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Mendonça diz que salário de ministro do STF não permite ‘vida sem preocupações financeiras’

Salário do STF dá ‘condição média’ de vida, diz ministro

Guilherme Matos
Estadão

O ministro André Mendonça, do STF, afirmou que o salário de magistrados proporciona uma ‘condição média’ de vida, apesar de ser superior à média brasileira. Durante o 5º Seminário da Anamel, ele destacou que, embora privilegiados, magistrados precisam controlar despesas.

Mendonça, no STF desde 2021, relatou dificuldades nos primeiros anos na Corte. Ele é responsável por investigações sensíveis na Polícia Federal. Seus rendimentos mensais variaram entre R$ 18.881,92 e R$ 43.028,21 em 2023.

“CONDIÇÃO MÉDIA” – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o salário de um magistrado proporciona uma “condição média” de vida, ainda que “muito acima” do restante dos brasileiros.

“Um ministro do tribunal, um juiz em geral, ele não pode ter a pretensão de ficar rico. O salário, ainda que seja um bom salário, não te dá condições de ter uma vida sem preocupações financeiras. A gente tem que controlar a despesa no dia a dia”, afirmou Mendonça.

Apesar de não proporcionar uma “vida nababesca”, como descreveu o ministro, os magistrados são uma classe privilegiada. “Mas não é uma classe que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês”, disse. A declaração foi feita durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na última sexta-feira, 21, na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

RENDIMENTOS – Segundo o Portal da Transparência do STF, os rendimentos líquidos recebidos por André Mendonça entre janeiro e julho deste ano variaram de R$ 18.881,92 (abril e maio) a R$ 43.028,21 (janeiro), somando R$ 182.029,10 no período. A média mensal é de R$ 26.004,16.

Conforme noticiou o Estadão, no mesmo evento, o ministro falou sobre as dificuldades do trabalho na Corte. Os dois primeiros anos no STF, disse, “foram períodos de muita infelicidade”. Hoje, ele vive “muito mais o ônus e a responsabilidade do que qualquer outra coisa”.

André Mendonça é ministro do STF desde dezembro de 2021 por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é relator das duas investigações mais sensíveis em curso na Polícia Federal: a que apura as fraudes envolvendo o Banco Master e a que investiga o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Confirmado! A lobista pagava um aluguel de R$ 100 mil para o amigo Lulinha

Tribuna da Internet | CPMI do INSS vota nesta quinta-feira a quebra do sigilo bancário de Lulinha

Charge do Clayton (O Povo/CE)

José Marques
Folha

Investigação da Polícia Federal afirma que a lobista Roberta Luchsinger fazia “significativas movimentações de dinheiro em espécie” e que usou uma parte desses valores para pagar uma agência de turismo que bancou viagem de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula (PT).

Em documento que fundamentou a abertura de um inquérito contra Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, a PF destaca que em 25 de junho do ano passado o motorista de Roberta fez “duas coletas em espécie com terceiro desconhecido” nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Desse total, diz o órgão no texto ao qual a Folha teve acesso, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia emitido passagens para Lulinha e Roberta — nesse mesmo dia, o serviço da agência foi usado para pagar passagens no valor de R$ 2.000 para os dois, de Brasília ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

CASA DE LULINHA – Em agosto do mesmo ano, Roberta afirmou em um diálogo transcrito pela PF que não iria mais poder gastar com passagens, porque já estava gastando R$ 100 mil por mês em uma casa usada por Lulinha. Essa conversa de agosto foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Procurada, a defesa de Lulinha disse que “setores da PF instrumentalizados por interesses políticos-eleitorais seguem tentando interferir nas eleições de 2026” e diz que não é provado nos autos que esse dinheiro foi usado para pagar as passagens.

“É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para o país. Isso nos remete ao pior que ocorria durante a época da finada Operação Lava Jato”, afirma o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho.

“SOB SIGILO” – Também procurada, a defesa de Roberta Luchsinger disse que não iria comentar “conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo”.

Em representação que trata de investigação sobre Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a PF afirma que Roberta usava seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Júnior, “para realizar significativas movimentações de dinheiro em espécie”.

A polícia destaca o recebimento dos R$ 300 mil em 2025. Na ocasião, Roberta diz a Ulisses: “Quando você pegar o dinheiro me avisa”. Ele responde: “Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei… pq está em pacotes lacrados”. “Chegando na residência eu passo o valor total. Uns 20 min”, diz o motorista, que, em seguida, afirma que são “100 + 200”.

DEPÓSITOS – Roberta pede para ele depositar R$ 50 mil na conta da consultoria dela e R$ 50 mil na conta da agência de viagens. Também pede para tirar outros valores e dar a pessoas não identificadas pela PF.

Ulisses responde “ok”, depois manda uma foto de um armário e diz: “Restante tá atrás das roupas”. A lobista também manda ao motorista uma captura de tela com o bilhete eletrônico do voo que fará com Lulinha. Ela diz que chegará com ele pela entrada das autoridades às 16h30, e avisa: “cê esteja lá, por favor”.

A PF não menciona a qual casa se refere Roberta no diálogo de agosto, mas ela alugava uma em Brasília que também era usada por Lulinha, segundo um processo trabalhista apresentado contra a lobista.

EM CONJUNTO – Como a Folha mostrou, a PF apontou que Lulinha atuava em “comunhão de interesses econômicos” e conduzia negócios em conjunto Roberta, que trabalhava para obter contratos com o governo federal.

O órgão indicou a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Lava Jato— mantiveram uma “sociedade oculta” em negócios relacionados à Cannabis medicinal, que tentaram vender ao Ministério da Saúde.

O inquérito da PF trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização com a pasta e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Lulinha é alvo de outros dois inquéritos na corte.

MARCOLA ENVOLVIDO – A investigação da PF também aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos relacionados à Cannabis medicinal.

A defesa de Marcola disse que ele “jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, e que os valores são relativos a um empréstimo pessoal. A defesa do filho do presidente afirma que setores da PF tentam interferir em eleição. E o advogado de Roberta Luchsinger não se manifesta

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nos tribunais, quando se quer dizer que uma situação precisa ser logo resolvida, fala-se que tem aparência de bom direito (fumu bonis iuris). Neste caso da lobista e Lulinha, há um cheiro de coisa podre, pois o fedor é mesmo insuportável. (C.N.)

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Missão Impossível! Janja entra em campo para aproximar Lula dos evangélicos

Janja gravou mensagem em lançamento de comitê 

Victoria Azevedo
O Globo

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, gravou um vídeo para evangélicos em que fala dos valores da solidariedade e da igualdade que guiaram a vida e os governos do presidente presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num momento em que o petista aparece atrás de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário nas eleições, nas pesquisas de intenção de voto nesse segmento.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, entre evangélicos, Flávio atinge a marca de 62%, enquanto Lula fica em 29%. Em julho, o petista tinha 31%, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, 60%. Esse é mais um gesto que a campanha do presidente tem adotado nas últimas semanas buscando se aproximar do segmento, seja com lançamento de jingle gospel à carta voltada aos evangélicos. O entorno de Lula também está preparando um ato no Rio de Janeiro com esse público.

REUNIÃO – A primeira-dama gravou o vídeo que foi exibido no lançamento do comitê Evangélicos e Evangélicas com Lula, coordenado pelo PT, nesta segunda-feira. Nele, Janja afirma que viajou pelo país nos últimos anos para se reunir com mulheres evangélicas, foi recebida “de forma muito afetuosa” por elas e presenciou “o importante trabalho de acolhimento e proteção da cidadania realizado por essas mulheres”.

Ela afirma que as igrejas evangélicas cumprem um importante papel de pertencimento e se tornam espaços de referência para milhões de brasileiros. “Os valores da solidariedade e da igualdade, que sempre guiaram a vida e os governos do presidente Lula, são importantes norteadores da nossa fé cristã”, diz a primeira-dama.

Janja também afirma que acompanhou de perto nos últimos anos “o respeito” com que Lula “trata a fé de cada brasileira e brasileiro”. Ela usa o vídeo para falar de atos tomados nas gestões do presidente que foram voltados especificamente aos evangélicos, entre eles a criação do Dia Nacional do Evangélico, a Marcha para Jesus e o Dia Nacional da Música Gospel.

NOVA POSTURA – “O trabalho desse comitê é essencial para o fortalecimento da nossa democracia. Contem comigo na construção desse Brasil mais justo, democrático, solidário e fraterno”, diz Janja. Essa postura da primeira-dama é diferente da adotada por ela na campanha de 2022, quando apresentava resistência para gestos mais enfáticos de Lula ao segmento evangélico.

Entre o primeiro e segundo turno, em outubro de 2022, o petista foi convencido pelo seu entorno e divulgou carta ao público evangélico — Janja, por sua vez, não participou do ato que marcou esse gesto. Além dos encontros com evangélicas, a primeira-dama também passou a cantar um jingle gospel da campanha petista, ao lado do pastor Kleber Lucas, antes de atos eleitorais.

APROXIMAÇÃO – Esse é mais um movimento dentro do PT e da campanha de Lula para buscar se aproximar desse eleitorado. Aliados de Lula dizem que, assim como o presidente reforça em discursos há anos, não deve ocorrer nenhum evento do petista em igrejas ou cultos. Ele já afirmou diversas vezes que é católico, mas que não irá fazer dos púlpitos palanques eleitorais. Apesar disso, diferentemente de 2022, a campanha deste ano tem reforçado as sinalizações mais diretas ao segmento.

Em junho deste ano, o PT divulgou uma carta voltada ao público evangélico. O texto não faz menção às pautas controversas, como o aborto, que é defendida pela esquerda e criticada por esse segmento. Um ato voltado a evangélicos está sendo discutido pela equipe da campanha de Lula para ocorrer no Rio de Janeiro nos próximos dias.

“Opinião”, um samba tão importante que virou nome de um jornal e de um teatro

Notícias FFC - Unesp - Faculdade de Filosofia e Ciências - Câmpus de Marília

João do Vale, Zé Keti e Nara Leão no show

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), compôs em 1964 o samba “Opinião”, cuja letra possui um impacto forte, criado pelo relato  do dia-a-dia na favela.

Alguns historiadores afirmam que a data desta composição é anterior a 1964, porque fora composta em protesto ao governador Carlos Lacerda, do antigo Estado da Guanabara, o qual decidira acabar com as favelas, removendo os seus habitantes para a bairros afastados do centro e da Zona Sul.

Em 1964, com Nara Leão e João do Vale, Zé Kéti participou do show Opinião, um dos primeiros gritos artísticos de protesto contra o regime militar. O roteiro foi feito por  Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes. com direção de Augusto Boal.

O samba “Opinião” inspirou os nomes de um jornal, do grupo que encenou a peça e do segundo LP de cantora, intitulado Opinião de Nara, lançado no final de 1964, pela Philips. O show foi realizado no Teatro de Arena, que daí por diante passou a se chamar Teatro Opinião.

OPINIÃO
Zé Kéti

Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não

Se não tem água
Eu furo um poço
Se não tem carne
Eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar

Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu

Lulinha processa Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, por vídeo feito com IA

Perícia aponta que 72% dos gastos para produzir ‘Dark Horse’ ocorreram nos EUA

Enfiados na lama até o pescoço, Lula  e Flávio fingem que não é com eles…

Reformistas (@blogdoreformistas) • Facebook

Charge do J.Caesar (Veja)

Dora Kramer
Folha

A autorização para que a Polícia Federal tenha acesso aos dados colhidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme “Dark Horse” provocou tremores de regozijo entre militantes indignados com notícias que transpiram das investigações sobre tráfico de influência envolvendo um filho, uma amiga lobista e o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio da Silva (PT).

Estaria aí pavimentado o terreno para uma paridade de vazamentos com potencial mútuo de constrangimentos. No caso do filme, a suposição é a de que, a partir da PF, comecem a ser conhecidas as informações que Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, mas não forneceu, sobre as andanças dos milhões de Daniel Vorcaro de um fundo no Texas (EUA) até o caixa da Go Up Entertainment — e dali sabe-se lá para onde.

RECEBEU EMENDAS – A dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, aparece como destinatária, por intermédio de duas agremiações, de recursos em emendas parlamentares de autoria de cinco deputados federais do campo da direita.

Da investigação compartilhada com a PF consta a suspeita de fraude em licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil, também de Karina.

Material para o embate, portanto, não falta. A questão em aberto é a motivação para a guerra entre duas campanhas à Presidência da República. O problema não são os vazamentos, mas o fato de um lado servir de vidraça e o outro ficar livre para atirar as pedras.

NA CORDA BAMBA – Quando ficam os dois candidatos na berlinda, há respiros de alívio pelo equilíbrio restabelecido, como se não houvesse mal algum estarem na corda bamba esticada sobre um pântano, arriscados a enfiarem suas almas na lama.

Os candidatos fogem de cobranças e fazem de conta que não é com eles. Lula dá entrevistas mandando o filho se explicar, mas Lulinha não se explica, só reclama por intermédio da defesa. E Flávio Bolsonaro diz que não lhe cabe prestar contas de uma “página virada”.

É como estamos – sem a menor noção de onde iremos parar.

“A política virou um manicômio”: Augusto Cury se apresenta como alternativa à polarização

‘Nunca encontrei ambiente tão tóxico’, afirma o candidato

Bernardo Mello Franco
O Globo

Acostumado a atender pacientes psiquiátricos, o presidenciável Augusto Cury se diz impressionado com o que já viu em sua primeira campanha. “A política virou um manicômio. Nunca encontrei um ambiente tão tóxico”, diz o candidato do Avante ao Planalto.

No domingo, Cury estreou nos debates de TV. Apesar da experiência como palestrante, ele admite que não teve o desempenho esperado diante das câmeras. “Não conhecia as regras direito. E o clima estava tenso”, justifica-se.

PROTESTO – Antes de entrar no estúdio, o psiquiatra surpreendeu ao ameaçar ir embora em protesto contra as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro. Após desistir da desistência, ele afirma que o rebuliço não foi um truque para chamar a atenção. “Não foi nada programado. Fiquei indignado de verdade”, assegura.

O psiquiatra afirma que seu principal obstáculo é o desconhecimento do eleitor. Embora diga ter vendido mais de 42 milhões de livros, ele aparece com apenas 2% das intenções de voto no Datafolha. “Existe uma ditadura do algoritmo. Mais de 80% das pessoas ainda não sabem que eu sou candidato”, desabafa.

No primeiro debate, Cury recitou frases típicas de seus best-sellers de autoajuda, como “a vida é breve e bela como uma gota de orvalho”. Em conversa com a coluna nesta segunda-feira, ele filosofou sobre a corrida eleitoral (“a beleza da democracia está na divergência”) e garantiu ser o único capaz de vencer a polarização. “Sou respeitado pelo Lula e pela direita. Por isso, posso liderar um pacto nacional para recuperar o país”, disse o autor de “Nunca desista de seus sonhos”.

A classe C não vê em Lula nem em Flávio a promessa de um futuro melhor, diz pesquisador

Flávio e Lulinha envolvidos em escândalos que desmoralizam a política nacional

Tanto Flávio quanto Lulinha têm contra si acusações sérias

Celso Rocha de Barros
Folha

Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente.

Lulinha é acusado de ter se associado à lobista Roberta Luchsinger para conseguir que o Ministério da Saúde comprasse remédios à base de canabidiol sem licitação. O negócio não foi fechado porque o lobista chefe de Roberta foi pego antes no escândalo do INSS.

CONTRATO BILIONÁRIO – Segundo as notícias, a lobista enviou uma minuta de contrato ao chefe de gabinete de Lula, com o valor de R$ 626 milhões por 1,2 milhões de frascos (dá R$ 521,67 por frasco). Se o canabidiol for um remédio desnecessário (não tenho ideia se é ou não, não sou médico), o desvio total seria esse. Se é um remédio útil que teria sido superfaturado, o desvio seria o valor (certamente menor) do superfaturamento.

Tentei calcular esse valor, mas o contrato ainda não foi divulgado. Sem ele, não sabemos qual é a concentração do canabidiol ou o volume de cada frasco, e fica difícil comparar os preços com os do mercado. Quem tiver acesso ao contrato pode estimar o superfaturamento utilizando os preços listados no site Fitocanabica.com.br e o desconto padrão do SUS para compras em grande escala. Não sabemos quanto do valor superfaturado teria ido para Lulinha, Roberta ou outros participantes do esquema.

CASO MASTER –  Flávio Bolsonaro recebeu, comprovadamente, R$ 60 milhões (e a promessa de mais R$ 60 milhões) do dono do Master. Se todas as suspeitas contra ele forem verdadeiras, esse dinheiro foi dado a Flávio como recompensa pelos bilhões em dinheiro público que o bolsonarismo deu ao banco: foram R$ 3,6 bilhões dos aposentados do Rio de Janeiro, entregues ao Master pelo governador bolsonarista Cláudio Castro; e cerca de R$ 9 bilhões (a estimativa só cresce) do Banco de Brasília, desaparecidos quando o governador bolsonarista Ibaneis Rocha tentou salvar o Master.

As estimativas do valor total do rombo efetivamente causado pelo banco estão em torno de R$ 60 bilhões, cem vezes mais do que a maior estimativa do valor que teria sido desviado se o lobby de Lulinha tivesse dado certo.

Uma comparação mais apropriada com o caso Lulinha seria a que Flávio Bolsonaro fez quando levou Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, ao BNDES em 2020 para discutir, segundo Flávio, investimentos em conexão para a internet. Também era lobby, como no caso do canabidiol.

SUPERFATURAMENTO – Maximiano depois foi acusado de vender vacinas superfaturadas durante a pandemia. Se foi disso que Flávio tratou no BNDES, estou sendo injusto com Lulinha: pouca coisa é tão ruim quanto lobby por vacina superfaturada em meio a uma pandemia, durante a qual o pai de Flávio foi responsável por, pelo menos, 145 mil mortos —justamente por ter se recusado a comprar vacinas oferecidas a preços normais.

O ministro André Mendonça precisa derrubar o sigilo dos inquéritos do Master, do canabidiol e do INSS. Só isso pode evitar que a eleição seja vencida por quem tiver mais dinheiro e amigos poderosos que lhe permitam planejar vazamentos e modular sua repercussão.