Lula não tem de onde tirar mais votos e a esquerda permanece desarvorada

Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam no segundo turno pela Presidência |  Sobral em Revista

Charge do Clayton (Sobral em Revista)

Luiz Felipe Pondé
Folha

As democracias andaram, rodaram, e parecem caminhar para dar razão ao filósofo antiliberal alemão Carl Schmitt. A polarização é um exemplo muito forte do que ele definiu como o centro da vida política, a saber, a identificação dos amigos e inimigos no espaço social e político. Só quando atingimos o nível de odiar o outro a ponto de considerá-lo uma ameaça existencial é que chegamos ao coração do que significa a política.

Um diagnóstico, sem dúvida, terrível. Entretanto, nem por isso descartável como chave analítica do mundo em que vivemos. Essas eleições de 2026 parecem dar, cada vez mais, razão a Schmitt.

É AMEAÇA? – A política seria mesmo feita de ódio? E essa hipótese, se comprovada em alguma medida, seria a verdadeira ameaça à democracia liberal tal como conhecemos? Diferente da Europa da primeira metade do século 20, com suas ditaduras à esquerda e à direita, agora esse ódio circularia pela livre escolha dos cidadãos. “Eu escolho odiar” ou “nós contra eles, até a morte, sem negociação com nenhum adversário”.

Schmitt é um pensador maldito. Foi do partido nazista e antissemita, apesar de ser acusado por outros nazistas de adesão por oportunismo.

A classe acadêmica, jornalística e artística, apesar de respeitosas exceções, costuma ser covarde e oportunista, o que nega o mito de “resistentes”. Portanto, Schmitt e Heidegger podem ter sido oportunistas mesmo. De qualquer modo, a maldição, com razão, permanece.

ANTIPOLARIZAÇÃO – Muita gente já sabe que, talvez, a única forma de escapar da polarização é ampliar o repertório em filosofia, história e ciência política, além, é claro, de abandonar o vocabulário viciado das redes.

Toda ideologia é burra. A política é o território da violência, segundo o filósofo Francis Fukuyama. Eleições e redes sociais são irmãs gêmeas, não há mais como negar esse fato. E as redes são a mídia do ódio em política.

Independe de quão longe formos na análise dessas eleições e do processo que vem se acirrando, principalmente desde as eleições de 2018, que sagrou Bolsonaro presidente, o fato é que a política no Brasil — e não só nele — se torna, a cada dia, uma arena de gladiadores. Para eles, a ideia de diálogo, de busca de consenso e constitucionalidade perde força diante do ódio como afeto essencial da política, tal qual pensava Schmitt. Um sintoma claro disso é a politização do Supremo Tribunal Federal que é marcado, também, pelo ódio como afeto essencial nas relações institucionais.

É UMA GUERRA – Do ponto de vista da democracia liberal e de seus teóricos, o ódio como afeto essencial da política é o fracasso absoluto da busca por um contrato social que reduza o convívio violento. O ódio na política de hoje é a guerra, por outros meios.

Esse primeiro turno das eleições parece apontar para uma humilhação em larga escala da esquerda. Mesmo que Flávio Bolsonaro e Lula terminem quase empatados, pelo que as pesquisas apontavam, Lula estaria À frente numericamente. O cenário que se delineia é um no qual Lula chega aos números previstos, enquanto Flávio vai além dos números previstos para ele.

Apesar desse quase empate, simbolicamente, Flávio sai “vitorioso” desse primeiro turno, apesar de todo o pacote de bondades do Lula —que destruiu de vez o equilíbrio fiscal e as contas do governo— e dos escândalos do “Dark Horse” ou das fake news de uma ridícula guerra espiritual. Nunca vi petista rezando para santa. A esquerda está em pânico.

DILEMA DE LULA – Os candidatos nanicos, pelo menos os que passaram de 2% dos votos, são do espectro da direita, mesmo que tenham xingado Flávio na propaganda eleitoral desse primeiro turno. A pergunta é: de onde Lula tirará mais votos?

Claro que do primeiro turno para o segundo, muita coisa pode acontecer. Mas a agonia da esquerda não para aí. Lula não tem herdeiros, muito por culpa do seu estilo populista, egocentrado e centralizador. Lula transformou o PT num quintal de irrelevantes.

Quando olhamos para o restante do resultado das eleições, por exemplo, o pleito para governadores e senadores, a direita devastou a esquerda em razoável medida. O crescimento da bancada de direita no Senado poderá tentar emparedar o humilhado STF de fato. Trata-se de um passo importante no projeto da direita para os próximos quatro anos, mesmo que Lula ganhe no segundo turno por uma margem quase nula. A esquerda foi derrotada nesse primeiro turno. Hora de rezar?

4 thoughts on “Lula não tem de onde tirar mais votos e a esquerda permanece desarvorada”

  1. DJ bêbado em BMW atropela, arrasta e mata homem em situação de rua em SP… –

    O legado dos 5 mandatos do Narcoladrão, mais dois mandatos do seu irmão mais velho Don FHCorleone é um Exército de Pessoas jogadas nas ruas do Páis.

    Nem vou falar sobre o outro Exército morando em favelas ….

    O resto a história conta….

    aquele abraço

  2. AVISAMOS AOS NAVEGANTES, que, no segundo turno das eleições para presidente, na condição de dissidentes do sistema, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, que no primeiro turno das eleições optamos pela abstenção e pelos votos em branco e nulos, agora, até poderemos apoiar e votar num candidato a presidente, ou outro, logicamente naquele que, pelo menos, se comprometer com a realização urgente de um PLEBISCITO NACIONAL SIMPLES, perguntando ao povo que tipo de país ele quer, doravante, a saber: este que aí está, há 136 anos, no formato federativo, imposto e representado pela república do militarismo e do partidarismo, politiqueiros, e seus tentáculos velhaco$, ou a mudança para o novo Brasil de verdade, no formato confederativo, representado pela Revolução Pacífica do Leão, a RPL-PNBC-DD-ME, com democracia direta, meritocracia e Deus na causa, para que possamos fazer, ou não, a jurupoca piar, conforme a vontade do povo, como nunca antes visto na história deste país. ORA ESSA, SE A LÓGICA E O ESPÍRITO DA COISA É PERDOAR BANDIDOS, fantasiados de políticos, usando inocentes úteis, usados como massa de manobra e bucha de canhão dos me$mo$, pois então a porta da esperança está aberta para que a banda boa, honesta e do bem do conjunto da sociedade, antissistema, ou seja, dissidente do sistema apodrecido, volte às ruas do país, desta feita, para liquidar a fatura aberta em Junho de 2013, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, que de fato resolve o país, a política a vida e a convivência pacífica do conjunto da população, para os próximos 500 anos, de modo que, se der certo perdoaremos todos, culpados e inocentes, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, e se der errado seremos também obrigatoriamente perdoados, não por sermos bandidos mas isto sim por defendermos uma causa nobre. https://tribunadainternet.com.br/2026/10/09/anistia-aos-golpistas-e-uma-promessa-de-flavio-que-os-militares-querem-festejar/?fbclid=IwY2xjawU17fBleHRuA2FlbQIxMQBwZG9mAXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR7tsGonN5-43RSIrFn-RpJyPKJmFPne0f7wzkZ8J1Z8CG46F1yrfJq8DxlFCg_aem_loZ3o0LpPxAYyTrRmr7PRw#comments

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