Manuel Bandeira sabia o que significa o amor
Paulo Peres
Poemas e Canções
O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), conhecido como Manuel Bandeira, no soneto “Desencanto”, estava na pior fase de sua vida, enfrentando a tuberculose e desencantado com a vida, que depois lhe sorriria, porque ele só viria a morrer muito depois, com mais de 80 anos.
DESENCANTO
Manuel Bandeira
Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto
Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.
E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
O poema Desencanto, de Manuel Bandeira, não termina com os versos acima (Qualquer forma de amor vale a pena, qualqure forma de amor vale amar), e nem poderia terminar assim, pois não faria sentido com o desencanto do poeta.
Tenho livros de Manuel Bandeira, e sei que o último verso é “Eu faço versos como quem morre”.
Caramba, Tarciso Coelho, dou graças a Deus por você existir. Já corrigi o título e o texto do poema.
Gratíssimo,
Carlos Newton