
Rodovalho cobra transparência de Flávio Bolsonaro
Thiago Prado
O Globo
No fim do ano passado, o ex-presidente Jair Bolsonaro trocou de interlocutor preferido no segmento evangélico. Saiu o estridente pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vi20tória em Cristo, e entrou o bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra.
Além de ter acompanhado Bolsonaro de perto enquanto esteve preso na Papudinha, o bispo mantém-se informado até hoje sobre o estado de saúde do aliado. Conversa semanalmente com Michelle, a única com contato diário e sem interrupções com o ex-presidente desde a decretação, em março, da prisão domiciliar pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dono de mais de 1.200 templos pelo país, além de emissora de TV, rádios e editora de livros, Rodovalho é o segundo entrevistado da série da newsletter “Jogo Político” com as maiores lideranças evangélicas do país.
A última pesquisa Quaest apontou que Flávio Bolsonaro teve queda de nove pontos percentuais no público evangélico na disputa contra Lula. Por que isso aconteceu?
Acho que foram duas questões. A primeira delas, o vazamento da conversa com o Daniel Vorcaro, e ele ter dito antes que não tinha nenhuma relação com o banqueiro. Está custando muito caro para o Flávio isso. O evangélico pensa: às vezes é melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não mantém a coerência.
Para o evangélico o problema maior do Flávio foi pedir dinheiro para o Vorcaro ou ter mentido sobre a relação?
Foi a contradição, evangélico é intransigente com mentira. A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter falado sobre o assunto desde o início. Pedir recursos para um filme era um movimento legítimo e teve zero de verba pública. O Banco Master era uma entidade privada que sempre fez investimentos em patrocínios. Além disso, as condutas do Daniel Vorcaro eram desconhecidas do público em 2024.
A questão é que a Polícia Federal está investigando se o dinheiro foi só para patrocínio mesmo ou se foi para pagar a estadia nos EUA do Eduardo Bolsonaro, que acaba de ser condenado pelo STF por coação da Justiça…
Por isso é que o Flávio precisa imediatamente abrir todas as contas do “Dark Horse”. Ele está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou, e ele vai precisar reconhecer isso. Mostrar arrependimento, pedir desculpas. Não dá para ficar camuflando o assunto, achando que o tempo vai fazer os evangélicos esquecerem porque o Lula tem mais escândalos.
Falando em escândalos, o Flávio tem um histórico envolvendo rachadinha e a compra da mansão de R$ 6 milhões em Brasília. A direita e evangélicos bolsonaristas não acabam sendo seletivos quando o tema é corrupção?
Não vejo comparação. Vamos lá, rachadinha: sou absolutamente contra, mas vi acontecer em inúmeros gabinetes quando fui deputado federal (Rodovalho exerceu mandato na Câmara entre 2007 e 2010). Compra da mansão: ele financiou oras, qual o problema na compra? Já o PT, teve envolvimento em casos de corrupção gigantescos. Foi Mensalão, Petrolão, e agora o INSS. Tudo caso de fraude institucionalizada.
O caso Master não é um clássico exemplo de fraude institucionalizada?
Vejo como um movimento individual. O Vorcaro é um rapaz que queria enriquecer a qualquer custo usando os atalhos de um sistema bancário cheio de brechas. Se cercou de uma rede mafiosa e fez amizades em instituições para se sentir protegido e cometer fraudes.
Aliás, também fez amizades em igrejas, como a Lagoinha de André Valadão que passou a ter integrantes investigados por fazer parte de toda a engrenagem do Master…
Vorcaro foi da Igreja Lagoinha, chegou até a ser apresentador da TV deles. Sim, reconheço que, de fato, é muito ruim para o segmento evangélico termos dúvidas sobre a atuação de uma igreja nesse esquema.
No início da entrevista, o senhor disse que dois motivos levaram Flávio a despencar nas pesquisas entre os evangélicos. Além do caso Master, qual o outro problema do senador no segmento?
Flávio fez poucos movimentos na direção de lideranças evangélicas. Tem uma história na Bíblia que ilustra exatamente o que quero dizer. Roboão foi filho do rei Salomão e neto do rei Davi. Também virou rei, mas presumiu que o reino já era dele sem precisar se esforçar. No fim das contas, foi justamente com Roboão que houve a crise da cisão do reino unificado de Israel. Flávio precisa consolidar a sua própria liderança no segmento, ele não pode se considerar absoluto entre nós como foi o pai no passado.
Mas aí o problema não está na origem da candidatura Flávio, vista com má vontade por vocês líderes que preferiam o governador Tarcísio de Freitas como opção?
Sim, reconheço o problema de origem, muitos não concordaram com a decisão, é verdade. Eu, no entanto, sempre achei que a escolha acabaria passando por uma sucessão dentro da família mesmo. O espólio da direita é dos Bolsonaro. E aí que volto a bater na tecla. O Jair construiu uma relação conosco por anos, e olha que sempre vimos ele como católico. O ex-presidente trabalhou por isso, sentou para bater papo muitas vezes. Passava verdade nas palavras. Entendo que, em qualquer sucessão, herança de capital político é volátil e é natural a dificuldade do Flávio. Mas, nesse período de pré-campanha, ele tinha que fazer exatamente o que o pai fez . Conversando com cada um de nós. Em agosto, quando a campanha começar, não vai dar mais tempo para se conectar com os líderes.
Estar rompido com Michelle Bolsonaro atrapalha Flávio a ter o mesmo desempenho que o pai entre os evangélicos ou estamos superestimando essa treta familiar?
Eleição é emoção, igual a torcida em jogo de futebol. A Michelle mexe com o eleitorado feminino e com os jovens. Aliás, ela mexe até com o público gay, que tradicionalmente não milita para a direita. Ela tem relevância, sim, e claro que está fazendo falta para o Flávio.
Qual a chance da candidatura do Flávio ruir e a Michelle assumir a cabeça de chapa?
Esse assunto já foi muito estudado e falado na família lá atrás. Hoje, o recado é seguirmos com a candidatura do Flávio, mas eu peço a Deus voltar a ter a possibilidade de conversar com o Jair. Vejo muitas fragilidades no cenário atual, o panorama não é nada animador. Lula subiu nas pesquisas e essa cesta com Desenrola e fim da escala 6×1 está sendo decisiva. Para a direita ganhar a eleição, vai ser preciso algum movimento novo e inteligente.
O senhor está defendendo a Michelle candidata?
Essa decisão é do Jair, não é minha, e a ideia precisa nascer como um projeto da família. Agora, eu seria uma pessoa a validar esse movimento, sim. Ou ela poderia ser vice do senador Rogério Marinho (PL). Ou até mesmo do governador Ronaldo Caiado (PSD). Que fosse vice do próprio Flávio. Fato é que Michelle precisa estar engajada na campanha.
Vorcaro distribuía dinheiro nos bastidores do poder em Brasília
O suave aroma de cerejeiras em flor na primavera parisiense invadiu o jantar de Ciro Nogueira, senador, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e presidente do partido Progressistas.
À saída, ele nem precisou se preocupar com a conta de 121 500 reais.
O roteiro daquele abril de 2024, escolhido pelo amigo banqueiro, previa também périplos noturnos por ambientes enfumaçados, decorados em vermelho-pecado, com mesa íntima para duas pessoas ao custo de cinco salários-mínimos – comida, bebidas e gorjetas à parte.
Maio foi em Lisboa, com dias longos, secos, céu de azul sublime e múltiplos fóruns de brasileiros inebriados na ficção útil de localizar no passado uma ponte para o futuro do Brasil.
— Vou precisar do hotel (Four Seasons), de segunda a sábado — disse ao secretário o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em mensagens resgatadas pela polícia. — Preciso (de) mais dois quartos lá… Ciro (Nogueira) e Hugo (Motta, presidente da Câmara dos Deputados).
— O.k. Tem a lista de homens? Senão, como saberemos quem pode entrar de homem?
O banqueiro relaciona:
— Fábio Faria (ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro); Hugo Motta (deputado federal); Ciro Nogueira (senador); Luizinho (Luiz Antonio Teixeira Jr., deputado federal); … Bruno Ferrari (acionista da Oncoclínicas); eu…
A conta de hospedagem ultrapassaria 90 000 reais por cabeça. Vorcaro estava preocupado com a privacidade:
— A gente não pode deixar acontecer igual aconteceu em Nova York… Que venham pessoas, falam que vai pegar um elevador para outro andar, e clica lá no nosso andar. Tem que ficar alguém dentro elevador…
No maio anterior todos estiveram em Nova York, onde também florescem fóruns de brasileiros debatendo problemas seculares do Brasil. Aquela primavera nova-iorquina foi inesquecível para Cláudio Castro, então governador do Rio.
Castro se apaixonou por um filé banhado em ouro de 24 quilates. O bife custou 10 000 reais. Vinho, sobremesa e café, outros 50 000 reais.
Mais tarde, um grupo de quinze amigos do cartão de crédito de Vorcaro esticou a noite num clube de jazz, onde se pode fumar e beber sem culpa.
Na entrada, brut francês de 3 380 reais. Depois, uísque irlandês de 5 000 reais a garrafa. Por fim, conhaque francês de 2 800 reais para acompanhar a queima de charutos dominicanos de 1 100 reais cada. A conta total ficou em 5,2 milhões.
A primavera nova-iorquina rendeu um dos melhores negócios já feitos por Vorcaro. Ele pagou um jantar de 60 000 reais para o governador fluminense e, no almoço seguinte, recebeu 80 milhões de reais do fundo de previdência dos servidores estaduais para aplicação em títulos Master
— Resgatáveis somente no endereço imaginado pelo poeta Vinicius de Moraes: Rua dos Bobos, Número Zero. Lucrou 1 300 em cima de cada real que investiu no prato, no copo e no prazer do governador do Rio.
Vorcaro se distinguiu pela ousadia nos laços com o condomínio do poder. Não doava, distribuía dinheiro. Aceitava pedido de 134 milhões de reais do candidato presidencial do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro.
Requisitava consultoria de um ex-presidente da República, Michel Temer, e de um ex-presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Comprava a parte do juiz Dias Toffoli num hotel, enquanto contratava escritório familiar de outro juiz do Supremo, Alexandre de Moraes.
Enlaçou tanto ministros e ex-ministros, como Rui Costa, Walfrido Mares Guia, Guido Mantega e Flávia Péres, quanto líderes do Centrão e do Partido dos Trabalhadores, como Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e Jaques Wagner (PT).
Usou todas as moedas disponíveis, inclusive festas com mulheres bonitas em pouca ou nenhuma roupa, recrutadas no Leste Europeu.
Corrompeu executivos do Banco Central, pagou altas comissões na Faria Lima e montou uma pirâmide financeira de 800 000 clientes. Os prejuízos superam 80 bilhões de reais.
Vorcaro sonhou o sonho de lobistas: mudar a Constituição para benefícios privados. O projeto do Master foi chancelado pelo senador Ciro Nogueira. Passou despercebido num Legislativo que reescreve a Carta a cada trimestre (já são 139 emendas).
A proposta foi rejeitada no Senado e ressuscitou na Câmara pelas mãos do deputado Filipe Barros, líder da bancada bolsonarista.
Na prisão, Daniel Vorcaro, 42 anos, agora resolveu apostar no tempo. Acha que até as eleições amigos do seu cartão de crédito conseguem retirá-lo da cadeia.
Revista Veja, Opinião, 19 jun 2026, 06h00 Por José Casado
LIBERTAÇÃO DA HUMANIDADE, representada pelo Papa Leão XIV, o Leão de Deus e da Humanidade VERSUS LOUCURA COMPULSIVA, e da guerra, por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, representada por Donald Trump, com a sua plutocracia putrefata com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, superada pela autocracia chinesa, arvorado em dono do mundo, é a LUTA mundial que subiu no telhado, cujo resultado, ao fim e ao cabo, dirá quem é o “fraco” e o “forte” da história que pode redefinir a história do mundo e da Humanidade: as palavras e os desígnios de Deus, o Pai, e do Filho, Jesus Cristo, ou a loucura de Trump com as suas guerras, bombas atômicas, dólares e armas nucleares, não obstante alguns chefes de estados implorando por fotos com Trump confessando de que lado estão, ou desejariam estar, ou seja, da Humanidade ou da loucura e da guerra não obstante rejeitados e ejetados da parceria com Trump, e de nada adiantará o pedido de perdão tardio, desacompanhado da rendição explícita em favor da força do bom senso, da verdade, do argumento e da razão. https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-volta-a-criticar-o-papa-por-falas-sobre-guerra-no-ira-esta-errado/?fbclid=IwY2xjawSiazxleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEesvJEkF4Q8getLhMhjMpTH3WVvfLxpztwbufX5jpbJmp6IkjTrjITOeO_BJE_aem_4xlvkvucgTUK7GNFdKOj0g
Senhor bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra , ser cristão não significa que a pessoa seja ” honrada , honesta e decente ” , pois até o diabo e capeta é cristão , sendo que as igrejas evangélicas Brasileiras , o congresso nacional , estão cheias deles .
Racha entre ‘donos’ de igrejas?
Não foi só “entre os evangélicos” que ele saiu prejudicado não ô Bispo!!! Alias, foi ele mesmo quem se prejudicou. Perde para qualquer um no segundo turno. “Famiglia” rachadinhas!!!
E o bispo aliado de Loola?
Mete a faca?
Bets e dízimo a igrejas moem pobres com fantasia de salvação mágica
Arquétipo do vigarista que seduz com promessas cintilantes e esvazia bolsos e almas inspira ambos os sistemas: Bets e Igrejas
Indivíduo esmagado por desigualdades projeta no líder religioso ou na roleta virtual ideia de resgate fantástico
(…)
Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 16.jun.2026 às 13h00 Por Waldemar Magaldi Filho, analista junguiano, mestre e doutor em ciências da religião e fundador do IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa). Autor de “Dinheiro, Saúde e Sagrado”
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/06/bets-e-dizimo-a-igrejas-moem-pobres-com-fantasia-de-salvacao-magica.shtml