“Fator Lulinha” começa a pesar nas pesquisas e altera disputa entre Lula e Flávio, diz analista

Caiado recorre à Justiça após descobrir posseiros em fazenda comprada de uma empresa

Caiadoagora briga na Justiça para recuperar dinheiro

Tácio Lorran
Metrópoles

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) briga na Justiça com uma empresa que vendeu a ele uma fazenda ocupada por posseiros no interior de Goiás. A negociação, cujo valor total ultrapassa R$ 15 milhões, é discutida em um processo que está na segunda instância do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO).

Caiado pede à Justiça a anulação da aquisição apenas da propriedade ocupada pelos posseiros e requer a devolução de mais de R$ 3 milhões, que teriam sido pagos pela compra da propriedade. A empresa, por sua vez, contesta o cálculo e alega que seria lesada se a demanda do ex-governador for acatada.

RESOLUÇÃO PARCIAL – Em primeiro grau, a Justiça decidiu pela resolução parcial da transação que envolvia a aquisição de cinco propriedades. Dessa forma, foi determinada apenas a anulação da transação da propriedade que está ocupada, e a Justiça também determinou a devolução ao ex-governador de Goiás da quantia paga pela fazenda.

A controvérsia do caso teve início após ser constatado que a Fazenda Pedras, adquirida por Caiado em compromisso firmado em agosto de 2020, estava ocupada por terceiros. Conforme registrado nos autos, uma família formada por um casal e seus filhos alega que ocupa o local desde 2002, tendo inclusive feito benfeitorias na propriedade.

PAGAMENTO SUSPENSO – Diante da constatação, Caiado cessou o pagamento ao vendedor por considerar haver um descumprimento do contrato. Àquela altura, conforme a defesa do ex-governador, ele havia arcado com cerca de R$ 12,9 milhões relativos ao negócio. O montante inclui o pagamento da quantia de entrada, assunção de dívidas e pagamento da primeira parcela das sacas de soja devidas.

Diante da controvérsia e sem horizonte de resolução consensual, tanto a empresa quanto Caiado levaram o caso à Justiça, mas as demandas foram apreciadas de forma conjunta. Em primeiro grau, o TJGO determinou que a empresa restitua a Caiado os valores e as prestações as quais ele efetivamente pagou a título de contraprestação pela Fazenda Pedras, devidamente atualizados.

Ambos os lados recorreram da decisão e o caso subiu para a segunda instância. De um lado, a empresa considera que sairá no prejuízo se mantida a determinação. Segundo a firma, “a mera alegação de insatisfação por parte do recorrido não é suficiente para afastar a obrigação de pagamento de todas as parcelas acordadas naquele instrumento contratual”.

PROVA PERICIAL – No recurso, a empresa pede que a decisão de primeiro grau seja anulada e que seja produzida nova determinação baseada em prova pericial, ou então que seja reformada no sentido da total resolução do negócio. Nesse caso, a ideia da empresa é retomar o direito de posse de todos imóveis rurais, não apenas na Fazenda Pedras.

Do outro lado, Caiado contesta a conclusão da decisão de primeiro grau de “inadimplemento contratual recíproco”, segundo a qual tanto ele quanto a empresa descumpriram os termos da transação. Segundo o recurso, isso ignora que ele não se recusou a pagar o preço ajustado.

“O comprador depositou as sacas de soja nos armazéns antes dos vencimentos e apenas reteve a autorização de levantamento. E o motivo pelo qual reteve o levantamento das sacas de soja, atempadamente depositadas, foi exatamente o exercício do direito potestativo da exceção do contrato não cumprido, previsto no artigo 476 do Código Civil”, defende.

RESTITUIÇÃO – Caiado, entre os pedidos que fez à Justiça, requer a decretação da resolução contratual da Fazenda Pedras por “culpa exclusiva e inescusável” da GPF Negócios Inteligentes, por inadimplemento da obrigação de entrega do imóvel livre e desembaraçado, aplicando a exceção do contrato não cumprido. Além disso, quer a condenação da empresa à restituição de R$ 3,19 milhões, atualizado, calculado sobre o preço contratual da escritura pública e ao pagamento de multa por litigância de má-fé.

Procurada pela coluna, a equipe de Caiado afirmou, em nota, que a ação é entre particulares e está em trâmite no Poder Judiciário, órgão competente para dirimir desavenças contratuais. A defesa da empresa não quis se manifestar.

A eleição na TV: mulheres e jovens podem decidir o duelo entre Lula e Flávio

Cármen Lúcia é eleita presidente da Primeira Turma do SupremoTF

Amiga de Lulinha enviou contrato de canabidiol a ex-chefe de gabinete de Lula, aponta PF

Lula e Alcolumbre trocam afagos após reconciliação e celebram petróleo na Foz do Amazonas

Relação estava estremecida desde a rejeição de Messias

Isabella Calzolari
G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trocaram afagos nesta segunda-feira (17) durante uma visita ao navio-sonda da Petrobras no Oiapoque, município localizado no extremo norte do Amapá.

Foi a primeira aparição pública deles após terem a relação política restabelecida. Os dois estavam com a relação rompida desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF, em abril deste ano.

DESCOBERTA – Lula e Alcolumbre visitaram o navio-sonda da Petrobras que realiza a prospecção de petróleo em águas profundas na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas. Na última sexta (14), a Petrobras anunciou que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região.

Senador pelo Amapá, Alcolumbre é um dos principais articuladores políticos em defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial, área que abrange a costa amapaense. Durante discurso, o presidente do Senado afirmou que Lula enfrentou “tudo e todos para defender” o projeto.

“Reconhecimento é fazer justiça. É preciso que a gente de uma vez por todas reconheça no Brasil aqueles que enfrentaram causas e muitas das vezes foram contestadas ou até mesmo criticadas, não só por parte de brasileiros que não compreendem a importância da soberania energética, sobretudo aqueles outros países que infelizmente insistem em querer tutelar o futuro do brasil e dos brasileiros”, afirmou.

SOBERANIA – Alcolumbre também defendeu a soberania brasileira. “Sob a sua liderança e a trincheira de defesa do Congresso, dizemos de uma vez por todas: deixem que nós brasileiros, que lutamos pela defesa do Brasil, que nós decidamos o que queremos para o Brasil”, disse o presidente do Senado.

Em seguida, o presidente Lula fez elogios a Alcolumbre e afirmou que o amapaense “teve uma atitude muito importante para o Brasil” nesta semana, em referência ao fato de o senador ter encaminhado para análise das comissões as três principais prioridades do governo federal na Casa: Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga); PEC da Segurança Pública; Projeto de lei que estabelece o marco legal de minerais críticos e terras raras.

NA GAVETA – “Essa semana, tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil”, disse o presidente. Os temas estavam parados na gaveta de Alcolumbre em função do rompimento entre ele e Lula. Os dois retomaram o diálogo nas últimas semanas e, apenas na semana passada, se encontraram três vezes.

Apesar de o despacho de Alcolumbre ser um gesto ao governo e a Lula na véspera do início da campanha, a avaliação no Senado é que esses temas devem ficar para depois das eleições. Antes das eleições, o Congresso terá só mais uma semana de esforço concentrado no início do mês de setembro.

DISTANCIAMENTO –  O distanciamento entre Lula e Alcolumbre foi atribuído por aliados dos dois lados a divergências ocorridas ao longo do primeiro semestre. A relação ficou mais estremecida desde a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, e à rejeição do nome dele articulada pelo presidente do Senado.

Nos últimos dias, porém, ambos passaram a dar sinais públicos de retomada do diálogo, movimento visto por integrantes do governo como essencial para garantir a votação de projetos considerados estratégicos para o Planalto na reta final do mandato.

Após a reunião entre Lula e Alcolumbre, o ministro das Relações Institucionais afirmou também que, independente dos trâmites no Senado Federal, Alcolumbre apoiará a chapa petista nas eleições de 2026.

Presidente do PT diz que Lulinha e Marcola devem ser investigados, assim como Flávio Bolsonaro

Queira Ancelotti ou não, Neymar continua sendo o maior craque do futebol brasileiro

Neymar Jr. com a camisa do Santos: 🏟️ 225 jogos. ⚽ 138 ...

Neymar,grande craque, continua fazendo a diferença

Vicente Limongi Netto

Perseguido por duras contusões, Neymar permanece sendo, a meu ver, peça fundamental na nova caminhada do Brasil pelo hexa. Aos 34 anos, tem 25 títulos expressivos, por clubes e pela seleção. Voltou a jogar bem no Santos, mostrando, com brilho, que é nosso único verdadeiro craque.

O argentino Messi jogou a recente copa com 39 anos, o croata Modric, com 40, e o português Cristiano Ronaldo, com 41. Não fizeram feio. A diferença entre os quatro atletas é que contusões de Messi, Modric e Cristiano não precisaram de longas recuperações, como costumam ser as de Neymar, eternamente perseguids em campo por brutamontes e pernas de pau.

CALMA, CALMA… – O aquariano Neymar tem que parar de passar recibo para polêmicas inúteis. Que só servem para dar notoriedade a seus obscuros desafetos. No último dia 3, o craque santista promoveu novo leilão do Instituto Neymar Junior, mantido há 10 anos em Praia Grande, São Paulo.

 A iniciativa mantém 3 mil jovens com educação, saúde e 10 modalidades esportivas. E dá assistência também às famílias. As crianças têm orientação de cidadania, respeito, formação de caráter, amor e solidariedade.  O instituto   tem parceria com a fundação do Barcelona Futebol Clube.

A escória recalcada, desocupada, invejosa e odiosa está perto de cortar os pulsos, porque hoje, a fortuna de Neymar é avaliada em 6.5 bilhões de reais. Ou seja, em miúdos, mais de um bilhão de reais para cada filho de herança. Dói na alma da pilantragem ambulante.

RIQUEZA SÓLIDA – Tudo muito bem empregado em investimentos imobiliários, no Brasil e no exterior, assim como em aviões, helicópteros, iates, lanchas, cavalos, carros. 

Em 2012, quando Neymar foi flagrado em iate com amigos e criticado pela Folha de São Paulo, escrevi:  “Pronto, já era esperado. Deixem Neymar em paz.  Ele é jovem, centrado, responsável. Faz o que entende nos momentos de folga e lazer. Contanto que não prejudique suas atividades de atleta profissional. Que Deus continue iluminando os passos de Neymar, que prossiga sua trajetória vitoriosa. Sempre apoiado pela família, o que é fundamental. Ficaria surpreso se Neymar não gostasse de se divertir“. 

Passados 14 anos, não mudo nem as vírgulas do meu texto.

A genial e eterna aquarela de Ary Barroso fez grande sucesso no mundo inteiro

Ary Barroso: álbuns, músicas, shows | Deezer

Ary Barroso, no começo da carreira, era músico de jazz

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O radialista, músico e compositor mineiro Ary de Resende Barroso (1903-1964) na letra de “Aquarela do Brasil” escrita, em 1932, exalta a beleza, a grandeza, a miscigenação e seu amor pelo Brasil.

Historicamente, “como foi gravada durante o governo Getúlio Vargas, a música sofreu críticas por iniciar o movimento samba-exaltação, que tinha meios ufanistas de enaltecer o potencial brasileiro, suas belezas naturais, riqueza e povo.

Vele ressaltar que, na época, o patriotismo que os brasileiros tinham pelo país não pode ser comparado com o atual. Era um sentimento de amor pelo país, que mesmo não concordando com o governo que tinha poder no Brasil, o compositor consegue esquecer todos os problemas e ainda assim, presta um tributo ao povo e a sua terra.

Era a música brasileira mais gravada, em 416 discos, e recentemente foi superada por Garota de Ipanema, com 423 gravações.

AQUARELA DO BRASIL
Ary Barroso

Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Pra mim! Pra mim, pra mim
Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Práaa mim! Pra mim, pra mim!

Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver a sá dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim

Brasil! Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
O Brasil, samba que dá
bamboleio que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil!, Pra mim, pra mim, pra mim

O esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil!, Pra mim, pra mim, pra mim.
Ah! e estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Pra mim, pra mim! Brasil!
Brasil! Pra mim, Brasil!, Brasil!

Flávio diz que “ameaças de altas autoridades” afastaram Centrão de sua candidatura

Flávio estreia nas ruas com público menor e PL já revê estratégia de campanha

Estreia esvaziada abre discussão sobre formato dos atos 

Luísa Marzullo
O Globo

A estreia do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas ruas com um ato para cerca de nove mil pessoas em Copacabana, segundo dados do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap provocou uma avaliação crítica dentro do próprio partido sobre o formato escolhido para as próximas mobilizações da campanha presidencial.

Sem Jair Bolsonaro e nomes com forte capacidade de mobilização da base, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia, o presidenciável ocupou neste domingo o mesmo palco de manifestações maiores promovidas pelo pai nos últimos anos e deixou, na avaliação de integrantes do PL, uma imagem de esvaziamento que poderia ter sido evitada.

COMPARAÇÃO – Aliados, por outro lado, contrapõem a fotografia da orla ao desempenho do lançamento nas redes e afirmam que a transmissão chegou a cerca de 35 mil espectadores simultâneos. A comparação com atos anteriores em Copacabana pesou na avaliação interna.

Em 7 de setembro de 2022, durante a campanha pela reeleição, Jair Bolsonaro levou cerca de 64 mil pessoas à Avenida Atlântica. Dois anos depois, também no Dia da Independência, um ato pró-anistia comandado pelo ex-presidente reuniu 32 mil bolsonaristas na orla. Neste domingo, Flávio falou para aproximadamente nove mil pessoas. As três estimativas foram feitas pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.

O alcance digital é usado por integrantes da campanha para relativizar essa diferença. A avaliação é que, embora Flávio ainda não tenha demonstrado capacidade de levar às ruas um público semelhante ao mobilizado pelo pai, o lançamento conseguiu alcançar uma parcela maior da base pela internet. Para aliados, os cerca de 35 mil espectadores simultâneos da transmissão mostram que a mobilização não pode ser medida apenas pela ocupação da Avenida Atlântica e reforçam a aposta nas redes como um instrumento relevante para a campanha.

PREVISÃO – Integrantes da cúpula do PL ouvidos pelo O Globo afirmam que um público menor já era esperado antes mesmo da realização do evento. A principal crítica feita após a estreia é que, diante dessa previsão, a organização poderia ter delimitado uma área menor da praia, aumentando a concentração dos apoiadores, ou optado por outro local. A extensão reservada para o ato acabou tornando mais visíveis os espaços vazios e produziu imagens consideradas ruins por aliados.

Nos bastidores, uma das ponderações é que uma campanha eleitoral tem uma dinâmica diferente das manifestações de rua protagonizadas por Jair Bolsonaro nos últimos anos. Além de Flávio ainda não ter demonstrado o mesmo poder de convocação do pai, a largada ocorreu no primeiro dia oficial da campanha, quando candidatos e parlamentares aliados estavam envolvidos nas próprias agendas eleitorais nos estados.

Deputados e senadores de fora do Rio, por exemplo, não foram mobilizados para viajar para o ato em Copacabana. A avaliação era que não faria sentido abandonar seus redutos justamente no primeiro dia de campanha para participar da estreia do presidenciável. Com isso, Flávio ficou acompanhado principalmente por aliados do Rio e pela cúpula partidária, entre eles o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

AUSÊNCIAS –  Também não estavam presentes alguns dos personagens com maior capacidade de levar a base bolsonarista às ruas. Michelle fez sua própria estreia eleitoral em Ceilândia, no Distrito Federal, onde concorre ao Senado, e Nikolas não participou do lançamento. Jair Bolsonaro, que historicamente funciona como principal polo de atração desses atos, cumpre prisão domiciliar.

Silas Malafaia, responsável pela organização de diferentes manifestações de Bolsonaro depois da Presidência, também decidiu não ir. Procurado antes do evento, o pastor afirmou que não via razão para participar justamente por se tratar de um compromisso eleitoral de Flávio. “Não vou, não. Isso é ato de campanha. Não tem por que ir”, afirmou. Apesar da ausência, o líder religioso enviou um áudio cumprimentando o candidato. Na gravação, manifestou seu “apoio irrestrito” a Flávio.

MATURAÇÃO DA CONVOCAÇÃO – Outro fator apontado para explicar o público foi o pouco tempo de maturação da convocação. O evento foi anunciado apenas na quinta-feira, três dias antes de sua realização. Aliados avaliam que manifestações de maior porte costumam depender de um período mais longo de divulgação e mobilização, especialmente para atrair apoiadores de outras regiões.

A escolha de Copacabana havia sido feita justamente pelo simbolismo. Flávio decidiu iniciar a corrida presidencial no estado onde construiu sua trajetória política e em um endereço transformado pelo pai em cenário recorrente de demonstrações de força. A intenção era resgatar elementos dos atos bolsonaristas, com concentração na orla e mobilização aberta de apoiadores, em vez de promover um lançamento fechado para convidados.

O resultado abriu uma discussão sobre até que ponto esse modelo deve ser repetido ao longo da campanha. Dentro do PL, há quem defenda que os próximos eventos sejam dimensionados de acordo com a capacidade de mobilização do próprio Flávio e com os aliados que estarão disponíveis em cada ocasião, sem usar automaticamente como parâmetro as manifestações organizadas em torno de Bolsonaro.

Apenas o “cretino fundamental” consegue achar que o conflito de gerações é recente

Charge “A diferença entre as gerações” | Modo Aleatório

Charge do Periotti (Arquivo Google)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Peço a gentileza ao leitor de me acompanhar na breve citação que se segue. “Os dias de hoje são a época da mediocridade e da insensibilidade, da paixão pela ignorância, pela preguiça, pela incapacidade de agir e pela necessidade de ter tudo pronto. Ninguém faz uma reflexão; seria raro alguém suportar uma ideia.” Fim de citação.

Você arriscaria dizer de quem é essa citação? Ou dizer de quando é? Temo que, afora aquelas pessoas que a conhecem, todos errarão de forma crassa ao dizer de quando é essa citação.

NOVA ERA – É comum pensarmos, como contemporâneos que somos, que inauguramos uma nova era na história do mundo. Sem dúvida, nunca houve inteligência artificial antes —ainda suspeito que, em alguns anos, se a IA vingar para além do falatório acerca dela hoje em dia, ninguém dará a mínima bola para ela. Vivemos na era dos aviões, computadores, redes sociais, da medicina científica, enfim, de toda a parafernália tecnológica que conhecemos e que, certamente, mudou o mundo em vários âmbitos.

Mas não nos basta, com o enorme ego moderno que carregamos, saber das mudanças tecnológicas. Nossa era, ou melhor dizendo, minha era — já que, desde que nasci, trouxe uma boa nova para o mundo, a saber, eu mesmo, o que penso e minhas opiniões, o que o Nelson Rodrigues chamava de “o cretino fundamental”— está a criar um novo amor, novas formas de relação sexual, novas masculinidades, uma nova mulher, novas formas de fazer viagens em busca de “experiência”, novas crianças, um novo trabalho.

Enfim, cansa a lista que percorre tudo o que o cretino fundamental acha que seu mundo está criando para o bem da história.

CRETINO FUNDAMENTAL – Na verdade, se ele não tivesse nascido, esta história não teria tido nenhum sentido. Nosso cretino fundamental se vê como o clímax da dialética hegeliana. O sonho que o espírito absoluto sempre carregou consigo ao longo de milênios.

Entre as grandes novidades que o cretino fundamental trouxe para o mundo está a ideia de que existe um “conflito de gerações” e de que, antes dos seus filhos e filhas de 15 anos, o mundo nunca viu tensões entre as gerações. Apesar de a expressão “conflito de gerações” ter a cara do século 20 mesmo, o fenômeno é anterior.

Vale dizer que o século 21, até agora, só inventou a mentira como método, muitas doses de purpurina que cobrem até os cemitérios e gente que acha que sua vida sexual, a saia ou calça que veste devem ser o centro da política. Como herdeiros diretos dos hippies, acham que suas personalidades e corpos são políticos. Existe gente mais chata do que essa?

DA INCAPACIDADE – Alguns fatos se somaram ao longo do século 19 e do início do 20 para que gerações mais velhas começassem a sentir que os mais jovens eram muito mais capazes e inteligentes do que eles ou que eles eram incapazes de ensinar algo que prestasse para os mais jovens.

Vejamos. O surgimento da ciência e da revolução industrial demandou maior formação técnica especializada por parte das próximas gerações. A Primeira Guerra Mundial gerou uma crise de consciência moral em muitos professores pelo fato de se sentirem responsáveis pela matança, e eles se perguntavam quais valores poderiam ensinar aos mais jovens.

 

O romance “Pais e Filhos” de Turguêniev, de 1861, narra justamente esse conflito de gerações. O jovem médico Bazarov considera a geração do seu pai, médico de província — um médico pré-científico — inútil, ignorante e atrasada. O que isso significa? Qual a relação com a citação acima? Significa que muito do que se pensa que está sendo “disruptivo” hoje —palavra idiota da moda— não passa de um processo que anda em curso, no mínimo, desde o século 19.

PROCESSO EM CURSO – Portanto, só cretinos fundamentais assumem que navegam em experiências disruptivas ou que a sua época inventou um novo homem e uma nova mulher. Os grandes escritores russos e russas trocavam de marido e de mulher, viviam em “trisais” reconhecidos como tal, muito antes de se achar que o século 21 inventou o trisal por conta das “novas formas de amor”.

E, provavelmente, se procurarmos, ainda antes do século 19, encontraremos essas tais novas formas de amor que dizem por aí. “Nada há de novo embaixo do sol”, Eclesiastes. Um dos pecados dos contemporâneos é acreditar piamente que criaram um mundo totalmente novo.

Mas voltemos à citação que abre esta análise. O trecho é uma fala do personagem Kraft, do romance “O Adolescente”, de Dostoiévski, de 1875. Muitos poderiam jurar que ela se refere ao “novo mundo” criado pelas redes sociais. A mediocridade, a paixão pela ignorância, a preguiça, a insensibilidade e a necessidade de ter tudo pronto se arrastam pelo mundo já há algum tempo.

A eleição começou, e a polarização já escolheu seu campo de batalha

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Moraes tem 129 milhões de motivos para pretender destruir a democracia

Apenas uma foto do Xandão : r/brasilivre

Foto reproduzida do site r/brasilivre

Carlos Newton

Tudo na vida tem dois lados – o bom e o ruim. É preciso distinguir um do outro, sem ideologias e partidarismos de qualquer espécie. No caso das destrambelhadas decisões monocráticas do ministro Alexandre de Moraes, o fato concreto é que se trata de uma situação única, jamais vista em nenhum país minimamente desenvolvido, com uma sucessão de ordens judiciais que simplesmente destroem as regras basilares da democracia, algo inteiramente novo e aterrador no Brasil contemporâneo.

Tudo começou em 2019, quando a imprensa publicou que as mulheres dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, respectivamente, Roberta Rangel e Guiomar Feitosa, ambas advogadas de muito prestígio, tinham sido apanhadas pela Receita Federal por inconsistências nas declarações de renda.

TOFFOLI REAGIU – Na época, Toffoli presidia o Supremo. Sua reação foi classificar a notícia como “fake news” e determinar ilegalmente que o ministro novato Alexandre de Moraes abrisse investigações para apurar os responsáveis pela difamação, sem pedir o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Foi assim, de forma ilegal, que surgiu o Inquérito das Fake News, que se eternizaria também irregularmente e foi apelidado de “Inquérito do Fim do Mundo” pelo então ministro Marco Aurélio Mello, porque “não vai acabar nunca”.

Sete anos depois, o inquérito continua ilegalmente aberto e acaba de servir para Moraes descumprir a Constituição, jogando no lixo a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte, a pretexto de limpar a honra de um ministro que se julga no direito de usar carro blindado estadual para passear com a família no Maranhão, com motorista e combustível pagos com recursos públicos.  

OS DOIS LADOS – Assim, inicialmente deve ser  analisado o lado ruim da notícia, com o comportamento inadequado de Flávio Dino e a decisão ilegal de Moraes, que atua como um agente provocador, destinado a solapar a democracia, de modo a sepultar as próprias ilegalidades que comete, especialmente seu enriquecimento ilícito, e tem 129 milhões de motivos para agir assim, como diz o jornalista Mario Sabino.

O lado bom da notícia é que começa a se formar no Supremo um movimento contra Moraes, pois o atual presidente Edson Fachin enfim afirmou que o Inquérito do Fim do Mundo precisa ser extinto, enquanto a ministra Cármen Lúcia ssegurava que a maioria dos ministros derrotará Moraes na defesa da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte.

Moraes vai discutir o assunto na Primeira Turma, onde tem dois votos – o dele e o de Flávio Dino, mas Cármen Lúcia é contra e o voto restante, de Cristiano Zanin, deve ser também contrário a Moraes, com empate de 2 a 2, que será decidido no Plenário, conforme Fachin já anunciou, e assim a liberdade de imprensa será restabelecida.

ÓTIMA NOTÍCIA – Para demonstrar que o império autoritário de Moraes está chegando ao fim, ele já começou a perder o apoio de Gilmar Mendes, que enfim demonstra entender que tudo tem limites. Na semana passada, o Plenário decidiu por 6 votos a 4 que o período de recolhimento domiciliar noturno e uso de tornozeleira eletrônica devem ser descontados da pena de condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Votou contra Moraes o ministro Cristiano Zanin, que apresentou a divergência e foi seguindo por Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça.

Moraes só foi apoiado por Flávio Dino, Dias Toffoli e Nunes Marques, cujo voto ninguém entendeu, pois atpe agora ele sempre defendia a inocência dos réus do 8 de Janeiro.

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P.S. –
Essa decisão do Plenário representa um momento inédito de discordância do Plenário  quanto ao rigor das punições aplicadas aos réus do 8 de Janeiro. A seguir, o segundo capítulo será a confirmação da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte, que marcará o início da derrocada de Alexandre de Moraes, que jamais deveria ter sido nomeado para o Supremo. (C.N.)

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A violência urbana nos Estados não é combatida como deve ser pelos governadores, que dispõem da polícia militar e civil. Nota-se no discurso dos bolsonaristas, insinuações surradas de que a culpa é do governo federal pela violência em geral. 

O governo federal vem tentando através do SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) integrar as polícias dos estados com as polícias federais numa cooperação conjunta. Os governadores da direita ficaram contra, mas apesar disso, o programa foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está travado no Senado Federal.

TEMA EXPLORADO – A segurança pública é um tema explorado pelos políticos da direita. Alardeiam que vão combater a violência urbana e a corrupção. É o discurso de Flávio Miliciano Bolsonaro. Ele jura que o fará. A meu ver, porém, o candidato do PL não tem credibilidade para dizer que vai combater a violência e a corrupção. 

Para os moradores e comerciantes das comunidades, a milícia é pior do que o tráfico.  A milícia cobra taxa mensal dos moradores e taxa mensal pesada dos comerciantes. O tráfico não cobra taxa, o negócio do traficante é vender as drogas. Embora as drogas também precisam ser combatidas e enfrentadas. 

PENDURICALHOS – Quando as vestais grávidas da OAB Nacional vão manifestar repúdio pelos escandalosos pagamentos para milhares de juízes e operadores do Direito  em todo o Brasil?

Achei boa  a autocritica do Flávio Miliciano Rachadinha: “O Brasil vai crescer porque vou perder”. Outro apedeuta, o mineiro Romeu Zema, garante que vai construir presídio no Norte do país. Por que não construir em Minas Gerai mesmo, imbecil?

Por fim, já foi tarde o bitolado treineiro que atrapalhava o Fluminense. Abestado, deixando o cerebral Ganso no banco para proteger o amigo dele, também argentino, La Costa. O interino Marcão, ex-jogador raçudo do Fluminense,  conhece o elenco, é respeitado. A união e a raça voltaram. Bela vitória contra o forte Palmeiras. Seguramente o melhor jogo do Fluminense este ano. Amanhã é dureza, pela Libertadores. Mas o time está confiante. 

Congresso se fortalece à custa de transparência e concentração de poder, indica estudo