Lula fortalece palanque em São Paulo e amplia pressão sobre Flávio Bolsonaro

Jaques Wagner se diz perseguido pela PF, que tenta recriar a Lava Jato…

Campanha de Flávio Bolsonaro teme que STF esvazie papel do TSE nestas eleições

Pesquisas independentes contestam a liderança absoluta de Lula na campanha

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Labirinto das pesquisas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Carlos Newton

Temos afirmado aqui na Tribuna da Internet que as pesquisas eleitorais no Brasil não merecem confiabilidade, porque a compra e venda de resultados tornou-se um dos melhores negócios do momento. Para confirmar essa denúncia, basta fazer uma comparação entre os últimos levantamentos dos institutos, que gostam de ser chamados assim, vá lá.

Como todos sabem, a imprensa segue as pesquisas como se fossem previsões de Zaratustra, o célebre profeta grego que o filósofo Nietzsche e o psiquiatra Jung gostavam de citar, misturando chiclete com banana. Mas o que há de manipulações nas pesquisas não é brincadeira, num excelente negócio que movimenta milhões de reais por semana.

DOIS TIPOS – A melhor comparação a ser feita é entre as pesquisas que são patrocinadas por alguma entidade ou empresa e as que são bancadas pelos próprios institutos.

Nas duas últimas semanas, surgiram importantes levantamentos sem patrocinador, que entram em choque com os resultados das pesquisas encomendadas, digamos assim, que sempre colocam Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro ganhando todos os demais em qualquer turno, com grande facilidade.

Mas como isso pode acontecer se Lula e Flávio são repudiados em todas as pesquisas, inclusive as patrocinadas, como a Datafolha, em que o atual presidente é rejeitado por 46% dos eleitores e o rival chega a 48%?

ALTÍSSIMA REJEIÇÃO – Nas pesquisas sem patrocínio, a rejeição a Lula dispara, como no levantamento do instituto francês Ipsos-Ipec, um dos maiores do mundo, em que 56% dos brasileiros não confiam em Lula.

Nesta quinta-feira, dia 25, a Pesquisa Poder360, também sem patrocinador, aponta que Lula caiu para empate técnico no segundo turno contra quatro candidatos – Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e até Joaquim Barbosa, que mal entrou em cena.

Um resultado semelhante é indicado pelo instituto Gerp, também sem patrocínio, que traz Flávio Bolsonaro à frente de Lula, com empate técnico do petista em relação a Caiado (39% a 38%) e também a Zema (39% a 36%).

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P.S.
Fica claro, portanto, que existe uma diferença básica entre as pesquisas com ou sem patrocínio. Não há como provar que exista manipulação, mas os indícios são muito consistentes. Quando a Copa acabar, as manipulações vão diminuir, porém não há como evitá-las. O TSE está até tentando regulamentar as pesquisas, porém é muito difícil,  porque vivemos num país livre, e a liberdade tem suas esquisitices, digamos assim. (C.N.)

Lula quer ampliar investimentos em defesa e diz que Brasil não pode ser pego de surpresa

Lula diz que ‘está cheio de maluco no mundo’

Bruna Lessa
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o Brasil precisará ampliar os investimentos em defesa e construir um projeto estratégico de longo prazo para as Forças Armadas.

Segundo ele, o país precisa estar preparado diante do cenário de instabilidade internacional e não pode ser “pego de surpresa”. Durante a cerimônia de lançamento e batismo da Fragata “Cunha Moreira”, em Itajaí (SC), o presidente disse que há “muita gente maluca no mundo” e citou as declarações do presidente dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá para defender que o Brasil esteja preparado para se proteger.

PEGO DE SURPRESA – “Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu não quero constatar que eu não tenho nada. Eu tenho que me cuidar. (…) Tá cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá, o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”, disse.

Lula afirmou que o país precisa construir um projeto estratégico de defesa e destinar recursos para colocá-lo em prática: Tenho dito em todas as conversas que tenho tido com meus comandantes: nós precisamos construir um projeto estratégico e vamos ter que ter dinheiro para colocar esse projeto em andamento. Fará parte do meu programa de governo a questão da defesa”, declarou.

Segundo o presidente, o Brasil não pode tratar a defesa apenas como reposição de equipamentos antigos e deve considerar a área como uma prioridade nacional: “Não é possível um país do tamanho do Brasil não colocar a defesa como uma coisa extremamente urgente e prioritária. A gente não pode discutir defesa apenas repondo aquilo que estragou. É preciso que a gente defina um projeto de que país a gente quer e que defesa precisamos para garantir esse país”.

Nem Lula nem Flávio: o voto feminino decisivo de 2026 ainda está em disputa

Ensino público não melhora porque é boicotado pela elite que domina o país

A QUALIDADE DO ENSINO PÚBLICO BRASILEIROFernando Schüler
Estadão

“Porque funciona”, me responde o professor, em um tom pausado e reflexivo. Ele trabalha no Liceu Sagrado Coração de Jesus, no centro de São Paulo, muito próximo do que um dia foi a cracolândia, de triste memória. A pergunta que lhe fiz era simples: se aquela escola funciona bem, entre as melhores da rede municipal de São Paulo, por que há tanta gente contra, com processos de partidos políticos, de um órgão de Estado, dos sindicatos?

“Esta escola mostra algo que ninguém quer enxergar”, completou o professor, “como um modelo simples de parceria do governo com uma escola confessional, católica, particular, pode funcionar muito bem. O que é inaceitável para muita gente”.

ESCOLA PÚBLICA – Participei deste diálogo em uma tarde quente de segunda-feira, no centro de São Paulo, numa visita ao Liceu. A escola ia fechar. O centro de São Paulo havia ficado pouco atrativo para uma grande escola privada.

A Prefeitura entrou em campo e fez o óbvio: um contrato para que pouco mais de 500 alunos da rede pública pudessem estudar ali. A partir daí, tudo mudou.

O Liceu, uma escola católica com 140 anos, que formou uma parte significativa da elite paulistana, no passado, agora se dedica a alunos da rede pública. É uma escola pública não estatal. Não há um funcionário público na escola. Mas ela é gratuita e 100% voltada aos alunos da rede, oriundos de famílias de menor renda.

GRANDE CHANCE – São famílias que não teriam como pagar uma escola privada. Mas agora têm esta chance. Muitos mais poderiam ter a mesma oportunidade. Só não têm por que uma elite algo bizarra joga contra. Com toda força. E é sobre isto que precisamos falar.

Qual é o segredo da escola? Nenhum. Apenas gestão. As aulas começam e terminam no horário, não há aulas faltantes, mas há disciplina, segurança e um sentido de ordem. Isso e a tradição salesiana. Basicamente o que existe em escolas confessionais, sejam católicas ou protestantes.

De tudo, o que mais me impressiona é a inexistência do “absenteísmo”. O TCE-SP mostrou que até 11% das aulas da rede estadual foram afetadas pelo absenteísmo, com mais de três aulas por semana prejudicadas.

MENOS FALTAS

– Outro estudo mostrou um padrão médio de 30 faltas a cada 200 dias letivos no ano. Não é um padrão muito diferente do que se observa Brasil afora, nas redes estatais de ensino. É uma ferida aberta que nenhum pai ou mãe tolerariam para seus filhos, em uma escola privada. Mas que fazemos que não existe, quando se trata dos filhos dos mais pobres, em sua maioria alunos negros, nas redes estatais.

Pois digo que é simplesmente impossível obter qualidade em um sistema com esta ferida aberta. No Liceu, os professores não faltam, ou faltam muito pouco, em função do sistema de incentivos. Todos são celetistas, demissíveis a qualquer momento, e alguma ausência eventual, por razões bem-justificadas, é automaticamente coberta por um professor substituto.

DIREITO DE TODOS – São coisas simples que acontecem em qualquer escola particular. E que deveriam funcionar como um direito para todos, independentemente de renda ou cor da pele, se o país de fato se levasse a sério.

Na prática, o que precisamos é fazer com que os incentivos trabalhem para todos, no Brasil, e não apenas para quem pode pagar, no mercado de educação.

O Liceu Coração de Jesus é um dos nossos poucos exemplos similares ao que os americanos chamam de “charter schools”. Na prática, gestão particular com foco público, atendendo aos alunos de menor renda. Dizendo de outra maneira: direitos similares, para quem tem mais ou menos renda.

APROXIMAÇÃO – Não é um acesso igual, pois há escolas de elite. Há muita variação na qualidade da oferta educacional, seja na rede pública ou privada. Mas é uma aproximação simples e objetiva, que está a nosso alcance fazer.

Nos Estados Unidos, o pesquisador David Griffith comparou as faltas de professores nas redes públicas tradicionais e nas charter schools e obteve a mesma lição: nas redes tradicionais, 28,3% dos professores faltam mais de dez dias letivos no ano; no modelo charter, 10,3%.

Em todas as 10 maiores cidades americanas e em 34 dos 35 estados pesquisados, professores das redes públicas faltam mais do que os professores das escolas charter. E as razões são as de sempre: os “direitos’ barganhados pelos sindicatos, a vulnerabilidade política dos governos, a estabilidade no emprego do funcionalismo, a desmotivação com a estrutura pública tradicional.

DESIGUALDADE – Por estes tempos, li mais uma dessas tantas matérias na imprensa dando conta que nossa educação pública produz “desigualdades em série”. A matéria, curiosamente, colocava a “culpa” por este estado de coisas nos próprios alunos. Afinal, eles seriam pobres, seus pais não incentivariam a leitura ou o estudo em casa e coisas assim.

Nenhuma palavra sobre o abismo brasileiro entre os 15% ou 20% de alunos de famílias que podem pagar uma escola privada de média ou boa qualidade, e os cerca de 80% que estão presos a um sistema estatal que, na média, entrega apenas 5% de aprendizado adequado em matemática, ao final do ensino médio.

Um abismo que de fato separa os que tem menos e mais renda e que é marcado pela cor da pele. Não porque os alunos não podem aprender, mas porque a escola não ensina. Nossa desgraça, lá no fundo, é que quem decide sobre os rumos de nossa educação pública sabe perfeitamente disso. Sabe, mas está protegido pelo mercado.

ELITE PROTEGIDA – A elite sabe que pode comprar a escola boa para os seus. E pode combinar isso com a retórica eterna de um sistema estatal que não funciona, mas cuja conta é paga pelos filhos dos outros.

Digo que nossa elite que comanda a educação pública deveria ter vergonha. Ela tem à disposição a chance de melhorar de verdade a vida dos alunos mais pobres, mas não se move. Insiste na mesma retórica de sempre, enquanto o Brasil segue patinando em matemática no PISA, da OCDE, com resultados baixos e praticamente estagnados.

 

É por isso que a lição que vem do velho centro de São Paulo tem um significado. Muita gente quer fazer com que aquela experiência simplesmente desapareça. Para que ninguém imagine que exista uma alternativa ao status quo da educação pública brasileira. Mas ela existe. Somos apenas nós, neste mundo desigual e estranhamente confortável, que não prestamos a devida atenção.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo de Fernando Schurer, enviado pelo comentarista Duarte Bertolini, sempre atento. O texto exibe a derrocada do ensino público. Neste ponto, o editor da Tribuna é radical. Educação e saúde precisam ser obrigações do Estado. Enquanto houver esse abismo entre os que podem pagar pela educação e pela saúde e os que são obrigados a recorrer aos serviços públicos, o Brasil jamais poderá ser considerado uma democracia. Simples assim. (C.N.)

Galípolo assume falha na comunicação do Copom após reação negativa do mercado

Michelle e Flávio mostram que a política brasileira vive uma fase de mediocridade

MICHELLE X FLÁVIO: BRIGA DE FOICE NO CLÃ Clãs, como as máfias, não operam por projetos de país, não debatem democraticamente programas e divergências, não se movem por ideias e causas. Tudo

Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Comentarista político tem que ficar atento, ao analisar fatos significativos que contribuam para a grandeza da atividade pública.  O lado desagradável e penoso é que também não pode deixar de observar contornos rasteiros que desmascaram medíocres e hipócritas.

Há canastrões e idiotas que não merecem ser citados como personagens da boa política. Pois usam o espaço público para lavar a roupa suja de suas vidas. Como o senador Flávio Tariflávio e a deslumbrada madrasta Michelle.

TUDO EM FAMÍLIA – Em plena campanha, os dois resolveram mostrar as garras imundas. Michelle exige mais espaços. Não importa os meios. Se diz insultada pelo enteado, que se apressou a pedir desculpas. Percebeu ou foi alertado de mais uma burrada do estoque pessoal de asneiras. Que parece que não acabará nunca. 

Tudo indica que Michelle tenta convencer o maridão que ela é melhor candidata para disputar com Lula o pleito de outubro, do que o Flávio achocolatado.

Michelle agora não se satisfaz apenas com a disputa ao senado. Quer tirar Flávio do retrovisor.  Está em jogo o legado do medonho clã Bolsonaro.

PRODUÇÃO ESMERADA – O vídeo melodramático de Michele, na sede do PL, foi produzido por profissionais. Tudo medido e estudado. Mesa arrumada e elegante. Atrás de Michele, diplomas do maridão, golpista condenado e preso. O maior deles é o da omissão e deboche de Bolsonaro à importância das vacinas contra a Covid, pandemia que resultou na morte de 700 mil brasileiros.

Outro diploma significativo destaca os palavrões e insultos de Bolsonaro a jornalistas e deputadas. São muitos diplomas na parede iluminada atrás de Michelle.

Ela insiste em ser a figura principal para exaltar o estupendo legado do ex=presidente. Outro diploma memorável, para ser guardado no peito para quem aprecia imbecilidades, é o da reunião de Bolsonaro com embaixadores estrangeiros acusando fraudes nas eleições.

NA CAMPANHA – É notável a extensão do legado podre do clã Bolsonaro, que os candidatos da esquerda vão recordar nas eleições de outubro.

A próxima tarefa do presidente do PL, Waldemar Costa Neto, depois do estrago causado pelo vídeo de Michele, é unir os dois brigões. Abraçados com sorrisos de hienas e juras de amor e paz.

É mais um vídeo para a galeria dos cretinos. Será a água suja da lama escorrendo para o esgoto da farsa bolsonarista.

Lula intensifica ofensiva no Rio para explorar fragilidade política de Flávio

Fachin entrega a Mendonça investigação sobre Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse

Flávio Bolsonaro amplia sua ofensiva internacional e busca apoio de Milei

“Por uns velhos vão motivos, somos cegos e cativos, no deserto do universo sem amor”

Taiguara: álbuns, músicas, shows | Deezer

Taiguara, um compositor de raro talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor Taiguara Chalar da Silva (1945-1996), nascido no Uruguai durante uma temporada de espetáculos de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva, foi um dos melhores compositores da MPB e considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar, tanto que teve, aproximadamente, 100 músicas vetadas, razão que o levou a se autoexilar na Inglaterra em meados de 1973.

UNIVERSO NO TEU CORPO
Taiguara

Eu desisto,
Não existe essa manhã que eu perseguia,
Um lugar que me dê trégua ou me sorria,
Uma gente que não viva só pra si.

Só encontro
Gente amarga, mergulhada no passado,
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi.

Por uns velhos vão motivos,
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor.
E é por isso que eu preciso
De você, como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor.

Vem comigo,
Meu pedaço de universo é no teu corpo.
Eu te abraço, corpo imerso no teu corpo,
E em teus braços se une em versos a canção.

Vem que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo.
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos.
São teu corpo amante amigo em minhas mãos.
São teu corpo amante amigo em minhas mãos.

Na guerra das celebridades, Lula mobiliza a MPB, Flávio aposta no sertanejo

Críticas de Gilmar a Mendonça ampliam embate no Supremo em torno do caso Banco Master

Vídeo de Michelle pode causar um estrago maior que caso Dark Horse

Duas crises, um mesmo sintoma: o desgaste dos polos que dominam a política

Governo e oposição enfrentam simultaneamente crises

Pedro do Coutto

A política brasileira entrou em uma fase peculiar. Pela primeira vez em muitos meses, governo e oposição enfrentam simultaneamente crises capazes de produzir efeitos eleitorais relevantes. Embora de naturezas distintas, os episódios envolvendo o senador Jaques Wagner e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro revelam um problema comum: a dificuldade dos dois principais campos políticos do país em manter a unidade interna e preservar sua credibilidade diante do eleitorado.

No campo governista, a saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado era praticamente inevitável após a operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre o Banco Master. Wagner não foi condenado nem denunciado formalmente, mas tornou-se alvo de uma investigação que passou a ocupar o centro do debate político nacional. A decisão de deixar a liderança ocorreu após reunião com o presidente Lula da Silva, numa tentativa evidente de reduzir os danos políticos provocados pelo caso.

PROXIMIDADE COM LULA –  O episódio é particularmente sensível para o Palácio do Planalto porque Wagner não é um aliado qualquer. Trata-se de um dos mais próximos colaboradores de Lula nas últimas décadas, figura central na construção política do PT na Bahia e peça estratégica na articulação do governo no Congresso. Sua saída representa mais do que uma mudança administrativa. É um reconhecimento tácito de que a investigação produziu um custo político elevado demais para ser ignorado.

Além disso, o caso possui uma dimensão simbólica importante. Até então, o escândalo envolvendo o Banco Master atingia figuras de diferentes correntes políticas. Quando um dos principais aliados do presidente passa a integrar o foco das investigações, a narrativa deixa de ser um problema periférico e passa a atingir diretamente o núcleo do poder. Mesmo que Wagner consiga comprovar sua inocência, o desgaste político já está instalado. Em ano eleitoral, a simples associação entre governo e suspeitas de favorecimento institucional produz efeitos que dificilmente podem ser neutralizados apenas por declarações de apoio.

Mas se a situação do governo é delicada, a crise da oposição talvez seja ainda mais complexa. A declaração de Michelle Bolsonaro de que é tratada “como se fosse idiota” e de que teria sido desrespeitada por Flávio Bolsonaro expõe algo que o bolsonarismo sempre procurou esconder: a existência de disputas internas pela liderança do movimento conservador pós-Jair Bolsonaro.

QUESTIONAMENTOS – A gravidade da situação não está apenas no conflito familiar. Em política, divergências privadas podem ser administradas. O problema surge quando elas se tornam públicas e atingem diretamente a imagem de um candidato presidencial. Ao afirmar que foi maltratada e desrespeitada por Flávio Bolsonaro, Michelle não faz apenas uma crítica pessoal. Ela questiona atributos fundamentais para quem pretende ocupar o Palácio do Planalto: capacidade de liderança, habilidade de diálogo e equilíbrio político.

O impacto potencial dessa crise é significativo porque Michelle Bolsonaro não é uma figura secundária dentro do eleitorado conservador. Ao longo dos últimos anos, construiu uma base própria de apoio, especialmente entre mulheres, evangélicos e setores mais moderados da direita. Seu capital político transcende a condição de ex-primeira-dama. Por isso, qualquer atrito público entre ela e o principal nome do bolsonarismo para a sucessão presidencial pode produzir efeitos eleitorais concretos.

CONCILIAÇÃO – É verdade que Michelle posteriormente adotou um discurso conciliador, afirmando não ter raiva de ninguém e defendendo a união do grupo para enfrentar o governo Lula. Ainda assim, o episódio deixou evidente que as disputas internas existem e que a construção da candidatura de Flávio Bolsonaro está longe de ser um processo consensual.

O que torna o momento particularmente interessante é que nenhuma das duas crises oferece vantagens imediatas ao adversário. O desgaste de Jaques Wagner cria dificuldades para o governo, mas a turbulência no bolsonarismo impede que a oposição capitalize plenamente essa fragilidade. Da mesma forma, o conflito entre Michelle e Flávio expõe fissuras na direita, mas não elimina os problemas enfrentados pelo Palácio do Planalto.

O eleitor observa um cenário em que os dois principais polos da política nacional demonstram vulnerabilidades. O governo enfrenta questionamentos decorrentes de investigações que alcançam figuras centrais de sua estrutura. A oposição convive com disputas internas que colocam em dúvida sua capacidade de apresentar uma frente unificada para a disputa presidencial.

DESGASTE NATURAL – Talvez essa seja a principal mensagem dos acontecimentos recentes. Mais do que crises isoladas, eles revelam o desgaste natural de grupos políticos que passaram anos organizando a vida pública brasileira em torno de uma polarização intensa. Quando as disputas deixam de ocorrer apenas entre adversários e passam a surgir dentro dos próprios campos políticos, o sinal emitido ao eleitor é claro: a estabilidade interna, muitas vezes apresentada como força, pode ser mais frágil do que aparenta.

À medida que a campanha eleitoral se aproxima, a questão central deixa de ser qual dos lados atravessa a maior crise. A pergunta que realmente importa é qual deles conseguirá administrar melhor suas próprias contradições. E, neste momento, a resposta ainda está em aberto.

Gonet rejeita delação de ex-presidente do BRB por falta de provas inéditas

PGR determinou o arquivamento do pedido

Mariana Muniz
O Globo

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pelo ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, um dos investigados na Operação Compliance Zero. Em decisão assinada nesta quinta-feira, Gonet concluiu que a colaboração não atenderia aos requisitos legais por não trazer elementos relevantes para o avanço das investigações.

Segundo o procurador-geral, a proposta possui “reduzida utilidade e débil eficácia potencial para os fins a que deveria servir”. Para ele, os fatos apresentados pelo investigado não têm caráter inédito e, em sua maior parte, já são de conhecimento das autoridades responsáveis pela apuração.

REUNIÃO RESERVADA – Na decisão, Gonet afirma que Paulo Henrique Costa apresentou, por meio de seus advogados, uma proposta de esclarecimentos sobre diferentes frentes investigativas, alegando que seriam desconhecidas das autoridades e úteis à investigação. O ex-presidente do BRB também pediu a realização de uma reunião reservada para dar início às tratativas do acordo.

Ao analisar o pedido, porém, o chefe da PGR concluiu que os tópicos apresentados “já permitem a conclusão sobre a ausência de ineditismo, na sua parte mais expressiva”. Segundo ele, mesmo considerando que a proposta foi apresentada de forma superficial em razão da inexistência de termo de confidencialidade, ela não revelou fatos capazes de justificar a celebração de um acordo de colaboração premiada.

RESSARCIMENTO – Outro ponto destacado por Gonet é que a proposta não apresenta sequer uma sinalização mínima de recuperação de ativos ou ressarcimento aos cofres públicos que a diferencie dos resultados patrimoniais já obtidos pelas autoridades cíveis e criminais que atuam no caso.

Para o procurador-geral, a colaboração premiada deve servir como um instrumento para obtenção de provas relevantes, capazes de identificar autores de crimes, esclarecer infrações penais e contribuir de forma efetiva para a aplicação da lei penal, além de possibilitar a recuperação do produto dos crimes quando for o caso. Na avaliação de Gonet, a proposta apresentada por Paulo Henrique Costa não atende a esses requisitos.

Diante desse cenário, o procurador-geral indeferiu sumariamente o pedido e determinou o arquivamento do procedimento, ressaltando que expôs apenas os fundamentos indispensáveis para evitar prejuízo às investigações em curso.

Digimais tem roteiro de fraudes e omissões na fiscalização do mercado financeiro

EUA e a Europa, ao boicotar o Brasil, obrigam Lula a se aproximar da China

Trump revela mensagem de Macron em ofensiva pré-Davos - Bloomberg

Macron e Trump tentam boicotar as exportações do Brasil

Carlos Newton

Os militares ficaram ditatorialmente no poder por 21 anos. Fizeram muita coisa errada, especialmente ao torturar e matar os opositores do regime. Mas fizeram também muita coisa boa, em termos de energia, telecomunicações e rodovias, que alavancaram um invulgar desenvolvimento, chamado à época de milagre brasileiro, e chegamos a ser o país com maior crescimento do PIB no século passado, entre 1930 e 1980, acredite se quiser.

O feito mais importante da ditadura, porém, foi a criação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) pelo mais jovem ministro do país, Luiz Fernando Cirne Lima, que assumiu o cargo com apenas 36 anos.

CIRNE LIMA – Engenheiro agrônomo formado em Porto Alegre, Cirne Lima fez especialização nos Estados Unidos e na Argentina. Conduzia as fazendas da família e em 1968 tornou-se presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul.

Em 1969, foi nomeado ministro da Agricultura pelo presidente Garrastazu Médici, que lhe pediu sugestões para ocupar o cerrado do Centro Oeste e também o entorno da Amazônia, áreas que o governo pretendia colonizar.

Cirne Lima sabia que especialistas brasileiros estudavam como desenvolver a agricultura brasileira, através da ABCAR (Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural).

ESPECIALISTAS – Os líderes da iniciativa eram o sociólogo José Pastore; o professor Fernando Rocha, da Faculdade de Agronomia de Viçosa; e os agrônomos Renato Simplício Lopes e Eliseu Alves, que trabalham na ACAR-Minas.

Liderados pelo jovem ministro Cirne Lima, em 1973 esse grupo implantou a Embrapa, que viria a revolucionar a agricultura e conseguir tornar o Brasil o maior exportador de alimentos.

Devido à extensão das áreas agricultáveis, à abundância de água para irrigação e às condições de luminosidade, que permitem seguidas safras em várias culturas, tudo indica que o Brasil logo se tornará o maior produtor mundial, superando os concorrentes EUA, China e Índia.

BOICOTE AO BRASIL – Como não conseguem enfrentar a produtividade brasileira, Estados Unidos e União Europeia estão boicotando abertamente o Brasil. E isso não tem nada a ver com ideologia, direita ou esquerda.

O americano Donald Trump está prejudicando o Brasil propositadamente, e o francês Emmanuel Macron segue o mesmo caminho. Em sua ignorância, Lula não entende essas jogadas da política internacional, que estão afetando os exportadores brasileiros.

Portanto, não importa se o vencedor da eleição for Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Joaquim Barbosa. Qualquer um deles terá de se aproximar cada vez mais do grupo dos Brics, em defesa da economia brasileira, ligando-se especialmente à China e à Rússia, pois a Índia é nossa rival na exportação de alimentos.

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P.S. 1 –
A situação é inquietante, e Trump acaba de visitar a China, na tentativa de aumentar as exportações. Se Lula tivesse mais jogo de cintura, saberia atender a gregos e troianos, como se dizia antigamente. Mas desde sempre ele insiste em apoiar ditaduras sinistras, como Cuba, Venezuela, Nicarágua e Irã, agindo contra os interesses dos Estados Unidos. E assim a situação tende a se complicar ainda mais.

P.S. 2Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, vai virar as costas aos Brics e entregar o país aos EUA, porque ele consegue ser mais ignorante do que Lula. E o resto é folclore, como dizia Sebastião Nery. (C.N.)