Após derrubada de veto, defesas de condenados do 8 de janeiro tentam reduzir penas

Texto muda critérios de aplicação de penas

Sarah Teófilo
O Globo

Com a derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria pelo Congresso, as defesas dos condenados pela trama golpista já preparam os pedidos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a revisão de penas e fazem cálculos sobre a progressão de regime.

A movimentação ocorre após deputados e senadores rejeitarem, na última quinta-feira, o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao texto que altera regras de cálculo de penas, o que deve beneficiar, inclusive, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

MUDANÇA DE CRITÉRIOS – O texto muda critérios de aplicação de penas, evitando a soma automática de crimes cometidos no mesmo contexto e permitindo diferenciação maior entre os envolvidos, com impacto direto nas condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe de Estado.

Advogado do policial federal Marcelo Araújo Bormevet, Hassan Magid afirma que aguarda a formalização da nova regra para ingressar com pedido no STF. “Assim que houver promulgação vou fazer um pedido de revisão da pena. O Marcelo está preso há mais de um ano e meio. Com a redução da pena acreditamos que ele já poderá passar para o regime semiaberto”, disse.

Bormevet foi condenado pela Primeira Turma do STF por participação na tentativa de golpe, acusado de integrar, quando atuava na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), um grupo que monitorava ilegalmente autoridades e produzia desinformação. Atualmente, ele cumpre pena na Casa do Policial Penal de Matozinhos (MG), e trabalha na distribuição e controle de medicamentos, atividade que conta para remição de pena.

RECURSOS – Já o advogado Demóstenes Torres, que defende o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, também afirma que a equipe jurídica prepara os recursos, mas ressalta a necessidade de análise detalhada caso a caso. “Nós já estamos estudando e vamos entrar com pedido de redução a partir do momento que for possível. Estamos estudando”, afirmou.

Ele acrescenta que será necessário reavaliar decisões anteriores do STF sobre dosimetria para ver a quantidade da pena a ser diminuída. Garnier foi condenado a 24 anos de prisão no processo sobre a tentativa de golpe e, segundo a defesa, já participa de atividades que podem reduzir a pena.

REAÇÃO DO STF – Outros advogados ouvidos sob reserva afirmaram que pretendem aguardar os primeiros pedidos protocolados e a reação do STF antes de ingressar com ações semelhantes. A estratégia é observar como a Corte vai interpretar a nova lei e se haverá resistência ou acolhimento das revisões.

Há ainda dúvidas entre as defesas sobre a forma de publicação da nova norma. Isso porque o Congresso derrubou o veto de maneira integral, mas para evitar conflito com a Lei Antifacção, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou do texto um trecho que poderia facilitar a progressão de regime para condenados por crimes graves. Há dúvidas de advogados se essa manobra pode gerar questionamentos jurídicos sobre a aplicação prática do texto.

PENA REDUZIDA – Pelos cálculos apresentados durante a tramitação do projeto, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses, poderia ter a pena reduzida para 22 anos e um mês com a nova regra. A expectativa é que o ex-presidente possa progredir do regime fechado para o semiaberto daqui a dois ou três anos. Atualmente ele cumpre pena em prisão domiciliar, concedida após o seu quadro de saúde se agravar por uma pneumonia.

A remição de pena, mecanismo que permite reduzir o tempo de prisão por meio de estudo ou trabalho, já vem sendo aplicada a outros condenados. O ex-ministro Anderson Torres, por exemplo, condenado a 24 anos pela Primeira Turma do STF, participa de programas de leitura, trabalha na área administrativa no complexo da Papuda e realiza curso de direito constitucional. Assim como nos demais casos, a validação da redução de pena depende de decisão judicial.

Liberdade é saber libertar-se de si mesmo e dar liberdade aos demais

Artur Gomes - Nação Goytacá : Eurídice Hespanhol - EntreVistas

Eurídice é a própria imagem da liberdade

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora e poeta Eurídice Hespanhol, nascida em Santa Maria Madalena (RJ), poeticamente conceituou a “Liberdade” como a capacidade de libertar-se de si mesmo e saber dar liberdade aos demais.

LIBERDADE
Eurídice Hespanhol

Liberdade é o mar que beija a areia,
O céu livre em espaço triunfal
A noite plena de estrelas, a lua derradeira,
O dia imenso de luz, o toque divinal

Liberdade é um sonho sem fronteiras,
Um coração que pulsa, vibrando de emoção
Um amor intenso, rompendo barreiras,
vencendo os limites do próprio coração.

Liberdade é o amor que renuncia,
Em benefício de um outro amor igual
Um gesto simples que abafa o egoísmo,
Apaga o ódio, perdoa todo o mal.

Liberdade é enxergar além dos olhos,
Olhar o mundo com total compreensão
É ver a vida além da própria vida
E libertar-se de si mesmo, grilhão por grilhão!

STM solicita dados de Bolsonaro às Forças Armadas e avalia cassação de patente

Bolsonaropoderá perder a patente de capitão

Poliana Santos
CNN

O STM (Superior Tribunal Militar) atendeu ao pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e autorizou, na última semana, a realização de diligências no processo que analisa a eventual perda do posto e da patente de capitão militar.

A corte intimou a Marinha, o Exército, a Força Aérea e o Ministério da Defesa a fornecerem as informações solicitadas. Caso os documentos não sejam localizados, deverá ser apresentada certidão negativa. “A decisão destacou que os elementos solicitados podem contribuir para a avaliação das condições éticas e morais do oficial, aspecto central nesse tipo de julgamento”, informou a Corte.

TENTATIVA DE GOLPE – Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado em setembro. Após a condenação, o Ministério Público Militar (MPM) pediu a perda da patente do ex-presidente e de outros quatro oficiais generais envolvidos no caso.

“Ao analisar o pedido, o relator do caso, ministro Carlos Vuyk de Aquino, entendeu que a solicitação encontra respaldo no Regimento Interno do STM, que assegura à defesa o direito de produzir provas documentais”, informou a decisão.

Entre os documentos, a defesa poderá solicitar prontuário funcional, histórico disciplinar, avaliações de desempenho, registros de condecorações e informações sobre a conduta após a passagem para a reserva.

PERDA DA PATENTE – Pela legislação, oficiais condenados a penas superiores a dois anos podem ser submetidos a esse tipo de avaliação, que pode resultar na perda do posto e da patente, caso seja reconhecida incompatibilidade com os valores da carreira militar.

Com a decisão, o processo entra na fase de coleta de provas. Após o retorno das informações, a defesa ainda poderá se manifestar antes do prosseguimento do julgamento.

Não é crime ser antissemita, mas o líder do PSTU foi condenado por “cometê-lo” 

Zé Maria, do PSTU, ousou defender a extinção de Israel

Demétrio Magnoli
Folha

“Liberdade é sempre, exclusivamente, a liberdade de quem pensa diferente de nós” (Rosa Luxemburgo). A esquerda brasileira, que vive pregando a repressão judicial à palavra “errada”, não tem o direito moral de contestar a condenação de José Maria de Almeida, líder do PSTU, por sua conclamação à eliminação do Estado de Israel. Eu tenho, porque estou entre os que concordam com a revolucionária comunista alemã.

Sim: o discurso de Zé Maria foi antissemita, por mais que ele invista no truque vulgar de vesti-lo nas roupagens do “antissionismo”. As acusações que utiliza contra Israel (Estado “racista”, “colonialista”, que pratica “genocídio”) não são suas verdadeiras motivações para bradar por sua extinção. O problema dele é que Israel é um Estado judeu.

MUITAS DÚVIDAS – Israel, Estado “racista”? Falso. Mas, e se fosse? Por que nunca se exigiu a extinção dos EUA, que manteve leis de discriminação racial até 1967?

Estado “colonialista”? Simplificação ginasiana. E se fosse? Jamais sugeriu-se varrer do mapa os EUA, novamente, junto com Canadá, Austrália, Brasil e vários etc., nações de colonos implantadas sobre as ruínas de povos autóctones.

Israel pratica “genocídio”? Debate válido. Contudo, ninguém teve a ideia de remover do planeta a Turquia, a Alemanha, o Camboja ou Ruanda, que conduziram os maiores genocídios da história contemporânea.

PECADO ORIGINAL – As acusações de Zé Maria, que são as da esquerda antissemita em geral, singularizam Israel, descrevendo-o como síntese de uma perversidade inigualável: o fruto podre de um pecado original. O “pecado”, para eles, é sua natureza judaica.

O Estado judeu não é Netanyahu, mas um contrato nacional que garante direitos políticos e civis para seus 10,1 milhões de cidadãos. Com que autoridade moral um não israelense brada pelo cancelamento do contrato dos outros?

Um cidadão israelense, judeu ou árabe, exerceria seu direito ao propor a seus concidadãos um plebiscito destinado a substituir Israel pela improvável “Palestina laica e democrática” invocada por José Maria. Duvido do êxito da iniciativa –mas o rolo é lá com eles. Por outro lado, quando um estrangeiro (mesmo que fosse judeu!) clama pela supressão do Estado judeu, está batendo bumbo para uma guerra de aniquilação nacional.

DOIS ESTADOS – Zé Maria não gritou contra a ocupação dos territórios palestinos para exigir a partilha da Terra Santa em dois Estados. Não argumentou que, se Israel rejeita a partilha, restaria apenas uma solução democrática: a concessão de cidadania plena a todos os palestinos dos territórios ocupados. Escolheu, no lugar disso, desfraldar na avenida Paulista a bandeira do Hamas: a Palestina “do rio até o mar”. Mesmo assim, deve conservar a liberdade de expressar ideias abomináveis.

O Brasil “progressista” inventou diversos subterfúgios legais para reprimir a opinião política, criminalizando discursos que podem ser interpretados como racistas, homofóbicos ou misóginos. A criminalização obviamente fracassa em ensinar boas maneiras à sociedade –e, algumas vezes, deflagra um curto-circuito, provocando a condenação de um “progressista” antissemita acusado de racismo.

A decisão judicial é um erro amparado pela lei. Liberdade para Zé Maria! Que o antissemitismo saia da toca, mostre suas faces direita e esquerda, para que possamos combatê-lo à luz do dia.

Entre afago e anistia, o Congresso que foi alvo do golpe agora suaviza os algozes

Energia cara e desgaste político: a inflação volta ao centro do jogo eleitoral

Charge do Duke (Correio Braziliense)

Pedro do Coutto

O anúncio de reajustes em itens estratégicos pela Petrobras — gás encanado, gás veicular e querosene de aviação — recoloca a inflação no centro da disputa política em um momento particularmente sensível. Não se trata apenas de um ajuste técnico guiado por variáveis internacionais, mas de uma decisão com efeitos diretos sobre o custo de vida e, consequentemente, sobre o humor do eleitorado.

Em economias como a brasileira, onde energia atravessa toda a cadeia produtiva, aumentos desse tipo não ficam restritos ao setor: eles se espalham rapidamente para alimentos, transporte e serviços. O impacto é especialmente agudo nas camadas de menor renda, justamente aquelas mais dependentes de transporte público, mais expostas à variação de preços de alimentos e mais sensíveis ao custo do gás de cozinha.

APOSTA – É nesse ponto que a economia encontra a política. O governo do presidente Lula da Silva vem apostando na ampliação de renda e no estímulo ao consumo como pilares de sustentação social, mas reajustes de energia atuam na direção oposta, corroendo ganhos recentes e dificultando a manutenção de uma percepção positiva da economia.

Há, por trás desse movimento, um problema estrutural que o país ainda não resolveu. Embora o Brasil seja um grande produtor e exportador de petróleo bruto, permanece dependente da importação de derivados como diesel e parte da gasolina. Essa dependência é resultado de um histórico de investimentos insuficientes em refino, que mantém o país exposto às oscilações do mercado internacional. Assim, mesmo com mudanças na política de preços ao longo dos anos, o Brasil continua vulnerável a choques externos — e esses choques acabam sendo repassados, direta ou indiretamente, ao consumidor.

A oposição já percebeu o potencial político desse cenário e prepara uma ofensiva narrativa centrada no aumento do custo de vida. Trata-se de um terreno fértil: inflação é um fenômeno complexo, mas sua percepção é simples e imediata. O eleitor não acompanha a dinâmica do barril de petróleo, mas sente o preço do gás, da comida e da passagem. E, historicamente, governos em exercício pagam o preço dessa percepção, independentemente das causas estruturais.

TENSÃO POLÍTICA – Esse quadro econômico se soma a um ambiente político já tensionado. A recente rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal expôs fragilidades na articulação do governo. Na mesma linha, a derrubada de vetos presidenciais em temas sensíveis, como a mudança nas regras de dosimetria penal, reforçou a leitura de perda de controle sobre a agenda no Congresso. Esses episódios não apenas enfraquecem o governo institucionalmente, mas também alimentam a narrativa de desgaste político.

A questão da dosimetria, aliás, adiciona mais um elemento de instabilidade. A mudança nas regras deve levar ao Supremo uma série de pedidos de revisão de penas, inclusive de condenados pelos atos de 8 de janeiro. O tema é juridicamente complexo e politicamente explosivo, envolvendo figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro e reabrindo o debate sobre punição, proporcionalidade e papel do Judiciário. Caberá ao STF arbitrar esse conflito, o que tende a prolongar a tensão entre os Poderes.

RISCO – Diante desse cenário, o presidente Lula tem sinalizado um retorno a um discurso mais político e menos técnico, buscando mobilizar sua base e reposicionar o debate em termos ideológicos. É uma estratégia compreensível, mas arriscada. A narrativa pode até reorganizar o campo político, mas dificilmente neutraliza os efeitos concretos da inflação sobre o cotidiano da população.

No fim, o campo decisivo permanece o mesmo: o bolso do eleitor. Se os reajustes de energia se traduzirem em uma alta persistente do custo de vida, o governo enfrentará um desgaste difícil de reverter apenas com discurso. Por outro lado, se conseguir amortecer esses impactos — seja por políticas compensatórias, seja por um cenário externo mais favorável — poderá atravessar o período com danos controlados.

O que está em jogo, portanto, vai além de um ciclo de preços. Trata-se de um teste simultâneo de capacidade econômica e habilidade política. Em ano eleitoral, essas duas dimensões não caminham separadas. E, no Brasil, quando a energia encarece, a política inevitavelmente aquece junto.

Lembrem como Lula bobeou e prejudicou Messias, ao menosprezar Davi Alcolumbre

Lula e Davi Alcolumbre

Lula não entendeu que seu governo não tem força no Senado

Vicente Limongi Netto

O mundo político e jurídico ficou assombrado com as artimanhas nada republicanas do senador Davi Alcolumbre, que culminaram com a derrota e rejeição de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federa (STF).

O assunto dominou o noticiário. Especulações, rumores e chutes viraram letrinhas perplexas. Mas o fato é que aconteceu. O desfecho da melancólica passagem de Messias pelo Senado não surpreendeu este veterano repórter. 

No dia primeiro de dezembro de 2025, aqui na Tribuna da Internet, o título do meu artigo, joia preciosa do craque editor Carlos Newton, sintetizava tudo. Falava por várias laudas:  “Ao comprar briga com Davi Alcolumbre, Lula bobeou e prejudicou Messias”. 

TUDO CONFIRMADO – Bingo do experiente Newton, que mora em Laranjeiras, pertinho do histórico estádio do tricolor. Hoje, passados cinco meses, o título do meu artigo e a análise do tema permanecem irretocáveis. Newton   deveria patentear o notável título. Enxerga longe. Sabe tudo.

Vou apenas recordar a abertura do meu artigo, repito, que nossa Tribuna da Internet publicou em 1º de dezembro de 2025:

“Obra mal o governo, a esta altura da tumultuada quadra política, ao insistir em entornar o caldo com o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre. Davi tem a faca e o poder nas mãos. O senador joga pesado quando vê que o Palácio do Planalto está aflito, nas cordas, perto de ser nocauteado. Na verdade, parece cego no meio do tiroteio. Sem competência na articulação política”. 

No Brasil, já estamos entorpecidos pela mesmice e o servilismo da imprensa

Tribuna da Internet | Jornal Nacional arrebentou com Dias Toffoli, mas Fachin saiu na defesa dele

Charge do Bier (Arquivo Google)

Duarte Bertolini

Desculpem, mas não consigo entender as divagações sobre os motivos da rejeição a Jorge Messias pela maioria dos senadores. Qual o ponto central da questão? Ora, simplesmente era existir dúvida se o indicado por Lula estava habilitado para o cargo. Portanto, respondam com sinceridade, por gentileza.

O indicado demonstrou possuir o conjunto de qualidades, experiências e conhecimentos que o habilitariam a figurar entre as 11 pessoas mais poderosas do Brasil? Quais as obras publicadas, os ensaios, os pareceres, as manifestações jurídicas e os valores éticos revelados, que permitiriam comprovar sua habilitação para o cargo?

FORA DE DÚVIDA – A questão é absolutamente clara – o indicado não tem a capacitação necessária para o cargo. Ou será que já consolidamos no Brasil o entendimento de que, como um semianalfabeto como Lula pode ser presidente, um tresloucado como Bolsonaro também pode? Da mesma forma, um despreparado como Messias pode proclamar. pelos próximos 30 anos, o que é certo, o que é legal, o que ético para os brasileiros?

Não estávamos escolhendo um porteiro para o STF, mas um jovem senhor que tudo pode e tudo comandaria nas próximas décadas, pois os feitores de plantão perceberam que é um ótimo investimento nomear militantes sem experiência jurídica para o Supremo, pois assim estarão garantindo décadas de lealdade canina para qualquer propósito.

Então por que devemos ter pruridos típicos de boa educação quando os gladiadores da arena estão acostumados ao vale tudo das profundezas?

SISTEMA PODRE – Pode ser que Messias não seja uma pessoa a temer, mas certamente é um produto gerado e gestado por um sistema podre. Portanto, mesmo sendo efêmero, o prazer de sua rejeição deve ser comemorado.

Estamos tão acostumados com a mesmice, o servilismo e sabujice da imprensa, especialmente as emissoras de TV, que dependem de verbas públicas para sobreviver, que não conseguimos mais vislumbrar ou perceber a diferença entre o exercício digno do jornalismo e a mera reprodução de releases e informações do interesse dos detentores do poder.

É por isso que se torna tão importante a independência de veículos como a Tribuna da Internet, cada vez mas raros.

CEGA SUBMISSÃO – O pior é quando sequer imaginamos as causas desta cega submissão e as consequências de absorver qualquer versão dos fatos, por comodismo e ignorância, além da velha má fé.

Quem mandou referendarmos este sistema podre e arcaico, que elimina a existência de uma terceira via eleitoral? Agora só nos resta continuar assistindo de longe ao espetáculo deste imenso circo Brasil durante mais quatro anos, pelo menos.

Quanto a essa derrota do governo Lula e do PT, permitam que ao menos nos deliciemos quando o faminto leão rompe o submissão e devora o cruel domador.

Politicamente alienado, o Brasil precisa livrar-se dessa injustificável polarização

Tribuna da Internet | Jovens querem virar a página da polarização política no Brasil

Charge do J.Bosco (O Liberal)

Carlos Newton

O noticiário político vive um momento de especulação generalizada, onde proliferam as mais disparatadas opiniões. É uma chatice, mas tem um lado positivo, porque significa que estamos vivendo em democracia, embora relativa, em função do absurdo rigor com que o Supremo passou a julgar adversários de Lula, como se o presidente fosse o mais imaculado dos seres, como certa vez ele mesmo se definiu.

Aliás, na realidade brasileira existe uma crônica carência de políticos decentes, que realmente não pretendam receber favorecimentos e desdenhem oportunidades de enriquecimento ilícito.

DISSE LULA – “Se tem uma coisa de que me orgulho e que não baixo a cabeça para ninguém é que não tem nesse país uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, do Ministério Público, da Igreja Católica, da Igreja Evangélica, nem dentro do Sindicato. Pode ter igual, mas eu duvido”, afirmou Lula em uma entrevista de cerca de três horas, concedida a blogueiros sustentados pelo PT.

Essa declaração foi dada em 2016, antes de Lula ser condenado por dez juízes diferentes, em três instâncias  (13ª Vara Criminal. TRF-4 e STJ) e sempre por unanimidade.

Dois anos depois, em 2018, o criador do PT se entregaria à Polícia Federal no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, para cumprir pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

HÍMEN COMPLACENTE – Mas a democracia brasileira tem uma espécie de hímen complacente que aguenta qualquer estupro. E o PT já se mostrou especialista em ataques bem-sucedidos à Constituição e às leis vigentes no Brasil e no mundo, digamos assim.

Não houve maiores protestos quando Lula foi solto, porque ele logo seria novamente preso, porque já estava prestes a ser julgado no Supremo, juridicamente sem qualquer chance de ser inocentado.

INVENÇÃO DE FACHIN – Em 2019, por obra e graça do ministro petista Dias Toffoli, aquele que até hoje é refratário a notável saber, o Supremo fez o Brasil passar vergonha, porque se tornar o único país da ONU a proibir prisão após condenação em segunda e terceira instâncias.

Essa enlameada decisão fez Lula ser solto, mas não podia ser candidato, devido à ficha suja. No entanto, em 2021 outro ministro petista, Édson Fachin, aquele que fez campanha para Dilma Rousseff no Paraná e depois entrou no STF, inventou a “incompetência territorial absoluta”, que também não existe em nenhum outro país.

Assim, de forma totalmente ilegal, o Supremo cancelou as condenações de Lula, que criminosamente então teve condições de voltar à política. E deu no que deu…

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P.S. 1 –
Como se vê, o PT desrespeita a democracia, inventa e cria leis sobre medida para Lula e pretende que o país não reaja a essa imundície. “Mas isso non ecziste”, diria Padre Quevedo, porque essa reação é natural e até inevitável.
E a reação está sendo impressionante, porque os parlamentares e a maioria dos brasileiros não aceita o prosseguimento do conluio entre Executivo e Judiciário, que formaram uma ditadura branda e estão tentando eternizá-la. Mas não vão conseguir.

P.S. 2 – O resultado deplorável de tudo isso é que o governo pode cair no colo de Flávio Bolsonaro, um candidato de passado sujo e totalmente despreparado, exatamente quando os eleitores deveriam aproveitar essa oportunidade para votar numa terceira via, que seja mais confiável. É desanimador. (C.N.)

Corte de penduricalhos poderia gerar economia de R$ 186 bilhões em uma década

Charge do Nef (Arquivo do Google)

João Pedro Abdo
Folha

O controle dos supersalários poderia levar a uma economia de R$ 186,4 bilhões em dez anos no Brasil. É o que aponta uma pesquisa chefiada por Sergio Guedes-Reis, servidor federal e doutorando pela UCSD (Universidade da Califórnia, San Diego), e encomendada pelo instituto República.org.

As adequações na remuneração sugeridas se baseiam nos dados sobre os salários de carreiras dos sistemas de Justiça em 11 países: Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. Além da magistratura, foram consideradas verbas pagas a membros dos órgãos equivalentes ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à advocacia pública.

CENÁRIOS – As simulações consideram três cenários, com regras de transição ou não, para estimar o impacto das alterações ao longo de 20 anos. Há projeções para congelamento total dos salários, incidência de novas regras apenas para ingressantes nas carreiras e adoção de VPNI (Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada) para enquadramento de verbas que excedam um novo teto.

São considerados um turnover (substituição de servidores ao longo do tempo) de 4% ao ano, uma taxa de inflação de 4% ao ano para correção monetária, a manutenção do número de servidores e a estruturação de uma nova pirâmide remuneratória, que divida a diferença entre as remunerações mínimas e máximas em cinco faixas equidistantes, priorizando uma base maior.

ECONOMIA – A aplicação imediata representaria, em teoria, a economia orçamentária máxima, poupando em dez anos R$ 186,4 bilhões. Em 20 anos, o valor poupado chegaria a R$ 578,3 bilhões. Caso a readequação passasse a valer apenas para servidores ingressantes, a economia seria de R$ 97,8 bilhões em uma década e R$ 330,3 bilhões em duas décadas. Considerando a VPNI, que inclui os servidores atuais, o valor poupado pode chegar a R$ 169,4 bilhões em dez anos e R$ 520,8 bilhões em 20 anos.

A fim de corrigir possíveis distorções cambiais na comparação entre países que baseou o novo padrão remuneratório proposto, a pesquisa parte de métricas distintas para contextualização dos dados. A primeira delas adota a unidade de medida em dólares PPP (da sigla, poder de paridade de compra, em inglês). As comparações também são feitas com base em múltiplos das medianas de renda e de salário mínimo.

O teto constitucional para remuneração pública no Brasil é o salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e corresponde atualmente a R$ 46,3 mil. Ele foi estabelecido em 2004. Com base no IPCA, esse valor seria hoje cerca de 40% maior.

ACIMA DO TETO – Não é incomum, entretanto, que servidores recebam acima do teto. Certas verbas pagas a magistrados, promotores, defensores e advogados públicos podem ter seu caráter indenizatório reconhecido e, por isso, ficam acima do limite constitucional: são os chamados penduricalhos.

Nos demais países estudados pela pesquisa, há diferentes regras que limitam os salários no funcionalismo público. O México apresenta um teto geral. Colômbia e Itália têm tetos específicos para poderes e entes. Nos EUA, os limites são estabelecidos com base em grupos de servidores. No Chile, levam em consideração as elites políticas e, na Argentina, determinados dirigentes públicos.

Alemanha e Portugal, por sua vez, adotam tabelas estruturadas que estabelecem limites remuneratórios. Por fim, no Reino Unido, há comissões que avaliam quando esses valores devem superar o salário do primeiro-ministro.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os estudos comparativos são essenciais, mas o Supremo não age com o necessário rigor. Ao invés de acabar com os penduricalhos, deu uma acomodada, tirando com uma mão e repondo com a outra. Infelizmente, os ministros não pensam no país, mas apenas nos próprios bolsos. (C.N.)

Lula tenta segurar Pacheco e aposta no pragmatismo para não perder votos em Minas

Planalto discute reação a Alcolumbre, mas aliados alertam para risco de escalada

Acusado de acordo, Flávio Bolsonaro nega ter rifado CPI do Master em troca da dosimetria

Acordo permitiu a derrubada do veto presidencial

Deu na Folha

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter costurado um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para abandonar a ofensiva pela CPI do Master.

“O senador Flávio Bolsonaro repudia a tentativa de associá-lo a qualquer acordo para barrar a CPMI do caso Master. É absurdo supor entendimento com [o ministro do STF] Alexandre de Moraes, cujas decisões atingiram diretamente Jair Bolsonaro e seus aliados”, diz um trecho da nota enviada pela equipe do parlamentar nesta sexta-feira (1).

DERRUBADA DO VETO – Um acordo com a oposição para enterrar a CPI, como mostrou a Folha na quarta-feira (29), permitiu a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria. Quando uma CPI mista reúne o número mínimo de assinaturas, o presidente do Congresso é obrigado a ler o requerimento de instalação na próxima sessão conjunta. Aliados indicaram que Alcolumbre não queria abrir o colegiado e não havia dado sinais de que marcaria sessão das duas Casas.

A situação criou um impasse para a oposição, já que é nas sessões conjuntas que o Legislativo pode derrubar vetos do presidente da República. Insistir na CPI mista faria Alcolumbre adiar a sessão, mantendo de pé o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por tentativa de golpe.

“Quem tem dificultado a apuração é o Partido dos Trabalhadores, que não assinou a instalação da CPMI. Lula teme ter que explicar por que recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro às escondidas e os contratos envolvendo ex-ministros que receberam milhões do banqueiro”, disse Flávio na nota.

REPERCUSSÃO – A cúpula do Congresso quer evitar a repercussão do caso do Banco Master, já que parte dos deputados e senadores tinha relação com Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada pelo Banco Central. O acordo para analisar o veto sem a leitura da CPI foi selado quando Alcolumbre anunciou a sessão do Congresso há cerca de três semanas, junto com a sabatina e a votação da indicação de Jorge Messias para a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), rejeitada na última quarta-feira (29) pelo Senado.

O requerimento do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) para abertura de uma CPI mista, composta por deputados e senadores, foi protocolado em 3 de fevereiro com apoio de 281 parlamentares. O foco são as relações de ministros do STF com Vorcaro.

A esquerda também reuniu assinaturas para uma CPI mista, numa articulação das deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). Elas defendem investigação sobre o sistema financeiro e as conexões entre a fraude e agentes públicos.

Sem provas suficientes, TCU encerra apuração sobre voos de Nikolas em avião de Vorcaro

Deputado esteve na aeronave para cumprimento de agendas

Deu no O Globo

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu arquivar a representação que pedia investigação sobre a origem dos recursos que custearam viagens aéreas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em um jatinho executivo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por fraudes bancárias. A ação havia sido apresentada pelo Ministério Público que funciona junto à Corte (MPTCU), assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha, mas teve a análise encerrada na última semana.

A representação protocolada questionava a origem dos recursos que financiaram deslocamentos do parlamentar no avião, realizados durante a campanha de 2022 para o cumprimento de agendas em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em resposta, o TCU argumentou que não havia requisitos mínimos que justificassem a abertura de investigação no âmbito da Corte.

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA – A Corte também alegou que o caso dizia respeito ao financiamento de campanha eleitoral, aspecto de competência da Justiça Eleitoral, e não da Corte de Contas. O órgão determinou o envio da representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE). Depois do encerramento da análise do caso, o deputado publicou a informação em suas redes sociais. “Nada como um dia após o outro”, escreveu na postagem.

A informação de que Nikolas havia voado no jatinho de Vorcaro foi revelada pela colunista do O Globo Malu Gaspar, que mostrou que os voos ocorreram em pelo menos nove estados e no Distrito Federal ao longo de dez dias no segundo turno das últimas eleições presidenciais.

CARAVANA – O avião foi utilizado nos deslocamentos da caravana liderada pelo parlamentar e pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha. O objetivo era angariar votos nas regiões onde Lula teve maioria na primeira rodada em busca de reverter o resultado na reta final. À época, o deputado foi criticado pela esquerda e chegou a responder às acusações em conteúdos publicados nas redes sociais.

— Há literalmente quatro anos, fui convidado para participar de um evento chamado Juventude pelo Brasil e quem fez a logística, que eu não fiz, contratou uma empresa, que eu não contratei, para poder fazer o transporte. Ou seja, era de uma empresa que tinha vários sócios, e um deles era o Vorcaro — afirmou. — A narrativa de agora é que eu sou responsável por um ato futuro de alguém? Caramba, como eu vou prever isso?

Flávio canta vitória antecipada e transforma vitórias táticas em projeto de poder

Uma cantiga de Ferreira Gullar para sua amada no exílio em Moscou

Tribuna da Internet | “Uma parte e a outra parte”, que dividem vida e obra  de Ferreira GullarPaulo Peres
Poemas & Canções 

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira (1930/2016), o Ferreira Gullar, expressa no poema “Cantiga para não morrer” o desejo de ser lembrado de diferentes maneiras pela moça branca como a neve, moça esta com quem viveu uma profunda relação amorosa durante o seu exílio, em Moscou.

CANTIGA PARA NÃO MORRER
Ferreira Gullar

Cantiga para não morrer
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Tarcísio ataca Lula e o PT: “Agro sofre com descaso, impostos altos e governo atrasado”

Governador paulista critica aumento de impostos

Filipe Pereira
CNN

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (1º), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a postura do governo federal (e do Partido dos Trabalhadores) em relação ao agronegócio.

No vídeo, Tarcísio questiona a diferença entre quem faria apenas discursos ao agronegócio e quem respeitaria os produtores. “Você sabe qual é a diferença entre quem faz discurso para o agronegócio e quem realmente respeita quem produz? A diferença está na atitude quando a crise bate à porta”, diz.

AUMENTO DE IMPOSTOS – Na sequência, o governador também criticou o aumento de impostos, altas taxas de juros, crédito considerado caro aos produtores e incertezas acerca do Plano Safra. Além disso, ele atribuiu a falta de bons resultados do setor a “uma política atrasada, que não consegue colocar nosso país no rumo do desenvolvimento”.

“Um agro que produz com tecnologia, diversificação, sustentabilidade, mas é também o agro que vem amargando, ano após ano, o descaso do governo PT”, completa Tarcísio.

SUBSTITUIÇÃO LENTA – Durante evento no interior paulista, no último final de semana, o governador aproveitou o momento para tecer críticas ao que ele chama de processo de “substituição lenta na política”. Sem citar nomes, ele afirmou que há pessoas “que ficam ultrapassadas e não percebem que é hora de parar”.

“Um dos problemas do Brasil é o processo de substituição lenta na política, são as pessoas que ficam ultrapassadas e não percebem que é hora de parar, que é hora de passar a vez. E aí elas ficam ultrapassadas e impõem um atraso ao Brasil. É isso que acontece hoje: uma liderança envelhecida, uma liderança que já não tem mais nada a oferecer”, declarou o governador na ocasião.

Flávio testa a própria mãe para o Senado e faz jogo duplo contra Cláudio Castro

Para reverter a derrota, Lula precisa indicar uma jurista negra, de notório saber

Charge do Benett (Folha)

Charge do Benett (Folha)

Roberto Nascimento

A derrota do governo, com a rejeição ao nome de Jorge Messias para ministro do Supremo, e a derrubada do veto presidencial ao projeto da Dosimetria devem servir de lição para o Planalto. Não se pode avaliar nesse momento, quem traiu e quem foi leal, mas, algumas pistas devem ser investigadas.

1 – Culpar o MDB e o PP não me parece correto, porque esses dois partidos estão divididos no apoio ao governo e no apoio à oposição. Logo, não se pode cravar em traição pura e simples. Há uma máxima no Congresso de que o voto secreto dá uma vontade danada de trair.

2 – São favas contadas que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalhou intensamente contra a aprovação à indicação de Messias desde novembro, quando Lula preteriu o senador Rodrigo Pacheco, o preferido por Alcolumbre e por grande número de senadores.

3 – Não obteve sucesso a aproximação entre Jorge Messias e o ministro André Mendonça, relator do Caso Master e do INSS, que inclusive trabalhou junto à bancada evangélica. A pressão assustou os senadores envolvidos com Vorcaro e o Careca do INSS. Aprovado, Messias poderia ser mais um voto no STF em apoio ao relator André Mendonça.

4 – Esse movimento do ministro André Mendonça uniu a bancada garantista da Primeira Turma, exceto Carmem Lúcia, e na Segunda Turma, Gilmar e Toffoli, que não viam com bons olhos a chegada de um novo ministro punitivista. No entanto, se suas excelências trabalharam junto a senadores para a rejeição, jamais será confirmado, porque ninguém vai revelar, ficando a dúvida no âmbito da especulação.

5 – Pesou contra Jorge Messias o processo eleitoral e a proximidade do AGU com o PT e os presidentes Lula e Dilma. A oposição em peso, cerca de 30 votos no Senado, de olho nas eleições de outubro, ficou contra Messias, os outros votos, incluindo faltosos, foram de ação de Alcolumbre e traições dos aliados, incluindo senadores do PT. Eles nunca vão revelar, mas o PT da Bahia não vê com bons olhos a delação de Vorcaro, o dono do Master. Em conversas com os senadores da oposição, Messias prometeu rigor na análise do Master.

6 – O presidente Lula, não se empenhou ativamente na aprovação de seu indicado, deixando o AGU, em luta solo, numa via crucis de 5 meses de fritura.

JURISTA NEGRA – Bem fico por aqui, aconselhando o governo a virar essa página, evitar retaliação ao Congresso e finalmente indicar uma mulher, de preferência, jurista negra, o mais rápido possível e enviar para o presidente do Congresso pautar a sabatina.

Tenho absoluta certeza de que, assim, as mulheres podem ocupar as ruas em protesto, até que o Rei Davi, soberano do Congresso, cumpra seu dever constitucional, sob pena de cassação por omissão deliberada. Davi Alcolumbre pode muito, mas não pode tudo, porque ele não é dono do Congresso.

A bola está nas mãos do presidente Lula, para iniciar uma nova partida. Ganha quem jogar melhor e furar as redes.

Derrotas em sequência expõem fragilidade de Lula no Congresso Nacional

Governo Lula enfrenta crise de articulação

Pedro do Coutto

O fim de abril impôs ao governo do presidente Lula da Silva um choque de realidade que vai além de derrotas pontuais. Em menos de 24 horas, duas decisões do Congresso expuseram não apenas fragilidades circunstanciais, mas um problema estrutural de governabilidade — daqueles que não se resolvem com discursos, e sim com reconstrução política.

A primeira derrota veio com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Não se tratou de um revés qualquer. Pela primeira vez em mais de um século, um nome indicado por um presidente foi barrado para a Corte, num placar de 42 votos contrários a 34 favoráveis . O episódio foi interpretado, inclusive internacionalmente, como um sinal claro de enfraquecimento político do governo e de tensão crescente entre Executivo e Legislativo .

RUÍDOS NA ARTICULAÇÃO – Esse tipo de derrota não nasce do acaso. Ela costuma ser o resultado de um acúmulo silencioso: ruídos na articulação, desgaste com lideranças do Congresso e, sobretudo, a percepção — correta ou não — de que o governo não dispõe de uma base sólida. Analistas apontam que a votação refletiu justamente esse ambiente, marcado por divisões internas e pela proximidade do calendário eleitoral, que altera o comportamento dos parlamentares .

Se a rejeição de Messias já era grave, o segundo episódio ampliou o dano político. O Congresso decidiu derrubar o veto presidencial à lei que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, medida que pode beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos. A decisão foi interpretada como um gesto de força de uma maioria parlamentar conservadora — e, ao mesmo tempo, como um recado direto ao Planalto .

Mais do que o conteúdo da lei, o simbolismo da votação pesa. Ao reverter o veto, o Congresso não apenas impôs uma derrota legislativa, mas também tensionou a narrativa construída pelo governo sobre responsabilização e defesa das instituições. Em política, perder a disputa de narrativa pode ser tão ou mais relevante do que perder uma votação.

SEM MAIORIA NO CONGRESSO – O que conecta esses dois episódios é a mesma raiz: um governo que opera sem maioria consistente em um Congresso cada vez mais autônomo e assertivo. Esse cenário não é novo, mas ganha contornos mais delicados quando se aproxima um ciclo eleitoral. Parlamentares passam a responder menos ao Executivo e mais às suas próprias bases, aos seus cálculos regionais e às perspectivas de poder.

Há ainda um elemento adicional que torna o momento mais sensível: o ambiente de pré-campanha. A rejeição de um nome ao STF e a flexibilização de penas em casos ligados ao 8 de janeiro não são decisões isoladas — elas dialogam diretamente com o clima político de 2026. Como apontam análises recentes, o episódio da indicação ao Supremo já antecipa a disputa eleitoral e eleva a pressão entre os poderes .

Diante disso, a questão central não é apenas o tamanho das derrotas, mas a capacidade de reação do governo. Há, em geral, dois caminhos possíveis: dobrar a aposta no confronto ou reconstruir pontes. O primeiro pode mobilizar a base mais fiel, mas tende a aprofundar o isolamento institucional. O segundo exige concessões, negociação e, sobretudo, reconhecer limites — algo que nem sempre é simples em governos com forte capital político.

PREÇO ALTO – A história recente mostra que presidentes que ignoram sinais como esses costumam pagar um preço alto. Já aqueles que conseguem recalibrar sua estratégia, reorganizar alianças e compreender a lógica do Congresso tendem a recuperar espaço. O problema é que esse movimento exige tempo — e o calendário eleitoral costuma ser implacável.

No fim das contas, as derrotas de abril não encerram o jogo, mas mudam o tabuleiro. E, na política, muitas vezes não é quem vence uma batalha que define o futuro, mas quem entende mais rápido que a guerra mudou de fase.