CGU determina divulgação individualizada de honorários pagos pela AGU

Controladoria negou recurso da Advocacia-Geral da União

Gabriela Echenique
Folha

A CGU (Controladoria-Geral da União) liberou à ONG Transparência Brasil o acesso aos dados de honorários de sucumbência pagos aos servidores da AGU (Advocacia-Geral da União). O órgão tem prazo de até 30 dias para divulgar as informações.

A decisão publicada nesta quarta-feira (26) reafirma uma deliberação anterior do órgão, de maio, que já tinha defendido a entrega dos dados. Depois disso, no entanto, a AGU recorreu e pediu para a Controladoria rever a decisão. Na época, o ministro-chefe substituto da AGU, Flávio José Roman, alegou que a divulgação resultaria em “perfilamento excessivo da vida financeira” dos servidores.

AUTORIZAÇÃO – Neste mês, 15 organizações que atuam em defesa da transparência enviaram uma carta ao ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, pedindo que ele reforçasse a autorização. Na decisão desta quarta, a Controladoria diz que não pode haver imposição de exigências não previstas em lei para impedir acesso aos dados públicos.

“Uma vez que a informação seja existente, produzida ou custodiada pelo Poder público e não esteja abrangida por hipótese legal de sigilo ou restrição de acesso, sua disponibilização não pode ser condicionada à demonstração, pelo requerente, da necessidade ou da finalidade de sua utilização”, disse o órgão.

A CGU determinou a discriminação dos pagamentos com detalhamento, como nome do servidor, competência, relação de remuneração, pagamentos indenizatórios, além das parcelas atrasadas, todas com respectivos valores brutos.

MAIS DE R$ 12,7 BILHÕES – Segundo um estudo da Transparência e do Movimento Pessoas à Frente, foram pagos mais de R$ 12,7 bilhões aos servidores da AGU entre 2020 e 2025. O principal argumento da entidade é que os dados disponibilizados atualmente têm valores agregados e impedem a identificação individualizada dos pagamentos.

A CGU afirma que não há demonstração de impossibilidade técnica, operacional ou jurídica que impeça o fornecimento das informações. “A transparência pública não se restringe à apresentação visual de dados em uma página eletrônica, mas exige a disponibilização das informações em formato que possibilite sua extração, análise e utilização pelo requerente, sendo inoportuno limitar o fornecimento de dados adicionais existentes e necessários à sua compreensão”, concluiu.

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Afanasio Jazadji

De onde nada se espera de bom é que nada vem. A serviçal Globo, como há quadro anos, propiciou ao candidato presidencial Lula todo o tempo de que dispunha para sem contestação afirmar para todo o País que seu filho Lulinha até agora não aprontou nada que justificasse seu indiciamento como traficante de influência e abridor de portas junto aos órgãos federais para que criminosos se locupletassem à vontade às custas do erário público.

Se Lula estivesse, na ocasião, submetido a um detetor de mentira, por certo, a campainha estaria disparando até agora no Jardim Botânico, nos Estúdios da Globo.

LOROTAS EM SÉRIE – O orgulhoso pai disse que Lulinha garantiu-lhe ter agido até agora dentro das quatro linhas, em nada comprometendo o seu governo. Quanto à relação dele com a atraente e eficiente lobista Roberta, que, sem segundas intenções, até estaria honrando suas despesas mensais e nada insignificantes, na Espanha e Brasil, como já divulgado, “sem contrapartida alguma”, isso também passou batido, não foi contraditado.

Os entrevistadores Tralli e Renata Vasconcelos, extasiados ou amedrontados, silenciaram e quando intervieram, foram atropelados pelo interminável palavrório do eterno postulante presidencial. Lula aprendeu o método Maluf de falar sem parar, transformando jornalistas em espectadores e não questionadores isentos e independentes.

Os proprietários da organização de comunicação que pagam centenas de milhares de reais para seus mais destacados jornalistas devem ter se incomodado com a complacência da equipe de entrevistadores e dos redatores das perguntas ingênuas e nada convincentes. Ou eles estariam cumprindo ordens, como em 1989, quando favoreceram acintosamente o candidato Fernando Collor em debate contra o então metalúrgico Lula?

DOIS OMISSOS – César Petraglia e Renata Vasconcellos se omitiram e deixaram de defender a imprensa e a própria Globo quando Lula, à vontade, ressaltou que foi o político mais perseguido durante a operação Lava Jato.

Fez referência ao “power point” divulgado insistentemente pela emissora, ao longo de quatro anos, com imagens diárias do propinoduto por onde bilhões de reais escorreram para empresários da construção civil, políticos e controladores da Petrobrás, governos estrangeiros como Venezuela, Bolívia, Peru etc.

Lula também defendeu entusiasticamente seu chefe de gabinete, apelidado de Marcola e que selecionava quem ia ou não ser recebido por ele. “Foi um ingênuo. Deveria ter pedido dinheiro emprestado para mim e não para a Roberta”, que apoiada por seu chefe de gabinete, transitava garbosamente pela Praça dos Três Poderes com portas escancaradas.

E O MARCOLA? – Ao longo de sete anos, Marcola sempre esteve ao lado de Lula e seu descontrole financeiro nunca foi percebido pelo alto escalão governamental. Coitado, veja a que desnível chegou a República Federativa do Brasil, vendida por míseros R$ 250 mil. Enfim, como diz o presidente, “quem cometeu crime tem que pagar”, exceto os que lhe são próximos e nos quais ele confia até prova em contrário, como o corruptíssimo Jaques Wagner, da Bahia.                                                                                                   

Para encerrar, por que administrativamente, o chefe do Executivo Federal não determinou a abertura de sindicância para apurar possíveis outras ilegalidade e imoralidades que poderiam ter sido cometidas na sua antessala, debaixo de sua barba, como aconteceu na época do “mensalão”, quando toda a culpa recaiu sobre seu fiel escudeiro José Dirceu?

PAÍS À DERIVA – Coitadas das gerações presentes e futuras do nosso País. Desde 2003, estão sendo governadas por um operário que diz não ler jornais e que não se assusta com dívidas de trilhões, pois o que gera desenvolvimento é o consumo descontrolado e em havendo consumo haverá crescimento, mesmo que seja às custas de endividamento de 215 milhões de pessoas.

Nesta quinta-feira, você não assistiu a um programa de entrevistas, mas ao favorecido e antecipado horário eleitoral iniciado hoje, como dispõe a lei.

Hoje à noite, a Globo pode cumprir seu código de ética e de compliance, triturando a candidatura de Flávio Bolsonaro e antecipando a vitória de Lula que não teve a coragem de processá-la quando foi diariamente constrangido, humilhado pelo JN e o que pode ter contribuído até para o passamento de seus entes mais queridos. A Globo é o quarto Poder e não a Imprensa de modo geral.

Kits de dengue, lobista e INSS: a nova frente que cerca o governo Lula

Menções a Lulinha e Marcola desgastam governo nas redes, indica levantamento

CASO LULINHA E MARCOLA: VERSÃO DE ALIADOS BUSCA AFASTAR LULA DAS SUSPEITAS ENQUANTO PF APURA TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – 25 NEWS

Reprosução do site 25News-Brazil

Luiz Felipe Azevedo
O Globo

Alvo de investigações em curso, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tornou-se a principal fonte de desgaste para o governo federal nas redes sociais em 2026. É o que mostra levantamento da consultoria Bites a pedido do GLOBO. Com disparada nos últimos 30 dias, as menções ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já respondem por quase um terço (31,4%) da repercussão digital do escândalo do INSS ao longo deste ano.

O filho do presidente está sendo investigado por tráfico de influência no governo federal pela Polícia Federal (PF), em inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita é que ele tenha atuado para abrir as portas do governo para a amiga Roberta Luchsinger, lobista que tentava prospectar negócios no Executivo nacional.

CARECA DO INSS – A lobista era próxima do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela PF sob a acusação de desviar recursos de aposentadorias e pensões.

O escândalo do INSS foi mencionado em 12,34 milhões de ocasiões na internet este ano. Neste período, Lulinha esteve no centro de 3,88 milhões de posts sobre o tema. Já o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana, o Marcola, também alvo de investigação, foi citado 341 mil vezes.

Ao considerar apenas os últimos 30 dias, Lulinha foi citado em 1,2 milhão de posts, 49% do total de publicações sobre o escândalo do INSS. Os dados mostram ainda que as menções a Lulinha em 2026 correspondem a 6,8% das postagens sobre o pai.

BOLSONARISTAS – Entre os políticos que utilizaram as investigações de Lulinha para atacar o governo do presidente Lula nas redes neste mês estão o candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, e seu candidato a vice Alfredo Gaspar (PL), que foi relator da CPI do INSS.

Outros nomes do bolsonarismo, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o candidato ao Senado por Goiás Gustavo Gayer (PL), também surfam nesta pauta.

— Apesar de uma boa parte da preocupação do presidente Lula ser com o Marcola, os dados mostram que a situação do Lulinha é o que pode machucar mais a campanha dele. O bolsonarismo vem agindo de forma coordenada nesse ataque, sendo essa a principal estratégia aparente para atacar o governo — avalia André Eler, diretor técnico da Bites.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais intrigante é que o que se passa nas redes sociais, como as menções negativas a Lulinha e as menções positivas a Caiado, não se refletem nas pesquisas de intenção de voto. Por que será? (C.N.)

Quando a corrupção vem da elite, o resto do país entra em clima de transgressões

Tribuna da Internet | Brasil, o inverso de Singapura, exalta a democracia,  mas tolera a corrupção

Charge do Nani (nanihumor)

José Perez

Ao analisar os últimos 100 anos da política brasileira, citando cada presidente ou ditador desde Artur Bernardes, que entregou o poder em 2027, o jornalista Carlos Newton fez nesta quinta-feira uma triste constatação sobre o avanço da prática da corrupção na política, mas não se referiu ao reflexo desse fenômeno no dia-a-dia dos brasileiros.

Desde o mensalão, no primeiro governo de Lula e do PT, a corrupção dos governantes – e políticos em geral – passou a dominar o noticiário da imprensa e as redes sociais.  Como o exemplo vem de cima, consolidou-se uma cultura das transgressões, que sempre existiu, pois falhas de caráter são permanentes no homo sapiens, mas agora chegamos a um limite intolerável.

PRODUTO EM FALTA – Todos (ou quase todos) querendo levar vantagem. Não há a mínima coesão social. Um brasileiro não se identifica com o outro. Pode-se dizer, sem medo de errar, que a honestidade é um produto em falta entre os cidadãos de todas as camadas sociais, sem exceção.

Tente consertar um armário ou instalar um aparelho de ar-condicionado, como é o meu caso aqui em Brasília. Todos os profissionais que anunciam serviços na internet e foram chamados para fazer orçamento, sem exceção, todos tentaram me enganar.

Para começar não perguntam sobre o serviço em si, sempre indagam em qual bairro será prestado. Depois vem a criação de dificuldades em sequência, para então dar um preço exorbitante. Para fazer manutenção do meu automóvel, tenho que levá-lo bem longe, até depois do chamado Parque da Água Mineral, uma reserva ecológica que virou ponto turístico. Conheço uma oficina mecânica lá, onde os donos não me exploram.

OUTROS EXEMPLOS – Recentemente, precisei de assessoria jurídica. Os dois advogados que procurei, pensando que eu seja absolutamente ignorante no assunto, me deram até informações falsas e orientações erradas para cobrar o máximo possível, sendo que um deles é ex-delegado federal e o outro ex-promotor de justiça. Ou seja, ambos têm altas aposentadorias que lhes permitem uma vida confortável, sem precisar explorar os clientes.

Presenciei à noite um furto de um bueiro de metal na semana passada e vi que havia uma viatura parada no Setor Hospitalar Sul. Corri até os policiais e relatei a situação, inclusive apontando o ladrão que ainda estava próximo.

Os dois policiais, que estavam assistindo futebol pelo celular com fones de ouvido, me responderam que eram obrigados a ficar naquele local para dar proteção a uma autoridade e não podiam sair. Assim, pediram que eu ligasse para 190 e aguardasse a viatura da ronda. Pode isso?

TRÊS PODERES – A situação está fugindo ao controle, a meu ver porque os três Poderes apodreceram simultaneamente. Ninguém investiga nem pune os integrantes das elites sociais. A impunidade dos poderosos está na imprensa e nas redes sociais, incentivando as demais camadas a entrarem na farra da enganação mútua.

O recente jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal diz muita coisa sobre nossa atual situação. Ele reuniu o presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional, a pretexto de conciliar interesses. E chamou o ministro Cristiano Zanin para presenciar o conluio.

Assim, quando o exemplo acintosamente vem de cima, como evitar a corrupção no andar de baixo?

Flávio pede que Eduardo pare ataques a Michelle para evitar nova crise familiar

Flávio ligou para Eduardo após crítica a Michelle

Luísa Marzullo
O Globo

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, voltou a pedir ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu irmão, que reduza os ataques públicos a aliados durante a campanha eleitoral. O telefonema para Eduardo, que mora nos Estados Unidos, ocorreu depois que ele compartilhou e endossou, no último domingo, um vídeo com críticas à candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.

Na ocasião, Eduardo comentou “triste, mas verdadeiro” em uma publicação do influenciador Allan dos Santos que dizia preferir a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) à de Michelle. O deputado também compartilhou o vídeo em suas próprias redes.

“INCÓGNITA” – No vídeo, Allan chama a ex-primeira-dama de uma “incógnita” para a direita e questiona suas posições políticas. A manifestação de Eduardo foi interpretada por aliados de Michelle como um endosso não apenas às críticas, mas também à defesa de que outros dois candidatos sejam eleitos para as vagas do Distrito Federal no Senado.

O episódio foi recebido com preocupação no QG de Flávio porque ocorre justamente quando a campanha tenta consolidar a reaproximação entre o presidenciável e a madrasta e ampliar a participação dela na corrida pelo Planalto. A avaliação de aliados é que novas manifestações públicas de integrantes da própria família podem reabrir disputas que vinham sendo administradas e obrigar a campanha a gastar energia com crises internas.

Segundo esses interlocutores, Flávio já havia pedido anteriormente ao irmão que reduzisse ataques nas redes e evitasse ampliar conflitos dentro do próprio campo político. Este pedido chegou a ser feito pessoalmente ao irmão, nas viagens que Flávio fez aos Estados Unidos. Flávio e Eduardo foram procurados, mas não comentaram.

EMBATES –  A manifestação do último domingo não é o primeiro embate público entre Eduardo e Michelle. A relação entre os dois já havia se deteriorado durante a crise familiar aberta em junho, quando a ex-primeira-dama entrou em choque com Flávio por causa das articulações do PL no Ceará.

Na ocasião, Michelle criticou a aproximação do partido com o grupo de Ciro Gomes (PSDB) e defendeu espaço para a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas, na disputa pelo Senado. Flávio reagiu publicamente em defesa da condução partidária e de André Fernandes (PL-CE), abrindo uma troca de acusações que rapidamente envolveu os outros filhos de Jair Bolsonaro.

CRÍTICAS – Eduardo entrou na discussão e fez críticas públicas à ex-primeira-dama. Michelle reagiu afirmando que não havia sido atacada apenas por Flávio e acusou os irmãos de agirem de maneira coordenada contra ela.

— E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado — afirmou Michelle, em junho.

A ex-primeira-dama também disse ter interpretado a atuação dos filhos de Bolsonaro como um sinal de que seu apoio não era desejado e chegou a deixar de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais. O episódio expôs uma relação já marcada por divergências sobre o espaço de Michelle nas decisões políticas do grupo.

DESCULPAS – Depois da crise, Flávio fez um pedido público de desculpas à madrasta, que respondeu dizendo que o perdoava. Jair Bolsonaro também atuou para aproximar os dois, e a relação passou por uma reconstrução nas semanas seguintes. Michelle gravou para a campanha presidencial, pediu votos para Flávio durante eventos de sua campanha no Distrito Federal e publicou registros ao lado do enteado.

A campanha também passou a negociar uma participação maior da ex-primeira-dama nos palanques do presidenciável fora de Brasília. A presença de Michelle é considerada importante pelo QG principalmente na tentativa de reduzir a resistência de mulheres a Flávio e reforçar sua campanha entre o eleitorado evangélico.

Relação de Lula com Flavio Dino é vista como tentativa de enfraquecer o Congresso

Omar Aziz rejeita emendas e acelera votação do fim da escala 6×1 na CCJ

Relator da proposta divulgou parecer do projeto

Augusto Tenório
Folha

O senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou nesta quinta-feira (27) o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. O congressista atendeu ao governo e manteve o texto aprovado pela Câmara em maio. Dessa forma, a proposta fica pronta para ser votada na próxima quarta (2) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

O governo Lula corre para aprovar o fim da escala 6×1 antes da eleição, visando explorar a pauta durante a campanha. Uma alteração na PEC pelo Senado obrigaria o texto a voltar para a Câmara, o que dificultaria a promulgação antes da eleição. O Congresso só tem mais uma semana de funcionamento, entre 31 de agosto e 4 de setembro, até o pleito de outubro.

EMENDAS – A oposição protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara. A maioria delas visava aumentar o período de transição ou garantir que o efeito da proposta não atinja quem trabalha na escala 12 por 36.

Uma das propostas de emenda, do senador Izalci Lucas (PL-DF), propôs manter a jornada de 44 horas semanais na Constituição e deixar uma eventual redução a critério de negociação coletiva ou contrato por hora, num modelo semelhante ao defendido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na campanha à Presidência.

A proposta que discute o fim da escala 6×1 é uma das principais pautas da agenda de Lula para a reeleição e estava travada no Senado. O avanço da pauta foi selado após reunião do presidente com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na noite desta quarta (26).

“JUNTOS PARA SEMPRE” – Ao posar para a foto após o encontro, o petista disse “poderia dizer ‘juntos para sempre'”. Ainda não há garantias, porém, que o fim da escala 6×1 será enviada para votação no plenário se aprovada na CCJ.

O armistício entre Lula e o Congresso ocorreu após meses de vaivéns na relação. Nos últimos meses, o distanciamento maior era com Alcolumbre, após o presidente do Senado impor derrotas importantes ao governo na casa. A principal, a rejeição da indicação de Lula pelo nome de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo aliados, a reaproximação de Alcolumbre com Lula visa assegurar o apoio do PT à sua manutenção no comando do Senado em 2027. O governo também não trata do tema abertamente, mas entende que a reeleição do amapaense é de seu interesse. Interlocutores de ambos dizem que uma nova reunião pode ocorrer esta semana. A cúpula bolsonarista quer eleger Tereza Cristina (PP-MS) para a presidência do Senado.

TSE e Google fecham acordo para detectar uso de IA com imagem de candidatos

Tema ganhou relevância após vídeo de Bolsonaro

Matheus Teixeira
CNN

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google firmaram uma parceria para ampliar o uso durante de uma ferramenta que identifica o uso indevido da imagem de candidatos em vídeos gerados por inteligência artificial durante as eleições.

O presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, tem avançado nos acordos com as big techs para conter a disseminação de fake news, enquanto enfrenta dificuldade para construir um consenso interno que defina limites exatos para uso de IA nas eleições.

VÍDEO DE BOLSONARO – O tema ganhou relevância após Flávio Bolsonaro (PL) divulgar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na convenção que o oficializou como candidato à Presidência. O PT entrou com uma ação no TSE, mas o caso ainda não foi julgado devido ao impasse que o tema tem gerado nos bastidores entre os ministros.

Ao assinar o acordo com a Google nesta quarta-feira (26), o magistrado enalteceu o diálogo com as empresas de tecnologia. “Tenho a certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional”, afirmou. A tecnologia que será usada permite que todos os participantes do pleito deste ano detectem no Youtube conteúdos que reproduzam suas imagens sem autorização prévia.

Os candidatos terão que fazer um cadastro biométrico na plataforma, o que permitirá que o Youtube faça uma varredura nos conteúdos publicados e a consequente notificação aos candidatos caso sejam detectados vídeos que reproduzam sua imagem.

Site de Flávio Bolsonaro sofre 3.250 tentativas de invasão em apenas oito dias

Ataques tentaram derrubar site por sobrecarga de acessos

Gabriela Echenique
Folha

O site oficial da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) sofreu 3.250 tentativas de invasão desde que foi lançado, há oito dias. Segundo levantamento feito pela equipe de cibersegurança do candidato, os ataques buscaram obter dados do sistema ou derrubar o site por sobrecarga de acessos simultâneos.

A página reúne informações sobre os compromissos de campanha, a cobertura dos atos públicos e as propostas de governo, além de materiais informativos, fotos, imagens e logotipos. Num curto período, foram registradas 375 mil solicitações de acesso com o objetivo de tirar o serviço do ar, segundo a campanha.

ARQUIVOS SENSÍVEIS – Das mais de 3 mil tentativas de ataque, 1.198 foram buscas por arquivos sensíveis, como credenciais, chaves, configurações e backups. Três situações tentaram obter controle do servidor e outras 74 tentativas foram para explorar falhas.

Apesar da intensidade, a equipe diz que não identificou sinais de comprometimento dos sistemas, nem exposição de arquivos considerados sensíveis. Ou seja, os comandos maliciosos não teriam sido bem-sucedidos.

A equipe cibernética diz que o site possui uma arquitetura com várias camadas de proteção que atuam no bloqueio, detecção e contenção das tentativas de invasão.

Bolsonaristas se mobilizam para frear bandeiras eleitorais de Lula no Congresso

Oposição tenta articular reunião com Motta e Alcolumbre

Lauriberto Pompeu
O Globo

Parlamentares de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentam marcar uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar impedir que o Congresso avance com propostas que têm sido citadas como bandeiras eleitorais pelo petista.

Lula e Flávio são os principais candidatos à Presidência da República. O Congresso deve realizar, na semana que vem, o último período de votações antes das eleições, em outubro. Motta e Alcolumbre se reuniram nesta quarta-feira com Lula e fecharam um acordo para avançar com diversas iniciativas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.

REUNIÃO – Depois do aceno ao petista, parlamentares bolsonaristas também querem se reunir com os chefes das duas Casas Legislativas. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse ao O Globo que há previsão de que a reunião aconteça na próxima semana. “Vamos falar com os presidentes (da Câmara e do Senado) na semana que vem”, afirmou.

Lula, Motta e Alcolumbre anunciaram depois do encontro que a Medida Provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas” terá todas as votações do Congresso concluídas na semana que vem. Também foram anunciados acordos para votar no plenário do Senado o projeto de lei que regulamenta a exploração dos minerais críticos e o projeto que estabelece o Redata, o plano nacional de incentivos para o setor de data centers.

Em relação à proposta de emenda à Constituição (PEC) que dá fim à escala de trabalho 6×1 e a chamada PEC da Segurança, que reforça o papel da União na área, o acordo é que os relatórios sejam analisados pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas sem menção à votação no plenário.

APELO POPULAR – Parlamentares da oposição tentam barrar principalmente o avanço das duas PECs. É evitado um discurso contra o mérito das medidas, que possuem apelo popular, mas a avaliação é que elas são complexas e deveriam ser analisadas de forma menos célere e fora do período eleitoral.

Apesar de indicar avanço, o presidente do Senado evitou falar em concluir a tramitação na semana que vem e disse, após a reunião com Lula, que as duas propostas “merecem, sim, o debate, o diálogo, a discussão e a deliberação”.

EMENDAS – Senadores aliados de Flávio apresentaram diversas emendas aos textos para tentar modificar os escopos das propostas. Uma emenda do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) tenta replicar no texto da PEC do fim do 6×1 uma proposta alternativa de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RJ), coordenador da campanha de Flávio. Pela iniciativa, a compensação de horários e a redução da jornada poderiam variar e seguir diferentes modelos, que seriam feitos por convenção coletiva.

Na tramitação da PEC da Segurança há também tentativas de parlamentares aliados de Flávio de mudar a proposição. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) propôs uma emenda para fortalecer os estados frente à União e sugeriu descentralizar a legislação penal, com estados podendo legislar sobre direito penal e processual para enfrentar o crime organizado.

DESTAQUES – O relator escolhido para a PEC do fim da 6×1 é Omar Aziz (PSD-AM) e o responsável pela PEC da Segurança é Rogério Carvalho (PT-SE). Os dois são aliados do governo e já disseram que vão manter os textos aprovados pela Câmara para evitar que as iniciativas voltem para análise dos deputados. Por outro lado, parlamentares bolsonaristas também apostam em mudar em texto por meio de apresentação de destaques, com votação de trechos de forma separada.

Tanto a PEC do fim da 6×1, quanto a PEC da Segurança têm sido mencionadas de forma recorrente por Lula em atos de campanha. A PEC do fim do 6×1 é encarada como uma proposta de apelo popular entre os trabalhadores e a PEC da Segurança tem sido mencionada pelo petista como uma ação do governo no sentido de tentar mitigar a crise de segurança pública, com o avanço de facções.

Caiado diz que só existe golpe com atuação das Forças Armadas e isso não ocorreu

Caiado relativizou ações golpistas ligadas a Bolsonaro

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

O presidenciável pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quarta-feira (26) não saber se o 8 de Janeiro foi tentativa de golpe no Brasil. O candidato disse que o caso “é questão de interpretação” e relativizou ações golpistas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem tem prometido uma anistia. “Eu não sei. Eu não estava lá dentro. Eu não estava convivendo lá dentro”, afirmou Caiado ao ser questionado por jornalistas se a tentativa de golpe de Estado ocorreu.

A fala se deu durante sabatina promovida pelo jornal O Globo, Valor e CBN como parte de série com os presidenciáveis nas eleições de 2026. Perguntado mais uma vez, o político afirmou que classificar o ato como golpe ou não era “questão de interpretação”. Ele também relativizou os atos ocorridos sob Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) entendeu que o ex-presidente liderou a trama golpista.

DÚVIDA – Caiado também colocou em dúvida a ação do governo Lula (PT) diante do 8 de Janeiro. Em movimento comum entre bolsonaristas, ele insinuou que o presidente teria demorado para agir diante dos ataques. O presidenciável pelo PSD também afirmou que vê golpe “com Forças Armadas” e citou ações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) para questionar se elas também não seriam atentados golpístas.

“Eu vou anistiar todo mundo e ninguém vai falar nesse assunto mais”, afirmou na sabatina. O político também negou que o STF possa declarar uma eventual anistia dada por ele como inconstitucional, embora a corte possa fazê-lo, se provocada. “Eu tenho autoridade popular de ter chegado e não ter omitido isso [que daria uma anistia]. Isso não faz parte de uma caixa preta de campanha”, justificou.

Na sabatina, Caiado também falou que o presidenciável Flávio Bolsonaro não explicar gastos relacionados ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, é “desrespeitar a inteligência do povo brasileiro”. Ele disse ter dado a Flávio “direito de defesa” e não ter feito um prejulgamento no caso sobre a negociação de dinheiro com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Afirmou, entretanto, que Flávio não se explicou e falou em “página virada” sem dar detalhes.

PÁGINA VIRADA – “É desrespeitar a inteligência do povo brasileiro [dizer que caso Dark Horse é página virada]. Você não tem o direito de ser um candidato à Presidência da República e se negar a dar esclarecimentos nos quais você está envolvido nele. Você tem que esclarecer para o seu eleitor e para o cargo que você vai assumir”, afirmou.

Ainda na sabatina, ele sinalizou que uma reforma da previdência não seria prioridade em seu governo. “A reforma da previdência será tratada no momento em que nós, primeiro, limparmos a casa. No primeiro momento, eu não vou penalizar aposentado nem trabalhador”, disse.

O político tem afirmado que pretende reduzir as despesas públicas, atrelando-as, no máximo, a 50% do PIB (Produto Interno Bruto), corrigida a inflação. Questionado por jornalistas como pretende diminuir as despesas, o goiano não tem detalhado o plano. Segundo ele, por não ter chegado ainda à Presidência, não consegue “examinar o paciente” para saber as medidas efetivas que vai tomar.

CÂMERAS – Mais tarde, em evento no Rio de Janeiro, Caiado também se disse contra a colocação de câmeras em uniformes de policiais. “Não vou [colocar câmera]. Nós estamos em guerra. Me mostre um lugar no mundo, em guerra, que tem câmera no policial”, disse.

“A hora que eu chegar no nível de segurança da Inglaterra, lá tem cassetete e um apito. Só isso, não tem nem câmera e nem arma. Você não pode querer copiar um modelo para um ambiente de guerra”, afirmou o político.

Após virar dor de cabeça para Flávio, ‘Dark Horse’ só será lançado depois da eleição