Lula diz que Lulinha será punido se houver crime e afirma: “Ninguém está acima da lei”

Cármen Lúcia compara deepfakes à foto de Tancredo e alerta para fraude eleitoral

Eduardo Cunha troca o Rio por Minas em nova tentativa de voltar à Câmara

Lulinha, Dark Horse e Master alimentam campanhas, mas desfechos ficam para 2027

Sem Lula, Flávio e Zema, debate da Band tornou-se fiasco eleitoral

Por trás da hipocrisia, está um Supremo que é refém de seus próprios esqueletos

Tribuna da Internet | Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de  todo os tempos

Charge do Zappa (humortadela.com)

Demétrio Magnoli
Folha

Há pouco, Lula disse que a direita utiliza a corrupção para atacar a democracia. É uma verdade antiga, mas admite exceções. A campanha de Bolsonaro teme os desdobramentos do episódio do suposto financiamento do “Dark Horse” por Vorcaro e só falará de Lulinha para compensar seu próprio esqueleto no armário.

Numa democracia normal, o caso teria derrubado uma candidatura presidencial. Por aqui, pouco desgastou a posição de Flávio nas pesquisas. Os eleitores dele normalizaram a corrupção?

PERGUNTA DE LULA – “Quem nunca pediu um empréstimo a um amigo?”, indagou um cínico Lula diante da notícia do fluxo de dinheiro alto de Roberta Luchsinger a Marcola. A frase certa seria outra: “Por que, entre tantos amigos, o chefe de gabinete presidencial pede dinheiro a uma lobista envolvida com o INSS e o Ministério da Saúde?”. Ou, noutra versão, “qual lobista negaria favores pecuniários ao funcionário que trabalha na sala contígua à do presidente?”.

O presidente sugere legitimar a corrupção para proteger a democracia? Bem, a PF sabe investigar –e, às vezes, celeremente, mas nem sempre: o inquérito sobre os milionários repasses de Vorcaro a Flávio, alegadamente para o filme hagiográfico, ainda não produziu frutos públicos.

André Mendonça, o relator, permitirá que o sigilo judicial oculte o tema até as eleições? A carência de informação serve à democracia?

E OS OUTROS – Não é só Flávio. A PF investiga o senador Ciro Nogueira, que declarou apoio a Flávio, pela suspeita de operar como chefe da “bancada de Vorcaro” no Congresso. Ele é candidato à reeleição. Seus colegas senadores sequer abriram processo num Conselho de Ética paralisado.

O inquérito judicial, sob o mesmo relator, não virá a público antes da abertura das urnas? Os eleitores do Piauí ficam proibidos de conhecer as credenciais de seu senador?

Uma década atrás, corrupção provocava constrangimento nas bases militantes da política. Não mais. Seguindo a linha dos coordenadores da “guerrilha digital”, os militantes rebatem as notícias apontando corrupção maior ou mais nociva no “lado de lá”.

CULPA DA IMPRENSA – Obedientes, acusam a imprensa de perseguição a seus líderes. Ou minimizam as denúncias em nome dos sacrossantos “valores da família”, numa ponta, e da defesa da “democracia ameaçada”, na outra. Não percebem que, desse modo, aprofundam a rejeição popular aos dois líderes rivais?

A hipocrisia provavelmente deriva da desmoralização da Lava Jato, enterrada por um juiz-político e pela horda de procuradores organizados como partido.

Mas suspeito que exista algo mais: um STF refém de seus próprios esqueletos. Num país onde se perdeu a crença nos juízes, por que se constranger com a corrupção espraiada nas cúpulas políticas?

CASO DE TOFFOLI – Há inquéritos e, acima de tudo, a falta deles. Toffoli assumiu a relatoria do caso Vorcaro, apesar de seus suspeitos negócios imobiliários, depois renunciou à posição e declarou-se impedido.

Seus pares, porém, proclamaram sua insuspeição, enquanto aceitavam transformar em investigado um dirigente associativo dos auditores da Receita que ousou criticar medidas adotadas por Moraes.

Não abriram inquérito sobre Toffoli ou Moraes, cuja esposa e sócia recebeu do Master, na forma de esquisitos honorários advocatícios, quantia superior à repassada ao “Dark Horse”. Os juízes supremos colocam o corporativismo acima da instituição. Em nome da democracia?

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Menções a Lulinha e Marcola desgastam governo nas redes

Luiz Felipe Azevedo
O Globo

Alvo de investigações em curso, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tornou-se a principal fonte de desgaste para o governo federal nas redes sociais em 2026. É o que mostra levantamento da consultoria Bites a pedido do O Globo. Com disparada nos últimos 30 dias, as menções ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já respondem por quase um terço (31,4%) da repercussão digital do escândalo do INSS ao longo deste ano.

O filho do presidente está sendo investigado por tráfico de influência no governo federal pela Polícia Federal (PF), em inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita é que ele tenha atuado para abrir as portas do governo para a amiga Roberta Luchsinger, lobista que tentava prospectar negócios no Executivo nacional. Ela era próxima do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela PF sob a acusação de desviar recursos de aposentadorias e pensões.

MENÇÕES – O escândalo do INSS foi mencionado em 12,34 milhões de ocasiões na internet este ano. Neste período, Lulinha esteve no centro de 3,88 milhões de posts sobre o tema. Já o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana, o Marcola, também alvo de investigação, foi citado 341 mil vezes. Os dados mostram ainda que as menções a Lulinha em 2026 correspondem a 6,8% das postagens sobre o pai.

Ao considerar apenas os últimos 30 dias, Lulinha foi citado em 1,2 milhão de posts, 49% do total de publicações sobre o escândalo do INSS. Entre os políticos que utilizaram as investigações de Lulinha para atacar o governo do presidente Lula nas redes neste mês estão o candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, e seu candidato a vice Alfredo Gaspar (PL), que foi relator da CPI do INSS. Outros nomes do bolsonarismo, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o candidato ao Senado por Goiás Gustavo Gayer (PL), também surfam nesta pauta.

“Apesar de uma boa parte da preocupação do presidente Lula ser com o Marcola, os dados mostram que a situação do Lulinha é o que pode machucar mais a campanha dele. O bolsonarismo vem agindo de forma coordenada nesse ataque, sendo essa a principal estratégia aparente para atacar o governo”, avalia André Eler, diretor técnico da Bites.

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Moraes cassa aposentadoria de Silvinei Vasques, condenado por trama golpista

Vasques foi condenado e agora perde benefício da corporação

Guilherme Matos
Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última sexta-feira, 21, a cassação da aposentadoria de Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele foi condenado em março deste ano por participação na trama golpista que tentou impedir a eleição e posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão atende a um pedido de esclarecimentos feito pela Advocacia-Geral da União (AGU) sobre os efeitos da perda de cargo público imposta a Vasques na sentença. Moraes retomou o entendimento já fixado pela Primeira Turma do STF no julgamento dos embargos de declaração apresentados pela defesa de Vasques, rejeitados por unanimidade. Segundo o ministro, o efeito da perda do cargo público, decretada na condenação, se estende à sua condição de aposentado, resultando na cassação do benefício.

ARGUMENTO  – A defesa de Vasques havia alegado que o acórdão seria omisso, obscuro e contraditório ao decretar a perda do cargo de “policial rodoviário federal aposentado”. O argumento foi rejeitado por Moraes. O ministro explicou que a expressão utilizada era “meramente descritiva da situação funcional” do réu no momento do julgamento, e que o efeito jurídico da condenação é, de fato, a cassação da aposentadoria.

O ministro citou jurisprudência do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reforçar que a perda de cargo público pode ser decretada mesmo quando o condenado já está aposentado, inclusive, nos casos em que os crimes foram cometidos enquanto o réu ainda estava na ativa.

CONDENAÇÃO – Vasques foi condenado pela Primeira Turma do STF em março deste ano pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa e dano qualificado. A pena foi fixada em 24 anos e 6 meses, sendo 22 anos de reclusão e 2 anos e 6 meses de detenção, além de 100 dias-multa.

Silvinei Vasques está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”, em Brasília (DF), Segundo apurações, a atuação de Vasques teria incluído comandar blitz e operações rodoviárias da PRF no segundo turno das eleições de 2022. O objetivo era criar obstáculos ao deslocamento e à votação de eleitores no Nordeste, onde Lula tem uma base eleitoral forte.

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PF amplia investigação sobre filme de Bolsonaro e cobra explicações da Ancine

Charge do Clayton (Instagram)

Nathalia Sarmento
G1

A Polícia Federal solicitou à Agência Nacional do Cinema (Ancine) informações sobre o processo administrativo aberto contra a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A agência terá 10 dias para encaminhar os documentos.

O processo foi aberto pela Ancine após uma denúncia sobre a gravação, em território brasileiro, de uma obra audiovisual estrangeira sem comunicação prévia à agência. Pela regulamentação, produções estrangeiras filmadas no Brasil precisam informar previamente a Ancine e apresentar documentos sobre a produção.

MULTA – Segundo a Ancine, a Go Up não havia apresentado a documentação exigida para as gravações. A empresa pode ser multada em R$ 2 mil a R$ 100 mil caso a irregularidade seja confirmada. A agência foi notificada pela PF a passar as informações na terça-feira (18).

O pedido da PF ocorre em paralelo à investigação sobre o financiamento do filme. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, em julho, a abertura de um inquérito para apurar os repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção. A investigação busca verificar se os recursos foram efetivamente utilizados para financiar Dark Horse.

FINANCIAMENTO – A origem do caso está em mensagens e áudios que indicam que o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PF), teria pedido dinheiro a Vorcaro para financiar o filme. O valor inicialmente mencionado nas negociações chegou a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), embora os valores efetivamente transferidos sejam objeto da investigação.

A PF também investiga se parte dos recursos destinados ao filme teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em vez de financiar a produção.

O Dark Horse é estrelado pelo ator americano Jim Caviezel e foi filmado em inglês. A produção ainda não tinha, até as últimas informações, pedido de registro para lançamento comercial no Brasil. Em nota, a Ancine afirmou que “reafirma seu compromisso com a transparência, o cumprimento da legislação e a regularidade do setor audiovisual brasileiro”.

Um em cada três candidatos às eleições de 2026 declara não ter nenhum bem

Pablo Marçal entra na eleição para tumultuar, provocar e turbinar os próprios negócios

Coach subiu no picadeiro para ajudar Flávio Bolsonaro

Bernardo Mello Franco
O Globo

A nova aventura de Pablo Marçal está com os dias contados. Inelegível até 2032, o coach registrou a candidatura a presidente nos últimos minutos do prazo. Conseguiu tumultuar a disputa, mas deve ser barrado pelo TSE. Com milhões de seguidores nas redes sociais, Marçal tem a receita para bagunçar o coreto. Em seis dias de campanha, berrou palavrões, insultou jornalistas e chorou num podcast.

Ele reapareceu a bordo de um factoide: declarou R$ 7 bilhões em patrimônio. Depois de ganhar as manchetes, alegou erro ao preencher um formulário. Quem o conhece identificou mais uma pegadinha para causar polêmica e reforçar a imagem de novo rico.

FARSA – Marçal já deixou claro que a candidatura é uma farsa. Ele subiu no picadeiro para promover seus negócios e ajudar Flávio Bolsonaro, beneficiário dos ataques a Lula e Renan Santos.

Para o Ministério Público, a chapa foi arquitetada sobre duas fraudes. Além de estar com os direitos políticos suspensos, o coach forjou uma filiação ao PRTB com data retroativa. Bons tempos em que a sigla só era notada pela figura exótica de Levy Fidelix, o bigodudo do aerotrem.

Nesta quinta-feira,  o TSE proibiu Marçal de usar recursos públicos e participar de debates. A decisão unânime indica que a candidatura de mentirinha já subiu no telhado. Mesmo assim, ele ainda pode ter duas ou três semanas para encenar a farsa e pedir doações a incautos.

PRESEPADAS – O candidato-coach é produto de uma era em que a política se confunde cada vez mais com o entretenimento. Suas presepadas geram engajamento e votos, como se viu na última eleição para a Prefeitura de São Paulo.

A seu modo, Marçal deve repetir a passagem-relâmpago de Silvio Santos pela corrida presidencial de 1989. O homem do baú entrou na disputa a 15 dias do primeiro turno. Chegou a ameaçar o favoritismo de Fernando Collor, mas foi barrado pelo TSE por irregularidades no registro partidário.

As semelhanças terminam no lançamento de última hora e no uso de uma legenda de aluguel. Diante do que se vê hoje, a candidatura de Silvio teve a inocência de um programa de calouros.

Acredite se quiser! Polarização reduziu votos nulos e brancos na última eleição

Marqueteiro de Flávio admite: jeito de Bolsonaro provoca “repulsão” nas mulheres

Delação de Roberta Luchsinger entra no radar de aliados de Lula e assusta o PT

Roberta Luchsinger é vista como “granada sem pino”

Bela Megale
O Globo

A possibilidade de Roberta Luchsinger partir para um acordo de delação premiada entrou no radar de aliados do presidente Lula e do PT. A lobista é investigada por suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS.

A leitura é que, se medidas mais drásticas contra ela forem determinadas pela Justiça, como um mandado de prisão, a chance de Roberta buscar tratativas com as autoridades é grande. A avaliação é que a lobista não aguentaria tamanha pressão.

“GRANADA SEM PINO” – A estratégia, por ora, é não deixar que a lobista se sinta “abandonada”, pois ninguém sabe quais seriam as consequências disso. Ela é descrita por petistas como uma “granada sem pino”.

Em mensagens interceptadas pela Polícia Federal, que fazem parte de um dos inquéritos que investigam Lulinha, Roberta disse que precisava tirar o filho de Lula e sua família do país e emendou: “o custo é altíssimo”. A lobista ainda afirma que eles são uma “coisa só”. As mensagens foram reveladas pela revista “Veja” e são do início de 2025. O argumento de aliados de Lulinha é que a lobista teria usado seu nome. O fato é que o temor de que Roberta venha a negociar uma delação tem mantido o filho do presidente próximo a ela.

Fábio Luís se mudou com a família para Madri no ano passado. Amigos do filho do presidente afirmam que, desde 2024, ele vinha estudando a mudança de país e estava em dúvida entre Portugal e Espanha, mas optou pelo segundo por crer que lá teria chances de ter uma vida mais discreta.