Moraes arquiva investigação contra Marcos do Val e blogueiros após parecer da PGR

PGR avaliou provas como insuficientes para denúncia

Fernanda Fonseca
Elijonas Maia
CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), arquivou em 4 de setembro a investigação contra o senador Marcos do Val (Avante-ES), os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Ednardo Raposo. A decisão acolheu parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), segundo o qual as provas não sustentam uma denúncia.

A Polícia Federal havia indiciado os quatro por suspeita de obstrução de investigação de organização criminosa e incitação ao crime. A apuração mirava uma campanha de ataques e exposição de agentes públicos envolvidos em investigações conduzidas no STF, sobretudo pelo delegado da PF Fábio Shor.

LIMITE ULTRAPASSADO – Segundo a PGR, a apuração reuniu postagens em redes sociais, registros telefônicos, conversas, dados fiscais e financeiros e depoimentos. O órgão reconheceu que houve ações voltadas a atingir a imagem de agentes da PF e do STF e que, em alguns casos, foi ultrapassado “o limite da tolerância diferenciada imposta àqueles que servem ao público”.

Para a Procuradoria, os elementos revelaram o “evidente desiderato” de Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e Marcos do Val de ofender os agentes ligados às investigações no STF.

Apesar disso, a PGR concluiu que o material não bastava para uma denúncia pelos crimes apontados pela PF. No parecer, o órgão afirma que as provas “não lograram demonstrar a existência de articulação estruturada” para incitar crimes contra agentes públicos ou obstruir investigações específicas.

COMPROVAÇÃO –  “O farto material probatório, no entanto, não logrou demonstrar a existência de articulação estruturada para dolosamente incitar a prática de crimes contra os agentes públicos ou obstruir, concretamente, investigações específicas”, diz.

Na avaliação do Ministério Público, os fatos se aproximam mais de crimes contra a honra praticados contra servidores públicos. Para que esses delitos fossem processados, seria necessária representação ou queixa dos próprios ofendidos, o que não ocorreu.

Ao acolher o parecer, Moraes afirmou que cabe ao Ministério Público decidir entre oferecer denúncia ou pedir o arquivamento. O ministro determinou o encerramento do caso, com ressalva para a retomada das apurações caso surjam novas provas.

2 thoughts on “Moraes arquiva investigação contra Marcos do Val e blogueiros após parecer da PGR”

  1. Expectativa de poder mudou de lado

    A expectativa de poder mudou de lado e, agora, na medida em que a votação se aproxima, pode ser maior até do que a força do Estado.

    Essa mudança de correlação de forças já chegou ao “pântano” da política, formado por alianças pragmáticas, interesses orçamentários e projetos de sobrevivência, que começam a recalcular sua posição.

    Quem se aproximou do Planalto e apostava na reeleição pode procurar outro porto. É uma tendência, não ainda uma deserção consumada de toda a base.

    Flávio Bolsonaro representa uma direita nacional-conservadora, com tendências “iliberais” encarnadas no bolsonarismo, portanto, saudosista do regime militar e do chamado “milagre econômico”.

    A soberania popular é invocada para fortalecer o governante contra instituições intermediárias, promete um governo de maioria em conflito com as minorias e políticas igualitaristas.

    Suas raízes incluem o anticomunismo, a tradição de tutela militar e o conservadorismo religioso, reorganizados pelas redes sociais. O poder plebiscitário possibilita ao líder reivindica interpretar o “povo” contra as instituições.

    Flávio defende liberalização econômica e autoridade política: privatizações, desregulação, contenção do gasto e protagonismo empresarial. Tem mais afinidades com Trump, que combina nacionalismo, tarifas e intervenção.

    A direita privilegia família, religião, empreendedorismo e ordem, sem necessariamente abandonar transferências de renda.

    Nesse contexto, a eleição brasileira mobiliza grandes interesses internacionais. Terras raras, energia, alimentos, dados, infraestrutura e Amazônia integram a disputa entre Washington e Pequim.

    Uma vitória de Flávio aproximará Brasília da agenda de Donald Trump, encurtando a distância política que Lula preserva. O comércio com a China dificulta uma ruptura, mas cresce a pressão por um realinhamento diplomático radical.

    Fonte: Correio Brasiliense, Nas Entrelinhas, 07/10/2026 – 08:18 Por Luiz Carlos Azedo

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