Crise com Michelle força Flávio Bolsonaro a reformular estratégia para atrair eleitoras

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  1. O fator que dificulta pacificação de Michelle e aliados com Flávio

    Em meio à guerra deflagrada no clã Bolsonaro, uma das principais queixas no entorno de Michelle é a de que Flávio, até agora não veio a público repudiar os ataques contra ela e Damares Alves vindos de aliados que estão nos EUA.

    Nos bastidores, Damares, amiga próxima de Michelle, endossou a reclamação e sinalizou seu desconforto com o fogo amigo dentro do bolsonarismo.

    “Flávio poderia ter deixado claro que esse não é o pensamento da campanha, mas não fez isso”, queixou-se um aliado de Michelle ouvido pela equipe do blog.

    A saída de Michelle presidência do PL Mulher sacramentada na última terça-feira (30), e os rumores de que ela pode desistir da pré-candidatura ao Senado pelo DF agravaram a crise na direita bolsonarista.

    Além de refletir o desconforto de Michelle com a continuidade da ofensiva nas redes, a renúncia torna ainda mais distante a possibilidade dos dois lados abreviarem a crise.

    Entre os bolsonaristas no exterior que têm alimentado a cizânia está o Dudu Bananinha, seu aliado Paulo Figueiredo, que se apresentou como porta-voz de Flávio durante sua viagem aos EUA, e Allan dos Santos.

    Em um vídeo postado no dia seguinte à manifestação de Michelle, Figueiredo disse que Michelle e Damares são feministas, disse que “mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente as solteiras” e insinuou ter informações comprometedoras sobre a relação de Michelle com o ex-mito.

    “Vocês não têm vontade de cortar um pouquinho os pulsos, só para ver o que acontece, toda vez que ela fala meu galego? Não soa fake? Principalmente se vocês soubessem as coisas que eu sei”, afirmou Figueiredo.

    A rede de ataques a Michelle também conta com outros bolsonaristas no exterior como o influenciador Kim Paim, que vive na Austrália, e o blogueiro Oswaldo Eustáquio, que está na Espanha.

    O grupo e outros perfis frequentemente compartilhados por aliados de Bananinha se referem à ex-primeira-dama pelo nome de solteira, Michelle Firmo, em uma tentativa de isolá-la do projeto de poder da família. A estratégia irritou a mulher de Jair Bolsonaro.

    No vídeo de 27 minutos divulgado na última quarta-feira, a ex-primeira-dama se referiu a eles como um “grupo do exterior”.

    “O grupo coordenado por pessoas que estão no exterior continua atuando e me atacando todos os dias. Alguns deles até aparecem em fotos ao lado de Flávio, fazem publicações e vídeos retirando o sobrenome Bolsonaro do meu nome numa tentativa de me atingir. Não me atingem. Eu sei quem eu sou e sei quem é meu marido”, afirmou.

    Desde a manifestação de Michelle, Valdemar e Damares (aparentemente) se colocaram como “bombeiros” da crise. Mas os esforços até agora não surtiram efeito.

    Isso porque, mesmo após Flávio e Michelle sinalizarem uma trégua na semana passada em seus perfis nas redes sociais, os ataques dos aliados “autoexilados” do presidenciável não cessaram ao longo dos últimos dias.

    O próprio Flávio veio a público com um discurso de deixar “pequenas diferenças de lado” e “estarmos cada vez mais unidos”, mas não recriminou publicamente os ataques nas redes sociais contra Michelle e Damares.

    Desde então, o próprio Dudu Bananinha, que chegou a viajar com Michelle para a posse de Trump ‘representando’ o ex-mito, já disparou nove postagens com referências diretas e indiretas à madrasta, entre tuítes próprios e de terceiros.

    O último publicado alfinetou tanto Michelle quanto Valdemar. Em resposta ao cacique do PL, que declarou à Folha de São Paulo na última segunda que a eleição de Flávio “vai ficar muito difícil se perdermos a Michelle”, Dudu sugeriu que Michelle jamais se empenhou pela candidatura do enteado.

    “Como se perde algo que nunca se teve?”, escreveu o ex-parlamentar.

    O Globo, Política, Opinião, 01/07/2026 04h00 Por Rafael Moraes Moura e Johanns Eller — Brasília e Rio / Malu Gaspar

  2. Famiglia Bolsonaro em pé de guerra

    Entre integrantes do PL ouvidos, há o temor de que a guerra intestina no clã Bolsonaro produza efeitos mais nocivos à campanha de Flávio do que os desdobramentos das investigações do caso do Banco Master, que trouxeram à tona áudios de Flávio pedindo dinheiro ao banqueiro Vorcaro supostamente para financiar o filme “Dark Horse”.

    Isso porque o tiroteio nas redes sociais traz à tona questões como machismo e misoginia, além de escancarar as fissuras internas da família Bolsonaro, o que pode afugentar o eleitorado feminino, onde Flávio enfrenta mais rejeição que Lula.

    “O esquema do Vorcaro não tinha ideologia e vai pegar da esquerda à direita. Agora, a crise Michelle tem um efeito mais permanente”, comenta um interlocutor de Bolsonaro ouvido.

    “Numa eleição, você vende a ideia de uma família exemplar, e o que temos aqui é uma família em pé de guerra.”

    A guerra, pelo visto, está longe de terminar.

    Fonte: O Globo, Política, Opinião, 01/07/2026 04h00 Por Rafael Moraes Moura e Johanns Eller — Brasília e Rio / Malu Gaspar

  3. Michelle prevê que escândalos vão nocautear campanha de Flávio

    Micheque teve uma longa conversa nesta terça-feira com o Boy de Mogi e o resumo do encontro é o seguinte: sem chance de apoiar Flávio Rachadinha para a Presidência sob qualquer hipótese, mas com chance de ser candidata ao Senado pelo DF.

    A crise entre Michelle e Flávio explodiu há exatamente uma semana e virou um peso que Rachadinha vai ter que carregar até o dia da eleição — logo ele que precisa melhorar seu desempenho nas pesquisas justamente entre as mulheres; e, mais ainda, entre as evangélicas.

    A chance de reconciliação entre os dois é zero, de acordo com alguns interlocutores de Michelle.

    Nos últimos dias, além de garantir que não estará ao lado de Flávio nesta campanha, tem dito que sua campanha será abalada em breve por mais escândalos, que nocautearão sua candidatura.

    Fonte: O Globo, Opinião, 01/07/2026 06h02 Por Lauro Jardim

    Valdemar usa Micheque como “mão de gato” na tentativa de inviabilizar pré-candidatura de Rachadinha.

  4. Saída de Michelle do PL Mulher é celebrada por ala do partido

    A saída de Micheque do PL Mulher foi celebrada por lideranças do PL e parte dos parlamentares. A ex-primeira-dama vinha acumulando desafetos, especialmente entre deputados e deputadas federais que não haviam sido apadrinhados por ela.

    A queixa central era que os candidatos respaldados por Michelle em suas campanhas seriam, em geral, mais competitivos dentro do próprio PL do que aqueles que não faziam parte do grupo de agraciados por ela.

    Os apelos para que Michelle apoiasse mais candidaturas chegaram às lideranças do PL, mas ela deixava claro que a escolha era exclusividade dela.

    As queixas, que antes circulavam de forma reservada, cresceram após Michelle publicar um vídeo com críticas a Flávio na semana passada. De salvadora, ela passou a ser vista como um “problema” dentro do partido.

    As lideranças mudaram o discurso sobre ela, que antes era considerada peça-chave para a campanha presidencial, mas agora incomoda a cúpula.

    — Se ela vai trabalhar para desagregar, é melhor que fique distante — disse à coluna um integrante da cúpula do PL, que já defendia a saída dela do PL Mulher.

    A avaliação de grande parte da legenda é que não havia mais clima para que Michelle permanecesse no comando, a menos que abraçasse a campanha de Flávio Rachadinha.

    O plano de Valdemar, presidente do PL, é lançar a ex-primeira-dama ao Senado pelo DF, na chapa da governadora Celina Leão e ao lado de Bia Kicis.

    Valdemar e Michelle tiveram uma ‘conversa dura’. A ex-primeira-dama estava de cabeça quente e chegou a ameaçar se desfiliar do PL. Depois de conversas com aliados, decidiu adiar a decisão.

    O Globo, Opinião, 01/07/2026 04h01 Por Bela Megale

    Apenas mais um teatro, para consumo externo, de uma famiglia de tranqueiras.

    Mostraram para a Micheque que ela ‘não era assim uma Brastemp’, como aparentava ser para bolsotários.

  5. O egoísmo e a tacanhez da família Bolsonaro deram fôlego extra a Lula

    A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg traz más notícias para Flávio.

    Ele não apenas perderia para Lula (por 48,8% a 42,3%) no segundo turno da eleição presidencial, como seria derrotado por Fernando Haddad (por 46,4% a 42,8%) e por Geraldo Alckmin (por 47,4% a 41,7%), caso eles fossem os candidatos da esquerda.

    Ou seja, a julgar pela pesquisa, Flávio tomaria uma sova do chefão petista, do poste do chefão petista e do chuchu do chefão petista.

    A má notícia trazida pelo novo levantamento está aí, e ela aponta, se não para um desfecho certo, para um fato incontestável: Flávio é um mau candidato para enfrentar um mau presidente nas urnas.

    Com Flávio as dificuldades se avolumam tanto, que até poste e chuchu podem tripudiar a partir de agora.

    A família Bolsonaro apropriou-se da direita brasileira, o seu único projeto é ela própria, e o seu egoísmo e a sua tacanhez deram fôlego extra ao petismo e ao seu chefão.

    Fonte: Metrópoles, Opinião, 01/07/2026 11:10 Por Mario Sabino

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