O petróleo financia o presente, mas a conta amarga a ser paga fica para 2027

Criatividade de penduricalhos ilegais nos tribunais surpreende os ministros do STF

Tribuna da Internet | TJ de São Paulo pagou R$ 184 milhões em penduricalhos após decisão do STF

Charge do Alpino (Noticias Yahoo)

Manoela Alcântara
Metrópoles

Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encontraram uma série de penduricalhos pagos irregularmente a integrantes de sete Tribunais de Justiça. Por isso, determinaram que todos suspendam imediatamente o pagamento de penduricalhos fora do estabelecido por decisão do STF, fixada no mês de março deste ano.

Mandaram ainda que todos os valores que excederam o limite do teto constitucional sejam devolvidos. A determinação ocorre após a análise de informações prestadas pelos tribunais do Distrito Federal e dos seguintes estados: Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia.

LIMITE MÁXIMO – Segundo os relatores das ações que tratam do tema, foram identificadas inúmeras rubricas pagas em descumprimento a diretrizes fixadas pelo plenário da Corte, que estabeleceu um limite máximo de 70% do subsídio para verbas indenizatórias (sendo 35% para antiguidade e 35% para as demais rubricas).

A decisão lista uma série de “penduricalhos” considerados irregulares, “exorbitantes”. Veja alguns deles: auxílio assistência pré-escolar; licença compensatória; licença compensatória (difícil acesso); adicional por trabalho em turma recursal; diferença gratificação diretor de fórum; gratificação mesa diretora; auxílio mudança e auxílio adoção.

E mais: 20% a mais para final da carreira; gratificação indenizatória função administrativa; gratificação acúmulo distribuição; gratificação de acúmulo distrital; gratificação – grupo de metas; gratificação – coordenações especiais; gratificação presidente, vice-presidente e corregedor; entre outras.

DIZ O SUPREMO – O STF reforçou que apenas parcelas específicas, como diárias, ajuda de custo por remoção, terço de férias e gratificação por exercício cumulativo de jurisdição (em casos restritos), estão autorizadas, desde que respeitem os limites percentuais.

O documento destaca casos considerados alarmantes. No Maranhão, por exemplo, um único desembargador aposentado teve autorizado o pagamento de R$ 3,2 milhões em verbas rescisórias.

Rio Grande do Norte, um magistrado aposentado recebeu mais de R$ 554 mil em um único mês. Em Rondônia, aproximadamente 90% de todos os magistrados do estado receberam acima de R$ 100 mil em abril. E no Distrito Federal houve registro de pagamento mensal de R$ 490 mil a uma magistrada.

FISCALIZAÇÃO – Os presidentes dos tribunais citados têm o prazo de 72 horas para identificar os beneficiários de pagamentos irregulares e encaminhar a relação ao STF sob sigilo.

Após a identificação, deve ser determinada a imediata devolução dos valores que ultrapassaram o teto de 70% dos subsídios. Em até cinco dias, os tribunais precisam comprovar nos autos que as suspensões e devoluções foram efetivadas.

A suspensão imediata dos pagamentos é para todas as verbas indenizatórias, inclusive as devidamente autorizadas na decisão do STF que excedam ao percentual de 35%, inclusive em face de supostas “verbas rescisórias” ou similares.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como se vê, o Supremo resolveu acordar do sono eterno em que mergulhara, ao permitir os primeiros penduricalhos, cuja criação é absolutamente vetada pela Constituição em dois artigos diferentes. Vamos ver o que acontece daqui para a frente. É provável eu venha por aí uma reação tipo Operação Tarturaga, com os juízes e operadores de Direito trabalhando ainda menos do que hoje, pois já não trabalham quase nada, têm duas férias por ano, feriados prolongadíssimos no Carnaval e Semana Santa, etc. e tal. Vamos aguardar. (C.N.)

Crime organizado vira ameaça eleitoral e força partidos a criar filtros

Pesquisas indicam que, se houver união, a direita vai derrotar Lula com facilidade

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: De olho nas pesquisasCarlos Newton

É bastante esclarecedora a pesquisa do PoderData, instituto responsável pelos levantamentos eleitorais do portal Poder360. Confirma, de uma vez por todas, o que praticamente todas as pesquisas indicam – o candidato Lula da Silva (PT) vence o primeiro turno, mas pode perder no segundo turno para qualquer um dos principais adversários, que estão em empate técnico.

A pesquisa dá o petista com 46% e Flávio Bolsonaro (PL) com 45%. Na segunda simulação, Lula tem 45% e Ronaldo Caiado (PSD), 44%. E no terceiro cenário, Lula continua em 45% e Romeu Zema (Novo) chega a 43%. Três empates técnicos. Lula só ganha com facilidade de outro candidato, Renan Santos (Missão), fazendo 41% a 37%.

CONTRADIÇÕES – O dinheiro corre solto nos bastidores das pesquisas e quem gasta mais é sempre o presidente que tenta a reeleição, porque possui a chave do cofre.

No confronto das pesquisas, não interessa o grau de manipulação, fica claro que Lula pode perder a eleição, se houver um mínimo de união entre os quatro candidatos da direita., cujos índices no primeiro turno estão curiosamente estacionados desde o início do ano, nada consegue alterá-los.

Ronaldo Caiado, por exemplo, jamais passa de 5%, embora já esteja sendo apoiado por políticos de grande importância, como os ex-governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr. (PR) e Ciro Gomes (CE) e pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.  No PoderData, ele não passa de 4%…

MANIPULAÇÕES – Mesmo com a derrama de dinheiro pelo Planalto e pelo PT, as pesquisas sempre deixam transparecer algumas indicações negativas para Lula.

Por exemplo, o Poder Data mostra no primeiro turno Lula com 41%; Flávio, 35%; Caiado, 4%; Renan, 4% e Zema, 3%. Sem falar em Augusto Cury (Avante), com 3%; Leonardo Avalanche (PRTB), 1%; Clariana Barão (DC), 1%; Rui Costa Pimenta (PCO), 1%

Assim, se você somar os votos dos quatro maiores antipetistas (Flávio, Caiado, Zema e Renan), qualquer um deles que concorra contra Lula chega a 46% no segundo turno, se houver uma união dos candidatos de direita.

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P.S. –
Realmente as pesquisas chegam a ser engraçadíssimas, mas os jornalistas levam a sério e fazem o maior drama. Eu dou belas gargalhadas. Somente 43% apoiam Lula e seu governo, mas ele será eleito por 46%? Essa é ótima!… E quem pode acreditar que ex-governandores como Caiado e Zeman só tenham 4% e 3%, respectivamente, mas outros candidatos verdadeiramente desconhecidos cheguem a pontuar? Ora, registrar Augusto Cury com 3%, Leonardo Avalanche com 1%; Clariana Barão com 1%, e Rui Costa Pimenta com 1%, sem dúvida. é uma tremenda Piada do Ano! Em cada 2,4 mil brasileiros, você encontra 72 que conhecem Augusto Cury e vão votar nele2? “Fala sério”, diria Bussunda.  (C.N.)

PT e PL ampliam recursos para candidatos ao Senado em meio a embates com STF

PL e PT ficaram com as maiores parcelas do Fundo Eleitoral

Hugo Henud
Estadão

O PT, de Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, do senador Flávio Bolsonaro, deram mais peso ao Senado na distribuição do Fundo Eleitoral de 2026. No partido do petista, a parcela reservada às candidaturas ao cargo mais que quadruplicou em relação a 2022. Já a sigla de Flávio deu à bancada de senadores peso próprio na repartição entre os Estados.

O movimento ocorre em meio ao esforço dos partidos para ampliar suas bancadas numa Casa decisiva para a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e para a votação de pautas centrais do próximo governo. PL e PT ficaram com as maiores parcelas do Fundo Eleitoral em 2026, com R$ 881,7 milhões e R$ 615 milhões, respectivamente.

PESO ADICIONAL – Formado por recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas, o fundo é distribuído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos partidos segundo critérios previstos em lei, que levam em conta, entre outros fatores, o tamanho das bancadas na Câmara e no Senado. Neste ano, a disputa pela Casa Alta ganha peso adicional porque dois terços de suas cadeiras serão renovados: cada Estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, num total de 54 dos 81 integrantes.

No PT, a parcela do fundo reservada às candidaturas ao Senado passou de 2,48% em 2022 para 10,08% neste ano. Em valores, o montante saltou de cerca de R$ 12,5 milhões para R$ 62 milhões, quase cinco vezes o destinado nas últimas eleições. A direção nacional decidirá como o dinheiro será dividido entre candidatos e Estados, e os percentuais ainda poderão ser ajustados para garantir o cumprimento das cotas legais.

No PL, por sua vez, a mudança ocorreu na própria fórmula de distribuição. Em 2022, Câmara e Senado integravam um mesmo critério, sem que a resolução informasse quanto cabia a cada Casa. Neste ano, a legenda separou as duas Casas. Dos 70% do fundo destinados à repartição entre os Estados, até 48% serão distribuídos de acordo com o tamanho da bancada na Câmara, enquanto o Senado ganhou uma faixa própria de até 15%, calculada com base no número de senadores do partido.

PROJEÇÃO – Na prática, essa faixa corresponde a até R$ 92,6 milhões, ou 10,5% de todo o fundo recebido pelo PL. A Executiva Nacional mantém poder sobre a distribuição final e poderá levar em conta pesquisas, potencial eleitoral e a estratégia política da legenda em cada Estado. Esse peso maior dado ao Senado na divisão dos recursos também aparece no discurso da própria cúpula do partido. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, projeta a eleição de mais 20 senadores pelo PL em outubro. “Do jeito que estão as avaliações, e mesmo de outros partidos, nós temos oito senadores hoje que não vão disputar (governo), que têm mais quatro anos de mandato. Então, nós devemos fazer mais 20 senadores”, afirma.

A aposta em ampliar a bancada também está ligada a bandeiras caras ao bolsonarismo. Durante a convenção do PL no Distrito Federal, o presidenciável Flávio Bolsonaro voltou a defender a eleição de um número maior de senadores e afirmou que uma Casa fortalecida seria necessária para fazer com que ministros do Supremo voltassem, segundo ele, a respeitar a Constituição.

A declaração ocorre em meio ao confronto do clã Bolsonaro com a Corte, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes. A ampliação da bancada também é associada pelo grupo a bandeiras como o impeachment de integrantes do STF e uma anistia “geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

PRIORIDADE – A tentativa de conquistar uma bancada maior no Senado antecede a candidatura de Flávio e já era uma prioridade declarada do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes de ser preso, Bolsonaro dizia que pretendia eleger ao menos 20 senadores em 2026 e associava diretamente esse avanço à capacidade de influenciar a composição do Supremo. “Com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República”, afirmou em julho de 2025, ao mencionar o poder dos senadores de aprovar ou rejeitar indicados à Corte.

O PL pretende lançar candidatos ao Senado em 24 unidades da Federação. Atualmente, o partido reúne 16 senadores, dos quais 11 foram eleitos em 2022 e ainda têm quatro anos de mandato.

Para o PT, a ampliação da bancada no Senado também está entre as prioridades eleitorais do partido, seja para avançar projetos defendidos pelo governo, seja para reduzir o risco de novas derrotas políticas. “Será fundamental para o PT para o próximo ciclo formar uma boa quantidade de senadores”, resume o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do partido.

ESCALA 6X1 – Uma das bandeiras é o fim da escala de trabalho 6×1, tratada pelo Planalto como prioridade. A proposta foi aprovada pela Câmara no fim de maio, mas ainda aguarda votação no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, segurou o avanço do texto ao determinar que a proposta passasse pelas comissões antes de chegar ao plenário, apesar da pressão dos governistas para que a medida fosse aprovada antes das eleições.

Uma bancada mais numerosa também daria ao governo maior segurança na aprovação de autoridades indicadas pelo presidente da República. Cabe ao Senado sabatinar e aprovar nomes para a Procuradoria-Geral da República, o Banco Central, as agências reguladoras e as embaixadas brasileiras, além de tribunais superiores como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo.

Sem o aval dos senadores, a nomeação não se concretiza. Foi o que ocorreu em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo, com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Foi a primeira vez em 132 anos que a Casa recusou um nome escolhido pelo presidente da República para o STF, numa das principais derrotas impostas ao governo Lula pelo Congresso neste mandato.

IMPEACHMENT – Nesta eleição, o PT lançou 18 nomes para disputar vagas no Senado em 2026. O tamanho da bancada também pesa na eleição do presidente do Senado, a quem cabe decidir sobre a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo. Além disso, quanto maior o número de senadores de uma legenda ou bloco, menor sua dependência de aliados para alcançar os diferentes quóruns exigidos pela Casa.

Projetos de lei ordinária são aprovados por maioria simples dos presentes, desde que haja ao menos 41 senadores na sessão. Propostas de emenda à Constituição exigem 49 votos, equivalentes a três quintos da Casa, em dois turnos. Já a condenação de um ministro do STF ou do presidente da República em processo de impeachment depende do apoio de 54 senadores, dois terços do plenário.

CENTRALIDADE – Para o professor do Insper Leandro Consentino, a tendência é que o peso dado ao Senado nas estratégias partidárias não seja circunstancial e aumente nas próximas eleições.

Para ele, a Casa ganhou centralidade no jogo político à medida que passou a concentrar disputas antes menos presentes no debate eleitoral, impulsionadas pela polarização e pela maior politização de temas como a relação com o Supremo, a aprovação de autoridades e a agenda do governo. “O Senado sempre teve um papel central, mas agora os partidos acordaram para sua importância estratégica. Essa valorização veio para ficar”, diz.

Michelle fecha apoio do Podemos e amplia alianças para disputar o Senado no DF

Republicanos do DF acena apoio à ex-primeira-dama

Felipe Gelani
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) fechou um acordo com o Podemos para sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. O entendimento foi costurado com a ajuda da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

O movimento amplia a articulação de Michelle em busca de apoio de partidos fora do PL para a disputa. O presidente distrital da legenda, Cristian Viana, deve ocupar a segunda suplência da chapa.

APOIO – O Republicanos do estado também acenou apoio à candidatura da ex-primeira-dama no Distrito Federal. Na sexta-feira (7), o presidente distrital do partido, Joaquim Mauro Silva, publicou em seu perfil no Instagram uma foto de uma reunião com Michelle e escreveu: “Vem novidade por aí”. Participaram do encontro Damares e Cristiane Britto, que foi ministra da Mulher no governo Jair Bolsonaro.

O registro foi a primeira aparição de Michelle em uma agenda política desde o lançamento de sua candidatura. Ela não participou da convenção do PL em Brasília, em 2 de agosto, por causa de uma crise de enxaqueca.

Apesar das articulações locais em torno de Michelle, o cenário nacional é diferente. O Republicanos declarou neutralidade na eleição presidencial de 2026, decisão que deixou o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mais isolado na disputa. Em São Paulo, porém, o partido declarou apoio a Flávio. O governador paulista, Tarcísio de Freitas, é um dos principais aliados do senador.

Bolsonaro agiu nos bastidores para reunir Michelle e Flávio na campanha

Gesto não altera participação pontual de Michelle na campanha

Luísa Marzullo
O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro intercedeu para que Michelle Bolsonaro participasse das gravações com Flávio Bolsonaro (PL) na última terça-feira, segundo aliados do pré-candidato e da ex-primeira-dama, no primeiro encontro presencial entre os dois desde a crise que marcou a montagem da campanha.

Segundo os relatos, Bolsonaro pediu que Michelle fizesse o gesto de apoio ao filho e atuou para diminuir as arestas de uma relação que, apesar da reconciliação pública pelas redes sociais, ainda passava por ajustes nos bastidores.

MEDIAÇÃO – A participação de Michelle, portanto, não partiu apenas de uma iniciativa da campanha para incorporá-la à propaganda de Flávio. Bolsonaro entrou na articulação para que a ex-primeira-dama comparecesse à sede jurídica da candidatura, em Brasília, e produzisse ao lado do filho a primeira imagem dos dois juntos desde o desentendimento.

A mediação ocorre num momento em que Bolsonaro, em prisão domiciliar, está impedido de participar diretamente da campanha, mas continua sendo acionado nas negociações e decisões envolvendo seu núcleo político e familiar.

A crise começou durante as negociações para a montagem dos palanques estaduais de Flávio. Michelle se insurgiu contra o apoio do PL a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e defendeu que o partido lançasse dois candidatos ao Senado no estado, sem compor com o postulante ao governo.

REAÇÃO – O episódio provocou uma reação pública de Flávio e expôs divergências dentro da família. Depois, o presidenciável publicou um vídeo pedindo desculpas à madrasta, que respondeu que o perdoava. Os dois, no entanto, não haviam voltado a se encontrar.

Na terça-feira, Michelle chegou à sede da campanha por volta das 14h e permaneceu pouco mais de uma hora. Antes das gravações, ela e Flávio ficaram alguns minutos sozinhos em uma sala e oraram juntos. Pessoas que acompanharam a movimentação descreveram o clima como amistoso e “leve”.

Os dois produziram conteúdos que serão usados nas redes sociais e na propaganda eleitoral. Michelle, porém, dedicou apenas parte do período ao enteado. Aproveitou a concentração de candidatos para gravar também com outros nomes, entre eles a deputada Rosana Valle (PL-SP) e o ex-ministro Marcelo Queiroga (PL-PB).

CALIBRAGEM –  Apesar da iniciativa de Bolsonaro e da imagem de unidade produzida pelas gravações, aliados de Michelle não enxergam no encontro uma mudança significativa na relação com Flávio ou no grau de envolvimento dela na campanha presidencial. A avaliação é que a ex-primeira-dama fez o gesto político esperado depois da crise, mas continuará calibrando suas aparições ao lado do enteado.

A própria passagem pela sede do partido reforçou essa leitura. Michelle reafirmou que preferia uma mulher na vice de Flávio, embora tenha manifestado apoio a Alfredo Gaspar (PL-AL), e voltou a classificar como “visceral” sua oposição à aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará. Também tornou pública sua insatisfação com a autonomia que teve para trabalhar candidaturas femininas à frente do PL Mulher.

Ao tratar da relação com Flávio, afirmou que não guarda mágoas, mas reconheceu que a recomposição ainda é gradual: disse que “as coisas vão se ajustando aos poucos”.

NOVO ENCONTRO – A campanha gostaria de aproveitar o reencontro para ampliar as aparições dos dois. Flávio estará novamente em Brasília no próximo dia 19, e integrantes de seu entorno chegaram a avaliar a possibilidade de promover um compromisso conjunto. A presença de Michelle, porém, não está prevista até o momento.

A expectativa entre aliados da ex-primeira-dama é que ela continue participando principalmente por meio de vídeos e das redes sociais, com aparições presenciais pontuais. Michelle concentra seus esforços na própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e na rotina de cuidados com Bolsonaro.

Ela mesma afirmou nesta terça que ainda não sabe se conseguirá viajar pelo país para ajudar o enteado e relatou que até a ida às gravações exigiu uma reorganização em casa: deixou a rotina de Bolsonaro preparada e pediu que uma funcionária permanecesse por mais tempo na residência.

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Uma dramática síntese da vida, na visão poética de Francisco Otaviano

Francisco Otaviano – Wikipédia, a enciclopédia livre

Francisco Otaviano, grande poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, político, diplomata e poeta carioca Francisco Otaviano de Almeida Rosa (1825-1889) imortalizou-se ao escrever o poema “Ilusões da Vida”. Em poucas palavras, Otaviano faz um convite à reflexão sobre o sofrimento que a vida reserva a cada um de nós.

Era um poeta tão consagrado que Machado de Assis escreveu um livro sobre a morte do amigo.

ILUSÕES DA VIDA
Francisco Otaviano

Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.

Ministros do STF determinam devolução de penduricalhos e citam pagamentos ‘exorbitantes’

TSE prepara julgamento que pode definir os limites da IA na eleição

Com seus penduricalhos imorais, os magistrados estão desmoralizando a Justiça brasileira

Saem 15 penduricalhos, fica o penduricalhão - Espaço Vital

Reprodução do site Espaço Vital

Vicente Limongi Netto

Quem merece punição:  o desempregado que rouba carne no mercado para alimentar os filhos, muitas vezes o desesperado cidadão acaba preso e espancado pelos brutamontes do estabelecimento, ou a escória de juízes que ganha salários muitas vezes maiores que os vencimento do Presidente da República, professores universitários, cientistas, bombeiros, policiais civis e militares, motoristas de ônibus, deputados e senadores?

No maior descaramento, magistrados permanecem impunes, ganhando fortunas por mês, muito acima do teto constitucional, desmoralizando leis e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

SERES SUPERIORES – Os magistrados e operadores do Direito estão se lixando para tudo e todos. Sentem-se superiores aos demais cidadãos. O Supremo permitiu esses excessos, que começaram a pretexto de dinheiro adquirido, embora privilégios jamais possam ser considerados como direitos.

Agora o próprio STF procura conter a roubalheira, tenta estabelecer limites, e pela primeira vez passa a  exigir que os cretinos togados gulosos devolvam o que ganharam a mais.

Em meio a essa farra salarial, apareceu um desequilibrado mental em Minas Gerais, fantasiado de juiz, fumando e bebendo vinho na boca da garrafa, durante uma sessão virtual do tribunal.

AFASTAMENTO – O irresponsável togado foi afastado das funções. Protestou. Xingou todo mundo. Sobrou até para o Xandão Moraes. Punido, vai encher a cara em casa, com 80 mil de salários mantidos intactos.

O fato concreto é que o Brasil perdeu o pudor. Aqueles que deveriam zelar pelo bem público são os primeiros a manchar leis e normas. Magistrados jogaram o pudor no lixo.

Os cretinos acham que ganham pouco, mas a imprensa denuncia que eles criam cada vez mais penduricalhos, sem que ninguém verdadeiramente tome providências. É surrealismo puro e imoral.

Michelle e Flávio: a trégua que expõe a disputa pelo futuro do bolsonarismo

Michelle ganha espaço, e campanha quer usá-la como trunfo

Pedro do Coutto

O primeiro encontro público entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro depois do recente atrito entre os dois não deve ser interpretado apenas como uma reconciliação familiar. Em plena preparação para a eleição presidencial, a imagem dos dois juntos tem uma função política evidente: reconstruir a unidade de um grupo que depende fortemente da força simbólica da família Bolsonaro.

A crise havia adquirido dimensão suficiente para ameaçar a campanha. Agora, Michelle e Flávio voltam a aparecer juntos e procuram transmitir a mensagem de que as divergências foram superadas. A estratégia faz sentido eleitoralmente. Pesquisa Genial/Quaest mostrou que 59% dos eleitores consideraram positiva a reaproximação, percentual que chegou a 90% entre os bolsonaristas.

ATIVO POLÍTICO – Mas a fotografia da reconciliação também revela uma questão mais profunda: Michelle se tornou um ativo político que Flávio não pode ignorar. Sua influência ultrapassa o papel de ex-primeira-dama e alcança segmentos importantes do eleitorado conservador, especialmente entre mulheres e evangélicos. Por isso, sua presença na campanha deixou de ser acessória. Ela passou a integrar a própria equação de poder do bolsonarismo.

Flávio, por sua vez, precisa ampliar sua candidatura para além do núcleo mais fiel ao pai. A pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostra Lula com 39% e Flávio com 30% no primeiro turno; no segundo, o presidente aparece com 44%, contra 39% do senador. Já a CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira, apontou Lula com 42,4% contra 28,7% de Flávio no primeiro turno e 48% contra 39,1% no segundo.

Os números mostram que Flávio está competitivo, mas ainda enfrenta um obstáculo central: transformar a herança política de Jair Bolsonaro em uma candidatura capaz de conquistar eleitores além da base bolsonarista.

UNIDADE FAMILIAR – É nesse ponto que Michelle pode ajudar. Sua imagem pode suavizar a candidatura, ampliar sua capacidade de comunicação e reforçar a sensação de unidade familiar. Mas existe também um risco: se Flávio depender excessivamente da ex-primeira-dama, poderá reforçar justamente a percepção de que ainda não construiu uma identidade política própria.

A reconciliação, portanto, resolve uma emergência, mas não encerra a disputa de fundo. O bolsonarismo entrou numa fase de sucessão. Jair Bolsonaro continua sendo sua principal referência, mas a eleição de 2026 definirá muito mais do que o adversário de Lula: definirá quem terá condições de comandar esse campo político nos próximos anos.

Nesse cenário, Michelle não é apenas uma apoiadora de Flávio. Ela também preserva capital próprio e capacidade de influência. E isso explica por que o reencontro interessa aos dois lados.

TOMA LÁ, DÁ CÁ – Flávio precisa de Michelle para fortalecer sua candidatura. Michelle precisa manter espaço dentro do grupo que continua orbitando o sobrenome Bolsonaro. O PL precisa dos dois para evitar que uma disputa familiar se transforme em fratura eleitoral. A paz, portanto, é conveniente para todos. Mas conveniência não significa consenso.

O vídeo dos dois juntos pode representar o fim de uma crise. Politicamente, porém, também funciona como o primeiro capítulo de uma disputa muito maior: quem herdará, de fato, o poder construído por Jair Bolsonaro.

Presidente do STM admite fracasso do Judiciário durante a ditadura: “não houve resistência”

Flávio mantém Gaspar como vice e descarta troca em meio a novas suspeitas

Flávio atribui ataques à atuação do aliado no caso do INSS

Luísa Marzullo
O Globo

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) descartou na última terça-feira a possibilidade de substituir Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de sua chapa e fez uma defesa pública do aliado, que passou a ser alvo de questionamentos após suspeitas envolvendo uma acusação de estupro de vulnerável e de desvios de emendas parlamentares.

O senador afirmou ter “confiança” no deputado, a quem classificou como uma “pessoa preparada” e “de coragem”. Gaspar é alvo de um procedimento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado a uma acusação de estupro de vulnerável, que ele nega.

“JUSTIFICATIVA” – Flávio atribuiu os questionamentos sobre Gaspar à atuação do deputado nas investigações sobre as fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. “Foi exatamente no momento em que ele estava ali defendendo os aposentados roubados pelo governo do PT, inclusive pedindo a prisão do Lulinha, que foi feito isso contra ele. É uma pessoa do bem, uma pessoa preparada, da área da segurança pública, de quem temos confiança, de coragem”, afirmou Flávio.

O caso que está no pano de fundo das especulações tramita sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia se endossa um pedido da Polícia Federal para a abertura de inquérito destinado a investigar uma acusação feita por parlamentares de um suposto estupro de vulnerável pelo deputado. Na semana passada, Gilmar encaminhou à PF uma solicitação da PGR para que haja diligências adicionais antes de decidir se há ou não elementos para a abertura de uma investigação.

O episódio veio à tona em março, durante a CPI do INSS, da qual Gaspar foi relator. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), adversários do parlamentar na comissão, acionaram a Polícia Federal para pedir a apuração de “fatos graves” aos quais afirmaram ter tido acesso.

SEM PROVAS – Na representação, os parlamentares relataram ter recebido documentos segundo os quais uma menina, então com 13 anos, teria sido estuprada, engravidado e tido um filho. O episódio teria ocorrido há oito anos. Os autores do pedido não apresentaram provas naquele momento, sob a justificativa de preservar a adolescente e a mãe.

Gaspar nega ter cometido crime e afirmou desejar fazer um exame de DNA para comprovar sua inocência. Depois que as acusações vieram a público, o deputado também entrou com ações no Supremo contra Lindbergh e Soraya e disse ter disponibilizado seu material genético para eventual exame.

Em nota, Gaspar classificou as acusações como “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis” e afirmou que se tratava de uma tentativa de desviar o foco das investigações sobre o INSS.

EMENDAS –  Além da acusação dos parlamentares, Gaspar também teve uma emenda sua alvo de um procedimento do STF na semana passada. Na sexta-feira, o ministro Flávio Dino mandou a PF apurar se há indícios de crimes na execução de R$ 55,4 milhões na modalidade Pix. A decisão do magistrado se baseia em uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou “falhas sistêmicas” no controle dos recursos entre 2020 e 2024.

Entre as emendas listadas pelo TCU está uma de R$ 6,2 milhões enviadas por Gaspar para São José da Laje (AL), a 100 quilômetros da capital, Maceió. Segundo a auditoria, não é possível saber como o dinheiro foi gasto pela administração municipal.

Gaspar afirmou não ser investigado no procedimento que apura a aplicação dos recursos e que cabe à prefeitura de São José da Laje prestar contas. “As emendas parlamentares foram destinadas de forma regular ao município, conforme a legislação, cabendo exclusivamente à prefeitura a execução dos recursos e a respectiva prestação de contas”, disse, acrescentando que “confia no trabalho dos órgãos de controle”. A prefeitura também foi procurada, mas não respondeu.