Piada do Ano! Supremo da Itália revoga extradição e Carla Zambelli já está solta

Justiça da Itália nega extradição de Carla Zambelli

Condenação rigorosa demais favoreceu a ex-deputada

Deu no g1

A Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça na Itália, decidiu por não extraditar a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil e determinou sua soltura. Condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), ela estava presa em Roma desde julho e publicou um vídeo logo após deixar a prisão na noite de hoje.

Julgamento do recurso da defesa pela não extradição de Zambelli ocorreu na manhã desta sexta-feira. A audiência ocorreu a portas fechadas e contou com presença de seis juízes.  O processo diz respeito à condenação de Zambelli por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça brasileiro.

ADVOGADO SURPRESO – Segundo o advogado da ex-deputada, Alessandro Sammarco, foi uma bela surpreso, e a Suprema Corte também determinou a imediata libertação de Zambelli, que até então estava presa em um presídio nos arredores de Roma.

Um vídeo publicado nas redes sociais do advogado Pieremilio Sammarco, que também faz parte da defesa, mostra Zambelli após a libertação. A soltura também foi confirmada à TV Globo pelo advogado Fábio Pagnozzi, que defende a ex-deputada no Brasil.

Há ainda um segundo processo de extradição correndo na Justiça italiana, relacionado à condenação da ex-deputada pelo crime de porte ilegal de armas e ameaça com arma de fogo.

SEM DATA – O Supremo Tribunal Federal (STF) enviou à Itália um único pedido de extradição, mas a Justiça italiana decidiu separar os casos. Portanto, ainda há outro pedido de extradição em análise, ainda sem data para uma decisão final.

A defesa de Zambelli também disse ainda não ter claros os motivos para a anulação, mas acredita que a Corte de Cassações encontrou erros na sentença anterior, da Corte de Apelações.

O deputado estadual Bruno Zambelli (PL), irmão de Carla, afirmou ao g1 que a família considerou a decisão um “milagre”. O parlamentar diz estar reunido com a mãe da deputada e o sobrinho. A família pretende ir visitar a ex-deputada na Itália. O pai de Zambelli e o marido já estão no país.

COM O MINISTRO – Quando forem esgotadas as vias judiciais, o processo ainda passará pelas mãos do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que pode dar um parecer favorável ou contrário à extradição. O ministro tem um prazo de 45 dias para se manifestar a partir da publicação do acórdão da Justiça.

Brasil e Itália têm um tratado recíproco de extradição, em vigor desde 1993 – e que já foi acionado dezenas de vezes desde então. O primeiro artigo do tratado determina, inclusive, que Brasil e Itália ficam obrigados a entregar, um ao outro, pessoas que sejam procuradas pelo outro país – seja para levar a julgamento ou para cumprir uma pena restritiva de liberdade.

A ex-deputada federal Carla Zambelli está presa na Itália desde o dia 29 de julho de 2025. Ela estava em um presídio nos arredores de Roma que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta e é dividido em oito seções.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O problema é o excesso de rigor das condenações do Supremo, especialmente as comandadas pelo ministro Alexandre de Moraes, aquele dos 129 milhões de reais. Primeiro, foram os Estados Unidos que recusaram a extradição de brasileiros punidos por ele, depois a Espanha fez o mesmo, e a agora a Itália confirma a tendência da Justiça. E isso é uma vergonha para o Brasil, não há dúvida. (C.N.)

Dark Horse derruba Flávio e Lula abre vantagem de 9 pontos, aponta Datafolha

Empresa de ex-marqueteiro de Flávio recebeu quase R$ 100 milhões em contratos federais

Serviços foram assinados no governo Bolsonaro

Vinícius Cassela
G1

A empresa de publicidade Cálix Propaganda, que pertence ao ex-marketeiro da campanha de Flávio Bolsonaro, Marcello Lopes, já garantiu receber R$ 99.280.384,44 em faturas empenhadas pelo governo federal entre abril de 2022 e maio de 2026.

Marcello Lopes é ex-policial e amigo pessoal de Flávio Bolsonaro. Na última quarta-feira (20), o publicitário, conhecido como Marcellão, afirmou que deixaria a campanha do senador à Presidência. Os dados constam do Portal de Compras do Governo Federal.

LICITAÇÕES – A empresa, que foi criada em 2003, obteve seus primeiros contratos com a administração pública federal durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por meio de duas licitações públicas, e os pagamentos continuaram sendo executados de forma regular na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O primeiro e mais expressivo contrato da empresa foi assinado em dezembro de 2021 com o então Ministério do Desenvolvimento Regional, na gestão de Rogério Marinho (PL-RN), no valor total de até R$ 55 milhões anuais. Sob a atual administração do PT, a pasta passou a se chamar Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Titular da pasta no governo Bolsonaro, Marinho é líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

O valor firmado entre a agência e o governo federal é apenas um parâmetro de quanto a prestadora de serviço pode faturar sobre o contrato, uma vez que o faturamento dos serviços de publicidade varia e o sistema orçamentário do governo precisa de um valor para provisionar a cada ano.

SERVIÇOS DE PUBLICIDADE –  O vínculo contratual foi mantido e passou por três termos aditivos de renovação ao longo do governo Lula, estendendo a vigência das prestações de serviço de publicidade da agência na Esplanada até abril de 2026. O segundo contrato, que pode vir a custar até R$ 14,97 milhões por ano, foi firmado por meio de uma licitação em maio de 2022, em que a Cálix foi a única participante, na então pasta da Infraestrutura.

O ministério era comandado, na época, por Tarcísio de Freitas (Republicanos), hoje governador de São Paulo e que chegou a ser cotado para disputar a corrida presidencial neste ano como representante do grupo aliado do ex-presidente Bolsonaro.

RENOVAÇÃO – Devido aos trâmites burocráticos do ano eleitoral, a assinatura formal da parceria acabou ocorrendo em abril de 2023. A vigência inicial dele foi definida em abril de 2025 e, no ano passado, o contrato foi renovado por mais um ano. Em abril de 2026 passou por uma nova renovação. Com isso, o prazo de vigência vai até 2027.

Juntos, os dois contratos geraram faturas empenhadas no valor de R$ 91,8 milhões, no período. Mas, como nem tudo foi pago pelo governo ao longo dos últimos anos, junto ao montante o governo deve arcar com acréscimo de R$ 7,5 milhões em juros e multa.

O QUE FOI PAGO –  De acordo com o portal do governo, a Cálix recebeu R$ 39,7 milhões desde que os contratos foram assinados. A maior parte, R$ 22,6 milhões, foram pagos durante os anos em que as notas fiscais foram faturadas, e outros R$ 17 milhões foram pagos nos anos fiscais seguintes ao faturamento, incorporando o chamado “restos a pagar”.

Além disso, o governo federal ainda tem a pagar R$ 32,9 milhões em notas faturadas para serem quitadas este ano. Restam ainda outros R$ 26,7 milhões em faturas de anos anteriores, que foram incorporadas em restos a pagar.

Em função do atraso no pagamento, é comum que a essas faturas se somem juros e multa. Com isso, quatro notas de empenho que foram empurradas para restos a pagar já somam R$ 3,9 milhões a pagar a mais em relação ao que foi empenhado anteriormente.

MUDANÇAS NA CAMPANHAAmigo pessoal de Flávio Bolsonaro (PL), o publicitário e ex-policial civil Marcello Lopes decidiu deixar a coordenação de comunicação da pré-campanha do senador à Presidência da República. A decisão foi tomada após conversas entre os dois ao longo a última quarta-feira (20). O publicitário Eduardo Fischer assumirá o comando da comunicação da campanha.

Lopes afirmou que a saída partiu dele próprio e disse que pretende focar na própria empresa. Embora a entrada oficial na campanha estivesse prevista apenas para 1º de junho, o publicitário já vinha atuando nos bastidores da pré-candidatura nas últimas semanas.

PF indicia suplente de Davi Alcolumbre após investigação sobre fraudes milionárias no Dnit

Congresso derruba veto de Lula e libera doações públicas em período eleitoral

Uma morena tropicana, de tal beleza e sabor que ninguém esquecerá

Linda morena, fruta de vez temporana... Tropicana (Morena Tropicana) -  Alceu ValençaPaulo Peres
Poemas & Canções

O pernambucano Alceu Paiva Valença é formado em Direito e pós-graduado em Sociologia, mas por causa da música desistiu dessas carreiras, para ser cantor e compositor.

Segundo Alceu Valença, a letra de “Tropicana”, parceria sua com Vicente Barreto, compara a beleza física da mulher brasileira com a natureza também brasileira. Cada fruta representa uma parte do corpo feminino, realçando sua cor e o seu sabor. A música foi gravada por Alceu Valença no LP Cavalo de Pau, em 1982, pela Ariola.

TROPICANA
Vicente Barreto e Alceu Valença

Da manga rosa
Quero gosto e o sumo
Melão maduro, sapoti juá
Jaboticaba teu olhar noturno
Beijo travoso de umbú cajá…

Pele macia
Ai! carne de cajú
Saliva dôce
Dôce mel
Mel de uruçú…

Linda morena
Fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vem me desfrutar
Linda morena
Fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vou te desfrutar…

Morena Tropicana
Eu quero teu sabor
Ai, ai, ioiô, ioiô…

Delação de ex-presidente do BRB perde força após avaliação negativa da PF

Crise de Flávio Bolsonaro faz PL trocar sonho do Planalto pela sobrevivência no Congresso

As certezas e as incertezas da seleção brasileira sob o comando de Ancelotti

Pedido inusitado pode ter vazado que Neymar vai para a Copa do Mundo

Neymar pode fazer a diferença entrando no segundo tempo

Tostão
Folha

O anúncio dos 26 jogadores brasileiros que irão ao Mundial foi um espetáculo exagerado, comercial, desproporcional. Parecia a comemoração do título. As outras grandes seleções apenas informaram os convocados pela internet.

A única surpresa foi a ausência de João Pedro. Neymar ocupou o seu lugar, mas se esperava que João Pedro fosse o primeiro na lista dos centroavantes. Ancelotti afirmou que Neymar poderá ser titular, reserva, jogar poucos minutos ou todo o tempo das partidas. Vai depender do momento, dos treinamentos e dos jogos.

POSICIONAMENTO – Ancelotti diz que Neymar será um atacante pelo centro. Não irá precisar voltar para marcar nem iniciar as jogadas no próprio campo, como faz Matheus Cunha. Neymar fará uma dupla com outro atacante ou será o jogador mais adiantado.

Ainda tenho dúvidas se os fatores positivos da presença de Neymar são maiores que os negativos. Tudo é incerto. Só os que não sabem nada têm certeza de tudo.

A seleção brasileira, por ter excelentes pontas e atacantes, hábeis, rápidos e dribladores, e não ter o hábito de ter craques no meio-campo para trocar passes e ter o domínio da bola e do jogo, deveria, ao enfrentar as grandes seleções, marcar de forma um pouco mais recuada para contra-atacar e aproveitar os espaços deixados nas costas dos defensores que avançam na marcação.

CONVOCAÇÕES – Gostei das convocações do goleiro Weverton e dos jovens Endrick e Rayan. Os dois atacantes já estão prontos para ser destaques nesta Copa.

Penso que Marlon, volante do Palmeiras, que não está nem na lista dos 55, deveria ter sido convocado e testado. Ele é alto, forte, se posiciona muito bem, marca bem e tem um ótimo passe, rápido e para a frente. O experiente Fabinho, convocado para reserva de Casemiro, joga na Arábia e quase ninguém vê. Como Casemiro, costuma levar muitos cartões, é importante ter um ótimo jogador para substituí-lo.

Na Copa do Mundo, veremos grandes craques, como Vini Jr. e Raphinha, do Brasil, Vitinha, Cristiano Ronaldo e Bruno Fernades, de Portugal, Lamine Yamal, Pedri e Rodri, da Espanha, Mbappé, Olise e Dembélé, da França, Rice e Kane, da Inglaterra, Messi e Alvarez, da Argentina, e muitos outros. São os craques que decidem e embelezam o Mundial, desde que atuem em equipes organizadas.

DI STEFANO – Muitos grandes craques não foram campeões do mundo, como alguns da seleção brasileira de 1982 (Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e outros). Muito mais importante que o título, que as ações e que os discursos teatrais e midiáticos é o comportamento técnico, individual e coletivo durante a carreira.

Di Stéfano não foi campeão do mundo. Muitos argentinos acham que ele foi superior a Messi e Maradona. Meu pai dizia que Pelé era o melhor do mundo, mas que Di Stéfano era o único que brilhava de uma área à outra. Por causa das palavras do meu pai, tentei jogar no Cruzeiro de uma área à outra. Quando passava do meio-campo, estava exausto. Desisti de ser um Di Stéfano e contentei-me em ser o Tostão.

Durante a Copa do Mundo de 1994, eu estava na lanchonete do centro da imprensa quando um senhor mais velho pediu licença para se sentar ao meu lado. Ele disse que me conhecia da Copa de 70 e se apresentou: eu sou o Di Stéfano. Levei um susto, quase caí da cadeira. Batemos um bom papo sobre futebol. Lamentei depois não ter pedido um autógrafo para meu pai.

O cálculo político que pode custar caro ao Brasil, ao aumentar a dívida pública

“Pacote de bondades” injeta bilhões na economia

Pedro do Coutto

Em ano pré-eleitoral, governos costumam recorrer a uma fórmula conhecida: ampliar estímulos econômicos, aumentar a circulação de dinheiro e lançar medidas de forte apelo popular na tentativa de recuperar popularidade e reativar o consumo. O presidente Lula da Silva parece ter escolhido exatamente esse caminho.

Nas últimas semanas, o Palácio do Planalto acelerou anúncios de programas sociais, expansão de crédito, renegociação de dívidas, subsídios e incentivos fiscais. O movimento já era esperado por analistas políticos e econômicos, mas a velocidade e a dimensão das medidas chamam atenção até mesmo entre setores historicamente simpáticos ao intervencionismo estatal.

BILHÕES DE REAIS – Levantamentos publicados por veículos como a Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Metrópoles apontam que os estímulos anunciados pelo governo já movimentam dezenas — e, em algumas estimativas, centenas — de bilhões de reais na economia brasileira. O argumento oficial é conhecido: estimular consumo, proteger famílias endividadas, manter a economia aquecida e impedir desaceleração do crescimento. Na prática, porém, cresce a percepção de que a estratégia também possui um objetivo eleitoral evidente.

O problema é que dinheiro público não surge do nada. Quando o governo amplia gastos de maneira acelerada, especialmente em um cenário de contas públicas fragilizadas, o efeito colateral costuma aparecer em duas frentes sensíveis: inflação e desconfiança fiscal. E ambas atingem diretamente a população mais pobre — justamente a que o governo afirma querer proteger.

A inflação talvez seja o ponto mais delicado dessa equação. O Brasil possui uma memória traumática em relação à perda do poder de compra. Sempre que há excesso de estímulo ao consumo sem aumento proporcional da produtividade e da capacidade de oferta da economia, os preços tendem a subir.

AUMENTO ARTIFICIAL – Trata-se de um comportamento histórico repetido diversas vezes no país. Economistas de diferentes correntes vêm alertando que o aumento artificial da demanda pode pressionar alimentos, serviços e combustíveis, setores que já sofrem impactos externos provocados por instabilidade internacional, clima extremo e juros elevados.

O paradoxo é evidente. Medidas desenhadas para melhorar a vida da população no curto prazo podem acabar corroendo justamente aquilo que mais pesa no cotidiano do brasileiro: o custo de vida. Quando o supermercado sobe, o gás aumenta e os juros permanecem altos para conter a inflação, parte do ganho imediato desaparece rapidamente. A sensação de alívio econômico dura pouco. Em muitos casos, transforma-se apenas em antecipação de consumo financiado por mais dívida pública.

Outro ponto ignorado pelo discurso oficial é o impacto sobre a credibilidade fiscal do país. O governo tenta transmitir a ideia de que as metas serão mantidas e que parte das medidas seria “fiscalmente neutra”. Contudo, o mercado financeiro, investidores e organismos internacionais observam menos os discursos e mais a trajetória concreta das despesas.

JUROS ELEVADOS – O Brasil já opera com elevada rigidez orçamentária, crescimento estrutural dos gastos obrigatórios e forte pressão sobre a dívida pública. Quanto maior a percepção de descontrole, maior tende a ser a exigência de juros elevados para financiar o Estado brasileiro.

E juros altos possuem consequências silenciosas, mas profundas. Eles encarecem crédito, freiam investimentos produtivos, reduzem capacidade de expansão das empresas e limitam crescimento sustentável. Ou seja: medidas que hoje parecem impulsionar a economia podem, no médio prazo, produzir exatamente o oposto. É um ciclo conhecido da política brasileira: expansão acelerada, deterioração fiscal, pressão inflacionária, aumento de juros e posterior necessidade de ajuste.

Isso não significa que programas sociais ou estímulos econômicos sejam necessariamente equivocados. O Estado possui, sim, papel relevante em momentos de desaceleração econômica e desigualdade social. O problema está na ausência de equilíbrio entre responsabilidade fiscal e conveniência política. Um governo pode ampliar investimentos estratégicos, proteger vulneráveis e estimular setores produtivos sem transformar o orçamento público em ferramenta permanente de popularidade eleitoral.

RECUPERAÇÃO DA APROVAÇÃO – A dificuldade do governo Lula está justamente aí. O Planalto parece convencido de que recuperar aprovação depende de medidas imediatas e perceptíveis para o eleitorado. O raciocínio político é compreensível. Mas governar exige olhar além do próximo ciclo eleitoral. Países não quebram de uma vez; desgastam-se lentamente, por meio da normalização de decisões tomadas para resolver urgências políticas temporárias.

Existe ainda um aspecto simbólico importante. Durante décadas, o debate econômico brasileiro ficou dividido entre defensores do crescimento via gasto estatal e defensores de austeridade rígida.

EQUILÍBRIO – A experiência recente mostra que nenhum dos extremos produz estabilidade duradoura sozinho. O desafio contemporâneo é encontrar equilíbrio entre proteção social e previsibilidade econômica. Quando um governo transmite a impressão de que a preocupação fiscal tornou-se secundária diante da necessidade política de elevar popularidade, a insegurança inevitavelmente cresce.

No fim, a questão central não é apenas quanto o governo está gastando, mas qual país está sendo construído a partir dessas escolhas. Popularidade obtida por estímulos artificiais pode produzir dividendos eleitorais rápidos. Porém, inflação persistente, dívida crescente e perda de confiança costumam cobrar a conta mais adiante — e quase sempre de forma muito mais pesada para quem depende exclusivamente do próprio salário para sobreviver.

Silêncio de Michelle sobre caso Vorcaro amplia tensão dentro da família Bolsonaro

Michelle diz que perguntas devem ser feitas a Flávio

Luísa Marzullo
O Globo

A reação de Michelle Bolsonaro à crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro abriu um novo foco de tensão dentro da própria família Bolsonaro. Segundo relatos feitos ao O Globo, Carlos e Eduardo Bolsonaro reclamaram a aliados da ausência de uma defesa pública mais enfática da ex-primeira-dama após ela evitar comentar o caso e afirmar, na noite de terça-feira, que perguntas sobre o tema deveriam ser feitas “ao próprio Flávio”.

A fala provocou irritação imediata entre aliados mais próximos dos filhos do ex-presidente, que esperavam que Michelle aproveitasse a primeira abordagem pública sobre o tema para fazer algum gesto de solidariedade ao senador diante da crise aberta pelas mensagens, áudios e pela revelação de que Flávio procurou Vorcaro pessoalmente após a primeira prisão do banqueiro.

AUTORIZAÇÃO DE MORAES – O desconforto aumentou ainda porque, no mesmo evento em Brasília, Michelle também se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “irmão em Cristo”. Ao comentar a autorização dada pelo magistrado para que Jair Bolsonaro recebesse um cabeleireiro durante o período de prisão domiciliar, a ex-primeira-dama afirmou: “Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro”.

A declaração foi interpretada por parte do entorno bolsonarista como um novo gesto de distensão em relação ao ministro, relator da execução penal de Bolsonaro no STF, e ampliou a irritação entre aliados mais ideológicos do ex-presidente.

Nos bastidores do bolsonarismo, a postura de Michelle passou a ser interpretada pelos filhos de Bolsonaro como um movimento para manter distância da crise enfrentada por Flávio e preservar o próprio espaço político diante das discussões cada vez mais frequentes dentro do PL sobre possíveis alternativas à candidatura presidencial do senador.

ALTERNATIVA ELEITORAL – A avaliação entre integrantes do núcleo político ligado a Carlos e Eduardo é que o silêncio da ex-primeira-dama acabou reforçando dentro do partido a percepção de que Michelle prefere manter preservada a própria condição de eventual alternativa eleitoral caso a situação de Flávio continue se deteriorando nas próximas semanas.

Interlocutores próximos à ex-primeira-dama, porém, negam qualquer cálculo político por trás da postura dela e rejeitam a interpretação de que Michelle esteja tentando se preservar como alternativa eleitoral ao enteado. Segundo aliados, a prioridade dela hoje está voltada aos cuidados com Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar, e não à disputa interna por espaço político dentro do PL.

Esses interlocutores afirmam ainda que Michelle não pretende entrar diretamente na operação de contenção de danos da campanha de Flávio nem transformar a crise envolvendo Vorcaro numa disputa familiar pública.

SINALIZAÇÃO – Nos bastidores do PL, porém, a postura da ex-primeira-dama passou a ser interpretada como mais um sinal de que ela continua preservando a própria posição política caso Jair Bolsonaro decida discutir mudanças no cenário presidencial da direita.

Como mostrou o O Globo, dirigentes do partido passaram a trabalhar com um prazo de cerca de 15 dias para medir os efeitos da crise envolvendo Vorcaro sobre a viabilidade da candidatura de Flávio. Nesse ambiente, o nome de Michelle voltou a circular com mais intensidade entre parlamentares, dirigentes partidários e lideranças evangélicas como alternativa capaz de herdar diretamente o capital político do ex-presidente.

A relação entre Michelle e os filhos de Bolsonaro já vinha atravessando momentos de desgaste nos últimos anos. Integrantes do entorno bolsonarista lembram, por exemplo, do mal-estar provocado após Flávio sinalizar apoio a uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, movimento criticado publicamente pela ex-primeira-dama nas redes sociais.

Como alternativa a Flávio, melhor nome seria Ronaldo Caiado, da centro-direita

Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado -- Metrópoles

Caiado percebeu que a indicação de Flávio foi um equívoco

Mario Sabino
Metrópoles

Ninguém confia em Flávio Bolsonaro. Até ontem, ele havia escondido dos próprios aliados a visita que fez a Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do dono do finado Banco Master. Quando confessou a visita, revelada pelo jornalista Igor Gadelha, o senador Sergio Moro, candidato a governador no Paraná, fez uma expressão de desalento que resume tudo: as “surpresinhas” de Flávio implicam o risco de os aliados nos estados sofrerem derrotas improváveis até a semana passada.

O pessoal que amarrou o seu burro na candidatura do filho de Jair Bolsonaro deu quinze dias para avaliar se dá para conter os danos e continuar nesse barco.

POUCO TEMPO – Sejamos realistas: duas semanas é pouco tempo para se ter a garantia de que nada mais surgirá de comprometedor. A delação de Vorcaro subiu no telhado, mas pode descer, e há outras delações a caminho que podem apontar o dedo para Flávio. As investigações da PF também prosseguem.

Ou seja, como já dito aqui, não está descartado que, em meio à campanha presidencial, o candidato da direita bolsonarista seja fulminado por revelações suplementares no âmbito do caso Master.

A esta altura, os aliados de Flávio devem estar olhando ao redor e, se forem espertos, não devem demorar a identificar o candidato capaz de aglutinar os 50 tons de cinza da direita. Ele é Ronaldo Caiado. Ótima experiência administrativa, passado limpo (até onde se sabe), bom de palanque e militante histórico do antipetismo.

CENTRO-DIREITONA – É claro que há de se negociar muita coisa com Gilberto Kassab, dono do partido que lançou Caiado. Mas não há nada que não possa ser acertado com Kassab, o homem sem ideologias, diante da perspectiva concreta de conquistar o Palácio do Planalto.

Não se deve subestimar Lula, mas não se pode subestimar também a enorme rejeição que ele enfrenta no eleitorado. Há uma chance enorme de derrotá-lo em outubro, basta não ir para o ringue com um vendedor de carros usados desonesto, como afirmei ontem.

Caiado é o melhor nome disponível. Mas sem a impostura de vendê-lo como candidato dessa fantasmagórica “terceira via”. Ele é o candidato da direita, da “centro-direitona”.

Supremo erra ao investigar perito que teria vazado contrato dos 129 milhões

Tribuna da Internet | Ministros do Supremo acreditam que já é hora de virar a página do 8 de janeiro

Charge do Zappa (humortadela.com)

Carlos Newton

“Na imprensa, pouco se cria e muito se copia”, podíamos dizer, parafraseando a máxima do radialista pernambucano Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”, que veio tentar a vida no Rio de Janeiro na década de 40, com outros amigos também geniais, entre eles o cronista Antonio Maria e o jornalista e compositor Fernando Lobo, 

Nesse lance de copiar e publicar que caracteriza a disputa desenfreada pela informação, muitos portais, sites e blogs hoje bloqueiam a leitura de suas matérias e exigem que os leitores sejam assinantes. Na Tribuna da Internet, porém, funcionamos ao contrário. Qualquer leitor pode copiar e republicar tudo o que estivermos divulgando, mas seria ético e útil se citassem o autor e a fonte, é claro, o que nem sempre acontece.

DANDO O EXEMPLO – Aqui na Tribuna, o editor-chefe dá o exemplo e sempre cita os autores até de frases que utilizamos, como a de que “o ministro Alexandre de Moraes tem 129 milhões de motivos para viver preocupado”, criada pelo colunista Mario Sabino, do site Metrópoles..

Infelizmente, porém, a maior parte dos jornalistas não age assim e costuma se assenhorar do trabalho alheio e até das frases e bordões, embora não custe nada escrever ou dizer que “segundo fulano…”. No entanto, poucos fazem isso.

Muitos falsos jornalistas comportam-se como o chupim, a ave brasileira famosa por seu parasitismo, porque não constrói a própria casa e a fêmea não choca os ovos nem cuida dos filhotes. Ao contrário, a fêmea chupim deposita seus ovos nos ninhos alheios para que sejam chocados e criados por outros pássaros.

HÁ COINCIDÊNCIAS – Mas há também coincidências, que ocorrem quando jornalistas de diferentes órgãos de imprensa divulgam a mesma tese. Um exemplo claro ocorreu esta semana. Na terça-feira, a excelente jornalista Raquel Jardim publicou no Estadão um artigo excelente sobre João Claudio Nabas, perito da Polícia Federal.]

Ele  está sendo perseguido pelo STF sob suspeita de ter vazado não somente o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master, mas também as conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro.

O texto de Raquel Landim – “Por que investigar o perito em vez das mensagens entre Moraes e Vorcaro?” – foi publicado no Estadão às 21h06 de terça-feira, dia 19. Na manhã seguinte, às 7 horas, publicamos na Tribuna o artigo “STF persegue policial que vazou contrato dos 129 milhões e que devia ser elogiado”.

IMPRENSA LIVRE – É uma maravilha quando isso ocorre, pois demonstra que a imprensa livre pode e deve trabalhar unida, visando a fortalecer a democracia e  moralizar o funcionamento dos três Poderes.

Outros veículos de comunicação se fazem de desentendidos e não tocam mais nos assuntos relacionados a irregularidades praticadas por ministros do Supremo, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Esse silêncio da grande imprensa ajuda a que o país esqueça as graves ilegalidade que vêm sendo cometidas por autoridades dos três Poderes, que tentam ocultar escândalos verdadeiramente inesquecíveis e que precisam punir, sem o menor receio. Mas quem está sendo punido é justamente o servidor público que fez a estarrecedora denúncia.

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P.S.
O mais importante é que, na forma da lei (art. 154 do Código Penal), o servidor não pode ser punido, porque agiu “com justa causa”, em defesa dos interesses nacionais. Portanto, o Supremo é que deveria proceder mais corretamente e responder logo ao questionamento da jornalista Raquel Landim: “Por que investigar o perito ao invés das mensagens entre Moraes e Vorcaro?”. Eis a grande questão. (C.N.)

Piada do Ano! PSDB vê espaço aberto na eleição e avalia até candidatura de Aécio Neves

Caso Master: Janaina Paschoal aconselha Tarcísio e Moro a se afastarem de Flávio

Vereadora disse que Flávia contaminará boas candidaturas

Deu no O Globo

A vereadora da cidade de São Paulo Janaina Paschoal (PP-SP) mais uma vez criticou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, após divulgados mais detalhes da relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em publicação nas redes sociais, a política afirmou que já vinha criticando a escolha do Partido Liberal (PL) antes das revelações e aconselhou outros candidatos, como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos – SP) e o senador Sérgio Moro (PL-PR) a se afastarem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

INVIÁVEL – “A candidatura de Flávio Bolsonaro já era inviável antes da assumida proximidade com o Master! E vou além, ele vai começar a contaminar as boas candidaturas aos governos dos estados. Tarcísio, Moro e outros pré-candidatos, com eleições praticamente ganhas, deveriam manter distância dele. Eu não quero mal aos Bolsonaros, só quero muito bem ao Brasil!”, escreveu a vereadora.

Essa não foi a primeira vez que a política critica os filhos de Bolsonaro. Em janeiro, após chamar o Flávio de ‘arrogante’ e ‘filhinho de papai’, ela foi alvo de ironias do ex-vereador Carlo Bolsonaro, que saiu em defesa do irmão. A política não gostou das declarações do senador sobre a visita do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que acabou sendo cancelada. À época, o nome do governador de São Paulo ainda era cogitado para disputar o Planalto no lugar de Flávio.

ARROGÂNCIA – “Não sei os motivos do governador, mas sei que Flávio foi extremamente arrogante, ao anunciar que a candidatura de Tarcísio à Presidência estaria descartada. Quem é ele para decidir? A direita realmente deveria se unir, mas para enquadrar esse filhinho de papai”, escreveu Janaína.

Após a publicação, Carlos disse que ela estava “bufando pelos outros” “Tem método!”, criticou ele. Pouco antes, sem citar Janaína, o ex-vereador fez outra publicação para dizer que “o povo deixa de ser prioridade” quando há pessoas que insistem “planejadamente” na “destruição de quem ele indicou”, se referindo à indicação feita por Jair Bolsonaro. Segundo ele, tal movimento ocorre tanto na esquerda quanto na direita.

Impeachment deixou presidentes reféns do Congresso e ainda assombra Brasília

Planalto e Congresso entram na reta final para disputar Lei da Dosimetria no STF

Antes do escândalo Vorcaro, produtora de “Dark Horse” já atuava na campanha de Mário Frias

Produtora recebeu verba de campanha de Mário Frias

Sarah Teófilo
Patrik Camporez
O Globo

A empresa Conhecer Brasil Assessoria Produção e Marketing Cultural, comandada pela produtora do filme “Dark Horse”, sobre a campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atuou para a campanha eleitoral do deputado federal Mário Frias (PL-SP) em 2022. Na época, a empresa de Karina da Gama recebeu R$ 54 mil por serviços na área de assessoria de imprensa.

Os pagamentos mostram que a relação entre Frias e integrantes da produtora antecede as recentes revelações envolvendo o financiamento do longa-metragem por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Procurados pelo O Globo, Frias e Karina ainda não se manifestaram.

REPASSE – Preso por envolvimento nas fraudes relativas ao banco, Vorcaro se comprometeu a repassar cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, segundo reportagem do Intercept Brasil da semana passada. Áudios revelados pelo site mostraram o senador cobrando o ex-banqueiro.

Na última terça-feira, o Intercept Brasil revelou que Frias agradeceu, em áudio enviado por WhatsApp, ao banqueiro Daniel Vorcaro pelo apoio ao filme “Dark Horse”. A mensagem foi enviada em 11 de dezembro de 2024, às 18h24. “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” , diz Frias na mensagem.

CONTRATO DE WI-FI – O site também mostrou que a ONG Instituto Conhecer Brasil, comandada por Karina, recebeu ao menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo por um contrato de Wi-Fi público. Agora, a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar supostas irregularidades na execução do contrato.

Além dos contratos eleitorais, o secretário-executivo da ONG dirigida pela produtora, Wemerson da Gama, prestou serviços para o gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados entre abril de 2023 e agosto de 2024. No período, sua empresa recebeu R$ 115,6 mil por prestação de serviços na área de tecnologia.

O deputado também indicou duas emendas que somam R$ 2 milhões à ONG Conhecer Brasil, comandada por Karina. Ao G1, Karina admitiu que Vorcaro bancou mais de 90% do filme. Segundo ela, o orçamento já realizado está em cerca de US$ 13 milhões (R$ 65 milhões).

MENSAGENS –  Na troca de mensagens entre Frias e Vorcaro, após o agradecimento de Frias, o banqueiro  responde: “Eu tô numa ligação, te chamo em seguida”. Frias, então, responde: “Blz”. Às 19h06, os dois se falam por ligação de voz por cerca de 2 minutos.

Quando as primeiras mensagens de Flávio vieram a público, Frias disse que o filme não havia recebido um “único centavo” do banqueiro. A fala entrou em choque com a admissão do próprio senador Flávio Bolsonaro, que afirmou posteriormente que o longa recebeu recursos do banqueiro.

“FAVORES EM TROCA” – A obra cinematográfica, que conta a história da campanha de 2018 de Bolsonaro, teria chegado a receber R$ 61 milhões repassados por Vorcaro. O senador confirmou as tratativas, mas argumentou que não houve “favores em troca”.

Na terça-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que visitou Vorcaro no fim do ano passado. A visita ocorreu na casa do executivo, em São Paulo, quando ele cumpria medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, após ser detido pela primeira vez. A informação havia sido antecipada pelo site Metrópoles antes da confirmação do parlamentar.

Moraes manda governo agir para extraditar Carla Zambelli após aval da Justiça italiana

Corte de Roma aprovou a extradição de Zambelli

Pepita Ortega
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotem medidas para efetivar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, atualmente presa na Itália. A determinação se dá após o ministro ser informado de decisões da Corte de Roma que aprovaram a extradição de Zambelli.

A ordem tem relação com a primeira condenação imposta pelo STF à bolsonarista, no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em tal caso, Zambelli foi sentenciada a dez anos de prisão. Com base em tal condenação, foi feito o primeiro pedido de extradição de Zambelli à Justiça italiana. Em março, foi dada a primeira decisão favorável à solicitação. Ela ainda passou pelo crivo do Ministério da Justiça italiano e da Corte de Cassação italiana, sendo confirmada.

DECISÃO DA CORTE – No último dia 14, a Coordenação-Geral de Extradição e Transferência de Pessoas Condenadas do Ministério da Justiça e Segurança Pública comunicou formalmente a Moraes a decisão da Corte de Roma.

Zambelli foi condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal. A primeira sentença, que impôs 10 anos de prisão à ex-parlamentar, foi determinada pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A aliada da ex-parlamentar também foi condenada a cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Tal sentença, por sua vez, está ligada ao episódio em que perseguiu um homem em São Paulo, com arma em punho, às vésperas das eleições de 2022.

A deputada bolsonarista, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para o país europeu. Dois meses depois, ela foi presa e afirmou que queria ser julgada na Itália.

CASSAÇÃO REJEITADA – Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Zambelli, em uma tentativa de preservar seu mandato. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, anulou a votação promovida pelos parlamentares, decretando diretamente a cassação em razão da condenação da bolsonarista à prisão.

Enquanto o processo de extradição corria na Itália, a Justiça daquele País decidiu manter a ex-deputada detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por entender que havia risco de fuga. Segundo o governo brasileiro, caso seja extraditada, a ex-parlamentar ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

Novos advogados de Bolsonaro erram a defesa e deixam brecha para condená-lo

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Marcelo Bessa errou na defesa de Jair Bolsonaro

Carlos Newton

Ao contrário do que publicamos na manhã de hoje, 21 de maio, não cabem elogios aos novos defensores de Jair Bolsonaro, muito pelo contrário, aliás. Um trecho da petição que apresentaram na revisão criminal, enviado à Tribuna pelo sempre atento comentarista José Vidal, demonstra que Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury cometeram o mesmo erro dos advogados anteriores, ao pedir que o julgamento seja feito pelo Plenário do Supremo.

É inacreditável que não tenham estudado o Regimento em profundidade, mas está evidante que eles fizeram um pedido que não pode ser aceito, porque está vedado pelo artigo 6º, inciso i, alínea 5.  Essa norma regimental determina que o Plenário somente examine revisão criminal em seus próprios julgados. Ou seja, como Bolsonaro foi processado e julgado pela Primeira Turma, a revisão jamais pode ser feita pelo Plenário. Essa missão cabe à Segunda Turma, que funciona como revisora criminal da Primeira Turma, e vice-versa.

PETIÇÃO ERRADA – O editor da Tribuna deu fortíssima mancada. Ao consultar a petição inicial, de 90 páginas, constatou que os novos advogados tinham solicitado que o presidente do Supremo, Edson Fachin, fizesse sorteio do relator entre os ministros da Segunda Turma.

Com base nessa importante informação, o atrapalhado editor deduziu ingenuamente que os defensores de Bolsonaro haviam estudado em profundidade o Regimento. Na empolgação, até elogiou a qualidade da defesa, que foi claramente inspirada no voto de 429 páginas apresentado por Luiz Fux a favor de Bolsonaro na Primeira Turma, em dezembro.

Foi uma patuscada da Tribuna. Ao contrário do que afirmamos, os atuais defensores do ex-presidente demonstram ser tão equivocados quanto os nove advogados anteriores, que na defesa teriam embolsado R$ 16 milhões, segundo se comenta em Brasília, uma quantia até modesta em relação ao orçamento do filme “Dark Horse”…

CONFIRA O TRECHO –  O erro dos novos advogados  abre uma brecha para a recusa da petição, por impossibilidade processual, conforme nos informou o comentarista José Vidal:

“Assim, no caso sub examine, considerando que o acórdão rescindendo foi proferido pela Primeira Turma, requer-se, preliminarmente, que a presente revisão criminal seja distribuída com estrita observância do art. 77, caput, c/c art. 76 do RISTF, mediante a exclusão, da distribuição, de todos os Ministros integrantes da Primeira Turma, a fim de que o feito seja distribuído entre os Ministros da Segunda Turma dessa Suprema Corte, para ulterior processamento e julgamento perante o Plenário.”

Era a brecha que faltava para manter a condenação de Bolsonaro, que Luiz Fux já mostrou estar cheia de equívocos e exageros.

MARQUES DECIDIRÁ – Agora, Bolsonaro está nas mãos do relator Nunes Marques, que conduzirá a ação revisional e pode até recusar liminarmente a petição, alegando falha processual, como o ministro Alexandre de Moraes fez na Primeira Turma.

Mas há um segunda hipotese: Marques pode aceitar a petição e tocar o julgamento na Segunda Turma, com base na doutrina latina “iura novit curia” (o juiz conhece o direito).

Isso significa que o magistrado tem o dever de conhecer a legislação e aplicar as normas adequadas ao processo, não estando limitado ao que as partes citam na petição.

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P.S.1
Desculpem a nossa falha. A partir de agora, não elogiaremos mais ninguém, vai ser só paulada na cacunda, porque a atual defesa de Bolsonaro é tão despreparada quanto a anterior, e a confusão é geral, como dizia Machado de Assis.

P.S. 2 – Existe, ainda outra possibilidade, que seria um pedido de vista do ministro Fuz, para colocar em ordem a esculhambação reinante. Aliás, um dos autores da petição destrambelhada é Thiago Lôbo Fleury, que trabalhava no gabinete de Fux e deveria ter aprendido alguma coisa com ele, e parece que isso não ocorreu. Mas quem se interessa? (C.N.)