Aliados de Flávio acionam André Mendonça após vazamento de áudios do caso Master

Após abandonar corrida presidencial, Ciro Gomes lança pré-candidatura ao governo do Ceará

Flávio Bolsonaro admite que novas mensagens com Vorcaro podem surgir

Charge do Flávio (O Povo)

Isadora Albernaz
Folha

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta sexta-feira (15) que novas conversas ou relatos de encontros que teve com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, podem se tornar públicos, mas afirmou que o contato que manteve com o ex-banqueiro se restringiu ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, disse em entrevista à CNN Brasil.

INVESTIMENTO” – Segundo Flávio, ao todo, o dono do Master –atualmente preso e investigado por fraudes bilionárias– investiu US$ 12 milhões (cerca de R$ 60 milhões, na atual cotação) no longa-metragem intitulado “Dark Horse” (“azarão”, em inglês).

“O orçamento previsto era de US$ 24 milhões, mas não houve captação disso tudo. O que foi investido por ele [Vorcaro] nesse fundo privado, 100% comprovado, foi uma quantia um pouquinho superior a US$ 12 milhões e alguma coisa de dólares”, disse. A informação sobre o investimento de Daniel Vorcaro no filme de Bolsonaro e a tentativa do filho do ex-presidente de conseguir mais dinheiro do ex-banqueiro para a produção foi relevada pelo The Intercept Brasil e confirmada pela Folha na quarta (13).

FINANCIAMENTO – A Polícia Federal suspeita que o montante pode ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Isso porque os recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

Flávio Bolsonaro negou mais uma vez que o irmão tenha se beneficiado do dinheiro e afirmou que pediu ao fundo americano para disponibilizar o contrato do filme ou que a Go Up Entertainment, produtora do filme, faça uma prestação de contas sobre o uso dos recursos. A empresa nega o recebimento de dinheiro de Vorcaro.

“Tem como comprovar. O que eu pedi hoje foi para o fundo privado disponibilizar o contrato ou que houvesse a prestação de contas pela produtora no Brasil. Acho que isso é suficiente para as pessoas verem, com os próprios olhos, que todos os recursos destinados a esse fundo privado dos EUA foram 100% investidos no filme.”

CONTRATO ANTIGO – Questionado a respeito de nova reportagem do Intercept que afirma que Eduardo atuou como produtor-executivo de “Dark Horse” e, por isso, teria poder sobre os recursos, Flávio disse que a informação seria referente a um contrato antigo. “Esse é um contrato antigo, formalizado com a produtora muito antes de haver toda essa estrutura lá nos Estados Unidos. Foi ali a plataforma legal para o Eduardo colocar dinheiro e segurar o roteirista, o Cyrus [Nowrasteh]”, declarou.

Segundo o senador, ele e Vorcaro se encontraram pessoalmente “poucas vezes”, todas para tratar da produção. Ele voltou a dizer que o dono do Master ainda não era investigado e afirmou que, na época, o banqueiro era um “astro”. “Circulava bem entre autoridades em Brasília e era cortejado por bancos.”

Flávio também disse ter procurado o então banqueiro porque ele não estava honrando com o contrato. “A última parcela de investimento que ele fez foi em maio de 2025. Portanto, não havia toda essa confusão que nós sabemos sobre a sua atuação. Isso não existia na época, assim como não existia em dezembro de 2024, quando ele aceitou fazer esse investimento privado nesse filme privado. A conversa era monotemática, para que ele visse o investimento que estava fazendo”, afirmou. “Não tem possibilidade de aparecer nenhuma relação minha com o Daniel Vorcaro que não seja exclusivamente sobre o filme”, completou.

Guimarães Rosa e seu poético corisco de esperança, riscando lá no alto…

O correr da vida embrulha tudo, a vida... Guimarães Rosa - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo o romance “Grande Sertão: Veredas”, que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”, a sua obra mais conhecida. Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, tanto que registrou em versos a “Tentativa” de uma manhã em busca da esperança.

TENTATIVA
Guimarães Rosa

Manhã básica, alcalina,
neutralizando a gota ácida do sol.
O tornassol do céu, no fundo
do grande tubo de ensaio,
vai se espessando, cada vez mais azul.

Dos poços da marna alagada,
cheios, como frascos chatos sem gargalos,
sobem vapores alvacentos.
A pressão calca cinco atmosferas,
e o calor cresce,
nas alavancas de pirômetros negros,
dilatando as sombras.

Rápida,
uma revoada triangular de periquitos
estraleja e crepita,
flambada em alça enorme de platina,
como o fio de chama, fugidio e verde,
de um sal de boro…

Quanto esforço da manhã,
para riscar tão alto,
um corisco de esperança…

Bastidores de “Dark Horse” revelam choque ideológico, luxo milionário e tensão política

Eduardo muda versão e admite investimento no filme sobre Jair Bolsonaro

Produção de “Dark Horse” está repleta de indagações

Deu no Estadão

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro mudou a versão sobre sua participação no financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu irmão, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção cinematográfica.

Num vídeo publicado nas redes sociais, o deputado admitiu ter investido R$ 350 mil (cerca de 50 mil dólares) no longa, provenientes da receita obtida com a venda de um curso, e que posteriormente recebeu de volta essa quantia. Eduardo Bolsonaro não esclareceu como e quem lhe pagou a restituição dos valores inicialmente destinados ao projeto.

PRODUTOR-EXECUTIVO – Ele também reconheceu ter constado como produtor-executivo num contrato antigo com a produtora responsável pelo filme, posição da qual teria saído posteriormente, ao se mudar para os Estados Unidos, limitando-se a ceder os direitos autorais — uma vez que foi representado por um ator no longa.

Na quinta-feira, 14, ele negou ter aplicado dinheiro no projeto. “Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, declarou, numa nota nas redes sociais, omitindo que já figurara como produtor-executivo e investira dinheiro do filme.

O aporte foi feito, segundo ele, para garantir um contrato com o diretor de Hollywood Cyrus Nowrasteh, para que este pudesse elaborar o roteiro e dar início ao projeto. O contrato permitiu manter o diretor por dois anos, segundo Eduardo. “Próximo ao final do contrato, e diante da possibilidade de perder o diretor, surgiu a oportunidade de atrair um grande investidor, que posteriormente se consolidou em um grupo de investidores”, afirmou o ex-deputado.

VERSÃO – A nova explicação foi dada após o site Intercept publicar nesta sexta-feira, 15, que Eduardo atuou como produtor-executivo do filme. Também respondeu a reportagens, como a do Estadão, mostrando que a Polícia Federal vai investigar se o dinheiro do banco Master foi usado para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

O site já tinha publicado na quarta-feira que o irmão dele, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediu 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões, em valores da época) a Vorcaro para financiar a produção do filme. Desse montante, o banqueiro teria pago 10,6 milhões de dólares (R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.

“PERSEGUIÇÃO” – Nesta sexta-feira, 15, Eduardo disse que, diante do que chama de “perseguição sofrida no Brasil”, ele e os outros produtores escolheram levar a estrutura de captação do filme para os Estados Unidos. Parte do dinheiro pedido por Flávio a Vorcaro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações (que atuava em parceria com empresas de Vorcaro) para o Havengate Development Fund LP (sediado no Texas). O fundo tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo.

“Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro ou deste fundo que foi criado nos Estados Unidos está mentindo para você. Eu recebi o dinheiro de volta, por conta do contrato com a produtora, mas isso não passou pelo fundo. Eu recebi o dinheiro que era meu, e acho até que nem foi corrigido o que era meu. 100% do risco. 50 mil dólares para mim faz falta”, declarou.

Até então, Eduardo vinha compartilhando notas publicadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do longa, e da GO UP Entertainment, produtora do filme no Brasil, segundo as quais “não houve nenhum centavo” de Vorcaro no filme. No seu perfil do X, Eduardo postou na noite de quinta-feira, uma nota com sete pontos em que garante não ter ligação com dinheiro de Vorcaro.

ÍNTEGRA DA PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO:

1- A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria. No meu processo migratório expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem.

2- Falam do advogado que cuidou de todos os detalhes como se ele fosse um mero escritório de migração, não é. O advogado tem mais de 40 anos de experiência, mestrado e doutorado. Seu escritório atua em gestão de patrimônio e fundo de investimento há mais de uma década. A parte de migração é apenas um departamento deles, devido a necessidade de clientes de alto nível migrar o capital e residência para o local de seus investimentos.

3- Nós não somos donos do filme, mas sim os mais de uma dezena de investidores. O escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos. Apresentei ele ao Mário, que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência. Gostariam que apresentassem advogados petistas e que não conheço?

4- O filme não é um produto inexistente ou um serviço fake de advocacia, é um produto real com grandes estrelas.

5- Todos os investimentos foram feitos nos EUA porque a produção foi americana, com atores americanos. Além do mais, devido ao estado de exceção, ninguém se arriscaria investir num filme do Bolsonaro no Brasil, pois seria devidamente perseguido pelo regime e atrelado como financiador de golpe, como faziam. Investimento nos EUA garantem segurança jurídica em uma jurisdição séria.

6- que tipo de vantagem nossa família poderia dar na época além de perseguição da tirania? Meu pai preso, eu exilado e meu irmão sequer sonhava em ser candidato? Vocês tentam sugerir que havia interesse outro, qual interesse poderia existir em uma época em que todos nos consideravam liqüidados

7 – Tudo não passa de uma tentativa tosca de assassinato de reputação, que tenta atrelar ilicitude em patrocínio para um filme.

Gilmar acusa Fachin de travar julgamentos e expõe guerra interna na Corte

Gilmar tornou pública mensagem enviada a Fachin

Mariana Muniz
O Globo

A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo após o ministro Gilmar Mendes tornar pública uma mensagem enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, em que o acusa de paralisar julgamentos relevantes por meio de pedidos de destaque e controle da pauta do tribunal.

Na mensagem, Gilmar afirma que “impressiona o número de processos importantes paralisados” por iniciativa de Fachin e classifica a atuação do presidente da Corte como “o filibuster aplicado ao STF” — expressão usada para descrever manobras regimentais destinadas a atrasar deliberações. O decano do STF ainda diz que “a não decisão de temas relevantes vai se tornando a marca” da atual presidência.

EXPOSIÇÃO – Segundo integrantes do Supremo, Fachin não respondeu às mensagens enviadas por Gilmar. A decisão do decano de divulgar o conteúdo foi interpretada dentro da Corte como um movimento deliberado para expor publicamente o desgaste entre ministros e pressionar a presidência do tribunal. O episódio ocorreu na mesma semana em que Fachin endureceu regras internas de distribuição de petições apresentadas em processos antigos para evitar direcionamento de pedidos a ministros.

A mudança foi anunciada após questionamentos envolvendo a tramitação de um pedido apresentado pela CPI do Crime Organizado contra uma decisão de Gilmar que suspendeu a quebra de sigilo da empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli. O requerimento havia sido protocolado dentro de um processo antigo sob relatoria do decano, o que permitiu que o caso chegasse diretamente ao seu gabinete.

Ao analisar o tema, Fachin decidiu alterar o procedimento interno da Corte para impedir novos questionamentos sobre direcionamento de petições. Pela nova regra, pedidos apresentados em processos antigos passarão a seguir mecanismos adicionais de validação administrativa e análise da prevenção antes de serem distribuídos aos ministros.

JULGAMENTO TRAVADOS – Na mensagem divulgada, Gilmar lista uma série de julgamentos que, segundo ele, estariam travados por decisões de Fachin de retirar os casos do plenário virtual ou deixar de pautá-los no plenário físico. Entre eles estão ações sobre exploração mineral em terras indígenas, o projeto da Ferrogrão, gratuidade de justiça na Justiça do Trabalho e a chamada “revisão da vida toda” do INSS, que teve pedido de destaque por Fachin na semana passada.

Integrantes do Supremo ouvidos reservadamente pelo O Globo avaliam que a troca de mensagens escancara um mal-estar que já vinha crescendo nos bastidores da Corte em meio a disputas sobre o funcionamento interno do tribunal, sobretudo com o impasse envolvendo o Código de Conduta e o que uma ala de ministros entende como uma “falta de defesa pública” do STF por Fachin.

CRISE – O episódio também ocorre em um momento de fragmentação interna do STF em meio a uma das mais graves crises de imagem enfrentadas pela Corte, capitaneada pelo caso Master e embates sobre atuação de CPIs.

Interlocutores do STF afirmam, por outro lado, que os pedidos de destaque têm sido utilizados em processos considerados complexos ou de elevada repercussão institucional, permitindo um debate mais aprofundado no plenário físico. Ministros próximos ao presidente também rejeitam a interpretação de que haja paralisação deliberada de julgamentos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFachin (e quase todos os demais ministros) sempre foi submisso a Gilmar Mendes, que manda e desmanda no Supremo. Agora, na função de presidente, acordou e resolveu dar um freio, mas é ilusão, porque Gilmar Mendes continuará fazendo o que bem entende no Supremo e evitando que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli sofram impeachment ou qualquer constrangimento. Apenas isso. (C.N.)

A candidatura sitiada: contradições, dinheiro e o cerco político contra Flávio Bolsonaro

Flávio e aliados tropeçam em suas várias versões

Pedro do Coutto

A crise envolvendo a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas um episódio de desgaste político para se transformar em um problema estrutural para o campo bolsonarista. O que começou como uma controvérsia em torno do financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro, evoluiu rapidamente para uma sucessão de contradições, divergências públicas, suspeitas financeiras e disputas internas que hoje ameaçam a sustentação da candidatura do senador do PL.

O aspecto mais delicado da crise talvez não esteja apenas no volume dos recursos envolvidos, mas na incapacidade de apresentar uma narrativa minimamente coerente sobre a origem, o destino e a finalidade do dinheiro. Em poucos dias, diferentes versões surgiram para explicar os repasses atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro.

CONTRADIÇÕES – Primeiro, negou-se qualquer participação direta do empresário. Depois, admitiu-se que parte dos recursos teria sido destinada ao fundo ligado à produção cinematográfica. Em seguida, produtores e articuladores do projeto apresentaram versões conflitantes sobre o mesmo tema. Quando uma crise política obriga seus envolvidos a corrigirem publicamente suas próprias explicações em sequência, o dano à credibilidade já está consolidado.

O problema se agrava porque os valores mencionados fogem completamente da escala habitual do financiamento cultural ou audiovisual brasileiro. Falar em dezenas de milhões de dólares para uma produção cinematográfica com forte componente político inevitavelmente desloca a discussão do campo artístico para o terreno eleitoral e jurídico. Ainda mais em um momento no qual o Tribunal Superior Eleitoral já estabeleceu precedentes duros contra conteúdos considerados peças indiretas de propaganda política em períodos eleitorais.

INVESTIGAÇÃO – Além disso, a investigação conduzida pela Polícia Federal amplia significativamente a dimensão do caso. O foco deixou de ser apenas o financiamento do filme e passou a alcançar a suspeita de que recursos possam ter sido utilizados para manter a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro insiste que os valores enviados ao fundo sediado no Texas teriam sido integralmente destinados à produção audiovisual.

Ainda assim, a própria explicação oferecida pelo senador gera dúvidas difíceis de dissipar. Afinal, quando recursos atravessam estruturas privadas internacionais, fundos de investimento e empresas ligadas a advogados próximos da família, o debate naturalmente deixa de ser apenas político e entra no terreno da rastreabilidade financeira.

Outro fator que pesa contra o senador é a deterioração progressiva da narrativa pública do caso. Em política, crises graves podem até ser administradas quando existe uma linha defensiva clara e disciplinada. O problema surge quando aliados, produtores, assessores e articuladores começam a apresentar versões incompatíveis entre si.

APORTES – Foi exatamente isso que ocorreu nos últimos dias. Integrantes ligados ao filme inicialmente afirmaram que não havia “um único centavo” oriundo do Banco Master na produção. Pouco depois, o discurso foi ajustado para reconhecer aportes vinculados a Vorcaro, alinhando-se à versão apresentada por Flávio Bolsonaro. Esse movimento de correção sucessiva transmite ao eleitor a percepção de improviso, insegurança e perda de controle político.

Ao mesmo tempo, o ambiente interno da direita tornou-se ainda mais hostil ao senador. As críticas do governador Romeu Zema e o posicionamento estratégico de Ronaldo Caiado revelam que parte significativa dos presidenciáveis conservadores já enxerga fragilidade real na candidatura bolsonarista. Isso altera completamente a dinâmica da disputa. O principal risco para Flávio Bolsonaro, neste momento, talvez não venha diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas da erosão interna de sua sustentação política dentro do próprio campo conservador.

FRAGILIDADE – Há um elemento psicológico importante nesse processo. Quando um candidato precisa declarar repetidamente que “não desistirá” da disputa, cria-se inevitavelmente a percepção de que a hipótese de desistência já entrou no radar político. Em campanhas competitivas, a simples necessidade de negar uma retirada costuma indicar fragilidade concreta nos bastidores. Financiadores, candidatos proporcionais, lideranças regionais e partidos aliados começam então a recalcular riscos. Nenhuma estrutura política gosta de permanecer vinculada a uma candidatura mergulhada em instabilidade jurídica e desgaste moral contínuo.

O impacto potencial sobre o PL é enorme. Uma crise presidencial raramente permanece isolada no topo da chapa. Ela contamina candidaturas ao Senado, aos governos estaduais, à Câmara e às Assembleias Legislativas. Em eleições nacionais, a imagem do presidenciável funciona como eixo emocional da campanha partidária. Quando esse eixo entra em colapso, o efeito costuma irradiar-se para toda a estrutura eleitoral.

ESCÂNDALO FINANCEIRO – Há ainda um componente simbólico particularmente destrutivo para o bolsonarismo. Durante anos, o grupo construiu sua identidade política em torno do discurso anticorrupção e do combate às estruturas tradicionais de poder. Agora, vê-se associado a um escândalo financeiro cercado por suspeitas de fraude bancária, operações policiais, relações nebulosas e versões contraditórias. Independentemente do desfecho jurídico, o desgaste político já produz efeitos concretos sobre a opinião pública.

A prisão do pai de Daniel Vorcaro em operação relacionada às investigações da Polícia Federal adiciona mais tensão ao cenário. Mesmo que não exista vínculo direto comprovado entre os fatos, o ambiente político funciona por associação simbólica. Em crises dessa magnitude, cada novo episódio amplia a sensação de descontrole e aprofunda a erosão da confiança pública.

CONFLITOS INTERNOS – No fundo, o caso revela algo maior do que uma simples controvérsia eleitoral. Expõe a dificuldade histórica da direita brasileira em administrar sucessões políticas sem conflitos internos, disputas de protagonismo e crises de credibilidade. O bolsonarismo chegou a 2026 imaginando enfrentar uma disputa polarizada contra Lula. Agora, encontra-se consumido por uma guerra interna em que aliados disputam espaço enquanto o principal candidato tenta sobreviver ao próprio escândalo.

A pergunta que começa a circular nos bastidores de Brasília já não é mais se a crise atingirá a candidatura de Flávio Bolsonaro. Isso já ocorreu. A dúvida real é outra: qual será o tamanho final do estrago — e se ainda existe tempo político para contê-lo antes que a campanha entre numa espiral irreversível de desgaste.

Produção ligada a Eduardo Bolsonaro oferecia “atalho” para residência nos EUA

Flávio pensou (?) que se sairia bem, aceitou dar entrevista na TV e se deu mal

VEXAME: FLÁVIO BOLSONARO É MASSACRADO PELOS JORNALISTAS DA GLOBONEWS E  QUASE CHORA AO VIVO

Flávio Bolsonaro aceitou “dar explicações” e foi massacrado

Vicente Limongi Netto

Melancólica e patética presença do cada vez mais encalacrado senador Flávio Bolsonaro no programa GloboNews Mais, nesta quinta-feira. Ficou tonto, repetitivo, nervoso. Apelou.  Pediu tempo para respirar.

Julia Duailibi , Octavio Guedes e Malu Gaspar, como deveria ser, apertaram e espremeram o nervoso e arrogante senador do Partido Liberal.  Penou. Sofreu. A banca de bonzão foi pro brejo.  Tiraram as tripas dele. 

DEU VEXAME – Certamente, achou que tiraria de letra todas as perguntas. Deu vexame. Está ficando esmerado em passar vergonha por onde anda. Eleitor não suporta candidato mentiroso. Flávio Rachadinha é um deles. A bola da vez.

Foi hilário quando chamou várias vezes o pai de herói. Ora, um herói às avessas, que debochou da vacina e da pandemia, resultando na morte de700 mil brasileiros.  O paizão herói de barro do medonho Flávio é aquele que reuniu embaixadores para afirmar, levianamente, que as urnas das eleições brasileiras não são confiáveis. 

Em síntese, o clã Bolsonaro envergonha o Brasil. O DNA é podre. Fede como lixo.

INTEGRAÇÃO – Começou nesta sexta-feira, dia 15, em todo Brasil, a chamada “Semana S” do Comércio. É o  maior movimento gratuito de integração e prestação de serviços do país.

As atividades da Semana S mobilizam todos os Estados com uma intensa programação gratuita de qualificação, cultura e serviços promovida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fecomércio, Sesc e Senac. O evento celebra a força do setor com ações de inovação, empreendedorismo, assistência social e atividades artísticas.

É um exemplo que precisa ser seguido por outras entidades representativas do empresariado brasileiro.

Bolsonaro deve estar arrependido por impedir que Tarcísio fosse o candidato

Bolsonaro diz que Tarcísio 'comete deslizes porque é novato na política' | Eleições 2022 | Valor Econômico

Se apoiasse Tarcísio, Bolsonaro teria feito um bem ao país

Carlos Newton

Os institutos de pesquisas entraram em clima de puro êxtase, com o escândalo da participação do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse” – ou “Azarão”, no linguajar das corridas de cavalos.

Aliás, o título mais apropriado seria mesmo “Azarão”, porque a família deu um tremendo azar com a notícia de que Flávio Bolsonaro também extorquia o banqueiro Daniel Vorcaro, que pagava taxa de proteção a políticos e autoridades de todo tipo, com destaque para o ministro Alexandre de Moraes, é claro, por 129 milhões de motivos, como diz o jornalista Mario Sabino.

AS PESQUISAS – Com o novo escândalo, que deixou no chinelo a prisão do pai de Vorcaro, os institutos de pesquisas fecham seguidos contratos para verificar a evolução das tendências.

É certo que a candidatura de Flávio Bolsonaro sofreu um forte abalo, que as pesquisas tentarão aquilatar, mas os resultados sempre dependem de quem é o contratante, porque é preciso agradá-lo, para que financie um novo levantamento, e com a máxima urgência.

Seja qual for a tendência a ser identificada, é óbvio que a eleição ainda não está vencida por Lula da Silva, que não tem o antigo prestígio e está tentando o último canto do cisne, bem perto de uma aposentadoria compulsória ou não.

TERCEIRA VIA – A terceira via tem hoje apenas dois candidatos com pequena chance – Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), que devem ganhar votos em função da queda de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sendo esperada apenas pequena migração de votos dele para o petista, porque os eleitores são como água e azeite, não se misturam.

No meio dessas dúvidas, existe a certeza de que Lula foi beneficiado nas duas últimas semanas e estará no segundo turno, aguardando quem irá enfrentá-lo na última eleição da surpreendente carreira de um líder metalúrgico que era agente infiltrado pelo regime militar no sindicalismo e acabou se tornando o mais importante político brasileiro.

A único fato concreto é o arrependimento que Bolsonaro deveria estar sentindo por haver impedido que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) aceitasse a candidatura ao Planalto, em coligação com o PL e outros partidos. Seria uma candidatura para ganhar em primeiro turno. O resto é folclore, como dizia nosso amigo Sebastião Nery.

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P.S.
Dizem que Bolsonaro não admite o erro e continua achando que Flávio vai ganhar. Isso pode até acontecer, mas está difícil, porque o candidato demonstra despreparo e ganância. Desde os tempos da rachadinha, quando extorquia boa parte dos salários dos funcionários de seu gabinete na Assembleia, Flávio Bolsonaro está vendido ao Deus dinheiro. O pai não se importa, porque parece não ter medo do ridículo e prefere julgar que o país pertence à sua família. É lamentável. (C.N.)

Com Bolsonaro afastado, indicação dos filhos ao Senado enfrenta resistência

Aliados resistem em acatar indicação de Flávio e Eduardo

Bruno Ribeiro
Ana Luiza Albuquerque
Folha

A primeira decisão política tomada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sem aval público do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfrenta resistências da direita.

Aliados do ex-presidente criticam a escolha do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), André do Prado (PL), para o Senado em São Paulo, feita por Eduardo com a concordância de Flávio. O argumento principal é de que André não pertenceria ao grupo político —seria um integrante do centrão.

SEM JUSTIFICATIVA – Um membro do grupo disse à reportagem, sob reserva, que não há nada que explique a indicação do deputado estadual para a chapa e que, portanto, não há uma justificativa plausível para se apresentar ao eleitor.

Bolsonaro já havia externado, segundo aliados, que, caso Eduardo não pudesse disputar o cargo, seu indicado seria o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). Eduardo, contudo, atendendo a pedidos do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), optou por André.

Enquanto esteve detido na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, Bolsonaro vinha sendo procurado por aliados para dar aval a candidaturas estaduais e resolver conflitos internos no bolsonarismo. Em fevereiro, levantamento da Folha mostrou que, no período de um mês, o STF (Supremo Tribunal Federal) havia recebido 25 pedidos de visitas de políticos interessados na chancela a suas candidaturas.

FORA DAS ARTICULAÇÕES – Desde que passou para a prisão domiciliar, no fim de março, o ex-presidente está impedido de receber visitas, com exceções dos filhos, de advogados e de médicos. Na última terça (12), Prado disse, durante um evento em São Paulo sobre segurança pública promovido por Tarcísio, que ele foi escolhido “pelo Eduardo Bolsonaro, pelo Flávio Bolsonaro, pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo Partido Liberal”.

“No dia a dia, essas pessoas [que criticam] vão me conhecer e vão saber por que o Eduardo me escolheu, o que eu agrego para a campanha do Flávio Bolsonaro em São Paulo”, disse o deputado estadual, afirmando ainda que é uma pessoa “leal”.

“Jamais o Eduardo, juntamente com Flávio, faria um anúncio de apoio à minha candidatura se não tivesse o aval do presidente Bolsonaro. Estou muito tranquilo em relação a esse apoio”, completou André, reconhecendo, porém, que o nome preferido do ex-presidente era o de Mello Araújo. À Folha o vice-prefeito paulistano disse: “Se o Tarcísio gosta tanto do André do Prado, por que não o levou para ser vice, que seria o certo?”

PEDIDO NEGADO – Mello Araújo afirmou que não fez lobby por sua candidatura ao Senado nem mantém contato com os filhos do ex-presidente, mas que tentou marcar uma visita a Bolsonaro para o próximo dia 18, o que foi negado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Como não renunciou ao cargo dentro do prazo, o vice-prefeito não pode mais se candidatar neste ano.

“O PL tem um papel importante [na eleição], deveria sim ser protagonista [em São Paulo], e ficou de fora. E aí o Tarcísio, para amenizar, começou a fazer campanha para André do Prado para ser senador”, disse Mello Araújo.

O deputado federal Ricardo Salles (Novo), que também pretende concorrer ao Senado por São Paulo, deve disputar os votos do eleitorado da direita contra André e o também deputado federal Guilherme Derrite (PP). No último fim de semana, Salles insinuou que a indicação foi fruto de um acordo financeiro.

“FILHOTE DO VALDEMAR” – Em uma publicação no X (ex-Twitter) no sábado (9), disse que, caso tirassem da chapa “o filhote do Valdemar” —em referência à aliança entre André e o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto—, ele retiraria sua candidatura. “Se fizer isso, abro mão na hora. Se não fizer, é porque realmente não querem devolver a grana do tal acordo com o centrão.” A Folha procurou o deputado para perguntar sobre a publicação, mas ele não quis dar detalhes.

No evento desta terça, André respondeu: “O Salles tem que saber que eu fui escolhido do grupo bolsonarista”. Valdemar foi procurado via WhatsApp, mas não respondeu. Eduardo publicou um vídeo no YouTube em resposta, com o título: “Aqui não, Salles”. “Ele [Salles] começou partindo para calúnia, dizendo que eu sou bandido, que eu sou corrupto, que eu estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar as pessoas votarem no André do Prado.”

MOTIVOS DA INDICAÇÃO – Aliados de Tarcísio, sob reserva, citam três fatores que levaram o governador a trabalhar pela indicação de André: a lealdade demonstrada pelo presidente da Alesp até o momento, o passado de atritos entre o governador e Mello Araújo —que já fez uma série de críticas públicas a seu trabalho— e a perda de esperança na vitória de Derrite.

A reportagem procurou Tarcísio via email ao Palácio dos Bandeirantes, mas não teve resposta. No fim da semana passada, após confirmar a escolha de André, em entrevista à rádio Jovem Pan, ele disse que o presidente da Alesp seria o candidato mais votado ao Senado. “Ele é muito agregador. Vai ter os votos da direita, vai mobilizar os votos do centro”, afirmou. A Folha procurou a equipe de Flávio para tratar da indicação de André, mas não teve resposta.

Tarcísio reagiu com desconforto ao caso Vorcaro e questionou condução da crise bolsonarista

O “Zero Um” na linha de fogo: escândalo com Vorcaro ameaça afundar candidatura

Lei da Dosimetria já se transformou em símbolo da batalha por poder em Brasília

Charge dp Gilmar Fraga (Zero Hora)

William Waack
CNN

Quando foi aprovada, no fim do ano passado, a dosimetria surgiu como um compromisso político para evitar um confronto ainda maior entre Judiciário, que não iria deixar passar uma anistia, e um Congresso com clara maioria para aliviar de alguma maneira a situação dos condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por conta da trama golpista.

De lá para cá, com vetos e derrubada de vetos, o confronto só piorou e está escalando com a decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes de suspender a Lei da Dosimetria aprovada no Congresso. O confronto entre Judiciário e Legislativo vai piorando, pois a natureza dele não é simplesmente técnica ou baseada na interpretação de normas da Constituição ou no entendimento do regimento interno do Congresso, embora também seja.

DISPUTA DE PODER – Ela é uma disputa de poder entre um Parlamento que se vê ainda mais empoderado diante da perspectiva de aumentar a proporção de centro-direita nas próximas eleições, e nem estamos falando do resultado das presidenciais. E um Supremo cujos supremos poderes estão sendo erodidos por pressão política-pública, que é resultado em boa medida do comportamento político e pessoal de integrantes da própria Suprema Corte.

E aí não importa o que sejam as justificativas jurídicas para a decisão de Moraes, nem o que o Congresso possa apontar de falhas nelas para se propor a peitar o juiz Alexandre de Moraes. O Supremo encara seu papel como o supremo poder – e, se necessário for, impondo limites aos outros, especialmente o Legislativo, que está claramente disposto a devolver na mesma moeda.

Documentos apontam Eduardo como produtor-executivo e gestor financeiro de “Dark Horse”

Contrato liga Eduardo Bolsonaro a filme

Deu na Folha

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e assinou um contrato com poderes sobre a gestão financeira do projeto, de acordo com o site The Intercept Brasil. Os documentos obtidos contradizem declarações públicas de Eduardo de que ele teria apenas cedido direitos de imagem, sem exercer nenhum cargo de gestão na produção.

Segundo o Intercept, o contrato, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, designa ele e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, ao lado da produtora GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos. A função conferiria poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e a gestão financeira de um projeto audiovisual.

RESPONSABILIDADE – Ainda de acordo com o site, os produtores-executivos teriam responsabilidade sobre decisões estratégicas de financiamento, preparação de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos para o filme —que, na época, se chamava “O Capitão do Povo”.

Também haveria uma minuta de aditivo contratual, datada de fevereiro de 2024, citando Eduardo como “financiador” da produção. O Intercept ressalva que não há confirmação de que o aditivo tenha sido, de fato, assinado. Procurado pela Folha, Eduardo não se manifestou até a publicação deste texto.

Em entrevista à CNN na tarde desta sexta (15), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o contrato mostrado pelo Intercept é antigo e que Eduardo publicaria um vídeo para explicar a situação. Segundo o senador, seu irmão nunca fez a gestão dos recursos do filme.

REPASSE – Na quarta-feira (13), o Intercept revelou que Flávio articulou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para financiar a produção, dos quais R$ 61 milhões já foram pagos. Um áudio de setembro de 2025 mostra o senador cobrando mais recursos ao banqueiro. Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens em troca.

Nesta sexta, o Intercept também publicou mensagens em que Eduardo orienta o empresário Thiago Miranda, intermediário entre Vorcaro e a família Bolsonaro, sobre como enviar recursos aos Estados Unidos. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo”, teria dito Eduardo. Em outra mensagem, sugere: “Enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual”.

As mensagens indicam que parte dos valores negociados por Flávio com Vorcaro foi transferida ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo —entre eles Paulo Calixto, advogado responsável pelo processo imigratório do ex-deputado nos Estados Unidos.

DESPESAS NOS EUA – A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para o filme teria custeado despesas de Eduardo nos EUA, para onde ele se mudou em fevereiro de 2025 alegando perseguição do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Em postagem em redes sociais na quinta (14), Eduardo negou ter recebido recursos do fundo e afirmou que a suspeita “não se sustenta e é tosca”. Disse ainda que seu status migratório nos EUA não permitiria tal operação. Já Mario Frias informou ao Intercept que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo” do filme.

O orçamento total da produção, segundo documentos obtidos pelo site, está estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões —valor que condiz montante que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro: US$ 24 milhões.

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O testamento poético da criança que existe em nós, segundo Hilda Hist

Obsceno Hilda HilstPaulo Peres
Poemas & Canções

A ficcionista, dramaturga, cronista e poeta paulista Hilda Hilst (1930-2004), no poema “Testamento Lírico”, faz um lírico balanço sobre o que pediu e o que recebeu durante a vida.

TESTAMENTO LÍRICO
Hilda Hilst

Se quiserem saber se pedi muito
Ou se nada pedi, nesta minha vida,
Saiba, senhor, que sempre me perdi
Na criança que fui, tão confundida.
À noite ouvia vozes e regressos.
A noite me falava sempre sempre
Do possível de fábulas. De fadas.
O mundo na varanda. Céu aberto.
Castanheiras douradas. Meu espanto
Diante das muitas falas, das risadas.
Eu era uma criança delirante.
Nem soube defender-me das palavras.
Nem soube dizer das aflições, da mágoa
De não saber dizer coisas amantes.
O que vivia em mim, sempre calava.

E não sou mais que a infância. Nem pretendo
Ser outra, comedida. Ah, se soubésseis!
Ter escolhido um mundo, este em que vivo,
Ter rituais e gestos e lembranças.
Viver secretamente. Em sigilo.
Permanecer aquela, esquiva e dócil.
Querer deixar um testamento lírico
E escutar (apesar) entre as paredes
Um ruído inquietante de sorrisos
Uma boca de plumas, murmurante.

Nem sempre há de falar-vos um poeta.
E ainda que minha voz não seja ouvida
Um dentre vós, resguardará (por certo)
A criança que foi. Tão confundida.           

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