Fachin diz que ataques ao Judiciário não podem virar pauta política nas eleições

Fachin disse que ‘joio foi separado do trigo’

Luísa Martins
Folha

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, disse nesta terça-feira (18) que ataques ao Poder Judiciário não podem ser utilizados como pauta política —uma fala interpretada por seus interlocutores como um recado às campanhas dos candidatos às eleições de 2026.

Os planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) à presidência da República, por exemplo, propõem limitações para a atuação do Supremo. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro fez críticas à corte ao discursar no ato que deu início à sua campanha, no Rio de Janeiro.

CARTILHA – Na primeira sessão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) após o início da campanha eleitoral, Fachin lançou uma cartilha com esclarecimentos sobre a remuneração da magistratura —os chamados penduricalhos— e sinalizou que o tema tem sido usado como pretexto para desmoralizar o Judiciário.

“Faz-se necessário separar o joio do trigo”, defendeu. “Há uma forma de populismo que opera pela erosão das instituições. Seu método é conhecido: simplificam-se problemas complexos, transformam-se exceções em representação do todo e, pela repetição, converte-se a crítica necessária em uma narrativa permanente de ilegitimidade.”

O ministro disse que o Judiciário está aberto a aperfeiçoamentos, mas que a crítica não pode ser substituída por “campanhas sistemáticas de descredibilização e menoscabo”. Ele destacou, ainda, que a Corregedoria Nacional de Justiça tem implementado uma série de mecanismos para aumentar a transparência e corrigir distorções.

PAUTA POLÍTICA – “Por isso, não se pode transformar a demolição de instituições em método de atuação política, de propaganda pessoal e de patrocínio de interesses privados e segmentos econômicos. Estamos atentos”, afirmou.

“Não podemos permitir que uma instituição que recebe dezenas de milhões de processos por ano, decide conflitos que atravessam praticamente todas as dimensões da vida social e constitui uma das garantias da democracia constitucional seja reduzida na sua essência e missão.”

Como mostrou a Folha, há um consenso entre ministros do STF de que as críticas à atuação da corte entraram de vez na pauta dos pré-candidatos da direita em 2026, mas os magistrados se dividem sobre qual a melhor forma de atravessar a campanha eleitoral e evitar um agravamento dos desgastes.

ENFRENTAMENTO – Parte dos ministros avalia que é preciso um enfrentamento mais incisivo, com posicionamentos públicos que traduzam intransigência com eventuais ataques e deixem claras as possíveis consequências. Outra ala entende que o melhor cenário é agir com discrição, fugir dos holofotes e submergir.

A avaliação do grupo capitaneado pelo decano da corte, Gilmar Mendes, é a de que o STF está na mira do mundo político e que os ataques podem atrair dividendos eleitorais para os candidatos, especialmente entre os apoiadores de Bolsonaro.

O ministro Dias Toffoli chegou a falar que o voto obtido a partir de críticas infundadas ao Supremo é fraudulento e capaz de ensejar declaração de inelegibilidade pela Justiça Eleitoral, um tema que ainda está em aberto.

4 thoughts on “Fachin diz que ataques ao Judiciário não podem virar pauta política nas eleições”

  1. A campanha começou rala e mofada. Tomara que tome jeito.

    Começou uma campanha eleitoral imprevisível e com cheiro de mofo. Lula foi a São Bernardo para relembrar as greves históricas de 1979, e Flávio retomou o discurso errático de seu pai.

    O cheiro de mofo vem da escolha de Lula para iniciar a campanha onde começou sua vida pública, há 47 anos. Cheira a mofo a essência do discurso de Flávio em Copacabana, ecoando as falas do pai.

    Hoje a situação é outra; prova disso é que o Centrão se declarou neutro. A consequência dessa posição só poderá ser medida na noite de 4 de outubro, com as urnas computadas.

    Em 2018, Bolsonaro carregava o estandarte de Paulo Guedes; hoje seu filho oferece sucedâneos. O antipetismo de 2026 perdeu seu caráter difuso e ficou restrito a um horror visceral.

    Lula começou seu terceiro governo achando que poderia ajudar a acabar com a guerra na Ucrânia e chega ao final encrencado com dois encrenqueiros: Donald Trump e Javier Milei.

    Flávio apresenta-se como remédio para esses males. Promessa de campanha. A Trump, ele não pode e não deve dar o que ele quer. A Milei, pode dar discursos e pouco mais que isso.

    Com pouca plataforma, Bolsonaro II foi ao arquivo e de lá tirou o tema mofado das urnas eletrônicas, que seriam produzidas por uma empresa da Venezuela chavista.

    Não só essa patranha já foi desmentida, como o sistema eleitoral brasileiro, instalado há 30 anos, é defendido hoje pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.

    Quem o colocou no STF em 2020 foi Bolsonaro I, a partir de uma articulação de Flávio. Sua recente desconfiança nas urnas é apenas falta de assunto.

    O cheiro de mofo da campanha torna-se tóxico quando a operadora de planos de saúde Hapvida diz que poderá aumentar suas mensalidades em dois dígitos, e nenhum candidato pergunta onde foi parar o estudo que pretendia debulhar a composição desses reajustes.

    Fonte: O Globo, Política, Opinião, 19/08/2026 00h05 Por Elio Gaspari

  2. Fraquin acha que os traficantes supremos estão acima do povaréu que lhes paga salários de marajás, acompanhados de penduricalhos e mordomias faraônicas. O STF, como existe hoje, deve ser extinto.

    Minhas condições para votar para senador:
    – ‘impeachment’ imediato dos traficantes Xandão do PCC e Gordola do CV;
    – reforma total do judiciário.

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