
Charge do Amarildo (agazeta.com.br)
Helena Prestes
CNN
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido da Receita Federal e determinou, nesta quarta-feira (7), que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja intimado sobre uma cobrança por infração fiscal no caso das joias sauditas que recebeu durante seu mandato.
Moraes autorizou a intimação de Bolsonaro, que está preso em regime domiciliar há pouco mais de um ano por determinação do ministro. O ex-presidente foi preso após ser condenado por tentativa de abolição do Estado democrático de direito e outros cinco crimes.
CUSTÓDIA – Em julho deste ano, Moraes determinou a transferência da custódia das joias sauditas dadas de presente pela Arábia Saudita ao ex-presidente e à ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
O ministro atendeu a um pedido da Receita e acatou a um parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República), decidindo arbitrar pelo envio dos itens de uma agência da Caixa Econômica Federal para a Alfândega do Aeroporto de São Paulo.
O CASO – A Polícia Federal indiciou Bolsonaro, em 2024, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos por tentar vender as joias sauditas dadas ao governo brasileiro nos Estados Unidos. Segundo o relatório da corporação, a venda dos itens teria como objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é estimado em cerca de R$ 6,8 milhões.
Em março, porém, a PGR pediu o arquivamento da investigação, argumentando que não há uma legislação clara que regulamente esse tipo de situação. Para o órgão, não é possível responsabilizar criminalmente alguém com base em cenários marcados por lacunas legislativas ou por forte divergência interpretativa sobre o que é lícito ou ilícito.
Gonet ressaltou, no entanto, que sua análise se limita à esfera penal e não impede a apuração de eventuais responsabilidades em outras áreas, como na esfera civil ou administrativa. Ainda no mesmo mês, o TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu que presentes de uso pessoal, recebidos por presidentes e vice-presidentes, não são patrimônios públicos e podem continuar com os políticos ao saírem do cargo.
Eleitor devolve poder a grupo político que dilapidou o Rio
Por decisão do eleitor, o grupo responsável pelo descalabro voltará ao poder em janeiro.
Após devassa em esquemas de corrupção, PL volta ao Palácio Guanabara com Douglas Ruas
Depois de ter cinco governadores presos e dois cassados, o Rio de Janeiro terá um novo governador investigado antes mesmo de tomar posse.
Ao anular os votos de Anthony Garotinho, o Tribunal Superior Eleitoral abriu caminho para declarar a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno. O bolsonarista é alvo de procedimento que apura supostas práticas de peculato, lavagem de dinheiro, fraudes licitatórias e organização criminosa.
A investigação foi aberta em julho pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, conforme noticiou o colunista Lauro Jardim. Sua origem foi uma denúncia de conflito de interesses e enriquecimento ilícito em obras do governo estadual, no período em que Ruas era secretário da gestão Cláudio Castro.
O rolo ainda envolve a compra de material de construção numa pedreira do deputado Altineu Côrtes, presidente estadual do PL. Todos negam irregularidades, e o governador eleito diz acreditar que o caso será arquivado por falta de provas.
Deputado estadual de primeiro mandato, Ruas era um ilustre desconhecido da maioria dos fluminenses até poucos meses atrás. Foi instado a concorrer ao governo quando o candidato que apoiava, Rodrigo Bacellar, foi preso sob acusação de atuar em favor do Comando Vermelho. O
PL também teve que trocar os candidatos ao Senado por motivos de força maior. Márcio Canella foi preso com um fuzil no carro, e Castro passou a receber visitas regulares da Polícia Federal.
Em entrevista à CBN, o marqueteiro de Ruas disse ter investido numa fórmula associada ao PT: “construir a narrativa a partir da periferia” e apresentar o cliente como defensor dos “mais humildes”. Pode ser, mas a mágica não funcionaria sem colar a imagem do candidato à da família Bolsonaro, num estado cada vez mais inclinado à direita.
O desfecho da eleição parece confirmar a sina do Rio após seis meses de gestão interina de Ricardo Couto. Sem rabo preso com a baixa política fluminense, o desembargador promoveu uma devassa no Palácio Guanabara. Desmontou esquemas de corrupção, reorganizou a máquina e demitiu mais de 7 mil fantasmas.
Por decisão do eleitor, o grupo responsável pelo descalabro voltará ao poder em janeiro.
O Globo, Política, 09/10/2026 00h30 Por Bernardo Mello Franco
É inacreditável!