Michelle terá campanha ao Senado limitada pela prisão domiciliar de Bolsonaro

O milagre das mãos do pai, nas poesias de Mário Quintana e de Paulo Peres

Frases de Mario Quintana - Reflexões poéticas sobre a vida e o tempoCarlos Newton

Para comemorar o Dia dos Pais, uma data que precisa ser alegre, embora em muitos casos possa ser triste, selecionamos hoje dois poemas relativos ao tema. Um deles, do gaúcho Mário Quintana, e o outro, do carioca Paulo Peres, que passou a se dedicar à poesia quando trabalhamos com o jornalista, cronista e poeta Rubem Braga, com quem Peres aprendeu que a poesia é necessária.

AS MÃOS DO MEU PAI
Mario Quintana

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos
e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

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DIA DOS PAIS
Paulo Peres

Festejai, pai material,
Este dia especial.
Receba o carinho celestial
– Família, luz e amor –
Através à bênção do Pai Maior,
O Nosso Deus-Pai Espiritual

Lula rebate Trump e diz que EUA receberam informação falsa sobre desmatamento

A paranoia bolsonarista por trás da escolha do vice Alfredo Gaspar

Lula mobiliza R$ 283 bilhões para estimular a economia e ganhar a eleição

Palocci garante que a direita só perde a eleição para Lula por estar dividida

Caiado defende anistia a Jair Bolsonaro para enfraquecer Flávio e atingir Lula

Ex-comandante da Aeronáutica lança livro para “limpar” sua fama de golpista

Jantar de Moraes, Lula e Alcolumbre exibe o sinistro conluio entre os três Poderes

Lula e Alcolumbre se reúnem na casa de Alexandre de Moraes para jantar de reaproximação – Noticias R7

Zanin entrou de penetra e fez papel de ator coadjuvante

Carlos Newton

O grande historiador, jornalista e professor Capistrano de Abreu (1853-1927) sabia exatamente o que estava dizendo, quando sugeriu que a Constituição brasileira tivesse apenas dois artigos. O primeiro seria: “Todo brasileiro deve ter vergonha na cara”. E segundo: “Revogam-se as disposições em contrário”.

Nascido em Maranguape (Ceará), Capistrano era conterrâneo de Chico Anysio e tinha esse veio humorístico. Mas sua sátira tinha base numa trágica realidade que ele constatara – a de que leis extensas e detalhadas são inúteis, quando faltar honestidade básica e decência nas pessoas e nos governantes.

CENTENÁRIO – No próximo ano, o Brasil vai lembrar o centenário da morte de João Capistrano Honório de Abreu, estamos apenas nos antecipando. Ele foi o responsável pela entrada do nosso país no mundo da historiografia moderna.

Sua maior obra foi o livro “Capítulos da História Colonial (1500 – 1800)”, publicado em 1907, em que ele analisa a formação étnica e cultural do Brasil, que depois viria a ser retomada por outro grande intelectual nordestino, Gilberto Freyre, um dos  brasileiros a receber o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico – o outro foi Pelé.

Na última terça-feira, dia 4, ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, ofereceu um jantar em sua mansão em Brasília, reunindo os presidentes Lula da Silva e Davi Alcolumbre, com a participação especial do ministro Cristiano Zanin. Ou seja, Executivo, Legislativo e Judiciário comendo e bebendo à vontade, numa integração festiva que nada acrescenta à democracia e deixa muito mal a independência entre os Poderes.

MOTIVO DECLARADO – Esse tipo de reunião fora de agenda chama-se “conluio”, é sinônimo de conspiração, complô, conchavo ou trama. Mostra que Capistrano de Abreu tinha razão. Há autoridades e governantes que não têm vergonha na cara, agem como se estivessem acima do bem e do mal.

Mas aqui no Brasil tudo funciona ao contrário. Ao invés de se envergonharem por não estarem honrando a dignidade dos cargos, eles se orgulham desse “ménage à trois” e até o divulgam à imprensa, revelando que objetivo foi promover a reaproximação e lavar roupa suja após a crise institucional gerada pela derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo.

Durante mais de três horas, essas autoridades fizeram um acerto de caráter pessoal que desmoraliza a independência e a autonomia dos Três Poderes, que ficam transformados em moeda de troca.

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P.S. 1
– Algum intrometido pode alegar que não se trata de conluio entre os Poderes, porque quem preside o Supremo é Edson Fachin, que sequer foi convidado. Mas a alegação é ridícula. Até as curvas sinuosas e sensuais dos pilotis do Supremo sabem que Fachin não manda nada. Quem comanda o circo é a dupla Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Aliás, num conluio desse tipo, Gilmar nem precisa ser convidado, porque ele sempre está por trás de tudo.

P. S. 2 – Mas o que une Moraes, Lula e Alcolumbre. Ora, as famílias dos três são enriquecidas ilicitamente. Lula já foi condenado duas vezes por corrupção e lavagem de dinheiro, e a qualquer momento pode acontecer uma nova Lava Jato. Alcolumbre é um criminoso à solta, com uma família também enriquecida ilicitamente, em incidente que envolvem até tráfico internacional de drogas. E Moraes, como diz o jornalista Mario Sabino, tem 129 milhões de motivos para vender proteção a malfeitores como Daniel Vorcaro.

P.S. 3 – Quanto à presença de Cristiano Zanin, a única explicação é que ele está sendo doutrinado para entrar nesse tipo de negócio.  

P.S. 4  – Será que exagerei alguma coisa? Creio que não. Quando lembro de Capristano de Abreu, fico consciente de que todo jornalista precisa ter vergonha na cara e dizer a verdade. (C.N.)

Justiça ainda precisa obrigar órgãos públicos a serem transparentes

Charge do Nani (Nani Humor)

Maria Vitória Ramos
Bruno Morassutti
Folha

No último mês, a 8ª Vara Cível de Brasília determinou que a Embratur divulgue de forma nominal e individualizada as remunerações de seus funcionários, diretores e conselheiros. A entidade, que administra recursos públicos, precisou de uma ordem judicial para fazer o que a Lei de Acesso à Informação (LAI) já manda.

A decisão responde a uma ação civil pública da Fiquem Sabendo e repete um roteiro conhecido. Por mais óbvio que pareça a qualquer cidadão, muitas carreiras ainda lutam pela opacidade de seus contracheques. A divulgação atenderia a “mera curiosidade”; a ocultação protegeria os quadros de “investidas” do setor privado; a intimidade das pessoas estaria ameaçada. No fundo, persiste a ideia de que prestar contas é opcional.

DENÚNCIAS – Por isso nos vemos obrigados, de forma rotineira, a apresentar denúncias e ações para forçar entidades a cumprir a lei. No caso da Embratur, o juiz Leandro Borges de Figueiredo concedeu tutela de evidência e deu 30 dias para a publicação, por entender que a pretensão se volta “à concretização dos princípios da publicidade, da transparência e da prestação de contas na administração de recursos públicos”.

O mesmo enredo se repete na Apex-Brasil, agência de promoção de exportações que, como a Embratur, é um serviço social autônomo estruturado em recursos públicos. Movemos ação idêntica e, em março, a Justiça também mandou a agência abrir os dados. A entidade alega já divulgar seus dados de pessoal, mas só publica faixas salariais por cargo, sem nomes nem valores. Em 2020, reportagem da coluna de Lúcio Vaz, na Gazeta do Povo, mostrou o presidente da Apex recebendo até 73% acima do salário do presidente da República. Sem dados individualizados, não há como saber como esses valores evoluíram.

A usina de Itaipu é mais um exemplo. Com receita superior a US$ 3 bilhões em 2024, a binacional trata a própria folha salarial como informação sensível e resiste a abrir os supersalários de sua diretoria, já noticiados por esta Folha. Seus gestores alegam natureza “sui generis” e afirmam que a usina gera sua própria riqueza e não dependeria de recursos públicos. TCU (Tribunal de Contas da União), CGU (Controladoria-Geral da União) e Ministério Público Federal foram barrados por decisões judiciais de fiscalizá-la. Também a processamos; no Paraguai, o caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

OBRIGAÇÃO – A resistência não é só desses entes peculiares. No fim de 2023, esgotados os recursos, o TCU tornou definitiva a obrigação de todas as estatais federais, inclusive as de economia mista e capital aberto, publicarem salários nominais e individualizados.

Já no Acórdão 728/2019, o relator Vital do Rêgo assentou que “nenhuma dúvida há de que as empresas públicas e sociedades de economia mista que atuem em concorrência também estão sujeitas às obrigações de divulgação das remunerações de seus empregados”. Protocolamos mais de cem pedidos com a decisão em mãos. Mesmo assim, gigantes como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal seguem entregando apenas números agregados. Como já escrevemos nesta coluna, as estatais têm que entender que são… estatais.

É papel do cidadão cobrar seu direito a um governo aberto. Mas é dever do gestor atendê-lo de forma proativa, política essencial à legitimidade das instituições. Por mais importante que seja o reconhecimento judicial do direito à informação, toda vitória da sociedade civil nesta seara tem também um gosto de derrota: fomos obrigados a exigir, num processo, que alguém faça aquilo que a própria lei já manda fazer.

Lula suaviza discurso econômico e evita propostas que assustem os investidores

Lula desarma pauta-bomba do PT na economia

Fabio Graner
O Globo

A equipe econômica teve uma vitória importante ao desarmar a “pauta-bomba” interna de setores do PT nas negociações em torno do programa de governo para um eventual novo governo, que ainda será divulgado. Outra vitória foi a definição pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer uma menção explícita à necessidade de contenção na trajetória dos gastos obrigatórios.

Lula bateu o martelo nesta semana que temas ruidosos para o mercado financeiro, como promessa de “tarifa zero” no transporte público e teses como reversão de privatizações e controle de capitais, entre outros, ficarão de fora do programa. A notícia foi antecipada pelo jornal “Folha de S. Paulo” e confirmada pelo O Globo.

UNIVERSALIZAÇÃO – Um interlocutor comenta que o programa deverá ter uma menção fiscalmente mais amigável para a ideia de escola em tempo integral, programa já em implementação e que deverá ser ampliado em um quarto mandato. O sonho de Lula é a universalização, que em um horizonte de 10 anos custaria R$ 170 bilhões, conforme mostrou O Globo nesta semana, mas isso será mediado pelas restrições orçamentárias.

Outra vitória da área econômica é o reforço à sinalização de que o governo seguirá no esforço de consolidação fiscal, melhorando os resultados primários. Não deve haver uma menção direta ao projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, mas a lógica é que esse será o balizador para a sinalização ao mercado.

A LDO ainda não foi votada pelo Congresso, mas prevê a retomada de resultados primários (receitas menos despesas, sem considerar juros) positivos no ano que vem e um ajuste total da ordem de dois pontos porcentuais do PIB até 2030.

FLEXIBILIDADE – O documento do PT não deve trazer metas explícitas e detalhadas para nenhuma ideia, como ocorreu em 2022. A lógica é deixar flexibilidade para Lula definir seus passos tanto no processo eleitoral, como na gestão do governo em caso de reeleição, ao mesmo tempo em que se busca sinalizar um esforço de melhora na posição fiscal do país.

No esforço de conter as alas petistas mais preocupadas em ter mais recursos para programas do que com a responsabilidade fiscal, a equipe econômica, liderada pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), conseguiu apoio dos presidentes do PT, Edinho Silva, e do BNDES, Aloizio Mercadante. Mas não arrancou de Lula promessas mais ousadas como diminuir o crescimento do teto de gastos, que vem sendo defendida pela Fazenda nas conversas com o mercado.

A discussão do programa dentro do partido é coordenada pelo ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, que gerou polêmica com o mercado principalmente após uma entrevista ao O Globo, em que mostrou um viés mais heterodoxo nas questões fiscal e cambial, gerando ruídos e preocupando o governo, incluindo o próprio Lula.

PLANO DE AJUSTE FISCAL – Apesar de ter desarmado a pauta bomba e ainda ter algumas sinalizações fiscais melhores, a equipe econômica ainda tem necessidade de avançar para conseguir convencer Lula e o PT a implementarem um plano de ajuste fiscal robusto e que consiga ajudar a melhorar as expectativas a ponta de abrir espaço para queda dos juros, mesmo considerando que em grande medida a pressão financeira decorra da piora externa.

Nesse sentido, o que poderia mudar o sentimento do mercado seria um compromisso mais explícito do próprio presidente com uma maior contenção de despesas totais do que a prevista no arcabouço e um objetivo de acelerar a estabilização da dívida pública. O enunciado de buscar conter os gastos obrigatórios ajuda, mas sem detalhes sobre o que seria isso e se o espaço aberto será usado para reforçar o resultado primário ou para gastar mais com investimentos, a eficácia em termos de expectativa é mais contida.

Ainda que sinalize nos bastidores estar preocupado com o tema fiscal, a prioridade do presidente agora é se reeleger e qualquer decisão sobre sinais a serem transmitidos ao mercado está condicionado ao cálculo sobre o quanto agregará em votos. Certo é que, ficar dizendo que seu histórico é de responsabilidade, como gosta de se gabar quando fala da questão fiscal, não tem qualquer efeito sobre os humores dos investidores. E evitar ideias inexequíveis pelas restrições fiscais ajuda, mas não resolve.

Moro defende Valdemar e diz que presidente do PL “já pagou pelos erros do passado”

Lula entrou em campo e garantiu a neutralidade de Republicanos e Podemos

Gilmar diz não conhecer vice de Flávio e mantém análise de investigação sobre deputado

Lula não cede a Trump e mantém bloqueio a novo embaixador americano

Valdemar tentou convencer Michelle a ser vice de Flávio Bolsonaro, mas recebeu um “não”

Michelle recusou ser vice de Flávio mesmo após reconciliação

Rafael Moraes Moura
O Globo

Enquanto tentava atrair aliados e costurar alianças com outros partidos, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a sondar na semana passada a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre a possibilidade de ela ser companheira de chapa do enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A vaga acabou ficando com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado na última quarta-feira (5). A escolha frustrou aliados que preferiam uma mulher para tentar reduzir a rejeição ao filho de Jair Bolsonaro no eleitorado feminino. As movimentações de Valdemar Costa Neto foram confirmadas por quatro fontes ao longo dos últimos dias, incluindo integrantes do PL, aliados de Flávio e interlocutores de Michelle. Procurado, Valdemar não respondeu aos questionamentos da reportagem.

DOBRADINHA – Uma eventual dobradinha Flávio-Michelle serviria para pacificar os ânimos e tentar vender ao eleitorado a imagem de unidade familiar, após a guerra que opôs os dois e escancarou as fissuras internas do clã Bolsonaro em praça pública. Em junho, Michelle chegou a gravar um vídeo dizendo ter sido humilhada e apunhalada nas costas por Flávio por conta de desentendimentos sobre alianças políticas no Ceará. Com a escalada da crise, o filho 01 de Jair Bolsonaro pediu publicamente à madrasta “desculpas por alguns momentos que causaram desconforto”.

“Houve uma sondagem pessoal, e isso é feito sempre com a anuência de todo mundo. Mas Michelle decidiu com o Jair que não queria ser vice-presidente, porque ela teria dificuldades de fazer campanha nacional”, afirmou uma fonte que acompanha de perto as movimentações nos bastidores.

Um interlocutor de Michelle, que também confirmou a sondagem, aponta as dificuldades logísticas da ex-primeira dama para se dedicar a uma campanha que envolve uma maratona de eventos e agendas por diversos Estados, enquanto o marido precisa de cuidados médicos ao longo do dia no regime de prisão domiciliar. “Como ela iria fazer campanha? Impossível. Quem cuidaria do Jair?”, disse esse interlocutor. “Na prática, a Michelle também está em prisão domiciliar.”

VIAGENS – Viajar para outros Estados é algo considerado praticamente descartado por Michelle devido aos tempos de deslocamento, questões logísticas e o monitoramento da saúde de Bolsonaro. Esse fator pesou para ela decidir concorrer a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, onde sua eleição é dada como certa, e para não comparecer à convenção que anunciou a candidatura de Flávio, realizada em São Paulo.

A mais recente pesquisa Genial/Quaest mediu o impacto da crise familiar na opinião do eleitorado. Um recorte inédito, obtido pelo blog, aponta que 53% das mulheres avaliam que foi positivo Michelle e Flávio terem feito as pazes em público – índice inferior ao registrado entre os homens (65%). Já para 27% das mulheres, a reconciliação foi negativa, ante 23% do verificado entre os homens.

Na avaliação de 48% das mulheres, o apoio de Michelle não aumenta as chances de vitória de Flávio na eleição presidencial de outubro, ante 42% daquelas que acham o contrário. Entre os homens, a situação é inversa: 51% avaliam que o apoio de Michelle aumenta as chances do senador, enquanto 42% dos entrevistados discordam.

FIADORA – “Isso mostra que Michelle funciona menos como uma simples captadora do voto feminino e mais como uma fiadora da unidade bolsonarista. Entre os homens, seu apoio atua como um selo de reconciliação, reduz a percepção de divisão interna e legitima a candidatura de Flávio”, afirmou à equipe do blog o CEO da Quaest, o cientista político Felipe Nunes.

“Entre as mulheres, ela também ajuda, mas não elimina automaticamente as resistências que parte do eleitorado feminino mantém em relação ao próprio Flávio. Michelle transfere legitimidade com mais facilidade do que transfere voto feminino.”

Um desesperado poema de amor, com a sensibilidade de Adalgisa Nery

FCO-2940 - Retrato de Adalgisa Nery | Obras | Portinari

Adalgisa Nery era a grande musa de Portinari

Paulo Peres
Poemas& Canções

Nesse poema, a jornalista, deputada e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, devido a seu casamento com o grande pintor modernista Ismael Nery. Foi um das mulheres mais importantes de sua época, retratada por todos os grandes pintores, especialmente Cândido Portinary, que pintou vários quadros sobre ele.

Nesse desesperado poema, Adalgisa Nery proclama seu amor em todos os sentidos.

EU TE AMO
Adalgisa Nery

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita do tempo
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
Em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a ideia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

Punição do ministro Marco Buzzi ainda depende do CNJ, da AGU e do Supremo

STJ decide afastar ministro Marco Buzzi após condenação em processo  disciplinar por importunação sexual – Jornal DR1

Marco Buzzi já está afastado e perdeu os penduricalhos

Vicente Limongi Netto

Esclareço a situação do canalha Marco Buzzi, para acabar com todas as dúvidas processuais ainda existentes. O verme foi colocado em disponibilidade com recomendação de perda do cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade.

Em miúdos:  agora o Conselho Nacional de Justiça tem que referendar a decisão do STJ ou não. Caso positivo, manda para a Advocacia-Geral da União (AGU) processar o tarado no Supremo Tribunal Federal (STF).

SALÁRIO BÁSICO – Por ora, Buzzi fica recebendo o salário básico, sem penduricalhos, que é de aproximadamente R$ 44 mil mensais, correspondendo a 95% do valor pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (que é de R$ 46.366,19).

Buzzi tem 68 anos de idade. Faltavam ainda 7 anos até a aposentadoria compulsória. Em síntese: Marco Buzzi está no sal. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deve ratificar a decisão e o STF certamente não vai aliviar o patife. Bom frisar que a decisão do STF é exemplar e histórica. Perda do cargo e dos salários.

PROJETO OPORTUNO – A deputada Roseana Sarney (MDB-MA) propôs, em projeto, o encaminhamento do paciente com câncer a estabelecimento privado credenciado, contratado ou conveniado ao SUS quando houver descumprimento dos prazos legais ou preventivamente, quando tiverem transcorridos dois terços do prazo sem agendamento compatível com seu cumprimento.

A iniciativa da deputada, ex-senadora e ex-governadora, deseja conferir maior efetividade aos prazos legais de diagnósticos e tratamento do câncer.

Seminário recente sobre tratamento oncológico, argumenta Roseana, demonstrou a persistência de gargalhos na rede pública, com denúncias de atraso no acesso ao tratamento e dificuldade de acompanhamento dos dados oferecidos. A deputada salienta que esse cenário mostra que a previsão legal dos prazos, embora relevante, precisa ser acompanhado de mecanismos capazes de assegurar sua efetiva observância.

Pressão de Trump fortalece narrativa de Lula, mas efeitos têm prazo de validade

Com ações recorrentes, Trump pode ser um tiro pela culatra

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

“O Brasil não é para principiantes.” Atribuída ao compositor e maestro Tom Jobim, a frase serve como uma luva para Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano e principal arquiteto da mudança de orientação dos Estados Unidos para a América Latina. A política de pressão concebida em Washington pretende enfraquecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas pode ser um tiro pela culatra.

Até agora, deu a Lula a oportunidade de transformar a crise diplomática numa disputa em defesa da soberania nacional. O tarifaço contra produtos brasileiros, os contatos de integrantes do governo Trump com aliados de Flávio Bolsonaro, a tentativa de enviar funcionários do Departamento de Estado para discutir a integridade das urnas e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti são iniciativas consideradas ingerências nas eleições deste ano pelo Palácio do Planalto. Washington condiciona a restauração do visto de Viotti à aprovação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos.

CONFRONTO – Nenhuma dessas medidas, isoladamente, decide uma eleição. Juntas, porém, permitem que Lula apresente o confronto como uma disputa entre os objetivos nacionais e uma potência estrangeira interessada no resultado das urnas. Ocupa o lugar institucional de chefe de Estado agredido por pressões externas, enquanto Flávio Bolsonaro corre o risco de ser associado a uma articulação internacional contra seu próprio país.

Trump e Rubio talvez tenham subestimado a complexidade da política brasileira. A pressão externa costuma estimular reações nacionalistas. Lula mobiliza a militância de esquerda, busca apoio de setores democráticos e de eleitores moderados. Quanto mais explícita e truculenta for a tentativa norte-americana de influenciar o processo eleitoral, maior será a possibilidade de Lula se apresentar como defensor da autonomia do país. Entretanto, se a condição de vítima o favorece, o santo é de barro. Lula precisa calibrar suas reações para não agir com soberba e irresponsabilidade.

REORGANIZAÇÃO DA DIREITA – A Casa Branca promove a reorganização da direita latino-americana. Marco Rubio procura consolidar um eixo conservador no continente, conter a presença econômica da China e apoiar governos identificados com a agenda de Trump. No Cone Sul, Javier Milei tornou-se a principal expressão desse movimento. Sua participação no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, em São Paulo, e os ataques feitos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes provocaram uma deterioração sem precedentes nas relações entre Brasil e Argentina.

A América Latina não é um tabuleiro no qual Washington movimenta aliados sem provocar reações locais. O conflito fortalece a narrativa oficial de que existe uma frente internacional empenhada em derrotar o governo brasileiro, mas também gera críticas da oposição à diplomacia brasileira. Jogar na defensiva não é vergonha para o Itamaraty. Brasil e Argentina compartilham fronteira, comércio, cadeias produtivas e o Mercosul. Milei pode mobilizar sua base atacando Lula, mas não pode romper os vínculos econômicos entre os dois países sem impor custos à própria Argentina.

RESILIÊNCIA – Trump dispõe de instrumentos poderosos, principalmente o acesso ao mercado norte-americano, as sanções e as tarifas. Ainda assim, poder econômico não se converte automaticamente em influência eleitoral. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nessa quarta-feira, mostra essa ambivalência. Lula continua na liderança, com 39% contra 30% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 44% a 39% no segundo. Entretanto, o senador recompôs parte da unidade da direita, reduziu a rejeição e aumentou a convicção de seus eleitores.

Mas a reconciliação com Michelle Bolsonaro e a reação às restrições judiciais para visitar o pai contribuíram mais para sua recuperação do que o confronto de Lula com os Estados Unidos. O outro lado da moeda são os limites dos dividendos nacionalistas. Em julho, 51% consideravam que ele defendia melhor o Brasil, contra 34% que apontavam Flávio. Agora, a diferença caiu de 17 para oito pontos: 46% a 38%.

Ao mesmo tempo, a avaliação da resposta do governo ao tarifaço passou de um saldo positivo de três pontos para um saldo negativo de cinco: 43% consideram que Lula reagiu mal e 38%, bem. Portanto, a pressão de Trump continua favorecendo a narrativa do presidente, mas a administração efetiva da crise já começa a ser cobrada. Será uma corrida contra o tempo mitigar os efeitos negativos da crise diplomática até as eleições.

IMPACTO ECONÔMICO – A grande incógnita é o impacto econômico das tarifas. O comércio com os Estados Unidos representa cerca de 2% do PIB brasileiro, proporção que permite ao governo sustentar que o país dispõe de escala, mercado interno, reservas internacionais e parceiros comerciais suficientes para absorver o choque.

A diversificação das exportações, principalmente em direção à China, à União Europeia e aos demais países do Sul Global, reduz a capacidade de Washington estrangular a economia brasileira. Essa resiliência macroeconômica, entretanto, não elimina os prejuízos para empresas exportadoras, cadeias industriais integradas aos Estados Unidos e regiões dependentes de determinados produtos de exportação. Isso repercute eleitoralmente nos setores e nos estados mais atingidos.

O vice de Flávio Bolsonaro não foi apenas uma escolha. Foi o que restou

A indicação de Gaspar coroou uma sucessão de recusas

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Quando o Partido Liberal confirmou o deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, a apresentação oficial insistiu na ideia de uma candidatura “puro-sangue”, fiel às origens do bolsonarismo e alheia à tradicional lógica de negociação do presidencialismo de coalizão brasileiro. A sequência de negociações, recusas e acomodações que antecedeu o anúncio, porém, revela uma realidade bastante distinta da narrativa apresentada pela campanha.

Horas antes do anúncio, uma sondagem BTG/Nexus registrava um cenário competitivo entre Flávio Bolsonaro e Lula. A notícia politicamente mais significativa daquele dia, porém, não estava nos números da pesquisa, e sim na forma como a chapa presidencial foi construída.

NEUTRALIDADE – Enquanto as pesquisas mantinham Flávio Bolsonaro competitivo na disputa, PP e Republicanos optavam por permanecer fora dela. Esse contraste entre desempenho eleitoral e isolamento político ajuda a explicar por que a vaga de vice terminou nas mãos de um deputado alagoano que, há poucos meses, dificilmente figurava entre os nomes mais cotados.

O centro dessa história não é Gaspar, mas quem recusou o convite antes dele. A campanha empenhou-se em atrair a senadora Tereza Cristina, do PP, a ponto de Flávio afirmar publicamente que ela já havia aceitado o convite. A federação PP-União Brasil, porém, decidiu manter neutralidade nacional na disputa, inviabilizando formalmente sua entrada na chapa.

A alternativa seguinte foi a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e recém-filiada ao Republicanos, apoiada pelo próprio governador Tarcísio de Freitas. Também ali, entretanto, a resposta foi negativa: após consultas internas, o Republicanos optou por permanecer neutro. Duas tentativas, dois vetos institucionais. Não faltou disposição individual de alguns dirigentes para negociar; prevaleceu a decisão das estruturas partidárias.

SEM OPÇÃO – Não houve, portanto, opção por uma chapa exclusivamente do PL — houve o esgotamento de todas as alternativas fora dele. O próprio presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tentou se antecipar a essa leitura ao dizer que a escolha de Gaspar já estava decidida “há seis meses”, cronologia difícil de sustentar diante da sucessão pública de tentativas encerradas apenas dias antes da convenção.

Fica, contudo, uma pergunta em aberto quando se descreve apenas a recusa: por que disseram não o PP e o Republicanos? Não por hostilidade declarada. Não por ruptura. A resposta está em outro registro, mais estrutural do que pessoal.

O comportamento do Centrão raramente é guiado por afinidades ideológicas. Seus partidos costumam aproximar-se menos dos projetos com os quais possuem maior identificação do que daqueles que consideram mais capazes de produzir poder político. A neutralidade de PP e Republicanos diz menos sobre divergências programáticas do que sobre avaliação de risco.

MARGEM DE MANOBRA – Em vez de se comprometer antecipadamente com um projeto cujo potencial ainda desperta dúvidas entre dirigentes nacionais, preferiram preservar margem de manobra para a fase decisiva da campanha. Antecipar esse movimento reduz a flexibilidade para negociar diante de um cenário político em transformação. Para um Centrão acostumado a ver candidaturas competitivas em agosto perderem fôlego até outubro, esperar continua sendo a opção de menor risco.

Segundo relatos publicados pela imprensa, Arthur Lira participou da construção da solução que levou Gaspar à vice-presidência — um movimento que reorganizou também a disputa ao Senado em Alagoas, onde o próprio Lira concorre a uma vaga. Ainda que interesses locais tenham pesado, o episódio evidencia que a definição da chapa respondeu muito mais a acomodações regionais do que à construção de uma ampla coalizão nacional.

Durante boa parte da última década, aproximar-se de Jair Bolsonaro era quase um movimento automático para partidos interessados em disputar espaço dentro do campo conservador. A negociação girava em torno das condições da aliança, não da própria existência dela. Em 2026, a situação parece diferente da observada nos anos de maior expansão do bolsonarismo: a adesão deixou de ser pressuposto e voltou a ser objeto de cálculo.

ATRATIVIDADE – Os episódios que cercaram a escolha do vice sugerem que o bolsonarismo já não exerce a mesma capacidade de atração sobre parcelas relevantes das lideranças partidárias que demonstrava em eleições anteriores.

Desde a redemocratização, a escolha de um vice raramente foi apenas isso — foi ponte para partidos, regiões, setores econômicos, bancadas no Congresso. Sarney, Itamar Franco, Marco Maciel, José Alencar, Michel Temer ampliaram, cada um à sua maneira, o espaço político de quem os escolheu antes mesmo da eleição.

No presidencialismo brasileiro, a escolha do vice raramente responde apenas à pergunta “quem governará em caso de ausência do presidente?”. Responde a outra, muito mais imediata: quem está disposto a dividir riscos antes mesmo da eleição? É por isso que as chapas costumam funcionar como radiografia das alianças efetivamente construídas por cada candidatura.

IMPASSE – Em vez de ampliar a base política presidencial, a escolha de Gaspar atendeu à necessidade de equacionar um impasse localizado e preservar equilíbrios regionais. É uma diferença significativa. Em campanhas competitivas, espera-se que a vice-presidência agregue novos apoios nacionais; aqui, ela funcionou sobretudo como instrumento de acomodação política. Seu alcance permaneceu regional, sem ampliar a projeção política da candidatura em âmbito nacional.

Competitividade eleitoral e capacidade de articulação política nem sempre caminham juntas. Um candidato pode reunir milhões de eleitores e, ainda assim, encontrar dificuldade para convencer partidos e lideranças de que vale a pena dividir os riscos de uma eventual vitória. Foi isso que a formação desta chapa tornou visível. PP e Republicanos não romperam com Flávio Bolsonaro. Apenas decidiram não aderir à sua candidatura.

Nenhum presidente eleito desde a Constituição de 1988 governou sustentado apenas pelo partido que o levou ao Planalto. Todos dependeram de maiorias parlamentares construídas por acordos amplos e, muitas vezes, heterogêneos. A capacidade de viabilizá-los antes da eleição não determina, por si só, o sucesso de um mandato. Mas costuma revelar quanto capital político uma candidatura consegue mobilizar antes mesmo de chegar ao poder.

ALIANÇAS – É por isso que a escolha do vice extrapola a composição de uma chapa. Ela funciona como um teste da capacidade de atração política de cada candidatura. Uma campanha pode vencer eleições com votos. No presidencialismo de coalizão brasileiro, porém, só governa com alianças.

O episódio talvez diga menos sobre Alfredo Gaspar do que sobre a própria reorganização da direita. Durante anos, o sobrenome Bolsonaro funcionou como ativo político suficiente para ordenar partidos, atrair aliados e disciplinar lideranças. A forma como a candidatura foi construída sugere que esse mecanismo já não opera com a mesma intensidade.

ARTICULAÇÃO LIMITADA – Mais do que definir um vice, esse processo revelou os limites da articulação política de Flávio Bolsonaro. O problema não está em Alfredo Gaspar. Está no significado político de sua indicação. Durante semanas, a campanha procurou ampliar sua base e terminou apenas administrando a ausência de novos aliados.

A vaga foi preenchida. O problema permaneceu.  Afinal, quando a escolha do vice só ocorre depois de esgotadas todas as alternativas, a notícia deixa de ser quem entrou na chapa. Passa a ser quem decidiu ficar de fora.