TSE está estudando a proibição ampla de deepfakes nas eleições de 2026

TSE impede análise de decisão de Mendonça sobre PT e manda redistribuir o processo

Por 5 a 2, ministros decidiram não analisar decisão de Mendonça

Mariana Muniz
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impediu a análise de uma decisão do ministro André Mendonça que havia determinado ao PT a apresentação de documentos sobre o 8º Congresso Nacional da legenda e o chamado “Canal Porta Vozes do Lula”. Por 5 votos a 2, os ministros entenderam que houve uma inadequação na distribuição do processo e determinaram que o caso seja redistribuído entre os integrantes da Corte.

A decisão de Mendonça havia sido tomada em uma representação apresentada pelo PL contra a Federação Brasil da Esperança, integrada pelo PT. O processo discute suposto uso indevido de recursos partidários em uma estratégia para orientar militantes a produzir e disseminar conteúdos contra o senador Flávio Bolsonaro.

PLENÁRIO VIRTUAL – O julgamento ocorreu no plenário virtual extraordinário do TSE entre quarta e sexta-feira. O processo tinha André Mendonça como juiz da propaganda eleitoral, e o referendo de sua decisão foi submetido aos demais integrantes da Corte.

Prevaleceu, no entanto, uma divergência aberta pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Para a maioria, a ação foi distribuída de maneira inadequada. Por isso, o TSE decidiu não apreciar o referendo da tutela provisória e determinou que o processo seja redistribuído, agora na classe de Ação Cautelar, entre os ministros competentes do tribunal.

Além de Cueva, votaram nesse sentido Antonio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e o presidente do TSE, Nunes Marques. Ficaram vencidos André Mendonça, relator do caso, e Dias Toffoli.

CONTROVÉRSIA – Na prática, com a decisão, a liminar de Mendonça não foi referendada pelo plenário na forma em que havia sido submetida ao julgamento. A controvérsia deverá voltar a ser analisada depois da redistribuição do processo.

A medida de Mendonça havia determinado a apresentação de documentos para aprofundar a apuração sobre o 8º Congresso Nacional do PT e o “Canal Porta Vozes do Lula”. Na própria decisão, o ministro havia registrado que, naquele momento, não havia elementos suficientes para comprovar diretamente o uso irregular de recursos partidários, eventual pagamento ou vantagem econômica a participantes ou a ilicitude da estratégia de comunicação adotada.

A ordem, portanto, tinha caráter cautelar e buscava obter informações que permitissem avançar na investigação das suspeitas levantadas pelo PL. Com a decisão do TSE, não houve análise do mérito dessas acusações nem reconhecimento pelo plenário de eventual irregularidade na utilização de recursos partidários.

Mais de 20 mil candidatos entram na corrida por espaço no poder em 2026

PF intercepta diálogos de Lulinha com lobista sobre articulações no governo Lula

Casimiro de Abreu, o poeta que morreu aos 21 anos e jamais será esquecido

Tribuna da Internet | A poesia simples e cativante de Casimiro de Abreu,  onde também canta o sábiaPaulo Peres
Poemas & Canções

O dramaturgo, romancista e ensaísta brasileiro Casimiro José Marques de Abreu (1839-1860), nascido em Barra de São João (RJ), que depois da morte dele passou a ser denominada como Casimiro de Abreu, foi um intelectual brasileiro da segunda geração romântica. Sua poesia tornou-se muito popular durante décadas, devido à linguagem simples, delicada e cativante, conforme o poema “Meus Oito Anos”, que fala da saudade de sua infância. Morreu aos 21 anos, mas ficou tão famoso que se tornou patrono da cadeira nº 6 na criação da Academia Brasileira de Letras.

MEUS OITO ANOS
Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Jurista vê “precedente gravíssimo” na decisão de Moraes quebrando sigilo da fonte

Avião de Vorcaro de R$ 120 milhões é apreendido no Paraguai após 16 voos internacionais

TSE levará ao plenário denúncia de excesso de gastos do governo Lula em publicidade

O medo que chega às urnas e pode até decidir a eleição presidencial

Medo de ser assaltado alcança dois a cada três eleitores

Pedro do Coutto

A campanha presidencial de 2026 começa sob uma constatação que nenhum candidato poderá tratar como questão secundária: o brasileiro está com medo. Medo de ser assaltado, de perder o celular, de sofrer uma agressão e, cada vez mais, de que a violência atravesse a porta de casa. A insegurança deixou de ser apenas um problema de política pública para se transformar em uma experiência cotidiana — e, por isso, em uma poderosa variável eleitoral.

A pesquisa Quaest divulgada na última sexta-feira confirma a dimensão política desse sentimento: 33% dos eleitores apontam a violência como o principal problema do país, mais que o dobro dos que citam a economia, com 15%. Saúde e corrupção aparecem com 14% cada. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.

TEMORES  – O dado ganha ainda mais força quando colocado ao lado do estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha. A pesquisa mostra que 96,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais têm medo de pelo menos uma situação de violência. Entre os principais temores estão golpes, roubo à mão armada, morte durante um assalto, roubo de celular, bala perdida e invasão da residência.

O que está em jogo, portanto, não é apenas o medo do crime, mas a percepção de que o Estado perdeu capacidade de proteger o cidadão. Quando alguém muda o caminho para evitar determinada rua, deixa de usar o celular em público ou evita sair à noite, a violência já não é apenas uma ocorrência policial: ela passa a organizar a vida social.

É nesse ponto que a segurança pública se transforma em terreno eleitoral especialmente fértil para a direita. O risco, porém, é transformar uma angústia legítima em combustível para soluções simplistas. Mais armas, penas maiores e discursos de endurecimento podem produzir impacto eleitoral, mas não resolvem sozinhos um crime organizado que se tornou sofisticado, movimenta dinheiro, controla territórios, utiliza tecnologia e estabelece conexões dentro e fora do sistema prisional.

MEDO É REAL – O erro do campo progressista seria igualmente grave se tratasse a segurança como uma pauta artificialmente criada pela direita. Os números mostram o contrário. O medo é real, disseminado e atravessa diferentes segmentos sociais. Ignorá-lo significa entregar aos adversários o monopólio do diagnóstico e, principalmente, da proposta de solução.

A esquerda precisa disputar esse tema sem abrir mão de direitos, mas também sem transformar direitos em argumento para a inação. Segurança pública exige polícia preparada, inteligência, investigação financeira, combate ao tráfico de armas, integração entre forças de segurança, controle das fronteiras, recuperação de territórios dominados por organizações criminosas e um sistema prisional que não funcione como centro de comando do crime.

O eleitor, entretanto, não está interessado apenas em conceitos. Ele quer saber se poderá voltar para casa sem medo. E é justamente aí que a campanha deverá ser cobrada. Não basta perguntar quem será mais duro contra o crime. Será preciso perguntar quem tem um plano capaz de reduzir a violência de maneira concreta e sustentável.

DEBATE SIMPLIFICADO – O medo também tem uma consequência política perigosa: simplifica o debate. Diante da insegurança, explicações complexas perdem espaço para frases de efeito. É nesse ambiente que prosperam propostas que prometem força imediata, mesmo quando não demonstram capacidade real de produzir segurança.

A eleição de 2026 poderá ser decidida, em parte, pela capacidade dos candidatos de compreender essa diferença. Explorar o medo pode render votos. Reduzi-lo exige governo. A segurança pública, portanto, não será apenas mais um tema da campanha. Ela poderá atravessar economia, desigualdade, juventude, drogas, urbanização, sistema prisional e até a relação entre União, Estados e municípios. O que estará em disputa será algo mais profundo: a confiança de que o Estado ainda consegue proteger o cidadão comum.

No fim, a pergunta decisiva não será quem grita mais alto contra a criminalidade. Será quem consegue apresentar um caminho plausível para que o brasileiro volte a caminhar pela rua, usar o próprio celular e abrir a porta de casa sem sentir que sua segurança depende da sorte. É nesse espaço entre o medo e a promessa de proteção que a eleição de 2026 começa a ser desenhada.

Deu no Financial Times! Trump estuda novas sanções a Alexandre de Moraes

Financial Times" alcança 1 mi de leitores pagantes

Jornal britânico revela que Moraes voltou à mira dos EUA

Idiana Tomazelli
Folha

Depois de ter bloqueado passaportes e haver usado a Lei Magnitsky contra cidadãos estrangeiros acusados de corrupção grave ou de violações de direitos humanos, o governo de Donald Trump estuda impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, segundo informações do jornal inglês Financial Times.

A reportagem afirma que as medidas contra Moraes voltaram a ganhar força após o ministro autorizar ações de busca e apreensão contra informantes do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, que publicou textos sobre o ministro Flávio Dino e também foi alvo de buscas determinadas pelo magistrado.

LEI MAGNITSKY – Há alguns meses, o governo americano revogou a aplicação da Lei Magnitsky, mas liados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seu filho Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, estão pedindo a membros do governo americano a retomada das sanções contra Moraes.

Entre os defensores da medida estão o empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mantêm interlocução com integrantes da administração Trump.

Agora, segundo o Financial Times, o caso do jornalista do Maranhão despertou a atenção do governo dos EUA porque envolve uma discussão sobre liberdade de imprensa no Brasil. Se confirmadas, as novas sanções abririam mais uma frente de desgaste na relação entre os dois países.

NA MIRA – O ministro e sua mulher, Viviane Barci, estão permanentemente na mira do Governo, do Congresso e da Justiça dos Estados Unidos para serem alvos de sanções. Em julho do ano passado, a gestão Trump enquadrou o magistrado na Lei Magnitsky, que prevê uma série de restrições a acusados de graves violações de direitos humanos.

O argumento do governo americano na época era o de que Moraes cometeu “graves abusos de direitos humanos” como relator do processo que investigou a trama golpista das eleições de 2022, que resultou na condenação e prisão do ex-presidente Bolsonaro.

As sanções incluíam a proibição de entrada nos EUA, o congelamento de bens no país e o bloqueio de transações comerciais e financeiras entre pessoas ou empresas dos EUA e os alvos da medida.

APOIO DE LULA – As restrições foram retiradas em dezembro do ano passado, e Moraes agradeceu ao presidente Lula da Silva (PT) pelo empenho pela derrubada da medida.

Mas a tensão na relação diplomática entre os dois países subiu nas últimas semanas. O Brasil é um dos principais alvos do tarifaço imposto por Trump. Além disso, o governo americano classificou as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Outro impasse envolve a indicação do diplomata Daniel Perez, escolhido por Trump para assumir a embaixada do país em Brasília.

SEM AGRÉMENT – O governo americano subverteu a praxe diplomática e anunciou o nome de Perez antes de haver o aceite formal do Brasil – procedimento conhecido como agrément.

Envolvido na campanha eleitoral pela reeleição, o presidente Lula tem reiterado que só vai analisar o aval ao novo embaixador após as eleições de outubro no Brasil.

Diante da demora, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. O Departamento de Estado americano classificou a decisão como uma medida recíproca e afirmou que a diplomata continuará reconhecida como representante oficial do Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Ao insistir no descumprimento da Constituição brasileira e das regras do Direito Internacional, o ministro Moraes atua como se fosse um agente provocador e tem provocado represálias do governo com sua própria família e contra o Brasil, sem a menor justificativa. A culpa é de Michel Temer, que o indicou ao Supremo e o Senado aprovou essa figura esdrúxula. (C.N.)

Estamos num mar de lama, sem saber se as instituições PF/STF estão funcionando

Polícia Federal: governo anuncia concurso com 2 mil vagas

PF prende, mas os corruptos acabam sendo libertados

Marcus André Melo
Folha

A profusão de operações policiais no país produz simultaneamente uma crise de confiança e uma demonstração de capacidade institucional. Quanto mais o sistema de controle funciona, mais corrupção se torna visível; quanto mais corrupção se torna visível, mais a sociedade pode concluir que o sistema inteiro está apodrecido.

A sucessão quase diária de operações da PF (Polícia Federal) e de denúncias envolvendo instituições antes relativamente preservadas — tribunais superiores, Banco Central, TCU — produz dois efeitos com sinais opostos.

IMPÉRIO DO CRIME – O primeiro é o sinal do mar de lama: a criminalidade organizada e a corrupção teriam penetrado profundamente o Estado, alcançando instituições que deveriam justamente controlá-las. Não se trata dos suspeitos usuais — empresas contratistas de obras públicas (empreiteiras), parlamentares, membros do Executivo. A degradação também pode ser enxergada nos numerosos mob lawyers (advogados da máfia) que assessoram o crime ou dele se beneficiam.

Os escândalos do Master e do INSS revelam as entranhas do entrelaçamento entre interesses dentro e fora do Estado. O caso do Rio de Janeiro é o microcosmo desses desmandos.

REAÇÃO AO CRIME – Mas há também o sinal oposto, da resistência institucional: as investigações demonstram que ainda existem setores e indivíduos dispostos a revelar e enfrentar essa penetração. E não só nas instituições de Estado — a mídia e até jornalistas individuais também são baluartes contra a degradação.

Pelo protagonismo que assume, a Polícia Federal adquire grande centralidade nessa resistência. As tensões entre sua direção e o relator do escândalo do INSS no Supremo são reveladoras.

Isso remete a questões sobre o profissionalismo de seus quadros e a lealdade política de seu centro de comando em questões eleitoralmente sensíveis.

CONTRADIÇÕES – O paradoxo, portanto, é que o mesmo fato — uma nova operação da Polícia Federal — pode servir de evidência tanto de degradação quanto de resiliência institucional.

A operação revela o crime, mas também revela a existência de quem o investiga. E remete a um temor justificado: quem controlar a Polícia Federal terá poder desmedido. Até quando a instituição se manterá independente?

Dada a polarização atual, os sinais opostos são processados com vieses. A oposição enfatiza a extensão da corrupção, vinculando-a ao governo e à degradação institucional do país. Os governistas enfatizam a autonomia da PF e apresentam as operações como prova de que as instituições estão funcionando.

AVALIAÇÕES DUPLAS – O contingente crescente de eleitores sem identificação partidária pode combinar as duas avaliações: perceber uma degradação assustadora e, ao mesmo tempo, reconhecer que ainda existem “ilhas de resistência”.

Cada operação da Polícia Federal conta duas histórias: a da expansão do crime organizado e a da resistência das instituições. A endogeneidade entre os dois fenômenos não é especificidade nossa; é universal, como mostra a literatura sobre corrupção.

Deve-se ao fato de que a corrupção é em geral corrupção revelada. Mas o mar de lama — a penetração de grossa corrupção em setores nunca antes atingidos — não é produto apenas de uma maior capacidade institucional. É uma mudança qualitativa. E é real.

Cármen desafia Moraes e adverte que o sigilo da fonte tem de ser respeitado

Cármen Lúcia durante evento da BBC Brasil

Cármen Lúcia deu a declaração num Fórum da BBC

Carlos Newton

O Supremo Tribunal Federal prepara-se para discutir e decidir sobre uma das mais importantes polêmicas desde sua fundação, em 1981, organizada por Ruy Barbosa, que se baseou na Suprema Corte norte-americana. O assunto em debate é fundamental para a democracia, cuja existência depende diretamente da liberdade de imprensa, que inclui o sigilo da fonte, conforme está expresso na Constituição Federal.

A polêmica surgiu na terça-feira passada, dia 11, quando o ministro Alexandre de Moraes (ele, sempre ele) autorizou monocraticamente uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão.

Cutrim foi apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo, autor de reportagens sobre o ministro Flávio Dino, que usa veículos blindados do Tribunal maranhense para conduzir sua família nas visitas a São Luís, com motorista e combustível pagos pela Justiça estadual.

DEMOCRACIA VIOLADA – O ministro Moraes já havia violado a Constituição e a democracia, ao autorizar busca e apreensão na residência do jornalista, para recolher o celular do jornalista e descobrir a fonte dele. E depois voltou a violar, ao determinar a busca e apreensão na residência do ex-secretário estadual Raimundo Cutrim.

A decisão de Moraes revoltou alguns ministros do Supremo e dois deles se pronunciaram à imprensa. O presidente Edson Fachin afirmou que a decisão monocrática de Moraes, tomada no Inquérito das Fake News, que está ilegalmente aberto desde 2019, precisa ser submetida a Plenário. Já a ministra Cármen Lúcia se mostrou ainda mais incisiva, ao dizer que o STF jamais concordará com essas decisões autoritárias de Moraes.

As declarações da ministra foram feitas na sexta-feira, dia 14, no Fórum Desafio da Credibilidade, ao ser questionada pela editora-chefe da BBC News Brasil em São Paulo, Flávia Marreiro, sobre a proteção ao sigilo da fonte.

DISSE A MINISTRA – “A liberdade de imprensa não está em questão no Brasil por uma simples razão: o artigo 220 da Constituição é expresso ao garantir que não existe democracia sem liberdade de imprensa. E o inciso XIV do artigo 5º também diz que é garantido o direito ao trabalho, ao ofício e à profissão, além do sigilo da fonte quando necessário ao exercício da função”, afirmou, ressaltando que não estava falando de nenhum caso específico. E acrescentou, segundo a repórter Iara Diniz, da BBC.

“Eu sou proibida por lei de falar sobre o que está sub judice no Supremo […] Mas, quando este caso especificamente chegar lá, eu vou ter que votar. Todo mundo sabe da minha posição e da posição do Supremo, que historicamente defende o direito de imprensa porque é um direito constitucional, é um direito democrático.”

O caso vai ser levado por Moraes para análise da Primeira Turma do STF, da qual Cármen Lúcia faz parte. Mas depois será examinado no Plenário, segundo declarações de Fachin.

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P.S. 1 –
Na vida, não existe poder absoluto, porque tudo tem limites. Com sua desmedida arrogância, o ministro Alexandre de Moraes pensou (?) que sua autoridade era ilimitada, a ponto de emitir ordens judiciais a serem cumpridas pela Justiça dos Estados Unidos. E o resultado é o processo aberto contra ele nos EUA.

P.S. 2 – Agora, volta a exorbitar de seus poderes, ao desconhecer a Constituição e tentar a blindagem de Flávio Dino, outro ministro que ultrapassou os limites de suas prerrogativas. Mas a pronta reação de Edson Fachin e Cármen Lúcia mostra que o STF pode voltar a cumprir as obrigações específicas, sem extrapolar seus poderes. E o ministro Alexandre de Moraes enfim perceberá que tem de cumprir as leis ou então sofrerá impeachment, a bem do serviço público, porque ninguém aguenta mais tanta prepotência. (C.N.)

STF prepara julgamento que pode redefinir regras para jogos de azar e bets

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