Lula tem 42% e Flávio, 38%, no primeiro turno
Paulo Assad
O Globo
Divulgada nesta quinta-feira, a nova pesquisa do Datafolha mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) marca 38%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
No levantamento anterior, Lula tinha 40% e Flávio, 36%. Os dois candidatos oscilaram, portanto, positivamente em dois pontos, mantendo o cenário de empate técnico. Em patamar mais baixo, o escritor Augusto Cury (Avante), que tinha 5% das intenções de voto, aparece, agora, com 4%. Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que somava 4%, tem no momento 3%, mesmo valor atingido por Renan Santos (Missão). O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema tem 1%.
SEGUNDO TURNO – Em um eventual segundo turno, o petista tem 48% das intenções de voto, enquanto o senador fica com 45%. O cenário também é de empate técnico. O Datafolha também divulgou um levantamento com os votos válidos do primeiro turno. Nele, Lula tem 45% das intenções de voto, enquanto Flávio fica com 40%. Já Augusto Cury tem 4%. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem empatados com 3%. Já Romeu Zema fica com 1%.
Candidatos com mais intenções de voto, Lula e Flávio são também aqueles com os maiores índices de rejeição. No momento, ambos marcam 45%. Os números mantêm um cenário de estabilidade. Renan Santos tem 16%, Zema, 15%, e Caiado, 14%. Augusto Cury aparece com 11% de rejeição.
Na pesquisa espontânea divulgada nesta quinta, Lula tem 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro marca 31%. Nessa modalidade, em que o instituto não mostra nomes dos candidatos aos eleitores, Cury tem 2%, assim como Renan e Caiado. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e em prisão domiciliar, foi citado por 4% dos entrevistados.
POLÊMICA – O Datafolha ouviu 2.506 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 28 e 30 de setembro. É a primeira pesquisa do instituto feita após a candidatura de Flávio Bolsonaro ser associada a uma iniciativa de evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O senador nega que projetos nesse sentido existam. O tema, no entanto, passou a ser explorado pelo petista na campanha.
Ao longo das últimas semanas, Lula fez uma série de medidas mirando o pleito. O atual presidente determinou o aumento do benefício do Bolsa Família e assinou uma medida provisória que proibiu casas de apostas de operarem no Brasil. O nível de confiança da pesquisa, encomendada pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo, é de 95%. O número de registro na Justiça Eleitoral é BR-08039/2026.
Quanto à intenção de enganar o eleitorado
A discussão sobre as pesquisas eleitorais envolve críticas frequentes de analistas, políticos e cientistas políticos quanto à sua precisão, potencial de manipulação e o impacto que exercem sobre a decisão do eleitor.
Setores críticos apontam que, além de falhas metodológicas legítimas, existem episódios em que os levantamentos servem a interesses particulares ou tentam induzir o comportamento do eleitorado.
Abaixo estão os principais pontos que sustentam essas críticas:
1. Atendimento a Interesses de Contratantes
Muitos críticos apontam o risco de conflito de interesses quando institutos de pesquisa são financiados por partidos políticos, coligações, empresas ou grupos de mídia com posições claras no espectro político.
Viés de divulgação: Denúncias e suspeitas sugerem que algumas pesquisas com resultados desfavoráveis ao contratante são simplesmente engavetadas e nunca publicadas.
Resultados sob encomenda: Há críticas voltadas a institutos menores ou criados em períodos pré-eleitorais, sob a acusação de moldarem os cenários e recortes para favorecer quem pagou pelo serviço.
2. Intenção de Enganar o Eleitorado e Efeito Manada
A principal preocupação social é a tentativa de induzir o voto do eleitorado por meio de dados distorcidos. Esse fenômeno baseia-se em conceitos psicológicos e sociais conhecidos:
Efeito Voto Útil (ou “Bandwagon Effect”): A divulgação de uma liderança folgada pode fazer com que eleitores indecisos ou de candidatos minoritários migrem seus votos para o candidato que aparece na frente, querendo “vencer junto” ou evitar a vitória de um rival.
Desmobilização: Apresentar um candidato com rejeição inflada ou sem chances matemáticas pode desanimar a militância e fazer com que seus eleitores desistam de ir votar ou anulem o voto.
3. Mecanismos de Manipulação e Fraude Técnica
Especialistas e órgãos de fiscalização identificam táticas que, embora possam parecer técnicas à primeira vista, alteram artificialmente os resultados:
Direcionamento de questionários: Uso de perguntas indutivas ou capciosas que empurram o entrevistado a uma determinada resposta.
Manipulação de cotas amostrais: Mudar o peso ou a proporção de faixas de renda, escolaridade, gênero ou localização geográfica. Se uma pesquisa entrevistar intencionalmente mais pessoas de uma classe social que tradicionalmente apoia o Candidato A, o resultado final será distorcido.
Escolha estratégica de bairros ou regiões: Focar a coleta de dados em redutos históricos de determinados partidos.