A saudade eterna da despedida de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Paulo Peres 
Poemas & Canções

O pintor, escultor, cantor e compositor carioca Guilherme de Brito Bollhorst (1922-2006), na letra de “Quando Eu Me Chamar Saudade”, parceria com Nelson Cavaquinho *(1911-1986), pede aos amigos que façam tudo quanto quiserem fazer por ele, mas somente enquanto estiver vivo. Este samba foi gravado por Nora Ney no LP “Tire Seu Sorriso Do Caminho, Que Eu Quero Passar Com A Minha Dor”, em 1972, pela Som Livre.

QUANDO EU ME CHAMAR SAUDADE
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Sei que amanhã,
Quando eu morrer,
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração.
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear,
Fazendo de ouro um violão.
Mas depois que o tempo passar,
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora.
Por isso é que eu penso assim,
Se alguém quiser fazer por mim,
Que faça agora.

Me dê as flores em vida,
O carinho,
A mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade,
Não preciso de vaidade,
Quero preces e nada mais

Cury invade eleitorado de jovens e mulheres e se torna surpresa da corrida ao Planalto

Conselho do MPF decide investigar Gonet por seu envolvimento com Daniel Vorcaro

O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e familiares dele são  mencionados ao menos 33 vezes nas investigações do caso Master no Supremo  Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi levantado nesta terça-feira (Gustavo Côrtes
Estadão

O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para investigar a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de conversas dele com o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 3, a pedido do Partido Novo.

A legenda defende que Gonet seja afastado de forma cautelar das investigações que miram o banco Master, inclusive a Compliance Zero, sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal federal (STF). Se o pedido for acatado, Gonet será substituído por um subprocurador.

IMPEDIMENTO – “Enquanto o objeto da apuração alcançar tratativas dirigidas ao Procurador-Geral da República ou a familiar seu, a titularidade da ação penal pública perante o Supremo Tribunal Federal, nesse recorte, não pode ser exercida pelo próprio Procurador-Geral da República, sem comprometer a imparcialidade objetiva exigível da acusação”, diz o pedido.

Relatório da Polícia Federal mostra que o dono do Banco Master lhe enviou mensagens por meio de um intermediário, o advogado Ciro Soares. Nesses diálogos, Gonet aceitou um convite para uma degustação de uísque e charutos em Londres e ainda pediu que seu filho fosse incluído no evento custeado pelo empresário.

O advogado Ciro Soares enviou foto ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, segundos antes de intermediar uma ligação telefônica entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro.

FESTA DE ARROMBA – “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e (uísque) macalan”, disse o procurador logo após aceitar o convite.

Essa reunião reservada contou com a presença de outras autoridades, dentre as quais os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Gonet chegou a dizer ainda que sentia saudades de Vorcaro. Também o chamou de “animal” em tom elogioso após o banqueiro consentir com a presença do filho do PGR no convescote em Londres.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A festa está acabando. Não somente para Moraes, mas também para Gonet, Andrei e o resto da patota, que participou do festival de corrupção montado por Vorcaro. E o cerco aos corruptos está apenas começando. (C.N.)

Crise no STF avança rumo à eleição e pode explodir às vésperas do primeiro turno

A guerra entre ministros que chegou ao Supremo e está desmoralizando a instituição

Responsabilidade de administrar a crise recai sobre Fachin

Pedro do Coutto

A crise no Supremo Tribunal Federal acaba de ultrapassar uma fronteira que, até pouco tempo atrás, parecia intransponível. O ministro Alexandre de Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra o próprio colega André Mendonça, sob acusações de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido está relacionado à atuação de Mendonça em investigações que envolvem o Banco Master e o INSS e aprofunda um conflito que já vinha crescendo nos bastidores do STF.

O episódio ganha uma dimensão ainda mais grave porque não se trata de uma divergência jurídica comum entre ministros. Moraes sustenta que Mendonça teria adotado procedimentos irregulares e atuado de maneira direcionada em medidas que poderiam atingir, entre outros, o próprio Moraes. Mendonça, por sua vez, havia levantado o sigilo de documentos e informações que colocaram Moraes no centro de uma forte controvérsia pública. O que antes era uma sucessão de revelações, decisões e reações passou a configurar um confronto institucional explícito entre dois integrantes da Suprema Corte.

RESPONSABILIDADE – Agora, a responsabilidade de administrar essa crise recai diretamente sobre Edson Fachin. O presidente do STF decidiu separar o pedido de investigação do inquérito das fake news e abrir um procedimento específico para tratar do caso, dando prazo para manifestações e encaminhando a discussão para análise institucional. A Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, também terá papel importante nos próximos passos.

Mas o problema que se desenha vai além da apuração formal dos fatos. O Supremo corre o risco de assistir à formação de alinhamentos internos em torno dos dois ministros. Não necessariamente de maneira oficial, nem por uma divisão mecânica entre ministros indicados por Jair Bolsonaro e ministros nomeados por Luiz Inácio Lula da Silva. Seria simplista imaginar que a origem da indicação presidencial determina automaticamente o comportamento de cada integrante da Corte. A história do STF mostra que ministros indicados por um mesmo presidente podem divergir profundamente entre si, enquanto alianças circunstanciais frequentemente atravessam governos e ideologias.

INDICAÇÃO – Ainda assim, a origem política dos protagonistas não pode ser ignorada. André Mendonça foi indicado ao STF por Bolsonaro e se tornou uma referência importante para setores conservadores. Alexandre de Moraes, por outro lado, transformou-se no principal inimigo político do bolsonarismo depois de comandar investigações relacionadas aos ataques às instituições e à trama golpista. Quando os dois passam a ocupar polos opostos de uma crise dessa magnitude, é inevitável que a disputa jurídica seja contaminada pela polarização política que existe fora dos muros do Supremo. E é exatamente aí que mora o maior perigo.

A crise pode produzir, dentro da Corte, uma lógica de agrupamentos. Alguns ministros poderão se aproximar da posição de Moraes, seja por concordarem com a tese de que houve irregularidades na condução das investigações, seja por considerarem necessário proteger determinados procedimentos institucionais. Outros poderão demonstrar maior sintonia com Mendonça, especialmente se enxergarem no episódio uma oportunidade para discutir os limites dos poderes exercidos por Moraes e o funcionamento de investigações que há anos provocam controvérsia política e jurídica.

A partir daí, cada decisão corre o risco de ser interpretada não apenas pelo seu conteúdo, mas pela suposta corrente à qual pertence o ministro que a proferiu. E esse seria um dano profundo para o STF. Uma Corte constitucional precisa conviver com divergências. O conflito faz parte de sua natureza. O problema começa quando a divergência deixa de ser percebida como expressão de interpretações diferentes da Constituição e passa a ser vista como uma disputa entre grupos internos.

PRESSÃO – As informações que emergiram nos últimos dias mostram justamente uma Corte submetida a uma pressão incomum. Há ministros e autoridades discutindo procedimentos, relatórios policiais, nulidades, competências e limites de atuação. Há também um conflito público que já ultrapassou Brasília e passou a alimentar o debate político nacional. Analistas têm chamado atenção para o caráter excepcional da crise e para seus efeitos sobre a credibilidade do Supremo, especialmente em um ambiente de forte polarização e às vésperas de uma eleição presidencial.

Paulo Gonet será uma peça central nesse tabuleiro. A posição da Procuradoria-Geral da República poderá influenciar o rumo institucional da controvérsia. Mas o desafio não será apenas jurídico. A PGR, Fachin e os demais ministros estarão sob pressão para demonstrar que o STF é capaz de investigar suspeitas envolvendo seus próprios integrantes sem transformar o processo numa guerra de poder ou, no extremo oposto, num acordo silencioso para preservar todos os envolvidos.

A pior saída seria permitir que o caso terminasse numa simples disputa de forças. De um lado, os aliados de Moraes. De outro, os aliados de Mendonça. Se essa lógica prevalecer, o Supremo poderá sair da crise ainda mais fragilizado, porque cada decisão será imediatamente submetida à leitura política: quem ganhou, quem perdeu, qual grupo avançou, qual ministro ficou isolado.

GUERRA DE FACÇÕES – O desafio de Fachin será impedir que a crise se transforme numa guerra de facções dentro da mais alta Corte do país. Isso exigirá uma apuração rigorosa, critérios claros e tratamento institucional igual para todos. Nem blindagem, nem perseguição. Nem proteção automática de Moraes, nem uma investigação conduzida como instrumento político contra ele. O que está em jogo é maior do que o destino individual de qualquer ministro.

O Supremo chegou a um momento em que precisará provar que é capaz de aplicar a si mesmo os princípios que exige dos demais. A autoridade de uma Corte não nasce da ausência de crises. Nasce da maneira como ela enfrenta suas próprias crises.

REALINHAMENTO – E esta, sem dúvida, é uma das maiores da história recente do STF. O embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça pode redefinir relações internas, produzir novos alinhamentos e expor divergências que até agora permaneciam restritas aos corredores e gabinetes de Brasília. A questão central será saber se essas diferenças continuarão submetidas à institucionalidade ou se o Supremo permitirá que a polarização política brasileira finalmente atravesse de vez as portas da Corte.

Porque, se ministros passarem a ser identificados прежде de tudo pelos grupos aos quais supostamente pertencem — bolsonaristas, lulistas ou integrantes de qualquer outro campo de poder —, o STF terá perdido algo essencial: a capacidade de fazer com que suas decisões sejam julgadas pelo direito, e não pela contagem de aliados.

Piada do Ano! Moraes e Toffoli ainda pensam (?) que têm alguma importância

Inquérito de Moraes sobre vazamento é anomalia jurídica - 15/01/2026 - Economia - Folha

Moraes e Toffoli são os mais indignos ministros do STF

Roseann Kennedy
Estadão

Na mesma semana, o Brasil registrou três sinais de fatos que podem pôr uma democracia em risco. Os casos ocorreram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

O País se deparou com a canetada desproporcional de um magistrado que tentou banir a comunicação de um presidenciável; assistiu à sua mais alta Corte ser arrastada para a lama sem fazer nada diante das suspeitas de corrupção, exploração de prestígio e advocacia administrativa que pesam contra um dos seus integrantes; e ainda viu o “inquérito do fim do mundo”, digo, inquérito das fake news, ser usado mais uma vez como instrumento de vingança.

SEM PRECEDENTES – Os episódios ocorreram em sequência, causando espanto a qualquer cidadão que prime pelas normas constitucionais. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tomaram decisões sem precedentes contra “inimigos” que exigem explicações sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Na Justiça Eleitoral, que tem, acima de tudo, o dever de garantir a lisura democrática, Dias Toffoli determinou a suspensão da campanha digital do candidato Renan Santos (Missão), sua participação em debates e também os repasses de recursos do fundo eleitoral para a candidatura.

Posteriormente, o ministro teve de recuar, ciente de que seria derrotado em plenário e visando a evitar uma decisão coletiva adversa sobre o caso.

RETALIAÇÃO – Para muitos, a decisão de Toffoli cheirava à retaliação pela crítica contumaz que Renan faz ao Judiciário e em razão dos questionamentos sobre as relações do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, no caso do Tayayá Resort, do qual foi sócio.

As relações com Vorcaro também expuseram diálogos nada republicanos com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Como revelou o Estadão, os dois trocaram 51 mensagens em 21 dias, incluindo pedidos, cobranças e até uma consulta do banqueiro para saber se deveria fugir, dois dias antes da prisão.

O ministro relator do caso, André Mendonça, encaminhou o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República e derrubou o sigilo.

GONET RECUOU – O procurador-geral Paulo Gonet, entretanto, achou melhor botar tudo para debaixo do tapete e pediu arquivamento do documento, como se fosse possível a população esquecer tudo que leu.

Primeiro, Moraes chamou Mendonça ao seu gabinete para indagar sobre o pedido o relator faria à PGR. Ora, como ficou sabendo antes? Recebeu alguma informação antecipada da Polícia Federal? Claro que sim.

Depois, fez de conta que não era com ele e nem sequer foi cobrado pelo presidente da Corte, Edson Fachin a dar explicações sobre o teor das mensagens. Moraes também não deixou dúvidas de que estava à vontade para ser fotografado rindo na cara de todos, no Supremo.

MORAES REVIDA – No dia seguinte, foi possível entender seu comportamento efusivo. O ministro já elaborava o plano para revidar, utilizando seu instrumento preferido de poder supremo: o inquérito das fake news.

Desta vez, tirou a peça da gaveta para acusar André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

Enquanto isso, Alexandre de Moraes continua sem apresentar explicações convincentes sobre os pedidos, cobranças e até consulta que recebeu de Vorcaro sobre a data para tentar fugir do País.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em tradução simultânea, Moraes quer manter a mesma estratégia se sempre, fingindo que não está acontecendo nada, enquanto a avalanche da corrupção está arrasando o Planalto para destruir seu castelo de areia. Sua infantilidade chega a ser constrangedora. Já deveria ter renunciado desde o início, quando se descobriu o contrato de R$ 129 milhões, que na verdade era de R$ 131,2 milhões. O resultado é que agora Moraes vai apodrecer em cena aberta, dia-a-dia, sob o olhar espantado do respeitável público, sonhando que ainda é um Napoleão de hospício, a da ordem unida aos outros pacientes. Não tenho pena dele, porque fez por merecer. (C.N.)

A direita em três atos exibe um discurso que desaba diante da realidade

Oposição obstrui e fim da escala 6×1 não vai a plenário

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Há uma contradição no centro do debate político desta semana: uma parcela importante da direita brasileira que constrói seu discurso em torno da defesa do trabalhador atuou, de formas diferentes, para resistir à proposta de redução da jornada e ao fim da escala 6×1. Houve voto contrário, ausência no momento da deliberação e, por fim, uma articulação política que terminou sem a votação em plenário.

A sequência oferece um teste particularmente revelador da distância entre discurso e prática. Quando a defesa do trabalhador deixou o terreno das palavras e chegou ao voto, à presença e à deliberação, as escolhas feitas por esse campo político abriram uma contradição que merece ser examinada.

DISCUSSÃO ANTIGA – O primeiro ato se passou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ali, na quarta-feira, tramitou a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem corte salarial, com período de transição de 14 meses. A discussão tampouco é nova. A redução da jornada de trabalho integra há décadas o debate internacional sobre direitos trabalhistas, produtividade e qualidade de vida.

A votação foi simbólica, sem contagem nominal, mas quatro senadores fizeram questão de registrar em ata seu voto contrário: Rogério Marinho, Hamilton Mourão, Tereza Cristina e Jaime Bagattoli, todos ligados a partidos que integram ou gravitam em torno do campo bolsonarista no Congresso.

Marinho, líder da oposição, não se limitou a votar contra. Apresentou uma proposta alternativa que mantém as 44 horas semanais e a escala 6×1, permitindo jornadas negociadas diretamente entre patrão e empregado, com remuneração calculada por hora trabalhada. O discurso fala em liberdade e valorização de quem trabalha; diante da necessidade de apresentar uma alternativa concreta, a proposta foi preservar a jornada mais longa.

AUSÊNCIA – O segundo ato ocorreu na mesma sessão da CCJ e teve como protagonista Flávio Bolsonaro. Pré-candidato à Presidência pelo PL e integrante suplente da comissão, o senador esteve ausente no momento em que a PEC foi aprovada. Em seguida, evitou declarar publicamente como votaria no plenário, embora Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha, tenha classificado o debate como populista e defendido que o trabalhador pudesse ampliar livremente a própria jornada.

Era possível construir uma posição sobre o tema fora da sala de votação; na deliberação da comissão, porém, a cadeira permaneceu vazia. A ausência não permite atribuir uma intenção específica. Permite, no entanto, registrar um fato político: numa das primeiras decisões relevantes sobre a proposta, o pré-candidato que pretende disputar a Presidência não participou da votação.

ADIAMENTO DA VOTAÇÃO – O terceiro ato levou a disputa da comissão ao plenário e terminou com o adiamento da votação para depois do primeiro turno das eleições de outubro. Na noite de quarta-feira, o núcleo governista desistiu de submeter a PEC ao plenário diante da redução do quórum e da falta de segurança de que estariam assegurados os 49 votos favoráveis exigidos em cada um dos dois turnos.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, atribuiu a falta de quórum a uma ação coordenada da oposição. Citou nominalmente Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, e Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, como articuladores de um movimento para desestimular a presença de parlamentares governistas. A consequência política foi objetiva: a votação não ocorreu, e a proposta ficou para depois do primeiro turno das eleições de outubro.

SEQUÊNCIA – Três atos, uma só disputa. O voto contrário na comissão, a ausência no momento da deliberação e a articulação atribuída pelo líder do governo à atuação direta de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho não são fatos equivalentes. Mas ajudam a compor o retrato de uma resistência à proposta que assumiu formas diferentes ao longo da mesma semana.

Primeiro, houve a oposição declarada. Depois, a ausência. Por fim, uma disputa em torno das condições políticas para que a votação pudesse sequer ocorrer. Em comum, um dado difícil de ignorar: a pauta avançou na comissão, mas encontrou resistência organizada antes de chegar ao plenário.

DISCURSO E PRÁTICA – Isso não é peculiaridade de um partido nem generalização sobre toda a direita brasileira, que é plural e inclui correntes liberais, conservadoras e de centro que não se reconhecem nos episódios descritos aqui. Trata-se de um recorte sobre o campo radical que se consolidou na política nacional nos últimos anos e sobre a distância que, neste caso, se estabeleceu entre a retórica em defesa de quem vive do próprio trabalho e as posições adotadas diante de uma proposta concreta.

Discursa-se em nome do trabalhador. Na comissão, quatro senadores ligados a esse campo registraram voto contrário. Rogério Marinho, líder da oposição, apresentou uma alternativa que preserva a jornada de 44 horas e a escala 6×1. E, antes que a proposta chegasse ao plenário, a sessão terminou sem a votação, em meio a uma disputa política cuja falta de quórum foi atribuída pelo líder do governo a adversários da medida.

A pergunta que este debate deixa, portanto, não é quem falou mais alto. Discursos sempre encontram espaço. A questão é o que permanece quando a política exige voto, presença e deliberação. Do voto contrário à ausência, passando pela disputa que impediu a votação em plenário, diferentes formas de resistência marcaram uma mesma sequência.   E fica uma pergunta que nenhuma campanha responde apenas com bandeiras: quando chega o momento de transformar discurso em decisão, o que prevalece — a promessa feita ao trabalhador ou as escolhas reveladas na prática?

Fachin deu uma gargalhada falsa e vai trabalhar para excluir Alexandre de Moraes do STF

Fachin deixou claro: cargo no STF não pode servir de escudo. Agora, André Mendonça pretende levar o caso de Alexandre de Moraes ao plenário, e o voto de Cármen Lúcia poderá ser decisivo. A batata está ...

Charge reproduzida do Instagram

Carlos Newton

A frase famosa – “Uma imagem vale mais do que mil palavras” – é atribuída erradamente ao filósofo chinês Confúcio, que viveu lá atrás, há 2,5 mil anos. O verdadeiro criador da expressão foi o jornalista americano Arthur Brisbane (1864/1936), ao afirmar: “Use a picture. It’s worth a thousand words” (Use uma imagem. Ela vale por mil palavras), num evento para publicitários em 1911, quando o uso da fotografia, com a invenção do clichê, estava revolucionando a imprensa.

Na quinta-feira, a foto feita por Brenno Carvalho para O Globo tornou-se o assunto do momento, por mostrar a falta de seriedade dos ministros do Supremo diante da maior crise já vivida pela instituição. No flagrante, o presidente do Supremo, Edson Fachin, está rindo tanto que chegou a se entortar. Parece até ser cúmplice de Moraes.

APARÊNCIAS ENGANAM – No entanto, outro ditado imortal nos lembra que as aparências enganam. No STF, está acontecendo justamente isso, porque Fachin parece estar se divertindo junto com Moraes, mas sua gargalhada é falsa e na verdade ele está empenhado em facilitar que haja impeachment.

Outros ministros compartilham as gargalhadas, como demonstra a foto de Brenno Carvalho, um flagrante que faz lembrar a cena do então presidente Jânio Quadros todo entortado, na célebre foto do Correio da Manhã, que deu o Prêmio Esso de Fotojornalismo a nosso amigo Erno Schneider.

Depois da cena grotesca de quarta-feira, Fachin agiu com firmeza, ao dar cinco dias para a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o relator André Mendonça para confirmarem suas posições sobre o pedido para abrir investigação contra Alexandre de Moraes no caso do Bando Master.

ESFRIOU O CLIMA – Assim, com maestria, Fachin esfriou o clima e deu também a Moraes o mesmo prazo de cinco para se explicar. Mas o ministro está de pavio curto, não quis nem saber e na manhã seguinte já pedia a destituição de Moraes por “abuso de poder”, através do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que não acaba nunca e serve para tudo.

No entanto, foi um tiro no pé, porque Moraes se baseou num documento da Polícia Federal que é considerado sem valor probatório pela própria PF, não tem assinatura e foi entregue a Moraes pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues, que está envolvido no caso Vorcaro junto com a namorada, a jornalista  e lobista Renata Varandas, e o presidente Fachin imediatamente retirou do inquérito interminável a falsa acusação contra Mendonça. 

Na próxima semana, passados os cinco dias,  na sexta-feira Fachin já terá recebido os relatórios dos ministros e das instituições que receberam intimação, vai distribuir cópias aos demais membros do STF e pode marcar para a outra semana a sessão que decidirá investigar e afastar Moraes por advocacia administrativa e outros crimes conexos, com base nas mensagens existentes nos celulares de Daniel Vorcaro.

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P.S.
– Tudo isso significa que a decisão inicial contra Moraes poderá sair antes da eleição, que será dia 4 de outubro, com resultados devastadores para o candidato Lula, que cometeu o maior erro estratégico de sua vida pública, ao aceitar um jantar na casa de Moraes, um ministro que já se encontrava em putrefação e mesmo assim conduziu esse encontro comes e bebes para celebrar conluio de Lula com os presidentes da Câmara e do Senado, os nada recomendáveis Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e tudo isso com a cumplicidade de outro ministro, Cristiano Zanin, que se comportou infantilmente, pois não tinha motivos para participar desse tipo de relacionamento vicioso. (C.N.)

O medo de falar: mais da metade dos trabalhadores evita expor opinião política

Aliados de Fachin defendem punição a Moraes e Mendonça para encerrar crise no STF

Interlocutores rejeitam “varrer para debaixo do tapete”

Andréia Sadi
G1

Aliados do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, defendem que ele leve ao plenário uma proposta que dê respostas aos dois protagonistas da “crise Master” na Corte. E não descartam nem mesmo a discussão de uma punição aos dois colegas. Tanto para André Mendonça como para Alexandre de Moraes.

Mendonça deve ser advertido pelo que foi considerado uma invasão de prerrogativas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República quando o magistrado avançou sobre dados envolvendo o colega. Moraes porque precisa explicar sua ligação com Daniel Vorcaro e esclarecer se tomou alguma medida para beneficiar o ex-banqueiro.

CRISE INÉDITA – Segundo esses interlocutores de Edson Fachin, a crise atingiu um ponto nunca antes visto dentro do tribunal, com uma guerra aberta entre dois ministros, e que isso demanda algum tipo de decisão para mostrar que o Supremo não fica defendendo seus ministros e atuando de forma corporativista.

“Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete, tal como aconteceu no caso de Toffoli. É preciso mostrar para a sociedade que o tribunal não poupa seus pares”, disse reservadamente um aliado de Edson Fachin.

O presidente do STF já adotou nesta sexta-feira (4) uma medida importante, retirando o pedido de Alexandre de Moraes contra André Mendonça do âmbito do inquérito das fake news e levando o pleito para o seu gabinete.

EXPLICAÇÕES – Fachin juntou o pedido de Moraes ao de André Mendonça e determinou que todos os envolvidos na “crise Master” enviem, num prazo de cinco dias, explicações para que o presidente do STF tome a decisão do que será discutido no plenário. Segundo a equipe de Fachin, o caso será submetido ao plenário físico. A expectativa é que a temperatura, que nesta quinta-feira (3) atingiu um ponto explosivo, baixe nos próximos dias.

Depois, o presidente do STF vai aguardar as respostas de todos os lados para definir o que deve propor ao plenário do tribunal. Nos bastidores, ministros das duas alas avaliam que teria faltado pulso a Fachin na condução da crise, o que ampliou o embate entre Moraes e Mendonça.

Integrantes da Corte ouvidos sob a condição de reserva apontam que o presidente do STF deveria ter sido mais enfático nas conversas na tentativa de costurar algum entendimento ou até mesmo estabelecer um protocolo entre os colegas para evitar os ataques públicos, o que é visto como uma forma até mesmo de deslegitimar o Supremo e reforçar ataques externos.

PRESERVAÇÃO – Interlocutores de Fachin, no entanto, afirmam que o presidente tem atuado de forma firme e intensa para preservar a Corte diante da escalada da crise e ainda para evitar a guerra pública entre os dois colegas.

Esses auxiliares citam que o presidente tem feito intensas reuniões não só com Moraes e Mendonça, mas também com interlocutores deles e conversado individualmente com todos os ministros para construir uma solução conjunta.

PF explica como recuperou mensagens que Vorcaro tentou apagar antes de enviá-las a Moraes

“Não tem condições”, diz Ronaldo Caiado, defendendo o imediato afastamento de Moraes

Caiado defende renúncia de Alexandre de Moraes

Deu no G1

O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu nesta quinta-feira (3), em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, que o ministro Alexandre de Moraes deixe o Supremo Tribunal Federal (STF) diante das suspeitas que recaem sobre o magistrado.

Nesta segunda-feira (1), uma troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.

RELATÓRIO – Os diálogos estão em um relatório enviado pela Polícia Federal (PF) ao STF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Caiado defendeu que a permanência de Moraes na Corte poderia levar cidadãos a contestar a legitimidade de decisões tomadas pelo ministro, o que, na avaliação do governador, colocaria em risco a ordem democrática. “Para você estar naquela condição de ministro do Supremo, qualquer posição que coloque em xeque, em dúvida, o comportamento dele […] ele mesmo deveria fazer o seu próprio afastamento, ele mesmo renunciar àquela função, ao cargo”, disse Caiado.

Segundo o candidato, a não renúncia provoca tensão muito grande e desestabiliza a democracia brasileira. “Se o ministro Alexandre Moraes renunciasse à condição de ministro Supremo e respondesse por esses atos fora da condição de ministro, você não teria essa crise instalada”, afirmou.

“INSURGÊNCIA” – Questionado sobre uma declaração anterior na qual havia defendido o afastamento de Moraes sob o argumento de que o país poderia enfrentar uma “insurgência” contra decisões do Supremo, Caiado disse que a contestação poderia ocorrer caso uma pessoa submetida a uma decisão do ministro passasse a questionar sua legitimidade para julgá-la.

“Se amanhã alguém vem, diante de uma decisão dele, o cidadão diz: ‘Não, mas ele não está capaz para me julgar, ele não tem essas credenciais para me julgar’, aí você coloca em risco esta ordem democrática que você tem no país”, disse Caiado

Caiado afirmou que ministros do STF têm responsabilidades adicionais por integrarem a última instância do Judiciário e por caber à Corte a defesa da Constituição. “Quando sobre aquela pessoa [ministro do STF] recaem tantas suspeitas, denúncias, quanto essas que vieram à tona, ele não tem mais as condições mínimas necessárias para poder estar ali respondendo pelo cargo. Isso é independente de quem quer que seja”, declarou.

“DARK HORSE” – Caiado também citou as investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo investigado por também ter recebido dinheiro de Vorcaro.

O candidato afirmou que o episódio não poderia ser considerado encerrado enquanto houvesse fatos sob investigação. “Não existe essa história de ‘página virada’ como querem colocar”, disse, em referência ao que tem dito o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Caiado ainda defendeu que o STF retire o sigilo de todas as investigações relacionadas ao Banco Master e a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesse caso, as investigações implicam Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), candidato à reeleição.

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Gilmar e Fachin conversaram sobre a crise no tribunal

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Gilmar Mendes defendeu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal que atualmente trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte. A proposta será discutida em meio à crise interna provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e pela escalada da tensão entre o ministro André Mendonça e integrantes da cúpula da PF. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo O Globo.

Gilmar e Fachin conversaram nesta quinta-feira sobre a crise que se instalou no tribunal após a Polícia Federal identificar Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas durante as investigações.

O decano já vinha discutindo a presença de delegados nos gabinetes antes do episódio, mas a controvérsia ganhou novo peso diante dos questionamentos sobre a atuação de policiais que auxiliam diretamente Mendonça nas investigações sob sua relatoria.

RELAÇÃO INADEQUADA – A avaliação de Gilmar é que a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre investigadores e ministros responsáveis pela condução dos inquéritos. Nos bastidores, um dos questionamentos levantados durante a atual crise é sobre o grau de influência que policiais cedidos podem exercer sobre a condução das apurações.

Atualmente, seis delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo. Quatro trabalham diretamente em gabinetes de ministros e um atua na área de segurança da Corte. André Mendonça conta com dois policiais: Graziela Machado e Thiago Marcantonio. Fábio Shor trabalha com Alexandre de Moraes, assim como Anderson Antonio Ferreira de Souza, enquanto Fábio Lucena está no gabinete de Luiz Fux. Po fim, Raphael de Mello Batista atua na Polícia Judicial.

A eventual adoção da medida, portanto, não atingiria apenas Mendonça, que está no centro do atual embate com a Polícia Federal. Também alcançaria o gabinete do próprio Moraes, pivô da crise desencadeada pelas mensagens de Vorcaro, e o de Fux. Dados divulgados anteriormente pelo Supremo apontam a presença desses cinco delegados na Corte.

TENSÃO – O tema já havia provocado tensão entre o STF, a Polícia Federal e o governo nos últimos meses. Em junho, o Ministério da Justiça enviou ofícios a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais cedidos para reforçar o efetivo da corporação no combate ao crime organizado. O Supremo, porém, ficou fora da lista. À época, a justificativa apresentada por integrantes do governo foi evitar prejuízos a investigações em andamento.

A possibilidade de retirada dos delegados já havia causado preocupação especialmente no gabinete de Mendonça. Thiago Marcantonio atua como assessor do ministro desde 2025 e auxilia o magistrado em processos relacionados tanto às fraudes no Banco Master quanto às investigações sobre desvios no INSS. A movimentação do governo para recuperar policiais cedidos chegou a ser interpretada por integrantes da PF e do STF como uma tentativa de atingir a estrutura montada pelo relator para conduzir essas apurações.

A discussão ressurge agora em um contexto mais delicado. Mendonça e a cúpula da Polícia Federal vêm acumulando divergências sobre a condução das investigações, que se aprofundaram depois que o ministro determinou à corporação que identificasse interlocutores de Vorcaro mencionados no material apreendido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Parece que Gilmar Mendes acordou do delírio de organizar uma intervenção no Supremo para impedir André Mendonça de cumprir sua obrigação de investigar Vorcaro, Moraes e quem mais estiver na reta. Conforme denunciamos aqui na Tribuna, seria uma nova versão de golpe de estado. Agora, mudou a estratégia e quer culpar a Polícia Federal por ter feito o contrato de R$ 131,2 milhões com Vorcaro, numa tremenda Piada do Ano, que não tem a menor graça. Será que Gilmar Mendes está com problemas e precisa de atendimento, como parece ser o caso de Moraes, que anda completamente desatinado. (C.N.) 

Os riscos do ciúme extremado, na poesia surrealista de Murilo Mendes

Murilo Mendes (@murilomendespoeta) • Facebook

Mendes morava em Roma, onde criou sua obra

Paulo Peres
Poemas  & Canções 

O tabelião e poeta mineiro Murilo Monteiro Mendes (1901-1975), da Academia Brasileira de Letras, foi um escritor e crítico de artes plásticas e literatura,  expoente do surrealismo e do segunda fase do modernismo na literatura brasileira. Neste poema, Mendes reflete sobre o sofrimento que o ciúme extremado pode acarretar. 

POESIA DO CIÚME
Murilo Mendes

Eu nunca poderia aplacar
Esta ânsia absoluta,
Esta gana que tenho de ti.
– Mesmo se te possuísse.

Eu tenho ciúme
Do teu pai e da tua mãe,
Eu tenho ciúme
Daquele que te desvirginou.

Eu tenho ciúme de Deus,
Que fundiu o molde
Da tua alma rebelada,
De Deus, que me matando
Poderia extinguir
Enfim meu ciúme
Na noite total
Sem pensamento e sem sexo.

Caso Master: Fachin exige informações de Moraes, Mendonça, Gonet e diretor da PF

Mensagens de Vorcaro colocam STF sob tensão

Ana Pompeu
Luísa Martins
Folha

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, determinou que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações em até cinco dias sobre o relatório da Polícia Federal a respeito das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro e que apontam Moraes como interlocutor.

A decisão desta quinta-feira (3) foi divulgada minutos depois de Moraes pedir a Fachin a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social). Ele foi assinado, no entanto, antes do ato de Moraes e se relaciona apenas ao material da PF enviado a Mendonça e que cita Moraes.

CIRCUNSTÂNCIAS – Fachin pede informações sobre as circunstâncias nas quais Mendonça determinou a identificação das pessoas com as quais Vorcaro conversava e as medidas tomadas para que as regras de investigação sobre autoridades fossem cumpridas.

O ministro também determinou que o gabinete do relator dos casos Master e INSS envie a cópia integral dos autos do processo no qual o relatório que cita Moraes foi acrescentado. Ele incluiu, também, a nota divulgada por Moraes em 6 de março deste ano, quando negou ser o destinatário das mensagens de Vorcaro.

Na ocasião, o magistrado afirmou que uma análise técnica feita nos dados das mensagens de Vorcaro constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do ex-banqueiro, não correspondem aos contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos.

OUTROS CONTATOS – “A verificação apontou que as capturas de tela e o respectivo contato estão vinculados a outras pastas de arquivos e listas telefônicas no computador do próprio emissor, demonstrando que as mensagens estavam direcionadas a outros contatos e não ao ministro”, disse, no texto.

Essas mesmas mensagens constam no relatório apresentado a Mendonça pela PF, com a indicação de que o interlocutor de Vorcaro era Moraes. O despacho do presidente questiona, então, entre outros pontos, o cumprimento da Lei Orgânica da Magistratura pela PF, eventual acesso a documento particular e informações sob sigilo e as circunstâncias de uma diligência.

“Cabe à presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam, sempre assegurando o respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório”, diz Fachin.

ATUAÇÃO DA PRESIDÊNCIA  – Segundo o ministro, ainda que a PGR tenha apresentado dúvidas, no pedido de anulação do relatório, as informações do material demandam atuação da presidência da corte caso sejam reconhecidas.

Fachin questiona, no documento, o cumprimento, pela PF, dos procedimentos quando autoridades com foro especial são identificadas nas investigações. O presidente também quer informações sobre acessos indevidos a documentos particulares por meio de credenciais institucionais ou sobre o vazamento de dados sob sigilo a investigados.

A medida de Moraes foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, “com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”.

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