Ex-secretária de Mário Frias recebeu R$ 311 mil de entidade ligada a “Dark Horse”

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  1. Operação da PF desmonta discurso de Flávio Bolsonaro sobre ‘Dark Horse’

    Ontem a Polícia Federal fez buscas na casa do dublê de ator e deputado Mario Frias. Apreendeu sete armas, incluindo uma carabina eslovaca e uma espingarda de cano duplo, estilo Velho Oeste.

    Como secretário de Cultura de Jair Bolsonaro, Frias voltou a mira contra os artistas. Disparou insultos contra Chico Buarque, Caetano Veloso, Anitta, Taís Araújo, Ivete Sangalo e outros nomes que ousaram criticar o capitão.

    Para mostrar fidelidade ao chefe, o ex-galã de “Malhação” também abriu fogo contra a Lei Rouanet. “A mamata acabou”, repetia, ao defender medidas que sufocaram o principal mecanismo de incentivo à produção cultural no país.

    A conversão à extrema direita deu a Frias o prestígio que ele não encontrou na carreira de ator. O astro de “Bela, a feia” fez novos amigos, ganhou seguidores e se elegeu para a Câmara. Teve o triplo de votos do palhaço Tiririca, seu colega no PL paulista.

    Como parlamentar, sua atuação mais notável foi como roteirista e produtor executivo de “Dark horse”. Agora a PF apura se ele desviou recursos federais para financiar o filme de propaganda bolsonarista, cujo orçamento faria inveja a Leni Riefenstahl.

    De acordo com a investigação, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama. Ela também é produtora do filme que exalta o ex-mito.

    O caso desmonta de vez o discurso de Flávio, que sempre negou o uso de dinheiro público no filme. A versão já ignorava o fato de que a fortuna de Vorcaro, a quem o senador pediu R$ 134 milhões, foi engordada pelo assalto à previdência de servidores.

    O episódio também ajuda a entender por que Frias e seus asseclas se empenharam tanto em demonizar a Lei Rouanet. O objetivo era substituir o mecanismo, que impõe regras rígidas de fiscalização e prestação de contas, pelo faroeste das emendas.

    O Globo, Opinião, 11/09/2026 00h45 Por Bernardo Mello Franco

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