Decisivo na eleição, voto feminino está no centro da disputa bolsonarista

Michelle ajudava o bolsonarismo a dialogar com eleitoras

Pedro do Coutto

A eleição de 2026 começa a revelar uma disputa que vai muito além da corrida presidencial. Dentro do próprio campo bolsonarista, o eleitorado feminino passou a ocupar uma posição estratégica, especialmente diante da distância que ainda separa Flávio Bolsonaro de Lula entre as mulheres. Nesse cenário, a movimentação política de Michelle Bolsonaro e a presença crescente de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, podem transformar a campanha em uma espécie de batalha silenciosa pela representação feminina da direita.

Michelle, que durante anos foi um dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo, continua sendo pressionada por aliados a disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. A governadora Celina Leão voltou a defender publicamente sua candidatura e afirmou, neste fim de semana, que ainda tenta convencê-la a entrar na disputa. A assessoria da ex-primeira-dama, por sua vez, já negou que ela tenha desistido do projeto eleitoral.

PROTAGONISMO – A questão ganhou outra dimensão porque Michelle se tornou uma personagem central da crise interna que atingiu a família Bolsonaro. O rompimento político com Flávio, marcado por críticas públicas e pela saída da presidência do PL Mulher, retirou da campanha presidencial uma das figuras que mais ajudavam o bolsonarismo a dialogar com eleitoras, especialmente nos segmentos conservador e evangélico. A crise expôs justamente uma dificuldade histórica da direita brasileira: ampliar sua capacidade de comunicação com o eleitorado feminino.

É nesse espaço que a presença de Fernanda Bolsonaro ganha importância. A mulher de Flávio passou a aparecer mais na cena política e eleitoral justamente quando Michelle se afastou do núcleo da campanha. A movimentação não significa necessariamente que Fernanda possa substituir a ex-primeira-dama — são personagens com trajetórias, públicos e capital político diferentes —, mas revela uma tentativa de preencher uma lacuna que se tornou evidente.

O problema é que o eleitorado feminino não funciona como um bloco homogêneo, tampouco pode ser simplesmente transferido de uma liderança para outra. Michelle construiu uma identidade política própria, sobretudo entre mulheres evangélicas e conservadoras, e sua influência não se confunde automaticamente com a candidatura de Flávio.

DIFERENÇAS – A pesquisa Genial/Quaest citada pela Folha mostrou uma diferença expressiva entre os sexos: no cenário de primeiro turno divulgado em junho, Lula aparecia com 41% entre as mulheres, enquanto Flávio registrava 24%. No eleitorado geral, os números eram de 39% e 29%, respectivamente.

A matemática eleitoral ajuda a explicar a tensão. Se a campanha de Flávio precisa avançar entre as mulheres, a ausência de Michelle representa uma perda potencial de interlocução. Não por acaso, o senador declarou recentemente que não mantém relação com a ex-primeira-dama e afirmou que não pretende pressioná-la a apoiar sua candidatura. A declaração expõe uma realidade política difícil de esconder: a campanha presidencial do bolsonarismo terá de lidar com a possibilidade concreta de seguir sem uma de suas principais figuras de comunicação com o eleitorado feminino.

Há, portanto, uma contradição no centro da estratégia. De um lado, Michelle pode fortalecer sua própria trajetória política ao disputar o Senado pelo Distrito Federal e consolidar uma posição independente dentro do campo conservador. De outro, sua eventual candidatura pode acentuar a fragmentação de um eleitorado que o grupo de Flávio precisa conquistar. A disputa deixa de ser apenas familiar ou interna ao bolsonarismo e passa a ter consequências eleitorais.

CAPITAL POLÍTICO – A tentativa de ampliar a presença feminina na campanha, portanto, não deve ser confundida com uma simples substituição de nomes. Fernanda pode ganhar espaço, mas Michelle possui um capital político acumulado que não se transfere por herança familiar. A questão decisiva será saber se a direita conseguirá apresentar uma narrativa capaz de reunir essas diferentes figuras ou se a disputa entre elas acabará aprofundando a divisão de um eleitorado estratégico.

O próprio cenário nacional mostra o tamanho do desafio. Pesquisa Quaest divulgada em julho apontou Lula à frente de Flávio na corrida presidencial, enquanto levantamentos anteriores já indicavam dificuldades maiores do senador entre as mulheres.

DIVISÃO – No fim, a eleição poderá produzir uma resposta para uma pergunta que hoje permanece em aberto: o voto feminino conservador seguirá orbitando uma liderança central ou começará a se dividir entre diferentes nomes e projetos dentro da própria direita?

A resposta terá impacto não apenas sobre a disputa pelo Senado no Distrito Federal, mas também sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro de construir uma candidatura presidencial competitiva. Porque, em uma eleição tão polarizada, conquistar o eleitorado feminino não será apenas uma questão de imagem. Será uma questão de sobrevivência eleitoral.

Quando as togas viram protagonistas, a Justiça parece uma disputa de poder

Era moderna degenerou a liberdade para transformá-la em puro e simples egoísmo

Sigmund Freud - Imagens para Facebook e blogs

Charge reproduzida do Arquivo Google

Luiz Felipe Pondé
Folha

Somos livres? Essa pergunta é cansativa. Deixemo-la para os iniciantes. Uma coisa é discutir liberdade no âmbito de algum autor específico, outra coisa é fazê-lo a céu aberto, tipo “liberdade é…”.

Principalmente depois da contracultura, esse assunto se transformou, na melhor das hipóteses, num debate vazio acerca de produtos dentro da esfera do marketing de comportamento —criado na sequência da contracultura—, ou, na pior das hipóteses, coisa de picareta, vendendo dicas infantis de “como ser livre, em sendo mulher…”, por exemplo.

SANTO AGOSTINHO – Quanto a autores, a lista é vasta. Agostinho (354-430) e a fundamental pergunta se temos ou não livre-arbítrio depois da queda e do pecado original, ou se, desde então, nos arrastamos no mundo sob a égide de compulsões como orgulho, luxúria, busca por poder e por aí vai.

Quem tentar provar essa tese como falsa, provavelmente, acabará mentindo ou passando atestado de dano cognitivo.

O liberalismo humanista descendente de gente peso pesado como John Locke, no século 17, criará quase uma religião centrada na ideia de que, agindo de forma livre e racional — e Kant, no século 18, tem seu lugar nessa linhagem do mito da autonomia moral humana —, progredimos para estágios superiores de comportamento político e moral.

LIBERDADE ABSOLUTA – Passamos da tolerância religiosa de Locke para a liberdade individual absoluta de consumo, penso, como um dos mitos típicos da modernidade.

A controvérsia entre a diferença da liberdade dos antigos e a dos modernos, a partir da conferência de 1819 de Benjamin Constant, é seguramente um marco para a ideia de liberdade derivada do liberalismo.

Enquanto para os antigos, a liberdade era a participação nos assuntos da pólis grega ou da república romana —iremos ou não à guerra, decidimos qual forma de governo devemos ter, o orçamento—para os modernos, a liberdade passou a ser a liberdade individual das nossas escolhas na vida privada.

DISTORÇÃO TOTAL – A partir daí, a liberdade ficou identificada com o que compramos, com quem dormimos, gostamos ou não de apanhar no sexo, sou homem ou mulher, qual estilo de roupa usamos, para onde vamos nas férias, se temos filhos ou não, se podemos interromper a gravidez ou a nossa própria vida se assim o quisermos, em quem votamos, acreditamos em Deus, em Elvis ou em ETs, enfim, uma lista enorme de escolhas que, para muitos de nós, chega a ser cansativa. Paremos por aí.

A produção literária, artística, filosófica ou audiovisual, por exemplo, ao redor da ideia de liberdade da mulher é hoje maçante. Para todo lugar para onde se olha, o tema se repete como um samba de uma nota só.

Casar-se ou não, se livrar de um marido tóxico, ver a maternidade como opressão patriarcal, viajar para amar, rezar, transar, beber, viver a menopausa como o melhor período da vida livre, enfim, encontrar a guru definitiva que ensinará a ela a lição única de como ser mulher, livre e feliz —lição esta, evidentemente, que não existe para ninguém. A presença do tema, hoje, na produção cultural, é entediante diante da sua infinita e melosa repetição.

MITO FEMINISTA – A personagem da mulher livre e feliz é, hoje, um mito, como a do novo homem soviético. Não porque todos esses problemas sejam falsos, mas, sim, porque a espécie humana é contraditória, confusa, e dada, desde a pré-história, a soluções imaginárias delirantes.

Freud, em 1930, já havia nos ensinado sobre o mal-estar estrutural da civilização, devido à repressão do desejo, matriz do homem civilizado —”a felicidade é episódica”—, mas como efeito da sociedade que vende tudo, demos uma virada em direção ao culto idiota da felicidade nos últimos tempos. A vida virou um comercial barato.

O que viria a ser um homem, gênero e não espécie, livre? Essa temática ainda é quase inexistente na produção cultural. Muitos tentam dizer que o homem hétero livre deveria ser igual a uma mulher porque ele também seria um oprimido pela masculinidade tóxica. Sei…

SER LIVRE… – Mas, para além desse imperativo, provavelmente, caras diriam que ser livre é não assumir compromissos com mulher nenhuma, não sustentar mulher nenhuma, não engravidar ninguém —crianças hoje, contencioso amanhã—, trabalhar no que gosta, ganhando muito dinheiro ou não.

Além disso, não ter ninguém mandando você fazer coisas em casa, viajar pelo mundo com uma “sugar baby” jovem, bonita, divertida e cara ou buscar autoconhecimento —para os mais sofisticados— no caminho de Santiago de Compostela.

Enfim, no ideal de liberdade de hoje, tanto para mulheres quanto para homens, a liberdade dos modernos degenerou em puro e simples egoísmo e narcisismo. E o resto é blábláblá.

Caiado está subindo nas redes sociais e já tem mais visibilidade do que Flávio

Quem é Caiado, ortopedista e governador de Goiás que será candidato do PSD à presidência - Estadão

Caiado repete Zagallo e ironiza: “Vão ter de me aturar”

Carlos Newton

O avanço de Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pela Presidência da República tem sido boicotado nas pesquisas eleitorais, mas agora não será mais possível esconder a virada. Como dizia o poeta Luiz de Camões, outro valor mais alto se alevanta, porque o nome do ex-governador goiano começa a disparar nas redes sociais, segundo levantamento do Instituto AP Exata

Caso esse crescimento nas redes sociais se confirme no decorrer de julho, as possibilidades de Caiado se converter em terceira via estarão aumentando de forma expressiva, antes mesmo do início oficial da campanha, que só ocorre em 15 de agosto, quando as candidaturas não podem mais ser trocadas.

DADOS ANIMADORES – Segundo a repórter Bianca Gomes, do Estadão, que analisou a pesquisa, o dado mais animador é que o aumento da exposição do pré-candidato do PSD nas redes sociais não foi acompanhado por um crescimento proporcional das menções negativas a ele. Ou seja, está crescendo o apoio à candidatura de Caiado e diminuindo as restrições ao nome dele.

A pesquisa AP Exata, divulgada com exclusividade pelo Estadão, mostra que está tendo resultados a mudança de estratégia na campanha do ex-governador goiano. Há duas semanas ele subiu o tom e começou a bater pesado não somente no presidente Lula (PT), mas também no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Com isso, o volume de menções ao nome de Ronaldo Caiado nas redes sociais cresceu 446,3% em apenas cinco dias, segundo levantamento feito na semana passada.

PASSANDO FLÁVIO – Para se ter uma ideia do crescimento de Caiado nas redes sociais, a pesquisa da AP Exata comprovou que no domingo passado, dia 12, o pré-candidato do PSD tornou-se o segundo nome mais citado nas redes entre os presidenciáveis, com 26,2% do volume de menções, atrás apenas de Lula, com 34,3%, e à frente de Flávio, que registrou 25,6%.

Entre os demais pré-candidatos, o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) apareceu com 4,8% e Renan Santos, da Missão, com 4,7%.

Na média dos  cinco dias pesquisados, o grande destaque foi o surpreendente crescimento do volume de menções a Caiado, que cresceu de 2,85% para 15,57%, com aumento de 446,3%, repita-se.

P.S. 1 – Desde a eleição de 2022, a possibilidade de uma terceira vida está sendo boicotada pelos institutos de pesquisa, que forçam a barra e são pagos para manter a polarização entre lulistas e bolsonaristas. Agora, surge esse levantamento da AP Exata, um indicativo da maior importância. Mostra que ainda há espaço para o crescimento da terceira via, representada por Ronaldo Caiado, que é o mais experiente e qualificado para disputar com Flávio Bolsonaro os votos da direita e do centro. E, cá entre nós, o número de menções nas redes sociais é um demonstrativo muito mais preciso do que essas pesquisas dos autointitulados “institutos”, acredite se quiser. Satisfeito com o levantamento da AP Exata, Caiado repetiu a frase célebre do técnico Zagallo: “Vão ter de me aturar”.

P.S. 2 – A vitória da Espanha foi justa. Sua equipe tinha conjunto, um detalhe importantíssimo que faltou à seleção brasileira. Considero que o Brasil não perdeu o título de “País do Futebol”, por um motivo muito simples – somos o maior exportador de jogadores do mundo. Ou seja, temos a maior fábrica de craques, mas falta conjunto. (C.N.)

“Papudinha”: O batalhão que virou a prisão dos grandes escândalos da República

Aliados pressionam Valdemar a assumir articulações da campanha de Flávio

Valdemar disse que quer ajudar, mas evita conflitos

Bela Megale
O Globo

Cresce entre aliados de Flávio Bolsonaro os apelos para que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tome frente das costuras políticas da campanha presidencial. A avaliação entre mandachuvas do centrão, como PP e União, e do próprio PL, é que, com Valdemar no comando das tratativas, as conversas com as demais legendas fluirá melhor, inclusive para negociações nos estados.

A leitura é que, ao consolidar bons palanques regionais, o próprio Flávio vai se beneficiar diretamente da estratégia. Valdemar tem jogado parado e faz elogios a Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha que foi incumbido dessa frente. O presidente do PL fala que a missão foi dada a Marinho pelo próprio Bolsonaro.

FORA DE CONFLITOS – Os apelos para que Valdemar tenha uma atuação mais enfática junto a Flávio já chegaram ao presidente do PL. Segundo aliados do mandachuva partidário, ele está disposto a ajudar em tudo que for chamado, mas não entrará em conflitos.

A postura adotada por Flávio na condução de sua campanha tem irritado lideranças do próprio PL e afastado aliados do presidenciável. A principal queixa é que o senador é centralizador, ouve poucas pessoas e decide praticamente tudo sozinho, com seu pequeno núcleo.

Uma das maiores preocupações é que esse isolamento possa comprometer os cenários estaduais. A possibilidade da federação PP e União Brasil seguir a posição nacional e preferir a neutralidade a apoiar o PL no Rio de Janeiro tem preocupado as lideranças do partido.

Resultado foi justo e a Copa do Mundo desta vez ficou com a melhor seleção

A ESPANHA É CAMPEÃ DO MUNDO! 🤩🇪🇸 Lamine Yamal e toda a Espanha são ... |  TikTok

A imagem do jovem craque Yamal personaliza o título

Vicente Limongi Netto

A Copa do Mundo de 2026 ficou com a melhor seleção, que se tornou bicampeã do mundo. A Espanha é afinada em todas suas linhas. Jogam com toque de bola, cansam o adversário. Vão avançando, trocando passes, sufocam os rivais. O gol é questão de tempo.

A Argentina resistiu bravamente. Mas é infinitamente inferir a Espanha. O astro Messi apagado. Nem discreto foi. Parece que percebeu, desde o início, que o sonho do tetra argentino estava distante.

LEGÍTIMO CRAQUE – O grande goleiro argentino foi massacrado. Do início ao fim. Salvou o time de uma goleada. O menino Lamine Yamal fez bom segundo tempo. Sabe jogar. Com mais vigor e experiência, será realmente legítimo craque. O menino Yamal devolveu ao craque Messi o banho que ganhou dele, numa bacia azul, há 19 anos.

O: futebol é exuberante pelos detalhes dentro e fora do campo. Que o Brasil saiba aprender lições dos atuais campeões do mundo. Jogam juntos há vários anos. Garotada já afiada para a Copa de 2030.

O Brasil vai começar do zero. Com muito trabalho, se realmente pretende fazer bonito na próxima Copa. Porque nesta que acabou, foi um medonho vexame. Que só será amainado com conquistas importantes.

AMADA POR TODOS – Fez bonito na Copa. Garbosa, linda e amada no mundo todo. Sem ela, a Copa não existe.  Todos a querem. Os melhores a tratam com carinho. Como uma filha. Mas também sofre, leva pontapés e bicos.

Faz parte de alegrias e tristezas. Antigamente eu era feiosa. Mas está cada vez mais bonita e vistosa, sempre preparada para grandes ocasiões. Hoje, tem cores e padrões variados, que a fazem cada vez mais atraente, como objeto de desejo

Adora dormir em aconchegantes redes. Quando a mandam para a arquibancada dá uma tremenda briga. Todos querem levá-la para casa e ficar com ela, que é vaidosa e famosa, aplaudida nos quintais, na várzea, na praia, nas ruas, em mansões, em favelas, nos presídios e nos estádios suntuosos. Em 2030, novamente vai encantar o mundo. 

As três mulheres de Jair Bolsonaro e as disputas políticas que atravessam o poder

Disputas familiares cercam o clã Bolsonaro

Caio Sartori
O Globo

A rixa entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o enteado que disputará a Presidência, Flávio Bolsonaro, é o caso mais recente de um antigo padrão familiar. Jair Bolsonaro colocou as três mulheres com as quais foi casado em situações políticas que despertaram rachas, disputas eleitorais entre integrantes da família ou investigações por suspeitas de irregularidades.

Agora, a exposição das insatisfações de Michelle em relação ao senador representa uma crise no momento de maior projeção de um parente do ex-presidente. A esposa de Jair, que chegou a deixar o comando do PL Mulher, reluta em se envolver na empreitada do enteado, que vê em risco o engajamento de setores como as mulheres e os evangélicos.

DISPUTA – Um dos casos mais emblemáticos na história política da família se deu em 2000. Divorciado da vereadora carioca Rogéria, eleita em 1992 e 1996 com sobrenome do marido, o então deputado Bolsonaro resolveu colocar um dos filhos do casal, Carlos, para concorrer contra a própria mãe. Aos 17 anos, ele foi eleito para o cargo no qual ficou até dezembro do ano passado, e Rogéria não conseguiu a recondução.

Veio então o casamento com Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan. Foram anos de prosperidade: Bolsonaro e ela construíram um patrimônio calcado na compra de 14 imóveis ou terrenos, cinco deles pagos em espécie. A união estável durou de 1997 a 2008.

Foi só com os holofotes colocados sobre a família, a partir da eleição de 2018, que os negócios do antigo casal passaram por escrutínio. Durante a investigação das supostas “rachadinhas” de Flávio quando era deputado no Rio, Ana Cristina virou peça-chave.

PROTAGONISMO – Embora não tenha sido denunciada, a ex de Jair era protagonista de um dos núcleos investigados, na esteira da nomeação de dez parentes no gabinete. O Ministério Público analisou dados bancários da família dela e verificou que, dos R$ 4,8 milhões pagos em salários no período considerado, R$ 4 milhões foram retirados em espécie.

A segunda mulher do ex-presidente também teve o sigilo quebrado na investigação sobre outra suposta rachadinha, a de Carlos Bolsonaro. Ela foi chefe de gabinete do enteado na Câmara do Rio.

DESABAFO – Em carta enviada a Jair em 2007 e obtida pelo portal Uol em 2022, Ana Cristina desabafa sobre problemas que aconteceram durante a relação. Menciona, por exemplo, atritos relacionados a Carlos, o que mostra como Michelle não é a primeira a ter tensões com os filhos de Bolsonaro.

“Por dois anos, eu o amei, amparei e socorri todos os seus medos e em troca tive o título de sedutora de menor. Ah, como dói, dói muito, fala para ele que meu amor era sincero e puro”, escreveu.

CARGOS –  A partir da união com Bolsonaro, a mãe de Jair Renan ganhou sucessivos cargos em gabinetes. Logo no início da relação, foi assessora no gabinete da liderança do PPB, partido do deputado na época.

A fim de pegar embalo na força do ex-marido como figura nacionalizada, Ana Cristina chegou a tentar uma vaga de deputada federal no Rio em 2018 pelo Podemos. Usou o nome de urna “Cristina Bolsonaro”, o mesmo que adotou quatro anos depois, filiada ao PP, para tentar virar deputada distrital no DF.

CARONA NO NOME – Michelle nunca gostou da tentativa dela de pegar carona no nome, e Cristina não conseguiu se eleger em nenhuma das eleições. Em 2022, a irritação da ex-primeira-dama tinha motivo adicional: um irmão dela também buscou, sem sucesso, uma vaga de deputado distrital.

Quem tem ansiado retornar a cargos eletivos é Rogéria. Em 2020, concorreu à mesma Câmara do Rio em que atuou no passado. Dessa vez, o movimento se deu em comum acordo com o filho Carlos e o ex-marido, mas Bolsonaro não se engajou na campanha. Acabou com exíguos 2 mil votos.

Para este ano, Rogéria foi escolhida como suplente do pré-candidato ao Senado pelo Rio Márcio Canella (União), que vê a candidatura em xeque por ter sido preso em flagrante com posse ilegal de fuzil. Alguns aliados, como noticiou a colunista Bela Megale, sugerem que Flávio deveria escolher a mãe para preencher outra vaga: a de candidata ao Senado do PL, que está sem postulante depois da desistência de Cláudio Castro.

Disputa pulverizada ameaça plano bolsonarista de conquistar o Senado

Empresa de Deltan Dallagnol recebeu R$ 382 mil do fundo partidário do Novo em 2025

Michelle descarta possibilidade de ser vice de Zema e aumenta suspense sobre candidatura

Restrições de Moraes preocupam campanha de Flávio às vésperas das convenções

Flávio Bolsonaro convoca a esposa para enfrentar a crise com o eleitorado feminino

Defesa de Lulinha pressiona PF para encerrar a investigação do caso INSS

Brasil reforça apoio a exportadores para evitar escalada da crise com os EUA

Governo dimensiona perdas dos setores atingidos

Pedro do Coutto

A escalada da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos impôs ao governo Lula da Silva um desafio que vai muito além da política externa. Ao mesmo tempo em que precisa responder aos efeitos econômicos do novo tarifaço norte-americano, o Planalto procura evitar uma reação que possa aprofundar as tensões com Washington e comprometer ainda mais as exportações brasileiras.

Nesse contexto, o governo intensificou uma rodada de conversas com os setores mais atingidos pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O objetivo é dimensionar as perdas efetivas de cada segmento e calcular o volume de recursos necessários para reforçar o programa Brasil Soberano, criado justamente para oferecer apoio financeiro e preservar a competitividade das empresas exportadoras afetadas pelas restrições comerciais.

ORÇAMENTO – Até o momento, o programa conta com orçamento de aproximadamente R$ 21 bilhões. A tendência, segundo integrantes do governo, é que esse montante seja ampliado caso os levantamentos indiquem impactos superiores aos inicialmente projetados. A prioridade é direcionar os recursos para empresas mais expostas ao mercado norte-americano, preservando empregos, capacidade produtiva e fluxo de exportações.

A estratégia, entretanto, revela um aspecto importante da condução política do governo: a preferência por uma resposta econômica, e não por uma escalada diplomática. Embora o Brasil tenha aprovado instrumentos legais que permitem medidas de reciprocidade comercial, o presidente Lula tem tratado com cautela a possibilidade de retaliar diretamente os Estados Unidos.

NOVAS SANÇÕES – No entendimento do Palácio do Planalto, uma resposta equivalente poderia provocar uma nova rodada de sanções por parte do governo norte-americano, ampliando as perdas para setores estratégicos da economia brasileira.

Essa avaliação é compartilhada por integrantes da equipe econômica e diplomática. A leitura predominante é que, diante da atual disposição da administração norte-americana, uma retaliação dificilmente encerraria o conflito. Ao contrário, poderia alimentar uma dinâmica de sucessivas respostas comerciais, aumentando a insegurança para empresas e investidores.

Há ainda outro componente que pesa nas decisões do governo brasileiro: o calendário político. Nos bastidores de Brasília cresce a percepção de que uma negociação de maior alcance entre os dois governos dificilmente avançará antes das eleições presidenciais brasileiras. A avaliação é que tanto Brasília quanto Washington tendem a evitar concessões relevantes durante um período marcado pela disputa política e pelo elevado custo eleitoral de eventuais recuos.

IMPACTOS INTERNOS – Na prática, isso significa que o governo trabalha com um horizonte de convivência prolongada com as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Em vez de apostar exclusivamente na reversão das tarifas por meio da negociação diplomática, o Executivo concentra esforços em reduzir os impactos internos, fortalecendo instrumentos de crédito, apoio financeiro e preservação da capacidade exportadora.

Essa postura também reflete uma mudança de enfoque na política econômica. Em cenários de maior instabilidade internacional, programas de apoio ao setor produtivo deixam de funcionar apenas como medidas emergenciais e passam a integrar uma estratégia de proteção da atividade econômica. O desafio consiste em evitar que empresas competitivas percam mercados externos em razão de fatores geopolíticos sobre os quais possuem pouca influência.

DIÁLOGO – Ao mesmo tempo, o governo busca preservar canais institucionais de diálogo com os Estados Unidos, ainda que reconheça as limitações atuais dessas negociações. A aposta é que manter aberta a interlocução diplomática poderá facilitar uma futura recomposição das relações comerciais quando o ambiente político se mostrar mais favorável.

Entre ampliar o apoio aos exportadores e evitar uma escalada de retaliações, o governo Lula procura construir uma resposta pragmática. A prioridade, neste momento, parece ser reduzir os danos econômicos imediatos sem transformar uma disputa comercial em uma crise diplomática ainda mais profunda. Enquanto as negociações permanecem praticamente congeladas, o fortalecimento do Brasil Soberano surge como o principal instrumento para amortecer os efeitos de um conflito que, ao que tudo indica, continuará influenciando a economia brasileira até que o cenário político permita uma reaproximação entre os dois países.

Foro privilegiado: só uma em cada 19 ações penais no STF resulta em condenação

Sucessão de crises está desmontando a estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro

Há ministros do Supremo que têm aquela tranquilidade dos grandes criminosos

Tribuna da Internet | Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de todo os tempos

Charge do Zappa (Humortadela)

Carlos Newton

É uma vergonha não somente para a Suprema Corte brasileira, mas para o próprio país. Pela primeira vez na História, o mais importante tribunal brasileiro está sendo presidido por um ministro  investigado formalmente por envolvimento com um dos maiores agentes de corrupção que já surgiram aqui do lado de baixo de Equador.

Para o ministro Alexandre de Moraes, que no dia 17 assumiu a presidência do STF para ficar até o final do recesso, o fato de estar sob investigação da Polícia Federal não significa nada, pois ele se comporta como se tivesse certeza de que sua ligação ao banqueiro Daniel Vorcaro não o atinge, de forma alguma.

MILHÕES DE MOTIVOS – Como costuma dizer o jornalista Mario Sabino, o ministro Moraes tem 129 milhões de motivos para estar preocupado, porque existem provas robustas não apenas de seu envolvimento com o corruptor Daniel Vorcaro, como também de que sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, também foi cooptada em grande estilo pelo banqueiro.

Em meio a esse tremendo imbróglio do Banco Master, que vem destruindo reputações nos Três Poderes da República, é impressionante o sangue frio do novo presidente do Supremo. Ele se comporta como se nada pudesse lhe acontecer, apesar das sucessivas conversas dele com Vorcaro no dia que o Banco Master sofreu intervenção extrajudicial, as quais terminam com a aquela reveladora pergunta do banqueiro: “Bloqueou?”.

CALMA APARENTE – Segundo o jornalista Carlos Andreazza, do Estadão, essa aparente tranquilidade de Moraes se deve ao fato de que a Polícia Federal não está avançando as investigações sobre ele, a mulher e o outro ministro envolvido, Dias Toffoli, dublê de empresário no ramo do turismo..

É inaceitável, mas absolutamente possível que a PF esteja tentando colocar uma pedra sobre essas apurações, que deveriam ser consideradas as mais importantes. Afinal, o que falta acontecer à Justiça brasileira?

Segundo o analista do Estadão, o ministro Gilmar Mendes estaria por trás dessa manobra, ao impor que “o garantismo seletivo produzisse o fechamento do ‘Estreito de Ormuz’ por meio do qual altas autoridades seriam investigadas”.

ACOBERTAMENTO – Para fortalecer sua denúncia, Carlos Andreazza lembra que Gilmar Mendes foi quem impediu que fosse quebrado o sigilo fiscal e administrativo do luxuoso hotel-cassino que o neomilionário ministro Dias Toffoli mandou construir no Paraná.

Gilmar tentou proteger o amigo Toffoli, que realmente saiu do foco dos jornalistas, mas o assunto não está sepultado. Muito pelo contrário, e a denúncia de Carlos Andreazza tem tamanha gravidade que o Estadão, cumprindo seu dever jornalístico, desde o último dia 3 está deixando em destaque no portal da internet essas afirmações do jornalista,

É exatamente o contrário do que faz hoje O Globo, que tenta boicotar e esconder o trabalho de seus melhores colunistas, como Malu Gaspar, Lauro Jardim, Bela Megale, Bernardo Mello Franco, Merval Pereira e outros, que têm criticado duramente o acobertamento de autoridades dos Três Poderes que se envolveram com o corruptíssimo Vorcaro.

###
P.S. –
Essa tremenda bagunça institucional me lembra um grande amigo, Fernando Aguinaga, o aristocrata que ensinou boas maneiras ao jornalista Ibrahim Sued para que ele pudesse frequentar a alta sociedade. Aguinaga, que Ibrahim chamava de “barão”, costumava dizer que no Brasil “certas autoridades enriquecidas ilicitamente têm a tranquilidade dos grandes criminosos e não ligam para investigações”. É justamente o que está acontecendo com Alexandre de Moraes, que se julga acima do bem e do mal. Mas acontece que existe também um ministro chamado André Mendonça, que é relator do processo e parece ser à prova de conluios. (C.N.)

Tebet diz que Michelle sofre com a ideologia de extrema direita que representa

Flávio tem personalidade multifacetada e poderá exigir tratamento psiquiátrico

Charge do JCaesar: 14 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar: VEJA

Vicente Limongi Netto

Valdemar Costa Neto, o chefão do PL e do cofre da legenda, anda tenso e preocupado com reações bruscas do candidato Flávio Bolsonaro. No começo da campanha, o comando do PL era só alegrias.  No cenário eleitoral, apenas bons aromas. Vasos com flores alegravam o ambiente do rico partido. 

Hoje, o enxofre, detergentes e água sanitária não estão dando conta. O mal cheiro persiste. Sal grosso não resolve. 

SÁBIO CONSELHO – Valdemar foi aconselhado por outras raposas felpudas a criar um conselho de psicólogos, psiquiatras, sociólogos, geriatras e pais de santo, para ver o que há com o humor e o estado de espírito do filho 01 do golpista.

Dinheiro para Valdemar não é problema. Se for o caso, com o conselho de notáveis fracassando ao dar assessoria ao dono do PL, ele poderá achar necessário recorrer a cientistas internacionais.

O destemperado e grosseiro Donald Trump então poderá indicar os médicos dele, aos quais recorre quando tem frequentes acessos de loucura e quer descontar no resto do mundo. 

CULPA DE TRUMP – Há quem sustente que parte do atual quadro de melancolia de Flávio Bolsonaro é culpa do padrinho dele, Trump, por agravar mais ainda as taxações de produtos brasileiros, além de mandar uma ratazana da equipe de sabujos dele, Marco Rubio, jogar as patas no Brasil e em Lula. 

 O conselho de especialistas deve  antever que terá problemas para colocar Flávio na ponta dos cascos, para ver se recupera o tempo eleitoral perdido, já que o filho 01 que caiu no colo de Valdemar Costa Neto, tem mostrado aos brasileiros diversas personalidades.

Uma hora é Flávio Rachadinha. Na hora do almoço é Flávio Chocolate, no lanche da tarde é Flávio Vorcaro, à noite prefere ser o Flávio Sicário. De madrugada tem pesadelos com Flávio Milicianos. Quando bota os pés no Senado, onde é um completo inútil, é o Flávio moleque de recado de Trump. Assim, fica difícil para o eleitor bolsonarista decidir em qual Flávio vai votar. Ou, então, vai desistir de ser besta e de votar errado.