À frente do TSE, Nunes Marques enfrenta pressões de Lula, do STF e do bolsonarismo

Lula pode jogar parado, porque o maior rival de Flávio Bolsonaro é ele mesmo

PRI-2307-ENTRELINHAS - (crédito: maurenilson)

Charge do Maurenilson (Correio Braziliense)

Luiz Carlos Azevedo
Correio Braziliense

“Jamais interrompa o seu adversário quando ele estiver cometendo um erro.” A máxima atribuída a Napoleão Bonaparte, inspirada em suas reflexões sobre O príncipe, de Nicolau Maquiavel, parece ter sido escrita sob medida para Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.

O petista enfrenta dificuldades na economia, elevada rejeição e desgastes naturais do longo exercício do poder, porém seu principal adversário insiste em criar problemas para a própria candidatura.

TIROS NO PÉ – Em vez de explorar as fragilidades do governo, Flávio oferece a Lula oportunidades para recuperar a iniciativa política, mobilizar a esquerda e conquistar eleitores moderados. A lista de erros é extensa.

Flávio se envolveu com Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo do Banco Master; entrou em conflito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se queixa do tratamento recebido do enteado e se afastou da campanha; apostou que o tarifaço de Donald Trump contra as exportações brasileiras seria atribuído a Lula, mas a medida acabou despertando um sentimento de defesa dos interesses nacionais.

Agora, retoma as suspeitas infundadas contra as urnas eletrônicas, repetindo a estratégia que contribuiu para tornar seu pai inelegível e que esteve no centro da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.

ESTRATÉGIA ERRADA – Nenhum desses episódios, isoladamente, liquidaria uma candidatura competitiva. Somados, no entanto, revelam um problema de estratégia, comando e temperamento.

Flávio parece incapaz de perceber que uma eleição presidencial não se ganha apenas consolidando a base bolsonarista. Para derrotar Lula, precisa conquistar uma parcela do eleitorado de centro, reduzir sua rejeição e transmitir segurança às forças econômicas e partidárias que não desejam a continuidade do PT, mas também não querem uma nova crise institucional.

Ao radicalizar o discurso, aproximar-se de personagens controversos e abandonar aliados quando enfrentam dificuldades, o candidato do PL faz exatamente o contrário.

MAIOR EXEMPLO – O caso das urnas é exemplar. Diante de representantes de dezenas de países, Flávio poderia ter apresentado um programa econômico, defendido a abertura de mercados, discutido investimentos e demonstrado capacidade de representar o Brasil no exterior.

Preferiu ressuscitar uma acusação falsa sobre a participação da empresa venezuelana Smartmatic no sistema de votação brasileiro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta, carimbou a declaração como fake news. Esclareceu que a Smartmatic não fornece urnas nem programas utilizados no Brasil e que o sistema é concebido e administrado pela própria Justiça Eleitoral.

 O candidato a presidente do PSD, Ronaldo Caiado, de olho numa vaga de segundo turno das eleições, resumiu a patacoada: “42 embaixadores numa sala: dava para vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!”.

ERRO REPETIDO – Flávio reproduziu o comportamento que levou Jair Bolsonaro à condenação pelo TSE após a reunião com embaixadores de julho de 2022. Mesmo integrantes do bolsonarismo passaram a admitir, reservadamente, que o senador repete o erro do pai.

A fala pode entusiasmar os eleitores mais fiéis, mas não acrescenta um único voto ao campo da direita. Ao contrário, devolve a Lula a bandeira da defesa da democracia, reabre a memória do 8 de Janeiro e ajuda o PT a enquadrar o adversário como representante de uma ameaça institucional.

APOIO DE TRUMP – Flávio também calculou mal os efeitos da política de Donald Trump para o Brasil. Sua aproximação com o presidente norte-americano poderia ser apresentada como um ativo diplomático, desde que servisse para defender empresas, empregos e exportações brasileiras.

Entretanto, sua tentativa de responsabilizar Lula pelas tarifas não convenceu a maioria. A associação com Trump, que deveria fortalecê-lo, passou a alimentar a narrativa governista da defesa da soberania nacional.

O escândalo do Banco Master produziu estragos ainda maiores porque atingiu o discurso antissistema do candidato. Flávio reconheceu ter procurado Vorcaro para obter financiamento privado destinado a um filme sobre Jair Bolsonaro e admitiu que voltou a se encontrar com o banqueiro depois de sua primeira prisão.

QUESTÃO MORAL – O senador nega qualquer ilegalidade, mas as mensagens e gravações divulgadas mostraram pedidos milionários. Politicamente, a proximidade com um banqueiro situado no centro de uma investigação bilionária enfraquece o discurso moralizador do bolsonarismo e dá munição ao PT.

Esse episódio também deteriorou a relação com Ciro Nogueira, presidente do PP e antigo ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Quando Ciro foi atingido por uma operação relacionada às investigações do Master, dirigentes do Progressistas esperavam uma manifestação de solidariedade de Flávio. Ela não veio. O silêncio foi interpretado como abandono.

Nesta quarta-feira, Ciro comunicou a Flávio Bolsonaro, pessoalmente, que a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, pretende ficar neutra na eleição presidencial no primeiro turno. Além da insatisfação com o comportamento de Flávio, pesaram os interesses regionais e o receio de novas revelações sobre suas relações com Vorcaro. Os dois partidos não estão dispostos a amarrar seu destino a Flávio.

Conluio entre governo Lula e Supremo é grave ameaça à democracia no país

Brilhante frase do filósofo Jean-Jacques Rousseau. 👏👏 Marque seus amigos abaixo.Carlos Newton

A mais famosa, verdadeira e incontestável reflexão de Winston Churchill foi feita no pós-guerra, em 11 de novembro de 1947, ao discursar como líder da oposição na Câmara dos Comuns. Disse ele: “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”. 

Aqui no Brasil, a partir da proclamação da República, vivemos uma democracia atípica e vilipendiada, . Sujeita a chuvas e trovoadas, tem resistido bem desde o fim do regime militar em 1985, mas sempre está correndo riscos, em eventuais episódios.

GOLPE FRACASSADO – No governo passado, a democracia escapou por pouco e foi salva na chamada undécima hora, quando o Alto Comando do Exército não aceitou participar do golpe, e ponto final.

O ataque à democracia foi realmente planejado, mas não chegou a ocorrer, apesar de cerca de 1,6 mil brasileiros terem sido condenados por tentativa de golpe de estado e outros quatro crimes.

Esses julgamentos foram absolutamente inconstitucionais. O presidente Bolsonaro deveria ter sido julgado e condenado por crimes de responsabilidade, na forma da Constituição, e os oficiais das Forças Armadas envolvidos teriam de responder perante a Justiça Militar. Mas isso não aconteceu, porque houve conluio de Poderes da República – no caso, entre o governo Lula e o Supremo, o que caracteriza um outro tipo de golpe de estado.

GRANDE AMEAÇA – É preciso entender que qualquer aliança espúria entre Poderes é uma ameaça direta à democracia. Desde o início do governo Lula, esse conluio entre governo e STF vem se consolidando de uma forma abusiva, e agora atinge seu clímax.  

Assinados às vésperas das eleições, os decretos de Lula que alteram as regras para plataformas digitais representam a própria negação da democracia. Ao criar essas normas, o governo ignorou a existência do Congresso, por saber que pode contar com o apoio irrestrito do Supremo.

Os decretos ditatoriais do presidente Lula simplesmente alteram a regulamentação do Marco Civil da Internet, determinando que as redes sociais retirem conteúdos nocivos sem precisar de ordem judicial. A inconstitucionalidade é óbvia, porque nenhuma lei poder ser alterada por decreto.

OUTRAS INSANIDADES – Os inusitados decretos obrigam as plataformas a remover conteúdos ilícitos e anúncios de produtos ilegais ao serem notificadas, além de proibir a inteligência artificial na criação de “falsos nudes”.

Mas quem vai decidir se o conteúdo é “ilícito” não é a Justiça, e sim a tal Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que assumiu o papel de órgão regulador, com poderes para aplicar advertências e multas caso as gigantes da tecnologia não cumpram as diretrizes. É mais uma clara inconstitucionalidade, que tira os poderes do Judiciário.

O Supremo poderia resolver rapidamente esse problema, pois a raiz da ilegalidade dos decretos são o fato de se referirem também a crimes que já estão tipificados na legislação. No entanto, o STF vai acolher as novas regras não somente devido ao conluio com o governo Lula, mas também porque expandem os poderes do próprio STF.

COINCIDÊNCIA – Além de os decretos terem sido baixados em pleno recesso parlamentar, tudo isso ocorre exatamente quando o ministro Alexandre de Moraes está indo a julgamento nos Estados Unidos, por ter determinado exigências a serem cumpridas pela Justiça americana e também por estabelecer censura prévia e restrições à liberdade de expressão.

Essas medidas de Moraes são consideradas infrações diretas à famosa Primeira Emenda à Constituição dos EUA, a monumental norma jurídica que criou as bases da democracia no mundo.

Por tudo isso, é possível dizer, sem medo de errar, que o conluio entre o governo Lula e o Supremo representa grave ameaça à democracia brasileira, bem mais perigosa do que o golpe de Bolsonaro, que foi do tipo Viúva Porcina, rotulada pelo dramaturgo Dias Gomes como “aquela que foi sem ter sido”.

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P.S. –
A democracia é uma dádiva. Temos de preservá-la a todo custo. Por isso, é preciso escorraçar do poder qualquer político que a ameace, como Bolsonaro e Lula, pois o desprezo deles à democracia é mais do que evidente. (C.N.)

Campanha de Flávio aciona TSE contra uma suposta rede de perfis falsos

Flávio Bolsonaro pede desculpas a Michelle e tenta encerrar crise antes da campanha

Flávio apela por apoio à sua candidatura

Luísa Marzullo
Letícia Pille
O Globo

Em um gesto aguardado por aliados do PL para tentar encerrar a crise com Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quinta-feira um vídeo em que pede desculpas publicamente à ex-primeira-dama, elogia sua atuação política e faz um apelo para que ela participe da campanha presidencial. A gravação ocorre após semanas de desgaste entre os dois, marcadas por críticas públicas e divergências sobre os rumos da candidatura.

“O momento é difícil para todo mundo. Ninguém é perfeito. Eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto”, afirmou. Nos bastidores, aliados da ex-primeira-dama afirmavam que Michelle só voltaria a se engajar efetivamente na candidatura após um gesto público de Flávio reconhecendo sua importância e pedindo desculpas pelos episódios recentes. A expectativa agora é que os dois apareçam juntos na convenção do PL no Distrito Federal.

UNIÃO – No vídeo, Flávio afirma que o momento exige união do campo conservador e diz que “o nosso Brasil não aguenta mais quatro anos de PT” e que “alguém que já teve três mandatos para fazer alguma coisa e não fez não merece um quarto, porque é óbvio que não vai fazer de novo”. “Mas, para a gente libertar o Brasil e levar prosperidade para a nossa nação, é preciso que todos entrem em campo e me ajudem”, disse.

Em seguida, o senador dirige-se diretamente à ex-primeira-dama e faz um reconhecimento público de sua atuação política, um gesto considerado essencial por aliados para viabilizar uma reaproximação. “Então eu quero, mais uma vez, me dirigir à Michelle. Todos nós reconhecemos o grande trabalho que ela fez no PL Mulher. Percorreu o Brasil inteiro por uma causa, inspirando milhares de mulheres a ingressarem na vida pública”, destacou.

ELOGIO – Flávio também elogia a atuação de Michelle em outras áreas e destaca o papel desempenhado por ela desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar: “E também o seu trabalho para ajudar pessoas com doenças raras e os surdos. Com a covardia que fizeram com meu pai, ela tem a responsabilidade de cuidar dele no dia a dia. Todo mundo sabe que, até hoje, até nós, os filhos, estamos proibidos de ver o próprio pai, o que aumenta ainda mais a importância dela. Ela precisa ser reconhecida e respeitada também por isso”.

Ao justificar o pedido de desculpas, o senador afirma que os conflitos internos acabaram sendo explorados pelos adversários e nega ter pretendido desrespeitar a ex-primeira-dama. “Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai. Também faço um pedido à militância: para a gente olhar para frente nesse momento, focar no objetivo principal, que é resgatar o nosso Brasil”, finalizou.

Sem União e sem PP, Flávio terá 20% menos tempo na televisão que Lula

Lula terá um minuto a mais do que Flávio no horário eleitoral

Raphael Di Cunto
Folha

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá 20% a menos de propaganda eleitoral na TV e rádio do que o presidente Lula (PT) se continuar isolado, após o caso “Dark Horse” afastar o apoio de União Brasil e PP à sua pré-candidatura presidencial. Ele busca reverter isso com uma aliança com o Republicanos, o que lhe daria uma leve vantagem sobre a campanha petista.

Nesta eleição, apenas quatro candidatos à Presidência terão direito a propaganda na TV e rádio: Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Os demais, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não contam com apoio de partidos que superaram a cláusula de desempenho e por isso ficarão de fora do horário eleitoral.

RELEVÂNCIA – Embora as redes sociais tenham ganhado papel central nas eleições, a propaganda na televisão e rádio ainda é vista como relevante pelas campanhas majoritárias. A publicidade na TV aberta atinge principalmente o público de até dois salários mínimos, única faixa de renda do eleitorado em que Lula vence Flávio (53% a 38% no segundo turno, de acordo com o Datafolha de 17 e 18 de junho).

Já no rádio, a propaganda chega mais ao eleitor do interior ou que está em deslocamento de carro nas grandes cidades. As inserções de 30 ou 60 segundos ao longo da programação são consideradas mais eficientes do que os blocos de propaganda eleitoral, que são mais longos e têm menor audiência, por permitir reforçar os pontos fortes dos candidatos e apontar problemas de adversários.

VANTAGEM – Lula está atualmente em vantagem em relação a propaganda na TV e rádio por ter conseguido unificar os maiores partidos de esquerda em torno da sua candidatura, mesmo sem conquistar o apoio de partidos de centro ou centro-direita. Ele deve disputar a reeleição numa aliança com as federações de PT/PV/PCdoB e do PSOL/Rede, além de PDT e PSB.

Com isso, num cenário em que Flávio continue isolado e com apoio apenas do PL, o petista terá um minuto a mais por dia nos blocos de 12min30s do horário eleitoral. Lula contará com 5min32s de cada programa, enquanto o candidato do PL terá 4min20s. Caiado vai dispor de 2min2s e Cury, de 36 segundos.

Já num cenário em que Flávio consiga o apoio do Republicanos, o senador do PL passará a ter leve vantagem sobre o petista: 5min16s a 4min51s. Caiado terá 1min49s e Cury, 34s.

NEUTRALIDADE – O pré-candidato do PL atua pelo apoio do Republicanos, embora o partido indique que prefere ficar neutro na disputa presidencial. Negociações em quatro estados, no entanto, podem mudar esse cenário, junto com a oferta da vice-presidência na chapa.

O PL avançou em tratativas para apoiar os candidatos do Republicanos ao governo do Espírito Santo e aguarda só a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre concorrer ao governo para anunciar uma aliança em Minas Gerais.

Por outro lado, segue indefinido no Acre, entre o apoio a governadora Mailza Assis (PP) ou o senador Alan Rick (Republicanos), e enfrentará o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) no Mato Grosso, com a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL).

VICE NA CHAPA – Outra tratativa é que o Republicanos poderia ficar com a vice na chapa –o nome de preferência de Flávio é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. Ela, contudo, é recém-filiada ao partido e não seria o nome favorito da legenda.

Apesar dessas tratativas, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, tem afirmado que a tendência hoje é o partido ficar neutro nas eleições presidenciais. Ele está consultando os diretórios estaduais para decidir até o fim do prazo, 5 de agosto.

O dirigente da sigla afirmou no domingo (12), em nota, que uma pesquisa encomendada pelo partido “detectou um sentimento de frustração à pré-candidatura de Flávio e uma indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições”.

DARK HORSE  – Dirigentes do Republicanos dizem que a sigla tinha posição mais favorável a Flávio, mas que o cenário mudou quando foi revelado em maio que ele pediu dinheiro ao Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os recursos, segundo Flávio, seriam para custear o filme Dark Horse (“azarão”), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Isso fez com que ele caísse nas pesquisas e também afastou o apoio de outros dois partidos do centrão, o PP e o União Brasil, que até então eram a prioridade para a candidatura. Se conseguisse uma coligação que unisse o PL com as três siglas, Flávio teria 6min50s de propaganda por bloco, quase o dobro do tempo de Lula, com 3min43s.

CÁLCULO – A conta é feita com base no tamanho das coligações de cada candidato e nas bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados na última eleição (2022). No cálculo, 10% do tempo é dividido igualmente entre os presidenciáveis que têm apoio de pelo menos um partido que superou a cláusula de desempenho, e os outros 90% são repartidos de acordo com o número de deputados eleitos pelas siglas que compõem a chapa do candidato.

O volume de inserções no meio da programação é proporcional ao tempo de propaganda em cada bloco do horário eleitoral. No segundo turno, os dois candidatos que continuarem dividem o tempo em 50% para cada, independentemente do tamanho de suas coligações.

Com Centrão distante, Valdemar admite dificuldade para Flávio Bolsonaro encontrar vice

Valdemar rejeita chapa pura para Flávio

Lauriberto Pompeu
Luísa Marzullo
O Globo

Após a federação União-PP indicar que deve adotar uma posição de neutralidade na eleição presidencial, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira que o partido não pode lançar uma chapa pura na disputa pelo Palácio do Planalto.

Em entrevista ao O Globo, o dirigente defendeu a escolha de um vice de outra legenda, embora o cenário seja cada vez mais difícil para Flávio Bolsonaro atrair aliados. Até o momento, entre os grandes partidos do Centrão, apenas o Republicanos não fechou as portas. “Difícil (achar um vice), mas vamos descobrir”, disse o presidente do PL.

FAVORITISMO – O dirigente voltou a apontar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como sua opção preferida, apesar da recusa da ex-ministra da Agricultura e também de seu partido de embarcar no projeto. Valdemar também admitiu que a resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à candidatura do enteado prejudica a pré-campanha.

“Eu acho (que a Michelle vai ser candidata). Estou torcendo. Michelle tem tudo para ser eleita senadora. Quando ela falou que não queria ser candidata atrapalhou um pouco. Mas eu não tenho dúvida, não (de que vai ser candidata)”, disse o presidente do PL: “Eu estive com ela na semana passada. Ela está disposta, mas quer que o Flávio faça alguma coisa, que se manifeste”.

RECONCILIAÇÃO – Valdemar disse não acreditar que Michelle participe da convenção nacional do PL, embora considere a reconciliação entre os dois “importantíssima” para a disputa. “Queria que ela fosse à convenção, mas tudo bem. Precisa ver isso. É difícil”, disse.

O presidente do PL ainda descartou a possibilidade de substituir Flávio caso surjam novos desgastes, minimizou o impacto do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que Jair Bolsonaro ajudaria o partido a eleger “uns oito senadores a mais” caso pudesse participar da campanha e defendeu sua atuação na discussão sobre a destinação de emendas parlamentares.

Sobre relatos de que Flávio concentra as decisões de sua campanha em um círculo restrito e de que haveria uma disputa entre o presidente do PL e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, Valdemar reconheceu as dificuldades do parlamentar em fazer as articulações políticas

CRÍTICAS A KASSAB – Alvo de investigações da Polícia Federal e de uma decisão do Supremo Tribunal Federal que bloqueou seus recursos em até 119 milhões por uso indevido de emendas, Valdemar negou irregularidades e criticou o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Questionado pelo Supremo após uma fala de Valdemar em que ele diz que todos os presidentes de partidos acompanham a negociação de emendas, a defesa de Kassab disse que ele não participa da articulação dos recursos. “Ele mentiu para caramba na resposta. É um desqualificado. Ele era ministro da Dilma. Na véspera do impeachment, pediu demissão, e todo o PSD votou a favor do impeachment. No dia seguinte, virou ministro de Temer. Kassab é frouxo”, afirmou.

Valdemar também respondeu às críticas do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e que tem chamado o presidente do PL de “Gagádelmar”. Segundo ele, Figueiredo é “um doido varrido” e “não tem voto”.

Na briga entre Alessandro Vieira e Gilmar Mendes, quem sai perdendo é o país

PGR aponta uso eleitoreiro de CPI em caso envolvendo Gilmar

PGR aponta uso eleitoreiro de CPI em caso envolvendo Gilmar

Vicente Limongi Netto

Homens públicos por vezes são levados pela emoção, causando feridas em sentimentos alheios. Esquecem que palavras moderadas ainda são os melhores caminhos para definir posições e defender pontos de vista.

Faço essas ponderações, do alto do meus quase 82 anos, para o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para que reflita melhor, com as altas virtudes que tem, de magistrado culto e respeitado, para que alivie a ira e o processo contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

VIDA PÚBLICA – Gilmar e Alessandro são calejados. A vida pública precisa do fulgor democrático de ambos. Não conheço Alessandro de vista nem de chapéu, diria Machado de Assis. Sei, porém, que é parlamentar de elevado espírito público. Jovem membro do MDB. Respeitado pelos colegas. Foi delegado civil em Sergipe. Chegou a delegado-geral da instituição.

Gilmar Mendes está processando o senador por ter pedido seu indiciamento no relatório final da CPI do Crime Organizado. O ministro acusou Vieira de abuso de poder.

A CPI não aceitou indiciar o ministro, que então processou o parlamentar por abuso de poder. A Procuradoria-Geral da República concluiu que houve desvio de finalidade e enviou o caso à Justiça Eleitoral, o que pode tornar o senador inelegível. E Alessandro ameaça processar o ministro do STF.

Gilmar precisa lembrar que, neste mundo confuso de Deus, todos nós temos acessos de destrambelhos na alma. Quem jamais teve, que atire a primeira pedra.

TEREZA CRISTINA – Que fique claro para aqueles que preferem alimentar rumores em vez de se ater aos fatos, jamais passou pela cabeça da senadora Tereza Cristina integrar uma chapa como candidata a vice de Flávio Bolsonaro. Tereza Cristina foi uma excelente ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, reconhecimento que lhe conferiu projeção nacional. Mas, como ensinava Magalhães Pinto, “a política é como as nuvens: muda de forma e de posição conforme as circunstâncias”.

Com independência de pensamento, Tereza Cristina sempre tomou suas decisões de acordo com suas próprias convicções. Discreta, acompanha os embates da política com serenidade, senso de responsabilidade e preocupação com os rumos do país.

Em meio às disputas e especulações, é importante lembrar que o interesse público deve prevalecer. Infelizmente, há quem pareça mais preocupado com projetos pessoais do que com os interesses coletivos da sociedade.

 

Guerra no clã Bolsonaro cria uma “tropa de chihuahuas” contra Michelle

EUA respondem a Lula sobre Rubio e dizem defender liberdade de expressão no Brasil

Flávio oficializará candidatura sem definir vice em meio a impasse no PL

Mendonça autoriza investigação sobre R$ 61 milhões destinados a filme sobre Bolsonaro

Patativa do Assaré mandou um recado aos poetas mais cultos e preparados

Cajuina São Geraldo | Hoje celebramos a vida e a história de Patativa do  Assaré, um dos maiores nomes da poesia popular nordestina. Nascido em 1909,  no sítio... | InstagramPaulo Peres
Poemas & Canções

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no seu recado “Aos Poetas Clássicos”.

AOS POETAS CLÁSSICOS
Patativa do Assaré

Poetas niversitário,
Poetas de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá – O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
– Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Deste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lesma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

Redes sociais concentram debate político e ampliam pressão sobre Flávio

PT e aliados acionam TSE contra Flávio Bolsonaro por ataques às urnas

Federação pede multa e remoção de conteúdos

Catia Seabra
Mariana Brasil
Folha

A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, entrou com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra as informações falsas repassadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acerca das urnas eletrônicas na última terça-feira (21).

Na representação, as siglas pedem a remoção de conteúdos publicados por Flávio em suas redes, bem como aqueles postados por outros nomes da direita. A ação também mira os deputados Julia Zanatta (PL-SC) e Gustavo Gayer (PL-GO), além do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro.

DECLARAÇÕES – O pedido contra as publicações foi motivado pelas declarações de Flávio em evento com diplomatas, em que o senador afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, o que é falso.

Na representação, também está incluso um pedido para que as principais plataformas de redes sociais vinculadas à Meta, como Instagram, Facebook e X (antigo Twitter), adotem medidas para impedir a veiculação, compartilhamento ou impulsionamento de conteúdo que reitere a associação entre a empresa Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras, ou outras alegações do gênero.

As siglas também pedem que cada um dos envolvidos pague uma multa de R$30 mil por publicação. A acusação é de que Flávio e os demais parlamentares fazem um “movimento articulado de desinformação” contra a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro e a credibilidade da Justiça Eleitoral.

DESORDEM INFORMACIONAL – Ainda no pedido, as siglas dizem que não buscam, nesse primeiro momento, uma investigação quanto ao abuso de poder político e midiático por parte dos representados. A representação alega que os parlamentares têm potencial para provocar uma “desordem informacional” contra os mecanismos de eleição brasileira.

Na representação dos partidos, está listada uma série de publicações e redes sociais dos parlamentares em que eles endossam os ataques às urnas ou fazem a associação equivocada entre os equipamentos brasileiros e a Smartmatic.

No evento com diplomatas realizado na terça em Brasília, Flávio repetiu um episódio semelhante do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado no processo da trama golpista.

PRECEDENTE – Entre os precedentes apontados na ação, Federação cita o caso em que Bolsonaro se reuniu com embaixadores na residência oficial da Presidência, o Palácio da Alvorada, para apresentar acusações sem provas contra a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. “O paralelo com os fatos ora denunciados dispensa maiores esforços argumentativos, tamanha a sua evidência”, diz trecho da representação.

Diante da plateia estrangeira, o presidenciável afirmou que, segundo um relatório da CIA divulgado na semana passada, a Smartmatic estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. A agência de inteligência dos EUA diz que a ideia era alterar votos por meio da programação das urnas.

NOTA – Após o episódio, a Folha procurou a assessoria do senador, que afirmou que ele “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. Horas depois, a campanha divulgou outra nota, afirmando que “não é verdade” que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil e que ele se limitou a relatar fatos públicos, como o relatório da CIA.

“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro'”. A nota também diz que ele reafirma “sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.

PP decide ficar neutro e frustra tentativa de Flávio de atrair Centrão

Entre a reação e a prudência, o Brasil precisa defender seus interesses

Brasil evita uma retaliação imediata ao tarifaço

Pedro do Coutto

A decisão do governo brasileiro de não responder imediatamente às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos com uma retaliação equivalente é, antes de tudo, uma escolha de estratégia. Em um cenário de crescente tensão comercial, reagir por impulso pode produzir um efeito político imediato, mas não necessariamente protege os interesses econômicos do país.

O desafio de Brasília é mais complexo: enfrentar uma medida que atinge parte relevante das exportações brasileiras sem transformar uma disputa tarifária em uma guerra comercial capaz de ampliar ainda mais os prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.

PERSPECTIVA – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem insistido justamente nessa perspectiva. A nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos atinge uma série de produtos brasileiros, embora importantes setores tenham ficado de fora da medida.

Café, carne bovina e produtos aeronáuticos, por exemplo, estão entre as exportações preservadas das novas tarifas, enquanto segmentos como máquinas, móveis, calçados, açúcar, etanol e outros bens industriais enfrentam um cenário mais difícil de acesso ao mercado americano.  Segundo estimativas divulgadas pelo governo brasileiro, cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalentes a aproximadamente US$ 7 bilhões, podem ser afetadas.

A dimensão do problema, portanto, não pode ser minimizada. Uma tarifa de 25% representa um aumento significativo do custo de entrada dos produtos brasileiros no mercado americano. Em setores nos quais as margens já são estreitas e a concorrência internacional é intensa, o impacto pode ser suficiente para reduzir vendas, provocar desvio de comércio e obrigar empresas a buscar rapidamente novos mercados. A indústria de calçados, por exemplo, já revisou para baixo suas perspectivas de exportação diante das dificuldades impostas pelo novo cenário.

CAUTELA – É nesse ponto que a cautela defendida por Alckmin ganha relevância. O Brasil dispõe de mecanismos jurídicos e comerciais para reagir. A Lei da Reciprocidade Econômica foi criada justamente para permitir respostas a medidas consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. Mas ter um instrumento à disposição não significa que ele precise ser utilizado imediatamente ou da maneira mais contundente possível.

Uma retaliação automática poderia desencadear uma sequência de novas barreiras. Washington poderia responder com novas tarifas, o Brasil reagiria novamente e, em pouco tempo, empresas que nada têm a ver com a disputa política estariam pagando a conta. Em uma guerra comercial, governos anunciam medidas, mas são os produtores que enfrentam a perda de mercados e os consumidores que, em muitos casos, absorvem parte do aumento dos preços.

A experiência internacional mostra que tarifas raramente são uma solução simples. Elas podem proteger determinados setores em circunstâncias específicas, mas também elevam custos, alteram cadeias de fornecimento e criam incerteza para investimentos. O próprio governo brasileiro argumentou, durante as negociações, que medidas amplas contra produtos brasileiros poderiam gerar custos também para empresas e consumidores americanos, especialmente nos segmentos em que não existem substitutos nacionais competitivos em quantidade suficiente.

NEGOCIAÇÕES – Isso não significa, porém, que o Brasil deva aceitar passivamente a decisão americana. Prudência não é sinônimo de inação. O governo brasileiro tem mantido negociações com Washington e, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, foram realizadas mais de 30 reuniões entre as partes desde o início das investigações relacionadas à Seção 301. Brasília também contesta a justificativa das medidas e sustenta que elas não encontram respaldo suficiente nas regras multilaterais de comércio.

O caminho mais inteligente, portanto, parece estar entre dois extremos igualmente problemáticos: a submissão e a escalada. O Brasil precisa continuar negociando, mas sem abrir mão de seus interesses. Deve recorrer aos mecanismos da Organização Mundial do Comércio quando houver base jurídica para isso, preservar a possibilidade de aplicar medidas de reciprocidade e, ao mesmo tempo, ampliar sua estratégia de diversificação comercial.

Essa última frente talvez seja uma das lições mais importantes da crise. Quanto maior a dependência de um único mercado, maior a vulnerabilidade diante de decisões políticas tomadas fora do país. O Brasil tem uma pauta exportadora diversificada e relações comerciais relevantes com China, União Europeia, países da América Latina, Oriente Médio e outras regiões. A abertura de novos mercados não acontece de um dia para o outro, mas o episódio com os Estados Unidos reforça a necessidade de uma política comercial que não dependa excessivamente de qualquer parceiro individual.

CONTEXTO POLÍTICO – Há ainda uma dimensão política que não pode ser ignorada. O governo brasileiro avalia que as tarifas possuem componentes que ultrapassam a lógica estritamente econômica e estão inseridos em um contexto político mais amplo. A própria Agência Brasil registrou a avaliação de representantes brasileiros de que o tarifaço poderia estar relacionado ao ambiente eleitoral de 2026.

Ao mesmo tempo, autoridades americanas apresentaram justificativas ligadas a supostas práticas comerciais consideradas injustas por Washington. O fato é que a disputa combina comércio, política externa e interesses domésticos, tornando ainda mais delicada qualquer tentativa de resposta simplista.

Nesse ambiente, o Brasil precisa evitar dois erros. O primeiro seria transformar a negociação comercial em uma disputa de orgulho nacional, na qual a demonstração pública de força se sobrepusesse à defesa concreta dos interesses econômicos brasileiros. O segundo seria aceitar qualquer condição para evitar o conflito. Nenhuma dessas alternativas serve ao país.

INSTRUMENTOS DE RESPOSTA – A melhor política é aquela capaz de combinar firmeza e racionalidade. O governo deve negociar enquanto houver espaço para negociação, contestar juridicamente o que considerar abusivo e manter instrumentos de resposta preparados para o caso de as tratativas fracassarem. Ao mesmo tempo, precisa oferecer apoio aos setores atingidos, ajudar empresas a encontrar novos mercados e impedir que os efeitos das tarifas se transformem em desemprego e perda de competitividade.

A questão central não é, portanto, quem reage primeiro ou quem demonstra maior disposição para o confronto. A questão é quem consegue atravessar a crise preservando sua capacidade econômica e sua autonomia estratégica.

DIPLOMACIA –  A decisão de não retaliar imediatamente pode ser compreendida nessa perspectiva. Uma resposta precipitada talvez produzisse manchetes e satisfação política no curto prazo, mas poderia dificultar ainda mais a vida de exportadores brasileiros que dependem do mercado americano. A diplomacia econômica, nesse caso, exige paciência sem ingenuidade: conversar não significa concordar, assim como evitar uma retaliação imediata não significa abrir mão do direito de reagir.

O Brasil precisa deixar claro que deseja o diálogo, mas também que possui alternativas. A negociação será mais eficaz se vier acompanhada de capacidade de resposta, diversificação comercial e segurança jurídica. Em tempos de protecionismo crescente, a força de um país não está apenas no tamanho de suas tarifas de retaliação, mas na capacidade de proteger sua economia sem colocar seus próprios produtores no centro do fogo cruzado.

A prudência, nesse caso, não é fraqueza. É uma forma de estratégia. E, diante de uma disputa que pode se prolongar muito além de uma simples rodada de tarifas, talvez seja justamente a estratégia — e não a retaliação imediata — que melhor preserve os interesses brasileiros.

A irresponsabilidade fiscal não é só do Congresso, mas também do governo

Desprezado por possíveis aliados, Flávio Bolsonaro não consegue unir a direita

Homem de meia-idade com microfone de lapela gesticula durante discurso em fundo verde. Ele veste camiseta preta com mapa do Brasil e texto 'Brasil Sem Medo'.

Flávio Bolsonaro terá menos tempo na TV do que Lula

Hélio Schwartsman
Folha

Finda a Copa começam as eleições. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta problemas. Um forte indício disso é o tempo de TV. A menos que o PL consiga trazer o Republicanos para uma aliança, o Bolsonaro pequeno terá menos espaço no rádio e na TV do que Lula.

Flávio ficará com 4 minutos e 20 segundos por bloco de propaganda contra 5 minutos e 32 segundos do petista. Se Lula não foi capaz de forjar uma aliança que vá além da esquerda, Flávio não conseguiu nem unir a direita, que é majoritária no Congresso.

CAVALO CERTO – A dificuldade do PL para atrair outras legendas se deve a uma grande mudança na paisagem política. Até o início dos anos 2010, fazia grande diferença para um partido apostar no cavalo certo, isto é, no candidato presidencial que se sagraria vencedor.

Integrar a coalizão governista desde o início dava muito mais acesso a ministérios, cargos e verbas. O agigantamento das emendas parlamentares somado ao financiamento público de campanhas mudou o cálculo dos partidos, principalmente o daqueles sem marca ideológica muito saliente.

Para estes, o grande objetivo é fazer cadeiras na Câmara, que é o critério principal para ter acesso aos fundos partidários. E a melhor receita para isso é manter-se neutro para dar aos candidatos a deputado a maior liberdade possível para montar suas parcerias localmente.

QUARTOS SEPARADOS – No Nordeste, por exemplo, pode valer a pena, mesmo para uma candidatura conservadora, estar ao lado de Lula e não de Bolsonaro.

Não chega a ser um divórcio entre Executivo e Legislativo, mas eles passaram a dormir em quartos separados. É uma situação que aumenta os custos da governabilidade. Presidentes até conseguem apoio para seus projetos prioritários, mas precisam negociá-lo caso a caso e com sobretaxa.

Não penso que seja um arranjo muito sustentável, especialmente porque o Parlamento vai abocanhando cada vez mais verbas e comprimindo a parte do Orçamento disponível para investimentos. A exemplo do nó fiscal, é um problema que teremos de abordar mais ou menos logo.

Com apoio de Ciro Gomes e ACM Neto, aumentam as chances de Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado vai ampliar rede de proteção social e deve disputar Presidência em 2026 - Jornal Opção

Aos poucos, Caiado vai conseguindo apoio nos Estados

Carlos Newton

Duas novas pesquisas esquentam a campanha para a Presidência — o instituto AP Exata anunciou que o pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD) está obtendo forte crescimento nas redes sociais, e o Real Time Big Data diz que Caiado venceria Lula no segundo turno por 44% a 43%. E a campanha dele se fortalece também pelo apoio em dois Estados importantes do Nordeste, através de Ciro Gomes (PSDB), que concorre ao governo do Ceará, e de ACM Neto (União Brasil), que disputará o governo da Bahia.

Os dois pré-candidatos a governador se pronunciaram no sábado.  Em evento realizado em Feira de Santana, ACM Neto anunciou que já tem um posicionamento definido quanto à disputa pela Presidência, dizendo que na campanha estará ao lado do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

MELHOR CAMINHO – “Eu não tenho outro caminho que não reconhecer uma história de amizade, de parceria e de longa construção política com Ronaldo Caiado. Por isso, essa é a minha posição”, disse o ex-prefeito de Salvador.

Ao justificar a escolha, ACM Neto disse respeitar a posição de correligionários, que já se decidiram por Flávio Bolsonaro, do PL, mas prefere apoiar Caiado, que inclusive escolheu Salvador para lançar sua pré-candidatura, no início do ano.

Por sua vez, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, também afirmou que pensa em apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) para o cargo de presidente da República.

DISSE CIRO – Em entrevista a um portal de notícias, durante evento agropecuário Expocrato, em Cariri, Ciro disse que iria apoiar Aécio Neves por serem do mesmo partido. Porém, com a desistência de Neves, deve apoiar Caiado ou Renan, sem fazer qualquer menção à possibilidade de votar no senador Flávio Bolsonaro, do PL

“Eu, por exemplo, me dou muito bem com Ronaldo Caiado, votaria nele sem nenhuma dificuldade”, disse Ciro Gomes, que também elogiou Renan Santos, apesar de fazer reparos a alguns exageros dele.

Animado com a declaração de Ciro Gomes, o pré-candidato Caiado disse que vai procurá-lo nos próximos dias, para agradecer seu apoio e se comprometer a fazer campanha por ele no Ceará.

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P.S.
– Para se ter uma ideia do crescimento de Caiado nas redes sociais, a pesquisa da AP Exata comprovou que no domingo passado, dia 12, o pré-candidato do PSD tornou-se o segundo nome mais citado nas redes entre os presidenciáveis, com 26,2% do volume de menções, atrás apenas de Lula, com 34,3%, e à frente de Flávio, que registrou 25,6%. Na média dos cinco dias pesquisados, o grande destaque foi o crescimento do volume de menções a Caiado, que subiu de 2,85% para 15,57%, com aumento de 446,3%. Isso significa que Caiado pode se consolidar como o menos pior, porque eleger Lula ou Flávio é uma escolha verdadeiramente nauseante.  (C.N.)