Campanha de Flávio cria ofensiva para conter avanço de Lula entre evangélicos

Flávio busca apoio de Malafaia para fortalecer campanha

Bela Megale
O Globo

Criticado por concentrar as costuras políticas da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho decidiu descentralizar algumas frentes, como a do segmento evangélico. O coordenador determinou a criação de um núcleo para fazer o corpo a corpo com o eleitorado evangélico, buscando conter as investidas de Lula sobre esse grupo.

A estratégia traçada é montar uma força-tarefa com cerca de seis lideranças religiosas que não sejam políticas, mas tenham capilaridade no país. Esses nomes estarão constantemente no QG da campanha de Flávio e manterão contato frequente com pastores e evangélicos da base.

ENCONTRO – Outra ação será encabeçada pelo próprio Flávio Bolsonaro. A ideia é que o senador peça a Silas Malafaia que organize um encontro com líderes evangélicos de diferentes igrejas para demonstrar apoio à sua candidatura à Presidência. O pastor fez o mesmo com Jair Bolsonaro em 2022. O plano é que esse encontro aconteça já nas próximas semanas, com o objetivo de frear as investidas da campanha de Lula sobre o segmento.

A pesquisa Quaest deste mês mostrou que Flávio segue à frente de Lula na intenção de votos do eleitorado evangélico. Mas a diferença, que era de 37 pontos em maio, agora é de 22.

Lideranças religiosas que apoiam Flávio estão pessimistas com o clima captado nas igrejas e templos. Em conversas com sua base, afirmam que hoje há muita dúvida sobre a efetividade da candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto. A avaliação desses líderes é que a postura desse eleitorado é totalmente distinta da de 2022, quando Jair Bolsonaro concorreu contra Lula.

A realidade da favela, trágica e bonita, na visão do sambista Nelson Sargento

Nelson Sargento - Dicionário Cravo Albin

Nelson Sargento, um expoente da Mangueira

Paulo Peres
Poemas & Canções

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos (1924-2021) foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Na letra de “Encanto da Paisagem”, mostra a sua visão poética e social sobre a realidade existente nos morros. Este samba intitula o LP “Encanto da Paisagem” gravado por Nelson Sargento, em 1986,  pela Kuarup.

ENCANTO DA PAISAGEM
Nelson Sargento

Morro, és o encanto da paisagem,
Suntuoso personagem de rudimentar beleza.
Morro, progresso lento e primário,
És imponente no cenário,
Inspiração da natureza.
Na topografia da cidade,
Com toda simplicidade,
És chamado de elevação.
Vielas, becos e buracos,
Choupanas, tendinhas, barracos
Sem discriminação.

Morro, pés descalços na ladeira,
Lata d´água na cabeça,
Vida rude alvissareira.
Crianças sem futuro e sem escola,
Se não der sorte na bola
Vai sofrer a vida inteira.

Morro, o teu samba foi minado,
Ficou tão sofisticado,
Já não é tradicional
Morro, és lindo quando o sol desponta,
E as mazelas vão por conta do desajuste social.

A demora que fez Flávio Bolsonaro perder Tereza Cristina como vice

Flávio não se esforçou nas iniciativas e perdeu o timing

Malu Gaspar
O Globo

A negociação com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não foi adiante por conta da posição do partido dela e de seu presidente, Ciro Nogueira, de manter neutralidade na campanha presidencial. Mas internamente no PL e até mesmo no PP, aliados de ambos apontam um fator que consideram ter feito toda a diferença para o fracasso da iniciativa: a demora de Flávio em procurar a própria Tereza.

Embora a senadora tenha sido citada muitas vezes pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, como a vice ideal para o filho de Jair Bolsonaro, o próprio Flávio nunca tinha conversado com Tereza Cristina até a última quarta-feira, quando ela foi chamada a Brasília às pressas para uma reunião com o candidato e o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN).

APROVAÇÃO – Nessa conversa, a senadora sinalizou que toparia compor a chapa, desde que a federação formada pelo PP e pelo União Brasil aprovasse – o que o próprio partido rechaçou em uma nota pública em que reafirmou que vai ficar neutro na disputa pelo Palácio do Planalto.

Tereza Cristina foi ministra da Agricultura no governo Bolsonaro e também foi cotada como vice na chapa da reeleição do então presidente, que resistiu à ideia e escolheu o general Walter Braga Netto (PL) a despeito dos apelos de Valdemar e Ciro.

“Foi a primeira vez que alguém da família Bolsonaro colocou esse assunto na mesa. Até então só quem falava sobre isso com ela era Valdemar, que aliás insistiu muito”, diz um interlocutor frequente da senadora. “Aí já era tarde.”

TIMING – O mesmo diagnóstico veio de uma liderança do PL, segundo a qual Flávio tem sido lento nas iniciativas e não toma as rédeas da própria campanha, diferentemente do pai, que comandava pessoalmente as conversas e articulações. “Ele perdeu o timing. Se ele tivesse feito um esforço maior desde o começo, talvez as coisas tivessem tomado outro rumo”.

Para esse aliado, Flávio estava de “salto alto” por aparecer bem colocado nas pesquisas, mas foi atropelado pelo caso Dark Horse. “Ele ficava fechado com Rogério Marinho numa sala tomando todas as decisões, ignorando que no final quem decide mesmo é a política”.

Nesta sexta-feira, Flávio admitiu que as conversas com a senadora do PP fizeram água por decisão do partido, mas disse que ainda vai tentar reverter a situação até o dia 5, quando termina o prazo da lei eleitoral. “Óbvio que eu respeito, mas eu sou brasileiro, não desisto nunca. Vamos continuar nas conversas”, declarou.

PREOCUPAÇÃO – A frustração com o desfecho das conversas com Tereza Cristina reflete o clima geral de preocupação com a falta de rumo da campanha. Nesta mesma semana, Flávio trocou de marqueteiro pela segunda vez. Saíram Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer e entrou Duda Lima, que fez a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e desde então cuida do marketing do PL.

Além das muitas críticas ao tom utilizado nas propagandas, integrantes da cúpula do PL também consideraram que a convenção do partido foi ruim e desorganizada – um exemplo citado várias vezes na conversa foi o fato de o discurso de Flávio Bolsonaro ter acontecido com muito atraso e com o centro de convenções do Pacaembu esvaziado, quando boa parte das caravanas já deixava o local para voltar para casa.

STF pode entrar em cena se TSE não barrar vídeo de Bolsonaro feito com IA

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Bela Megale
O Globo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já sinalizaram a interlocutores que devem entrar em cena caso o vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial, exibido na convenção de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, não seja punido pela Justiça Eleitoral.

A avaliação de três magistrados, em conversa com a coluna, é que a manifestação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de que o uso da inteligência artificial é lícito desde que não prejudique alguém, pode abrir precedentes perigosos.

“LIBERA GERAL” – Segundo os magistrados, se não houver punição aplicada pelo TSE, Kassio fará um “libera geral” para o uso da ferramenta, que precisará ser limitado pelo Supremo. Eles consideram certo que o tema chegará à corte por meio de alguma reclamação.

Ministros do STF e também do TSE, ouvidos pela coluna, apontam que o uso sistemático de materiais produzidos com inteligência artificial envolvendo a figura de Jair Bolsonaro pode, inclusive, configurar abuso de poder, com possibilidade de cassação da chapa. Avaliam, porém, que o vídeo isolado da convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato não tem esse potencial.

“DEEP FAKE” – Esses membros do STF ponderam, no entanto, que o ideal seria o próprio TSE aplicar as punições cabíveis, com a resolução já estabelecida, inclusive na presidência de Kassio Nunes Marques. Para eles, está claro que o material é “deep fake”, técnica que permite alterar vídeos ou fotos com auxílio da inteligência artificial e que é proibida pela Justiça Eleitoral durante o pleito.

Integrantes da campanha de Flávio, entretanto, acreditam que existe a possibilidade de Nunes Marques não enquadrar o material como “deep fake” e manter a legalidade do seu uso. Eles apostam que, nesse cenário, o STF será provocado e terá a palavra final sobre o tema.

Caso Lulinha amplia pressão e cria novo teste político para o governo de Lula

Adversários do presidente devem explorar o episódio

Pedro do Coutto

A autorização para que a Polícia Federal avance em uma investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas relacionadas a tráfico de influência abre uma nova frente de desgaste político para o governo Lula. O despacho do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que permitiu o prosseguimento das apurações, recoloca no centro do debate uma questão historicamente sensível na política brasileira: a relação entre o poder presidencial e pessoas próximas ao núcleo familiar do chefe do Executivo.

É importante separar os campos jurídico e político. A abertura de uma investigação não representa uma condenação nem comprova irregularidades. Cabe à Polícia Federal levantar informações, ao Ministério Público avaliar eventuais medidas e ao Judiciário analisar a validade das provas. Mas, na política, especialmente em Brasília, a simples existência de uma investigação envolvendo alguém ligado diretamente ao presidente já produz efeitos concretos sobre a imagem do governo.

NARRATIVA PÚBLICA – O principal risco para Lula está menos no aspecto jurídico imediato e mais na disputa pela narrativa pública. Adversários do presidente devem explorar o episódio para reforçar críticas sobre influência, relações pessoais e possíveis favorecimentos no entorno do poder. A estratégia é conhecida: transformar uma investigação específica em símbolo de uma questão política mais ampla, tentando associar o governo atual a práticas que marcaram momentos turbulentos da história recente do país.

Para o Palácio do Planalto, o desafio será impedir que o caso contamine a agenda econômica e social da administração. Governos não são avaliados apenas pelos resultados que entregam, mas também pela capacidade de administrar crises. Uma investigação envolvendo um familiar do presidente exige uma resposta cuidadosa: firmeza no respeito às instituições, mas sem transformar o episódio em uma batalha política permanente.

A situação é particularmente delicada porque o governo Lula busca consolidar uma imagem de reconstrução institucional após anos de forte polarização. Qualquer suspeita envolvendo pessoas próximas ao presidente inevitavelmente reabre debates sobre ética pública, transparência e os limites entre relações pessoais e acesso ao poder.

DESGASTE – A história política brasileira mostra que crises envolvendo familiares, aliados ou integrantes do círculo íntimo de governantes podem causar desgaste mesmo antes de uma conclusão definitiva. O tempo da Justiça é diferente do tempo da política. Enquanto uma investigação pode levar meses ou anos até uma decisão final, a opinião pública forma percepções rapidamente, influenciada pelo noticiário e pela disputa de versões.

Em um ambiente de crescente antecipação eleitoral, o episódio também oferece munição para a oposição tentar atingir um dos pontos mais sensíveis de qualquer governo: a confiança do eleitor. O objetivo dos adversários será apresentar o caso como parte de um problema maior, enquanto o governo deverá insistir que toda investigação deve seguir critérios técnicos e que ninguém pode ser considerado culpado sem provas.

TESTE POLÍTICO – O episódio envolvendo Lulinha representa, portanto, mais do que uma investigação individual. Ele se transforma em um teste político para Lula e sua capacidade de preservar a imagem de seu governo em meio a novas pressões. A resposta mais importante será demonstrar que as instituições funcionam sem interferência, independentemente de quem esteja no centro das apurações.

No Brasil, crises políticas raramente são definidas apenas pelos fatos jurídicos. Elas também são disputadas no campo da percepção pública. E, neste momento, o governo Lula terá de enfrentar uma batalha que acontece simultaneamente nos tribunais, no Congresso e na opinião pública.

Onde termina a diplomacia e começa a ingerência

Trump tentar cruzar fronteira da democracia brasileira

Marcelo Copelli
Congresso em Foco

A diplomacia sempre conviveu com uma zona de ambiguidade. Todo Estado observa, comenta e reage aos rumos políticos de outros países — é o que se espera de qualquer ator relevante no sistema internacional. O problema surge quando essa observação deixa de ser análise e passa a ser tentativa de direção. A linha entre as duas coisas nunca foi traçada por lei, mas por um critério decisivo: quem fala, para quem fala e com que propósito.

Um chefe de governo pode, sem qualquer prejuízo às normas internacionais, expressar preocupação com a instabilidade institucional de outro país, criticar uma política econômica ou defender publicamente uma posição sobre direitos humanos. Isso é diplomacia — às vezes desconfortável, quase sempre interessada, mas ainda assim compatível com a soberania alheia.  

INFLUÊNCIA SOBRE ELEITORADO – Um dos sinais mais claros de que a diplomacia se transforma em ingerência aparece quando a manifestação deixa de se dirigir a governos ou instituições e passa a buscar, deliberadamente, influenciar a escolha política do eleitorado de outro país. Nesse momento, muda o interlocutor. E é essa mudança — mais do que o conteúdo da declaração — que transforma um comentário diplomático em pressão política.

A história oferece inúmeros exemplos dessa distinção, ainda que ela raramente tenha sido formulada de maneira explícita. Potências coloniais pressionavam governos recém-independentes por meio de embaixadas, acordos comerciais condicionados e apoio velado a facções internas — mecanismos que, justamente por serem indiretos, preservavam alguma plausibilidade de negação.  

O que mudou no século XXI não foi a existência da prática, mas sua escala, sua velocidade e seu alcance. Hoje, uma declaração de um líder estrangeiro chega ao eleitor comum antes mesmo de alcançar o Ministério das Relações Exteriores do país a que se refere. Ela é replicada por redes sociais, retransmitida pela imprensa e amplificada por influenciadores políticos, sem qualquer mediação diplomática. A ingerência já não precisa de embaixadores. Basta uma conta verificada e um fuso horário favorável.

PROTOCOLOS – Essa mudança de escala altera a natureza do próprio fenômeno. Quando a pressão externa dependia de canais diplomáticos, permanecia, ao menos formalmente, no âmbito das relações entre Estados — sujeita a protocolos, respostas oficiais e a uma linguagem que preservava alguma distância entre quem pressionava e quem era pressionado.  

Quando a mensagem passa a se dirigir diretamente ao eleitor, essa distância desaparece. O que antes era comunicação entre governos transforma-se em comunicação entre um líder estrangeiro e os cidadãos de outro país — e nenhuma instituição diplomática foi concebida para mediar esse tipo de intervenção.

É por isso que reduzir o debate sobre interferência a uma disputa entre simpatizantes e opositores de um governo específico é um erro de análise, não apenas de tom. O critério não pode variar conforme o destinatário da pressão. Um país que aceita a interferência quando ela favorece o governo que apoia e a condena quando prejudica esse mesmo governo não está defendendo a soberania; está usando o conceito como argumento circunstancial. A consequência é previsível: o princípio perde consistência, e as instituições deixam de dispor de um parâmetro confiável para reagir quando o fenômeno voltar a ocorrer, qualquer que seja sua direção política.

EXPOSIÇÃO – O Brasil reúne características que o tornam particularmente exposto a esse tipo de pressão. Sua relevância econômica, sua posição nas discussões ambientais globais, seu protagonismo em fóruns como o BRICS e sua influência regional fazem com que declarações de líderes estrangeiros sobre a política brasileira raramente sejam neutras ou desinteressadas. Isso, por si só, não representa um problema. É a condição normal de qualquer país com peso geopolítico. O problema não está no interesse internacional, mas na tentativa de convertê-lo em influência sobre escolhas que pertencem exclusivamente aos brasileiros.

Reconhecer essa fronteira exige instrumentos institucionais que ainda estão em construção em quase todas as democracias, não apenas na brasileira. Não se trata de blindar o debate público contra qualquer opinião estrangeira — isso seria não apenas impossível, mas incompatível com a abertura que se pretende preservar.  

Há ainda uma dimensão frequentemente esquecida nesse debate. Plataformas digitais, sistemas de recomendação algorítmica e mercados financeiros internacionais operam, cada um por mecanismos próprios, como canais adicionais de influência que não respondem a protocolos diplomáticos nem pertencem a um Estado específico.

INGERÊNCIA – Uma empresa de tecnologia que decide amplificar determinado conteúdo político, ou um fundo de investimento que condiciona decisões de alocação a expectativas eleitorais, pode influenciar o ambiente democrático de um país sem jamais emitir uma nota oficial. Limitar a discussão sobre ingerência aos governos estrangeiros significa ignorar uma parte essencial do problema contemporâneo.

No fim, a distinção entre diplomacia e ingerência depende de um princípio simples: opiniões sobre outro país fazem parte do jogo internacional; tentativas de dirigir a escolha de seus cidadãos, não. Sempre que essa fronteira for cruzada — por um governo, por uma plataforma ou por um mercado —, a resposta não deve depender de quem é favorecido ou prejudicado. Deve começar pela mesma pergunta, em qualquer circunstância: a quem essa mensagem realmente se dirige?

Porque nenhuma democracia permanece plenamente soberana quando a vontade de seus cidadãos deixa de ser formada livremente e passa a ser disputada por atores que jamais responderão às consequências dessa decisão.

Flávio enfrenta risco de disputar esta eleição sem o apoio do Centrão

Reflexões sobre a existência de Deus, que parece punir o Brasil nesta eleição

A crença em Deus subsiste devido ao... Sigmund Freud - PensadorCarlos Newton

Há um velho ditado afirmando que Deus escreve certo por linhas tortas, uma circunstância que abre possibilidade de servir como desculpa para uma quantidade enorme de asneiras e patifarias. Na verdade, a existência de Deus tornou-se um enigma que possivelmente jamais será desvendada. Pode dividir a humanidade até o final dos tempos, que pode ocorrer se um novo asteroide se chocar contra a Terra, como os cientistas preveem, mas só Deus sabe quando…

São poderosas e convincentes as justificativas dos ateus, que não acreditam em Deus, dos agnósticos, que acham não ser possível saber se Deus existe, e dos não-religiosos, que não creem em nada.

NÃO HÁ PROVAS – Esses três ramos contestadores exibem argumentos aparentemente irrefutáveis. O principal é afirmar que não há provas da existência de Deus. Realmente, não existem. Mesmo assim, o número de pessoas que acreditam nele é imenso.

Respeito muito estas contestações a Deus, que incluem razões científicas, porque não existem registros técnicos, medições ou fenômenos testáveis que comprovem ações divinas diretas na nossa vida.

Portanto, a polêmica sobre a existência de Deus pode se prolongar indefinidamente. Da mesma forma, também não há como saber se o homem tem instinto bom ou ruim.

LOBO DO HOMEM – Na Roma Antiga, dizia-se que “o homem é o lobo do homem” (homo homini lupus), significando que o ser humano é inimigo de sua própria espécie, devido ao egoísmo natural, à falta de solidariedade e à necessidade de existirem leis que contenham o lobo dentro de cada um de nós.

O ditado romano foi usado por Plauto (254-184 a.C.) em sua comédia “Asinaria” com essa afirmação: “Lupus est homo hominī, non homo, quom qualis sit non novit” (O homem não é homem, mas um lobo, para um estranho”, ou mais precisamente: “Um homem é um lobo, não um homem, para outro homem que ele ainda não conheceu”).   

Vinte séculos depois, a expressão foi retomada em 1642 pelo portentoso Thomas Hobbes na obra “Do Cidadão”. O cientista e filósofo inglês foi um dos precursores da democracia e no livro “Leviatã” defendia um contrato social, tese que Jean-Jacques Rousseau consagraria no século seguinte.

VISÕES DISTINTAS – A diferença é que Hobbes presenciara guerras e carnificinas, tinha uma visão negativa do homem e entendia que as perversões de cada um somente poderiam ser contidas por governos fortes e implacáveis na aplicação da lei.

Rousseau, ao contrário, achava que o homem seria bom por natureza, mas a carência na sua formação poderia torná-lo maléfico na idade adulta. E assim baseou sua versão da teoria do contrato social.

Mas a opinião de Rousseau pouco significa. O avanço da Psiquiatria, da Psicanálise e da Medicina Legal mostra que o homem pode ser impulsionado pelo bem e pelo mal, indistintamente, dependendo das circunstâncias, como dizia o filósofo espanhol Ortega y Gasset.

FREUD EXPLICA – O gigantesco Sigmund Freud, em “O Mal-Estar na Civilização”, acrescentou que o ser humana não é puramente bom ou maligno em termos morais, mas sim como um ser influenciado por forças conflitantes inerentes à sua biologia. Para ele, o ser humano é movido por um conflito profundo entre as impulsões de vida (Eros) e as impulsões de morte (Tânatos).

Essa dúvida sobre a natureza humana dificilmente será elucidada pela inteligência natural ou artificial. Pode ser que mais lá na frente, o homem tenha evoluído de tal maneira que possa elucidar essa questão e até desviar da rota aquele asteroide, para garantir a perenidade da vida na Terra.

Quanto à existência de Deus, a dúvida científica é muito mais profunda. Freud considerava Deus é uma ilusão psíquica, como projeção da figura paterna para reduzir o desamparo humano e sua necessidade de proteção.

DEUS DE SPINOZA – Por fim, não se pode esquecer a visão panteísta do Deus, imaginada no século XVII pelo filósofo holandês Baruch Spinoza, de família judaico-portuguesa, contemporâneo de Thomas Hobbes.

Segundo Spinoza, Deus e o universo são inseparáveis; a divindade é a própria totalidade da natureza, operando através de leis lógicas, universais e imutáveis.

A tese de Spinoza era a preferida do cientista alemão Albert Einstein, que dizia: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”. 

###
P.S. –
Pessoalmente,  também adoto a visão holística de Spinoza. É uma desculpa genial para dizer que Deus existe, quer você queira ou não. A tese faz sentido e se pode acreditar nela.

P.S. 2 – Se Deus não existe, a gente fica sem proteção, exatamente como está ocorrendo agora, nessa eleição a ser decidida entre Lula e Flávio, dois políticos de passado nebuloso, ambos com famílias enriquecidas ilicitamente e, portanto, adoradoras do Deus Dinheiro, que hoje predomina no Brasil, onde até no Supremo há ministros com 129 milhões de motivos para venerar essa falsa Santidade. (C.N.)

Penduricalhos viram ponto de convergência entre esquerda e direita nas redes

Justiça Eleitoral nega credenciamento de missão espanhola para eleições de 2026

PL pressiona Michelle Bolsonaro a definir logo sua candidatura ao Senado

Convenção que pretende lançar Michelle será no domingo

Gabriela Echenique
Brasília

O PL tem pressionado a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a decidir sobre a sua candidatura ao Senado logo. Isso porque o partido pretende fazer um evento de lançamento para ela, caso aceite entrar na disputa.

O partido pretende capitalizar em cima da candidatura, que tem aparecido em primeiro nas pesquisas de intenção de voto. “Se ela for candidata, vai ser uma festa no partido”, disse o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

RECONCILIAÇÃO – A convenção do PL-DF está marcada para o próximo domingo (2). Uma das principais defensoras para que Michelle entre na disputa é a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Amiga da ex-primeira-dama, ela articulou a reconciliação com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A aliados, Michelle tem dito que ainda não se decidiu, mas que tomará a decisão final até esta sexta-feira (31). Em meio à briga com o enteado, a ex-primeira-dama chegou a dizer aos mais próximos que desistiria da disputa e não entraria na política. Mas ela foi convencida por Celina e pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) a pensar com mais calma.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Discreta, Michelle sabe que se tornou um dos maiores patrimônios eleitorais do país. Justamente por isso, exige respeito e quer tratamento especial não somente do partido, mas também da família Bolsonaro. (C.N.)

Piada do Ano! Fachin prepara regras para prevenir conflitos de interesse no Judiciário

Deputados do PT acionam PF contra Flávio Bolsonaro por favorecimento ao Master

PT amplia ofensiva contra Flávio Bolsonaro

Bela Megale
O Globo

Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram nesta quinta-feira (30) uma notícia-crime na Polícia Federal contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

O documento aponta que Flávio teria atuado em todas as etapas da tramitação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, em especial do artigo 58, que limita a responsabilização de instituições financeiras por danos ambientais. A lei teria sido sancionada em um momento em que o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, mantinha forte exposição nesse setor, foi alvo de controvérsia e ações no Supremo Tribunal Federal.

NOTÍCIA-CRIME – Os deputados solicitam que esses fatos sejam incorporados às investigações sobre o filme “Dark Horse”, inspirado na biografia de Jair Bolsonaro e que recebeu financiamento de Vorcaro. O material apresentado na notícia-crime foi baseado em reportagem do portal ICL Notícias.

Lindbergh Farias e Rogério Correia alegam que Flávio apresentou emendas para reintroduzir dispositivos vetados e votou pela derrubada de veto à matéria em um período coincidente com o relacionamento financeiro com Vorcaro, já investigado sob a Operação Compliance Zero, sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

PERÍCIAS – Os deputados pedem que a notícia-crime seja anexada às investigações em curso e que a Polícia Federal realize diligências para aprofundar o caso, incluindo perícias em documentos e depoimentos de Flávio, Vorcaro e outros envolvidos. Também solicitam o cruzamento dos dados legislativos, bancários e fiscais relevantes.

A ação reforça o esforço para conectar a atuação legislativa do parlamentar às suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro já sob apuração no STF e em outras instâncias.

Cúpula do TSE vê erro diplomático de Lula ao negar vistos a enviados dos EUA

Missão queria discutir “liberdade de expressão” nas eleições

Rafael Moraes Moura
O Globo

A cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avalia que o governo Lula cometeu um equívoco ao negar os vistos de dois funcionários do governo dos Estados Unidos que viriam ao Brasil com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições.

A avaliação de três ministros do TSE ouvidos em caráter reservado é a de que a administração petista adotou uma solução “muito ruim diplomaticamente” e que a medida só contribuiu para tensionar as já conturbadas relações entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto a menos de três meses das próximas eleições.

QUESTIONAMENTOS – Segundo uma reportagem publicada pelo Washington Post, os funcionários que tiveram os vistos cancelados – Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, do Departamento de Estado americano — estavam sendo enviados ao Brasil pelo governo de Donald Trump para questionar a integridade das urnas eletrônicas.

O Itamaraty alega que os vistos foram recusados no último dia 24, antes, portanto, da publicação da reportagem do Washington Post, que ocorreu no dia seguinte. A visita dos dois funcionários estava prevista para ocorrer de 27 a 30 de julho, incluindo encontros com autoridades brasileiras, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil.

“O melhor mecanismo é a transparência e o diálogo. São autoridades de um país importante, se quiserem conversar conosco, qual o problema disso?”, comenta um ministro do TSE que não atua na órbita do governo Lula.

RESPOSTA TÉCNICA – “Se o governo dos Estados Unidos têm alguma dúvida, o certo é deixar eles virem, para esclarecermos, até porque podemos responder de forma técnica. A decisão do Itamaraty gera desconfiança e desconforto, ao invés de ajudar.”

No entorno do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, há dúvidas se os representantes do governo Trump viriam para o Brasil com a missão específica de tentar colocar em xeque o sistema eleitoral brasileiro, ou se a atuação deles seria mais voltada a pedidos de esclarecimentos sobre o funcionamento dos aparelhos.

Fontes do Itamaraty, no entanto, discordam dessa avaliação. Sustentam que o objetivo da missão americana era disseminar desinformação a respeito das eleições brasileiras e provocar instabilidade institucional, seguindo o roteiro adotado por Trump em sua política doméstica.

INFORMAÇÕES SEGURAS – “A decisão seguiu elementos muito sólidos, de defesa do sistema brasileiro como um todo”, afirmou um integrante do governo Lula ouvido reservadamente. “Havia informações seguras sobre o objetivo do Departamento de Estado e por isso se decidiu por esse caminho.”

Criado com a ajuda dos militares, o sistema de votação brasileiro é adotado no país desde as eleições municipais de 1996 e até hoje nenhuma acusação de fraude foi comprovada, apesar da insistência da tropa de choque bolsonarista de lançar suspeitas infundadas sobre as urnas.

REUNIÃO COM EMBAIXADORES –  No próximo dia 17, o presidente do TSE fará um novo encontro com embaixadores para explicar o funcionamento das urnas. Nunes Marques já havia feito uma primeira rodada de conversas com representantes diplomáticos no mês passado, quando se reuniu com 25 embaixadores no TSE para tratar do sistema eletrônico de votação. Naquela ocasião, o governo norte-americano não enviou ninguém.

O mesmo gesto já foi feito por Edson Fachin durante as eleições de 2022, quando comandou a Corte Eleitoral. Na época, Fachin buscou construir uma aliança internacional em defesa do sistema brasileiro diante do recrudescimento dos ataques do governo Bolsonaro – e da ameaça do ex-presidente de não reconhecer uma eventual derrota em sua tentativa de reeleição.

REPRESENTAÇÃO – Se desta vez aceitarem o convite do TSE, os Estados Unidos podem ser representados na reunião por Kimberly Kelly, que ocupa interinamente o posto de encarregada de negócios da embaixada.

O deputado estadual da Flórida Daniel Perez, indicado por Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, foi aprovado pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado no último dia 22, por 13 votos a 8, mas ainda precisa ganhar o aval do plenário da Casa.

“A maneira como os Estados Unidos se relacionarem com o Brasil nos próximos anos terá enorme importância”, disse Perez na sabatina. “Minhas principais prioridades serão a proteção dos cidadãos americanos no Brasil, o avanço de nossos interesses nacionais em comércio e investimento, o combate ao tráfico de drogas e ao crime transnacional, e a construção de parcerias resilientes que beneficiem a economia e o trabalhador americanos”.

TEMÁTICA DA AGENDA – O TSE informou que a área internacional da Corte Eleitoral foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para “tratar sobre visita de integrantes do governo norte-americano, mas não foi informada a temática da agenda, que não foi marcada em razão do recesso do Judiciário”.

O Itamaraty, por sua vez, não se manifestou sobre as críticas de ministros do TSE citadas nesta reportagem. Já a embaixada dos Estados Unidos em Brasília não esclareceu se vai enviar representantes para a reunião do TSE no próximo dia 17, nem comentou a decisão do Itamaraty de recusar os vistos dos funcionários do Departamento de Estado.

“Se meu filho for culpado, vai pagar como todo mundo”, diz Lula

PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio do Banco Master

Senador e empresário evitavam conversas textuais

Dimitrius Dantas
O Globo

Segundo um relatório da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner realizou 74 chamadas de áudio com o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, entre novembro de 2023 e 25 de maio de 2025. O total de chamadas equivale a aproximadamente uma conversa por telefone por semana. Os dados foram extraídos do celular do executivo, apreendido na Operação Compliance Zero.

No período de 555 dias, as conversas somaram mais de cinco horas e trinta minutos de comunicação entre o senador e o empresário. Ao todo, o total de ligações equivalem a uma chamada a cada 7,5 dias.

LIGAÇÕES POR APLICATIVO – A investigação revela que a comunicação entre o parlamentar e Lima evitava conversas textuais. A PF indica uma “clara e reiterada preferência” de Jaques e Augusto pelo uso de ligações de voz através de um aplicativo de mensagens.

A rotina de ligações é apontada pelos investigadores como um indício da relação de proximidade entre o político e o ex-sócio do Master. Segundo o relatório da PF, o número do parlamentar estava salvo no celular de Lima desde janeiro de 2022.

VANTAGENS INDEVIDAS – A investigação aponta que a intimidade e comunicação constante entre Lima e Wagner ocorre em paralelo à suposta concessão de vantagens indevidas, como o uso de helicópteros, estadias na “Ilha da Paixão” e a compra de ingressos para shows da cantora americana Taylor Swift. A Polícia Federal investiga, ainda, a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.

Um dos principais pontos investigados pelos policiais é a atuação de Wagner em prol dos interesses do Master no Congresso Nacional, sobretudo nas articulações de uma proposta de emenda à Constituição que mudaria as regras do Fundo Garantidor de Crédito e aliviaria o balanço do Master.

O dia de sempre não existe, porque tudo sempre muda, dizia Mário Quintana

Mário Quintana (poesia numa hora dessas?) – ACRJPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, tradutor e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994) constrói o poema “Canção do Dia de Sempre” como um alerta sobre o verdadeiro estado geral das coisas – a contínua mudança, que não acaba nunca.

CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE
Mário Quintana

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

Nenhum país conseguiu se desenvolver sem possuir um Estado forte e atuante

Em prol da contenção

Charge do Nani (namihumor)

José Vidal

O bom da democracia é que podemos escolher quem quisermos. O ruim é que nem sempre os escolhidos fazem aquilo que desejamos e também muitas de nossas escolhas são aleatórias, sem base qualquer, naqueles candidatos nos quais colocamos votos, principalmente quando as eleIções não são majoritárias.

Pode ser um nome sugerido por um amigo ou parente, um nome num papel jogado no chão, etc. No dia seguinte nem lembramos em quem votamos.

CAPITALISMO – Como sabemos, hoje o regime econômico que venceu mundialmente é o capitalismo, seja qualquer o tipo que chamemos, como capitalismo financeiro, capitalismo de Estado, capitalismo liberal, capitalismo social.

Na realidade, há apenas dois tipos de capitalismo que interessam: o liberal sob todas as suas formas (neoliberal, liberal) que prega o Estado mínimo, a meritocracia etc., e o capitalismo social.

Na história moderna nenhum país se desenvolveu com essas premissas. Ao contrário, os países somente se desenvolveram no início com um Estado protetor e indutor do crescimento econômico e social.

PROTEÇÃO Á MAIORIA – Em antagonismo ao capitalismo liberal, o capitalismo social atua como uma proteção à maioria, com sistema de benefícios sociais e tem presença forte na economia, como ocorre nos países que praticam a democracia social ou o chamado capitalismo de Estado.

No caso do Brasil, há candidatos que pregam o capitalismo liberal, com a presença mínima do Estado (com exceção do favorecimento a certos grupos escolhidos às benesses) e outro que prega o capitalismo social com a presença forte do Estado como indutor do desenvolvimento, mas com exagero em certos gastos populistas.

O sistema atual é um disfarçado parlamentarismo da pior espécie, e o presidente fica manietado, com pouca margem de manobra. Portanto, devemos ter em mente que o governo é formado por três poderes e todos eles deveriam trabalhar em conjunto, para o bem da população, porém isso somente acontece na teoria.

PP barra Tereza Cristina e deixa Flávio Bolsonaro sem a aliança que buscava

PF reage a Mendonça e aciona AGU para evitar a investigação de Lulinha

PF quer evitar que Mendonça relate o caso de Lulinha

Constança Rezende
Folha

A Polícia Federal acionou, na última semana, a AGU (Advocacia-Geral da União) contra medidas impostas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que aumentaram o controle do caso que investiga fraudes nos descontos no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). As investigações sobre o caso envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

O objetivo do órgão é que a AGU encontre algum remédio judicial para rebater a determinação do ministro para que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo que tramita em seu gabinete. Ele também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores seja comunicado previamente ao seu gabinete.

INTROMISSÃO – Nos bastidores, pessoas com acesso à cúpula da polícia classificaram as medidas como uma intromissão do magistrado na gestão de suas equipes e uma violação às competências do órgão. A decisão de compartilhar os dados diretamente com o gabinete também foi vista como um sinal de uma possível desconfiança do ministro em relação à imparcialidade da polícia na condução do caso.

Um investigador ligado às apurações disse que, se Mendonça avalia que há perseguição ou proteção a alguém ou alguma irregularidade, ele deve formalizar isso no processo e não ir contra uma instituição por uma suspeita genérica. A reportagem não conseguiu contato com o gabinete de Mendonça para falar do assunto e a AGU não respondeu sobre o pedido. A PF também não comentou o assunto.

LULINHA – As investigações do caso, no âmbito da Operação Sem Desconto, são consideradas sensíveis por envolverem Lulinha. Ele teve as suas quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático autorizadas pelo ministro em fevereiro. Uma das linhas de investigação é que o filho do presidente seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes.

A ida da PF à AGU representa uma escalada na crise entre Mendonça e a polícia. Devido à insatisfação do relator com o que vê como lentidão das investigações sobre o caso, o ministro havia determinado anteriormente que a PF concluísse, em até 60 dias, a análise do material apreendido na operação, como celulares, HDs, e pen drives dos presos.

Em resposta, a PF informou ao ministro que precisaria de mais prazo e falou em falta de pessoal. A polícia disse que há 11 pessoas atuando na investigação, enquanto seriam necessárias mais de 40 para cumprir o prazo desejado pelo ministro. Também afirmou que a análise global do material, de cerca de 1.700 itens, encontra-se em estágio inicial e que teria finalizado cerca de 40%.

JUSTIFCATIVAS – O ministro também havia pedido, em ofício enviado à corporação, que o órgão mantivesse a equipe de investigação e, em caso de alterações, que fossem apresentadas justificativas no processo.

A determinação foi feita devido a sua insatisfação com trocas na coordenação do caso feitas pela Polícia Federal. Ele avaliou que essas mudanças têm contribuído para a demora da conclusão da operação.

Também há uma percepção, entre autoridades que acompanham o caso, de que, apesar de ser mais antiga, a Sem Desconto, iniciada em 23 de abril de 2025, está mais lenta do que a operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master e teve a primeira fase deflagrada em 18 de novembro.

SURPRESA – A PF já havia anunciado a retirada do caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e realocado a apuração para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, que investiga pessoas com foro privilegiado. Na ocasião, o chefe da divisão antiga, o delegado Guilherme Figueiredo Silva, foi pego de surpresa com a decisão da cúpula da Polícia Federal.

A polícia argumentou que a mudança foi feita para assegurar maior eficiência às investigações porque a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores tem estrutura para a condução de operações sensíveis com tramitação no STF.

As mudanças da PF levaram a oposição a acusar a corporação de proteger o filho do presidente. O assunto também tem gerado um racha entre investigadores que trabalham no caso.

MUDANÇA DO RUMO – Sob reserva, parte deles diz ver a opção de avançar sobre o filho do presidente como uma mudança do rumo das apurações e afirma que, até o momento, não há provas suficientes de que ele tenha cometido irregularidades. A defesa de Lulinha sempre negou que ele tenha cometido qualquer ilegalidade.

Os investigadores também têm feito críticas internamente à condução de Mendonça, assim como no caso da Compliance Zero. Segundo eles, os pedidos para quebra de sigilo ou de bloqueio de bens feitos pela PF ao gabinete não têm a mesma velocidade em suas análises, dependendo de quem são os alvos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A Polícia Federal, que tantos serviços presta ao país, está se desmoralizando no final do governo Lula, nessa desesperada tentativa para evitar que Lulinha, o fenômeno no enriquecimento ilícito, seja investigado sob as ordens de um ministro digno e respeitável como André Mendonça. Com certeza, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, prefere que Lulinha seja investigado por Dias Toffoli, para esculhambar de vez o Supremo. Chamem a Polícia, por misericórdia. Mas chamem uma Polícia verdadeira, não a PF… (C.N.)