contamine sua campanha

Mensagens expõem suposta interferência de Paulo Gonet em eleição no Ministério Público

STF ignora crise envolvendo Moraes em primeira sessão após revelação de relatório da PF

Sem ter mais o que fazer, Moraes manda destruir ou doar as armas de Jair Bolsonaro

Medida se dá na esteira da revogação do porte de Bolsonaro

Deu no O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal encaminhe as armas do ex-presidente Jair Bolsonaro, apreendidas quando sua prisão domiciliar foi mantida, para o Exército, para “destruição ou doação a órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas”. A única arma que escapou da ordem foi a pistola apreendida durante blitz da Polícia Militar no Distrito Federal.

Em julho, o ministro determinou que o Comando do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília entregue à Polícia Federal um conjunto de seis armas, entre pistolas e espingardas, do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida se dá na esteira da revogação do porte de arma do ex-chefe do Executivo, determinada quando Moraes prorrogou a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro.

ENTREGA DAS ARMAS – O ministro do STF também havia determinado que a defesa do ex-chefe do Executivo entregasse todas as armas registradas em seu nome. Depois da ordem, os advogados de Bolsonaro informaram que seis das oito armas estão no Batalhão de Polícia do Exército. Já as outras duas — uma carabina/fuzil Caracal calibre 5,56 e uma pistola Caracal calibre 9 mm — já haviam sido entregues à Polícia Federal em 24 de abril de 2023, diz a defesa.

Os advogados pediram que o ministro do STF indicasse se seria necessária uma autorização específica para transportar os armamentos atualmente sob custódia do Exército até a Superintendência Regional da PF no Distrito Federal. A defesa sugeriu que um dos representantes da equipe jurídica, acompanhado de um segurança, ficasse responsável por retirar o armamento e fazer a entrega à PF.

Moraes, no entanto, determinou que o Exército entregue diretamente as armas à PF. Ainda determinou que a corporação certifique-se de que está com a carabina e a pistola indicadas pela defesa do ex-presidente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Moraes finge que ainda manda neste país, mas seu tempo já acabou. O destino que o aguarda já está traçado: ele acabará sendo afastado do Supremo e depois condenado por corrupção e outros crimes. Como se dizia antigamente, Moraes já era… (C.N.)

Em meio à crise no STF, Mendonça defende código de conduta para ministros

‘Forma de preservar relação de confiança’, diz ministro

Maria Eduarda Caldo
G1

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (1º) a elaboração de um código de conduta para magistrados. Mendonça fez a defesa do código de conduta durante um seminário, realizado no Supremo Tribunal Federal, com o tema “Poder Judiciário e Inteligência Artificial”.

O magistrado disse que a adoção de um código é uma “forma de preservar a relação de confiança” nos tribunais. “Toda vez que há um rompimento efetivo dessa relação de confiança é preciso haver o devido tratamento da questão”, disse.

MODULAÇÃO – “Desde o primeiro momento, me manifestei ao presidente Luiz Edson Fachin ser a favor daquilo que ele propôs, de termos um código de conduta. Um código de conduta é uma forma de nós expressarmos para sociedade os padrões que nós devemos ter como magistrados. Podemos discutir um pouco a modulação, mas precisamos ter um código de conduta”, declarou Mendonça.

Presidente do STF, Edson Fachin tem colocado a criação de um código de conduta e ética como uma das principais prioridades institucionais da Corte e dos tribunais superiores. A iniciativa visa estabelecer parâmetros objetivos e transparentes para a atuação dos magistrados, abrangendo temas sensíveis como hipóteses de suspeição, limites para manifestações públicas e regras de participação em eventos patrocinados por agentes privados. E busca reforçar a autocontenção do Poder Judiciário, prevenir conflitos de interesse e assegurar a confiança da sociedade nas instituições republicanas

“Tentemos ser justos, na medida das nossas limitações, que nós estudemos nossos processos, que nós ouçamos as partes, que nós sejamos honestos. E toda vez que há um risco de rompimento dessa relação de confiança nós precisamos ter padrões de prevenção, código de conduta é um exemplo disso. É uma forma de se preservar a relação de confiança”, declarou Mendonça nesta terça.

Lira evita escolher presidenciável e tenta escapar da polarização em Alagoas

Lula domina redes após sabatina no JN e tem engajamento 105% maior que Flávio Bolsonaro

Justiça cobra provas independentes de reportagens para liberar dados no caso ‘Dark Horse’

Policiais solicitaram acesso a dados financeiros de empresa

Bruno Ribeiro
Folha

A Vara Estadual das Garantias fez uma série de questionamentos à Polícia Civil de São Paulo e devolveu, sem decisão, um pedido de acesso a dados financeiros sigilosos da empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme “Dark Horse” e alvo de uma investigação sobre possível desvio de recursos da Prefeitura de São Paulo.

Entre os questionamentos, a Justiça perguntou quais documentos e indícios de irregularidade a polícia reuniu sobre o caso que não vieram de reportagens de jornais sobre o assunto e condicionou esses esclarecimentos à concessão do pedido.

COMPARTILHAMENTO DE PROVAS – Na semana passada, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino havia determinado o compartilhamento de provas do inquérito da Polícia Civil com a Polícia Federal, que também investiga a produtora, mas em uma apuração sobre recebimento de emendas parlamentares.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme, havia dito que apresentaria a prestação de contas do longa-metragem, mas ainda não o fez.

O pedido da Polícia Civil à Justiça havia sido feito em maio. A manifestação da Justiça entrou no sistema do Diário de Justiça Eletrônico nesta segunda-feira (31). A Polícia Civil buscava autorização judicial para ter acesso a relatórios de inteligência financeira feitos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre o CPF de Karina e o CNPJ de sua produtora.

OPERAÇÕES ATÍPICAS – Os relatórios compilam operações atípicas comunicadas por bancos ao Coaf, mas não trazem acesso a extratos bancários A investigação se originou de uma representação feita pelo Ministério Público para apurar suspeitas de irregularidade no contrato de R$ 108 milhões entre o ICB (Instituto Conhecer Brasil) e a prefeitura.

Ao longo das investigações, o delegado Antonio Carlos Manuera Silveira afirmou que havia “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre as contabilidades do ICB e da Go Up Entertainment, produtora de Karina responsável por “Dark Horse”.

O despacho da Vara de Garantias, publicado sem assinatura do juiz responsável, afirma que, em seu pedido, “a autoridade policial noticia que, embora os serviços efetivamente prestados [de fornecimento de wi-fi] correspondessem a aproximadamente R$ 43 milhões, teriam sido transferidos ao instituto cerca de R$ 69 milhões, resultando em diferença aproximada de R$ 26 milhões”.

RECURSOS PÚBLICOS – “Há, ademais, referência à possibilidade de que parte dos recursos públicos tenha sido destinada ao financiamento de atividades privadas relacionadas à produção cinematográfica desenvolvida pela empresa Go Up Entertainment, vinculada à investigada Karina”, diz o despacho.

Contudo, a Vara de Garantias citou decisão liminar do ministro do STF Alexandre de Moraes de março passado que estabeleceu seis requisitos prévios para acesso a relatórios do Coaf, com o objetivo de coibir a prática de “fishing expeditions” (investigação ampla, sem foco específico, para coleta de provas), e pediu mais informações à polícia.

Entre os esclarecimentos, “quais elementos documentais e informativos, já incorporados ao inquérito policial e independentes da notícia de crime e das matérias jornalísticas mencionadas, conferem suporte objetivo às irregularidades narradas” e “quais são os elementos concretos já existentes que justificam a inclusão de Karina Gama, pessoalmente, no âmbito da pesquisa financeira pretendida”, e não apenas suas empresas.

JUSTIFICATIVA – A Justiça pediu ainda que a polícia justificasse o período de acesso aos dados. O requerimento abrangia todas as transações a partir de junho de 2024, quando o contrato do wi-fi foi firmado. No despacho, a Justiça também concordou com pedido da Polícia Civil para prorrogar o prazo do inquérito por mais 90 dias e atendeu a outro pedido de compartilhamento de provas, feito pelo Ministério Público do Distrito Federal, que também investiga contratos do ICB.

O filme “Dark Horse” (azarão, em inglês) trata da trajetória de Jair Bolsonaro, com destaque para a facada sofrida em 2018. Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência, pediu em 2025 recursos para financiamento do longa-metragem a Daniel Vorcaro, do Master. O senador nega irregularidades e diz ter sido um pedido sem o envolvimento de recursos públicos.

O site The Intercept Brasil revelou que Vorcaro repassou R$ 61 milhões para o longa-metragem. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi usado para financiar gastos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

Caso Vorcaro enfim cruza fronteiras e PF mira dinheiro do Banco Master nos EUA

Mensagens sobre Moraes e Vorcaro levam STF a temer ofensiva eleitoral contra a Corte

Charge do Ismecio (Instagram)

Bela Megale
O Globo

A série de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro que evidenciam a troca de informações sigilosas sobre a Operação Compliance Zero instaurou um clima de tensão inédita na corte.

O maior temor entre os magistrados são as consequências que as conversas trarão para o tribunal, ainda mais a cerca de um mês das eleições, quando a pauta de muitos candidatos é atacar o STF.

DADOS SENSÍVEIS – A avaliação é que as mensagens que mostram Moraes fornecendo dados sensíveis de investigações para Vorcaro serão usadas para implodir a imagem da corte e que não há, pelo menos até agora, uma linha de defesa para Moraes.

Outro ponto de extrema preocupação é que o impeachment de ministros do STF ganhe força e passe a ser adotado como pauta, inclusive entre candidatos à Presidência da República.

Magistrados não admitirão isso publicamente, mas nos bastidores fazem a avaliação de que a situação de Alexandre de Moraes se complicou muito e que é difícil encontrar um caminho para justificar a atuação do ministro.

ALVO DE OPERAÇÃO – Como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, as mensagens indicam que Moraes discutiu com o banqueiro a possibilidade de Vorcaro ser alvo de uma operação da PF. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou o banqueiro ao ministro do STF.

A investigação policial ainda mostrou que o magistrado editou o contrato de R$ 131 milhões prestado pelo escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, com Vorcaro. Há ainda troca de mensagens em que Vorcaro pede a Moraes que busque a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para travar as investigações contra ele.

“Terremoto político”: imprensa internacional repercute crise envolvendo Moraes e Vorcaro

Alcolumbre foge do caso Moraes e fala em 109 pedidos de impeachments contra ministros

‘Isso não é normal’, diz Alcolumbre sobre os pedidos 

Sara Curcino
G1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse nesta terça-feira (1), após ser questionado sobre as mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, que não comentaria o teor do diálogos, mas que não considera normal o volume de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A decisão é que tem 109 pedidos. Eu não achei nada. Não devo achar nada [da troca de mensagens que envolvem Moraes]. A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 pedidos de impeachment dos 10 ministros do STF”, disse Alcolumbre. Esse tipo de denúncia pode ser apresentada por qualquer pessoa, um parlamentar e ou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

TROCA DE MENSAGENS – Uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.

O presidente do Senado não disse se pretende dar seguimento aos pedidos. É ele quem decide se arquiva ou se admite a denúncia. Essa etapa é política e costuma ser o primeiro grande filtro. Só depois, se a denúncia for aceita, o processo pode avançar para uma comissão especial e, depois, para o plenário.

Nesta terça, o partido Novo e o senador Carlos Viana (PSD-MG) apresentaram requerimentos de impeachment de Moraes. O senador mineiro também protocolou pedido para que o ministro compareça ao Senado para prestar informações.

PRESSÃO – Alcolumbre foi cobrado, durante a sessão do plenário, pelos senadores para que acate os pedidos. “Eu não posso deixar de colocar aqui a minha indignação sobre o silêncio desta Casa com relação às denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Excelência [Alcolumbre], estão sobre a sua mesa, sob a sua responsabilidade e a sua história”, declarou Viana ao presidente do Senado.

“É muito preocupante essa espécie de anestesia que nós estamos vendo por parte do Poder Legislativo, em especial por parte desta Casa”, afirmou o senador Flávio Bolsonaro, que é o candidato do PL à Presidência da República.

“Olhe o ambiente que os três Poderes respiram hoje: o Presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com vossa excelência. Olhe a que nível chegou o ‘trabalho’, muito entre aspas, de um ministro do Supremo Tribunal Federal”, concluiu.

TRAMITAÇÃO –   A Constituição Federal determina que cabe ao Senado processar e julgar integrantes da Corte por crimes de responsabilidade. A estrutura é parecida com o impeachment de presidente da República: a denúncia é examinada pelo Senado; há possibilidade de afastamento temporário; e, ao final, o ministro pode perder o cargo e ficar até cinco anos impedido de exercer funções públicas.

A Lei do Impeachment lista condutas consideradas graves o bastante para justificar um processo. Entre elas: julgar um caso quando o ministro deveria ser considerado suspeito; exercer atividade político-partidária; agir com negligência grave no cumprimento das funções; agir de forma incompatível com honra, dignidade e decoro. Essas condutas precisam ser descritas e comprovadas na denúncia feita ao Senado.

Gonet usa decisão contra Moro para blindar Moraes no caso Master

Quaest: Lula lidera, Flávio resiste e Augusto Cury embaralha a eleição

Lula lidera pesquisa no 1º turno; Cury vai a 10%

Caio Sartori
O Globo

A primeira pesquisa Quaest depois do início da propaganda eleitoral na TV e no rádio, contratada pelo jornal O Globo e pela Globo e divulgada nesta quarta-feira, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto na simulação de primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL), com 30%, aparece na sequência. O levantamento aponta ainda que o escritor Augusto Cury (Avante) cresceu, passou os outros candidatos e está em terceiro.

Os percentuais se referem ao cenário testado pela Quaest que inclui Pablo Marçal. Condenado à inelegibilidade por oito anos na esteira do uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2024, o presidenciável do PRTB tem a candidatura questionada na Justiça Eleitoral.

TERCEIRA VIA – Cury marca 10%, oito pontos percentuais a mais do que no levantamento divulgado em 14 de agosto. As pesquisas não são diretamente comparáveis, já que a sondagem anterior incluía entre os candidatos Leonardo Avalanche (PRTB), depois substituído por Marçal, mas os números sinalizam que houve avanço significativo do candidato do Avante, o que coincide com seu crescimento nas redes sociais.

Renan Santos (Missão), com 3%, e Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Marçal, com 1% cada, vêm na sequência, em patamar inferior. Eleitores que dizem que votarão em branco, nulo ou não vão votar representam 7%, e os indecisos são 10%.

POUCA VARIAÇÃO – No cenário sem Marçal, há pouca variação. Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Cury registra 10%. Além do início do horário eleitoral gratuito e das inserções espalhadas na programação, os candidatos tiveram nos últimos dias momentos considerados decisivos na campanha, sobretudo a entrevista à TV Globo.

A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-07065/2026.

Moraes no olho do furacão e o STF à beira de uma crise histórica

Gonet entra no jogo sujo para impedir que seja investigado junto com Moraes

Quem é Paulo Gonet, o novo procurador-geral da República

Gonet e o filho também estão envolvidos com Vorcaro

Pepita Ortega
O Globo

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que detalha a relação do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e com ele próprio. O parecer foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte, que na segunda-feira solicitou uma manifestação do órgão a respeito das informações encontradas na investigação.

Segundo o procurador-geral da República, a ordem de Mendonça para que a PF identificasse o destinatário de mensagens de Vorcaro, sem um pedido prévio do Ministério Público ou da Polícia Federal, não é válida por “exceder os limites de competência do magistrado”. Além disso, Gonet pontua que a lei prevê autorização do plenário do STF para que um integrante da Corte seja investigado.

CASUALMENTE… – Alega Gonet: “Mesmo que, casualmente, fosse encontrado algum indício do que o relator entendesse ser irregularidade de interesse penal, não caberia a ele aprofundar as pesquisas sobre o Colega – vale dizer, não caberia a ele determinar que se investigassem com mais detimento referências ao Colega. Impunha-se, antes, que, acreditando haver o que merecesse ser investigado, se dirigisse ao Presidente do Tribunal, para que o Plenário pudesse avaliar o acerto da sua impressão, concordando ou não com a investigação”, afirma o Gonet.

O relatório da PF teve como ponto de partida mensagens identificadas no celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Master.

Na semana passada, Mendonça pediu que os investigadores identificassem os interlocutores do banqueiro sob argumento que Vorcaro teria montado uma “rede de monitoramento e influência, com potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República”.

NO PLENÁRIO – Em despacho na segunda-feira, Mendonça solicitou que o plenário da Corte delibere sobre as informações encontradas pela PF. Segundo o ministro, a análise pelo colegiado ocorrerá independentemente da manifestação que viesse a ser apresentada pela PGR. A inclusão na pauta do plenário depende de uma decisão do presidente da Corte, Edson Fachin.

Segundo Gonet, contudo, como a ordem de Mendonça é nula, o relatório elaborado pela Polícia Federal, com o detalhamento das mensagens que citam o ministro, também é nulo. Assim, na visão do PGR, o caso deve ser extinto.

Em uma manifestação de oito páginas, o PGR afirma ainda que o nome de Moraes já havia sido incluído em informes policiais anteriores e que, ao pedir que houvesse o detalhamento, “é certo que o relator quis que fossem minudenciados”.

ALEGAÇÃO DE GONET – “Não importa o grau de investigação que a providência constitui, é inegável que houve imersão em elementos dos autos para buscar indicativos de envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes em ilícitos”, afirma Gonet.

Como revelou O GLOBO, uma ala da Corte mais próxima a Moraes já avaliava que a validade do relatório do STF deveria ser um dos principais pontos a serem discutidos pelo colegiado. O principal argumento desse grupo é que a investigação de ministros do STF tem de ser autorizada pelo tribunal previamente.

Como não houve essa consulta por parte da PF, a avaliação dé que as informações coletadas no celular de Vorcaro podem ser declaradas nulas, ou seja, sem valor para embasar eventuais atos processuais.

RITO FOI SEGUIDO – Do outro lado, interlocutores de Mendonça sustentam que não houve nenhum ato de investigação acerca de Moraes e que não se sabia quem era o destinatário das mensagens de Vorcaro até então.

Para aliados do ministro, os investigadores apenas identificaram o interlocutor das mensagens e isso não consistiria uma apuração. Nessa visão, o rito foi seguido: as mensagens foram encontradas e remetidas para a PGR e o plenário para a devida apreciação.

As mensagens apreendidas pela PF mostram que Vorcaro também mantinha relações com Gonet. Um diálogo revela um pedido para que o banqueiro bancasse uma viagem para o filho do Procurador-Geral da República para Londres. Na conversa, de março de 2025, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Master, pergunta ao banqueiro se poderia incluir Pedro Gonet no grupo que iria participar de um evento na capital inglesa, ao que Vorcaro confirma.

MAL NA FOTO… – Nas conversas apreendidas pela PF, Ciro Soares chegou a enviar uma fotografia na qual aparecia ao lado de Gonet, e, na sequência, afirmou que o chefe da PGR queria falar com o então dono do Master. Depois das mensagens, foram registradas quatro ligações entre Vorcaro e o telefone de Ciro.

Segundo a PF, a fotografia foi enviada por Ciro a Vorcaro às 14h13 do dia 15 de março de 2025. Logo depois, o advogado escreveu “Liga aqui” e acrescentou: “Ele quer falar com você”.

A partir das 14h23, o celular registra quatro chamadas de voz entre Vorcaro e Ciro. As ligações tiveram duração de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.

OUTRAS MENSAGENS – O relatório não esclarece se Gonet participou das chamadas nem confirma que tenha conversado diretamente com Vorcaro. Os registros mostram apenas que as ligações foram feitas para o telefone de Ciro depois que o advogado enviou a foto com o procurador-geral e afirmou que ele queria falar com o banqueiro.

A sequência foi localizada pela PF durante uma pesquisa por referências a Gonet nos dados extraídos do aparelho. Os investigadores afirmam que não havia no celular de Vorcaro um contato salvo com o nome do chefe da PGR. As menções foram encontradas principalmente nas conversas entre o banqueiro e Ciro.

Duas semanas depois, em 28 de março de 2025, o advogado encaminhou a Vorcaro outras três mensagens e afirmou que elas haviam sido enviadas por Gonet. Entre os textos estavam “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”.

Vorcaro agradeceu pelas mensagens. Na sequência, Ciro afirmou que o procurador-geral “lhe adora” e que iria a Londres com o grupo. No dia seguinte, o advogado perguntou ao banqueiro se o filho de Gonet poderia acompanhá-los na viagem. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.

FILHO DE GONET – Em abril daquele ano, uma funcionária consultou Vorcaro sobre quais convidados poderiam viajar a Londres com as despesas pagas pela organização. O banqueiro autorizou o custeio para Ciro e para Pedro Gonet, filho do procurador-geral.

A PF não atribui, nesse relatório, uma conduta criminosa a Gonet. O documento reúne mensagens e registros encontrados no telefone de Vorcaro em cumprimento a uma ordem de Mendonça para identificar pessoas citadas nas comunicações do banqueiro e apresentar as interações relacionadas a elas

O documento produzido pela PF também indica que Vorcaro recebeu orientações Moraes no auge da crise da instituição financeira. Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Já era esperada essa manifestação de Paulo Gonet, cuja nomeação como procurador-geral é atribuída ao ministro Gilmar Mendes, que foi seu colega no Ministério Público e sócio da Faculdade de Direito criada pelos dois em Brasília. A decisão de Gonet é marcada pelo desespero e mentirosa, ao dizer que não cabia a Mendonça determinar a investigação de Moraes. Na forma da lei, este é justamente o papel de Mendonça, que se dirigiu diretamente ao presidente do STF, porque as autoridades a serem inicialmente consultadas (o próprio Gonet e o diretor da PF, Andrei Rodrigues) também precisam ser investigadas. (C.N.)