Acredite, se quiser! Bolsonaro sabia que Michelle gravaria vídeo contra Flávio

Aliados de Flávio veem vídeo de Michelle como munição eleitoral para o PT

Valdemar entra em campo para conter crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro

Empresa da família Zema recebeu benefício fiscal na gestão dele em Minas

André Mendonça determina transferência de Vorcaro para a Papudinha

Lula bate o martelo e PT terá candidatura própria para governo de Minas

Ex-prefeita de Contagem desponta como favorita

Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
Bruna Lessa
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu aval para que o partido tenha uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais. O petista se reuniu na manhã desta quarta-feira com integrantes do diretório mineiro e o presidente do PT, Edinho Silva, para encaminhar o palanque no estado, considerado crucial para a campanha. A expectativa, agora, é que inicie um processo interno de diálogo no PT para definir o nome que representará a chapa.

“O entendimento construído coletivamente reafirma uma resolução decidida há um mês de que o Partido dos Trabalhadores vai apresentar uma candidatura própria em Minas Gerais. As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o estado”, afirmou a presidente do PT estadual, Leninha, em nota divulgada à imprensa após o encontro.

FAVORITA – Desponta como favorita para encabeçar a chapa a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, até então pré-candidata ao Senado. De acordo com interlocutores dela, Marília enfrenta resistência a essa possibilidade, já que teria um caminho considerado mais fácil para ser eleita ao Senado.

A expectativa é que o partido bata o martelo no prazo de uma semana. Marília é considerada favorita por ter tido o melhor desempenho em pesquisas internas. Lideranças petistas consideraram que não há um outro nome do partido que possa garantir um palanque forte para Lula. A definição depende agora de conversas com a ex-prefeita de Contagem.

A conversa nesta quarta destrava o processo de definição do cenário no segundo maior colégio eleitoral do país. A opção preferida de Lula era que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) fosse o candidato ao governo estadual. A tentativa de convencimento do petista, no entanto, foi frustrada e Pacheco indicou que deverá deixar a vida pública ao final de seu mandato, neste ano.

COBRANÇA – Como O Globo mostrou, integrantes do PT vinham cobrando atuação mais incisiva de Lula nesse processo de definição da chapa diante da demora em buscar uma solução. Historicamente, o candidato à presidência que vence no estado costuma ser eleito presidente.

O presidente do PT, Edinho Silva, vinha conduzindo as conversas para a montagem dos palanques. Ele se reuniu com nomes do PSB que passaram a ser considerados alternativas, diante da resistência apresentada por Pacheco. Ele esteve, por exemplo, com o ex-presidente da Fiesp Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar e que recentemente se filiou à sigla.

Além de Minas, ainda há indefinições em outros palanques do petista, principalmente São Paulo. Lula está previsto para se reunir ainda hoje com os ex-ministros Márcio França, Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva —todos cotados para a chapa encabeçada por Haddad ao Palácio dos Bandeirantes. A expectativa é que haja uma definição sobre a vice e as duas candidaturas ao Senado.

PGR defende cautela antes de avaliar punição a Bolsonaro por arma

Após crise com Flávio, Michelle defende a união da direita contra Lula

‘Dark Horse’: Fachin pede uma análise técnica antes de definir o relator para o caso

PGR quer André Mendonça no caso

Mariana Muniz
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pediu uma análise técnica da Secretaria Judiciária antes de decidir qual ministro será responsável por conduzir uma notícia-crime que pede a investigação de uma suposta ligação entre o financiamento do filme Dark Horse, as apurações envolvendo o Banco Master e a atuação internacional do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.

Em despacho desta quarta-feira, Fachin determinou que a Coordenadoria de Processamento Inicial da Corte preste esclarecimentos sobre os critérios de distribuição do caso. A medida foi tomada antes de uma definição sobre a competência para analisar a petição apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).

REDISTRIBUIÇÃO DO CASO – A discussão surgiu após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a redistribuição do caso por prevenção ao ministro André Mendonça. Na avaliação da PGR, os fatos narrados na notícia-crime já guardam relação com investigações em curso sob relatoria de Mendonça no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master.

A notícia-crime foi protocolada por Lindbergh e pedia inicialmente a ampliação do escopo do inquérito relatado por Alexandre de Moraes que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar sustenta que o Supremo deve apurar também uma suposta conexão entre recursos destinados ao filme Dark Horse, valores que teriam sido negociados junto ao banqueiro Daniel Vorcaro e uma campanha internacional por sanções contra autoridades brasileiras e anistia aos investigados pela trama golpista.

Ao analisar o caso, a PGR afirmou que a petição trata de fatos que já são objeto de procedimento específico em tramitação no Supremo, razão pela qual defendeu a redistribuição para o gabinete de Mendonça. Diante desse parecer, Moraes enviou a questão à presidência da Corte para que Fachin definisse a competência. Em vez de decidir imediatamente, porém, o presidente do STF optou por solicitar informações técnicas sobre os critérios de distribuição processual adotados pelo tribunal. Ainda não há data para que o ministro defina a relatoria do caso.

Partido reage contra Michelle e já discute sua saída da direção do PL Mulher

Michelle diz que foi “humilhada” pelo enteado

Bela Megale
O Globo

O vídeo no qual Michelle Bolsonaro expõe desavenças com o PL e com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro foi recebido como uma bomba na legenda.

Uma ala significativa, que inclui lideranças da sigla, passou a defender que Michelle seja retirada da presidência do PL Mulher. “O papel dela seria o de agregar, mas está fazendo o oposto. Não vejo condições de seguir no comando do PL Mulher”, disse à coluna um mandachuva do partido.

NO COLO DE LULA – Outra liderança afirma que a ex-primeira-dama “jogou a eleição no colo do Lula” com o vídeo publicado na noite de quarta-feira (24). Além de dificultar a entrada de Flávio Bolsonaro no eleitorado feminino, ao afirmar que foi “humilhada” e “maltratada” pelo enteado, Michelle tirou o foco da saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo.

“Ao invés de estarmos batendo bumbo no envolvimento de um quadro do governo no escândalo do Master, estamos resolvendo uma crise dentro de casa”, afirmou um dirigente do PL. A avaliação feita pela ala do partido que quer a saída de Michelle do comando do PL Mulher é que a ex-primeira-dama mostra imaturidade política para ocupar um cargo dessa magnitude. Esse grupo defende que até a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal seja reavaliada.

O presidente do PL, no entanto, está tentando colocar panos quentes. Publicamente, Valdemar Costa Neto tem buscado minimizar os efeitos das críticas de Michelle e afirmado que a questão será resolvida.

ACERTO – Há semanas, Valdemar e outros integrantes do partido entraram em campo para tentar convencer Michelle a desistir de emplacar a vereadora Priscila Costa como candidata ao Senado pelo PL. Ao consolidar a aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, o PL acertou que uma vaga na chapa seria indicada pelos tucanos e a outra seria do pai do deputado federal André Fernandes, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE).

O argumento levado à ex-primeira-dama foi de que ela já havia vencido a queda de braço para formar as chapas em Santa Catarina e no Distrito Federal, onde contrariou os interesses da direção do PL e emplacou Carol de Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).

Até a publicação dos vídeos de Michelle, a cúpula do PL acreditava que a ex-primeira-dama aceitaria, mesmo com resistência, a imposição. Michelle Bolsonaro mostrou que não é uma presidente figurativa do PL Mulher e que a sigla precisará dançar conforme a música que ela tocar.

“Jura pela imagem da Santa Cruz do Redentor, pra ter valor a tua jura”, cantava Sinhô

Caricatura de Sinhô, feita por Kalixto

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor carioca José Barbosa da Silva, pianista e violonista, conhecido como Sinhô (1888-1930), é considerado um dos mais talentosos compositores de samba, para muitos o maior da primeira fase do samba carioca. Com letra romântica e queixosa, o samba ”Jura” pede uma promessa de amor.

Sinhô fez a composição num momento de dor de cotovelo, depois de ter visto a mulher que amava nos braços de um outro pretendente. O samba foi gravado, originalmente, por Mário Reis, em 1928, pela Odeon.

JURA
Sinhô

Jura, jura, jura
pelo Senhor
Jura pela imagem
da Santa Cruz do Redentor
pra ter valor a tua jura

Jura, jura
de coração
para que um dia
eu possa dar-te o amor
sem mais pensar na ilusão

Daí então dar-te eu irei
o beijo puro da catedral do amor
Dos sonhos meus, bem junto aos teus
para fugirmos das aflições da dor                 

Após queda de Jaques Wagner, Lula escolhe Teresa Leitão para liderar governo no Senado

Jaques Wagner nega amizade com Vorcaro e afirma que ficou rico por acaso

Charge do Izânio (O Dia/RJ)

Vicente Limongi Netto 

Jaques Wagner finalmente se tocou, mostrou um pingo de decência e deixou a liderança do governo no Senado. O cargo é do Presidente da República, não é do eventual ocupante. Fez marola própria de quem tem culpa no cartório. Mas alega ser um santinho.

Diz que não fez nada de errado, ficou rico por acaso e Vorcaro é um mentiroso. Ou seja, Wagner é inocente e vai fazer campanha na Bahia em busca de reeleição, usando esta toada cretina e mentirosa,

TUDO CERTO – Não fez nada de errado. Nunca recebi dinheiro de ninguém. Tadinho. O povo trabalhador tem que ouvir e conviver com este teatrinho de lorotas, canalhices e empulhação, que levam a classe política para o fundo do poço da indignidade.

Nessa linha de patetices, afrontas ao bom senso e agressões à verdade, eis que surge o medonho Fernando Hadad dizendo que Jacques Wagner é inocente.

O ex=ministro da fazenda não tem autoridade para deitar regra, para falar de moralidade e decência. Essa declaração afrontosa vai afundar mais ainda a candidatura dele, pelo PT,  ao governo de São Paulo.

BOLSONARICES – A política ganha destaque também com novidades no amoroso clã Bolsonaro. Tudo que acontece por lá é digno de pastelões. O chefão, golpista preso, saiu-se com nova pérola.

Depois de tentar arrancar a tornozeleira com fogo de maçarico, declara agora que tirou a arma que tinha em casa porque convive diariamente com três mulheres. Não explicou o motivo de envolver a empregada em mais um episódio patético.

Por fim, dona Michele disse que foi ofendida e humilhada pelo enteado Tariflávio Rachadinha. A queixa da ex-primeira dama renderia bom enredo   para novo filme na unida, singela e pacata família. Prato cheio para programas de fofocas, mas depois ela se arrependeu e desmentiu…

SELEÇÃO RETRANCADA– Subimos mais um degrau em busca da Copa. Foi a melhor partida do Brasil nesta etapa. Mas o meio de campo precisa criar mais, joga muito com toques para os lados. Paquetá foi bom meia, no segundo tempo.

Rayan foi excelente. Mostrou técnica, garra e personalidade. Neymar, Vini Junior e Endrick ensaiaram boas jogadas no ataque. Pena que nossos laterais não saibam apoiar. Abrimos mão de forte opção de ataque, que damos de mão beijada aos adversários.

Racha com Michelle expõe fragilidade da pré-campanha de Flávio e preocupa aliados

Banco Digimais de Edir Macedo e a repetição de um velho roteiro brasileiro

Investidores continuam atraídos pela ilusão do lucro fácil

Pedro do Coutto

A operação da Polícia Federal que colocou o Banco Digimais no centro de uma investigação por supostas fraudes financeiras representa mais um capítulo de uma história que o Brasil conhece bem: a sucessão de escândalos que, periodicamente, abalam a confiança dos cidadãos nas instituições responsáveis por guardar e administrar o patrimônio de milhões de pessoas.

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal, com base em relatórios produzidos pelo Banco Central, os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, transmitindo ao mercado uma aparência de solvência que não corresponderia à realidade. A Operação Miragem resultou em mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos e bloqueio de bens que podem alcançar R$ 670 milhões.

CREDIBILIDADE – O caso ganha ainda mais repercussão por envolver o Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, uma das figuras religiosas mais influentes do país. A notoriedade do nome, entretanto, não altera o ponto central da discussão. O que está em jogo não é a fé de milhões de brasileiros, mas a credibilidade do sistema financeiro nacional e a capacidade dos órgãos de fiscalização de detectar e impedir práticas potencialmente lesivas aos investidores. Até o momento, a instituição afirma estar à disposição das autoridades e colaborar com as investigações.

As suspeitas levantadas pela Polícia Federal indicam que o banco teria recorrido à emissão de títulos com rentabilidades muito acima dos parâmetros normais do mercado para sustentar uma valorização artificial de ativos. Os investigadores apontam semelhanças entre o modelo adotado e práticas já observadas em outros episódios recentes que despertaram preocupação entre reguladores e especialistas do setor financeiro.

CAUTELA –  Embora a apuração ainda esteja em andamento e o direito de defesa deva ser integralmente respeitado, o episódio traz uma reflexão necessária para investidores de todos os perfis. Em um ambiente econômico relativamente transparente, rentabilidades muito superiores às praticadas pelo mercado quase sempre exigem uma dose adicional de cautela.

Não existe mágica financeira. Quanto maior a promessa de retorno, maior tende a ser o risco envolvido. Quando a remuneração oferecida parece desafiar a lógica econômica, o investidor prudente deve perguntar de onde vem aquele ganho extraordinário e quais garantias efetivamente sustentam a operação.

LUCRO FÁCIL – O problema é que, no Brasil, muitos investidores continuam atraídos pela ilusão do lucro fácil. A busca por retornos acima da média frequentemente supera a análise criteriosa dos fundamentos da instituição emissora. Em diversos momentos da história econômica nacional, essa combinação de expectativa elevada e fiscalização insuficiente produziu resultados desastrosos, deixando prejuízos para poupadores, investidores e, em alguns casos, para toda a sociedade.

A investigação envolvendo o Digimais também lança luz sobre um desafio permanente dos órgãos reguladores. Em um sistema financeiro cada vez mais sofisticado, a velocidade das operações muitas vezes supera a capacidade de acompanhamento do mercado e dos próprios investidores. Isso reforça a importância da atuação rigorosa do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários e das forças de investigação quando surgem indícios de irregularidades.

ALERTA – Mais do que um caso isolado, a Operação Miragem simboliza um alerta. Independentemente do desfecho judicial, ela evidencia que a confiança continua sendo o ativo mais valioso do sistema financeiro. Quando essa confiança é abalada por suspeitas de manipulação contábil, superavaliação de ativos ou promessas de rentabilidade incompatíveis com a realidade econômica, os danos ultrapassam os limites de uma única instituição.

O investidor comum talvez não tenha acesso às informações que circulam nos bastidores do mercado financeiro. Mas possui uma ferramenta poderosa de proteção: o bom senso. Em tempos de incerteza, a prudência continua sendo uma estratégia mais segura do que a sedução das promessas extraordinárias. Afinal, a história econômica brasileira demonstra repetidamente que ganhos artificiais costumam produzir prejuízos muito reais.

STM rejeita recurso de Bolsonaro e mantém relator em ação sobre perda de patente

Defesa sustentava que ministro não teria imparcialidade 

Pepita Ortega
Mariana Muniz
O Globo

O Superior Tribunal Militar rejeitou nesta quarta-feira o recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro que pedia o afastamento do ministro tenente-brigadeiro Francisco Joseli Parente Camelo do processo que pode resultar na perda de sua patente de capitão reformado do Exército. Por unanimidade, a Corte castrense manteve decisão individual da presidente, Maria Elizabeth Rocha, que, em março, já havia negado declarar Camelo “suspeito” para atuar no caso do ex-chefe do Executivo.

A defesa de Bolsonaro sustentava que o ministro não teria a imparcialidade necessária para atuar no caso. Os advogados apontam entrevistas concedidas pelo tenente-brigadeiro em 2023, nas quais ele defendeu a punição de militares envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, como fundamento para o pedido de afastamento.

PERDA DO POSTO – O julgamento se deu em meio ao avanço das ações que podem levar à perda do posto e da patente de oficiais condenados por participação na tentativa de golpe de Estado. Caso venha a ser declarado indigno para o oficialato ao final do processo principal, Bolsonaro perderá formalmente a condição de capitão reformado e as prerrogativas associadas à patente militar.

Antes de analisar o recurso de Bolsonaro, o STM discutiu um recurso apresentado pela defesa do almirante de esquadra da reserva Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha. Os ministros analisaram a possibilidade e os limites da produção de provas em ação que também pode resultar em declaração de indignidade ou incompatibilidade para o oficialato.

No caso do almirante, o STM acolheu parcialmente o pedido da defesa e autorizou a produção de parte das provas solicitadas pelos advogados, como declarações de testemunhas em favor de Garnier e apresentação, pelo Comando da Marinha, de registros funcionais de desempenho do militar.

Michelle Bolsonaro posta vídeo e diz ter sido humilhada por Flávio: ‘Entendi que não queria meu apoio’

Defesa da AGU no processo contra Moraes nos EUA tem argumentos inviáveis

Justiça dos EUA autoriza AGU a atuar em ação de empresa de Trump contra Moraes | Jovem Pan

Moraes pensou que poderia dar ordens à Justiça dos EUA

Carlos Newton

No processo movido nos Estados Unidos pelas empresas Rumble e Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a atuação da Advocacia-Geral da União está necessitando de tradução simultânea.

Em nota oficial,  a AGU anunciou nesta terça-feira (23) “uma importante vitória”, mas já era esperado que a juíza federal Mary Scriven aceitasse a participação da AGU na condição de “terceiro interessado”, por se tratar de ação judicial contra integrante da Suprema Corte de uma nação que desde sempre mantém relações diplomáticas com os Estados Unidos.

SERIA GRAVE ERRO – Em qualquer país, raramente os tribunais recusam a participação de ”terceiro interessado”, porque essa decisão pode configurar cerceamento de defesa. Além do mais, nesse caso específico, desconhecer o direito de participação da AGU no processo seria também um grave erro diplomático.

A ação judicial aberta na Flórida é sui generis. Acredita-se que nunca houve nada igual. Justamente por isso, a juíza resolveu admitir a intervenção do governo brasileiro na ação judicial e suspendeu o exame da revelia contra Moraes, solicitada pelas empresas americanas que o processam.

A ação agora entra em nova fase – a réplica. Ou seja, as empresas Rumble e Media Trump têm prazo até 7 de julho para responder aos argumentos da defesa apresentada pela AGU.

VAI A JULGAMENTO – Em seguida, se não houver apresentação de novas provas, que podem ser refutadas ou não, o processo fica concluso para julgamento e a juíza vai apresentar sua decisão de primeira instância.

Nesta terça-feira, a AGU distribuiu à imprensa um texto comemorativo, como se fosse “uma importante vitória” o recebimento de sua contestação pela Vara na Flórida. Porém, não foi tanto assim. A juíza Mary Scriven apenas cumpriu a praxe processual.

Na verdade, a defesa de Moraes, que apresentada pelo escritório norte-americano Foley Hoag LLP, contratado pela AGU, apresentou uma contestação genérica e pouco consistente, com base apenas na questão da soberania nacional.

ARGUMENTO FRACO – A AGU sustentou que decisões judiciais do STF brasileiro não poderiam ser questionadas perante tribunais de outros países. Destacou que “a submissão de atos jurisdicionais soberanos à apreciação de cortes de outros países implica grave ofensa à imunidade de jurisdição, princípio consagrado no Direito Internacional e na legislação federal dos Estados Unidos, e pode representar uma ofensa à soberania nacional e à independência do Poder Judiciário brasileiro”.

O argumento da AGU chega a ser infantil, porque a imunidade de jurisdição não é um princípio incontestável e nem deveria ser utilizado na caso em questão.

De acordo com a Teoria da Imunidade, vigente no Direito Internacional, a proteção às decisões do Supremo brasileiro não pode ser absoluta. Aliás, o próprio STF firmou jurisprudência de que atos ilícitos praticados por Estados estrangeiros que violem  os direitos humanos não possuem imunidade de jurisdição.

PONTO-CHAVE – A questão principal do processo é o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter determinado que as plataformas de vídeo e as redes sociais americanas retirassem da web, nos Estados Unidos, as postagens já feitas por diversos opositores do atual governo brasileiro, e impedissem que fizessem novas inserções, o que configura censura prévia nos EUA.

Outro ponto-chave foi desrespeito aos direitos humanos, porque Moraes determinou a prisão desses opositores nos Estados Unidos e a extradição deles para o Brasil, decisões tão estapafúrdias que foram ignorada pelo FBI e pela Interpol.

Trocando em miúdos, a AGU ainda não tem motivos para comemorar a grande vitória, porque as empresas Rumble e Trump Media ainda vão expor seus motivos e apresentar provas adicionais, antes de haver o julgamento da questão.

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P.S.O problema de Moraes é o temperamento ditatorial. Ele até hoje não entendeu que não deveria ter determinado que a Justiça dos EUA cumprisse suas decisões emitidas em nome do Supremo. Ao contrário, ele apenas poderia ter informado os acontecimentos à Justiça americana e pedido as providências necessárias. Há uma diferença enorme entre pedir e exigir, mas o ministro não consegue fazer distinção entre uma coisa e outra. (C.N.)

Investigação da PF contra Jaques Wagner favorece bolsonarismo nas redes

Seleção se classifica fácil, mas Ancelotti segue escalando um time retranqueiro

Ancelotti já entregou o que a torcida do Brasil espera? Veja monitoramento  | CNN Brasil

Desde o início, Ancelotti escala sempre um time superdefensivo

Carlos Newton

Com 3 a 0 no jogo da classificação, Neymar e Endrick em campo no final, a galera foi à loucura e renovou as esperanças. É claro que existe possibilidade de ganharmos a Copa, porque hoje o futebol é muito parelho e retrancado. As seleções favoritas também não estão com essa bola toda e podem ser vencidas

O primeiro tempo de todos os jogos é quase sempre chatíssimo, com poucas jogadas de perigo. Enquanto há fôlego, os atletas se exaurem em campo, correndo de um lado para o outro, em marcações de ferrolhos praticamente impenetráveis.

DEPOIS, MELHORA – No segundo tempo, o cansaço bate, a correria diminui e o jogo melhora bastante. Surgem mais contra-ataques, lançamentos e jogadas individuais ou de tabelinhas. Lembra até o futebol de antigamente, bem mais artístico e criativo.

O que deve ser analisado hoje é se o Brasil melhorou, o que parece difícil de perceber, porque a Escócia não existe no futebol. Produz o melhor destilado do mundo, realmente incomparável, não há Jack Daniels que chegue perto, mas a seleção escocesa é muito fraca.

O jogo desta quarta-feira nem pode ser considerado teste para o time brasileiro, e o adversário somente serviu para treinar um time que ainda não se encontrou em campo. 

ESCÓCIA INOPERANTE – O primeiro tempo foi patético. Alisson, o extravagante goleiro do Brasil, poderia ter tirado um cochilo deitado na rede, porque não faria diferença.

No primeiro tempo, os escoceses não conseguiram acertar nenhum chute a gol, embora quase tivessem empatado o jogo, quando estava 1 a 0 e eles conseguiram uma série de escanteios seguidos, todos eles batidos da mesma maneira e com muito perigo. É a única jogada ensaiada deles.

No segundo tempo, quase fizeram gol em escanteio, mas Alisson salvou, numa de suas raríssimas intervenções, porque a Escócia não ameaçou e o placar a nosso favor poderia sem bem mais dilatado.

É PRECISO MUDAR – Ainda não se pode confiar na escalação preferida por Ancelotti, que está inseguro e retranqueiro. Vini Junior (ele, sempre ele) fez a diferença, mas o time só jogou bem melhor no final do segundo tempo, quando fez vários ataques perigosos e chegou ao 3 a 0.

Rayan jogou bem, mas Luiz Henrique é bem melhor do que ele na ponta direita. Casemiro ainda não deu o ar de sua graça nesta Copa, deveria ser substituído por Martinelli, um craque em ótima fase.

Os dois laterais (Douglas Santos e Danilo) são muito fracos e não sabem apoiar o ataque. Seria melhor improvisar, como Zagallo fez em 1970, ao colocar o meia Piazza como zagueiro e Rivelino na ponta-esquerda. Assim, Ancelotti poderia escalar Leo Pereira na lateral esquerda e Éderson na lateral direita. Com isso, fortaleceria o ataque, sem enfraquecer a defesa.

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P.S.-
Vamos torcer, vamos vibrar. Se um retranqueiro nacional como Luiz Felipe Scolari trouxe o penta, porque o retranqueiro italiano Carlo Ancelotti não poderá nos trazer o hexacampeonato. Afinal, o futebol é uma caixinha de surpresas. (C.N.)