
Lula e Flávio focam em agendas no Sudeste diante da polarização
Pedro do Coutto
A nova rodada da Quaest mostra uma disputa presidencial cada vez mais territorializada: Flávio avança no Sudeste, Lula preserva vantagem no Nordeste e Minas Gerais volta a ocupar o centro da equação nacional
A nova rodada da Quaest acrescenta uma dimensão importante à corrida presidencial de 2026. Mais do que mostrar quem está à frente em cada Estado, os números revelam como Lula e Flávio Bolsonaro estão construindo mapas eleitorais distintos — e como a disputa nacional começa a ser formada por territórios com comportamentos muito diferentes.
SP, RJ, MG, PE e DF – Em São Paulo, Flávio aparece com 34% contra 31% de Lula. No Rio de Janeiro, tem 37% contra 30%. Em Minas Gerais, porém, Lula está à frente, com 35% contra 30%. Em Pernambuco, a diferença é muito maior: 54% a 21% para o presidente. No Distrito Federal, Flávio registra 33%, contra 32% de Lula.
São Paulo merece atenção especial. Flávio passou de 31% para 34%, enquanto Lula avançou de 30% para 31%. Ou seja, os dois cresceram, mas a vantagem do candidato do PL aumentou de um para três pontos. No segundo turno, Flávio aparece com 42%, contra 36% de Lula.
O resultado ganha peso pelo tamanho do eleitorado paulista e pela conexão entre as disputas presidencial e estadual. Na corrida pelo governo, Tarcísio de Freitas lidera e declarou apoio a Flávio, criando uma convergência política relevante entre as duas eleições.
DISTÂNCIA – Minas Gerais apresenta outro desenho. Lula avançou de 31% para 35%, enquanto Flávio passou de 27% para 30%. A distância aumentou de quatro para cinco pontos. No segundo turno, entretanto, os dois aparecem empatados em 40%.
Minas volta, assim, a ocupar uma posição particular no mapa eleitoral. O Estado não reproduz integralmente nem a vantagem de Flávio observada em São Paulo e no Rio nem a larga dianteira de Lula no Nordeste. É um território em que a disputa presidencial aparece mais competitiva e onde movimentos relativamente pequenos podem ter impacto relevante sobre o resultado nacional.
No Rio de Janeiro, Flávio chega a 37% no primeiro turno, contra 30% de Lula. No segundo, registra 44%, contra 36%. O resultado reforça a força eleitoral do bolsonarismo no Estado, mas a pesquisa também mostra que o eleitor pode fazer escolhas diferentes nas disputas nacional e estadual: para o governo fluminense, Eduardo Paes lidera com 36%, enquanto Douglas Ruas aparece com 23%.
AMPLA VANTAGEM – O Nordeste mantém uma configuração bastante distinta. Em Pernambuco, Lula chega a 54% no primeiro turno, contra 21% de Flávio. No segundo, a vantagem permanece ampla: 58% a 25%. O contraste com São Paulo e Rio evidencia que a eleição não está produzindo uma tendência uniforme no território nacional.
É justamente aí que a pesquisa ganha significado político. A disputa não se distribui de maneira homogênea pelo país; ela apresenta geografias eleitorais diferentes. O Sudeste concentra algumas das disputas mais competitivas e também os maiores colégios eleitorais. O Nordeste preserva uma relação muito mais favorável a Lula. Minas aparece como uma área de competição particularmente relevante.
O Distrito Federal acrescenta outro elemento. Flávio tem 33%, apenas um ponto acima de Lula no primeiro turno. No segundo turno, a diferença aumenta: 49% a 38%. A terceira via, por sua vez, continua distante dos dois principais candidatos. Augusto Cury aparece com 7% em São Paulo, 5% em Minas, 4% no Rio, 5% em Pernambuco e 7% no Distrito Federal.
FOTOGRAFIA NACIONAL – Os números estaduais ajudam a compreender a fotografia nacional da Quaest divulgada em 21 de setembro: Lula tinha 37% e Flávio 33% no primeiro turno. No segundo, Flávio aparecia numericamente à frente, com 42% contra 41%, ambos dentro da margem de erro.
Mas pesquisas estaduais exigem cautela. São amostras diferentes, com margens de erro próprias, e diferenças pequenas não devem ser tratadas automaticamente como mudança definitiva de tendência. Também é preciso separar liderança presidencial de força política local. O Rio é um exemplo claro de que o desempenho de um candidato nacional não necessariamente se reproduz na eleição para governador.
A rodada da Quaest, portanto, não permite antecipar o resultado. Mostra algo mais concreto: a eleição nacional está sendo construída por mapas eleitorais diferentes. Lula preserva uma vantagem ampla em Pernambuco e lidera em Minas. Flávio tem vantagem em São Paulo e no Rio e aparece numericamente à frente no Distrito Federal. A fotografia nacional continua apertada, mas sua composição territorial é talvez mais reveladora do que a diferença entre os dois candidatos no conjunto do eleitorado.
EVOLUÇÃO – questão central, agora, é saber como essas vantagens regionais irão evoluir ao longo da campanha, como os votos dos candidatos menores serão redistribuídos e se os movimentos registrados nos maiores colégios eleitorais se consolidarão ou permanecerão dentro das oscilações normais de uma eleição ainda em construção.
O mapa da Quaest não entrega uma resposta sobre quem vencerá. Mas mostra onde a disputa presidencial está sendo decidida politicamente — e como diferente é o Brasil que cada candidato precisa alcançar.
Barba é o que se sabe que ele é, mas uma coisa é certa: ele é o único com coragem para ir à ONU peitar Trump e, no país, bater de frente com a abominável seita bolsonarista.
Além disso, se comparecer ao debate da Globo em 1º de outubro, ele pode desmascarar ainda mais o tal do Flávio Rachadinha, o avatar das fake news.
Isso tudo mesmo o dublê de Zé Pilintra já tendo seus 80 anos.