
Lula e Flávio partem para a disputa pelo voto dos adversários
Jeniffer Gularte
Luísa Marzullo
O Globo
A uma semana do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) traçam estratégias distintas para vencer a disputa, virar votos e conquistar indecisos. Em busca do quarto mandato, o presidente tem mirado retomar votos lulistas de 2022, que a campanha identifica que foram capturados pelo presidenciável do PL. Já Flávio tem apostado no voto útil na reta final, com apelos para que eleitores antecipem já na primeira votação uma escolha que fariam em um eventual segundo turno.
Diferente do seu adversário, Lula vai mirar desgastar a imagem de Flávio frente aos eleitores Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), para evitar que o movimento de voto útil na reta final migre para o senador. Para o PT, é fundamental que esse estrato de eleitorado não tenha o senador como segunda opção.
GRUPOS ESPECÍFICOS – Além de trabalhar sem trégua para ampliar a rejeição de Flávio, o petista vai mirar a atração de grupos específicos como idosos, mulheres e jovens. No caso dos eleitores mais velhos, uma medida já anunciada pelo governo de que o voto nas eleições valerá como prova de vida para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tem esse foco.
A campanha também fará uma ofensiva para especialmente o eleitor com mais de 70 anos, considerado mais simpático a Lula, saia de casa para votar. No caso das mulheres, a ofensiva mira as mães de classe média, beneficiárias do Bolsa Família e chefes de família. Neste último grupo, 47% das mulheres dizem votar em Lula e 27% em Flávio, segundo Datafolha.
INDECISOS – Outra preocupação da campanha é consolidar o eleitor que decidiu votar no Lula nos últimos dias, mas ainda pode mudar de lado ou mesmo desistir de votar, o que ampliaria a abstenção.
As estratégias de Flávio e Lula pressionam sobretudo os demais presidenciáveis, que tentam evitar que os últimos dias de campanha sejam reduzidos a uma disputa entre os dois primeiros colocados. Além de Cury e Caiado, Flávio também mira em Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Juntos, os quatro aparecem com 14% na última Quaest — Cury com 6%, Caiado com 4%, Renan com 3% e Zema com 1%.
Em busca do voto útil, Flávio já passou a fazer o apelo nominalmente. Na Bahia, pediu a quem pensava em votar em outros nomes que considerasse apoiá-lo já no primeiro turno “para a gente resolver logo” e depois repetiu a mensagem em sua live semanal.
ARTICULAÇÃO – A ofensiva não ficou apenas no discurso. Aliados de Flávio sondaram interlocutores ligados a Cury, Caiado e Zema sobre a possibilidade de uma composição ainda antes da votação, mas encontraram resistência. Nenhum deles sinalizou intenção de deixar a corrida.
O movimento não passou despercebido pelos concorrentes. Na mesma semana em que Flávio avançou sobre seus eleitores, Cury, Caiado e Zema endureceram os ataques ao candidato do PL e exploraram, entre outros pontos, sua relação com Daniel Vorcaro e o caso Master. Caiado também reagiu diretamente à pressão pelo voto útil, enquanto Renan rejeitou uma aproximação nesta etapa da corrida. Flávio, por outro lado, tem evitado devolver os ataques no mesmo tom.
AGENDAS – Por isso, Flávio tem evitado responder na mesma intensidade. Ele direciona o discurso aos seus eleitores e procura se apresentar como o nome da direita com condições de concentrar o voto contra Lula. A estratégia chegará também às agendas: no domingo, a uma semana da eleição, o candidato irá a Goiás, justamente o principal reduto de Caiado, ampliando a pressão sobre um dos concorrentes que mais reagiram à ofensiva.
A campanha também preparou peças para reforçar a concentração de votos na última semana. Um jingle produzido para a reta final repete “a hora é agora, não deixe pra depois”, enquanto o rádio e a televisão devem explorar a ideia de união. Em outra frente, Flávio tenta alcançar inclusive eleitores de direita afastados de Jair Bolsonaro: uma inserção de rádio veiculada nesta semana afirma que, para quem “ficou chateado com o Jair” ou está “decepcionado com o Lula”, ele seria “diferente dos dois”.
Há “dendos”, em:
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É o método deles! Aposto como o “feiticeiro”orquestrou essa!
https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/88488/globo-faz-fake-news-sobre-nossa-senhora-pt-se-aproveita-para-atacar-flavio-e-emissora-e-obrigada-a-desmentir-ao-vivo-veja-o-video