Estratégia de usar Trump como escudo é mais um erro dos irmãos Bolsonaro

12/03/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio (Folha)

Vicente Limongi Netto

Os irmãos metralhas e moleques, Flávio e Eduardo Bolsonaro, monitorados pelo pai golpista, condenado e preso, insistem em solapar a soberania brasileira. Perdem tempo, usando Donald Trump como escudo para esconder a queda da campanha do senador rachadinha, cada vez mais perto de afundar na lama. O velório já começou e o enterro será em cova rasa, pago pelo meliante Daniel Vorcaro.

Flávio achocolatado soltou foguetes, diante da decisão arbitrária de Trump de considerar as facções criminosas brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital).   

NAÇÃO SUBSERVIENTE – Flávio não percebe que Trump o usa como capacho para tentar fazer do Brasil uma nação subserviente, ajoelhada aos Estados Unidos, como fez com a Venezuela e, breve, fará com Cuba e Colômbia.   

Celso Amorim retrucou firme, em boa nota, dizendo: “Colaboração, sim; intromissão, jamais”.  Nessa linha, o Brasil está fazendo o dever de casa. No dia 12 de maio, Lula lançou o Programa Brasil contra o crime organizado. Com investimentos de 11,1 bilhões de reais, para integrar forças de segurança federais, estaduais e municipais.

Flávio sonha em obter votos tirando migalhas dos destrambelhos de Trump.  Vai morrer tentando. No bueiro das ratazanas.

OUTRO GOLPE – O jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, um dos mais destacados membros da Academia Brasileira de Letras, depois de ler minha coluna anterior na Tribuna da Internet, fez uma indagação que ele próprio respondeu:

“Vicente, o que Flavio faz não é um golpe contra o país? É como se estivessem trabalhando contra o Brasil. Não é atitude condenável, como se estivessem espionando o próprio país? Entregando a nação aos EUA? Pedindo: Venham nos governar!!!!

Tiradentes foi condenado. E quanto a esses outros, que tramam contra a nação?”

Sem consenso sobre código de conduta, STF avalia divulgar palestras de ministros

Tema ainda é considerado embrionário

Mariana Muniz
Pepita Ortega
O Globo

A divulgação prévia de palestras e eventos públicos realizados por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido apontada nos bastidores da Corte como uma possível medida de transparência enquanto o código de conduta dos ministros segue sem consenso interno. A iniciativa é vista por uma ala de integrantes do tribunal como uma espécie de “meio-termo” diante das resistências para retomar, neste momento, as discussões mais amplas sobre a criação de regras éticas formais para os integrantes da Corte.

Entre esses ministros, há a avaliação de que a publicidade sobre convites para eventos e palestras pode funcionar como um gesto concreto de abertura institucional e ajudar a reduzir críticas sobre falta de transparência no Supremo. Ainda não há, contudo, uma adesão majoritária e o tema ainda é considerado embrionário, presente em conversas informais. Ministros que rechaçam a discussão a classificam reservadamente como “artificial”.

CÓDIGO DE CONDUTA – A discussão ocorre em meio à tentativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de destravar o debate sobre o código de conduta. Em março, em conversa com jornalistas, Fachin reconheceu que ainda há divergências internas sobre o tema e citou as palestras como um dos pontos em análise.

— Há quem entenda que o código é bem-vindo, mas não necessariamente neste momento. Há outros que já discutem questões um pouco mais concretas. As palestras devem ser informadas previamente? Pode trazer algum problema de segurança. Isso nós vamos discutir — afirmou o ministro na ocasião.

Ministros avaliam que a divulgação das participações em eventos públicos teria a vantagem de não exigir, neste primeiro momento, uma aprovação formal e ampla de um código de conduta completo, tema que ainda enfrenta resistências dentro da Corte após as crises dos últimos meses em que o Supremo se viu mergulhado. A minuta do código está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que foi anunciada como relatora do processo ainda em fevereiro por Fachin.

PRIMEIRA VERSÃO – Agora, com o fim da gestão da ministra na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a expectativa entre integrantes do Supremo e auxiliares da Corte é que uma primeira versão do material seja publicada após as eleições.

Em artigo publicado na revista CartaCapital, o ministro Flávio Dino magistrado afirmou não ver problema na participação de ministros em debates e eventos públicos. Segundo Dino, “ouvir pontos de vista diferentes, em eventos públicos ou audiências, não atrapalha a função de julgar” e “não implica automaticamente corrupção ou parcialidade”.

O ministro acrescentou que “atos de improbidade ocorrem longe dos olhos e ouvidos do público, em pagamentos ocultos e em reuniões clandestinas, que jamais constarão em um extrato bancário ou em uma agenda oficial”.

“CLIMA POLÍTICO” – A avaliação de uma parte de integrantes da Corte é que a adoção de medidas de transparência sobre palestras pode ajudar a reduzir parte das críticas dirigidas ao Supremo sem abrir, neste momento, uma nova frente de desgaste interno em torno da aprovação imediata de um código de conduta mais rígido. Ministros reconhecem que ainda não há “clima político” dentro do tribunal para retomar integralmente as negociações sobre o texto. A percepção é que o tema acabou contaminado pelas tensões internas e pelas crises recentes envolvendo a imagem da Corte.

Por outro lado, ministros do STF afirmam reservadamente que o debate sobre palestras ganhou uma dimensão desproporcional diante de problemas considerados mais graves dentro do Judiciário. Para esses magistrados, há uma “obsessão artificial” em torno do tema, enquanto questões como suspeitas de corrupção, fraudes bilionárias e a atuação de magistrados em investigações recentes teriam impacto muito maior para a imagem do Judiciário.

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“O Centrão nunca se compromete com ninguém”, diz analista sobre crise de Flávio

Contradições de Flávio podem aprofundar desgaste eleitoral

Míriam Leitão
O Globo

O impacto do caso Master sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro ainda depende de novas revelações, mas o desgaste pode se aprofundar caso o senador volte a cair em contradição. Essa é a avaliação do professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, Claudio Gonçalves Couto, cientista político formado pela USP e com pós-doutorado na Universidade de Columbia.

Para ele, partidos do Centrão, como PP, Republicanos e União Brasil, tendem a se afastar de candidaturas que possam gerar desgaste eleitoral e podem se manter neutros no primeiro turno, movimentando-se apenas no segundo. “A verdade é que o Centrão nunca se compromete com ninguém”, avalia.  Na entrevista que me concedeu na GloboNews, Claudio Couto fala também sobre a crise de governabilidade no Brasil, sobre o antipetismo e a dificuldade de renovação do PT. Veja a entrevista na íntegra:

Miriam: As últimas duas semanas foram marcadas por uma intensa repercussão do caso Master, que atingiu principalmente o candidato da direita, Flávio Bolsonaro. Que tipo de impacto isso pode ter na disputa? Esse desgaste tende a se dissipar ao longo da campanha ou pode influenciar de forma mais duradoura os eleitores que já demonstravam intenção de voto nele?

Claudio: Acho que depende muito do que ainda vier a aparecer. Imaginemos que parasse por aqui. Que tudo o que tivesse que aparecer já apareceu. Ele teve uma queda significativa nesse começo, como algumas pesquisas já mostraram, mas nada garante que essa queda vai continuar. Isso pode se manter nas próximas pesquisas, pode ficar onde está, pode se aprofundar. Acho que, se novas revelações houver, aí a situação dele se complica bastante, sobretudo se ele novamente cair em contradição.

Mesmo no dia em que saiu a reportagem do Intercept, ele chegou a negar ao próprio jornalista do Intercept, no começo do dia, que tivesse tido qualquer contato com o Vorcaro, deu aquela risada nervosa e, logo depois, foi desmentido pelos fatos. À noite, teve que falar o contrário do que havia dito de manhã. Então, se ele novamente for pego em contradição, aí eu acho que o desgaste se aprofunda.

Caso contrário, são quase cinco meses até o primeiro turno da eleição. Acho que ainda há espaço para recuperação do Flávio Bolsonaro.

Ele já mudou um pouco de postura diante da revelação do Metrópoles de que havia visitado o banqueiro Daniel Vorcaro. Estava em reunião com dirigentes do PL quando a notícia veio à tona e, imediatamente, confirmou o encontro. Ou seja, já não optou pelo caminho da negação. A percepção parece ter sido a de que insistir nisso poderia ampliar ainda mais o desgaste.

Claudio: Ser desmentido pelos fatos. E é melhor, às vezes, admitir as coisas em público e tentar apresentá-las como algo normal. Acho que foi isso que ele tentou fazer. Mas o problema é a contradição disso com tudo o que ele falou durante meses, negando qualquer contato, qualquer conversa, qualquer proximidade com o Vorcaro e tentando associar o escândalo do Master e o próprio Vorcaro ao governo. Quando essas coisas aparecem, por mais que ele tente justificar, fica muito complicado.

Mas houve um primeiro movimento do Centrão de tentar se afastar, começando a falar em liberar seus políticos para apoiar o candidato que quisessem na eleição de 2026. Você acha que partidos como PP, Republicanos e União Brasil vão manter a aproximação que vinham demonstrando com Flávio Bolsonaro diante dessa dúvida pairando?

Claudio: Acredito que não. A gente sabe que os partidos do Centrão, eles, a rigor, não têm grande compromisso com nenhum tipo de candidato ou projeto político nacional. Eles têm os seus projetos, primeiro regionais, evidentemente. Em alguns estados, um dos seus líderes tem alguma força e tem um projeto. E há também um projeto claro de ocupar um grande espaço no Congresso para poder justamente se apropriar dos recursos que isso possibilita. Ainda mais agora, com esse controle grande que o Congresso tem sobre o orçamento.

Então, ninguém vai tentar se associar ao governo Bolsonaro se perceber que isso pode trazer mais desgaste do que ganho. Várias vezes esses partidos que compõem o chamado Centrão foram para a eleição sem estar numa aliança presidencial. Eu acho que isso pode voltar a acontecer neste ano.

E aí eles vão para o primeiro turno sem aliança e, no segundo turno, se reposicionam.

Claudio: Aí se reposicionam, inclusive, a gente sabe, muito possivelmente sem fechar questão. Ou seja, às vezes uma ala do partido vai para um lado, outra ala vai para o outro, outros ficam neutros. O Centrão nunca se compromete muito com ninguém.

E o papel do PSD?

Claudio: O PSD é um partido que, claro, também é Centrão, mas resolveu ter candidato presidencial na eleição deste ano. E agora, diante do que acontece com o Flávio Bolsonaro, acho que essa candidatura ganha uma certa força. Não sei se a ponto de ir para o segundo turno, de crescer muito. Acho que isso não é tão fácil de acontecer, porque existe aquele núcleo duro bolsonarista que é capaz de preservar uma candidatura da família Bolsonaro num patamar relativamente elevado, dificultando que outras candidaturas do campo da direita também ocupem esse espaço. Mas o PSD pode, inclusive, ser um atrativo para outros partidos que queiram, por exemplo, embarcar numa chapa presidencial sem se comprometer muito com qualquer tipo de escândalo que tem aparecido até este momento.

Qual porcentagem do eleitorado você acha que é fielmente bolsonarista e votará no candidato indicado por Jair Bolsonaro?

Claudio: Eu imagino que seja alguma coisa em torno de 20%, pelo que as pesquisas mostram, quando as pessoas são questionadas sobre o seu posicionamento. Se elas são de direita bolsonarista, direita não bolsonarista, o quanto elas inclusive acreditam em praticamente tudo o que a família Bolsonaro diz.

A gente tem ali, eu diria, um piso de 20%. Acho que ele pode até oscilar um pouco para cima, mas acho muito difícil que caia abaixo disso, porque é uma afiliação que, eu diria, é muito mais emocional, afetiva, identitária do que propriamente uma vinculação baseada em propostas de políticas públicas e um projeto de governo.

Eu queria que você avaliasse o comportamento dos outros dois candidatos, Zema e Caiado. Caiado fez um movimento do tipo: “Nós precisamos tocar no nosso objetivo principal, que é antipetista, é contra esse governo, a gente quer substituir esse governo”. Já o Zema atacou Flávio Bolsonaro. Fez um recuo, mas voltou a afirmar ontem que “assombração sabe para quem aparece”. Ele está focando na crítica ao comportamento do Flávio Bolsonaro, enquanto Ronaldo Caiado não. Quem pode ter mais vantagens nesse ambiente meio fluido, desse momento em que ninguém sabe muito bem para onde as coisas vão?

Claudio: Eu acho que os dois estão fazendo apostas um pouco diferentes. O Caiado me parece estar numa aposta de médio e longo prazo, enquanto o Zema está numa tática de curtíssimo prazo. Isso por quê?

Porque a gente viu que, nas semanas anteriores, ele vinha dando declarações polêmicas. Falou aquela coisa sobre trabalho infantil, enfim, resolveu aparecer. Isso teve um certo impacto. O Zema teve um pequeno crescimento em algumas pesquisas, ganhou mais visibilidade. E eu acho que ele viu ali uma oportunidade de continuar nessa toada, de novamente ganhar palco. Farejou sangue e foi atrás.

Acho que o Caiado percebe que talvez isso possa até servir num momento inicial, mas pode lhe desgastar com esse eleitorado bolsonarista. Que, mais na frente, se perceber que a candidatura do Flávio ou de qualquer outro candidato da família Bolsonaro se viabilizar, terá nele um porto seguro, alguém confiável, alguém que não traiu aquele eleitorado. Tanto que sabemos que os dois subiram no palanque do Bolsonaro para defender a anistia.

Por outro lado, o presidente Lula enfrenta um momento muito difícil na economia, atingida por um choque externo forte, que é a guerra envolvendo o Irã. A inflação tende a subir, os juros devem cair menos do que o previsto e o crescimento pode desacelerar. Alimentos e combustíveis, que são os preços mais sensíveis para a população, devem sofrer maior pressão. Além disso, há preocupações com o abastecimento e impactos sobre o agronegócio. Enfim, há uma série de dificuldades no horizonte. Como o presidente Lula pode lidar com essa conta que, no fim das contas, acaba recaindo sobre quem está no poder?

Claudio: Não é uma resposta fácil de dar. E o próprio presidente deve estar se debatendo com esse tipo de questão. E por quê? Porque mesmo antes, quando os sinais já não eram tão negativos, a gente vinha com a inflação sob controle, os juros tinham começado a sinalizar uma queda, o próprio Banco Central anunciou, mas aí, quando foi iniciar a queda propriamente dita, veio a guerra do Irã. E aí a coisa toda se complicou.

Mesmo com o emprego em alta, renda aumentando, vários indicadores bons, ainda assim havia desaprovação do governo. Então isso torna a vida do presidente muito mais complicada. Ele está tomando algumas medidas pontuais em questões que acha que podem resolver. Tirou a taxa das blusinhas, resolveu criar ali um subsídio para combustíveis. Pode tentar coisas desse tipo, mas eu acho que o alcance disso é muito limitado.

Como o eleitor independente reage a isso? Pelas últimas pesquisas, pelo menos da Quaest, que eu olhei com detalhe, a espontânea está muito mais baixa e o grupo dos que ainda não se definiram é muito maior. E nesse momento isso acontece principalmente com a direita.

Claudio: Acho que ainda é um pouco cedo para as pessoas se definirem. Elas vão deixar para tomar a decisão final um pouco mais para frente. Talvez depois da Copa — não por causa da Copa em si, mas por causa do timing mesmo. Como eleição presidencial sempre acontece em ano de Copa, não dá para abstrair isso completamente. Mas as pessoas deixam para tomar a decisão final, sobretudo esse eleitor mais independente, muito mais perto da eleição. Então não acho que isso seja tão estranho. A espontânea ainda está dando uma intenção de voto baixa para qualquer candidato.

Agora, é claro que as pessoas vão se deixar levar, primeiro, pela percepção de como está a economia e de como ela pode vir a ficar, porque essa percepção prospectiva também é importante. Mas também por como episódios como esse escândalo de corrupção, que agora afeta a candidatura do Flávio Bolsonaro, podem impactar as candidaturas.

E aí esse eleitor pode chegar na reta final e, se algo bombástico aparecer ou se ele se vir desgostoso até com coisas que apareceram mais cedo, pensar: “Não, isso aqui não dá. Vou para o outro lado”. Mas acho que é uma decisão que esse eleitor particularmente deixa para tomar no final.

Explica melhor essa questão de a espontânea estar tão baixa para todos os candidatos. Dá quanto mais ou menos? Uns 60%?

Claudio: Quando você pega a espontânea, eu não diria que é 60%, mas é alguma coisa próxima da metade do eleitorado. Porque hoje você tem dois núcleos um pouco mais consolidados, que são os eleitores propriamente bolsonaristas e os eleitores lulistas ou petistas. E esses aí, de alguma forma, já estão sinalizando. A gente tem algo um pouco acima dos 40%, de novo, depende um pouco do instituto que você pega. Mas, no geral, as pessoas ainda estão pouco informadas sobre isso.

Imagine então como deve ser a eleição para governador e Senado. As pessoas não fazem a menor ideia de para onde vão. Mas para presidente você ainda tem um espaço grande. Isso não é tão diferente do que tivemos em outros anos de eleição. Então me parece que a gente não está num quadro atípico. Estamos num quadro normal, dado o tempo que ainda falta para ocorrer o pleito.

Na sua coluna, Vera Magalhães fala dessa complacência da elite brasileira com pessoas que tentaram um golpe de Estado. A elite econômica, o mercado financeiro, continuam apoiando o candidato Flávio Bolsonaro, apesar de ele não ter nenhum histórico de pensamento econômico que agrade o mercado. Independentemente de Flávio Bolsonaro não ter qualquer pensamento econômico conhecido, o mercado reagiu com dólar subindo e bolsa caindo com a crise na candidatura dele. A elite não se preocupa com a democracia?

Claudio: A gente já viu isso com Jair Bolsonaro. Ele não tinha nenhuma ideia sobre economia e tinha o “Posto Ipiranga”, como chamava Paulo Guedes, que resolveria os problemas para ele. A gente tem, no caso do Flávio, uma ausência completa de qualquer discussão sobre isso.

E parece que esses segmentos da nossa elite econômica se movem muito mais pelo antipetismo e antilulismo, independentemente de qualquer análise objetiva que possam fazer sobre as políticas levadas a cabo por esses governos e elas mudaram em diferentes momentos, do que propriamente por adesão ao outro lado. Se o outro lado é a negação desse, então eu vou para lá. O que mostra que aquela crença de que “dinheiro não tem ideologia” não é tão verdadeira assim.

O dinheiro pode até não ter, mas certamente os donos do dinheiro têm. E aí eles acabam se guiando muitas vezes mais pelos seus preconceitos do que propriamente por uma avaliação muito objetiva, muito pragmática, daquilo que acontece. Então acho que é isso. E, claro, a adesão deles à democracia não é das maiores. Acho que isso aparece para muitos deles e até para membros da classe política também como uma questão secundária. A classe política, a gente diz, é formada por “democratas semileais”, que não vão até o fim na defesa da democracia. Nesse caso, eu nem sei se dá para dizer que, em muitos casos, são propriamente democratas. Para eles, provavelmente, isso é uma questão secundária. Se os negócios andam bem, a democracia não é problema meu.

É irracional, porque um governo autoritário pode se voltar contra qualquer um, né?

Claudio: Porque ele não tem controle. Qualquer decisão pode ser tomada sem qualquer tipo de freio.

Você sempre estuda muito a questão da governabilidade no Brasil e eu queria que falasse sobre esse conflito entre Executivo e Congresso, que parece cada vez mais intratável. Isso piorou com o orçamento secreto? Esse momento é fruto do orçamento secreto somado às emendas? E como lidar com isso?

Claudio: Houve uma mudança estrutural no presidencialismo brasileiro desde 2015. Eu falo desde 2015 porque foi o momento em que começou a situação da impositividade das emendas orçamentárias dos parlamentares. Elas passaram a ser de execução obrigatória, inclusive depois aumentando o percentual em relação ao que foi gasto no orçamento anterior. No começo era 1,2% do orçamento, passou para 2%. Uma emenda constitucional ainda no governo Dilma. Presidente fraca, o Congresso ocupou espaço. Mas ocupou não só naquele momento, ocupou definitivamente.

Depois, Bolsonaro, que abdicou de montar uma base de sustentação, presidente fraco de novo, e o Congresso avançou mais. Primeiro vieram as emendas individuais, depois as emendas de bancada e depois o orçamento secreto. Aquilo que foi declarado inconstitucional pelo Supremo foi substituído pelas emendas de comissão, uma outra maneira de camuflar um pouco quem é o pai da criança, quem está propondo aquele tipo de coisa.

Isso empoderou o Congresso. Esse controle sobre o orçamento, que neste ano chega próximo de R$ 60 bilhões, é muito dinheiro. E aí o que acontece? Esses partidos não têm mais por que fazer concessões ao governo em troca de acesso a recursos, que é o que eles faziam antes. Antes, o governo condicionava a execução de uma emenda ao apoio legislativo. Isso acabou. Inclusive era uma maneira de disciplinar sua própria base dentro do Congresso.

Isso fica ainda pior quando você tem um desalinhamento ideológico entre o presidente e a maioria do Congresso. A gente tem hoje um presidente de esquerda com um Congresso claramente de direita, de maioria de direita.

Esses parlamentares, que abriam mão muitas vezes das suas preferências ideológicas em prol do acesso a recursos, não têm mais por que abrir mão delas. Então isso, ironicamente, tornou o Centrão mais ideológico do que era antes. E esse ideológico não é à esquerda, é à direita, porque o Centrão, cá entre nós, não é de centro. O Centrão sempre foi — inclusive surgiu na Constituinte — como um grupo de direita.

A questão é que era uma direita pragmática, que abria mão de certos projetos e preferências em prol do acesso a recursos, fosse dinheiro do orçamento, fossem cargos no governo. Hoje não precisam mais fazer isso. Estão numa situação muito confortável, o que dificulta a vida de qualquer Executivo, ainda mais se for um Executivo desalinhado ideologicamente da maioria congressual.

Eu queria que você falasse também sobre esse sentimento de rejeição tão forte ao PT e ao lulismo. De onde sai esse sentimento tão forte?

Claudio: Acho que sai de vários lugares. Sai, claro, da percepção que houve durante os governos petistas relacionada à corrupção. Os escândalos de corrupção ficaram colados no PT, que é um partido com marca forte. Então é mais fácil identificar isso com o PT do que, por exemplo, com os partidos do Centrão, que não têm muita identidade. Mesmo que políticos e até os próprios partidos tenham envolvimento em escândalos.

O presidente do PL é o Valdemar Costa Neto, que já foi preso no mensalão.

Claudio: Mas as pessoas nem sabem direito disso. Nem sabem do PP, do União Brasil, do PSD. Esses partidos são menos responsabilizados porque não têm uma identidade clara que permita ao eleitor identificá-los.

No caso do PT, que é o partido com essa percepção mais forte, tanto que também tem a maior preferência partidária do país, o outro lado da moeda é gerar uma identificação negativa clara. Há pesquisadores que já mostraram que, nas eleições nacionais, o eleitorado basicamente se dividia entre pró-PT e anti-PT. E isso aparece aqui.

Eu acho que existe um segundo elemento que, para certos setores da sociedade, sobretudo os de renda mais alta, é importante: a percepção de uma certa perda de distinção social que aconteceu com a redução da desigualdade e da pobreza ao longo dos governos petistas lá no começo. Isso aproximou o andar de baixo do andar de cima.

Isso pode ser sintetizado naquela situação anedótica, mas nem por isso menos verdadeira, do “efeito aeroporto”: “essa pessoa não viajava do meu lado e agora está aqui ao meu lado”. Antes ela, na realidade, era meu serviçal.

Muita gente se sentiu desprestigiada por causa disso. E acho que isso gera um certo ressentimento. Somado à percepção de corrupção, são duas coisas diferentes, mas que se combinam e produzem esse cenário que a gente vê hoje.

E, claro, tem ainda, eu diria, secundariamente — mas nem por isso deixando de atingir uma parte importante do eleitorado — a questão dos valores, da moralidade sexual, de temas relacionados à família, coisas desse tipo, que pegam sobretudo o eleitorado mais profundamente religioso, que percebe na esquerda em geral e, consequentemente, no PT, uma posição menos favorável à defesa da família e dos valores tradicionais do que teria a direita.

Acho que é esse amálgama de coisas que faz com que o antipetismo seja tão forte.

Que cara terá a esquerda no pós-Lula? Porque o mais impressionante nisso tudo é a permanência de um único líder durante tanto tempo, já disputando o quarto mandato. Não se vê um movimento de renovação. Você vê uma coisa muito fragmentada. Surge alguém e os outros atacam. Então há uma incapacidade de fazer herdeiros políticos para Lula. Pelo tamanho dele, pelo carisma, pelas características, pelos defeitos e qualidades, não importa. O fato é que não existe um sucessor.

Claudio: O que eu acho é que, apesar da enormidade da figura do Lula dentro da esquerda e desse predomínio que ele tem, o PT é um partido forte, com identidade própria e certa adesão social para além do lulismo. E eu acho que isso, na realidade, é o trunfo que existe ali.

O problema que o próprio PT enfrenta — e acho que enfrenta muito mais do que a direita hoje — é que não tem quadros jovens. Quando você pega a média etária dos parlamentares petistas, ela é muito maior do que a dos parlamentares da direita.

Não tem o Nikolas Ferreira do PT, só para ilustrar. Você tem o Fernando Haddad, mas Fernando Haddad já é um homem de 60 anos. Não estamos falando de gente muito jovem chegando. Acho que o grande problema não é a falta de um partido que possa gerar essa continuidade, mas a falta de uma nova geração que dialogue, inclusive, com as novas gerações.

Polícia Civil de SP pede quebra de sigilo financeiro de produtora de ‘Dark Horse’

Uma simples palhoça, que nos dá vontade de morar para sempre no interior

ARQUIVO MARCELO BONAVIDES - Estrelas que nunca se Apagam - : RELEMBRANDO O COMPOSITOR  J. CASCATA

J. Cascata, um compositor de talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Álvaro Nunes (1912-1961), conhecido por J. Cascata, expressa na letra de “Minha Palhoça” um bonito, bucólico e romântico convite para a pessoa amada. Este samba de breque foi gravado pela primeira vez por Sylvio Caldas, em 1935, pela Odeon.

MINHA PALHOÇA
J. Cascata

Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada
Abençoar nossa união

Tem um cavalo
Que eu comprei em Pernambuco
E não estranha a pista
Tem jornal, lá tem revista
Uma Kodak para tirar nossa fotografia
Vai ter retrato todo dia
Um papagaio que eu mandei vir do Pará
Um aparelho de rádio-batata
E um violão que desacata

Meu Deus do céu que bom seria..
Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada
Abençoar nossa união

Tem um pomar
Que é pequenino,
É uma teteia
É mesmo uma gracinha
Criação, lá tem galinha
Um rouxinol
Que nos acorda ao amanhecer
Isso é verdade pode crer
A patativa
Quando canta faz chorar
Há uma fonte na encosta do monte
A cantar chuá-chuá…

Meu Deus do céu que bom seria..

Nem Trump contém turbulência e campanha de Flávio mergulha em disputas e deserções

Dirigentes do Novo temem que a união de Zema e Caiado possa enfraquecer a direita

Romeu Zema propõe federalizar Cemig e outras estatais para pagar dívida

Romeu Zema articula aliança para evitar a reeleição de Lula

Deu no site Timeline

O avanço das articulações para a eleição presidencial de 2026 começou a provocar tensão dentro do Partido Novo. Integrantes da legenda demonstram preocupação com o impacto das críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ao senador Flávio Bolsonaro, avaliando que a escalada do conflito pode prejudicar alianças estratégicas com o PL nos estados.

 Nos bastidores, dirigentes do Novo defendem uma postura mais moderada de Zema para evitar desgaste com setores do eleitorado conservador e com lideranças bolsonaristas que hoje são vistas como fundamentais para acordos regionais.

MAIS VISIBILIDADE – Embora a possível candidatura presidencial de Zema seja considerada positiva para ampliar a visibilidade nacional do Novo e fortalecer a bancada do partido no Congresso, integrantes da legenda temem que o confronto com o núcleo bolsonarista produza efeito contrário ao desejado.

O receio é que a disputa afaste aliados do PL em estados onde as duas siglas mantêm proximidade política e interesses eleitorais convergentes. Em diversas regiões do país, parlamentares e lideranças locais dependem da manutenção dessa relação para viabilizar palanques competitivos nas próximas eleições.

A tensão aumentou após declarações públicas de Zema direcionadas a Flávio Bolsonaro, interpretadas por setores da direita como uma tentativa de demarcar espaço político próprio dentro do campo conservador. O movimento gerou reações negativas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e acendeu alertas dentro do Novo sobre possíveis consequências eleitorais.

ENFRAQUECER A DIREITA – Parte da direção partidária avalia que Zema precisa equilibrar a construção de uma identidade nacional independente sem romper pontes com o eleitorado bolsonarista, considerado decisivo em diversos estados. A leitura é de que um confronto direto pode fragmentar a direita e enfraquecer alianças locais estratégicas.

Apesar do desconforto interno, o ex-governador mineiro continua sendo visto como um dos principais ativos eleitorais do Novo para 2026.

Integrantes do partido acreditam que sua projeção nacional cresceu nos últimos anos e que sua candidatura presidencial poderia consolidar a legenda como força mais relevante no cenário político nacional.

MAIS CAUTELA – Ainda assim, dirigentes avaliam que o momento exige cautela. Nos bastidores, há quem defenda que o partido evite transformar divergências pontuais em conflitos públicos com o grupo político ligado a Bolsonaro.

Esse temor é causado especialmente pela necessidade de alianças regionais para fortalecer candidaturas ao Congresso e aos governos estaduais.

 O episódio expõe as dificuldades enfrentadas pela direita brasileira na construção de alianças para 2026, em um cenário marcado por disputas internas, busca por protagonismo e tentativas de reorganização do campo conservador após os desdobramentos políticos dos últimos anos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Enviada por Mário Assis Causanilhas, essa análise mostra as dificuldades do Novo para se fortalecer nacionalmente. Hoje, o partido depende diretamente de Romeu Zema, que está negociando uma aliança com o PSD para formar uma chapa única com Ronaldo Caiado. As duas pré-candidaturas ficam mantidas até o início de agosto, e quem estiver à frente nas pesquisas sai para a Presidência e o outro fica como vice. Com essa manobra, Zema e Caiado estão criando uma terceira via que pode representar com chances a direita e o centro na eleição. A preocupação de Caiado e Zema é o desgaste de Flávio Bolsonaro, devido à sua ligação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, um fato que pode facilitar a reeleição de Lula. (C.N.)

Decisão dos EUA sobre PCC e CV amplia ofensiva bolsonarista contra Lula na segurança pública

O custo político da crescente promiscuidade entre poder e dinheiro público

Ex-governador enfrenta cenário de desgaste acumulado

Pedro do Coutto

As novas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e Cláudio Castro aprofundam uma crise que já ultrapassou a esfera policial para alcançar o coração da política fluminense. Os pagamentos de despesas pessoais, viagens, encontros em ambientes privados e eventos patrocinados pelo controlador do Banco Master ao então governador do Rio não aparecem mais como episódios periféricos ou meramente sociais. Dentro do contexto investigado pela Polícia Federal, esses movimentos passaram a ser observados como parte de uma engrenagem política e financeira muito maior.

O ponto central das suspeitas está justamente na coincidência temporal entre a aproximação pessoal dos dois e os sucessivos aportes do Rioprevidência em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Segundo decisões judiciais e documentos tornados públicos, os investigadores identificaram um padrão que vai além da informalidade política típica das relações entre empresários e governantes. A suspeita é de que a relação privada teria produzido efeitos concretos sobre decisões administrativas envolvendo bilhões de reais pertencentes ao fundo previdenciário dos servidores do estado.

SIMBOLISMO INSTITUCIONAL – A gravidade política do caso não está apenas nos valores envolvidos, mas no simbolismo institucional da operação. O Rioprevidência não é um fundo qualquer. Trata-se da estrutura responsável por garantir aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos fluminenses. Quando aplicações consideradas arriscadas passam a ser associadas a relações pessoais entre agentes públicos e empresários investigados, a consequência inevitável é o desgaste da confiança pública na gestão do patrimônio estatal.

O caso também ajuda a explicar por que a crise do Banco Master deixou de ser vista apenas como um escândalo financeiro para se transformar em um problema político nacional. As investigações passaram a atingir governos estaduais, fundos públicos, operadores financeiros e figuras centrais do sistema político brasileiro. A dimensão do episódio lembra outras fases da história recente do país em que a fronteira entre influência econômica e poder institucional se tornou nebulosa.

DESGASTE ACUMULADO – No caso específico de Cláudio Castro, o problema político é ainda mais delicado porque o ex-governador já enfrenta um cenário de desgaste acumulado. As operações recentes da Polícia Federal ampliaram a percepção de fragilidade ao redor de seu grupo político justamente no momento em que o Rio de Janeiro vive uma disputa intensa por reorganização de forças para os próximos ciclos eleitorais.

O impacto não se limita ao campo jurídico. Existe um dano reputacional crescente, sobretudo porque as imagens divulgadas e os relatos de encontros privados patrocinados por Vorcaro reforçam um componente simbólico devastador: a ideia de promiscuidade entre o luxo privado e a gestão de recursos públicos.

A política brasileira tolera relações próximas entre empresários e governantes há décadas. O problema surge quando essa proximidade passa a produzir coincidências administrativas, mudanças estratégicas em órgãos públicos e decisões financeiras incompatíveis com critérios exclusivamente técnicos. É exatamente nesse ponto que a narrativa das investigações ganha força.

REFLEXOS – Outro aspecto relevante é o efeito institucional produzido pelo caso. A sucessão de denúncias envolvendo fundos públicos estaduais reacende um debate antigo sobre governança, fiscalização e blindagem técnica de fundos previdenciários. Em tese, estruturas como o Rioprevidência deveriam operar sob critérios rigorosos de compliance e gestão de risco. Mas a repetição de episódios semelhantes em diferentes estados brasileiros demonstra que ainda existe enorme vulnerabilidade política nesses sistemas.

A defesa de Cláudio Castro nega qualquer irregularidade e sustenta que as relações mantidas com Daniel Vorcaro ocorreram dentro da normalidade institucional e social inerente ao exercício do cargo público. Ainda assim, o avanço das investigações indica que a discussão já deixou de ser apenas jurídica. O desgaste político tornou-se inevitável porque a opinião pública tende a interpretar esse tipo de proximidade a partir de uma lógica simples: quando empresários bancam luxo, viagens e convivência privada de autoridades, cresce inevitavelmente a suspeita sobre o que estava sendo negociado nos bastidores.

PÚBLICO E PRIVADO – O episódio também revela uma característica recorrente da política brasileira contemporânea: a erosão gradual das fronteiras entre o espaço público e os interesses privados. Não se trata apenas de corrupção clássica ou troca direta de favores. O fenômeno é mais sofisticado. Relações pessoais passam a criar ambientes de influência permanente, nos quais decisões estratégicas deixam de ser exclusivamente técnicas e passam a orbitar relações de confiança, dependência e conveniência política.

O caso Vorcaro-Castro ainda está longe de um desfecho definitivo. Mas independentemente do resultado judicial, as revelações já produziram um efeito político profundo: reforçaram a percepção de que parte da elite dirigente brasileira continua operando em uma zona cinzenta onde convivem luxo privado, influência financeira e estruturas públicas bilionárias. E quando aposentadorias de servidores entram nessa equação, o impacto deixa de ser apenas político para atingir diretamente a credibilidade do próprio Estado.

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Chapa de Caiado e Zema (ou vice-versa) pode ser a terceira via e tem chances de vitória

Caiado e Zema têm algo para Flávio - 27/05/2026 - Cláudio Hebdô - Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Aleluia, irmão! Ainda resta uma esperança de nos livrarmos de Lula de Silva e da família Bolsonaro, de uma vez por todas. Essa perspectiva tornou-se verdadeira esta semana, com a reunião entre os dois presidenciáveis alternativos de maior chance – Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo. Pela primeira vez desde o início da pré-campanha, eles estiveram juntos, nesta quarta-feira, dia 27, e o resultado foi auspicioso.

Louve-se o desprendimento de Zema, que foi ao escritório eleitoral de Caiado, em São Paulo, ao invés de sugerir um local neutro para o encontro, digamos assim.

CHAPA ÚNICA – “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse Zema em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.

Em tradução simultânea, o ex-governador mineiro está informando claramente que já foi feito um pacto entre os dois. Ou seja, ficou decidido que eles vão formar uma chapa única. Quem estiver melhor colocado nas pesquisas será o candidato a presidente, e o outro ficará como vice.

Ao contrário do que Zema previu, essa decisão não deverá ser tomada na data-limite. Antes de 5 de agosto, as pesquisas já terão indicado quem deve encabeçar a chapa, para que os dois possam reiniciar a campanha em novos moldes.

UNIÃO JÁ – No entanto, nada impede que Zema e Caiado (ou vice-versa) comecem logo a fazer campanha juntos, criando um fato novo e muito positivo nesta eleição presidencial. Note-se que é uma situação jamais vista na política brasileira e pode agradar muito aos eleitores indecisos que costumam decidir as eleições brasileiras, ao escolherem o menos pior no segundo turno ou ao preferirem voto em branco, nulo ou abstenção.

Cabe a esses eleitores, que significam quase um terço do total, viabilizar essa possibilidade de terceira via, optando desde já por qualquer um dos dois (Caiado e Zema, ou vice-versa), para fazer com que cresçam nas pesquisas.

O fato concreto é que esses dois pré-candidatos são muito melhores do que os favoritos, e o Brasil merece alguma alternativa menos corrupta e mais preocupada com os interesses nacionais.

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P.S. –
Esta deve ser a vez de Caiado, que tem 77 anos e mais experiência do que Zema, conhece bem o Congresso e foi o governador melhor avaliado do país. Aliás, Caiado fez história na política goiana ao se tornar o primeiro governador a ser eleito e reeleito no primeiro turno. Quanto a Zema, é bem mais jovem do que Caiado, tem apenas 61 anos e pode esperar sua vez numa boa, embora nada impeça que seja cabeça de chapa. (C.N)   

Governo admite impasse: EUA ainda não responderam sobre extradição de Ramagem

Pedido de extradição foi realizado pelo STF em dezembro

Raquel Lopes
Folha

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, disse que o pedido de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) ainda aguarda resposta dos Estados Unidos. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a abertura do processo de extradição de Ramagem, que tramita no Departamento de Estado.

A condenação definitiva do núcleo central da trama golpista, do qual o parlamentar fazia parte, foi decretada por Moraes em 25 de novembro. A declaração foi dada em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados

LEGISLAÇÃO MIGRATÓRIA – Na ocasião, o ministro afirmou que a detenção pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, não ocorreu em razão de um pedido de extradição, mas por questões relacionadas à legislação migratória americana. Ramagem foi detido pelo serviço de imigração dos EUA em abril. Autoridades brasileiras afirmaram, à época, que a ação ocorreu no âmbito da cooperação entre os dois países.

Dias depois, ele foi solto e, na sequência, o Departamento do Estado, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, acusou o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, sem citar seu nome, de ter “manipulado” o sistema migratório para contornar canais formais, classificando a atuação como uma extensão de “perseguição política” em território americano.

O ministro da Justiça disse, entretanto, que todos os atos operacionais, tais quais abordagem, detenção, teriam sido integralmente executados por autoridades norte-americanas. “Não houve participação do oficialato da PF em atividades operacionais ou decisórias”, disse.

NOVA FRENTE – A prisão e sua posterior liberação abriram uma nova frente de atrito entre o Brasil e o governo de Donald Trump, expondo versões conflitantes e um ambiente político propenso à escalada de tensões.

Durante a audiência pública, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), chegou a criticar a postura do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por não comparecer em duas audiências em que foi chamado. Ele foi interrompido por parlamentares governistas enquanto questionava o ministro sobre uma possível demissão de Andrei Rodrigues.

PGR denuncia grupo envolvido em esquema de venda de sentenças no STJ

Ilustração da Revista Piauí

Pepita Ortega
O Globo

A Procuradoria-Geral da República denunciou nove pessoas por envolvimento no esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Ministério Público Federal imputa aos investigados supostos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo, lavagem de capitais e organização criminosa.

Entre os acusados estão o ex-servidores do STJ Márcio José Toledo Pinto, que atuou no gabinete da ministra Nancy Andrighi, e Daimler Alberto de Campos, que exerceu cargo em comissão de chefe de gabinete da ministra Isabel Galotti. Ministros não são investigados.

OPERADORES FINANCEIROS – Também foram denunciados o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e a advogada Mirian Gonçalves, sua esposa. A acusação ainda atinge supostos operadores financeiros do grupo e pessoas beneficiadas pelas decisões judiciais supostamente negociadas. Segundo a denúncia, o grupo operou entre 2019 e 2023.

A acusação é derivada da Operação Sisamnes, que identificou suposto funcionamento irregular dentro da Corte, com acesso antecipado a minutas de votos, possível influência na distribuição de processos e atuação coordenada para direcionar resultados em casos considerados sensíveis.

Relatório da PF descreveu a existência de um “mercado paralelo de influência”, estruturado em ao menos três núcleos: servidores do STJ, advogados e intermediários, além de empresários, sobretudo do setor agroindustrial. Segundo os investigadores, contratos de alto valor teriam sido firmados para garantir decisões previamente alinhadas, em substituição à atuação técnico-jurídica regular.

Trump pega Lula de surpresa, ao classificar o PCC e o Comando Vermelho como “terroristas”

Secretário dos EUA, Rubio cita 'graves violações dos direitos humanos' para  justificar Lei Magnitsky contra Moraes

Marco Rubio, secretário de Estado, tenta justificar sua decisão

Tiago Tortella
CNN Brasil

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que classificou o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.

O comunicado, assinado pelo secretário Marco Rubio, também afirma que os EUA pretendem designar os dois grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.

JUSTIFICATIVA – “O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, destaca o texto.

“Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e para dentro do nosso país”, adiciona.

O governo Lula foi apanhado de surpresa e o Itamaraty ainda não respondeu. O assessor internacional do Planalto, ex-ministro Celso Amorim, fez um comunicado curto, dizendo que toda colaboração contra o crime é bem-vinda, mas não fez comentários sobre uma possível interferência dos EUA no Brasil, a exemplo do que já acontece na Venezuela.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A declaração do Departamento de Estado é gravíssima. Isso significa que ação dos EUA contra o crime organizado no Brasil passa a ser feita pela CIA, a agência central de inteligência, cujos métodos abusivos de espionagem são bem conhecidos no mundo inteiro. O fato concreto é que o governo brasileiro não combate o crime organizado nem o desorganizado. O país é mundialmente conhecido pela impunidade da corrupção, como se viu com a desmobilização da Lava Jato e com a libertação de Lula, através de uma manobra do Supremo, que tornou o Brasil o único país da ONU que não prende criminosos após condenação em segunda instância. No caso de Lula, ele já estava condenado em terceira instância, por unanimidade, no STJ. Mesmo assim, foi solto e “descondenado”. Esta é a nossa realidade, hoje. (C.N.)

Crise do Master afasta Centrão de Flávio e amplia o risco de seu isolamento político

União-PP e Republicanos tendem a não embarcar na coligação

Lauriberto Pompeu
O Globo

O afastamento de partidos do Centrão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a crise provocada pelas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro tornou as opções de vice para a corrida presidencial mais restritas e reforçou a tendência de uma chapa pura, com a vaga ficando com o PL.

Havia a expectativa que a federação União-PP indicasse a vaga, mas os comandos das duas siglas dizem que hoje um apoio ao senador é considerado cada vez mais remoto. Um movimento para o apoio formal dos dois partidos havia crescido, mas as legendas se afastaram após o escândalo do caso Master atingir o pré-candidato do PL e também o presidente do PP, Ciro Nogueira.

EM RISCO – O dirigente do PP e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, são próximos de Flávio e, ainda que não tivessem ainda garantido um apoio, participavam de perto das articulações envolvendo as alianças com o PL e discutiam opções de candidatos a vice. Flávio teve suas alianças colocadas em risco após ter sido protagonista de uma crise envolvendo o Master.

O desgaste teve início há duas semanas após a divulgação, pelo site Intercept, de conversas e áudios envolvendo cobranças de dinheiro por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para a realização do filme sobre a trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Integrantes da cúpula da federação União-PP temem que novos casos venham a ser revelados e isso também respingue na estratégia dos partidos de tentar crescer na eleição. O principal objetivo das legendas é formar o maior número possível de deputados e senadores e há um receio, caso a campanha se vincule a Flávio, de que isso prejudique essa estratégia.

LIGAÇÕES COM VORCARO – Os próprios presidentes do PP e União Brasil também têm ligações com Vorcaro e poderiam se desgastar mais ainda caso se associassem a Flávio. Há uma crítica de que o pré-candidato do PL não tem sido transparente sobre o que ainda pode ser revelado contra ele e que apoiar Flávio pode ser uma aposta arriscada.

O distanciamento não é ligado diretamente ao desempenho eleitoral do senador nas pesquisas. Há uma avaliação de integrantes desses partidos de que Flávio não é solidário diante do desgaste, também relacionado ao banco Master, enfrentado pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, que chegou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga pagamento de propina, algo que o parlamentar nega.

De acordo com relatos, Ciro está bastante incomodado com Flávio e isso tem influenciado um afastamento de toda a federação dele. Aliados do presidente do PP disseram que Flávio chegou a procurar o aliado por telefone para tentar desfazer o desgaste, mas que não houve abertura para uma reaproximação.

OPÇÕES – Antes da crise, o PP discutia diversos nomes de vice. Entre as opções estudadas estavam a da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que já indicava resistência em compor a chapa mesmo antes da crise envolvendo Flávio e Vorcaro, e a deputada Simone Marquetto (PP-SP).

As discussões sobre candidatura a vice estão indefinidas e ainda não há um nome favorito dentro do PL para o posto. A pré-campanha de Flávio tem mostrado preferência em ter uma mulher como companheira de chapa. O nome da vereadora de Fortaleza Priscila Costa, que é pré-candidata ao Senado, chegou a ser citado. A escolha dela também resolveria uma divergência no palanque de Flávio no Ceará, já que ela disputa a vaga de candidata a senadora pela sigla com o deputado estadual Alcides Fernandes.

Priscila é o nome de preferência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para o Senado, enquanto Alcides, que é pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), tem recebido acenos de Flávio. A própria Michelle tem sido citada como opção de candidata a vice, mas integrantes do PL veem como difícil a possibilidade, já que ela está afastada de Flávio e tem focado nas articulações no Distrito Federal, onde deve disputar uma vaga no Senado.

Lula entrega redes sociais ao PT e prepara ofensiva digital contra Flávio Bolsonaro

Lula reformula estratégia digital e amplia tom político

Catia Seabra
Folha

O presidente Lula terá uma atuação mais combativa nas redes sociais a partir das próximas semanas, com a transferência da gestão de seus perfis para o PT. Hoje a cargo do governo, mais especificamente da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), as contas pessoais de Lula passarão a ser administradas pelo partido, permitindo maior contundência no debate político, sem as amarras impostas ao governo federal.

A estratégia de comunicação mais aguerrida exigirá mudanças no próprio governo, a começar pela saída do secretário de produção e divulgação de conteúdo audiovisual, Ricardo Stuckert. Ao lado de Lula desde 2003, o fotógrafo oficial da Presidência passará a trabalhar para o PT. Stuckert já é o responsável pelos perfis do presidente nas diferentes plataformas, à exceção do X (antigo Twitter). Sob a gestão de um funcionário do governo, as páginas atualmente se restringem basicamente ao relato de agendas oficiais.

FOCO EM LULA –  No PT, os perfis poderão focar mais na imagem de Lula, aderindo à dinâmica da pré-campanha. A consolidação do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário exigiu a antecipação dessa estratégia, segundo auxiliares. Além disso, o engessamento dos perfis de Lula tem sido alvo de críticas de seus aliados. O desligamento de Stuckert está previsto para os próximos dias. No PT, ele trabalhará ao lado de Nicole Briones.

Especialista em comunicação e marketing digital, Nicole coordenou as redes sociais do presidente entre junho de 2017 e dezembro de 2021, quando Lula atingiu a marca de 48% das intenções de voto para as eleições do ano seguinte. No governo, ela foi superintendente de Comunicação Digital e Mídias Sociais da EBC até agosto de 2025 e, em outubro daquele ano, assumiu a coordenação digital do PT, a convite do presidente do partido, Edinho Silva.

Sob a coordenação de Edinho, a ideia será levar o debate político aos perfis de Lula. No ambiente digital, o PT tem dado destaque à imagem do presidente e tem aproveitado para expor a relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Antes da revelação de conversas entre o senador e o ex-banqueiro, Lula e Flávio Bolsonaro seguiam empatados, segundo a pesquisa Datafolha.

VANTAGEM – Na pesquisa mais recente, divulgada na última semana, dias após a eclosão do caso “Dark Horse”, em referência ao nome do filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido dinheiro de Vorcaro, Lula ampliou de três para nove pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival. No cenário do segundo turno, a igualdade virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.

Nas redes sociais, o PT tem explorado notícias sobre o pedido de dinheiro feito por Flávio a Vorcaro, em uma demonstração dessa estratégia mais agressiva. A transferência das contas das redes sociais de Lula para o PT também embute um descontentamento de aliados de Lula com a comunicação digital do governo, comandada pelo ministro Sidônio Palmeira.

No momento de estagnação de Lula nas pesquisas, interlocutores do presidente haviam criticado o trabalho nas redes, questionando, por exemplo, a eficácia de peças centradas em animais. Não está descartada a hipótese de o ministro deixar o governo para assumir a comunicação da campanha de Lula.

INVESTIMENTO EM ANÚNCIOS – A gestão de Sidônio na Secom foi marcada por maior investimento em anúncios nas redes sociais. Em 2025, a verba de propaganda do governo destinada para Google e Meta, que é dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, superou pela primeira vez o valor em anúncios pagos para as redes de televisão do SBT e da Band. Os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela Secom e ministérios no último ano.

A publicidade nas redes tem abordado temas variados, com foco em anúncios regionalizados, que divulgam projetos e ações do governo em cidades ou estados específicos. Os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país, respectivamente, foram priorizados entre outubro e abril deste ano.

Além disso, a publicidade do governo na Meta também envolveu temas como isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, segurança pública, enfrentamento à violência contra mulheres e crianças e o fim da escala 6×1.

Lula abre cinco pontos sobre Flávio no 2º turno após escândalo envolvendo Banco Master

Petista também saiu na frente nos cenários de primeiro turno

Rafaela Gama
O Globo

A nova pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quinta-feira, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma vantagem de cinco pontos percentuais no segundo turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio aos desdobramentos das revelações sobre a relação entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O instituto ouviu 1.500 pessoas entre os dias 23 e 27 de maio e considera a margem de erro de 2,5 pontos para mais ou para menos.

O levantamento mostra o petista com 46,5% das intenções de voto em um cenário de segundo turno estimulado contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que contabiliza 41,4%. Na última rodada, divulgada no início do mês, Flávio tinha 45,3% e aparecia numericamente à frente de Lula, que tinha 44,7%, mas os dois estavam em empate técnico.

PRIMEIRO TURNO – Já no primeiro turno, o presidente também sai na frente (38,5%), seguido de Flávio (31,5%). Os ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas, Romeu Zema (Novo), aparecem abaixo, com 5,5% e 2,4% das intenções de voto, respectivamente, enquanto Renan Santos (Missão) registra 2,1%.

A pesquisa também testou outros candidatos, como o psiquiatra Augusto Cury (Avante), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC), o deputado federal Aécio Neves (PSD), o ex-deputado Cabo Daciolo (Mobiliza), além de Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP|). Somados, eles têm 4,4%.

O levantamento também testou a substituição de Flávio por outros nomes da direita também no primeiro turno, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que marcou 29,6% contra os 38% registrados por Lula. Já a senadora Tereza Cristina (PP) teve 15,9% ante os 38,1% do petista.

AÚDIOS –  A pesquisa também testou a percepção da população sobre os áudios enviados por Flávio ao banqueiro. Questionados sobre o tema, 37,4% responderam que viram ou ouviram “muita coisa” sobre o assunto, enquanto 23% disseram ter visto “alguma coisa” e 10% relataram ter tomado conhecimento do fato, “mas só de passagem, sem detalhes”. Os que não ficaram sabendo da notícia foram 18,2% e 11,4% não souberam ou não responderam.

Entre os que estiveram por dentro da crise, 48% dos entrevistados afirmaram que o caso é grave e merece ser investigado de maneira aprofundada pela Polícia Federal (PF), enquanto 20% discordaram da afirmação. Outros 20% disseram que nem concordam nem discordam.

A maioria (40,6%), no entanto, afirmou que não acredita na justificativa apresentada pelo senador, que argumentou que manteve a relação com o banqueiro para buscar o financiamento do filme biográfico do pai, “Dark Horse”. Por outro lado, 33,4% disseram confiar na versão apresentada por Flávio e 19% responderam que nem acreditam nem desacreditam. Além desses, 7% não souberam responder.