MDB decreta neutralidade e frustra planos de Lula e Flávio Bolsonaro

PT aciona o TSE contra PL e Flávio por vídeo com Jair Bolsonaro gerado por IA

Bolsonarismo se divide e abre disputa por hegemonia na extrema direita, aponta pesquisador

STF cobra reação mais dura de Nunes Marques contra ataques às urnas

Nota divulgada por Marques foi considerada tímida 

Valdo Cruz
G1

O episódio dos vistos negados pelo Itamaraty a dois assessores do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, gerou uma reação muito negativa dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ministros das duas Cortes defendem que o presidente do TSE, Nunes Marques, condene duramente os últimos ataques às urnas eletrônicas e à missão dos Estados Unidos que viria ao Brasil para minar o sistema eleitoral brasileiro.

NOTA TÍMIDA – Na avaliação destes magistrados, a nota divulgada pela equipe de Nunes Marques foi considerada tímida e fraca, que não refletiria a gravidade do momento. A expectativa é que o presidente do TSE também mande esse recado na reunião com embaixadores, agendada para depois do recesso do Judiciário.

Segundo reportagem do jornal americano “The Washington Post”, os dois funcionários de alto nível do Departamento de Estado dos EUA viriam ao Brasil para levantar dúvidas sobre a integridade e confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Os dois pediram audiência com Nunes Marques, mas que não foi agendada por causa do recesso do Judiciário. Mesmo assim, mantiveram a viagem para encontros com lideranças políticas e religiosas. Os dois são jovens de extrema-direita. Um deles já foi enviado em missão a outros países para apoiar candidaturas de diretas e tentar influenciar no processo eleitoral local.

Zema cogita Joaquim Barbosa para vice e ainda tenta fechar chapa presidencial

‘Pessoa que admiro muito’, disse Zema sobre o ex-ministro

Deu no O Globo

Pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema afirmou, neste sábado, que seu partido “tem cogitado” a possibilidade de ter como vice o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC). O presidenciável contou que pretende se reunir presencialmente com ele, além de ressaltar ter muita admiração pelo jurista.

— Já comentei com o ministro Joaquim Barbosa que, indo ao Rio de Janeiro, quero, sim, ter um encontro com ele. É um mineiro do norte de Minas que fez um belíssimo e reconhecido trabalho combatendo a corrupção. E nós temos aí diversas conversas. É uma pessoa que eu admiro muito e que o partido tem cogitado (para a vice) — disse Zema, em declaração a jornalistas durante agenda no Rio Grande do Sul.

PONTUAÇÃO – Em maio, Barbosa se filiou ao Democracia Cristã (DC) e, desde então, passou a ser cotado para concorrer à Presidência pelo partido. Na última pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês, com margem de erro de dois pontos percentuais, ele aparecia com 1% das intenções de voto.

Devido à dificuldade de ganhar tração, de fechar alianças e de obter recursos para estruturar uma campanha nacional, Barbosa desistiu, há duas semanas, de concorrer ao Palácio do Planalto. A desistência foi antecipada pela “Folha de S. Paulo”, embora o jurista ainda não tenha comunicado sua decisão oficialmente.

— Ele não comunicou que iria desistir. Desde que se filiou ao partido, disse que seguiria com a candidatura com a seguinte ressalva: “Preciso da mínima estrutura para seguir. Uma coligação, um possível apoio logístico” — disse João Caldas, presidente do DC, ao jornal Valor Econômico.

PRAZO – Os partidos têm até 5 de agosto para realizar as convenções e deliberar sobre coligações e escolha de candidatos. Em 2018, Barbosa chegou a se filiar ao PSB também com o intuito de tentar o posto ao Planalto, mas terminou não emplacando a candidatura.

Outro nome ventilado para ocupar a vice na chapa presidencial, o empresário Geraldo Rufino decidiu se lançar candidato ao Senado por São Paulo pelo Podemos, em decisão anunciada no domingo passado (19).

RECUO – No mesmo final de semana, Zema também citou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como uma opção para o posto, mas voltou atrás e negou a existência de um convite feito a ela. Publicamente, Michelle afirmou não haver “nenhuma possibilidade” de tal aliança ocorrer.

“Estou filiada ao PL. Um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários. Portanto, não há nenhuma possibilidade de isso acontecer. Neste momento, continuo priorizando os cuidados com o meu marido”, disse Michelle, nas redes sociais.

AINDA EM VICE –  O Novo oficializa nesta segunda-feira a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República, em convenção nacional que marca o início de uma nova fase da campanha do partido. O evento será realizado a partir das 11h30 em Brasília e contará com a presença do presidente do partido, Eduardo Ribeiro.

Depois de meses concentrando esforços na construção de alianças e na aproximação com setores estratégicos, como o agronegócio, o empresariado e lideranças evangélicas, a expectativa da campanha é que a largada oficial da disputa permita ao presidenciável se tornar mais conhecido junto ao eleitorado nacional.

Hoje, ele ainda seria bastante desconhecido em comparação com adversários como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A aposta é que o horário eleitoral gratuito, os debates e o aumento da exposição do candidato ajudem a apresentar o ex-governador a eleitores que ainda conhecem pouco sua trajetória.

Sem citar Trump, Cármen Lúcia faz defesa da soberania e das urnas

O arco-íris poético de Olegário Mariano se exibia no céu como uma bandeira

CLUBE DE POETAS: OLEGÁRIO MARIANO

Olegário Mariano, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O arco-íris marca bela presença na visão poética do diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958). 

Olegário Mariano era membro da Academia Brasileira de Letras. Em sua época o arco-íris era também chamado de “arco-da-velha”, uma expressão popular da língua portuguesa usada para descrever coisas antigas, espantosas, inacreditáveis ou exageradas. Dizia-se que “são coisas do arco-da-velha”…

ARCO-ÍRIS
Olegário Mariano

Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.

A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como os tangarás:

“Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol.” 
De repente, no céu desfraldado em bandeira,

Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.

Em resposta a Trump e Milei, China declara apoio à soberania brasileira

BTG/Nexus: Lula marca 47% contra 43% de Flávio em novo teste de segundo turno

Em simulação de 1º turno, Lula tem 42% e Flávio 33% 

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

O presidente Lula (PT) tem 47% das intenções de voto em simulação de segundo turno das eleições presidenciais de outubro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que marca 43%, de acordo com nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27). Na rodada anterior, de meados de julho, o petista marcou os mesmos 47%. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha 44%.

O levantamento foi feito por telefone dos dias 24 a 26 de julho com eleitores de 16 anos ou mais residentes em território nacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o código BR-01489/2026.

DIANTEIRA – No cenário de primeiro turno, o atual presidente aparece na frente, com 42%, ante 40% da última aferição feita pela Nexus. O senador vem na sequência, com 33% das intenções, após marcar 34% na última pesquisa. As oscilações ocorrem dentro da margem de erro.

Ronaldo Caiado (PSD) registra 6%, Renan Santos (Missão) marca 5%, e Romeu Zema (Novo) tem 3%. Augusto Cury (Avante) pontua com 2%, e Cabo Daciolo (Mobiliza) faz 1%. Nos demais cenários de segundo turno, o petista teria 46% a 42% contra Zema e venceria Renan por 47% a 39%. Caiado empata com o mandatário. Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 43% do ex-governador de Goiás, o que configura empate técnico.

REJEIÇÃO – Com esta configuração de nomes, Flávio e Lula são os mais rejeitados pelos eleitores. Dos entrevistados, 50% dizem que não votariam de jeito nenhum no senador; 48% afirmam o mesmo do petista. Daciolo é rejeitado por 38%, e Zema, por 32%. Não votariam de jeito nenhum em Caiado, em Renan e em Cury, respectivamente, 29%, 27% e 26%.

A avaliação do governo Lula se mantém estável. Para 43%, a gestão do petista é negativa, enquanto 36% dizem que ela é positiva. Outros 20% a veem como regular. No mês passado, esses percentuais eram de 41%, 35% e 24%, nesta ordem.

Campanha curta favorece quem já está no poder e dificulta renovação política

O risco de transformar a eleição brasileira em palco da direita internacional

Sem projeto, Flávio recorre ao espetáculo

Pedro do Coutto

O lançamento oficial da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência deveria representar a afirmação de um projeto político nacional. O que se viu, porém, foi uma cerimônia marcada menos pela apresentação de uma agenda própria e mais pela tentativa de reafirmar a continuidade do bolsonarismo, pela presença simbólica de Jair Bolsonaro e pela intervenção de um presidente estrangeiro no debate eleitoral brasileiro. Em vez de projetar autonomia, o evento expôs a dependência de uma candidatura que ainda parece procurar sua própria identidade.

Flávio atacou o PT, criticou o governo Lula e prometeu chegar ao Palácio do Planalto acompanhado do pai, a quem atribui papel central em uma eventual vitória. A promessa tem força emocional para a base bolsonarista, mas também revela um paradoxo: uma candidatura que pretende representar o futuro continua organizada em torno da figura de um ex-presidente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O passado, nesse caso, não aparece apenas como herança eleitoral. É o eixo da narrativa.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – A própria convenção deixou isso evidente. Impedido de participar presencialmente, Jair Bolsonaro esteve presente por meio de uma mensagem produzida com inteligência artificial. A tecnologia permitiu reproduzir a presença política de um líder ausente, mas também criou uma imagem carregada de simbolismo: o candidato que busca representar a continuidade de um projeto precisou recorrer a uma versão virtual do próprio pai para ocupar o espaço que, em outras circunstâncias, seria naturalmente dele. A mensagem reforça a força do sobrenome, mas evidencia também a dificuldade de Flávio em se apresentar como liderança plenamente autônoma.

O elemento mais controverso, contudo, foi Javier Milei. A presença do presidente argentino transformou o lançamento em algo maior do que uma convenção partidária brasileira. Milei subiu ao palco, atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes e associou a candidatura de Flávio a uma suposta ofensiva continental contra o socialismo. A eleição brasileira passou, assim, a ser apresentada como parte de uma disputa ideológica latino-americana.

A estratégia tem lógica eleitoral. Flávio tenta transformar uma candidatura ainda marcada por dificuldades de articulação em um capítulo de uma onda conservadora internacional. Ao lado de Milei, busca transmitir a ideia de que não está isolado e de que existe uma corrente política regional capaz de enfrentar a esquerda. O problema é que essa associação pode funcionar para consolidar uma base já convencida, mas não necessariamente para ampliar o eleitorado.

PROJETO DEFINIDO – A eleição brasileira, afinal, não será decidida em Buenos Aires. Será disputada diante de uma sociedade que enfrenta problemas concretos, como segurança pública, custo de vida, emprego, saúde e educação. A presença de líderes estrangeiros pode produzir imagens fortes e alimentar as redes sociais, mas dificilmente substitui a necessidade de apresentar ao eleitor um projeto consistente para o país.

Há ainda uma questão institucional que não deveria ser minimizada. Um chefe de Estado estrangeiro participar ativamente do lançamento de uma candidatura presidencial no Brasil é algo incomum e politicamente sensível. Não se trata de afirmar que a presença de Milei constitua, por si só, uma interferência ilegal no processo eleitoral.

Mas sua participação introduziu uma dimensão externa em uma disputa que deveria, essencialmente, ser decidida pelos brasileiros. Ao atacar diretamente o presidente brasileiro e um ministro do Supremo Tribunal Federal durante um evento partidário, Milei deixou de ser apenas um convidado internacional e assumiu o papel de protagonista de uma disputa política doméstica.

REFERÊNCIA EXTERNA – O contraste é significativo. Enquanto Flávio procura se afirmar como alternativa para governar o Brasil, o palco do lançamento foi ocupado por referências externas: Milei, Jair Bolsonaro e até a inteligência artificial usada para recriar a presença do ex-presidente. A impressão que fica é a de uma candidatura que ainda precisa responder a uma pergunta fundamental: o que há de Flávio Bolsonaro além do sobrenome Bolsonaro?

Esse será um dos maiores desafios de sua campanha. O apoio de Milei pode oferecer entusiasmo à militância e reforçar a imagem de pertencimento a uma direita internacional. Mas uma eleição presidencial exige mais do que mobilizar os já convencidos. Exige conquistar eleitores que não votaram no candidato anterior, dialogar com setores moderados e apresentar uma agenda capaz de ultrapassar as fronteiras ideológicas de sua própria base.

Flávio precisa administrar três forças: a fidelidade ao pai, que continua sendo seu principal patrimônio eleitoral; a necessidade de conquistar uma direita menos confrontacional e mais capaz de formar alianças; e a pressão para integrar uma articulação internacional que tem em Milei um de seus principais símbolos. O equilíbrio entre essas dimensões será decisivo para saber se sua candidatura conseguirá crescer ou permanecer restrita ao núcleo mais fiel do bolsonarismo.

MAIS DO MESMO– Por isso, o lançamento merece ser observado menos pelo espetáculo e mais pelo que revela. Ao colocar Milei no centro da cerimônia, apresentar Jair Bolsonaro por meio da inteligência artificial e fazer da crítica a Lula e Alexandre de Moraes um dos principais eixos do discurso, a candidatura parece ter escolhido reafirmar suas trincheiras antes de demonstrar capacidade de ampliar seu território político.

Milei pode ter ajudado Flávio a ocupar as manchetes e oferecido à campanha uma fotografia poderosa para sua base. Mas a mesma imagem que fortalece sua identidade ideológica também pode reforçar a percepção de dependência de referências externas e de uma política cada vez mais internacionalizada por líderes que não disputarão a Presidência do Brasil.

ARTIFÍCIO –  A presença de Milei produziu um efeito ambíguo. Para os que já estão com Flávio, foi um gesto de força e solidariedade política. Para os que estão fora desse campo, pode ter parecido justamente o contrário: a demonstração de que uma candidatura que pretende governar o Brasil ainda precisa recorrer a um presidente estrangeiro para ampliar sua estatura.

A eleição, entretanto, será brasileira. E o desafio de Flávio Bolsonaro será provar que consegue ser mais do que o herdeiro político de Jair Bolsonaro e mais do que o aliado brasileiro de Javier Milei. Precisará convencer o eleitor de que existe, em sua candidatura, um projeto próprio de país. Até aqui, o lançamento ofereceu muitas referências ao passado e ao exterior. O que ainda falta apresentar, com clareza, é o futuro que pretende construir para o Brasil.

Polarização ameaça democracia porque a política deixou de produzir renovação

BELA, RECATADA E ENVERGONHADA" SOBRE A CHARGE ACIMA RESPONDA: O SIGNIFICADO DA PALAVRA DEMOCRACIA ESTÁ - brainly.com.br

Charge do Duke (Itatiaia)

Marcus André Melo
Folha

Vista em perspectiva histórica, a atual eleição presidencial é singular. De um lado, o presidente da República, aos 80 anos, disputa a reeleição depois de exercer a liderança de um partido por quase meio século. Há casos de outsiders que chegaram ao poder em idade avançada (ex. Trump), mas a dependência em relação a uma única liderança é excepcional nas democracias atuais.

Do outro lado, temos o candidato-substituto de um clã familiar, escolhido porque o titular se encontra encarcerado por seu envolvimento em uma conspiração. Seu apoio deriva, em larga medida, da chancela paterna e do que chamo de voto por exclusão.

CINISMO CÍVICO -O traço fundamental do pleito, contudo, é o elevadíssimo cinismo cívico. Ambos os candidatos, seus familiares e dirigentes de suas respectivas agremiações carregam acusações gravíssimas de envolvimento em corrupção, com características que o ministro André Mendonça chamou de “mafiosas.”

As instituições brasileiras nunca haviam se degradado a ponto de alcançar cortes superiores, como o STF e o STJ. A degradação se manifestou em momento crítico da democracia brasileira e comprometeu profundamente sua defesa.

Nossa quadra histórica assiste, assim, a uma mudança qualitativa. Não estamos apenas diante do problema recorrente do patrimonialismo. A corrupção mudou de escala e passou a se articular com a criminalidade organizada e violenta.

FRACASSO COLETIVO – Arrisco dizer que, em poucos momentos de nossa história republicana, o sentimento público de fracasso coletivo foi maior que o atual. É certo que, na Primeira República, no pós-guerra e durante a ditadura, também houve momentos de forte frustração e cinismo cívico.

Mas há uma distinção importante. Naqueles contextos existiam ideias-força que mobilizavam grandes energias cívicas e ofereciam projetos de transformação institucional.

Depois de pouco mais de três décadas de regime republicano, Vicente Licínio Cardoso resumiu a frustração de sua geração: “A grande e triste surpresa de nossa geração foi sentir que o Brasil retrogradou”.

Licínio Cardoso falou também no “rotundo fracasso” da primeira geração republicana. A ironia da história é que o projeto surgido desse diagnóstico conduziu ao Estado Novo e, posteriormente, ao populismo nacional-desenvolvimentista. A percepção do fracasso institucional gerou energia transformadora, mas não necessariamente instituições melhores.

RECENTEMENTE – No final dos anos 1970 e início dos 1980, as perspectivas de mudança de regime também alimentaram projetos de transformação de ampla envergadura. A instabilidade fiscal e política dos primeiros anos da Nova República deu lugar a uma nova onda de reformas institucionais virtuosas.

Um ciclo histórico esgotou-se. Os atores principais deste jogo operam em modo sobrevivência. Partidos, interesses organizados e instituições procuram preservar posições, proteger seus integrantes. A sobrevivência tornou-se programa e a polarização, o mecanismo de sua reprodução.

Esta é a nova armadilha institucional: quanto maior a rejeição a cada um dos polos, mais necessário o outro parece aos seus seguidores. O desgaste não os expulsa do jogo; torna-os reciprocamente indispensáveis. A competição democrática deixou de produzir renovação

Ataque de Milei a Moraes provoca crise diplomática entre Brasil e Argentina

Se Caiado não decolar, Lula vai ganhar por culpa exclusiva de Jair Bolsonaro

Tribuna da Internet | O Centrão se afasta de Flávio Bolsonaro — e o bolsonarismo sente o golpe

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Os autointitulados “institutos de pesquisas”, que não são nada confiáveis, sempre influenciam as eleições. Nesta fase da campanha, percebe-se que há um esforço para esconder a subida do candidato Ronaldo Caiado, o único que tem condições de chegar ao segundo turno e derrotar Lula na grande final.

Constata-se que as pesquisas não são confiáveis, porque estão deixando de registrar o avanço das menções positivas a Caiado que está ocorrendo nas redes sociais, segundo levantamento da consultoria AP Exata, que apontou crescimento de 449% em apenas cinco dias.

SEM CAPTAR… – Estranhamente, os institutos não estão captando essa reação, como se pudesse acontecer esse tipo de contradição, com as redes sociais tendo um comportamento político oposto ao captado pelos institutos de pesquisas eleitorais. Ou seja, fica parecendo os viajantes das redes sociais não têm título de eleitor…

A única explicação para esse fenômeno paranormal é a força do dinheiro, que no mundo de hoje compra quase tudo, conforme se constata no cotidiano, onde honradez e dignidade são comportamentos cada vez mais raros.

Se depender das pesquisas, Lula ganhará com facilidade essas eleições aos 81 anos, consolidando-se como o governante mais velho do mundo, com Donald Trump em segundo lugar. É óbvio que Flávio Bolsonaro não tem condições de superá-lo, porque seu despreparo é tamanho que os eleitores de centro temem votar nele.

CULPA DE BOLSONARO – A culpa pela “reeeeleição” de Lula, desculpem o neologismo, é exclusivamente de Jair Bolsonaro, que demonstrou ser um líder de araque, capaz de entregar o país a seu maior inimigo, a pretexto de manter o poder sob controle de uma família sem preparo e sem honra, conforme está mais do que comprovado.

Flávio tem um passado encardido e um presente deplorável. Agora, apareceram as notas fiscais de seu altíssimo faturamento na advocacia, como se realmente trabalhasse nesse ramo.

São milhões de reais oriundos de empresas fantasmas, evidenciado farta lavagem de dinheiro através de iniciativas infantis e até grotescas, chega a ser inacreditável.

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P.S.
– Se cultivasse um mínimo de amor a esse país, Jair Bolsonaro teria escolhido o então governador paulista Tarcísio de Freitas para cabeça de chapa, indicando o filho Zero Um para vice, circunstância que lhe daria condições ideais  chegar ao Planalto em 2034, substituindo Tarcísio no fim do provável segundo mandato. Mas a vaidade e a soberba falaram mais alto. Agora, Flávio vai perder de Lula, ficará fora da política, igual ao pai, e o país mergulhará em grave crise econômica, conforme os maiores especialistas estão prevendo, devido à crescente dívida pública.

P.S. 2 – Portanto, essa nova crise será provocada por dois agentes – a prepotência de Jair Bolsonaro e a incompetência de Lula da Silva, dois perdidos numa política suja, como diria o dramaturgo Plínio Marcos. Todos sabem que Tarcísio venceria Lula no primeiro turno e poderia fazer um excelente governo, mas Bolsonaro está pouco ligando para o país. (C.N.)

Desinformação sobre deputados ajuda a perpetuar ciclo de poder no Congresso

Caiado se fortalece ao ganhar apoio de Eduardo Leite, Ratinho Jr e Aldo Rebelo

PSD oficializa Caiado como candidato à Presidência

Na Convenção, Caiado atacou durante Flávio e Lula

Pedro Augusto Figueiredo
Estadão

O PSD realizou neste domingo, 26, a convenção partidária que confirmou a candidatura de Ronaldo Caiado a presidente da República e do presidente da sigla, Gilberto Kassab, como vice da chapa. Embora tenha tecido as já usuais críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador de Goiás mirou sua artilharia também no senador Flávio Bolsonaro (PL), consolidando a mudança de postura em relação ao pré-candidato de direita que havia iniciado nos últimos dias.

“Não é possível que o Brasil vai querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”, disse o ex-governador de Goiás. “Me dê a chance, povo brasileiro, porque eu vou bater o Lula e nós vamos criar um país diferente e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”, discursou Caiado à militância do PSD.

MAIS ATAQUES – Caiado ainda afirmou que Flávio é o candidato “escolhido pelo Lula” para disputar o segundo turno. “Quem rouba com a mão esquerda ou com a mão direita é ladrão”, acrescentou, atacando os petistas.

Em outro momento, o candidato do PSD disse que o filho de Jair Bolsonaro (PL) é “frango de granja” e depende do pai para guiar sua vida política. “Qualquer coisa fala assim ‘chama o papai, vou ler uma carta dele’. Não, o Caiado, é galo de terreiro. Sou acostumado na briga”, discursou.

Em uma entrevista coletiva antes do início da convenção, realizada na sede do PSD em São Paulo, ele disse que Flávio e Lula, que estão na frente nas pesquisas de intenção de voto, dependem de brigas e “crises inúteis” para alimentarem suas candidaturas e desviam o foco daquilo que realmente interessa à sociedade brasileira.

BRIGA COM TRUMP – O petista, segundo ele, busca provocar o presidente dos EUA, Donald Trump, com esse objetivo, enquanto o lado de Flávio insulta autoridades. “Um se retroalimenta da vaidade do outro”, afirmou.

“Para governar o país, precisa muito de independência moral e coragem pessoal. Coragem para poder, amanhã, libertar o País do sequestro do PT e das facções. De não ter um candidato que seja um ‘Kinder Ovo’, com uma surpresinha todo dia”, afirmou Caiado, em relação a Flávio.

Ele mencionou escândalos que envolvem seus rivais, como rachadinha, Mensalão, Petrolão, escândalo do Master e os desvios no INSS.

EXPLICAR DENÚNCIAS – Para Caiado, a direita não pode colocar alguém no segundo turno “que tenha tanto o que explicar da sua vida” e não tenha tempo de defender os interesses da população. “E hoje está aí às voltas com tantas denúncias em sua curta trajetória”, afirmou em seu discurso.

Inicialmente, Caiado evitou criticar Flávio, mesmo após a publicação do áudio em que o senador pede dinheiro ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. Recentemente, contudo, o ex-governador mudou o tom e passou a apontar discordâncias sobre o modo como o pré-candidato do PL atuou no mais recente tarifaço aplicado pelo governo Trump ao Brasil e também por Flávio ter colocado em dúvida a segurança das urnas eletrônicas.

No campo das propostas, o candidato do PSD adotou a já conhecida linha-dura na segurança pública e prometeu confiscar o patrimônio de agressores de mulheres, colocando os bens à disposição das vítimas.

RATINHO E LEITE – Caiado trocou o União Brasil pelo PSD no início do ano para ser candidato. Na nova sigla, enfrentou a concorrência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, que era o favorito, mas acabou desistindo da candidatura, e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Apesar da disputa, Leite e Ratinho Jr. participaram da convenção e declararam apoio a Caiado, assim como o pré-candidato ao governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (PSD), e outros aliados políticos, como o atual governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB).

A escolha por Kassab como vice ocorreu após o partido não conseguir atrair outras siglas do Centrão, como a federação União Progressista, o Republicanos e o MDB, que devem optar pela neutralidade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Além de Ratinho Jr., Eduardo Leite e Aldo Rebelo, outros políticos importantes também declaram apoio a Caiado, como Ciro Gomes e ACM Neto, candidatos a governador do Ceará e da Bahia. Mas as pesquisas somente indicam 3% de preferência para Caiado. Por que será? (C.N.)

Janja busca os evangélicos, mas enfrenta resistência por pauta da misoginia

Janja entra na disputa pelo voto evangélico

Sérgio Roxo
O Globo

Resistente ao longo de toda a corrida eleitoral de 2022 a gestos do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em direção aos evangélicos, a primeira-dama Janja da Silva mudou de postura na disputa atual e tem dialogado com segmentos religiosos. Ela planeja, inclusive, para as próximas semanas, quando a campanha já estiver começado oficialmente, uma “grande reunião” com eles em São Paulo. A nova posição em relação ao grupo chama a atenção de aliados do presidente.

Mas, apesar do esforço, posicionamentos de Janja, como a sua defesa da aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, ainda são empecilhos em sua tentativa de criar conexões com os evangélicos.

RESISTÊNCIA – Na disputa de quatro anos atrás, Janja foi apontada como uma das principais responsáveis por Lula ter resistido ao máximo a lançar uma carta voltada ao segmento. A apresentação de um documento em que era assumido compromisso com a liberdade de culto e religião era defendida por toda a cúpula da campanha, mas o então candidato protelou ao máximo e só o apresentou dez dias antes do segundo turno.

Lula cedeu após conversa com a senadora Eliziane Gama (PT-MA), que é evangélica e na época estava no PSD. Apesar de ter acompanhado o marido na maioria dos eventos da campanha de 2022, Janja não compareceu ao ato de lançamento da carta aos evangélicos, num hotel de São Paulo.

MUDANÇA DE POSTURA –  Lideranças petistas presentes nas duas campanhas dizem que é nítido que Janja mudou de postura em relação aos evangélicos. Indagada por meio de sua assessoria sobre a sua motivação para abrir diálogo com o grupo, a primeira-dama não respondeu.

Ao longo de 2025, Janja já havia feito uma série de viagens pelo país para encontros com evangélicas. Nas reuniões, ela chegou a cantar a música “Deus cuida de mim”, composta e interpretada pelo cantor Kleber Lucas.

DIÁLOGO – Em junho deste ano, a primeira-dama esteve no Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT, em Brasília. Em sua fala, disse que “a gente precisa ir para dentro das igrejas e conversar com as nossas irmãs”. Ao usar termo típico dos evangélicos, Janja se justificou.

“Eu já estou falando “nossas irmãs” porque eu me sinto um pouquinho. O pessoal fica falando: “Ela não é evangélica”, mas eu acredito em Deus e é isso que importa. Eu acredito em Cristo”, disse Janja, que se emocionou ao citar a música “Deus cuida de mim”.

“Quando escuto o Kleber cantando… Quando eu falo até me emociono, porque o Espírito Santo precisa tocar o nosso coração aonde quer que a gente esteja. Deus está em qualquer lugar”, acrescentou. Janja contou no encontro do PT que procurou as mulheres evangélicas porque o seu “coração estava mandando” e falou que não seria representante da esquerda no diálogo.

INTENÇÃO DE VOTO – Pesquisa da Genial/Quaest mostra melhora da intenção de voto em Lula entre os evangélicos, apesar de Flávio Bolsonaro (PL) ter maior vantagem. Ele soma 53% das intenções de voto contra 31% do petista. Em maio, a vantagem era de 61% a 24%.

Mas o esforço de Janja para se conectar aos evangélicos pode ser abalado. Em entrevista à Folha de São Paulo e ao Uol, classificou críticas que a qualificam como “gastadeira” em suas viagens ao exterior como misoginia. A Câmara discute projeto de lei, defendido por ela, que criminaliza a misoginia. A bancada evangélica pede mudanças no texto, sob alegação que pode ferir a liberdade religiosa.

Mudança de Nunes Marques em pesquisas eleitorais gera alerta sobre insegurança jurídica

Flávio recorre ao sobrenome, à família e a Milei para sustentar candidatura

Governo Trump nega interferência eleitoral após Itamaraty barrar enviados dos EUA