Após revelações sobre vínculo com Vorcaro, Flávio fala em “perseguição” e ataque do Estado

Senador tropeça nas próprias controvérsias

Lauriberto Pompeu
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, reclamou nesta terça-feira estar sofrendo uma perseguição. Sem citar os vínculos com Daniel Vorcaro, do banco Master, tornados públicos com a divulgação de uma série de mensagens e áudio, Flávio declarou que há um uso “do aparato estatal” contra ele.

– A gente resolve os problemas do Brasil pela política. Estou na política há 24 anos. Tudo que eu quero para minha vida é oferecer um Brasil para as minhas filhas, que seja um Brasil também próspero para as filhas e filhos de todos que estão aqui presentes. Mesmo com todas as perseguições, com todo o sistema querendo manter as coisas da forma como estão, com o Brasil inteiro olhando para Brasília com nojo pela forma como as coisas que estão acontecendo, desrespeito à Constituição, insegurança jurídica, uso do aparato estatal para perseguir adversários políticos – disse.

CRÍTICAS – A declaração aconteceu durante um discurso feito na Marcha dos Prefeitos, que neste ano convidou os pré-candidatos a presidente para falarem aos gestores municipais. O parlamentar também criticou diretamente o PT, partido do presidente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e voltou a dizer que, se eleito, vai promover uma anistia ao todos os envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro, algo que contemplaria seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após ter sido condenado por liderar uma trama golpista.

– A era do ódio vai acabar a partir de 2027 porque vamos fazer um governo olhando para frente, sem perseguições, com as instituições voltando a ficar subordinadas à nossa Carta Magna, com os Poderes funcionando com harmonia e independência, com a lei valendo para todos e com anistia ampla, geral e irrestrita para os perseguidos políticos do 8 de janeiro. É assim que a gente vai conseguir alcançar a pacificação, porque vai ser o fim da era do PT.

VISITA A VORCARO – Após uma reunião com parlamentares do PL, Flávio admitiu ter visitado o Vorcaro no fim de 2025. A visita ocorreu na casa do executivo, em São Paulo, quando ele estava em regime de prisão domiciliar após ser detido pela primeira vez.

Na quinta-feira da semana passada, o site Intercept Brasil, revelou mensagens, áudios e documentos que apontam negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar “Dark horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente. Segundo a publicação, o acordo previa aportes de cerca de R$ 134 milhões. Desse total, foram repassados cerca de R$ 61 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As falas de Flávio Bolsonaro, tentando protagonizar a figura de vítima em meio aos caos, não pode nem ser classificada como Piada do Ano, como diria o amigo Carlos Newton. Essa estratégia derradeira é uma afronta à coletividade, uma falta de respeito que mira na ignorância dos que ainda acreditam em suas falácias cada vez mais controversas. Ele nega a si mesmo e logo em seguida reconta suas versões pra lá de suspeitas. Constrangedor. (M.C.)

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André Mendonça ainda parece ingênuo e se deixou influenciar

Carlos Newton

É triste e desanimador ler reportagens informando que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, está apoiando a perseguição movida contra um servidor da Polícia Federal que teria vazado à imprensa a existência do contrato de R$ 129 milhões entre os criminosos que geriam o Banco Master e o escritório de advocacia comandado por Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

Trata-se de um perito da PF. A justificativa fictícia para autorizar o afastamento dele e a operação policial de busca e apreensão seria a necessidade de punir vazamento de informações do caso do Banco Master à imprensa.

SEM PROVAS – Não há provas concretas contra ele, apenas suspeitas. Por óbvio, se existisse alguma comprovação, não seria necessária a operação de busca e apreensão. Portanto, ao autorizar o afastamento desse perito federal que integrava a equipe de investigadores do caso Master, o ministro André Mendonça cometeu erro de avaliação.

Mesmo se houvesse provas, é preciso analisar se realmente ocorreu crime, previsto no art. 154 do Código Penal. A violação de segredo profissional, na forma da lei, consiste na ação de “revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem”.

O segredo pressupõe a revelação de fato não notório e que a vítima deseje manter em sigilo. A revelação deve ter o potencial de dano, seja de caráter patrimonial, moral, pessoal, profissional etc. Mas há a ressalva clara de que só ocorre vazamento ilegal se não houver justa causa.

NÃO HOUVE CRIME – Mesmo se ficar provado que o perito federal vazou a informação, pode não estar configurado o crime. Pelo contrário, no caso o autor prestou inestimável serviço à nação. Não há a menor dúvida sobre isso. Deveria ser promovido e homenageado, ao invés de estar sendo perseguido.

Ao tomar conhecimento de que um ministro do Supremo estava prevaricando, pois prestava serviços de proteção a empresário criminoso, e a remuneração milionária e despropositada era feita através do escritório da família da autoridade, o perito federal simplesmente cumpriu seu dever.

O vazamento ocorreu com justa causa e merece a ressalva prevista no Código Penal. Sua atitude de transmitir a informação, para evitar a impunidade que caracteriza o comportamento abusivo de ministros da Suprema Corte, não teve fins lucrativos e o perito federal se arriscou muito, para não deixar impune um crime muito mais grave.     

MENDONÇA ERROU – Não há a menor dúvida de que o ministro André Mendonça cometeu grave erro, ao coonestar a inaceitável perseguição a um servidor público de alto valor e que não teme enfrentar os detentores do poder.

A relatoria do caso Master é a mais importante já assumida pelo ministro, que precisa agir diferente da maioria dos integrantes do STF e reconhecer que pode cometer erros e tem o dever de corrigi-los.

Para levar seu trabalho a bom termo, é certo que Mendonça precisa do apoio de servidores como este perito da PF, que está sendo perseguido implacavelmente por outros membros da equipe de investigação, que  fazem o possível e o impossível para livrar da Justiça os ministros Moraes e Toffoli, assim como outros figurões envolvidos com Daniel e Henrique Vorcaro. Alias, pois agora ninguém sabe quem chefia a quadrilha de mafiosos – se é o pai ou o filho.  

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A família Moraes recebeu R$ 80,2 milhões em dois anos. Documentos enviados à CPI do Senado que investiga o crime organizado mostram que o Master declarou 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 ao escritório ao longo de 2024, totalizando R$ 40.111.826,92. Em 2025, o Master repassou idêntica quantia ao escritório. Diante dessa realidade, Mendonça parece ser ingênuo demais para lidar com esse tipo de criminosos. O caso da perseguição ao perito da PF é bastante sintomático. Vamos aguardar e ficar de olho. (C.N.)

A petulância de Lula e seu desprezo às normas dos Poderes da República

30/04/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Deu no Estadão

Reportagens publicadas no fim de semana afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), após a histórica rejeição sofrida pelo advogado-geral da União no mês passado.

Se isso realmente acontecer, Lula estará cometendo não apenas um erro político grave, mas demonstrando enorme dificuldade de aceitar os limites impostos pelo sistema de freios e contrapesos da Constituição.

RECUSA FORMAL – No dia 29 de abril, o Senado rejeitou a indicação de Messias por 42 votos a 34, produzindo um fato sem precedentes desde o governo Floriano Peixoto, em 1894. Pela primeira vez em mais de um século, um presidente da República foi impedido de transformar automaticamente sua vontade pessoal em um ministro do Supremo.

A decisão serviu para recolocar o Senado no papel que a Constituição lhe reserva: o de funcionar como filtro democrático das escolhas presidenciais para a mais alta corte do País.

A prerrogativa de indicar ministros do STF pertence ao presidente da República, mas não a de confirmar a indicação. O modelo constitucional brasileiro foi desenhado justamente para submeter essa escolha ao crivo do Senado, órgão eleito encarregado de verificar se o indicado reúne condições de ocupar um dos postos mais relevantes da República.

INSUBORDINAÇÃO – Ao flertar com a ideia de insistir em Messias, Lula transmite a impressão de enxergar a rejeição não como manifestação legítima de outro Poder, mas como uma espécie de insubordinação institucional a ser corrigida. O problema é que Lula parece tratar a derrota como um contratempo político reversível, e não como uma decisão legítima do Senado.

Como já dissemos outras vezes, Jorge Messias não reunia, e continua sem reunir, os atributos exigidos para integrar o STF: autoridade jurídica amplamente reconhecida, independência em relação ao governo, discrição institucional, respeito aos limites constitucionais da Corte e ausência de militância político-partidária.

Messias jamais se destacou como um jurista cuja autoridade transcendesse fronteiras partidárias. Sua principal credencial sempre foi a proximidade política com Lula e o PT. Isso não mudou desde sua rejeição pelo Senado.

APENAS PETISTA – A insistência presidencial apenas reforçaria a percepção de que Lula enxerga vagas no Supremo como prêmios a quem lhe é leal. Messias tornou-se figura simbólica do petismo não por representar uma referência jurídica nacional, mas por sua fidelidade ao grupo político governante em momentos particularmente delicados. O problema é que o Supremo não existe para acomodar lealdades nem para saldar dívidas políticas de presidentes da República.

Há ainda, nessa possibilidade extremamente questionável, obstáculos regimentais relevantes à reapresentação imediata do nome. Uma norma interna do Senado impede que uma autoridade rejeitada seja novamente apreciada na mesma sessão legislativa para o mesmo cargo.

Trata-se, porém, de regra interna corporis, passível de revisão ou flexibilização caso haja vontade política suficiente da Mesa Diretora e do presidente do Senado.

REJEIÇÃO CLARÍSSIMA – Isso apenas torna a hipótese ainda mais problemática, porque uma eventual manobra regimental deixaria de ser uma discussão meramente processual para se transformar numa operação política destinada a contornar uma rejeição institucional claríssima do Senado.

Depois de barrar um nome considerado inadequado para o Supremo, o próprio Senado seria chamado a reinterpretar suas regras para viabilizar justamente aquilo que acabara de rejeitar. Sabe-se lá a troco de quê o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, permitiria isso – mas dá para imaginar.

A derrota de Messias deveria ter servido para induzir o presidente a recalibrar critérios. O País precisa de alguém com autoridade jurídica própria e independência real em relação ao Planalto. Insistir em Messias significaria apenas que, para Lula, a arquitetura institucional do País é meramente ornamental diante de seus desejos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Impecável o editorial do Estadão, enviado por José Carlos Werneck, misto de jornalista e advogado com experiência nos tribunais superiores. Mostra que Lula, decididamente, não entende o que significa democracia. (C.N.)

Aliados de Lula acionam TSE para barrar filme sobre Bolsonaro financiado por = Vorcaro

Charge do João Spacca (Instagram)

Rafael Moraes Moura
O Globo

O grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), ambos aliados do presidente Lula, decidiram acionar nesta terça-feira (19) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a abertura de uma investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, longa-metragem sobre a carreira política de Jair Bolsonaro que recebeu R$ 61 milhões do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O filme tem estreia prevista para setembro, a um mês das eleições presidenciais.

A ação visa impedir o lançamento de “Dark Horse” até o fim das eleições, sob a alegação de que o filme pode funcionar como “peça de comunicação política de enorme impacto”, além de configurar propaganda eleitoral “dissimulada”, financiada por recursos milionários de “origem suspeita”, com indícios de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, caixa 2, doação empresarial indireta e lavagem de dinheiro.

REVELAÇÕES – A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência foi abalada pelas revelações do Intercept Brasil de que o senador pressionou Vorcaro a dar R$ 61 milhões para o filme e que o dinheiro passou pela conta do advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, que atuou como produtor-executivo do longa.

“O conjunto de fatos revela possível engrenagem de financiamento político paralelo: agentes políticos, banqueiro investigado, estrutura empresarial estrangeira, fundo no exterior, contratos privados, valores milionários, obra de exaltação política e lançamento estratégico no período eleitoral.”

Os autores do processo também alegam que a proximidade do lançamento do filme com o pleito de outubro “amplia o risco” de que a obra funcione como “ativo de campanha”, com ampla repercussão em cinemas, plataformas digitais, redes sociais, streaming, entrevistas, eventos promocionais, trailers, cortes e impulsionamentos na internet.

INVESTIGAÇÃO – Com a ofensiva petista, capitaneada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, a controvérsia envolvendo a pressão do pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), sobre Vorcaro para liberar recursos para o filme chega à Justiça Eleitoral, o que pode abrir novas frentes de investigação contra a candidatura bolsonarista.

Na ação, os advogados ainda pedem que o TSE comunique a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal, o Ministério da Justiça e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre o caso, para a apuração de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação de beneficiário final, fraude cambial, falsidade documental, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa e outros ilícitos conexos.

DOCUMENTÁRIO –  Na representação eleitoral, os aliados de Lula traçam um paralelo entre “Dark horse” e um precedente do próprio TSE de 2022, quando a Corte Eleitoral suspendeu a divulgação durante as eleições do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, da produtora de vídeos de direita Brasil Paralelo.

O documentário seria lançado em 24 de outubro de 2022, a seis dias do segundo turno, mas teve a divulgação suspensa – e acabou exibido apenas depois do pleito vencido pelo presidente Lula por uma vantagem apertada de 2,1 milhões de votos.

PRECEDENTE – “A aplicação do precedente ao caso ‘DarkHorse’ é direta. A obra também envolve Jair Bolsonaro, também possui conteúdo de alta relevância política, também se projeta sobre eleição presidencial e também pode ser lançada em momento sensível do calendário eleitoral”, afirma a ação.

À época, o TSE concluiu que era importante evitar que um “tema reiteradamente explorado pelo candidato em sua campanha receba exponencial alcance, sob a roupagem de documentário que foi objeto de estratégia publicitária custeada com substanciais recursos de pessoa jurídica”. No caso de “Dark Horse” , os substanciais recursos vieram do bolso de Vorcaro.

DISPUTA PRESIDENCIAL – Em 2022, Jair Bolsonaro era candidato à reeleição e protagonista do documentário sobre o atentado à faca em Juiz de Fora, enquanto agora quem pretende disputar a corrida presidencial é o seu filho. “Dark Horse” (Azarão, em tradução livre) é protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel no papel do ex-presidente.

De acordo com a ficha técnica do filme, foram escalados atores para os papéis do clã Bolsonaro, como Michelle, Carlos, Eduardo e o próprio Flávio, que será vivido pelo ator brasileiro Marcus Ornellas – mas não se sabe ainda o espaço que Flávio terá na versão final do longa-metragem.

ESPERANÇA –  Além disso, o TSE que vai se debruçar sobre o caso “Dark Horse” não é o mesmo daquele que foi acusado de “censura prévia” por suspender o lançamento de “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”. Aliados de Flávio apostam nas mudanças na composição da Corte Eleitoral para blindar “Dark Horse”. No último dia 12, Cármen Lúcia deixou a presidência da Corte e passou o bastão para Kassio Nunes Marques, enquanto André Mendonça assumiu a vice-presidência do TSE.

Kassio e André foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro e são considerados menos “intervencionistas” quando se trata de assuntos ligados à liberdade de expressão.

Já o julgamento que levou à suspensão do lançamento do documentário foi presidido por Alexandre de Moraes. O ministro, considerado “inimigo público nº 1” da militância bolsonarista, não integra mais a Corte Eleitoral.

DESFILE NA SAPUCAÍEm sua defesa, aliados de Flávio apontam um outro caso rumoroso que opôs bolsonaristas e lulistas na arena cultural– e que poderia ser usado a favor do filho “zero um” de Bolsonaro.

Em fevereiro, o TSE negou dois pedidos de liminar dos partidos Novo e Missão para impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, considerado propaganda eleitoral antecipada pela oposição. Após o cortejo carnavalesco, o PL pediu ao TSE a abertura de uma investigação sobre o financiamento do desfile, mas o caso foi arquivado.

“Em tese, o filme do Bolsonaro vai atingir a própria bolha, só vai assisti-lo quem se dispor a ir e pagar o ingresso. Já o TSE não proibiu o desfile do Lula, que foi exibido em TV aberta, financiado com dinheiro público e invadiu a casa de milhões de brasileiros”, afirmou um aliado de Flávio, tentando diferenciar os casos.

EXALTAÇÃO A LULA –  O desfile foi marcado pela exaltação à figura de Lula e a programas sociais da administração petista, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Luz para Todos – além de alfinetadas em Bolsonaro, retratado na comissão de frente como um palhaço que acaba preso. A Acadêmicos de Niterói amargou a última colocação e foi rebaixada.

O samba-enredo entoado na Marquês de Sapucaí remetia em seu refrão a um jingle de campanha de Lula, com os versos “Olê, olê, olá, Lula, Lula”. Em uma das alas, componentes estavam fantasiados com uma estrela vermelha, em alusão ao símbolo do PT.

Já os detalhes do roteiro e da pós-produção de “Dark Horse” não são plenamente conhecidos, mas sabe-se que a produção abordará a trajetória política de Bolsonaro – e dará destaque ao atentado à faca, conforme cenas da gravação do filme que já vazaram, com o ator Jim Caviezel encenando o episódio nas ruas de São Paulo.

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Flávio Bolsonaro admite encontro com Daniel Vorcaro após prisão do ex-banqueiro

Flávio disse encontro foi para colocar ‘ponto final nessa história’

Carolina Linhares
Isadora Albernaz
Folha

O pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) visitou Daniel Vorcaro, do Banco Master, depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada por Flávio nesta terça-feira (19).

O encontro em novembro ocorreu na casa de Vorcaro em São Paulo, depois que o ex-banqueiro foi liberado da prisão por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que determinou restrições como o uso de tornozeleira eletrônica.

“PONTO FINAL” – Em entrevista nesta terça (19), Flávio afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final nessa história” e relatou ter dito ao ex-banqueiro que, se tivesse sido avisado que a “situação era grave”, ele teria procurado outro investidor para o filme “Dark Horse” (“azarão”, em inglês), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“No final de 2025, houve aquele áudio, que todos ouviram, em que eu peço uma luz, uma palavra final sobre o que ia acontecer. Estava em um grande risco de o filme ser encerrado. Seria uma catástrofe. E no dia seguinte ele foi preso. Foi nesse momento que nós vimos ali que deu uma virada de chave, entendemos melhor que a situação era muito mais grave”, disse na sede do PL, em Brasília.

Apesar de ter confirmado o encontro com Vorcaro, Flávio não respondeu quando foi questionado pela Folha sobre por que não contou sobre a reunião com o dono do Master antes. O senador deixou a sede do PL sem responder às perguntas dos jornalistas.

FINANCIAMENTO – Como revelou o site The Intercept Brasil, o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção. Desde então, Flávio vem tentando conter os danos para a pré-campanha à Presidência e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Na esteira do caso “Dark Horse”, ele se reuniu nesta manhã com as bancadas do PL na Câmara e no Senado para dar explicações sobre o escândalo e tratar do posicionamento do grupo sobre o fim da escala 6×1.

Ao justificar sua relação com o então banqueiro, o pré-candidato do PL repetiu que Vorcaro “circulava em todas as rodas em Brasília” e que, na época das negociações para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente, o dono do Master era uma “pessoa acima de qualquer suspeita”. “Ainda no final de 2024, em um jantar com um amigo comentando sobre a dificuldade de arrumar investidores aqui no Brasil, ele disse que conhecia uma pessoa que já tinha investido em outros filmes e me apresentou a esse investidor, que é o Vorcaro”, relatou Flávio.

FUNDO NOS EUA – A Polícia Federal também suspeita que o montante repassado por Vorcaro pode ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Isso porque recursos da Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, chegaram a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

Flávio afirmou que pediu ao fundo americano e à produtora brasileira que apresentem, em até 30 dias, uma prestação de contas com o detalhamento das despesas com o filme. Além disso, ele disse que o valor investido por Vorcaro será deixado “à disposição” das autoridades brasileiras.

“Assim que o filme começar a dar o resultado, o valor aplicado no filme em função do investimento por intermédio dessa empresa indicada pelo Daniel Vorcaro vai ser separado para que fique à disposição das autoridades brasileiras para fazer o que entender que está dentro da lei”, disse.

APOIO – Flávio revelou o encontro pessoal com Vorcaro aos deputados e senadores do PL durante a reunião. Segundo os parlamentares presentes, mais da metade do tempo da reunião foi dedicada ao assunto Vorcaro. Sob reserva, eles afirmaram que saíram satisfeitos com as explicações dadas por Flávio e que o senador agradeceu a unidade e o apoio da bancada em relação a essa crise da sua pré-campanha.

Ao menos dois deles afirmaram à Folha que o encontro pessoal de Flávio e Vorcaro após a prisão do ex-banqueiro não agrava a situação porque ainda está dentro do contexto das tratativas sobre o filme. Segundo eles, esse era um assunto que Flávio deveria tratar pessoalmente e que, naquela altura, enviar mensagens ao celular de Vorcaro seria ainda pior.

“PÁGINA VIRADA” – O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que “essa página foi virada”. “Se acontecer algo fora do filme, aí sim será surpresa”, respondeu a respeito da revelação do encontro. Parte dos parlamentares bolsonaristas afirmou ainda que a relação entre Flávio e Vorcaro é uma narrativa, que acabou inflada, e que deve ser derrotada. Eles reforçaram o contra-ataque que tem sido usado como resposta à crise —o apoio à instalação da CPI do Master e a ressalva de que Lula também se reuniu com o ex-banqueiro.

Na reunião, Flávio ainda exibiu um trailer de “Dark Horse”, que ele publicou em suas redes em seguida. Esteve no encontro a maior parte dos senadores e deputados do PL, inclusive os líderes. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos poucos ausentes. Sua assessoria informou que ele cumpria agenda no Acre.

Na última sexta (15), o senador disse que novas informações sobre “algum encontro” entre ele e Vorcaro poderiam ser divulgadas. “Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, declarou em entrevista à CNN Brasil.

“POUCAS VEZES” – Na ocasião, ele disse que se encontrou pessoalmente “poucas vezes” com Vorcaro, todas para tratar da produção, e que o dono do Master ainda não era investigado. O ex-banqueiro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Segundo investigadores, ele tentava fugir do Brasil para evitar ser preso pelas fraudes no caso. A defesa do ex-banqueiro nega.

No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central. Dez dias depois da primeira prisão, Vorcaro foi solto e passou a usar tornozeleira eletrônica. Em 4 de março de 2026, foi detido novamente. Segundo as investigações, o ex-banqueiro mantinha uma milícia privada chamada “A Turma” com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

Escândalo do Master arrasta BRB para operação bilionária e risco institucional

Guilherme de Almeida e sua poética paixão pelos filmes em preto & branco

Boa Noite !!! 🌙🌟 “Lá se vai a vida, Lá se vai a flor. Passa o sonho da vida, E fica a dor.” Guilherme de Almeida (1890-1969) #BoaNoite #versos #poesia #poetas #guilhermedealmeida

Paulo Peres
Poemas & Canções

O desenhista, cinéfilo, jornalista, advogado, tradutor, cronista e poeta paulista Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), o Príncipe dos Poetas Brasileiros, revela que somente enxerga os olhos de sua amada na sala escura do “Cinema”.

CINEMA
Guilherme de Almeida

Na grande sala escura,
só teus olhos existem para os meus:
olhos cor de romance e de aventura,
longos como um adeus.

Só teus olhos: nenhuma
atitude, nenhum traço, nenhum
gesto persiste sob o vácuo de uma
grande sombra comum.

E os teus olhos de opala,
exagerados na penumbra, são
para os meus olhos soltos pela sala,
uma dupla obsessão.

Um cordão de silhuetas
escapa desses olhos que, afinal,
são dois carvões pondo figuras pretas
sobre um muro de cal.

E uma gente esquisita,
em torno deles, como de dois sóis,
é um sistema de estrelas que gravita:
são bandidos e heróis;

são lágrimas e risos;
são mulheres com lábios de bombons;
bobos gordos, alegres como guizos;
homens maus e homens bons…

É a vida, a grande vida
que um deus artificial gera e conduz
num mundo branco e preto, e que trepida
nos seus dedos de luz.

PF aponta que grupo ligado a Daniel Vorcaro tentou hackear celular de Lauro Jardim

Produtora de “Dark Horse” recebeu R$ 700 mil em emendas estaduais em São Paulo

O efeito Vorcaro é cada vez mais intenso e ameaça o bolsonarismo

Lula precisa entender que Messias não pode ser indicado novamente este ano

Lula não pode reenviar nome de Messias ao Senado 

Pedro do Coutto

A notícia de O Globo de que o presidente Lula da Silva pretende indicar novamente Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal após sua rejeição pelo Senado, reabre um debate delicado sobre os limites entre autoridade presidencial, independência institucional e equilíbrio entre os Poderes.

Segundo a reportagem, Lula considera que a derrota de Messias representou uma afronta política ao governo. A avaliação no entorno presidencial é de que o Senado extrapolou o campo técnico e promoveu uma derrota simbólica ao Palácio do Planalto.

ILUSÃO À TOA – A reação do presidente seria justamente dobrar a aposta: recolocar o mesmo nome na disputa e entrar pessoalmente na articulação para garantir votos suficientes à aprovação.

Mas isso é impossível, porque as norma do Senado proíbem a reapresentação do nome na mesma legislatura. Ou seja, Messias somente pode ser indicado novamente no ano que vem, quando ainda nem se sabe se o presidente ainda será Lula.

Politicamente, a movimentação tinha lógica. Presidentes raramente aceitam derrotas institucionais dessa magnitude sem tentar recuperar autoridade. Ainda mais em um contexto em que o governo já enfrenta desgaste no Congresso, dificuldades de articulação e sinais de erosão política.

UMA  FRAQUEZA – A rejeição de um indicado ao STF — algo que não acontecia havia mais de um século — foi interpretada dentro do Planalto como demonstração de fraqueza do Executivo diante de um Senado cada vez mais autônomo e assertivo. Mas há um ponto sensível nessa reação presidencial que merece atenção.

A Constituição brasileira não estabelece que o Senado exista apenas para homologar automaticamente a vontade do presidente da República. O mecanismo de sabatina e aprovação foi criado justamente como sistema de freios e contrapesos. A indicação é prerrogativa do chefe do Executivo; a aprovação, porém, depende de concordância política e institucional da Casa revisora.

Transformar a rejeição em algo “ilegítimo” por definição produz um raciocínio perigoso: o de que o Senado só estaria correto quando confirma o desejo presidencial. Isso esvazia o próprio sentido constitucional da sabatina.

CRITÉRIOS OBJETIVOS – O argumento mais consistente que o governo poderia sustentar seria outro. Não o de que o Senado era obrigado a aprovar Jorge Messias, mas o de que faltaram critérios objetivos e transparentes para justificar a rejeição. Essa, sim, é uma discussão relevante.

A política brasileira frequentemente opera por vetos silenciosos, ressentimentos internos, disputas de poder e acordos de bastidor pouco claros. Em um tema da dimensão de uma vaga no STF, seria desejável que os senadores explicitassem publicamente as razões substantivas de eventual reprovação: notório saber jurídico insuficiente? Excessiva proximidade política com o governo? Falta de independência? Questões técnicas? Divergências institucionais?

A ausência dessa objetividade fragiliza o processo e alimenta a percepção de arbitrariedade. Ainda assim, há distância enorme entre exigir critérios mais transparentes e defender uma espécie de obrigação tácita de aprovação presidencial. O Senado não é o cartório do Executivo. E justamente porque não é, pode aprovar ou rejeitar nomes.

CONFLITOS – O episódio também revela algo maior sobre o momento político brasileiro. O sistema institucional atravessa uma fase de hipertrofia de conflitos. O Congresso ganhou musculatura nos últimos anos, o STF ampliou influência política e os presidentes passaram a encontrar muito mais resistência para impor agendas unilateralmente. O resultado é um ambiente de tensão permanente entre Poderes.

Nesse contexto, a possível resistência em Jorge Messias pode produzir dois efeitos opostos. Se Lula conseguir aprová-lo numa segunda tentativa, transformará uma derrota histórica em demonstração de força política e capacidade de articulação. Mas, se fracassar novamente, o desgaste institucional será muito mais profundo — não apenas para o presidente, mas para a própria relação entre Executivo e Senado.

Há ainda uma dimensão simbólica importante. Desde a redemocratização, criou-se no Brasil uma cultura política em que indicações presidenciais ao STF quase sempre eram aprovadas, ainda que sob críticas. Isso gerou a percepção informal de que o Senado dificilmente exerceria de fato seu poder de veto. A rejeição de Messias rompeu esse paradigma.

EXTREMOS – O desafio agora é impedir que o país caminhe para dois extremos igualmente ruins: de um lado, um Senado que transforme indicações ao Supremo em instrumento de chantagem política; de outro, um Executivo que trate qualquer rejeição como insubordinação institucional.

Democracias maduras dependem justamente da existência de limites recíprocos. O presidente indica. O Senado avalia. E ambos precisam conviver com a possibilidade legítima da discordância.

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