Pesquisas movimentam R$ 40 milhões em 2026 e viram alvo de debate no TSE

STF tem maioria para liberar penduricalhos adquiridos antes de restrição

Governo admite dificuldades para reverter tarifa de Trump contra o Brasil

Demora em punir escândalo do INSS desmoraliza o governo e as instituições

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Pedro do Coutto

O escândalo das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continua produzindo desdobramentos que vão muito além da responsabilização dos envolvidos. À medida que as investigações avançam, cresce também a tensão institucional entre órgãos responsáveis pela apuração dos fatos, colocando em evidência um debate delicado: até que ponto a cooperação entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal tem ocorrido de forma eficiente para garantir uma investigação ampla, célere e transparente?

Reportagem publicada por O Globo, assinada pelas jornalistas Mariana Muniz e Victoria Azevedo, revelou a existência de divergências entre o ministro do STF, André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso, e o diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues. Segundo a reportagem, integrantes da Polícia Federal manifestaram preocupação com limitações no acesso a informações consideradas estratégicas para o aprofundamento das investigações, enquanto o gabinete do ministro não compartilha dessa avaliação.

DIFERENTES INTERPRETAÇÕES – O episódio evidencia um ambiente de interpretações distintas sobre o fluxo de informações dentro da investigação, ainda que ambos os lados tenham o mesmo objetivo institucional: esclarecer as fraudes e identificar seus responsáveis.

Em investigações de grande repercussão, a integração entre Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal costuma ser determinante para o sucesso das apurações. Sempre que surgem dúvidas sobre o compartilhamento de dados ou sobre a condução processual, inevitavelmente cresce a pressão política e aumenta o espaço para disputas narrativas entre governo, oposição e instituições.

O caso do INSS tornou-se um dos episódios mais sensíveis enfrentados pelo governo do presidente Lula da Silva em seu atual mandato. As investigações apontam para um esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários que atingiu milhares de aposentados e pensionistas, provocando enorme repercussão nacional e exigindo medidas emergenciais para interromper os prejuízos aos segurados. As apurações seguem em andamento e ainda buscam definir toda a extensão das responsabilidades administrativas e criminais envolvidas.

REFLEXOS – As consequências políticas já apareceram. A crise culminou na saída do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, após o aumento da pressão em torno da condução da pasta diante das denúncias. Embora sua exoneração não represente, por si só, reconhecimento de responsabilidade criminal, o episódio simbolizou o desgaste político provocado pela incapacidade do governo em impedir que as fraudes alcançassem tamanha dimensão.

O escândalo também reacendeu um antigo debate sobre os mecanismos de controle interno da administração pública. Especialistas em governança pública defendem que sistemas previdenciários, justamente por administrarem bilhões de reais e atenderem milhões de beneficiários, precisam operar sob rígidos mecanismos de auditoria, inteligência e monitoramento permanente. A ausência de controles eficazes favorece a atuação de organizações criminosas que exploram vulnerabilidades administrativas por longos períodos antes de serem descobertas.

Paralelamente à crise no INSS, outras investigações de grande impacto permanecem ocupando espaço no cenário político e econômico, como as apurações envolvendo o Banco Master e o prolongado processo de recuperação judicial das Lojas Americanas. Embora sejam casos distintos, todos alimentam um ambiente de desconfiança sobre mecanismos de fiscalização e de controle em diferentes setores da economia brasileira.

AÇÕES PREVENTIVAS – Na área da segurança pública, o presidente Lula afirmou recentemente que pretende fortalecer as ações preventivas diante do crescimento da violência e da atuação do crime organizado. Ao comentar episódios recentes de violência, declarou que “o mundo está cheio de malucos”, defendendo maior investimento na proteção da população e no fortalecimento das instituições de segurança.

A preocupação do governo encontra respaldo na realidade enfrentada diariamente em diversos estados brasileiros. Ataques coordenados contra ônibus, bloqueios de vias para dificultar operações policiais, confrontos entre facções e ações criminosas cada vez mais sofisticadas demonstram que o combate à violência exige mais do que respostas após os crimes ocorrerem. Inteligência policial, integração entre órgãos de investigação e prevenção continuam sendo apontadas como instrumentos indispensáveis para reduzir a criminalidade de forma consistente.

NOTÍCIA POSITIVA – Enquanto enfrenta esses desafios políticos e institucionais, o governo recebeu uma notícia positiva na área econômica. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desemprego caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor índice já registrado para esse período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. O resultado reflete um mercado de trabalho ainda aquecido, com crescimento da população ocupada e redução do número de desempregados.

Apesar do desempenho favorável do mercado de trabalho, economistas observam que parte desse avanço decorre também da expansão de modalidades temporárias e informais de ocupação, ainda que a formalização tenha apresentado evolução em relação ao ano anterior. Mesmo assim, a geração de empregos tende a fortalecer a percepção positiva da economia entre parcela do eleitorado, fator que pode exercer influência significativa no ambiente político às vésperas das eleições.

DIVERGÊNCIAS NA OPOSIÇÃO – Do lado da oposição, o cenário também apresenta desafios. Divergências públicas envolvendo integrantes do campo bolsonarista, especialmente entre aliados do senador Flávio Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, alimentam especulações sobre possíveis impactos na coesão política do grupo. Embora ainda seja cedo para medir os efeitos eleitorais dessas tensões, disputas internas costumam reduzir a capacidade de articulação em momentos decisivos das campanhas.

O quadro político brasileiro, portanto, permanece marcado por dois movimentos simultâneos. De um lado, o governo busca capitalizar indicadores econômicos favoráveis, especialmente a queda do desemprego e a manutenção da atividade econômica. De outro, enfrenta o desgaste provocado por investigações que colocam em xeque a eficiência dos mecanismos de controle do Estado, sobretudo no caso do INSS.

Nesse contexto, o avanço das investigações assume importância que ultrapassa a esfera criminal. A forma como STF, Polícia Federal, Ministério Público e demais órgãos atuarão nos próximos meses poderá influenciar não apenas o esclarecimento das responsabilidades, mas também a confiança da sociedade nas instituições encarregadas de combater a corrupção e proteger os recursos públicos. Em um ambiente de forte polarização política, transparência, cooperação institucional e respeito ao devido processo legal serão elementos decisivos para preservar a credibilidade das investigações e evitar que um dos maiores escândalos administrativos dos últimos anos seja reduzido apenas a uma disputa de versões.

Rubio agradece por Flávio se colocar ‘à disposição dos EUA caso seja eleito

Tentativas de reconciliação fracassaram antes do embate público entre Flávio e Michelle

Crise entre Flávio e Michelle poderia ter sido evitada

Rafael Moraes Moura
O Globo

Antes da crise deflagrada com a divulgação do vídeo de Michelle Bolsonaro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ignorou conselhos de aliados para tentar pacificar a conturbada relação com a madrasta.

A convivência dos dois sempre foi marcada por um clima de ressentimento e desconfiança mútua, mas chegou a um patamar inédito de desgaste com a divulgação do vídeo em que Michelle acusa o enteado de tê-la desrespeitado e maltratado por conta das críticas que ela fez à aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.

“HUMILHAÇÃO” – Segundo relatos, não faltaram candidatos a bombeiro para tentar apaziguar os ânimos antes que se chegasse ao vídeo postado nas redes sociais na última quarta-feira (24), em que Michelle diz ter sofrido uma “humilhação” de Flávio, que a teria acusado de não entender “nada de política”.

Entre os diferentes atores políticos que tentaram aparar as arestas no clã Bolsonaro estão o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a ex-ministra Damares Alves (Republicanos), e o próprio presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que estava em Miami para acompanhar o jogo da Seleção Brasileira contra a Escócia quando a guerra foi deflagrada. Após o episódio, Valdemar alterou os planos e antecipou o retorno ao Brasil.

“A verdade é que, quando Michelle se firmou como liderança no PL, os filhos do Bolsonaro se sentiram ameaçados”, afirmou um interlocutor do clã ouvido em caráter reservado. “Faltou para o Flávio o raciocínio de que a Michelle pode até não ajudá-lo a ganhar as eleições, mas pode ajudá-lo a perder. Qual a mulher brasileira que rivalizaria hoje com a proporção da popularidade da Michelle? Só a Anitta.”

GESTO DE EGOÍSMO – Já a tropa de choque bolsonarista viu na ofensiva midiática de Michelle um gesto de “egoísmo” e “vaidade pessoal”, atitude de quem ainda não admitiu ter sido preterida na composição de uma eventual chapa presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“O problema é que ela nunca engoliu a história de ela não ser a candidata a vice do Tarcísio. E qual a saída pro Bolsonaro? Que o Flávio se eleja e faça uma anistia, mas ela não pensa nisso”, afirmou um parlamentar que pediu para não ser identificado.

“Ela chama Alexandre de Moraes de irmão [Michelle chamou o ministro de “irmão em Cristo” durante evento em Brasília] e continua tendo o coração duro com o Flávio porque a candidatura dela foi inviabilizada pela dele. Jair Bolsonaro está dormindo com o inimigo.”

ELEITORADO FEMININO –  Entre integrantes do PL, há o temor de que o embate público entre madrasta e enteado atrapalhe a estratégia de Flávio de angariar votos no eleitorado feminino, principalmente entre as indecisas e independentes, que podem selar o resultado das urnas. Isso porque o cabo de guerra entre Flávio e Michelle, ainda que tenha respingado mais na imagem da ex-primeira-dama nas redes sociais, traz à tona questões como machismo e misoginia, dois tópicos que ressoam no eleitorado feminino.

Os números dos levantamentos mais recentes expõem os desafios no caminho do senador. Segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, enquanto Flávio lidera entre homens (50%, ante 41% de Lula) numa eventual disputa de segundo turno, o presidente da República tem vantagem entre as mulheres (52% a 37%).

“Numa eleição, você vende a imagem de uma família exemplar e o que temos aqui é uma família em pé de guerra. Como que Flávio vai se eleger presidente da República para unir o país se não consegue garantir a paz nem dentro da própria família?”, questiona um aliado de Bolsonaro.

Brasil precisa de um presidente que saiba como enfrentar Trump e Macron

Trump threatens 100% tariffs on wine if France won't drop tech tax | Mashable

Macron e Trump querem boicotar o agronegócio brasileiro

Carlos Newton

Deitado eternamente em berço esplêndido, o Brasil precisa desesperadamente de um governante que consiga entender o jogo-duro da política internacional e os movimentos que fazem as grandes potências, como Estados Unidos, China e União Europeia. Existe um político com esse perfil, o ex-governador Tarcísio de Freitas, mas está fora de cogitações, descartado pela ignorância e presunção de Jair Bolsonaro.

Ao anunciar a candidatura do filho mais velho, que não tem o menor preparo para governar o país, o ex-presidente demonstrou total desprezo aos interesses nacionais e criou um problema de difícil solução.

DIGNIDADE – Mesmo sem o apoio de Bolsonaro, Tarcísio poderia ter saído candidato a Presidência, com grandes chances de vencer Lula da Silva e montar um governo de união nacional, como fez Itamar Franco (1992/1995), que era filiado ao PL e armou uma fortíssima base aliada, integrada por PMDB, PSDB, PFL, PSB, PTB, PDT, PDS, PPS e até PCdoB, ficando o PT praticamente isolado na Oposição.

Mas Tarcísio de Freitas é um homem honrado, coisa rara na política, e teve a dignidade de se mostrar agradecido a Bolsonaro, que o nomeou ministro da Infraestrutura e depois bancou a candidatura dele a governador de São Paulo.

Mas agora é tarde e o Brasil está imobilizado pela sinistra e deletéria polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, dois perdidos numa política suja, como diria o ator, diretor e dramaturgo Plínio Marcos. E nenhum dos dois tem condições de defender os interesses do Brasil, que está sob forte ataque no xadrez da política internacional.

TESE DE TRUMP – O presidente Donald Trump quer eleger Flávio Bolsonaro porque será um serviçal dos EUA, enquanto Lula é um político que poderá atrapalhar bastante os interesses norte-americanos, ao se ligar ainda mais à China.

O déficit comercial dos Estados Unidos com a China é de US$ 300 bilhões. Os americanos importam muito mais produtos manufaturados e eletrônicos do que exportam para o mercado chinês, negociando principalmente produtos agrícolas, matérias-primas e produtos industriais, como aeronaves e componentes para linhas de produção.

Em queda nas pesquisas e com rejeição crescente, Trump pode levar à derrota o Partido Republicano em novembro, quando serão eleitos os 435 membros da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e muitos governadores, prefeitos, legisladores estaduais e autoridades locais.

TARIFAÇOS –  Para tentar reduzir esse déficit e proteger a indústria local, a administração norte-americana tem adotado diversas medidas, especialmente os tarifaços nas importações e os subsídios ao setor agrícola, os chineses fazem o mesmo e a Europa também é cada vez mais protecionista, liderada pelo francês Emmanuel Macron.

Em meio a essa intrincada crise, o próximo presidente brasileiro precisa saber se equilibrar para defender os interesses nacionais. Os principais candidatos — Lula e Flávio — são totalmente despreparados. Os outros 12 candidatos também são decepcionantes.

O menos ruim, digamos assim, é o ex-governador Ronado Caiado, mas sua candidatura demora a decolar, porque é boicotada pelo próprio presidente do PSD, Gilberto Kassab, que age como dono do partido e não admite que surja alguma liderança que possa destroná-lo.

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P.S.Este ainda é o retrato da política brasileira, polarizada entre Lula, líder sem herdeiros, e Bolsonaro, líder com herdeiros abaixo da crítica. Pode ser que Caiado desponte, mas está difícil. Essa situação faz lembrar a velha piada de que o Brasil só cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. (C.N.)  

Após revés, Brasil volta a pedir extradição de Carla Zambelli à Itália

Ex-deputada foi condenada pelo STF em 2025

Ana Pompeu
Folha

O governo brasileiro apresentou na última quinta-feira (25) nova manifestação à Justiça italiana para pedir a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Desta vez, no caso da condenação no episódio em que ela sacou e apontou uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

O país fez o pedido no âmbito da condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal à Corte de Cassação local, última instância da Justiça italiana. O julgamento foi concluído pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto de 2025.

EXTRADIÇÃO NEGADA – Em maio, decisão da Justiça italiana negou a extradição da ex-deputada federal. Os juízes consideraram um problema o papel do ministro Alexandre de Moraes no caso da invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em que Zambelli foi condenada em maio do ano passado a dez anos de prisão. Documento obtido pela Folha cita “múltiplos elementos que levam a duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal”.

Na decisão, os italianos citam uma dupla função assumida por Alexandre de Moraes, um dos integrantes da Primeira Turma, colegiado que julgou a ex-deputada, e vítima do crime atribuído a ela. Zambelli foi condenada por agir para emitir um mandado de prisão falso com o ministro.

O novo material entregue pelo Brasil à Justiça italiana foi elaborado pela AGU (Advocacia-Geral da União), a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional e o Ministério das Relações Exteriores.

SOB SIGILO – A íntegra da manifestação está sob sigilo por tramitar, segundo a AGU, “sob regime de confidencialidade perante as autoridades competentes da República Italiana”. A Corte de Apelação, instância anterior, analisou os dois processos sobre a ex-deputada juntos, mas produziu duas sentenças diferentes —uma no fim de março e outra no meio de abril. Em ambas, se manifestou a favor da extradição.

No caso da arma, ela foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão em regime inicial semiaberto e à perda do mandato por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

A acusação do Ministério Público foi feita após o episódio em que a deputada sacou e apontou uma arma para um homem no meio da rua em São Paulo, em 29 de outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, a deputada perseguiu um homem após uma discussão no bairro dos Jardins. Um segurança da parlamentar chegou a fazer um disparo e foi preso pela Polícia Civil.

VOTO DE GILMAR – “O porte de arma de fogo concedido à acusada volta-se à sua defesa pessoal, razão pela qual a portadora não pode adentrar com o armamento em locais públicos, tampouco conduzi-lo ostensivamente, salvo, evidentemente, se necessário para assegurar sua própria defesa ou de terceiros”, disse Gilmar Mendes, relator do caso, em seu voto pela condenação.

Em junho de 2025, ela fugiu para a Itália e foi considerada foragida da Justiça brasileira. Zambelli foi detida no fim de julho, em um apartamento no bairro Aurélio, em Roma.

No ano passado, a Justiça da Espanha também negou um pedido de extradição feito pelo Brasil, no caso do blogueiro Oswaldo Eustáquio Filho. Em 2024, o governo dos Estados Unidos disse que não extraditaria o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. E, neste ano, autoridades da Argentina concederam refúgio a foragido da Justiça por envolvimento no 8 de Janeiro.

Supercriativos, os ministros do Supremo já “encomendaram” novos penduricalhos

Tribuna da Internet | Gilmar Mendes dá 72 horas para MP justificar “ penduricalhos” salariais

Charge do Jean Galvão (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Estão de volta as letrinhas mágicas de um tesouro que os magistrados adoram – os penduricalhos. De repente, os solidários e bondosos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) descobriram novas brechas para flexibilizar os penduricalhos que estavam proibidos, pagos a juízes e membros do Ministério Público

Coitados, eles merecem. Todos trabalham muito, mas sempre no sistema “home office”, em casa, assistindo a Copa e fazendo despachos, um atrás do outro, tipo pai-de-santo baiano.  Ficam esgotados de tanto trabalhar e reclamam que ganham migalhas.

A vida hoje é boa, alegre e com bolso forrado, para a gulosa curriola togada. Para o resto do povo, os penduricalhos são os passageiros que ficam pendurados nos trens, ônibus e metrôs superlotados, no final do expediente de cada dia.

BAIXARIAS DO CLÃ –   Dia 26, sexta-feira, escrevi aqui na Tribuna da internet sobre a medonha lavagem de roupa suja do clã Bolsonaro, entre a madrasta Michelle e o enteado Flávio.

Dia 27, com o título “Há algo de podre no reino dos Bolsonaros”, o Estado de São Paulo destacou em editorial:

“Felizmente, a senhora Michelle Bolsonaro resolveu fazer um grande favor ao Brasil ao gravar e divulgar seu depoimento a respeito de Flávio Bolsonaro. Assim, deu aos eleitores conservadores a chance de ver, com os próprios olhos, de que material é feito o bolsonarismo original. Quem sabe os estimule, finalmente, a procurar alternativas que estejam genuinamente interessadas em governar o Brasil com bom senso e dignidade – qualidades estranhas a Jair Bolsonaro e sua grei”.

Segurança de Caiado supera em mais de seis vezes a equipe dos ex-presidentes

Campanha de Flávio reage à crise com Michelle e aposta em vice mulher

Aaliados tentam frear danos ao filho do ex-presidente

Augusto Tenório
Thaísa Oliveira
Raphael Di Cunto
Folha

As duras críticas feitas publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro contra Flávio Bolsonaro mobilizaram aliados do pré-candidato à Presidência para tentar conter danos à campanha do PL, que aposta no anúncio de uma vice mulher para frear efeitos negativos junto ao eleitorado feminino.

A divulgação de vídeos por Michelle na tarde da última quarta-feira (24), nos quais ela diz ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio após críticas à aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, pegou aliados do senador de surpresa e provocou tentativas de explicações nas horas seguintes.

IMPACTOS – A pré-campanha de Flávio admite ter se assustado com as publicações de Michelle em um primeiro momento, mas disse depois ser preciso aguardar para aferir os impactos. Parte dos aliados do senador afirma acreditar que os vídeos podem ser ruins também para a ex-primeira-dama, diante de um eleitorado bolsonarista que defende união contra Lula (PT).

Apesar da dificuldade enfrentada por Flávio em pesquisas com mulheres, a tese do PL é a de que dificilmente apoiadores de Michelle deixarão de votar no filho de Bolsonaro por causa da briga. Mesmo que haja uma migração para outros candidatos no primeiro turno, dizem esses aliados, a avaliação é a de que esses votos tendem a voltar em um eventual segundo turno.

Depois de tentar minimizar as críticas e dizer, às vésperas de partida do Brasil na Copa, que “hoje, dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece”, Flávio voltou às redes sociais horas depois para negar ter ofendido Michelle e dizer que, “se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”.

ESCLARECIMENTOS – A ex-primeira-dama, por sua vez, disse posteriormente não ter “raiva de ninguém” e que buscou com os vídeos esclarecer “uma situação que estava sendo deturpada”. Afirmou que “uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito”. “Vamos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição.”

Antes mesmo das declarações de Michelle, Flávio já estava decidido a indicar uma mulher para ser sua candidata a vice-presidente. O nome da escolhida ainda não está definido, mas deve ser anunciado nas próximas duas semanas, segundo aliados.

Entre as cotadas estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC), hoje candidata à reeleição, e Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado. O nome da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), que tem ajudado Flávio, também tem sido lembrado por aliados diante do que veem como falta de opção.

NO RADAR – A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) continua no radar da pré-campanha, mas integrantes da federação formada pelo PP e pelo União Brasil dizem que as críticas de Michelle reforçaram a avaliação de que é preciso ter cautela sobre a aliança com Flávio.

Segundo aliados de Michelle, ela decidiu gravar vídeos como um desabafo, por ter se cansado do que descrevia como uma série de agressões coordenadas e informações falsas, que afetariam não só a ela, mas também à filha mais nova, Laura, que é adolescente.

Irmão de Michelle, o pré-candidato a deputado distrital Eduardo Torres (PL) publicou um texto nas redes sociais em que diz que ela contou “muito pouco diante de tudo o que tem acontecido” e que já presenciou e precisou inclusive intervir.

SILÊNCIO – “São críticas, cobranças, acusações, injúrias e injustiças. A resposta por muito tempo foi o silêncio. Atacada por muitos até por seu silêncio, não suportou mais tamanha injustiça e resolveu fazer alguns esclarecimentos”, afirmou.

Nos vídeos divulgados na quarta, Michelle afirma que Flávio a desrespeitou, humilhou, disse que ela não entendia nada de política e deixou subentendido que não queria a participação dela em sua campanha presidencial. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, declarou.

Em resposta, Flávio publicou um texto dele e da esposa e gravou um vídeo em que nega ter humilhado a madrasta. “Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, disse. Fernanda Bolsonaro, por sua vez, escreveu nas redes sociais que o que vê todos os dias, como esposa de Flávio, é “um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado”.

SEM DIÁLOGO – Enquanto parte do PL avalia que Flávio poderia ter desarmado essa bomba antes, evitando uma briga pública, pessoas mais próximas ao senador afirmam que ele tenta falar com Michelle há meses, sem sucesso. Dizem, inclusive, que ele ligou para a madrasta e deixou um recado na manhã desta quarta —ou seja, horas antes do vídeo— para convidá-la para uma reunião com lideranças femininas na semana que vem, mas que ela não respondeu.

“De coração aberto quero reforçar o convite que eu já tinha feito para a Michelle. Coração segue aberto, Michelle. Preciso de todo mundo junto comigo. Posso contar com você?”, disse Flávio em vídeo divulgado nesta quinta (25).

Para tentar melhorar o trânsito com o eleitorado feminino, Flávio fará uma reunião de trabalho com aliadas na semana que vem. O pré-candidato quer ouvir sugestões que possam integrar o plano de governo dele e demonstrar proximidade com lideranças importantes, como Bia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Michelle e Flávio entram em guerra pela herança política de Jair Bolsonaro

Confronto surpreendeu aliados do ex-presidente

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Desde sua ascensão nacional, o bolsonarismo acumulou divergências internas, rompimentos políticos e disputas por influência que, em diferentes momentos, ganharam projeção pública. Várias dessas crises deixaram marcas profundas e provocaram o afastamento de figuras que participaram da construção do movimento. Ainda assim, prevaleceu a capacidade de recompor alianças, estabelecer convergências pontuais e preservar uma narrativa de unidade capaz de manter mobilizada sua base social.

É justamente por isso que o embate entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro merece atenção. Mais do que uma divergência circunstancial, o episódio sugere que instrumentos que durante anos ajudaram a administrar tensões internas já não operam com a mesma eficácia. O conflito expõe um ambiente em que disputas antes absorvidas pelo próprio movimento passaram a refletir uma questão mais ampla: a dificuldade crescente da direita bolsonarista em acomodar interesses, lideranças e projetos para um futuro que deixou de ser uma discussão abstrata e passou a influenciar o presente.

SIMBOLOGIA – A controvérsia ganhou relevância não pelo conteúdo específico do desentendimento, mas pelo que ela simboliza. Ao longo de sua trajetória, o bolsonarismo construiu uma imagem de unidade que se mostrou decisiva para sua consolidação como principal força da direita brasileira. Mesmo diante de crises políticas, derrotas eleitorais, investigações e rompimentos com antigos aliados, a preservação dessa coesão foi tratada como um ativo estratégico. A exposição pública de um conflito envolvendo dois dos nomes mais importantes do universo bolsonarista rompe parcialmente essa lógica e lança luz sobre tensões que vinham se acumulando desde a derrota eleitoral de 2022.

Seria um erro interpretar o episódio apenas como uma disputa familiar. Também seria precipitado enxergá-lo como prova de uma ruptura iminente. O aspecto politicamente relevante está no fato de que a divergência se tornou pública. Na política, especialmente em movimentos fortemente centralizados, conflitos internos costumam ser administrados longe dos holofotes. Quando deixam os bastidores, revelam não apenas diferenças de posição, mas mudanças na forma como lideranças percebem seu papel, seu espaço e sua capacidade de influência.

Essa observação é particularmente importante no caso de Michelle Bolsonaro. Nos últimos anos, ela deixou de ocupar apenas uma função associada à trajetória política do marido para construir uma posição própria dentro do campo conservador. Sua interlocução com lideranças religiosas e sua capacidade de comunicação com mulheres transformaram-na em um dos ativos políticos mais valiosos da direita brasileira. Trata-se de um patrimônio político construído gradualmente e que passou a ter relevância própria, independentemente da função institucional que ela ocupou no passado.

DIFICULDADE DE EXPANSÃO – A importância desse movimento torna-se ainda mais evidente quando observada sob a perspectiva eleitoral. As mulheres representam um dos segmentos nos quais o bolsonarismo historicamente encontrou maiores dificuldades de expansão. Diversos levantamentos realizados nos últimos anos mostraram uma diferença persistente entre a receptividade masculina e feminina ao projeto político liderado por Jair Bolsonaro. Michelle tornou-se uma das principais apostas para reduzir essa distância. Sua imagem pública foi construída justamente sobre características capazes de dialogar com parcelas do eleitorado menos identificadas com o estilo de confronto que marcou a trajetória do ex-presidente.

Ao mesmo tempo, sua influência junto ao eleitorado evangélico adquiriu importância crescente. O segmento consolidou-se como uma das bases mais organizadas e mobilizadas da direita brasileira. Nesse ambiente, Michelle conquistou legitimidade própria, estabeleceu relações políticas relevantes e ampliou sua capacidade de interlocução. Isso ajuda a compreender por que sua atuação passou a produzir efeitos que já não podem ser interpretados apenas como reflexos automáticos da liderança de Jair Bolsonaro.

É nesse contexto que a figura de Flávio Bolsonaro assume papel central na análise do episódio. Entre os integrantes da família, ele é o nome que há mais tempo busca construir uma trajetória política nacional capaz de transcender a condição de herdeiro do capital eleitoral do pai. Sua atuação nos últimos anos revela um esforço permanente para ampliar influência, consolidar protagonismo e ocupar espaço relevante nas discussões sobre o futuro da direita. A inelegibilidade de Jair Bolsonaro tornou esse processo ainda mais importante, pois introduziu um elemento novo na dinâmica interna do bolsonarismo: a necessidade de discutir alternativas sem que exista uma definição clara sobre quem deverá conduzir o movimento no próximo ciclo político.

LIDERANÇAS AUTÔNOMAS – A controvérsia entre Michelle e Flávio torna-se relevante justamente porque ocorre nesse ambiente. Não se trata de uma disputa formal por candidatura nem de uma competição aberta pela liderança do campo conservador. Os fatos não autorizam conclusões dessa natureza. O que eles permitem observar é algo diferente: a coexistência de lideranças que passaram a acumular influência suficiente para atuar com graus crescentes de autonomia.

Michelle ampliou sua influência junto a segmentos estratégicos do eleitorado. Flávio trabalha para consolidar protagonismo nacional. Lideranças religiosas aumentaram seu peso nas decisões do campo conservador. Governadores de direita buscam ampliar sua projeção política. Ao mesmo tempo, dirigentes partidários passaram a defender agendas nem sempre convergentes. Nenhum desses movimentos é extraordinário quando analisado isoladamente. Em conjunto, porém, eles revelam uma transformação importante.

Durante boa parte de sua trajetória, o bolsonarismo manteve relativa coesão apesar das diferenças existentes entre suas correntes políticas, religiosas e partidárias. A liderança de Jair Bolsonaro funcionou como mecanismo de coordenação, referência eleitoral e fonte de legitimidade para os diferentes segmentos que orbitavam o movimento. A derrota presidencial de 2022 e a posterior inelegibilidade do ex-presidente não eliminaram essa centralidade, mas modificaram o ambiente em que ela opera. Pela primeira vez desde a ascensão do bolsonarismo ao centro da política nacional, a discussão sobre o futuro deixou de ser uma questão abstrata e passou a influenciar diretamente o comportamento de suas lideranças.

VISIBILIDADE – Esse é o aspecto mais importante do episódio. A divergência pública entre Michelle e Flávio sugere que determinadas tensões já não podem ser administradas exclusivamente pelos mecanismos que garantiram a coesão do movimento nos últimos anos. O problema não é a existência de conflitos. Toda força política relevante convive com disputas internas. O que chama atenção é sua crescente visibilidade. Quando divergências passam a ocupar o espaço público, elas revelam mudanças na distribuição de influência e na percepção de poder dentro de uma organização política.

Por essa razão, a controvérsia repercutiu muito além do conteúdo imediato do desentendimento. A questão central não é quem saiu fortalecido, quem estava correto ou quem obteve vantagem momentânea. O episódio importa porque oferece uma rara oportunidade de observar a dinâmica interna de um movimento que, durante anos, construiu sua identidade política em torno da unidade proporcionada por uma liderança central. Hoje, diferentes atores começam a ampliar seu espaço próprio de atuação e a disputar legitimidade junto a segmentos específicos do eleitorado conservador.

A controvérsia entre Michelle e Flávio não comprova qualquer cenário inevitável de fragmentação. Seu significado é mais sutil e talvez mais importante. O episódio revela que a disputa pela herança política de Bolsonaro deixou de ser uma questão reservada ao futuro e passou a influenciar o presente.

DISPUTAS – Pela primeira vez, tensões que durante anos permaneceram subordinadas à autoridade do ex-presidente começam a se manifestar de forma visível dentro do próprio núcleo que simboliza o movimento. Trata-se do início de uma disputa por representação política, influência e legitimidade dentro do campo conservador.

O episódio revela as dificuldades de uma força política que agora se vê diante da tarefa mais delicada de sua trajetória: administrar a disputa por seu próprio legado. A questão já não é apenas quem enfrentará a esquerda, o Supremo ou o governo. A questão é quem falará em nome do bolsonarismo quando diferentes setores do movimento começarem a reivindicar essa condição para si.

A história política mostra que projetos personalistas raramente entram em declínio por causa de seus adversários. Com frequência, começam a perder força quando as disputas internas passam a ser maiores do que os consensos que os mantinham unidos. O conflito entre Michelle e Flávio não autoriza previsões definitivas sobre o destino do bolsonarismo. Mas revela que a disputa por seu legado deixou de ser uma questão do amanhã. Ela já influencia o presente — e começa a redesenhar as relações de poder dentro do próprio movimento.

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Paulo Peres
Poemas & Canções

Dante Milano (1899-1991), nasceu em Petrópolis (RJ), é um dos poetas representativos da terceira geração do Modernismo. Em “Poema do Falso Amor”, Milano mostra a diferença entre o falso e o verdadeiro amor, para questionar: Qual dos dois é o verdadeiro?

POEMA DO FALSO AMOR
Dante Milano

O falso amor imita o verdadeiro
Com tanta perfeição que a diferença
Existente entre o falso e o verdadeiro

É nula. O falso amor é verdadeiro
E o verdadeiro falso. A diferença
Onde está? Qual dos dois é o verdadeiro?

Se o verdadeiro amor pode ser falso
E o falso ser o verdadeiro amor,
Isto faz crer que todo amor é falso

Ou crer que é verdadeiro todo amor.
Ó verdadeiro Amor, pensam que és falso!
Pensam que és verdadeiro, ó falso Amor!

Volta de Vorcaro à Papudinha afasta perspectiva de delação premiada

Reparem como Messi consegue tornar simples uma jogada que parece difícil

Lionel Messi. 39 anos. O mundo, e os Estados Unidos, se rendem ao maior de  todos. Quer ganhar sua segunda Copa. Pela Argentina. E pelo pai doente – R7  Esportes

Aos 39 anos, Messi está jogando sua sexta Copa do Mundo

Tostão
Folha

As seleções, como se esperava, na média, estão mais intensas, compactas, pressionando mais para recuperar a bola no campo do adversário e fazendo mais gols. A Argentina foge do lugar comum, pois prefere marcar mais no meio campo em vez de pressionar, além de não ter pontas abertos, rápidos e dribladores.

Messi fez todos os cinco gols marcados pela seleção. Além da enorme criatividade, precisão técnica e da grande capacidade de definir rapidamente as jogadas, de tornar simples o que é complexo, possui a sabedoria de esperar o momento certo para brilhar. Como ele sabe? Sabendo.

Existe um saber inconsciente que antecede o raciocínio. Os neurologistas chamam de inteligência cinestésica.

CIÊNCIA ESPORTIVA – Na Copa de 1994, nos EUA, há 32 anos, os americanos e os japoneses diziam que iam investir bastante no planejamento, na ciência esportiva, na formação de jogadores e que em 20 a 30 anos se tornariam uma potência mundial no futebol.

As duas e várias outras seleções evoluíram bastante, possuem ótimas equipes e excelentes jogadores, mas não chegaram a ponto de ser candidatas ao título da Copa. Faltam os craques. Por quê?

Os motivos devem ser culturais, sociais e genéticos. Parafraseando a musica de Noel Rosa, samba e futebol não se aprendem no colégio. Craques não são apenas os atacantes que fazem muitos gols.

HAVERÁ AZARÃO – Nos outros campeonatos com jogos mata-mata espalhados pelo mundo, como a Copa do Brasil, de vez em quando acontece uma surpresa, a conquista do título por uma equipe que não estava entre as favoritas. Por que nunca aconteceu em uma Copa do Mundo?

Penso que a razão principal seja a seriedade com que as grandes seleções se preparam para a maior competição do futebol mundial.

Será que um dia teremos uma grande surpresa? É a última barreira da lógica a ser vencida pela imprevisibilidade do futebol.

CASAS DE APOSTAS – Na Copa 2026, como se esperava, acontece uma maciça propaganda comercial, especialmente de casas de apostas, até na parada para hidratação durante as partidas.

Certamente crescerão o número de viciados e os problemas mentais e financeiros. Muitos pobres gastam na jogatina o dinheiro reservado para necessidades essenciais. É fácil apostar, basta um clique. A mensagem no final dos anúncios comerciais que diz “Jogue com responsabilidade” é um cínico conselho, como já escreveu Sérgio Rodrigues, colunista da Folha.

As enquetes, manchetes de recordes, estatísticas e comparações, muitas inúteis, com tantas variáveis, aumentaram bastante no Mundial. É a máquina de informações. As estatísticas costumam ser importantes, mas é preciso olhar, com profundidade, para o campo e para os números, como faz o comentarista PVC.

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