Michelle e Flávio: a trégua que expõe a disputa pelo futuro do bolsonarismo

Michelle ganha espaço, e campanha quer usá-la como trunfo

Pedro do Coutto

O primeiro encontro público entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro depois do recente atrito entre os dois não deve ser interpretado apenas como uma reconciliação familiar. Em plena preparação para a eleição presidencial, a imagem dos dois juntos tem uma função política evidente: reconstruir a unidade de um grupo que depende fortemente da força simbólica da família Bolsonaro.

A crise havia adquirido dimensão suficiente para ameaçar a campanha. Agora, Michelle e Flávio voltam a aparecer juntos e procuram transmitir a mensagem de que as divergências foram superadas. A estratégia faz sentido eleitoralmente. Pesquisa Genial/Quaest mostrou que 59% dos eleitores consideraram positiva a reaproximação, percentual que chegou a 90% entre os bolsonaristas.

ATIVO POLÍTICO – Mas a fotografia da reconciliação também revela uma questão mais profunda: Michelle se tornou um ativo político que Flávio não pode ignorar. Sua influência ultrapassa o papel de ex-primeira-dama e alcança segmentos importantes do eleitorado conservador, especialmente entre mulheres e evangélicos. Por isso, sua presença na campanha deixou de ser acessória. Ela passou a integrar a própria equação de poder do bolsonarismo.

Flávio, por sua vez, precisa ampliar sua candidatura para além do núcleo mais fiel ao pai. A pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostra Lula com 39% e Flávio com 30% no primeiro turno; no segundo, o presidente aparece com 44%, contra 39% do senador. Já a CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira, apontou Lula com 42,4% contra 28,7% de Flávio no primeiro turno e 48% contra 39,1% no segundo.

Os números mostram que Flávio está competitivo, mas ainda enfrenta um obstáculo central: transformar a herança política de Jair Bolsonaro em uma candidatura capaz de conquistar eleitores além da base bolsonarista.

UNIDADE FAMILIAR – É nesse ponto que Michelle pode ajudar. Sua imagem pode suavizar a candidatura, ampliar sua capacidade de comunicação e reforçar a sensação de unidade familiar. Mas existe também um risco: se Flávio depender excessivamente da ex-primeira-dama, poderá reforçar justamente a percepção de que ainda não construiu uma identidade política própria.

A reconciliação, portanto, resolve uma emergência, mas não encerra a disputa de fundo. O bolsonarismo entrou numa fase de sucessão. Jair Bolsonaro continua sendo sua principal referência, mas a eleição de 2026 definirá muito mais do que o adversário de Lula: definirá quem terá condições de comandar esse campo político nos próximos anos.

Nesse cenário, Michelle não é apenas uma apoiadora de Flávio. Ela também preserva capital próprio e capacidade de influência. E isso explica por que o reencontro interessa aos dois lados.

TOMA LÁ, DÁ CÁ – Flávio precisa de Michelle para fortalecer sua candidatura. Michelle precisa manter espaço dentro do grupo que continua orbitando o sobrenome Bolsonaro. O PL precisa dos dois para evitar que uma disputa familiar se transforme em fratura eleitoral. A paz, portanto, é conveniente para todos. Mas conveniência não significa consenso.

O vídeo dos dois juntos pode representar o fim de uma crise. Politicamente, porém, também funciona como o primeiro capítulo de uma disputa muito maior: quem herdará, de fato, o poder construído por Jair Bolsonaro.

Presidente do STM admite fracasso do Judiciário durante a ditadura: “não houve resistência”

Flávio mantém Gaspar como vice e descarta troca em meio a novas suspeitas

Flávio atribui ataques à atuação do aliado no caso do INSS

Luísa Marzullo
O Globo

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) descartou na última terça-feira a possibilidade de substituir Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de sua chapa e fez uma defesa pública do aliado, que passou a ser alvo de questionamentos após suspeitas envolvendo uma acusação de estupro de vulnerável e de desvios de emendas parlamentares.

O senador afirmou ter “confiança” no deputado, a quem classificou como uma “pessoa preparada” e “de coragem”. Gaspar é alvo de um procedimento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado a uma acusação de estupro de vulnerável, que ele nega.

“JUSTIFICATIVA” – Flávio atribuiu os questionamentos sobre Gaspar à atuação do deputado nas investigações sobre as fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. “Foi exatamente no momento em que ele estava ali defendendo os aposentados roubados pelo governo do PT, inclusive pedindo a prisão do Lulinha, que foi feito isso contra ele. É uma pessoa do bem, uma pessoa preparada, da área da segurança pública, de quem temos confiança, de coragem”, afirmou Flávio.

O caso que está no pano de fundo das especulações tramita sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia se endossa um pedido da Polícia Federal para a abertura de inquérito destinado a investigar uma acusação feita por parlamentares de um suposto estupro de vulnerável pelo deputado. Na semana passada, Gilmar encaminhou à PF uma solicitação da PGR para que haja diligências adicionais antes de decidir se há ou não elementos para a abertura de uma investigação.

O episódio veio à tona em março, durante a CPI do INSS, da qual Gaspar foi relator. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), adversários do parlamentar na comissão, acionaram a Polícia Federal para pedir a apuração de “fatos graves” aos quais afirmaram ter tido acesso.

SEM PROVAS – Na representação, os parlamentares relataram ter recebido documentos segundo os quais uma menina, então com 13 anos, teria sido estuprada, engravidado e tido um filho. O episódio teria ocorrido há oito anos. Os autores do pedido não apresentaram provas naquele momento, sob a justificativa de preservar a adolescente e a mãe.

Gaspar nega ter cometido crime e afirmou desejar fazer um exame de DNA para comprovar sua inocência. Depois que as acusações vieram a público, o deputado também entrou com ações no Supremo contra Lindbergh e Soraya e disse ter disponibilizado seu material genético para eventual exame.

Em nota, Gaspar classificou as acusações como “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis” e afirmou que se tratava de uma tentativa de desviar o foco das investigações sobre o INSS.

EMENDAS –  Além da acusação dos parlamentares, Gaspar também teve uma emenda sua alvo de um procedimento do STF na semana passada. Na sexta-feira, o ministro Flávio Dino mandou a PF apurar se há indícios de crimes na execução de R$ 55,4 milhões na modalidade Pix. A decisão do magistrado se baseia em uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou “falhas sistêmicas” no controle dos recursos entre 2020 e 2024.

Entre as emendas listadas pelo TCU está uma de R$ 6,2 milhões enviadas por Gaspar para São José da Laje (AL), a 100 quilômetros da capital, Maceió. Segundo a auditoria, não é possível saber como o dinheiro foi gasto pela administração municipal.

Gaspar afirmou não ser investigado no procedimento que apura a aplicação dos recursos e que cabe à prefeitura de São José da Laje prestar contas. “As emendas parlamentares foram destinadas de forma regular ao município, conforme a legislação, cabendo exclusivamente à prefeitura a execução dos recursos e a respectiva prestação de contas”, disse, acrescentando que “confia no trabalho dos órgãos de controle”. A prefeitura também foi procurada, mas não respondeu.

Fachin reconhece que o STF não parece ser imparcial em julgamentos e decisões

Fachin: leia o discurso do ministro em evento da Folha - 10/08/2026 - Política - Folha

Fachin anuncia um projeto para evitar os penduricalhos

Carlos Newton

Já faz tempo que Brasília foi denominada como “Ilha da Fantasia”, um seriado sobre um hotel onde tudo poderia se transformar e uma nova situação se criar subitamente. O apelido pegou e se consolidou, porque Brasília se tornou uma ilha onde a realidade pode se mostrar fantasiosa e ilusória.

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, é hoje um dos maiores exemplos da realidade virtual que caracteriza a capital da República, uma cidade que parece ter sido criada para falsear a verdade.

PROJETO DE LEI – Nesta segunda-feira, dia 10, o excelentíssimo presidente do STF anunciou que deve ficar pronta até o final do ano a minuta de um projeto de lei para regulamentar a descontrolada remuneração de juízes e operadores de Direito, um absurdo que revolta a opinião pública nacional.

A declaração foi dada na abertura da série de seminários “O Judiciário em Debate: Integridade, Eficiência e Acesso à Justiça”, promovida pela Folha em parceria com a OAB-SP.

Fachin diz o que todo querem ouvir, menos os que se beneficiam com penduricalhos salariais. Segundo ele, é necessário encontrar soluções “públicas, justas e fiscalmente sustentáveis” para questões estruturais do Brasil. O ministro, especialista em dizer o óbvio, incluiu a remuneração de magistrados e disse que a moralização dos gastos públicos, a corrupção e a regulamentação do pagamento de juízes devem ser enfrentadas com seriedade.

CÓDIGO DE ÉTICA – A imagem do Supremo está inteiramente desgastada, devido à promiscuidade e ao conluio com o Executivo, mas Fachin tenta ser exceção e pretende que  sua gestão fique marcada pela adoção de um código de ética, algo que soa ridículo, porque já existem leis que impõe aos ministros um comportamento absolutamente ético, porém são solenemente desprezadas.

Sua iniciativa só teve apoio da ministra Cármen Lúcia, que foi nomeada relatora de uma proposta de Código de Ética a ser apresentada ao plenário, mas sentou em cima das ideias de Fachin e até agora… nada.

Em junho, o presidente do Supremo já tinha dito que esperava para novembro a criação de um anteprojeto de lei sobre a remuneração dos magistrados. Ele apenas está repetindo a informação de que criou um grupo de trabalho para discutir o tema, como se estivesse mesmo empenhado em resolver, enquanto os demais ministros do Supremo desprezam solenemente o assunto.

IMPUNIDADE– Em seu discurso nesta semana repleto de obviedades, o presidente do STF chegou a dizer que é necessário que haja uma aparência de imparcialidade. “A Justiça não deve apenas ser independente e imparcial. Ela precisa também ser percebida como independente e imparcial.”

É inacreditável que tenha dito tamanha asneira. O Supremo não precisa ter aparência de imparcialidade, porque os tribunais existem justamente para serem imparciais e implacáveis. A aparência negativa resulta direta e exclusivamente do comportamento de seus ministros.

Mas como o STF pode ser imparcial tendo entre seus membros alguns ministros que desobedecem as leis porque confiam na impunidade? Ora, foi o que  aconteceu nos julgamentos que libertaram Lula em 2019 e que lhe devolveram os direitos políticos e 2021, em decisões totalmente parciais e fora da lei.

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P.S.
– Em 2019, o Supremo transformou o Brasil no único país da ONU (são 193 nações) que não prende criminosos após julgamento em segunda instância e o mais vexaminoso é que passou a somente prendê-los após a quarta instância, embora a maioria das nações só tenha três instâncias. Na ocasião, Fachin votou contra, respeitando a legislação vigente no mundo inteiro.

P.S. 2 – Em março de 2021, como relator da Lava Jato, em decisão individual, Fachin anulou as condenações de Lula pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Em abril, o plenário do STF confirmou a decisão. Portanto, ao beneficiar Lula, o Brasil vergonhosamente se tornou o único país do mundo em que existe “incompetência   territorial absoluta”. Nas outras nações, a “incompetência territorial” é sempre considerada  “relativa” e não anula condenações. Mas quem se interessa? (C.N.)

Por que é preciso detestar a literatura de autoajuda e de cunho motivacional

Ilustração de Ricardo Cammarota, executada em técnica de lápis de cor sobre papel. A composição horizontal, 13,9 x 9,1cm, apresenta um trecho de arame farpado, desenhado em tons de azul, roxo e rosa, com quatro pontos de amarração e pontas metálicas. Dos pontos de contato e das extremidades do arame surgem pequenos ramos com folhas, em tons de verde, amarelo e rosa, como se a vegetação estivesse brotando do próprio arame. O fundo é claro, quase branco, deixando evidente a textura do lápis de cor sobre o papel.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Por que detesto literatura de autoajuda e motivacional? Por várias razões, mas uma delas é que esse tipo de literatura é descompadecida. Alimenta-se do real desespero humano e lhe devolve uma grande mentira, baseada na premissa de que podemos fabricar esperança se decidirmos fazê-lo.

Ela mistura estoicismo para consumo barato com uma pitada de teoria cognitiva comportamental, como se essa fosse a programação neurolinguística dos anos 1990, requentada. Não há esperança para o ser humano, o que não implica que as pessoas não vivam esse imperativo existencial de formas distintas, enfrentando esse impasse com graus variados de elegância.

DESELEGÂNCIA – Eu, particularmente, discordo da literatura de autoajuda e motivacional por sua profunda deselegância diante do impasse existencial humano estrutural. Por algum motivo, que talvez eu nunca venha a saber, detesto de modo visceral esse tipo de conteúdo. Em algumas áreas da vida há que se viver visceralmente ou ela será mero teatro de variedades.

Sei bem que esse tipo de mentira vende rios de dinheiro. Quem a pratica chega mesmo a parecer legal. Algo em nós ama a mentira, como dizia o escritor francês do século 20, Georges Bernanos.

Quando se é jovem, a esperança é fruto da fisiologia. Quando o tempo passa, o fracasso dessa mesma fisiologia implica o desaparecimento da esperança por razões miseravelmente materiais.

VIRTUDES MORAIS – Para mim, se a melhor teologia é aquela que começa agradecendo por existirmos, a melhor filosofia é aquela que parte da contingência que reina cega sobre as coisas — como suspeitava a personagem Hécuba, rainha de Troia, pela pena de Eurípedes, descrevendo as agonias das mulheres troianas sendo levadas, ao fim da guerra mais famosa de todos os tempos, como escravas sexuais para a Hélade na tragédia “As Troianas” —, e a melhor moral é aquela que transita entre o perdão, a compaixão e a misericórdia, virtudes irmãs.

Sem perdão, compaixão e misericórdia não é possível se viver em sociedade. Mas, evidentemente, a espécie Homo sapiens parece ser capaz dessas virtudes morais apenas em momentos raros. Daí uma das razões de elas serem tão belas, porque se assemelham ao milagre. Como não há esperança, fazem-se necessários o perdão, a compaixão e a misericórdia.

A tentativa de usar tais virtudes como objetos de literatura de autoajuda e motivacional revelará sua condição de deselegância e falsidade.

MAU-CARATISMO MORAL – Afirmar que somos todos capazes de tais virtudes, se assim o quisermos, temo, beira o mau-caratismo moral. E mau-caratismo sempre foi muito lucrativo, justamente, porque amamos a mentira, como disse aqui.

Muito pelo contrário. Filosoficamente falando, suspeito que virtudes raras como essas, exteriores a qualquer forma de conquista ou dominação, podem ser mais bem vislumbradas quando partimos da constatação que disse antes, e repito aqui, de que não há esperança, mas o desespero não é o destino único e necessário.

O perdão, a compaixão e a misericórdia podem ser o caminho de volta ao lar, sendo o lar aqui a representação de um lugar onde há alguma possibilidade de beleza moral no mundo.

SOFRER É PRECISO – O mundo é mau, a injustiça reina, o sofrimento é inevitável. Se alguém rege as coisas, é cego. O salto no perdão, na compaixão e na misericórdia pode ser semelhante ao encontro entre os pulmões e o ar. A radicalidade dessa questão reside no fato de que as características do mundo descritas no início desse parágrafo são terrivelmente verdadeiras do ponto de vista de uma apreciação desassombrada da realidade.

Aliás, um dos filósofos em que essa constatação se faz dramaticamente evidente é Arthur Schopenhauer. Para nosso pessimista alemão, “a vida é essencialmente sofrimento”.

Como consta no livro do escritor francês Michel Houellebecq dedicado ao filósofo (“En Présence de Schopenhauer”) sem tradução em português, até onde sei, “a desilusão não é uma coisa má” porque ela poderá nos levar, justamente, à constatação de que qualquer forma de ética deverá partir dessa ontologia do sofrimento.

SEM BAIXO ASTRAL – Nada disso significa que devemos fazer uma ode ao baixo astral, inclusive porque essa ode já é feita, de forma prática e repetitiva, pelo cotidiano.

Significa que, talvez, devamos procurar melhor companhia quando quisermos refletir sobre a realidade, em vez de enterrar nossa alma no lixo barato de quem nos toma por idiotas.

A mentira esvazia a alma. Arriscaria dizer que refletir sobre a felicidade deveria partir da constatação de Sigmund Freud, outro schopenhauriano, em seu “O Mal-Estar na Civilização”, de que a felicidade é episódica e que ela não parece fazer parte dos planos da Criação.

Amorim acusa EUA de desrespeitar Brasil e chama indicação de embaixador de “bizarra”

É preciso entender que determinados serviços públicos funcionam pior quando privatizados

Charge reproduzida do Arquivo GoogleRoberto Nascimento

É ilusão achar que vamos nos livrar da dicotomia esquerda & direita, que surgiu na Revolução Francesa de 1789. Do lado direito do salão do Parlamento ficavam os girondinos; à esquerda, os jacobinos; e ao centro, os planaltinos.

Esse legado da Revolução Francesa está presente em todas as instituições do poder e hoje a Direita está em viés de alta. Na América Latina, o campo progressista, como se intitulam os adeptos da esquerda, somente governa o Brasil e o México. O sonho de Donald Trump é dominar esses dois importantes países da América Latina, onde a esquerda ainda resiste.

PRIVATIZAÇÃO – Um dos debates ideológicos mais intensos na disputa entre direita e esquerda está evidenciada na política de estatizar ou privatizar. No Brasil, os neoliberais tucanos cometeram graves erros ao privatizar estatais altamente rentáveis, como a Vale do Rio Doce, uma gigantesca empresa construída com dinheiro público.

Na época, a mineradora tinha valor de mercado em torno de R$ 20 bilhões, mas foi vendida no governo FHC por R$ 3 bilhões e não foi à vista, pois houve  financiamento a juros baixos pelo BNDES.

O sistema de energia das distribuidoras estatais foi todo vendido/privatizado, com exceção da estatal de Minas, por causa da oposição do então governador Itamar Franco. Mudou alguma coisa? O serviço está melhor? As tarifas diminuíram?

CONTRADIÇÃO – Empresas de áreas estratégicas, como fornecimento de energia e prospecção de petróleo, devem ser estatais. A riqueza da Arábia Saudita, por exemplo, deve-se à Aramco, que é estatal.

Uma das multinacionais que entrara m mercado de energia no Brasil é a Eneil, uma gigantesca empresa italiana. Foi fundado como estatal na Itália em 1962 e semiprivatizada nos anos 1990, mas o governo da Itália continua como o maior acionista individual, detendo cerca de 23,6% das ações por meio do Ministério da Economia e Finanças, enquanto o restante do capital é negociado na bolsa de valores.

A multinacional Enel trata tão mal os paulistas, que até o governador Tarcísio de Freitas, forte adepto das privatizações, já se manifestou pela rescisão do contrato, junto com o parceiro de toda hora, o prefeito Ricardo Nunes. Infelizmente, parece que já mudaram de ideia, tanto Tarcísio quanto Nunes, porque pararam de falar do assunto.

CONCESSÕES – Os chamados serviços públicos, como geração e distribuição de energia, abastecimento de água, tratamento de esgoto, fornecimento de gás, transporte de massa etc. são estratégicos e deveriam ser providos pelo poder público, por envolverem responsabilidade social, que a iniciativa privada se nega a oferecer.

Mas os políticos inventaram as “concessões” e hoje somos reféns dessa gente que controla as empresas concessionárias. Pagamos tarifas altíssimas de água, luz, gás e telefone, tudo privatizado, sem falar nos trens urbanos, uma porcaria de serviço.

É uma eterna Odisseia de sofrimento, sem nenhuma expectativa de vencermos essa batalha. Vamos morrer na praia antes de chegar a Ítaca, como no filme de Cristian Nolan, que vem lotando os cinemas do Rio de Janeiro.

Tarde demais, Lula agora corre para criar Ministério da Segurança antes das eleições

PEC da Segurança é prioridade do governo no Senado

Valdo Cruz
G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu como prioridade, junto com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, a votação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A proposta amplia a coordenação da União na área e estabelece diretrizes nacionais para o combate ao crime organizado.

Aprovada a proposta, Lula quer criar o Ministério da Segurança Pública antes do primeiro turno das eleições, para apresentar a iniciativa como um trunfo de campanha na área em que enfrenta mais dificuldades de aprovação.  A votação da PEC da Segurança será um dos temas prioritários da próxima conversa entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que está sendo articulada para esta semana.

PRIMEIRO ENCONTRO – Os dois tiveram um primeiro encontro na semana passada, depois do rompimento em abril, provocado pela rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação do governo é que a votação da PEC da Segurança Pública tem mais viabilidade de ocorrer do que a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, outra prioridade do Palácio do Planalto.

Nesse caso, a expectativa é que a proposta avance na tramitação, mas dificilmente seja aprovada antes das eleições deste ano. Integrantes do governo avaliam, porém, que politicamente o Planalto já obteve dividendos com a defesa da proposta, tema que pretende explorar durante a campanha presidencial, que começa oficialmente neste fim de semana.

“TAXA DAS BLUSINHAS” – O governo também quer tentar aprovar no Senado o projeto que regulamenta a exploração de terras raras, grupo de minerais estratégicos usados em setores de alta tecnologia, na transição energética e na indústria de defesa. Após reunião com Lula nesta terça-feira, José Guimarães ainda destacou em sua rede social a importância da aprovação da MP que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”, cobrada sobre compras internacionais de até US$ 50.

“Não há nenhuma dúvida em relação à Medida Provisória que trata do fim da taxa das blusinhas. É nossa prioridade a instalação da comissão mista e trabalhar pela sua rápida aprovação, fazendo valer a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula. Vamos solicitar ainda hoje ao presidente Davi Alcolumbre a instalação das comissões das Medidas Provisórias, entre elas a que trata desse tema”, escreveu.

CÂMARA – Na Câmara dos Deputados, o governo pretende votar, nos esforços concentrados antes das eleições, pelo menos dois projetos. Um deles autoriza o uso do excesso de arrecadação obtido com a comercialização de petróleo para conter eventuais altas nos preços da gasolina e do diesel.

O outro criminaliza a misoginia, criando punições específicas para práticas motivadas por ódio, discriminação ou violência contra mulheres. A proposta é considerada importante pelo governo para dialogar com o eleitorado feminino, segmento em que Lula mantém vantagem.

Flávio Bolsonaro admite erros em currículo divulgado por páginas oficiais

Troca de advogado pode reabrir a possibilidade de delação de Vorcaro

Nunca pensei que poderia ter saudade de William Bonner no Jornal Nacional

Nove mestres da USP e William Bonner

Bonner comparou o telespectador ao abestado Simpson

Vicente Limongi Netto

Nas eleições passadas, o Jornal Nacional mandou Renata Vasconcelos viajar pelo país ouvindo o que os brasileiros desejam dos candidatos. Deu certo. Renata é expansiva. O público gosta dela.  Ancorando as boas conversas de Renata, recebida com fidalguia por todos, Willian Bonner completava a boa pauta que rendeu expressiva audiência a Tv-Globo.

Agora, Renata vai novamente ouvir eleitores pelo Brasil para saber o que esperam dos candidatos. Com uma novidade ruim.  Renata levará na bagagem a figura grotesca e desagradável do boquirroto Cesar Tralha. Antes só que mal acompanhada.

O telespectador já antevê, Tralha falando pelos cotovelos, pretensioso, ar de sabidão, dando aula sobre tudo, atropelando as conversas da Renata Vasconcelos.

O que eram entrevistas espontâneas, agradáveis, alegres e oportunas que poderiam inclusive dar bons subsídios aos candidatos, se tornarão espetáculos tormentosos de chatices e cretinices. Características do empolado e medonho Tralha. Uma pena. Volta, Bonner.

BELA MENSAGEM – O grande jornalista e escritor Ignácio Loyola Brandão, da Academia Brasileira de Letras, sempre vigilante e defensor das boas causas, envia bela mensagem:

“Vicente,

Você está certíssimo. Gerson foi massacrado – praticamente execrado – por uma lei que quem inventou foi um publicitário ansioso por atender um cliente, o que quase destruiu uma lenda de nosso futebol.

Parabéns pela defesa de Gerson. Um dia falaremos dos males que a publicidade provoca…

Abraços,

Ignácio”

MAIS DUAS – O advogado Sérgio Martins, que mora em Portugal e foi secretário particular de Havelange durante décadas, também envia mensagem:

“Limongi,

Aproveite bem essa viagem e curta a sua amada filha e genro, pois a vida é feita de momentos. Você dignifica a amizade com seus gestos, que demonstram carinho e gratidão, sentimento esse muito raro nos dias de hoje. 

Receba um forte abraço e meus agradecimentos pela homenagem ao nosso amigo Havelange.

Fique com Deus. 

Sérgio Martins”

E a mensagem final é minha, para homenagear outra pessoa que eu gosto. E daqui vai meu abraço ao amigo, ex-presidente Fernando Collor de Mello, completando hoje 78 anos de idade.

Dino rejeita “crise apocalíptica”, mas admite que Judiciário precisa de reformas

Dino reage à pressão política sobre o Judiciário

Mariana Muniz
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou nesta terça-feira que é “falso” dizer que o Judiciário vive uma “crise terminal e apocalíptica”, mas defendeu uma série de reformas para aprimorar o funcionamento das instituições jurídicas do país.

Em publicação nas redes sociais em homenagem aos 199 anos dos cursos jurídicos no Brasil, o ministro reconheceu que há problemas nas instituições, mas criticou o que classificou como uma narrativa alimentada por interesses políticos, ideológicos e econômicos.

“CRISE TERMINAL” – “Claro que há pontos negativos em tais instituições, porém é falso que existe uma ‘crise’ terminal e apocalíptica no mundo do Direito, mormente no Judiciário”, escreveu. Segundo Dino, essa visão é, “no mais das vezes”, resultado de “objetivos ideológicos, oportunismos político-eleitorais e interesses econômico-financeiros” ou de “vieses de confirmação” que distorcem a realidade.

Apesar da crítica ao discurso de crise, o ministro afirmou que mudanças são necessárias. “Acredito que reformas são sempre necessárias para que os profissionais do Direito sirvam cada vez melhor à nossa Nação”, escreveu.

MOROSIDADE PROCESSUAL – Na postagem, Dino elenca o que considera prioridades para uma eventual reforma do sistema de Justiça, citando a redução da morosidade processual, a punição de profissionais corruptos, o enfrentamento ao “uso e abuso da inteligência artificial”, o combate a “precatórios fabricados e utilizados para perpetração de crimes”, a utilização de fundos para lavagem de dinheiro e a compra e venda de decisões judiciais.

Ao concluir a mensagem, o ministro afirma que é preciso conduzir essas mudanças com “perseverança e coragem”, preservando os direitos fundamentais e os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência.

Brasileiros desconfiam das redes, mas recorrem a elas para se informar sobre política

“Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim…”

Eternas Músicas: Naquela Mesa

Sérgio Bittencourt fez uma homenagem a seu pai

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, apresentador de TV, cronista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979) compôs “Naquela Mesa” em homenagem póstuma ao seu pai, o compositor Jacob do Bandolim, e a saudade que ele deixou. Esta samba-choro foi gravado por Elizeth Cardoso em seu LP “Preciso aprender a ser só″, em 1972, pela Copacabana, e fez enorme sucesso.

NAQUELA MESA
Sérgio Bittencourt

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias,
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã.
E nos seus olhos era tanto brilho,
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã.

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa no canto, uma casa e um jardim.
Se eu soubesse o quanto doi a vida,
Essa dor tão doída não doía assim.

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala no seu bandolim.
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.

Planalto teme novas revelações e questiona assessor de Lula sobre lobista

Congresso retoma ofensiva pela redução da maioridade penal, mas votação fica pós-eleições

Nota de apoio a Andrei Rodrigues expõe divisão interna na Polícia Federal

A dívida pública que está estreitando o futuro do Brasil é desprezada

Acusação contra vice de Flávio Bolsonaro é cercada por versões contraditórias

Imprensa reage à operação de Moraes contra fonte de jornalista e alerta para precedente perigoso