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Derrota de Trump revela o descontentamento dos americanos
Pedro do Coutto
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos representa uma das derrotas políticas mais expressivas de Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca. Mais do que uma mudança na composição do Congresso, o resultado traduz a rejeição de uma parcela significativa do eleitorado à orientação do governo republicano, tanto na política interna quanto na condução das relações internacionais.
Ao conquistarem o controle das duas Casas do Congresso, os democratas alteraram a correlação de forças em Washington e reduziram consideravelmente a margem de manobra do presidente. A dimensão da derrota fica ainda mais evidente diante das vitórias alcançadas em territórios tradicionalmente republicanos. O Texas, um dos principais redutos conservadores do país, além da Carolina do Norte e da Carolina do Sul, ilustra a extensão do avanço democrata.
DESCONTENTAMENTO – O resultado demonstra que a insatisfação ultrapassou os estados habitualmente disputados e atingiu regiões nas quais o Partido Republicano historicamente mantém uma base eleitoral mais sólida. Nem mesmo o volume de recursos mobilizados impediu o revés: a campanha, estimada em quase US$ 12 bilhões, tornou-se a mais cara eleição de meio de mandato da história americana.
O desgaste de Trump está diretamente relacionado à distância entre as promessas eleitorais e a realidade econômica enfrentada pela população. O presidente voltou ao poder prometendo recuperar a prosperidade, controlar a inflação e proteger os interesses nacionais. Entretanto, a política de tarifas comerciais aumentou a incerteza econômica e transferiu parte dos custos para empresas e consumidores.
A persistência dos preços elevados e a pressão sobre o orçamento das famílias contribuíram para enfraquecer a confiança no governo. A desaprovação de Trump, que chegou a 62% nas pesquisas mencionadas durante a campanha, tornou-se um indicador expressivo dessa insatisfação.
IMPOSIÇÃO DA FORÇA – A política externa também teve peso importante na derrota. A guerra contra o Irã, apresentada inicialmente como demonstração da superioridade militar americana, acabou revelando os limites de uma estratégia baseada na imposição da força. A resistência iraniana, a ausência de uma solução política e as perturbações no mercado energético ampliaram os custos do conflito. A pressão sobre os preços do petróleo e a instabilidade internacional repercutiram na economia doméstica, tornando cada vez mais difícil separar as decisões militares das dificuldades cotidianas dos americanos.
Trump procurou projetar uma imagem de liderança capaz de impor a vontade dos Estados Unidos aos adversários, mas a realidade mostrou-se menos controlável do que a retórica presidencial sugeria. A guerra não produziu os resultados políticos esperados e se transformou em mais um fator de desgaste. A questão deixou de envolver apenas a capacidade militar de Washington e passou a comprometer a sustentabilidade econômica e política das decisões da Casa Branca.
Com a perda das duas Casas do Congresso, o presidente terá de enfrentar uma oposição parlamentar com instrumentos para bloquear iniciativas legislativas, dificultar nomeações e intensificar a fiscalização do governo. Embora conserve importantes poderes presidenciais, inclusive na política externa, Trump já não dispõe das mesmas condições para avançar com sua agenda sem enfrentar resistência institucional. A derrota também abre espaço para divisões dentro do Partido Republicano, cujos dirigentes terão de avaliar o custo de permanecer associados a uma liderança cada vez mais contestada.
REFLEXOS NO BRASIL – As repercussões também chegam ao Brasil. A proximidade de Trump com o bolsonarismo e o apoio político oferecido a seus representantes ganham outro significado diante do enfraquecimento eleitoral do presidente americano. O episódio envolvendo Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil e recebeu autorização de entrada nos Estados Unidos para si e para sua família, ilustra essa relação. O gesto do governo Trump representou um sinal de acolhimento político em um momento particularmente delicado para o grupo brasileiro, depois da derrota nas eleições presidenciais.
A mudança na composição do Congresso americano não significa que esse apoio desaparecerá automaticamente. Entretanto, reduz a capacidade de Trump de transformar afinidades ideológicas em instrumentos de influência política sem enfrentar contestação interna. Para o bolsonarismo, que procurou apresentar a relação com a Casa Branca como uma garantia de respaldo internacional, o resultado constitui um alerta: a força dos aliados externos também depende da estabilidade política que conseguem preservar em seus próprios países.
CUSTOS – A derrota republicana não representa o desaparecimento do trumpismo, que mantém influência social e capacidade de mobilização. Mas demonstra que a concentração de poder, o confronto permanente e a tentativa de impor uma agenda sem negociação têm custos eleitorais e institucionais. A democracia americana mostrou que o mandato presidencial não constitui uma autorização ilimitada e que o eleitorado conserva instrumentos para corrigir os rumos do governo.
O resultado das eleições ultrapassa, portanto, a disputa entre democratas e republicanos. É também uma advertência aos governantes que confundem força com autoridade incontestável. Trump continuará dispondo de instrumentos importantes para conduzir a política americana, mas terá de fazê-lo diante de um Congresso adversário e de uma sociedade que manifestou sua insatisfação.
A tentativa de projetar uma liderança sem limites encontrou um obstáculo na própria democracia que o reconduziu à Presidência. No fim, a realidade se impõe à vontade dos governantes, por mais poderosos que eles se considerem.
O tombo do trumpismo (que talvez não levante mais)
As urnas puniram legenda que virou refém do extremismo
O avanço da “onda azul” atingiu em cheio o coração do trumpismo ao provocar uma reação nas urnas dos setores mais perseguidos pelo governo.
A bancada destacou o contundente editorial do The New York Times, que resumiu o sentimento do país ao pontuar que dezenas de milhões de americanos foram às urnas rejeitar um presidente que passou dois anos tentando subverter a democracia.
Para os comentaristas, o tradicional Partido Republicano pagou a conta por abandonar suas raízes e virar mero refém do extremismo conspiratório de Donald Trump.
O partido republicano agora, pode se libertar do trumpismo – que o engoliu.
Metrópoles, Opinião, 05/11/2026 09:00 Por Ricardo Noblat
Desmanche do governo Trump
O republicano Mike Johnson, Presidente da Câmara dos Representantes, decide renunciar após derrota republicana
Mike Johnson comunicou sua decisão à equipe na manhã desta quarta, após os democratas conquistarem o controle das duas.
O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, deputado federal Mike Johnson, vai renunciar ao cargo, após a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, confirmou seu porta-voz à AFP.
Johnson, republicano de maior hierarquia nos Estados Unidos depois do presidente Donald Trump e do vice-presidente JD Vance, é o segundo na linha de sucessão presidencial.
O republicano da Louisiana comunicou sua decisão à equipe na manhã desta quarta-feira, um dia após os democratas conquistarem o controle das duas câmaras do Congresso.
Revista Veja, Mundo, 4 nov 2026, 22h16 Por Redação
Fim da era Trump não acabará com novo protecionismo americano
Próximo presidente, mas se democrata, terá poucos incentivos políticos e muitos entraves burocráticos para desmontar tarifas erguidas pelo republicano
A derrota dos republicanos nas eleições legislativas americanas é, sem dúvida, o começo do fim da era Trump. O presidente americano Donald Trump estará fora do poder a partir de janeiro de 2029, já que a lei do país não permite uma terceira reeleição, ainda que com mandatos não consecutivos, como é o caso dele.
Sem maioria no Congresso, ele não conseguirá mudar essa regra nem aumentar seus poderes. Ou seja, mais dois anos e a era Trump acaba, ainda que ele consiga eleger um sucessor.
Para os parceiros comerciais dos Estados Unidos, porém, convém moderar o entusiasmo. Uma coisa é enfraquecer ou se livrar de um presidente dos EUA; outra é desmontar o protecionismo que ele deixará como herança.
O fator Biden
O melhor argumento contra a expectativa de uma volta ao passado em que os Estados Unidos se notabilizavam por ser uma economia aberta tem nome e sobrenome: Joe Biden, presidente entre 2021 e 2025.
O democrata criticou a guerra comercial do primeiro mandato de Trump, entre 2017 e 2021, mas manteve a maior parte das tarifas contra a China e aumentou a proteção sobre produtos como veículos elétricos e células solares.
No aço e no alumínio, negociou flexibilizações com aliados sem eliminar as barreiras, numa continuidade que James Bacchus, ex-dirigente da Organização Mundial do Comércio (OMC), chamou de “protecionismo polido”. Mudou o tom, não a disposição de proteger.
Não foi apenas inércia. A influência dos sindicatos no Partido Democrata e a pressão de fabricantes de aço em estados decisivos ajudavam a explicar a resistência de Biden à abertura comercial, segundo Bacchus.
Prometer a defesa de uma fábrica contra a concorrência estrangeira é uma mensagem simples, dirigida a eleitores identificáveis. Explicar os benefícios difusos da redução de tarifas exige mais esforço, sem garantia de recompensa nas urnas.
(…)
Fonte: Revista Veja Negócios, Economia, 4 nov 2026, 19h33 Por Diogo Schelp
“Para os parceiros comerciais dos Estados Unidos, convém moderar o entusiasmo.
Uma coisa é enfraquecer ou se livrar de um presidente dos EUA; outra é desmontar o protecionismo que ele deixará como herança.”
Sr. Pedro
Sei que o assunto é repetitivo, o narcolismo detesta mas temos que por em dia os fatos e a realidade do Brasil..
O tomate dispara nas feiras e mercados..
dia 25.10 , dia da eleição do Narcola, tomate estava 18,00 .kg.
dia 01.11. pós eleição do Narcola, tomate vai á 20,00 o kg…
A Múmia Lixão do falito jornaleco do Merval deve estar se descabelando e tentando salvar o PIX do dia 30 ..
Talvez diga que o aumento é apenas uma sensação que o povo está sentindo no bolso..
Mas a realidade é totalmente diferente
Alias, Sr. Pedro
Aquele papo de tomate, batata, cebola, café “teve queda nos preços” é um discurso vazio de gentalha que não “passeia” pelas feiras e mercados..
Ficar na redação escrevendo e falando besteiras com ar condicionado e café “di grátis” é bom demais da conta….
E detalhe, não precisa tirar dinheiro do bolso para pagar, tudo na conta do preto, branco, pobre e favelado….
Mas…….
Tem dia que de noite é assim mesmo…
Tuda passa, até a uva passa.
aquele abraço
O Trump, deveria usar a experiência do Braźil, com centrao. Como diziam no Casseta e Planeta, seus problemas estarão resolvidos