Defesa de Filipe Martins recorre ao STF contra a perseguição movida por Moraes

Centrão trava apoio a Flávio e prioriza acordos estaduais antes da corrida ao Planalto

Lei determina que a delação de Vorcaro esclareça suas relações com o Supremo

A charge mostra políticos em uma moita. Numa primeira área da moita estão Ciro Nogueira, Antonio Rueda, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Numa segunda área aparecem Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro, Ibaneis Rocha, Ricardo Lewandowski, Ibaneis Rocha e Lula. Todos eles estão preocupados ao olhar para um papel que aparece no chão. No papel há o texto “Pauta da semana: delação de Vorcaro”. Lula coloca uma plaquinha com a inscrição “Moita lotada”.

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Raquel Landim
Estadão

Chegamos num tal nível de desconfiança sobre as relações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro que é inaceitável uma delação premiada do ex-banqueiro que não esclareça o que realmente aconteceu entre eles.

A cobrança não é apenas da opinião pública, mas da legislação. Qualquer seletividade de Vorcaro, caso tolerada pelas autoridades competentes, corre o risco de desmoralizar de vez o instrumento de colaboração premiada no Brasil.

JOGAR LIMPO – Três princípios básicos regem uma delação premiada: lealdade processual, integridade de ambos os lados envolvidos (delator e autoridades) e a proibição de fazer “reserva mental” dos fatos. De uma forma bem simples, é preciso jogar limpo.

Colaborador não pode mentir ou omitir. Da mesma maneira que comete crime se acusar falsamente alguém, perde os benefícios de redução de pena se deixar alguém de fora. Ele não pode preservar ninguém que esteja ligado com a investigação – por mais poderoso que seja.

No artigo 4º da Lei 12.850 de 2013, que estabeleceu a colaboração premiada no Brasil, está escrito que “o colaborador renunciará, na presença do seu defensor, ao direito ao silêncio, e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade”.

SERÁ RESCINDIDO – No artigo 17, esse princípio ficou reforçado: “O acordo homologado poderá ser rescindido em caso de omissão dolosa sobre os fatos objetos da colaboração”.

Podemos citar, por exemplo, quando Joesley Batista, dono da JBS, chegou a ser preso e quase perdeu sua delação premiada quando tentou preservar o senador Ciro Nogueira, de quem era amigo.

É interessante porque vale para os dois lados. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ou a Polícia Federal também não podem escolher o que querem ouvir. Ficam impedidos de proteger qualquer grupo político. É preciso investigar tudo.

PRODUZIR PROVAS – O colaborador também não precisa apresentar provas. Ele conta o que sabe, entrega contatos, dados de contas bancárias – tudo que conseguir obter. Mas ele não tem capacidade de quebrar sigilos, grampear telefones. O dever de coletar provas é das autoridades competentes, de novo, a PGR e a PF.

A colaboração premiada passou por testes de fogo desde que foi estabelecida no Brasil. As delações e punições da Lava Jato foram praticamente todas anuladas pela caneta de Toffoli com base em supostas infrações da cadeia de custódia de provas.

Sérgio Moro, naquela época juiz e hoje senador, foi muito criticado por advogados criminalistas por seus métodos que apostavam em prisões alongadas para que os criminosos falassem.

CASO DO CID – Relator da trama golpista, Moraes permitiu que o tenente-coronel Mauro Cid alterasse sua delação premiada cinco vezes em 12 depoimentos entre STF e PF – uma evidência de que já não era mais um colaborador confiável. E ainda assim Cid manteve todos os seus benefícios.

A delação de Vorcaro promete ser muito mais delicada que qualquer outro caso de grande repercussão no país, porque, pela primeira vez, aparecem evidências de comprometimento do Judiciário, instituição que rege a ordem democrática.

Até aqui, o ministro André Mendonça, que recebeu a relatoria do caso Master, vem conduzindo as investigações com zelo. É com ele que a defesa de Vorcaro começou a conversar sobre uma colaboração. Caberá a ele garantir o futuro ou desmoralizar de vez esse instrumento tão importante para as investigações no Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais uma importante matéria enviada pelo jornalista e advogado José Carlos Werneck. O texto explica com clareza o que diz a lei, que precisa ser obedecida. Mas acontece que nos dias de hoje, especialmente no Supremo, não está garantido que a lei prevaleça. O exemplo de Mauro Cid é bastante revelador. Sua delação estava cheia de furos e teve o claro objetivo de evitar a prisão dele, um militar covarde, que chorou ao ser preso pela primeira vez, por mentir ao depor. Infelizmente, porém, sua delação foi aceita e causou essas penas rigorosas e ilegais que Moraes aplicou e que serviram para transformar em terroristas cerca de 1,5 mil brasileiros que deveriam ter sido julgados apenas por invasão de prédios públicos e depredação de objetos tombados. E todos eles viraram membros de “organização criminosa armada”, embora não se conhecessem entre si, não tivessem chefes nem portassem armas. Ah, essas coisas, só no Brasil, mesmo… (C.N.)

Caso do Master tem muita semelhança com o escândalo da Loja Maçônica P-2

43 yıl önce (1982) bugün, Tanrının bankeri Roberto Calvi'nin cesedi  Londra'daki Blackfriar's Köprüsü'nün altında sallanırken bulundu. Calvi,  Vatikan'ın çoğunluk hissesine sahip olduğu İtalyan Banco Ambrosiano'nun  yönetim kurulu başkanıydı. Vatikan ...

Calvi, o tesoureiro, foi “suicidado” numa ponte em Londres

 

Mario Sabino
Metrópoles

O caso do Banco Master, protagonizado por Daniel Vorcaro, esse personagem deplorável, me remete ao escândalo da loja maçônica secreta Propaganda Que, ou P2, que sacudiu a Itália no início dos anos 1980. Na década anterior, sob o comando do financista e industrial Licio Gelli, o “Venerável Mestre”, a P2 abrigava uma estrutura de poder oculta e paralela ao Estado italiano.

Essa organização criminosa reunia 962 integrantes, entre políticos, magistrados, empresários, jornalistas, chefes dos serviços secretos e militares.

INCLUINDO VATICANO – Os seus nomes estavam em uma lista que Gelli guardava em sua casa, encontrada pela polícia enquanto cumpria uma ordem de busca e apreensão no âmbito de uma investigação sobre outro integrante da P2, o banqueiro Michele Sindona, ligado à máfia e ex-assessor financeiro do Vaticano.

Sindona, que já havia sido condenado nos Estados Unidos pela quebra fraudulenta do Franklin National Bank, morreu em uma prisão de segurança máxima ao ingerir café com cianeto de potássio, apenas dois dias após de ser sentenciado.

Na versão oficial, ele se suicidou, mas nunca foram afastadas completamente as hipóteses de homicídio ou de “suicídio assistido”. Com Sindona, foram enterrados segredos que ele prometia revelar.

BANQUEIRO DE DEUS – Quatro anos antes, outro banqueiro membro da P2, de quem Sindona era mentor, morreu em circunstâncias estranhas: Roberto Calvi, do falido Banco Ambrosiano, cujo principal acionista era o Vaticano, daí o seu apelido de “banqueiro de Deus”.

Calvi era o tesoureiro da P2. O banqueiro de Deus usava o Ambrosiano para lavar dinheiro para a organização criminosa que se formou sob o guarda-chuva da loja maçônica e para a máfia.

Ele cometia toda sorte de fraudes financeiras, como empréstimos fantasmas bilionários a empresas de fachada registradas em paraísos fiscais. Boa parte do dinheiro emprestado era usado para a compra de ações do Ambrosiano, o que inflava artificialmente o valor do banco e servia para cobrir perdas e aumentar o controle de Calvi.

FOI SUICIDADO – Quando o esquema do banco explodiu, o banqueiro de Deus fugiu para Londres, e lá foi encontrado morto, enforcado sob uma ponte.

A cena da morte de Calvi foi montada para parecer suicídio, mas uma perícia realizada anos depois mostrou que, antes de o seu corpo ser pendurado sob a ponte, o banqueiro havia sido estrangulado.

A P2 tinha um “plano de renascimento democrático”, igualmente encontrado na casa de Gelli pela polícia. O plano previa uma reforma do Estado italiano no sentido de torná-lo autoritário, o controle da imprensa e o confronto com o então poderoso Partido Comunista Italiano — o que levou a que se estabelecesse uma conexão jamais provada entre a P2 e a CIA americana.

CAI O GOVERNO – O escândalo foi causa direta da queda do governo de Arnaldo Forlani, visto que três ministros e cinco subsecretários estavam na lista de integrantes da P2.

Os personagens destes tristes trópicos são mais vagabundos, assim como o enredo. No caso do Banco Master, Vorcaro não tinha plano político nenhum, a não ser o de roubar dinheiro de correntistas e aposentados por meio de uma reles pirâmide financeira, que causou a sangria de mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito.

A semelhança com o escândalo da P2 está no grau de infiltração no meio institucional. A sua real extensão será conhecida no caso de Vorcaro vier mesmo a fazer uma delação séria (agora criamos a delação não séria),

INFILTRADO – O dono do finado Banco Master não precisava de plano político: ele conseguiu infiltrar-se e operar nas sombras graças a uma estrutura autoritária que preexistia no interior do Estado brasileiro e que, recentemente, perpetrou o seu próprio plano de “renascimento democrático”.

Essa estrutura garante poder ilimitado, enriquecimento ilícito e impunidade a quem nela se encastela, e com uma desfaçatez jamais vista na nossa história.

Portanto, foi justamente a estrutura autoritária manejada pelo Supremo que permitiu a Vorcaro infiltrar-se no Estado.

Escândalo do Master ameaça as campanhas eleitorais do PT e do União Brasil na Bahia

Mudanças em punições a magistrados geram fortes reações dos procuradores

PEC é de autoria do então senador Flávio Dino, hoje ministro

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

Procuradores da República criticaram emendas apresentadas à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da aposentadoria compulsória como punição disciplinar.  A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) afirmou, em nota pública, que sugestões de adendos à proposta podem avançar “sobre o núcleo da garantia constitucional da vitaliciedade dos membros do Ministério Público e da magistratura”.

A PEC é de autoria do então senador Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). A proposta veta a possibilidade de concessão de aposentadoria compulsória a magistrados e membros do Ministério Público como sanção por infração disciplinar.

INCONSTITUCIONALIDADE – Na segunda-feira (16), Dino deu uma decisão na corte afirmando que a punição de aposentadoria compulsória para juízes que cometeram infrações graves é inconstitucional. No Congresso, a relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), apresentou voto favorável ao texto, com emendas de redação. Duas delas preveem a aplicação da punição de perda de cargo em caso de falta grave independentemente de sentença judicial transitada em julgado.

A ANPR é contra essas alterações e defende a manutenção da exigência de sentença transitada em julgada (ou seja, uma decisão judicial da que não se pode mais recorrer) para o rompimento definitivo do vínculo dos membros do Ministério Público e do Judiciário.

Hoje, a Constituição estabelece como regra que magistrados, promotores e procuradores têm direito a vitaliciedade, só podendo perder o cargo por decisão do tribunal ao que o juiz estiver vinculado ou exatamente por decisão transitada em julgado.

INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL – Segundo a ANPR, as emendas atingem a “estrutura constitucional desenhada para assegurar a independência funcional de juízes e membros do Ministério Público, ampliando de modo preocupante a exposição dessas carreiras a pressões externas e ingerências indevidas”.

A associação diz que não se trata de debate corporativista ou em defesa de prerrogativas unicamente da carreira, mas da preservação de “garantias estruturais voltadas à proteção da própria ordem democrática”. O enfraquecimento dessas garantias vai além de procuradores, afirmam.

“Atinge, sobretudo, a sociedade, que depende de um Poder Judiciário e de um Ministério Público livres de constrangimentos políticos, econômicos ou circunstanciais para atuar na defesa da legalidade, do regime democrático e dos direitos fundamentais”, dizem na nota.

GARANTIA – A entidade afirma ainda que a erosão dessa garantia compromete a independência decisória e o enfrentamento do crime organizado, da corrupção e de desvios praticados por estruturas de poder e ecoa a história brasileira, citando o exemplo da ditadura militar.

“Um dos momentos mais emblemáticos de supressão da vitaliciedade e de outras proteções institucionais ocorreu com a edição do ato institucional nº 5, em 1968, marco do período mais severo do regime autoritário então instaurado.”

Alexandre Padilha acusa clã Bolsonaro de “apagão” na saúde durante a pandemia

Padilha disse que Flávio Bolsonaro deve “cair na real”

Deu na CNN

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou duramente a família Bolsonaro e suas políticas de saúde durante entrevista ao Bastidores CNN. Em resposta à proposta de reformulação do Sistema Único de Saúde (SUS) apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Padilha afirmou que a gestão anterior foi responsável por um “apagão” no setor, especialmente durante a pandemia de Covid-19.

“Cai na real, Flávio Bolsonaro. Quem é você ou qualquer membro dessa família para vir falar sobre saúde? É responsável pelo maior apagão que existiu nos hospitais federais do Rio de Janeiro”, declarou Padilha. O ministro destacou ainda que “ninguém esquece da postura da família Bolsonaro durante a pandemia, de fazer chacota de quem estava morrendo, negar o atendimento às pessoas”.

AVANÇOS – Padilha apresentou dados sobre os avanços na área da saúde durante o governo atual. Segundo ele, em 2025, o Brasil alcançou o recorde de 14,8 milhões de cirurgias eletivas realizadas no SUS, representando um aumento de mais de 40% em comparação com o governo anterior. “Chegamos em 2025 com o recorde do número de leitos plenos de internação no SUS. Chegamos a 316 mil leitos, são 7 mil leitos a mais do que foi deixado pelo clã Bolsonaro”, afirmou.

O ministro destacou ainda a reestruturação dos hospitais federais do Rio de Janeiro, mencionando parcerias com a Prefeitura, o Grupo Hospitalar Conceição e a Fiocruz. Padilha citou a entrega do novo Hospital Cardoso Fontes, a previsão de entrega do Hospital da Andaraí em março, além da reformulação do Hospital Federal de Bonsucesso.

NOVA TABELA – Em resposta direta à proposta de reestruturação da tabela do SUS feita por Flávio Bolsonaro, Padilha informou que o governo atual já implementou uma nova tabela de pagamentos. “Ele não deve saber, mas o presidente Lula sancionou uma lei que desde 2023 garante reajustes permanentes. E com o Agora Tem Especialistas, criamos uma nova tabela que já faz um pagamento para cirurgias e procedimentos prioritários até duas, três vezes mais do que a antiga tabela SUS”, destacou.

O ministro finalizou afirmando que a família Bolsonaro não tem autoridade para construir um plano para a saúde: “Tem que cair na real, a realidade da família Bolsonaro foi aquele apagão nos hospitais federais do Rio de Janeiro e a postura irresponsável durante a pandemia da Covid-19”.

Parceria entre PF e PGR tenta garantir delação “segura” de Vorcaro e evitar ruídos no STF

Transferência de Vorcaro facilitará as negociações

Valdo Cruz
G1

A assinatura do termo de confidencialidade entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República vai ser um seguro para evitar mentiras do banqueiro e vazamentos, garantindo uma eventual colaboração premiada consistente e baseada em provas.

A parceria dos dois órgãos nas negociações de uma delação premiada vai também servir para que um lado vigie o outro, evitando excessos. Além disso, vai impedir acobertamentos e controle de informações que venham a ser reveladas pelo banqueiro dono do Master.

TRANSFERÊNCIA – A assinatura do termo de confidencialidade foi autorizada pelo relator do inquérito do Master, ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu transferir o banqueiro da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Isso facilitará as negociações a partir de agora.

O termo de confidencialidade é o primeiro passo para a negociação de uma delação, que deverá transcorrer sob sigilo. É tido como certo que Vorcaro irá tratar nas negociações de suas relações com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de suas relações com o mundo político.

Por isso, ministros do STF avaliam que a parceria da PF com a PGR acaba sendo um seguro para o transcorrer das negociações. Ninguém poderá forçar a barra nos futuros depoimentos, mas também ninguém poderá querer acobertar nada, avalia um investigador. Será, com certeza, a delação mais delicada já negociada até agora, pois deve envolver personalidades dos Três Poderes, Legislativo, Judiciário e Executivo.

Ex-assessora de Flávio Bolsonaro vira ré por suspeita de lavar dinheiro de Adriano da Nóbrega

Governo teme ser atingido por “efeito dominó” de delação de Vorcaro

De olho no desgaste, Kassab confia em rejeição e telhados de vidro de Lula e Flávio

Kassab quer capturar eleitor cansado da polarização

Dora Kramer
Folha

A data precisa do anúncio de quem será o escolhido para tentar atrair o eleitorado hoje dividido entre Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Gilberto Kassab (PSD) não diz. Fica naquilo que já se sabe: “Será até o fim do mês”, repete, também na guarda do quase segredo de polichinelo de que a indicação recairá sobre o paranaense Ratinho Jr., cujo nome pode passar por um reposicionamento de marca.

Do triunvirato composto pelo gaúcho Eduardo Leite e o goiano Ronaldo Caiado, é quem aparece nas pesquisas em situação menos pior em relação aos dois favoritos; é visto como o preferido da elite econômica e aquele com maior capacidade de construir alianças nos estados.

CARISMA – Fica faltando o critério do magnetismo pessoal —também chamado de carisma— que, convenhamos, não é exatamente uma característica de destaque no perfil do governador do Paraná nem de sobra nos outros. Portanto, caso dê zebra, não terá sido esse o fator de desempate.

A aposta de Kassab é no conteúdo do discurso sustentado em temas que permeiam o ambiente social e traduzem demandas não atendidas pelo governo Lula nem pelo antecessor, do qual o primogênito de Jair Bolsonaro é representante. Nas propostas, os três Poderes estarão na mira.

PLANOS DE DIÁLOGO – Uma rasante nos planos de diálogo com o eleitorado mostra o seguinte: no Judiciário, a defesa da idade mínima de 60 anos para a nomeação de ministros, com manutenção da aposentadoria aos 75. Na prática, mandato máximo de 15 anos. No Legislativo, articulação política que dê jeito no uso abusivo de emendas; no Executivo, a volta do teto de gastos, e, na administração pública em geral, uma radical reforma do Estado.

Criminalidade, corrupção e capacidade de gestão também estão no cardápio, cujo diferencial seria justamente o abandono do embate ideológico para dar prioridade aos problemas objetivos da vida das pessoas. Gilberto Kassab acha que por aí tem jogo para o time do meio se aproveitar da rejeição e dos telhados de vidro —mercadoria farta nas prateleiras dos oponentes.

Sem Tarcísio, agronegócio não quer embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro

Setor mantém cautela com candidatura do senador

Luísa Marzullo
O Globo

Um dos pilares do governo de Jair Bolsonaro, o agronegócio resiste a aderir à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e repetir o alinhamento com o bolsonarismo observado a partir de 2018. Nos bastidores da bancada ruralista e entre lideranças do setor produtivo, o ambiente é de cautela: parte do grupo prefere aguardar maior clareza sobre o desenho da disputa na direita antes de assumir compromisso com o filho do ex-presidente.

A hesitação contrasta com o engajamento na campanha de 2022, quando o apoio a Bolsonaro foi majoritário no setor. Parlamentares e interlocutores do agronegócio dizem que o cenário atual é mais fragmentado e que produtores passaram a avaliar diferentes alternativas antes de fechar posição.

FORA DA CORRIDA – Parte dessa cautela está ligada à decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de permanecer no cargo e se manter fora da corrida presidencial. Entre produtores e parlamentares do agro, ele era visto como o nome com maior capacidade de unificar a direita e dialogar simultaneamente com o mercado financeiro e com o eleitorado conservador.

Um parlamentar com trânsito no setor defende que Flávio “não seria o nome adequado para um país moderno”. A avaliação é que Tarcísio seria o nome ideal para se opor ao PT no pleito deste ano, e não o senador. Mas o integrante da bancada do agronegócio pondera que, ainda pior do que estar com Flávio, é o governo petista, que não “respeita propriedades rurais, não prioriza a segurança e não transmite confiança para baixar juros”.

Esse cenário tem alimentado a discussão sobre a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa presidencial de Flávio. Ex-ministra da Agricultura e uma das principais referências do agronegócio no Congresso, Tereza passou a ser vista por interlocutores do PL como um nome capaz de ajudar a reduzir a resistência do setor à pré-candidatura do senador. A avaliação dentro do partido é que sua presença na chapa funcionaria como um selo de credibilidade junto ao agro. Junto ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a senadora é um dos nomes mais defendidos internamente.

CAUTELA – Entre lideranças do próprio setor, porém, a ideia é recebida com cautela. Interlocutores do agronegócio avaliam que Tereza tem hoje mais chances de exercer influência caso dispute a presidência do Senado a partir de 2027. A leitura predominante é que envolvê-la diretamente em uma campanha presidencial poderia expor a senadora ao desgaste de uma eventual derrota eleitoral, enquanto o comando do Senado ampliaria o peso político do segmento no centro das decisões do Congresso. A própria Tereza tem evitado alimentar as especulações:

“Eu acho que o Flávio, por enquanto, sozinho, já mostrou que tem musculatura. Vice é uma das últimas escolhas que se faz numa campanha eleitoral e depende de muitos fatores, como os partidos que vão coligar. Tenho certeza de que ele vai escolher o melhor nome para que tenha sucesso”, afirmou a senadora.

OPÇÃO NA DIREITASem Tarcísio no horizonte eleitoral, nomes como o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), passaram a aparecer com mais frequência nas conversas. Médico e pecuarista, Caiado construiu parte de sua trajetória política no movimento ruralista e mantém relação histórica com entidades do agronegócio.

No comando de Goiás, estado em que a produção agropecuária tem peso central na economia, o governador também buscou reforçar gestos ao setor ao propor mudanças na contribuição de produtores para o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), conhecido entre ruralistas como “taxa do agro”.

Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou um projeto do Executivo que extingue a contribuição dos produtores ao fundo. A proposta também transfere para a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) a responsabilidade por obras e contratos vinculados ao Fundeinfra e foi acompanhada de outra iniciativa que cancela multas aplicadas a pecuaristas em operações de venda de gado.

LINHAS DE CRÉDITO – Em outro movimento, foram criadas também linhas de crédito e programas de apoio a segmentos da produção rural, como a cadeia do leite. Interlocutores do setor também citam a presença frequente de Caiado em feiras e eventos do agronegócio como um fator que mantém o governador próximo das principais lideranças rurais.

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), por sua vez, também é citado como alternativa por parlamentares ligados ao campo. Em seu segundo mandato, ele tem ampliado programas voltados à infraestrutura rural, como projetos de expansão da rede elétrica para propriedades agrícolas e iniciativas de conectividade no campo, além de políticas de crédito destinadas à produção agropecuária.

Diferentemente de Flávio, que ainda tenta consolidar pontes com o setor, Caiado e Ratinho chegam ao debate com a vantagem de governar estados onde o agronegócio ocupa posição central na economia local, o que fortalece a interlocução direta com produtores e entidades do setor.

CREDENCIAIS – Apesar disso, aliados de Flávio dentro da própria bancada ruralista argumentam que o senador reúne credenciais para herdar parte do capital político do bolsonarismo no campo. O deputado Evair de Melo (PP-ES), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), afirma que a agenda associada ao senador dialoga diretamente com demandas históricas do setor.

“Segurança jurídica, respeito à propriedade privada, rigor na economia e gastos reduzidos fazem sim do Flávio o escolhido. Caiado também é muito querido e respeitado. No momento certo, confio que a direita vai se unificar, seja no primeiro ou no segundo turno”, disse.

DESCONFIANÇA – Nos bastidores da bancada ruralista, porém, a leitura predominante é de cautela. Parlamentares relatam que parte do setor ainda demonstra desconfiança sobre a capacidade de Flávio de funcionar como um nome aglutinador fora do núcleo bolsonarista.

Integrantes da bancada ruralista, contudo, apontam que a definição de apoios dependerá da consolidação das candidaturas nos próximos meses. Há quem veja o governador Ratinho Júnior como um nome competitivo caso confirme candidatura pelo PSD, enquanto outros lembram que particularidades regionais podem dificultar um alinhamento automático de partidos com forte presença na bancada ruralista.

Entorno de Lula defende volta de Lulinha ao Brasil antes de depor ao STF

Defesa afirmou a Mendonça que Lulinha está à disposição

Jeniffer Gularte
O Globo

Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva têm defendido que o filho do presidente, Fábio Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, retorne ao Brasil antes de ser chamado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para depor.

As suspeitas de envolvimento de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, vêm pressionando o governo e gerando desgaste. O lobista é um dos principais investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias.

À DISPOSIÇÃO – Na semana passada, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou a André Mendonça que Lulinha está à disposição do ministro para vir ao Brasil depor, caso seja chamado. Integrantes do governo, no entanto, afirmam, em caráter reservado, que Lulinha deveria se antecipar ao pedido do ministro e retornar ao Brasil para evitar que a oposição use como arma política durante a corrida eleitoral o fato de o filho investigado de Lula morar no exterior.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares também defendem que Lulinha deveria vir à público se defender. Em duas conversas por telefone com o filho, Lula orientou que o filho mais velho preste todos os esclarecimentos necessários sobre o caso e esteja à disposição das instituições. O presidente também teria dito que, se o filho for inocente, deve se defender. Pessoas próximas a Lula afirmam que Lula não tem tratado sobre eventual retorno de Lulinha ao Brasil.

VIDA ESTABELECIDA – Embora tenha se colocado à disposição de André Mendonça, a defesa de Lulinha afirma que não há disposição de Fábio Luís retornar ao Brasil sem ser chamado pelo ministro. Lulinha mora em Madri, na Espanha, desde 2024. A defesa afirma que o primogênito de Lula tem vida estabelecida no país, com a esposa e onde seus filhos estudam.

“Fábio é um homem que não se esconde, mas não é um cara do embate. Não tem por que voltar sem motivo. Esse desejo se dá pela sensação de segurança que a defesa deu, estamos exaurindo cada uma das teses contra ele”,  afirma Marco Aurélio de Carvalho.

PREOCUPAÇÃO – O avanço das investigações tem preocupado o Palácio do Planalto. A apuração de suspeitas de ligações do Lulinha com personagens das fraudes no INSS é a principal aposta da oposição para desgastar o presidente.

Aliados de Lula têm usado discurso de “transparência total” quanto às contas de Lulinha e comparado com as mudanças feitas por Bolsonaro na PF: com a troca de diretores e o constrangimento ao então ministro da Justiça Sérgio Moro. A defesa admitiu ao STF  que Lulinha que fez uma viagem a Portugal ao lado “careca do INSS”. A viagem teria sido custeada por Antônio Carlos, segundo relatos já reunidos no inquérito e pela própria defesa de Lulinha.

A defesa de Lulinha afirma que o deslocamento teve caráter pontual e sem relação com o esquema investigado. Segundo a defesa, a viagem a Portugal teria ocorrido em novembro de 2024 com a intenção de que o empresário conhecesse uma fábrica de produtos com base em canabidiol, mas não gerou vínculos comerciais ou negociações.

MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – A defesa de Lulinha também alega que ele ofereceu mostrar suas contas antes mesmo do pedido de quebra de sigilo do INSS e aponta que sua movimentação financeira não tem qualquer relação com a fraude no instituto.

Apesar disso, governistas aliados ao Centrão vêm se movimentando para enterrar a CPI do INSS. A avaliação, hoje, é que o caso deixou de representar apenas um problema para o governo e passou a atingir também lideranças e quadros relevantes do centro e da direita. Governistas e dirigentes do Centrão passaram a atuar contra o prolongamento das apurações feitas pelo colegiado, cujo prazo termina na próxima semana. Sem ambiente político para convencer a cúpula do Legislativo, a CPI recorreu ao STF na tentativa de garantir sobrevida.

Advogado acusa TV Globo de usar Lulinha para evitar a vitória do PT

Marco Aurélio de Carvalho: Quem é o advogado próximo a Lula

Advogado de Lulinha comprou uma briga feia para Lula

Rafael Damas
MSN

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que atua na defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou que a TV Globo está retomando os velhos métodos da Lava Jato e usa a imagem do filho para desgastar o presidente Lula, que tentará seu quarto mandato no Palácio do Planalto nas eleições de outubro, onde provavelmente Flávio Bolsonaro (PL) estará entre os candidatos.

Em entrevista à ‘Revista Fórum’, Carvalho comentou a edição da noite anterior do Jornal Nacional, que dedicou boa parte do telejornal para exibir reportagem baseada a partir de “uma coincidência entre repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, à empresa de uma amiga de Lulinha e pagamentos feitos por ela para uma agência de viagens”.

ALINHAMENTO – Horas depois, Flávio Bolsonaro, que criticou a emissora muitas vezes a chamando de ‘GloboLixo’, compartilhou em suas redes a reportagem na íntegra, mostrando um alinhamento com a emissora.

O advogado destacou que, como a oposição não tem um projeto para o país, A emissora então armou uma estratégia para bater no governo de outra forma. Para ele, a Globo se associar ao bolsonarismo remete aos tempos ‘tenebrosos’ da Lava Jato, quando a força-tarefa comandada por Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) – candidatos de Flávio Bolsonaro ao governo do Estado e ao Senado no Paraná – mantinha uma rede de relacionamentos com jornalistas da mídia liberal para fabricar narrativas contra Lula.

“A Globo está tentando desgastar o governo atingindo a imagem do filho do presidente para novamente, de uma forma absolutamente inadequada, retomar o tema da corrupção”, afirmou Carvalho.

VAZAMENTOS – Segundo ele, o método usa novamente vazamentos seletivos, escoados por agentes de Estado, incluindo dentro da Polícia Federal, para abastecer a narrativa na mídia liberal, que está alinha ao bolsonarismo. O advogado antecipou à Fórum que está entrando com representação na Justiça para pedir investigações sobre esses vazamentos.

“Nós estamos representando à Polícia Federal para pedir apurações rigorosas em relação a esses vazamentos seletivos, que são sempre descontextualizados e sugerem coisas que efetivamente não aconteceram”, disse.

Marco Aurélio Carvalho reafirmou “que Lulinha “não tem relação direta ou indireta com absolutamente nenhum dos fatos que estão sendo investigados no bojo da CPMI do INSS”.

É INOCENTE – “Ele não recebeu um único real sequer do empresário Antônio Camilo ou de quaisquer que sejam as suas empresas”, afirmou relembrando que dados vazados não demonstraram ligação do filho de Lula com o caso de corrupção.

“Todas as linhas de investigação da Polícia Federal, que envolvem direta ou indiretamente o Fábio, foram absolutamente rechaçadas, afastadas pelas próprias circunstâncias e por fatos que são rigorosamente incontestáveis. Então, o que talvez justifique esse tempo dedicado a ele, seja a perseguição implacável da qual ele segue sendo vítima que tem um punho político e eleitoral indiscutível”, disse para a publicação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando os números se encaixam e as provas vão se confirmando, bate o desespero e começa a apelação. O advogado Marco Aurélio de Carvalho é criador do Grupo Prerrogativas, que apoia Lula incondicionalmente. Ele mostra ser irresponsável e inconsequente, não tem a menor noção de política. Se tivesse um mínimo de discernimento, não compraria uma briga aberta contra a maior empresa de comunicação do país, em pleno ano eleitoral. Com isso, vai dar uma ajuda formidável a Flávio Bolsonaro, do PL, e Ratinho Júnior, do PSD, que devem ser os principais adversários de Lula, segundo dizem as más línguas. Comprem pipocas. (C.N.)

Vorcaro faz acordo para fazer uma delação que deve atingir o Supremo 

Daniel Vorcaro deixa prisão em SP com tornozeleira eletrônica

Vorcaro quer poupar o STF, mas não tem como fazê-lo

Ana Pompeu, Luísa Martins e José Marques
Folha

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com as autoridades envolvidas na investigação do caso da fraude do Banco Master. Esta é a primeira etapa formal para dar início às negociações para um acordo de colaboração premiada. O documento foi assinado entre o empresário, a defesa dele, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal.

Também nesta quinta-feira (19), o dono do Banco Master foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, para discutir os termos de seu acordo.

SEM RISCO – A transferência foi feita de helicóptero e com medidas tanto para garantir a segurança de Vorcaro quanto para evitar risco de fuga.

A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que relata o inquérito sobre irregularidades relacionadas à instituição financeira. A rotina na penitenciária federal é a mais rígida do sistema de privação de liberdade. No local, Vorcaro andava algemado e o contato com a defesa era limitado.

Os detentos só têm contato com seus advogados por meio de um parlatório, com divisão de vidro e gravação. A defesa pediu a Mendonça depois da chegada de Vorcaro à unidade para que pudesse falar com o cliente sem ser gravada, o que foi concedido pelo relator.

MAIOR ACESSO – Na Superintendência da PF, o acesso e as condições impostas a ele são mais flexíveis. O documento assinado serve para garantir, inclusive, que caso o acordo não seja concretizado, nada do que ele disser durante as negociações poderá ser usado contra ele.

A partir de agora, ele começa a ter reuniões com os próprios advogados para debater os fatos investigados. As primeiras reuniões são feitas internamente, entre colaborador e defesa. Quando eles entenderem que estão preparados, passam a discutir com as autoridades o material reunido.

Neste momento, tem início um processo de checagem sobre o que os investigadores entendem fazer ou não sentido, ser insuficiente, se tem ou não prova para corroborar a narrativa feita por Vorcaro. Esta etapa serve para fechar uma base de fatos e depois disso é que se avança para os depoimentos em si.

PEDIDO DA DEFESA – A decisão de Mendonça foi tomada a pedido da defesa de Vorcaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também ficou preso na Superintendência até janeiro deste ano, quando foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, área conhecida como Papudinha.

Em nota, a Polícia Federal informou que “em cumprimento à decisão judicial proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, no âmbito da PET 15.711, realizou, nesta quinta-feira (19/3), a transferência do custodiado Daniel Bueno Vorcaro do Sistema Penitenciário Federal para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal”.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no Aeroporto de Guarulhos. A PF desconfia que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O advogado de Vorcaro é muito esperto e começou a espalhar que a delação não atingirá os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Se isso realmente acontecer, será tempo perdido, a delação terá o valor de uma nota de três dólares e a Justiça brasileira estará completamento desmoralizada. (C.N.)

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Delação meia-sola, que deixa de lado Supremo e governo, é imunda e ignóbil

Defesa de Vorcaro começa a negociar a delação premiada

Caio Junqueira
CNN

O advogado de Daniel Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima, o Juca, ofereceu ao ministro relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, um formato conjunto de delação premiada de Daniel Vorcaro envolvendo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

O ministro sinalizou positivamente a ideia, cujo objetivo é promover algo que não seja passível de questionamentos no futuro. O modelo é inédito em grandes delações feitas no Brasil, inclusive durante a Operação Lava Jato.

RIVALIDADE – Os dois órgãos historicamente se rivalizam sobre a quem cabe o protagonismo da investigação e há inclusive uma discussão jurídica ainda em curso no Supremo Tribunal Federal sobre isso.

No caso Master, o desafio seria ainda maior, dado o caráter suprapartidário e amplo das relações de Vorcaro, o que demandaria um alinhamento fino entre a defesa, os dois órgãos e o ministro André Mendonça — que ainda não há. As conexões de cada um deles é, nesta largada, um empecilho.

DELAÇÃO – O plano inicial de Vorcaro é delatar políticos e poupar Alexandre de Moraes e Toffoli justamente porque se acredita que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não aceitaria uma delação contra o STF. Além disso, a relação entre Mendonça e Gonet é distante, ainda mais depois da última fase da operação, na qual Mendonça considerou “lamentável” Gonet não ter se manifestado sobre a recondução à prisão de Vorcaro.

Ambos também veem com apreensão as conexões, consideradas muito próximas do Palácio do Planalto, do diretor-geral da Polícia Federal. Apesar de tudo isso, a avaliação de quem conversou com o advogado de Vorcaro e Mendonça após o encontro de ambos é a de que seja apresentada uma delação premiada “séria”, entendida como algo que atingirá quem de fato cometeu irregularidades com Vorcaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEra só o que faltava. Depois de usufruir do convívio e da complacência de ministros do Supremo, agora Vorcaro quer fazer uma delação meia-sola, somente pegando políticos (parlamentares e alguns governadores) e deixando de fora o Supremo e o Planalto. Sinceramente, a delação meia-sola de Vorcaro é ignóbil, imunda e asquerosa. Seria a completa desmoralização do Judiciário, um poder que se corrompe, deprava e perverte cada vez mais. (C.N.)

Kassab, dono do PSD, antecipa movimento e deve lançar Ratinho Júnior à Presidência

Kassab indica que anunciará Ratinho Jr. como pré-candidato

Raphael Di Cunto
Folha

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, sinalizou a aliados que deve anunciar na próxima semana o nome do governador Ratinho Jr. como o pré-candidato à Presidência do partido. A informação foi confirmada por três integrantes da cúpula da legenda que o apontam como favorito para vencer a disputa interna. Ainda assim, eles evitam cravar a escolha pelo receio de que conversas finais mudem o desfecho.

A ideia da direção do partido e dos governadores é acelerar a divulgação do nome para que o escolhido possa estruturar sua campanha e se apresentar ao país, uma vez que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou seu nome de forma mais rápida do que era esperado na sigla.

PESQUISAS – Integrantes da direção do PSD imaginavam que a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o filho mais velho demoraria mais, e por isso tinham marcado a escolha do candidato a presidente para abril, depois da janela partidária para quem for candidato definir seu partido –que acaba dia 4. No entanto, o senador cresceu rapidamente nas pesquisas, se aproximou do presidente Lula (PT) no primeiro turno e já se encontra empatado com o petista no segundo turno.

Dirigentes do partido dizem que Ratinho virou o favorito dentro do PSD para assumir a candidatura por algumas razões: por estar filiado há mais tempo, aparecer melhor nas pesquisas e conseguir uma boa aceitação entre os eleitores de menor renda por causa do pai, o apresentador de TV e empresário Ratinho. Seria um nome também com baixa rejeição, além de ser debatido há meses entre os filiados.

Em entrevista para jornais de Santa Catarina, o presidente estadual do partido e integrante do conselho político do PSD, Jorge Bornhausen, afirmou que se reuniu com Kassab e ouviu que a decisão já está tomada. “Ficou ajustado que no dia 25 de março será anunciado o nome do Ratinho Júnior. Eu faço parte da comissão de escolha. Evidentemente, respeitando os outros dois grandes governadores, eu optei pelo Ratinho Júnior, que é de centro-direita como eu. Esse é o caminho que o eleitorado deseja”, declarou Bornhausen.

DISPUTA – Ratinho disputa com outros dois governadores, Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás), a pré-candidatura à Presidência. Aliados afirmam que eles procuraram Kassab para questioná-lo sobre a escolha e ouviram que o martelo ainda não está batido e que a decisão ocorrerá até o fim do mês.

Kassab tem conversado com os três para garantir que renunciem ao governo local até 4 de abril e se candidatem nas eleições de outubro. A estratégia é que aqueles preteridos para a Presidência disputem o Senado ou como vice, numa chapa pura do PSD.

De acordo com dirigentes e parlamentares da sigla, a preferência sempre foi por Ratinho, mas dependia de uma decisão dele próprio de concorrer. Flávio ainda tenta demovê-lo, ao ameaçar com um rompimento do acordo no Paraná, onde o PL apoiaria o sucessor escolhido pelo governador em troca da vaga para o Senado.

MORO – Com a candidatura presidencial de Ratinho, o PL afirma que terá o senador Sergio Moro (União Brasil) como candidato ao Governo do Paraná. Isso pode ocorrer pelo próprio PL ou pelo União Brasil, caso Moro consiga convencer a federação do partido com o PP a lançá-lo candidato. A campanha de Flávio terá uma reunião com os dois partidos nesta semana.

Apesar de figurar melhor do que os concorrentes internos nas pesquisas, Ratinho está bem atrás de Lula e de Flávio no primeiro turno. O PL tenta convencê-lo a se aliar a Flávio, com a possibilidade de ser vice, mas no PSD o discurso é de que há espaço para crescimento até outubro e que uma aliança com a direita ou a esquerda racharia o partido nos estados.

A pesquisa Datafolha mais recente mostra Ratinho com 7% das intenções de voto no primeiro turno, no cenário estimulado (quando são apresentados os candidatos). Lula teria 38% e Flávio, 32%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), teria 4%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3%, e Aldo Rebelo (DC), com 2%. Outros 11% dizem que votariam em branco ou nulo e 3% afirmam estarem indecisos.

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.