Tarifaço 2.0: o preço político da viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA

Política externa transformada em extensão da disputa doméstica

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Durante anos, a proximidade com lideranças conservadoras estrangeiras foi apresentada pelo bolsonarismo como demonstração de influência, prestígio e capacidade de articulação internacional. O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não inaugurou os questionamentos sobre essa estratégia.

Críticas semelhantes já haviam surgido quando disputas políticas internas passaram a ser projetadas para o ambiente internacional. O episódio, porém, conferiu nova dimensão ao debate ao associá-lo diretamente a potenciais impactos econômicos para o país. Esse é o verdadeiro problema político enfrentado por Flávio Bolsonaro após sua viagem a Washington. Não porque tenha participado da formulação da medida anunciada pela Casa Branca. Tarifas comerciais são instrumentos definidos por governos nacionais segundo interesses econômicos e geopolíticos próprios. Nenhum parlamentar brasileiro possui influência decisiva sobre decisões dessa natureza. O desgaste surgiu em outro plano.

ASSOCIAÇÃO – A coincidência entre a viagem do senador aos Estados Unidos e a imposição de barreiras comerciais contra produtos brasileiros produziu uma associação politicamente desconfortável para um campo que construiu boa parte de sua identidade pública em torno da defesa da soberania nacional.

Na política, fatos e percepções raramente caminham separados. Muitas vezes, a repercussão de um acontecimento é determinada menos por sua origem do que pelo significado que passa a assumir perante a opinião pública. Foi exatamente isso que ocorreu.

Independentemente das razões que levaram o governo americano a adotar a medida, o episódio acabou incorporado a uma discussão mais ampla sobre os efeitos da internacionalização crescente da disputa política brasileira.

ALÉM DAS FRONTEIRAS – A questão não está na manutenção de relações políticas internacionais. Isso faz parte do funcionamento normal das democracias contemporâneas. O ponto de tensão surge quando essas conexões passam a ser associadas à tentativa de ampliar, fora das fronteiras nacionais, conflitos que pertencem ao ambiente político brasileiro.

Durante muito tempo, essa estratégia produziu benefícios evidentes. Para seus apoiadores, reforçava a imagem de um movimento com influência além das fronteiras nacionais. Para seus críticos, representava uma aposta arriscada na busca de apoio externo para fortalecer disputas internas. O tarifaço tornou essa divergência mais visível.

Pela primeira vez de forma tão evidente, a discussão deixou de se concentrar apenas sobre instituições, decisões judiciais ou embates políticos e passou a envolver interesses econômicos concretos. Exportadores, empresas e setores produtivos entraram no centro de uma controvérsia que antes permanecia mais restrita ao debate político.

IDENTIDADE POLÍTICA – É justamente aí que reside a dimensão mais delicada do episódio para o bolsonarismo. Desde sua origem, o movimento transformou patriotismo, soberania e defesa dos interesses nacionais em pilares centrais de sua identidade política. Esses conceitos ajudaram a mobilizar apoiadores, orientar discursos e consolidar uma das narrativas mais poderosas da direita brasileira nos últimos anos.

Por isso, situações que parecem colocar em tensão interesses nacionais e estratégias partidárias tendem a produzir desgaste político. O problema não está apenas nos fatos. Está na dificuldade de conciliar determinadas percepções com uma narrativa construída ao longo do tempo.

A repercussão do tarifaço revelou essa vulnerabilidade. Uma estratégia que durante muito tempo foi apresentada como demonstração de influência passou a ser observada sob uma perspectiva diferente. O debate deixou de girar exclusivamente em torno de acesso, prestígio ou articulação internacional e passou a incluir perguntas sobre prioridades, coerência e responsabilidade política.

PREÇO POLÍTICO – Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos em busca de protagonismo político. Voltou associado a uma discussão muito maior do que aquela que pretendia protagonizar. O verdadeiro preço político da viagem não está na tarifa anunciada por Washington. Está no fato de que o episódio ampliou um questionamento que já vinha sendo formulado por adversários e observadores críticos: quais são os limites de uma estratégia que busca projetar disputas domésticas para o cenário internacional?

Quando uma ação concebida para demonstrar influência passa a alimentar dúvidas sobre soberania, prioridades e interesses nacionais, a controvérsia deixa de ser apenas conjuntural. Ela se transforma em um teste de coerência política. E foi exatamente esse teste que o tarifaço colocou diante do bolsonarismo.

Entre tarifas e cooperação: o difícil equilíbrio da relação Brasil-EUA

Governo brasileiro reagiu com contundência às medidas americanas

Pedro do Coutto

Em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Brasília e Washington, o governo Lula da Silva decidiu apostar em uma estratégia que combina firmeza diplomática e pragmatismo institucional. Enquanto contesta as novas medidas tarifárias anunciadas pelo governo de Donald Trump, o Brasil busca ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate à lavagem de dinheiro, à evasão fiscal e ao crime organizado, numa tentativa de preservar canais de diálogo em um momento de crescente desgaste bilateral.

A iniciativa ganhou destaque após declarações do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, que confirmou a intenção brasileira de aprofundar o intercâmbio de informações com o órgão tributário norte-americano, o Internal Revenue Service.

ACESSO A DADOS – O objetivo é ampliar o acesso a dados sobre patrimônio e ativos mantidos por contribuintes brasileiros no exterior, fortalecendo mecanismos de fiscalização e rastreamento financeiro. A medida também se insere em um contexto mais amplo de cooperação internacional contra organizações criminosas transnacionais e fluxos ilícitos de recursos.

A movimentação ocorre justamente quando os Estados Unidos adotam uma postura mais agressiva em relação à segurança regional. O governo Trump oficializou a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.

A decisão amplia os instrumentos legais disponíveis para autoridades americanas atuarem contra redes financeiras associadas aos grupos, permitindo sanções econômicas, bloqueios patrimoniais, restrições migratórias e maior compartilhamento de inteligência entre agências de segurança.

EFEITOS – Trata-se de uma mudança relevante, que poderá produzir efeitos não apenas no campo criminal, mas também nas relações diplomáticas entre os dois países. Paralelamente, a frente comercial continua sendo a principal fonte de atrito.

Nos últimos dias, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o país não dispõe de mecanismos suficientemente eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Caso a medida seja efetivamente implementada e somada às restrições já discutidas anteriormente, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar barreiras tarifárias significativamente mais elevadas no mercado norte-americano.

O governo brasileiro reagiu com contundência. O Itamaraty classificou a acusação como injustificada e argumentou que o país possui uma das legislações mais avançadas do mundo no combate ao trabalho análogo à escravidão. Além disso, ressaltou que operações de fiscalização realizadas nos últimos anos resultaram em milhares de resgates de trabalhadores submetidos a condições degradantes, demonstrando a existência de mecanismos efetivos de controle e repressão.

SINAL POLÍTICO – Nesse cenário, a ampliação da cooperação tributária com os Estados Unidos assume um significado que vai além da simples troca de informações fiscais. Ela funciona como um sinal político de que Brasília pretende evitar que divergências comerciais contaminem completamente a relação bilateral. Em outras palavras, o governo Lula procura demonstrar disposição para colaborar em temas de interesse comum, mesmo enquanto contesta medidas consideradas protecionistas por parte da administração Trump.

A estratégia, contudo, não está livre de riscos. A aproximação institucional em áreas sensíveis pode ser interpretada por alguns setores como insuficiente para neutralizar a escalada das pressões comerciais americanas. Por outro lado, o rompimento ou enfraquecimento dos canais de cooperação poderia dificultar o combate ao crime organizado internacional, à evasão de divisas e à lavagem de dinheiro, temas que transcendem divergências ideológicas e interesses eleitorais.

EQUILÍBRIO – O desafio brasileiro passa, portanto, por encontrar um equilíbrio delicado. De um lado, defender seus interesses econômicos e contestar barreiras comerciais consideradas injustas. De outro, preservar instrumentos de cooperação que fortalecem a capacidade do Estado de enfrentar organizações criminosas cada vez mais internacionalizadas.

Em tempos de disputas geopolíticas crescentes e de uma agenda econômica marcada pelo protecionismo, a capacidade de separar conflitos comerciais de interesses estratégicos comuns poderá ser decisiva para evitar que a relação entre Brasil e Estados Unidos entre em uma espiral de confrontação permanente.

Mais do que uma discussão sobre tarifas ou fiscalização tributária, o episódio revela uma realidade cada vez mais presente nas relações internacionais contemporâneas: segurança, economia e diplomacia tornaram-se temas inseparáveis. E é justamente nesse terreno complexo que o governo Lula precisará demonstrar habilidade para proteger os interesses brasileiros sem abrir mão das parcerias necessárias para enfrentar desafios globais que nenhum país consegue resolver sozinho.

Flávio Bolsonaro pede ao STF que Moraes seja afastado de casos ligados ao Master

País dividido? Ora, a maioria dos brasileiros ainda está longe da disputa eleitoral

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Até parece que são dois países vizinhos chamados Brasil. Em um deles —menos habitado— só se fala em eleições, especialmente as presidenciais. Jornalistas; acadêmicos e intelectuais em geral; lideranças políticas, no governo e na oposição; dirigentes empresariais e ativistas sociais; formadores de opinião; cidadãos interessados na vida pública, tutti quanti acompanham a cada semana o sobe e desce das pesquisas.

Gostando ou não, parecem acreditar que vivem em um país maior e inapelavelmente cindido entre partidários da centro-esquerda, dominada pela figura do presidente Lula, e os defensores da direita, reunidos em torno do herdeiro de Jair Bolsonaro. No outro Brasil, vive o imenso contingente das pessoas comuns, para as quais as eleições de outubro ainda estão muito longe e não concorrem com as premências do dia a dia.

MOBILIZAÇÃO – Em entrevista a esta Folha, o cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getúlio Vargas, argumenta que a chamada polarização, embora não sendo nem ideológica nem programática, mobiliza afetos intensos. Mas não divide o eleitorado. Segundo ele, a oposição crispada e intransigente entre campos políticos opostos é um fenômeno limitado às elites e à opinião pública educada e informada. Não penetra na imensa maioria da população, alheia à disputa e cujo voto pode pender ou por um lado ou por outro.

De fato, quando questionados sobre em quem votariam se o pleito fosse hoje, sem menção a possíveis candidatos, um número expressivo de brasileiros diz não saber o que faria na boca da urna —39% segundo a pesquisa Datafolha de maio. Os que dão alguma resposta espontânea mencionam nomes conhecidos: o presidente Lula (27%); o ex-presidente Jair Bolsonaro (3%); ou seu eventual herdeiro político (18%).

Dificilmente um país polarizado de alto a baixo teria um contingente tão expressivo de indecisos. A polarização que mais uma vez poderá impelir a sociedade a escolher entre esquerda moderada e direita extremada é na verdade resultado do desenho institucional e de decisões das lideranças políticas.

DIFERENÇAS – A escolha de um presidente em eleições majoritárias com dois turnos leva necessariamente à disputa final dois candidatos, que têm de enfatizar as diferenças que os separam, sejam elas programáticas, de caráter ou de estilo de liderança. Por outro lado, decisões já tomadas neste ano por lideranças à esquerda ou à direita têm produzido uma concentração de candidaturas mesmo antes de serem homologadas pelas convenções partidárias. O presidente Lula e o PT trabalharam para que não surgissem competidores no campo da centro-esquerda.

Do outro lado da cerca, as forças da direita tradicional aceitaram que o bolsonarismo, embora minoritário, se impusesse. Ao lançar dois pré-candidatos politicamente indistinguíveis de Flávio Bolsonaro —os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema—, e desprezando a candidatura centrista de Eduardo Leite, o PSD de Gilberto Kassab só fez adubar a liderança de extrema direita.

Muita coisa ainda pode acontecer, mas se de novo o crispado confronto se der entre a moderação progressista e o extremismo de direita, não se culpe o suposto ânimo sectário da maioria dos brasileiros. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUma importante análise. Como já virou praxe, toda eleição presidencial brasileira só começa a ocorrer depois que acaba a Copa do Mundo, que desta vez termina no dia 19 de julho. No início de agosto, haverá a definição da chapa Caiado/Zema (ou Zema/Caiado), dependendo de quem estiver à frente nas pesquisas. E aí a campanha vai pegar fogo. (C.N.)

Piada do Ano! A AGU aceitará pagar escritório americano para defender Moraes?

Tribuna da Internet | Jornalistas desafiam Moraes e dizem que ele mentiu  sobre suas visitas a Vorcaro

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Se o Barão de Montesquieu ainda estivesse entre nós, ficaria estarrecido ao saber que sua genial teoria do equilíbrio entre os três Poderes estava senso esculhambada numa antiga colônia portuguesa na América do Sul, que ganhara independência em 1822 e se tornaria uma das maiores e mais importantes nações.

Charles-Louis de Secondat, que se tornou Barão de Montesquieu, foi o principal mestre do iluminismo, que revolucionou o pensamento político e possibilitou a consolidação das democracias. Era de família nobre e nasceu no imponente castelo de La Brède, na França, em 1689. Poderia aproveitar a vida, mas preferiu estudar para desenvolver a mente e o espírito.

CARREIRA JURÍDICA – Aos onze anos entrou para o Colégio de Juilly, comandado por avançados padres oratorianos, que ensinavam a doutrina iluminista da época. Aos 16 anos entrou para a faculdade de Direito e dez anos depois foi nomeado magistrado no Tribunal de Bordéus, que presidiu até 1726.

Era muito rico e a partir daí viajou pela Europa e morou em Londres, dedicando-se a estudos de Filosofia, História e Geologia.

De volta a Paris, uniu-se a outros grandes pensadores, como Voltaire e Rousseau, como um dos líderes do Iluminismo, criando em 1748 a teoria da independência e fiscalização dos Três Poderes, numa época em que não existiam democracias, apenas reinados, ditaduras e califados. Tornou-se, assim, o grande inspirador da democracia.

DESMORALIZAÇÃO – Se aparecesse hoje no Brasil, Montesquieu ficaria perplexo com a desmoralização da independência e harmonia entre os Três Poderes. Aqui debaixo do Equador, o Judiciário resolveu mandar em tudo e criar uma espécie de ditadura branca ou falsa democracia.

Sem o menor pudor, a Supremo Corte se intromete abertamente nos outros Poderes e faz o que bem entende, sem que não haja uma forte reação da sociedade. O mais recente episódio ocorreu nesta quinta-feira, dia 4, quando o presidente do STF, Edson Fachin, atendeu a um pedido do ministro Alexandre de Moraes e mandou a Advocacia-Geral da União defendê-lo no processo que o presidente Donald Trump move contra ele nos EUA.

A decisão esculacha a tese de Montesqueu, porque a AGU é um ministério do Executivo e Fachin não tem poderes para comandá-lo. Mas quem se interessa?

TUDO NORMAL? – Com exceção da Tribuna da Internet, a imprensa amestrada publicou a notícia sem maiores comentários, como se a AGU estivesse sob direção de Fachin e tivesse de obedecer a ele.

O ministro da AGU, Jorge Messias, que é tão despreparado quando Fachin, aceitou essa destrambelhada ordem, mas ainda não disse como vai cumpri-la. Na verdade, é uma missão impossível, porque o ministro Jorge Messias terá de encontrar algum advogado da União que tenha se formado nos Estados Unidos e feito o Exame da Ordem na Flórida (Bar Exam).

Se Messias encontrar alguém com tal formação, esse advogado da AGU tem 21 dias para contestar a denúncia, e o prazo começou a correr em 30 de maio.

UMA GRANDE FARSA – Diante dessa impossibilidade, veio à tona uma grande farsa, que a Tribuna da Internet denunciou com exclusividade. Na verdade, Moraes não quer ser defendido pela AGU. Seu objetivo é fazer com que a AGU contrate e pague um caríssimo escritório americano, que já foi contatado por ele.

Essa decisão de Fachin, portanto, é um escárnio e desmoraliza a teoria de Montesquieu, pois demonstra um conluio existente entre os ministros do Supremo, especialmente porque Moraes não precisa de ajuda financeira da AGU.

As declarações de renda e de bens dele e da mulher Viviane Barci exibem uma fortuna superior a R$ 120 milhões, que incluem os R$ 80,1 milhões recebidos do Banco Master. E chegaria a R$ 170 milhões, porque o escritório da família iria receber mais R$ 50 milhões do banqueiro Vorcaro, à vista, caso a negociação com o Banco Regional de Brasília fosse concluída.

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P.S.
Como se vê, o solícito Edson Fachin e o trêfego Jorge Messias, ao colocarem a AGU a serviço de Moraes, não estão atendendo ao interesse público. Pelo contrário, estão fazendo falsa caridade com o dinheiro do povo. Apenas isso. (C.N.)

Vítima de perseguição armada de Zambelli faz vaquinha para processá-la

O jornalista Luan Araújo quer receber R$ 2 milhões

Carlos Petrocilo
Folha

O jornalista Luan Araújo, que sofreu uma perseguição armada de Carla Zambelli (PL) durante a campanha de 2022, tem feito uma campanha de arrecadação pela internet com objetivo de contratar um advogado para ajudá-lo a processar a ex-deputada.

Em uma ação no Tribunal de Justiça de São Paulo, ele requer uma indenização por danos morais de R$ 2 milhões de Zambelli. O objetivo da vaquinha é arrecadar R$ 32 mil, e Araújo acumulava R$ 22,9 mil até a tarde desta terça-feira (2). “Eu criei esta vaquinha por causa da exigência do juiz [de contratar um advogado] para dar início ao processo”, afirma Araújo.

VAQUINHA – Quase quatro anos depois do episódio, o jornalista narra que perdeu “oportunidades profissionais”, “relacionamentos” e a “sanidade”. “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, em liberdade. Enquanto isso, tenho que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais”, diz o jornalista.

A perseguição ocorreu na véspera do segundo turno da eleição de 2022, nos Jardins, em São Paulo.

Após ser presa na Itália em razão deste episódio, ex-parlamentar foi solta em maio, após a Corte Suprema de Cassação, última instância da Justiça italiana, negar autorização para que ela fosse extraditada para o Brasil.

Fux faz autocrítica ao STF e diz que Corte deveria deixar mais decisões para o Parlamento

Fux diz que Congresso não quer pagar ‘preço social’

Fausto Macedo
Felipe de Paula
Estadão

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quinta-feira, 4, que, em muitas situações, o STF deveria deixar o Poder Legislativo decidir sobre os temas.

“A crítica do ativismo judicial ela tem esse equívoco, porque o Judiciário é provocado, ele não age de ofício. Mas muitas vezes, o Supremo Tribunal Federal, no afã de solucionar uma questão, acaba sendo efetivamente invasivo. E, quando nada, ele deveria efetivamente devolver para o Parlamento aquilo que cabe ao Parlamento decidir”, declarou, na abertura do XVI Simpósio de Direito Constitucional, em Curitiba.

ATIVISMO JUDICIAL – Fux tomou posse de uma das cadeiras da Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst) e participou do primeiro painel do evento, com o tema ‘Jurisdição Constitucional e Separação de Poderes’. Ele rechaçou críticas frequentes ao Judiciário em relação ao ativismo judicial por parte dos ministros da Corte. Segundo Fux, o STF tem sido levado a decidir sempre quando é provocado.

O ministro disse expressamente que, em muitos casos, o parlamentar acaba ‘empurrando’ as decisões para os magistrados. “A realidade é que hoje o Parlamento está muito dividido, são ideologias completamente diferentes, não sai nada dali, eles também não querem pagar o preço social das decisões perante o eleitorado”, seguiu o ministro. “Como os juízes não são eleitos, empurra para o Supremo Tribunal Federal e nós somos obrigados a decidir.”

O XVI Simpósio de Direito Constitucional segue até o próximo sábado, com a participação de juristas, magistrados, promotores e procuradores do Ministério Público, advogados, professores, pesquisadores e estudantes de diversas regiões do País.

PL terá R$ 881 milhões e passa a liderar corrida pelo fundo eleitoral

Aliados de Lula pedem aos EUA investigação sobre suposta rede financeira ligada aos Bolsonaro

Não acaba nunca! Servidores da Justiça Federal ganham um novo penduricalho

Tribuna da Internet | Livro critica o excesso de penduricalhos que favorecem as elites dos servidores

Charge do Kemp (humortadela.com.br)

Eduardo Barretto
Estadão

O Conselho da Justiça Federal (CJF) aprovou mais um penduricalho para servidores em cargos de confiança da Justiça Federal de primeira e segunda instância. A gratificação, que já estava em vigor no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal Superior do Trabalho, acrescenta até 15% nos salários. Procurado, o Conselho não respondeu.

O julgamento, que terminou na última sexta-feira, dia 29, foi unânime e aconteceu em plenário virtual, quando não há debates.

PARTICIPANTES – O relator do caso foi o conselheiro Herman Benjamin, presidente do STJ. Fazem parte do CJF o presidente e o vice-presidente do STJ, ministros daquela Corte e os presidentes dos seis Tribunais Regionais Federais (TRFs).

Os conselheiros que deram aval ao penduricalho foram Luis Felipe Salomão (vice-presidente do STJ); Ribeiro Dantas (presidente do TRF-5);Joel Paciornik (ministro do STJ); Messod Azulay Neto (ministro do STJ); Maria do Carmo Cardoso (presidente do TRF-1); Luiz Paulo da Silva Araújo Filho (presidente do TRF-2); Johonsom Di Salvo (presidente do TRF-3); João Batista Silveira (presidente do TRF-4); Roberto Machado (presidente do TRF-5); e Vallisney de Souza (presidente do TRF-6).

Como mostrou a Coluna do Estadão, no ano passado o STJ e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) aprovaram um penduricalho que permite que 958 funcionários das duas Cortes recebam, em dinheiro, o equivalente a quatro dias a mais de trabalho por mês.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A elite da Justiça conseguiu desmoralizar o teto salarial determinado na Constituição e seus integrantes agem como se fossem viciados em penduricalhos, pior do que dependentes químicos, porque para essa falta de escrúpulos não existem sessões do tipo dos Alcoólicos Anônimos, porque eles não se interessam em se curar ou se reabilitar. (C.N.)

Lula vê pouco espaço para reverter decisão de Trump sobre PCC e Comando Vermelho

Gonzaguinha ia à luta e acreditava contribuir para um futuro melhor

Artistas se reúnem para homenagear Gonzaguinha | VEJA RIO

Gonzaguinha com o pai, Luiz Gonzaga

Paulo Peres
Poemas & Canções

O economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945-1991) , mais conhecido como Gonzaguinha, é, sem dúvida, um dos maiores talentos da Música Brasileira em seus diversos estilos populares. Sua obra teve, inicialmente, como característica sua postura de crítica à ditadura, conforme mostra a letra de “E Vamos à Luta”, que fala das pessoas que lutavam contra o regime militar. Essa música foi gravada por Gonzaguinha no LP De Volta ao Começo, em 1980, pela EMI.

E VAMOS À LUTA
Gonzaguinha

Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada

Aquele que sabe que é negro
o coro da gente
E segura a batida da vida o ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro
E apesar dos pesares
Ainda se orgulha de ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim, pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira suada da luta e faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí…

Eu acredito é na rapaziada

Novo tarifaço dos EUA coloca Flávio na defensiva e dá trunfo eleitoral a Lula

Tema está sendo explorado pela esquerda

Andréia Sadi
G1

A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra o Brasil na última terça-feira (2) já é um tema que entrou na pré-campanha e está sendo explorado tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pelos outros pré-candidatos da direita, porque a disputa política é sobre uma pergunta simples: quem vai pagar essa conta?

A nova taxa, que já está sendo chamada de “tarifaço 2.0”, não é um fato isolado. É praticamente um remake da novela que o Brasil já assistiu. Na primeira temporada, o protagonista foi o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele foi aos Estados Unidos em fevereiro de 2025, articulou sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades brasileiras e, logo depois, em julho, veio o primeiro tarifaço.

CUSTO POLÍTICO – Naquele momento, aliados chegaram a comemorar a ofensiva. Depois perceberam que o movimento tinha um custo político e econômico e que a conta poderia acabar chegando para o próprio bolsonarismo — como aconteceu.

Agora, o protagonista do remake é o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele foi aos Estados Unidos em meio à pressão provocada pelos desdobramentos do caso Daniel Vorcaro e queria voltar com uma agenda positiva para seu campo político. A aposta era faturar com a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, apresentar isso como uma vitória política e aumentar a pressão sobre o governo Lula.

Era essa a bagagem da viagem que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) queria trazer para a sua campanha. Só que houve um excesso de bagagem nessa estratégia: o novo tarifaço. E a conta desse excesso de bagagem está em cima da mesa do bolsonarismo. Eles tentam se desvincular do episódio, mas, politicamente, essa separação é difícil.

ASSOCIAÇÃO – Os fatos ficaram colados. E o próprio Donald Trump reforçou essa associação ao republicar a foto da reunião da semana passada, trazendo novamente para o centro do debate quem esteve envolvido nas articulações que antecederam o anúncio: uma espécie de #tbt que assina o nome do tarifaço.

Enquanto isso, o governo Lula explora politicamente o episódio porque considera que recebeu uma oportunidade de bandeja. A estratégia é simples: colar o tarifaço nos Bolsonaro, reforçar o discurso da soberania nacional e convencer o eleitor de que o prejuízo econômico e político tem responsáveis.

No fim, mais do que uma discussão sobre tarifas, a disputa agora é sobre autoria e desgaste. E, neste momento, a fatura do tarifaço está sentada na mesa do bolsonarismo.

Mário Frias pagou R$ 154 mil a empresa ligada a contrato de Wi-Fi sob investigação

Marcha de Jesus foi contaminada pela atuação de políticos em busca de votos

Tarcísio, Flávio Bolsonaro, Guilherme Derrite e Ricardo Nunes na Marcha para Jesus — Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

Tarcísio. Flávio, Derrite e Nunes saíram à caça de votos

Vicente Limongi Netto

Canalhas, cretinos, oportunistas, demagogos. Pingentes do oportunismo e da farsa. Tariflávio Rachadinha, Tarcisio de Freitas, Ronaldo Caiado foram presenças infames e nojentas que marcaram presença para deslustrar a Marcha para Jesus, em São Paulo.

Víboras engomadas que deram as caras imundas na vibrante e respeitada marcha religiosa em busca de votos e holofotes.

FALSOS CRISTÃOS – Os eleitores cansaram dessa escória que não frequenta igrejas, que não sabe rezar um Padre Nosso ou uma Ave Maria. Aparecem para insultar o sangue de Cristo. Acenam, fingem que estão orando. Rezam, sim, pela cartilha maldita da torpeza, como pingentes ordinários da força religiosa de Deus e de Jesus. 

Os abutres Caiado, Tariflávio Rachadinha e Tarcisio de Freitas conseguiram o que queriam. Migalhas dos noticiários das televisões. 

A troupe indecorosa foi embora depois de mais um compromisso sujo e desespeitoso à custa da fé dos milhares de religiosos presentes. Que  realmente dedicam a vida à religião, com respeito e veneração a Deus e Jesus.

EUA oficializam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Decisão foi publicada pelo secretário Marco Rubio

Deu no Estadão

Os Estados Unidos oficializaram a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, em publicação no Diário Oficial americano desta sexta-feira, 5.

A decisão é assinada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Ele havia anunciado a classificação no dia 28 de maio. A medida foi divulgada à revelia do governo Luiz Inácio Lula da Silva, e após pedido expresso e apoio político do pré-candidato de oposição ao Palácio do Planalto e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O governo brasileiro entende que a designação permitiria, no limite, que os EUA promovessem uma operação militar em território nacional.

ENQUADRAMENTO – Apesar de a designação ter sido anunciada após o encontro entre Flávio e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os EUA já estudavam há meses o enquadramento dos dois grupos e mantinham diálogo com o governo brasileiro sobre a intenção de efetivar esse plano.

Na decisão publicada no Diário Oficial, Rubio escreve que PCC e CV “são estrangeiros que cometeram ou tentaram cometer, representam um risco significativo de cometer, ou participaram de treinamento para cometer atos de terrorismo que ameaçam a segurança de cidadãos norte-americanos ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos Estados Unidos”.

SEM AVISO PRÉVIO – O secretário autoriza, sem aviso prévio, o bloqueio de bens e de fundos pertencentes a essas organizações nos EUA. O documento afirma que a designação foi adotada em concordância com a Procuradoria-Geral e a Secretaria do Tesouro dos EUA.

Especialistas ouvidos pelo Estadão manifestam receio sobretudo em relação à insegurança jurídica e a possíveis impactos ao mercado financeiro, uma vez que operações recentes apontam, por exemplo, o elo do PCC com a economia formal. Os pesquisadores afirmam ainda que a decisão pode comprometer a soberania nacional e, na prática, até mesmo dificultar a troca de informações entre os países.

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“Uns três ou quatro meses”: Ciro pediu para permanecer mais tempo em apartamento de Vorcaro

Caiado e Zema confirmam o acordo para lançarem a chapa única em agosto

Por que Caiado e Zema ensaiam aproximação? | Rádio Itatiaia

Caiado e Zema formam uma terceira via muito competitiva

Carlos Newton

A imprensa amestrada está fazendo um comovente esforço para destruir a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro pelo PL, na esperança de possibilitar que o presidente Lula da Silva seja eleito no primeiro turno. Sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. Além disso,a realidade é permeada de nuances que precisam ser levadas em consideração.

A manobra da imprensa amestrada, que vive de verbas públicas e ganha muito dinheiro em anos eleitorais, provenientes de verbas governamentais, é aparentemente acertada, mas traz a ameaça de  funcionar como uma lâmina de dois gumes.

EFEITO COLATERAL – É evidente que essa campanha contra Flávio Bolsonaro está funcionando a contento, porque é um candidato fraco, inexperiente e envolto num passado nebuloso de rachadinhas, negócios imobiliários em dinheiro vivo e lavagem de dinheiro em loja de chocolates, entre outras coisitas mais.

No entanto, a destruição do herdeiro de Jair Bolsonaro pode ter um efeito colateral devastador para Lula, porque pode inflar as candidaturas dos ex-governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas Gerais), ambos reeleitos e bem avaliados pelos cidadãos-contribuintes-eleitores, como dizia Helio Fernandes.

Movido por essa campanha, Lula se recuperou e conseguiu ultrapassar Flávio nas últimas pesquisas. Mas tudo pode acontecer, porque faltam quatro meses para as eleições e o respeitável público ainda está preocupado com a Copa do Mundo, nem entrou para valer no clima de campanha.

CHAPA FORTE – Correndo por fora da nefasta polarização, o importante é que Caiado e Zema (ou vice-versa) estão percorrendo o país e marcando forte presença no noticiário político.

Nesta semana, estiveram juntos no evento de fechamento do importante seminário Eloos Itatiaia/CNN, realizado em Belo Horizonte.

Tanto Caiado quanto Zema confirmaram o acordo da terceira via, mas explicaram que preferem fazer campanhas separadamente. Somente no início de agosto a chapa será formada. Quem estiver à frente nas pesquisas sairá para presidente, e o outro será lançado como vice.

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P.S.
O senador Flávio Bolsonaro, principal nome da oposição a Lula no pleito de outubro, também esteve presente ao evento em Belo Horizonte, mas Caiado e Zema roubaram a cena, com um afinado discurso desenvolvimentista. As próximas pesquisas já deverão apontar o crescimento deles na preferência do eleitorado, mas a briga para valer só começa em agosto, quando termina o prazo de registro das candidaturas. (C.N.)

Desinformação domina debate político e já caracteriza as eleições no Brasil