Moraes vê indício de propaganda antecipada e suspende visitas de Flávio a Bolsonaro

O preço político da aposta de Flávio Bolsonaro em Trump pode ser alto demais

Cerco se fecha, e Flávio Bolsonaro enfrenta o colapso do palanque no Rio

Piada da Copa! Deputado propõe Seleção apenas com atletas que jogam no Brasil

A paz de um amor infinito, num inesquecível prelúdio de Luiz Vieira

Luiz Vieira - Forró do tio Augusto Rolando Boldrin recebe o cantor e  compositor Luiz Vieira em 2012 . #forrodasantigas #tvcultura  #rolandoboldrin #luizvieira #forró

Luiz Vieira, grande cantor e compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

A letra de “Paz do meu amor (Prelúdio nº 2)” idolatra de uma forma poética a conquista do amor infindo pelo radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho (1928-2020). Um dos maiores sucessos de Luiz Vieira, que ele próprio gravou, em 1963, pela Copacabana.

PAZ DO MEU AMOR (Prelúdio nº 2)
Luiz Vieira

Você é isso:
Uma beleza imensa,
Toda recompensa
de um amor sem fim.

Você é isso:
Uma nuvem calma
No céu de minh’alma;
é ternura em mim.

Você é isso:
Estrela matutina,
Luz que descortina
um mundo encantador.

Você é isso:
É parto de ternura,
Lágrima que é pura,
paz do meu amor.

Os olhos tristes de Henriqueta Lisboa, num poético amor de renúncias infinitas

Primeira mulher eleita para integrar a Academia Mineira de Letras, em 1963,  a poetisa Henriqueta Lisboa nasceu em Lambari, no Circuito das Águas, a 15  de julho de 1901, e faleceu emPaulo Peres
Poemas & Canções

A poeta mineira Henriqueta Lisboa (1901-1985), no soneto “Olhos Tristes”, tem a sensação de uma despedida através de renúncias repetidas. 

OLHOS TRISTES
Henriqueta Lisboa

Olhos mais tristes ainda do que os meus
são esses olhos com que o olhar me fitas.
Tenho a impressão que vais dizer adeus
este olhar de renúncias infinitas.

Todos os sonhos, que se fazem seus,
tomam logo a expressão de almas aflitas.
E até que, um dia, cegue à mão de Deus,
será o olhar de todas as desditas.

Assim parado a olhar-me, quase extinto,
esse olhar que, de noite, é como o luar,
vem da distância, bêbedo de absinto…

Este olhar, que me enleva e que me assombra,
vive curvado sob o meu olhar
como um cipreste sobre a própria sombra.

Às vésperas das urnas de 2024, R$ 97 milhões em emendas fortaleceram bases do PL

Emendas de Valdemar irrigaram cidades estratégicas

Dimitrius Dantas
Lauriberto Pompeu
O Globo

Dos R$ 119 milhões em emendas que, segundo a Polícia Federal (PF), foram indicadas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, R$ 97 milhões foram enviados na semana anterior ao limite para envio de recursos federais antes das eleições municipais de 2024. A análise feita pelo O Globo indica que boa parte dos recursos foi destinada na tentativa de fortalecer candidatos do PL ou apoiados pelo partido no pleito.

A legislação veda, com algumas exceções, a transferência de recursos da União a estados e municípios nos três meses que antecedem o pleito. Em 2024, o primeiro turno foi realizado no dia 6 de outubro. Com isso, a janela se fechou no dia 6 de julho.

INDICAÇÕES – No período imediatamente anterior a esta data, se concentrou a maior parte do dinheiro indicado por Valdemar: das 21 emendas listadas na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, seis repasses para Suzano (SP), Porto Seguro (BA), Caraguatatuba (SP), Bebedouro (SP), Ubatuba (SP) e Rio de Janeiro (RJ) somaram R$ 96,7 milhões. Com exceção de R$ 6 milhões indicados ao Rio no dia 1 de julho, todas as outras emendas foram empenhadas em 26 de junho de 2024.

Os recursos na área da Saúde, por serem recursos de custeio transferidos fundo a fundo, caem nas contas dos fundos municipais sem um carimbo definido e, portanto, de uso imediato pelas prefeituras. A legislação exige que 50% das emendas seja indicada para a Saúde.

Suzano, na Grande São Paulo, foi o maior destino individual: R$ 26,8 milhões em junho de 2024. A cidade à época era governada pelo PL: o prefeito Rodrigo Ashiuchi, no fim do segundo mandato, trabalhava para eleger o sucessor Pedro Ishi, do mesmo partido. Em outubro, Ishi foi eleito.

BAHIA – O segundo maior repasse foi para a Bahia, que recebeu R$ 24,9 milhões no mesmo mês. O prefeito Jânio Natal, do PL, disputou a reeleição em Porto Seguro três meses depois e venceu. Já Caraguatatuba, no litoral norte paulista, recebeu R$ 23 milhões em 26 de junho — o terceiro maior valor. Ali o prefeito Aguilar Junior (MDB) apoiou um candidato do PL, que perdeu a eleição.

Em todas as outras cidades, os repasses foram feitos em um pleito bem-sucedido pelo PL. Procurado, o presidente do partido negou ter cometido qualquer crime ou irregularidade. “Os deputados cedem uma parte das emendas, as comissões têm emendas porque as comissões têm verba. Nós temos várias comissões permanentes por causa do tamanho da bancada e com isso a gente consegue ajudar um pouco os nossos prefeitos”, disse Valdemar ao O Globo.

REELEIÇÃO – Em Bebedouro, o candidato do MDB, com apoio do partido de Valdemar, foi reeleito. Depois de outubro de 2024, os repasses ligados a Valdemar mudam de escala: R$ 9,5 milhões para Santa Fé do Sul (SP) e R$ 4,7 milhões para Morro do Chapéu (BA) em dezembro. A primeira cidade elegeu um prefeito do PL e a segunda reelegeu a prefeita com apoio do PL.

Ao longo de 2025, os valores começaram a se pulverizar, com recursos de R$ 220 mil a, no máximo, R$ 3 milhões, por município na área de turismo. O montante milionário foi enviado para Mogi das Cruzes (SP), cidade natal de Valdemar. Procurados, os prefeitos citados ainda não se manifestaram.

Segundo a investigação, as emendas eram indicadas por Valdemar, que não tem mandato como deputado federal, e registradas em nome de deputados “solicitantes” para ganhar aparência de legalidade. Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do dirigente e a suspensão da execução de todas as despesas ligadas às emendas.

COMISSÃO DA SAÚDE – Um ano e meio antes de a Polícia Federal apontar Valdemar Costa Neto como o verdadeiro padrinho de emendas milionárias, a Prefeitura de Caraguatatuba já registrava o nome dele em um documento oficial. Em documentos publicados no site oficial da Prefeitura, os dois maiores repasses do ano aparecem com a autoria atribuída a “Comissão da Saúde — Waldemar Costa Neto”, com a grafia do nome de Valdemar incorreta, referentes às mesmas emendas identificadas pela Polícia Federal.

O próprio registro contradiz a versão oficial dos documentos na Câmara dos Deputados, que costumavam atribuir as emendas à liderança do PL, manobra que, segundo a PF, servia para dar “ares de legalidade” às indicações de um dirigente sem mandato.

São todas emendas para a Saúde, naquela ação genérica “Incremento Temporário ao Custeio dos serviços de assistência hospitalar e ambulatorial para cumprimento de metas”

Damares abandona equipe de Flávio Bolsonaro em meio à crise no bolsonarismo

Investigação sobre emendas: Bolsonarismo blinda Valdemar, mas silencia diante de Cunha

Cunha e Valdemar foram alvos de investigações da PF

Lauriberto Pompeu
O Globo

Aliados do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) tiveram reações diferentes em relação às investigações que miraram o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Enquanto bolsonaristas se colocaram rapidamente ao lado de Valdemar, o gesto não foi repetido para Cunha.

Até o fim do domingo, os principais nomes da oposição, como Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RN) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) não se manifestaram em relação ao ex-presidente da Câmara. Apesar de Cunha ser apoiador de Jair Bolsonaro, parte dos seguidores do ex-presidente resiste a fazer gestos sólidos que indicam proximidade com o ex-presidente da Câmara, que ficou preso de 2016 a 2023 durante a operação Lava-Jato.

NEGOCIAÇÃO – Cunha chegou a negociar se filiar ao PL para disputar o mandato de deputado federal em Minas neste ano, mas a negociação foi travada. A filha dele,  a deputada Dani Cunha, no entanto, se filiou ao partido de Flávio Bolsonaro, e vai concorrer à reeleição no Rio de Janeiro.

Valdemar e Cunha foram alvos de investigações da Polícia Federal por indicações de emendas parlamentares mesmo sem possuir mandato. A decisão do ministro Flávio Dino, divulgada na sexta-feira, determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente do PL. Ele é suspeito, segundo o despacho do ministro, de ser o autor real das indicações e beneficiário político de 21 repasses, mesmo sem ter um mandato parlamentar.

No dia que a decisão mirando o presidente do PL foi tomada, os principais nomes do bolsonarismo se colocaram ao lado de Valdemar. Flávio Bolsonaro divulgou uma nota em que disse ser natural o presidente do partido negociar emendas. “Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL. Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”.

“PRÁTICA DO OFÍCIO” – Da mesma forma, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, declarou que não vê irregularidade cometida pelo presidente do partido. “Nunca recebi qualquer pedido do presidente @CostaNetoPL para indicar emendas e, justamente por isso, sinto-me à vontade para esclarecer algo que nem todos conhecem: a indicação de emendas parlamentares é uma prática do ofício de todos os deputados e senadores, independentemente de partido ou espectro ideológico”, declarou.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, não se manifestou diretamente nas redes, mas republicou a nota de Flávio e uma outra postagem em que diz que não há indícios de crime de Valdemar.

O influenciador Paulo Figueiredo, aliado próximo de Eduardo, indicou que possui um afastamento político do presidente do PL, mas criticou a investigação. “Não tenho nenhum amor pelo Valdemar — e ele sabe. Mas, não é meio evidente que o presidente de qualquer partido influencie as suas emendas parlamentares? O ex-membro de um partido político está criminalizando a atuação do presidente do partido de oposição. Regime a todo vapor”.

COTA DA PRESIDÊNCIA – Procurado, Valdemar negou qualquer irregularidade na atuação dele ao negociar as emendas: “O que o ministro Flávio Dino deve ter pensado é que eu teria uma cota da presidência (do PL) porque já foi ventilado isso lá atrás lá no Congresso. Eu fui contra, não foi pra frente isso.  Não é cota, é sugestão que a gente faz. Os prefeitos vêm pedir para gente e a gente faz de acordo com as necessidades. E quem faz é o líder (do PL na Câmara), eu mando para lá, mas quem faz é o líder, eu não posso fazer”.

Por sua vez, também por decisão do ministro Dino, divulgada neste domingo, Cunha teve até R$ 6 milhões em bens bloqueados. O ministro do STF citou apurações da PF para considerar que há indícios de que o ex-parlamentar negociou emendas mesmo sem mandato eletivo desde 2016.

CONTESTAÇÃO – Cunha declarou que irá contestar a decisão do ministro do STF. Em nota, a defesa negou que ele tenha exercido um “mandato clandestino” e afirmou que não participou formalmente da apresentação das emendas investigadas.

As conversas usadas para embasar as duas decisões foram extraídas do celular de Mariângela Fialek, a Tuca, servidora da Câmara apontada como operadora do esquema de manipulação de emendas parlamentares. A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, que apura desvios na distribuição de emendas do chamado orçamento secreto.

Adiar o Conselho de Ética do Supremo é mau sinal para a democracia brasileira

Charge do CVazo (Blog do AFTM)

Pedro do Coutto

A decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal de postergar a apreciação do Código de Ética da Corte para depois das eleições de outubro produz um efeito simbólico que ultrapassa a própria pauta administrativa do tribunal.

Independentemente das razões que tenham levado ao adiamento, a mensagem transmitida à sociedade é difícil de conciliar com o momento político vivido pelo país: justamente quando a democracia será submetida ao seu maior teste — o processo eleitoral —, a principal Corte brasileira opta por adiar a discussão sobre as regras de conduta que disciplinarão seus próprios integrantes.

CONFLITO DE INTERESSES – O Código de Ética não é um detalhe burocrático nem uma peça decorativa da administração pública. É um instrumento de governança institucional destinado a prevenir conflitos de interesse, fortalecer a transparência, orientar comportamentos e preservar aquilo que nenhuma decisão judicial consegue impor por decreto: a confiança pública.

Foi exatamente por reconhecer essa necessidade que, na abertura do Ano Judiciário de 2026, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou a elaboração do código como uma das prioridades de sua gestão, destacando a importância de consolidar padrões de integridade e ampliar a credibilidade da instituição.

A legitimidade do Poder Judiciário repousa sobre um ativo invisível, mas indispensável: a confiança social. Juízes não possuem exércitos, nem dependem do voto popular para permanecer no cargo. Sua autoridade decorre da convicção coletiva de que suas decisões são tomadas com independência, imparcialidade e responsabilidade. Sempre que surgem dúvidas sobre esses pilares, a força institucional do Judiciário sofre desgaste, ainda que suas decisões permaneçam juridicamente válidas.

REGRAS DEMOCRÁTICAS –  É precisamente por isso que causa estranheza o adiamento da votação do Código de Ética para um momento posterior ao processo eleitoral. As eleições representam a mais elevada manifestação da soberania popular. São o instante em que divergências políticas encontram solução pacífica dentro das regras democráticas. Nesse ambiente, não basta que as instituições sejam corretas; é indispensável que também sejam percebidas como comprometidas com os mais elevados padrões éticos.

Naturalmente, um Código de Ética não elimina conflitos nem impede controvérsias. Nenhum documento possui esse poder. Sua função é outra: estabelecer parâmetros claros de conduta, disciplinar situações potencialmente sensíveis, oferecer transparência sobre procedimentos internos e reduzir zonas cinzentas capazes de alimentar suspeitas. Em democracias consolidadas, códigos dessa natureza constituem mecanismos permanentes de fortalecimento institucional, não respostas ocasionais a crises.

Nos últimos anos, o Supremo assumiu um protagonismo crescente na vida política brasileira. Questões eleitorais, disputas entre os Poderes, temas constitucionais de grande impacto e conflitos envolvendo agentes públicos passaram a ocupar frequentemente sua pauta. Esse protagonismo amplia também a responsabilidade da Corte perante a sociedade. Quanto maior o poder institucional, maior deve ser a preocupação com mecanismos de integridade, prestação de contas e autorregulação.

PARADOXO – Sob esse aspecto, o adiamento produz um paradoxo difícil de ignorar. Se o Código de Ética é importante — e a própria Presidência do STF afirmou que é —, sua utilidade se torna ainda mais evidente antes de uma eleição nacional, período em que a atuação da Justiça Eleitoral e do Supremo naturalmente desperta atenção redobrada da sociedade, dos partidos e da comunidade internacional.

É evidente que a ética não nasce da publicação de uma resolução. Ela depende da consciência individual, da cultura institucional e da observância cotidiana dos deveres funcionais. Mas normas possuem valor pedagógico, preventivo e simbólico. Elas tornam explícitos compromissos que deixam de depender exclusivamente da interpretação subjetiva de cada integrante da instituição.

O Brasil atravessa uma fase de intensa polarização política, na qual praticamente todas as instituições convivem com elevados níveis de desconfiança por parte de segmentos da população. Nesse contexto, toda iniciativa destinada a ampliar transparência e reforçar padrões éticos deveria ser compreendida como investimento na estabilidade democrática, e não como mera formalidade administrativa.

INTEGRIDADE INSTITUCIONAL – A questão central, portanto, não é jurídica. É institucional. O adiamento pode ser plenamente legítimo do ponto de vista procedimental. Contudo, sua oportunidade política suscita questionamentos inevitáveis. Quando se posterga justamente o debate sobre ética em um dos períodos mais sensíveis da vida democrática, perde-se a chance de transmitir uma mensagem clara de compromisso com a integridade institucional.

Democracias não se sustentam apenas por leis, votos ou decisões judiciais. Elas dependem, sobretudo, da confiança recíproca entre cidadãos e instituições. Essa confiança é construída lentamente, mas pode ser desgastada por sinais que, isoladamente, parecem pequenos, embora produzam grande impacto simbólico.

Talvez o Código de Ética venha a ser aprovado logo após as eleições. Se isso ocorrer, continuará sendo uma iniciativa relevante. Mas permanecerá a pergunta que o adiamento inevitavelmente deixa no ar: se a ética é essencial para fortalecer a legitimidade do Supremo, por que esperar justamente o término da eleição, momento em que ela se mostra mais necessária?

Favoritismo de Lula e Flávio demonstra mediocridade da atual política brasileira

Vai, Pix! Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (6). #meio #newsletter #charge #flaviobolsonaro #lula

Charge do Spacca (Arquivo Google)

William Waack
Estadão

No futebol a ficha para o Brasil caiu logo, pois é impossível ignorar mais uma desclassificação. É consenso que o mau resultado na Copa não foi produto de questões fortuitas. A decadência do futebol brasileiro vem de muito tempo, mas agora a ficha caiu sobre nossa mediocridade.

Falta muito para que isso aconteça também na política. Talvez nem aconteça, apesar da mediocridade da disputa em torno de eleições que prometem tornar ainda mais difíceis os grandes problemas. O mais crítico e imediato é o da crise político-institucional, cujo risco está subindo.

PODRES PODERES – Antes se associava corrupção (dos valores, das condutas, da moral, fora o roubo) aos “políticos”. Em todos os níveis no Executivo e, especialmente, no Legislativo. Hoje, a percepção nada subjetiva é a de que o topo do Judiciário também não merece mais confiança.

É importante notar que em conversas privadas integrantes tanto do governo quanto de várias correntes de oposição convergem em dizer que “o Supremo entregando dois ministros” (está subentendido que são os nomes envolvidos no escândalo Master) a coisa se resolve.

Que coisa? A profunda dissolução da legitimidade das instituições? O destrutivo desequilíbrio na relação entre os poderes? Como ganhar causas via parentes de integrantes de tribunais superiores?

SEM CONTROLE – A complexidade da situação que o País enfrenta se dá sobretudo por fatores que os agentes políticos já não controlam ou apenas em parte. Eles são demografia (impacta Previdência), estagnação na produtividade (impacta crescimento econômico), crime organizado (impacta não só autoridade do Estado) e vulnerabilidade externa (impacta defesa e potencializa choques geopolíticos).

Mas é um País beneficiado pela posição geográfica, pela extraordinária abundância de todo tipo de recursos, por um apreciável mercado interno, por capital humano que realizou a revolução da agricultura tropical e produziu excelentes resultados de inovação tecnológica na extração de petróleo e indústria aeronáutica, por exemplo.

Por isso mesmo. paradoxalmente beneficiado por alguns aspectos da destruição da ordem internacional.

POLARIZAÇÃO NEGATIVA – O debate público eleitoral, constrangido pela enfadonha polarização, não contempla nada disso – nem os dilemas nem as oportunidades.

Ao contrário, não parece haver saída do confronto entre um governo desarticulado e com prazo de validade há muito vencido (sobretudo no campo das ideias), e um tipo de oposição comandada por um clã familiar de notável incompetência – para nem se falar de problemas morais.

Mas não caiu ainda a ficha de como é medíocre um tipo de populismo enfrentando o outro.

“Os Três Poderes firmaram um conluio contra a democracia”, afirma jurista

Na ânsia de agradar ao governo Lula, O Globo publica informações erradas

Charge reproduzida do site O Cafezinho

Carlos Newton

Tudo começou com as redes sociais repercutindo as matérias exclusivas publicadas pela Tribuna da Internet, dando conta que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria julgado novamente no Supremo, desta vez pela Segunda Turma, e havia amplas possibilidades de ser absolvido por 3 a 2, com votos favoráveis de Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.

As primeiras matérias da Tribuna foram publicadas em dezembro, trazendo informações de que os advogados de Bolsonaro haviam errado ao encaminhar embargos infringentes ao relator Alexandre de Moraes, porque o recurso deveria ter sido enviado à Segunda Turma, que funciona como revisora da Primeira Turma, e vice-versa.

MORAES APROVEITOU – Esse erro processual da defesa de Bolsonaro foi aproveitado pelo ministro Moraes, que não mais poderia atuar no processo. Surpreendentemente, apesar dessa restrição regimental, ele decretou o trânsito em julgado e encerrou a causa, possibilidade que somente poderia ocorrer após o exame dos embargos pela Segunda Turma.

Bolsonaro mudou de advogados e entrou com uma ação de revisão criminal, uma alternativa que a Tribuna já havia aventado meses atrás, mas os novos defensores também cometeram erros infantis, que não cabe analisar agora.

O importante é entender que a ação de revisão criminal foi aceita, conforme o Regimento determina, e o novo processo começou a tramitar em maio na Segunda Turma, com forte repercussão aqui na Tribuna, mas sem destaque no resto da imprensa.

NOVO RELATOR – Ainda em maio, houve sorteio eletrônico e Nunes Marques se tornou relator. Na forma da lei, o novo processo foi então encaminhado para a Procuradoria-Geral da República, que opinou em junho, sugerindo o arquivamento. Mas o relator Nunes Marques não acolheu o pedido da PGR e manteve a tramitação, que está interrompida pelo recesso de julho.

O próximo passo agora é Nunes Marques apresentar seu relatório, ainda em agosto, para que os outros ministros tomem conhecimento e seja marcada a sessão presencial para julgar a revisão criminal, que deve acontecer em setembro.

Esta é a situação do processo que pode inocentar e libertar Jair Bolsonaro, dependendo dos votos dos ministros Nunes Marques, André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Luiz Fux .

VALDEMAR EUFÓRICO – Na semana passada, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi informado das notícias que a Tribuna vem publicando e ficou eufórico com a possibilidade de  ocorrer uma virada no STF.

A resposta não tardou. Na quarta-feira, dia 8, O Globo divulgou informações manipuladas, dizendo que Costa Neto estava  equivocado, porque  “há vários obstáculos jurídicos que tornam remota qualquer possibilidade de reviravolta no cumprimento da pena de Bolsonaro”. E acrescentou:

“Além da dificuldade da revisão criminal prosperar no STF, nem mesmo a anistia encampada pelo bolsonarismo no Congresso tornaria o ex-presidente livre de imediato. Após ser aprovado, o chamado PL da Dosimetria teve seus efeitos suspensos por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Mas, ainda que a decisão seja revista e a lei entre em vigor, Bolsonaro só deixaria o regime fechado em meados de 2028, como mostrou O Globo”.

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P.S. 1
– Esta reportagem, sem a menor base jurídica, foi um grave erro do jornalão, pois não existe qualquer restrição capaz de impedir que a condenação de Bolsonaro seja anulada. Pelo contrário, se ele for absolvido, o Alvará de Soltura tem de ser assinado no mesmo dia do julgamento. Aliás, é exatamente o que vai acontecer, conforme a Tribuna vem anunciando desde dezembro, com absoluta exclusividade.

P.S. – Desculpem a insistência, mas amanhã vamos voltar ao assunto, porque na sexta-feira, dia 10, depois que apontamos aqui na Tribuna o erro de O Globo, o jornalão teve a audácia de publicar nova matéria para desmentir nossas informações, sem ter o cuidado de consultar o Regimento do Supremo, para não sofrer outro vexame jornalístico. Aliás, se Roberto Marinho estivesse vivo, poderia morrer novamente, de tanta vergonha que sentiria, devido ao despreparo de seus jornalistas de política. (C.N.)

Filhos e mulheres de ministros do STF são “fenômenos” em enriquecimento

O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, declarou possuir R$ 27,7 milhões investidos em fundos de renda fixa pouco mais de dois

Reprodução do site Nação Jurídica

Mário Sabino
Metrópoles

Eles — não os nossos — são de um talento extraordinário, e não só na advocacia, diga-se, embora seja o campo do conhecimento humano no qual esses superdotados mais exibem a sua inteligência, a sua vivacidade, o seu preparo intelectual.

Graças aos jornalistas Lucas Marchesini e Thaísa Oliveira, ficamos sabendo que um rebento do ministro Kássio Nunes Marques, advogado de apenas 26 anos, já construiu um patrimônio financeiro inalcançável para a imensa maioria de causídicos veteranos.

MILIONÁRIO – Com apenas dois anos de vida profissional, o rapaz acumulou R$ 27,7 milhões, aplicados em fundos de investimento.

“Documentos da CVM enviados à CPI do Crime Organizado do Senado mostram um aumento do patrimônio de Kevin em 2025. Naquele ano, ele já tinha cerca de R$ 5 milhões em cotas de um fundo de renda fixa do Banco do Brasil. No segundo semestre, ele fez nova aplicação, de mais de R$ 22 milhões”, informam os jornalistas.

Kevin, tal é o nome do nosso Cesare Beccaria, formou-se em fevereiro de 2025, abriu escritório próprio seis meses depois, mas os seus dons advocatícios não demoraram a ser notados. Ele arrebanhou clientes do porte da Refit e do Grupo Petrópolis, certamente ignaros da linhagem familiar do rapaz.

GENÉTICA ESPECIAL – O filho de Nunes Marques é somente mais um caso impressionante dentre outros da genética especial de ministros do Supremo.

Temos também o filho de Luiz Fux, dono de um escritório espetacular no Rio de Janeiro. Rodrigo tem uma carteira de clientes que inclui a Petrobras e a Avon. Sim, a Petrobras, leitor.

Imagino que a ambição de Kevin e de Rodrigo seja superar os honorários da mulher do ministro Alexandre de Moraes, a doutora Viviane Barci de Moraes, outro talento insuspeito até sair a notícia de que o seu escritório havia abocanhado um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Como se diz nas bancas de advocacia de São Paulo, a doutora Viviane Barci de Moraes é o Neymar da advocacia brasileira.

MAIS UMA – Há ainda a mulher de Dias Toffoli… Mas não é mais mulher, é ex-mulher? Então, vamos deixar para lá, porque já basta que ex seja um problema eterno para o diretamente envolvido.

Eu disse que os filhos de ministros do STF não são prodigiosos apenas na advocacia, e há um exemplo fulgurante: o filho do decano, Francisco, é o mandachuva na CBF, apesar de não ter cargo na direção da entidade que dita os rumos (cada vez piores) do futebol nacional. Ele vai chegar lá.

O rapaz orgulha-se de ter sido o responsável pela convocação de Neymar, o jogador. Ou se orgulhava antes de a seleção brasileira, a pátria de chuteiras ungida pelo filho da toga, dar aquele vexame diante da Noruega.

MANDO DE CAMPO – Francisco Mendes começou a jogar na CBF emplacando o instituto do pai como mandante no campo da CBF Academy.

O IDP de Gilmar Mendes ministra cursos de formação de negócios e gestão para profissionais da área esportiva e fica com 84% dessa bilheteria.

Assim, hoje há os filhos (e as mulheres) dos ministros do Supremo Tribunal Federal e há os nossos filhos (e as mulheres). É porque há eles e todo o resto.

Planalto intensifica controle sobre ministros para evitar infrações eleitorais

TJ de São Paulo pagou R$ 184 milhões em penduricalhos após decisão do STF

Charge do Alpino (Arquivo do Google)

Fernanda Fonseca
Gabriela Boechat
CNN

O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) pagou R$ 184,4 milhões em “penduricalhos” a magistrados apenas em maio deste ano, primeiro mês em que os pagamentos já estavam submetidos à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que fixou limites para verbas extras da magistratura.

O Supremo determinou que os parâmetros passariam a valer a partir do mês-base abril de 2026, com reflexo na remuneração paga em maio. O tribunal paulista não havia informado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) os pagamentos referentes a junho até a conclusão do levantamento.

RUBRICAS – Os dados fazem parte de levantamento da CNN com base no Portal de Remuneração da Magistratura, do CNJ. A apuração considera rubricas classificadas como direitos pessoais, indenizações e direitos eventuais, categorias usadas para identificar os chamados penduricalhos.

O valor pago pelo TJSP foi o maior gasto mensal identificado entre os tribunais estaduais com dados disponíveis. Sozinho, o tribunal paulista concentrou 38% dos R$ 479,9 milhões pagos em penduricalhos por 23 tribunais estaduais em maio.

Nenhuma outra corte chegou à metade do valor registrado em São Paulo no mês. O segundo maior gasto foi do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), que pagou R$ 74,9 milhões em penduricalhos em maio.

PARÂMETROS – Em março, o STF fixou parâmetros para limitar o pagamento dos chamados “penduricalhos” e reforçar o cumprimento do teto constitucional, hoje em R$ 46,3 mil. Essas verbas são pagas além do subsídio mensal de juízes e desembargadores, como direitos pessoais, indenizações, auxílios, plantões, férias e licenças não usufruídas.

A Corte não proibiu todas as rubricas, mas determinou o corte imediato de auxílios criados por normas locais e estabeleceu que outras verbas só podem ser pagas em situações específicas, com limites e comprovação. Entre os parâmetros definidos está o limite de 35% do subsídio para verbas indenizatórias autorizadas, como férias, plantões e licenças não usufruídos por necessidade de serviço.

O STF também autorizou o pagamento da PVTAC (Parcela de Valorização por Tempo de Antiguidade na Carreira), equivalente a 5% a cada cinco anos de atividade jurídica, sempre respeitado o limite de 35% do subsídio.

OUTRO LADO – Questionado pela CNN, o CNJ afirmou que os dados do Painel de Remuneração da Magistratura são oficiais e fornecidos diretamente pelos tribunais, que também são responsáveis pela validação das informações.

O conselho acrescentou que a Corregedoria Nacional de Justiça acompanha o sistema remuneratório e “está atenta a eventuais descumprimentos” das regras fixadas pelo STF. A CNN procurou o TJSP, mas não recebeu retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Carta de Bolsonaro pode fortalecer Flávio, mas silencia sobre Michelle

No futuro, dirão que existiu um país do futebol com um rei chamado Pelé

Tostão, eterno ídolo do Cruzeiro, recebe a primeira dose de vacina contra a  Covid-19 - Lance!

A desorganização da CBF e do futebol desanima Tostão

Tostão
Folha

Neste momento de decepção, de mais um fracasso da seleção brasileira, pois criamos uma enorme expectativa muito acima da realidade, surgem os discursos românticos, ilusórios, perdidos no tempo, de que o futebol brasileiro precisa voltar às origens, aos anos 60 e 70, e passar a jogar o futebol arte, de dribles, improvisações, sem disciplina tática.

Dribles é que não faltam. Precisamos associa-los ao jogo coletivo, de mais trocas de passes e de domínio da bola e do jogo. A seleção brasileira e os times brasileiros priorizam as estocadas, os lances individuais e a pressa de chegar ao gol.

EQUÍVOCOS – Outro discurso equivocado é o de que temos muitos craques, mas faltam estratégias mais eficientes. Precisamos melhorar a maneira de jogar e aumentar o número de craques. Há muitos bons jogadores, alguns especiais, como Vinicius Junior, porém, existe uma carência de bons laterais, falta um craque no meio campo e na posição de centroavante.

O futebol brasileiro necessita de uma grande mudança no planejamento, na execução do que foi programado e na formação de atletas. O antigo chavão de que no Brasil nasce um craque em cada esquina já era. Quem não se prepara, não sabe fazer.

 

Casemiro, que teve grandes momentos em sua carreira, nos clubes e na seleção, certamente estará fora das próximas convocações. O Brasil precisa de mais leveza no meio campo, de meio-campistas que atuam de uma intermediaria a outra, que marcam e iniciam os ataques com ótimos passes.

UM JOGAÇO – O ideal no futebol é unir e alternar as precisas trocas de passes e o talento do meio campo da Espanha com a agressividade, a habilidade, velocidade e técnica dos atacantes da França. As duas seleções farão uma das semifinais, um jogaço.

A Espanha não se afoba, não muda o seu jeito de jogar nas dificuldades. Contra a Bélgica, continuou trocando muitos passes até sair o gol da vitória por 2×1.

Quando escrevo que não há mais motivos para dividir o meio campo entre os camisas 5, 8 e 10 enfatizo que eles não precisam ter posições fixas nem uma única função. Mas, quando uma equipe possui um craque como Olise, da França, que joga da intermediaria para o gol, é uma grande vantagem. Os craques são mais importantes do que o desenho tático.

PAÍS DO FUTEBOL? – Receio que no futuro, a história conte que havia um país do futebol que tinha um rei, Pelé, e um grande número de craques fenomenais que jogavam o futebol bonito, espetacular e eficiente. O mundo parava para ver o Brasil atuar.

Porém, por causa da desorganização, da ganância, da incompetência, da corrupção, dos otimistas prepotentes, da globalização e da evolução dos outros países, o futebol brasileiro tornou-se igual a tantos outros e abaixo das principais potências.

É preciso reagir. O futuro não é destino. O futuro é o que será construído.

COPA DE 1966 – Participei, com 19 anos, de um período ainda pior da seleção brasileira, a desclassificação na primeira fase da Copa de 1966 após o Brasil ser campeão em 1958 e 1962. Alguns jogadores presentes em 1966 fizeram parte da seleção de 1970 que encantou o mundo.

Jovens, como Rayan, Endrick, além de Estevão e Rodrygo, contundidos, têm grandes chances de brilhar em 2030.

Após a eliminação em 1966, Carlos Drummond de Andrade, o poeta maior, na bela poesia: “Aos Atletas”, escreveu: “…a hora dura do esporte, sem a qual não há prêmio que conforte, pois perder é tocar alguma coisa mais além da vitória, é encontrar-se naquele ponto onde começa tudo a nascer do perdido, lentamente”.T

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