Empresários, advogados e policiais dominam lista
Victória Cócolo
G1
Os empresários são o maior grupo entre as ocupações específicas declaradas pelos candidatos nas eleições de 2026. Ao todo, 2.579 concorrentes — 12,53% do total — disseram exercer essa atividade, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eles só ficam atrás da categoria genérica “outros”, que concentra 2.722 candidatos (13,23%) e reúne ocupações não especificadas.
Os advogados vêm em seguida aos empresários: são 1.696 candidatos, ou 8,24% do total. O ranking também mostra o peso de quem já está na política, com deputados e vereadores entre as ocupações mais declaradas.
Policiais militares, médicos e servidores públicos estaduais também aparecem entre os grupos mais numerosos. Completam as dez primeiras posições comerciantes, estudantes, bolsistas e estagiários e administradores.
CONCENTRAÇÃO NO PL – O Partido Liberal (PL) é o partido com o maior número de candidatos que se declararam empresários. São 271, o equivalente a cerca de um em cada dez dos 2.579 empresários que concorrem neste ano.
Republicanos, Novo, Podemos e MDB aparecem na sequência. Juntos, os cinco partidos reúnem mais de 40% de todos os candidatos que se declararam empresários. O cenário muda, porém, quando se considera o peso dos empresários dentro de cada partido, em vez do número absoluto de candidatos.
No Cidadania, por exemplo, há apenas 21 empresários — o partido ocupa a 22ª posição em números absolutos. Mas eles representam cerca de 20,2% de todas as candidaturas da legenda. A proporção é semelhante no Novo, onde os 211 empresários correspondem a cerca de 20% dos candidatos. No Missão, são 73, ou aproximadamente 16,3%.
POLICIAIS MILITARES – Assim, embora o PL tenha mais empresários em números absolutos, proporcionalmente eles têm presença maior entre as candidaturas do Cidadania e do Novo. O PL também lidera em número de policiais militares. Dos 571 candidatos que declararam essa ocupação, 63 são filiados ao partido — 11% do total. Republicanos e Podemos aparecem em seguida.
A sigla ainda concentra o maior número de candidatos em outras categorias ligadas às forças de segurança e defesa. Dos 82 que se declararam membros das Forças Armadas, 20 são do PL. Entre os 93 militares reformados, 18 pertencem à legenda. Já entre os 93 bombeiros militares, o Republicanos reúne o maior grupo, com 13 candidatos.
Como mostrou o G1, o partido que abriga lideranças da direita, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, também concentra o maior número de candidaturas ao Senado.
EDUCAÇÃO – O PT reúne o maior número de candidatos que se declararam professores de ensino superior: 16,3% do total. O PSOL aparece na sequência, com 10%. Os dois partidos também estão entre os que mais concentram professores dos ensinos médio e fundamental.
Entre os 382 candidatos que se declararam professores de ensino médio, por exemplo, 50 são do PT e 49 do PSOL. Juntos, os dois partidos reúnem aproximadamente um quarto dos candidatos dessa categoria. O PT também concentra o maior número de candidatos que se declararam sociólogos e historiadores.
No PT, 98 candidatos se declararam advogados, o equivalente a 5,78% dos candidatos com essa ocupação. Entre os empresários, 47 são filiados ao partido, ou 1,82% do total dessa categoria.
O empresário Zema cometeu um grande erro ao faltar ao debate na Band. A medida adotada pelos dois principais candidatos, faz com que ele — que tem intenções de voto muito baixas — corra o risco de ser ignorado ainda mais do que já é.
O empresário Zema cometeu um erro ao faltar ao debate na Band. A medida adotada pelos dois principais candidatos faz com que ele — que tem intenções de voto muito baixas — corra o risco de ser ainda mais ignorado fora de Minas Gerais.
1) Se todos os candidatos quando eleitos praticarem a Honestidade dia e noite, será muito bom para o País e população…
Por que o debate da Band foi o pior das eleições presidenciais desde 1989
Esvaziado pelos ausentes e avacalhado pelos presentes, encontro será lembrado por um vice dormindo enquanto seu candidato falava
Esvaziado pelos ausentes e avacalhado pelos presentes, o debate da Band foi possivelmente o pior encontro de presidenciáveis já transmitido pela TV brasileira.
À frente nas pesquisas, Lula e Flávio já haviam informado que não compareceriam. No domingo, Zema surpreendeu ao se juntar ao boicote.
Dos seis convidados, restaram três, que por pouco não se reduziram a dois.
O psiquiatra Augusto Cury já estava na portaria da Band quando deixou repórteres perplexos ao avisar que daria meia-volta para casa. “Vocês não percebem a minha mágoa?”, perguntou.
Minutos depois, ele desistiu da desistência e se juntou a Caiado e Renan Santos no estúdio. Eles se acomodaram num cenário melancólico, com três púlpitos vazios.
Apesar do esforço da emissora, não havia muito o que extrair dali. Os nanicos pareciam mais interessados em criticar os favoritos do que em apresentar propostas para justificar suas candidaturas.
Renan mostrou a que veio ao exibir duas fraldas com os nomes de Lula e Flávio. Ao longo do debate, despejou falas misóginas e xingou eleitores dos adversários. Chegou a ser repreendido por Cury, que se disse espantado com sua agressividade.
Também estreante em eleições, o psiquiatra se mostrou uma metralhadora de chavões de autoajuda embrulhada num exótico terno verde. Faltou explicar o que faz na corrida presidencial.
Caiado não soube aproveitar o fato de ser o único presente com experiência política. Gastou a maior parte do tempo descrevendo Goiás como um paraíso nos trópicos. A imagem do vice Gilberto Kassab cochilando enquanto ele falava resume sua participação no debate.
Difícil criticar Kassab pela soneca. Quem resistiu uma hora e meia diante da TV é que merecia uma medalha.
O Globo, Política, Opinião, 24/08/2026 00h45 Por Bernardo Mello Franco
Um debate presidencial cujas ausências foram mais marcantes que as presenças
O debate inaugural da campanha presidencial da Band não serviu para muita coisa. As ausências foram mais marcantes que as presenças.
Chamado de “bêbado”, “canalha” e “vagabundo” por Renan Santos, talvez Lula tenha ganho os motivos que queria para não participar dos próximos — mesmo o debate final, da Globo, ao qual os candidatos não costumam faltar.
Claro, essa decisão não depende somente disso. Depende também da situação de Lula no fim de setembro.
A propósito, Renan cumpriu o objetivo a que se propôs: se mostrar como o candidato mais anti-Lula e antissistema. Quase todas suas propostas, no entanto, mesmo as menos lunáticas, são inexequíveis.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 24/08/2026 06h11 Por Lauro Jardim