Crise de credibilidade que cerca Jaques Wagner se agrava por falta de explicações

Operação apreendeu US$ 55 mil e € 33,5 mil ligados ao senador

Pedro do Coutto

Há momentos em que uma investigação criminal produz efeitos políticos muito antes de qualquer sentença. Não porque a culpa tenha sido estabelecida, mas porque a credibilidade das explicações passa a ocupar o centro do debate público. É exatamente esse o estágio em que se encontra o senador Jaques Wagner,.

A apreensão, pela Polícia Federal, de US$ 55 mil e € 33,5 mil em endereços ligados ao parlamentar acrescentou um novo componente a uma investigação que já vinha ganhando dimensão nacional em razão das suspeitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, o Banco Master e supostas vantagens indevidas concedidas a agentes públicos.

A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, integra mais uma fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

CONTRADITÓRIO – Em qualquer democracia madura, a simples apreensão de valores em espécie não constitui prova de crime. O devido processo legal exige investigação, contraditório e julgamento. Entretanto, quando se trata de um dos principais articuladores políticos do governo federal, a exigência de transparência torna-se ainda maior. Foi justamente nesse aspecto que a defesa apresentada pelo senador encontrou dificuldades.

Jaques Wagner afirmou que os dólares e euros apreendidos correspondem, em grande parte, a diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior ao longo dos últimos anos, além de moeda estrangeira adquirida legalmente para compromissos internacionais.

Segundo ele, como costuma utilizar cartão de crédito durante essas viagens, o dinheiro permaneceu guardado em espécie, inclusive em envelopes do próprio Senado Federal. A explicação, embora juridicamente possível, abriu novas frentes de questionamento.

PERÍCIA – O montante apreendido equivaleria a aproximadamente R$ 482 mil, valor superior às diárias oficialmente recebidas pelo senador desde o início do atual mandato. Além disso, a Polícia Federal pretende submeter as cédulas à perícia, verificando a numeração de série das notas para identificar sua origem, o período em que foram emitidas e eventual compatibilidade com os saques realizados pelo parlamentar em viagens oficiais. Trata-se de um procedimento técnico que poderá confirmar ou afastar a versão apresentada pela defesa.

Esse detalhe talvez seja o mais relevante de toda a investigação. Ao contrário de declarações políticas, documentos e perícias possuem objetividade. As cédulas carregam uma espécie de identidade própria. A sequência numérica permite rastrear lotes, períodos de emissão e, em determinadas circunstâncias, reconstruir parte de sua circulação. Caso a perícia demonstre compatibilidade com os saques informados pelo senador, sua versão ganhará consistência. Caso contrário, as dúvidas naturalmente aumentarão.

Enquanto isso, o problema deixa de ser apenas jurídico para assumir uma dimensão política. Governos dependem de confiança para exercer liderança no Congresso. O líder do governo não representa apenas seu partido; representa a própria Presidência da República nas negociações legislativas. Quando essa figura passa a concentrar sucessivas manchetes relacionadas a investigações policiais, o desgaste inevitavelmente ultrapassa sua esfera pessoal.

LEGITIMIDADE – Não se trata de antecipar condenações, mas de reconhecer um princípio elementar da vida pública: a autoridade política também repousa sobre a percepção de legitimidade. Esse aspecto ganha ainda mais importância porque a investigação não se restringe ao dinheiro encontrado.

A Polícia Federal também apura suspeitas de que Jaques Wagner teria recebido outras vantagens, como a promessa de aquisição de um apartamento em Salvador, viagens em aeronaves privadas, ingressos para eventos internacionais e eventual atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master. Todas essas suspeitas são negadas pelo senador, que afirma jamais ter praticado qualquer ato ilegal e sustenta que poderá esclarecer integralmente os fatos ao longo da investigação.

Do ponto de vista institucional, talvez o maior desafio recaia agora sobre o presidente Lula da Silva. Segundo diferentes veículos de imprensa, Lula deverá discutir pessoalmente com Jaques Wagner sua permanência na liderança do governo. A decisão não será simples.

ASSOCIAÇÃO – Mantê-lo no cargo transmite confiança em um aliado histórico, mas prolonga a associação entre o Palácio do Planalto e uma investigação criminal em curso. Substituí-lo, por outro lado, poderia ser interpretado como reconhecimento de fragilidade política antes mesmo da conclusão das apurações.

Esse é um daqueles momentos em que a política precisa equilibrar dois valores igualmente importantes. De um lado, a presunção de inocência, fundamento indispensável do Estado de Direito. Nenhum agente público deve ser tratado como culpado antes da decisão definitiva da Justiça.

RESPONSABILIDADE – De outro, existe o princípio da responsabilidade política. Cargos de elevada relevância institucional exigem não apenas inocência jurídica, mas também capacidade de preservar a credibilidade das instituições que representam. O caso de Jaques Wagner evidencia exatamente essa tensão.

A investigação seguirá seu curso, a perícia poderá confirmar ou refutar as justificativas apresentadas e caberá ao Judiciário decidir se existem elementos para eventual responsabilização criminal. Até lá, permanece uma realidade incontornável: em política, muitas vezes, a força de uma liderança não depende apenas da legalidade de seus atos, mas também da capacidade de convencer a opinião pública de que suas explicações resistem ao escrutínio dos fatos. É justamente nesse terreno — o da confiança — que se trava, neste momento, a principal batalha política do líder do governo.

Ministro revela: “25,2 milhões de pessoas fazem apostas em bets ilegais no Brasil”

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Charge do MM (Arquivo Google)

Arthur Bambini
CNN Brasil

O Ministro de Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, denunciou nesta sexta-feira (19) que 25,2 milhões de brasileiros apostam em casas de apostas ilegais. Segundo cálculos do governo, as perdas econômicas com apostas somam R$ 38,8 bilhões por ano, sendo 80% em danos à saúde.

A declaração foi feita em meio ao anúncio do governo de bloqueio das bets ilegais e repasse dos recursos dessas casas de apostas para ações de segurança pública.

DADOS ASSUSTASORES – “Temos números que ilustram essa dimensão. Estamos falando de que as bets ilegais significam algo entre 41% e 50% das plataformas”, destacou o Wellington Lima.

O ministro afirmou também que a SPA (Secretária de Prêmios Apostas) já bloqueou mais de 40 mil domínios de casas de apostas que não operam de acordo com a lei brasileira.

Segundo estimativas do governo federal, um a cada quatro brasileiros aposta diariamente, e metade da população aposta pelo menos uma vez por semana.

BAIXA RENDA – Os dados apontam que os apostadores são jovens de baixa renda. Segundo o levantamento do ministério, 69% de quem aposta em bets tem entre 19 e 29 anos, e 63% do público desses sites tem renda familiar de até dois salários mínimos.

As apurações indicam que significativo volume de apostas é feito com recursos do programa Bolsa Família, destinado a garantir a alimentação de famílias carentes.

Em publicação nas redes sociais, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que os recursos bloqueados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e reforçarão o combate às estruturas financeiras do crime organizado no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula prometeu proibir as bets, caso prejudicasse a população, o que é óbvio, mas até agora nada vez. A proibição das apostas em bets está sendo reivindicada na Justiça em processo movido pelo ex-deputado paulista Afanásio Jazadji, através do escritório do advogado Luiz Nogueira. O processo está aguardando decisão da Justiça Federal em Brasília (18ª Vara Cível), que está retardando demais a decisão. A importantíssima ação judicial somente é acompanhada pela Tribuna da Internet. Nenhum outro órgão de comunicação demonstra interesse. Por que será? (C.N.)

Trump debocha de Lula, que responde duramente, e as relações se complicam

Trump ameaça dobrar a aposta se Lula retaliar tarifaço

Trump e Lula já têm 80 anos, mas ainda agem como crianças

Vicente Limongi Netto

Assisti  na TV a uma entrevista em que Donald Trump debocha de Lula, chamando-o de “volátil” e dizendo não dar a mínima para ele.  Interessante lembrar que Trump já recebeu lula na Casa Branca duas vezes. Numa delas até elogiou a boa química que havia entre eles.

Agora, Trump quer descontar em Lula a condenação pelo Supremo Tribunal federal (STF) do ex-deputado fujão Eduardo Bolsonaro.

OUVIR CALADO? – Não está escrito em nenhum manual de boas condutas que Lula tem que ouvir calado as diatribes de Trump.

O presidente brasileiro havia comentado que Trump não deve se meter nas eleições no Brasil. Foi seco e enfático.  Mas Trump tenta desgastar Lula com opiniões que também servem para ele. Típico tiro no pé.

Chamou Lula de volátil. Isso significa que precisa mandar colocar um espelho grande no salão oval da Casa Branca. As ações de Trump, muitas delas recuando e voltando atrás em exageradas declarações, equivalem dizer que também é tão volátil quanto Lula. Ainda em doses maiores.

DOIS VELHINHOS – Trump e Lula são oitentões. Ambos costumam falar bobagens pelos cotovelos.  Brasil e Estados Unidos não se equivalem em grandeza, mas são nações soberanas e respeitadas no mundo. Como presidente da república brasileira, Lula não pode nem deve admitir grosserias ou ironias de outros governantes.  Nada deve ficar sem resposta.

Sem respeito mútuo e cordialidade, não existe civilidade, não é possível estreitar relações diplomáticas e comerciais. As eleições estão perto, no Brasil e nos Estados Unidos. Trump que cuide dos problemas norte-americanos e deixe lula cuidar dos dramas brasileiros. 

Cada um no seu quadrado.  Trump e Lula têm pavio curto. Melhor assim. Leviandades e exageros verbais dos dois lados não ficarão sem resposta.

LIXO POLÍTICO – Para demonstrar a que ponto chegamos, é revoltante ver o roto Davi Alcolumbre elogiando o esfarrapado Jaques Wagner.

Os dois representam a escória imunda de canalhas que desgraçadamente dominam a vida pública brasileira. 

Erro do Supremo é interpretar a Constituição e as leis, ao invés de obedecê-las

Associações criticam busca e apreensão de Moraes contra jornalista | Blogs | CNN Brasil

Moraes manipulou claramente algumas leis e descumpriu outras

Carlos Newton 

Ao assumir o cargo, em compromisso solene na sessão de posse, antes da assinatura do termo que oficializa o início do mandato, todo presidente brasileiro promete “manter, defender e cumprir a Constituição da República, observar as suas leis, promover o bem geral do Brasil, sustentar-lhe a união, a integridade e a independência“.

Vejam como é importante a chamada Carta Magna, expressão latina que designa o documento assinado em 1215 pelo rei João da Inglaterra, conhecido historicamente como “João Sem-Terra”.

PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO – Inicialmente chamado de Carta das Liberdades, o documento foi a primeira Constituição criada na História, e tinha objetivo de pacificar o país, que sofria uma rebelião dos nobres ingleses, insatisfeitos com os impostos, abusos de poder e derrotas militares.

Sob a ameaça da guerra civil, João Sem-Terra preferiu assinar um acordo que limitava os poderes da Coroa e garantia direitos fundamentais aos “homens livres”.

O texto protegia a Igreja, proibia prisões arbitrárias, garantia o direito a julgamento justo e estabelecia que ninguém — nem mesmo o rei — estava acima da lei. Tornou-se, assim, a base do futuro regime democrático, que passaria a ser adotado cinco séculos depois, através da Teoria dos Três Poderes, criada em 1748 pelo barão de Montesquieu, um dos filósofos do Iluminismo, ao lado de John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Denis Diderot, Adam Smith e François-Marie Arouet, conhecido como Voltaire.

NADA FÁCIL – Pode-se até pensar que seria fácil manter uma democracia, pois basta seguir a Constituição, mas na verdade ainda é muito difícil. Entre os 193 países que compõem a ONU, no máximo 80 podem ser considerados democráticos, e entre eles está o Brasil, com a segunda Constituição mais extensa do mundo, superada apenas pela indiana.

É lamentável que a Constituição e as leis do Brasil tenham passado a ser desprezadas a partir de 2019, quando o então ex-presidente Lula da Silva foi libertado ilegalmente pela Suprema Corte, após ser condenado por corrupção em três instâncias, por 10 magistrados e sempre por unanimidade.

O pior é que os descumprimentos às leis foram num crescendo, até culminar com a incriminação de mais de 1,5 mil manifestantes do 8 de Janeiro, ridiculamente considerados como terroristas, e depois houve a condenação também ilegal dos envolvidos no golpe que não houve.

INOVAÇÃO BRASILEIRA – No Direito Universal, não existe punição para planejamento de crime, e o Supremo então atropelou as leis para condenar os chamados golpistas.

Na verdade, esse exagero do STF não era necessário, porque existem normas legais determinando punição para quem planeja golpe de estado, mas não o concretiza. É a Lei 1079, de 1950 (governo Eurico Dutra).

Bolsonaro infringiu claramente três dispositivos: 1) Provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis; 2) Incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina; 3) Praticar ou concorrer para que se perpetre qualquer dos crimes contra a segurança interna.

NA FORMA DA LEI – Por excesso de rigor e desprezo às leis vigentes, o relator Alexandre de Moraes levou o Supremo a infringir a Constituição, quando deveria fazer cumprir a legislação atual, que puniria Jair Bolsonaro com suspensão dos direitos políticos por 8 anos.

A mesma condenação deveria ser estendida aos generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, ao almirante Almir Garnier e aos outros militares e civis comprovadamente envolvidos na trama golpista, aquela que foi planejada, mas não se concretizou.

Se preferisse agir assim, dentro da lei, o ministro Moraes teria alcançado o mesmo impacto de desmoralização de Bolsonaro e seus cúmplices, sem esse abuso de condená-los a longas penas de prisão, um absurdo que radicalizou perigosamente a polarização já existente no país.

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P.S. 1 –
Para chegar a penas longas, o relator Moraes agiu de forma totalmente irregular, ao duplicar várias leis excludentes entre si (ou se comete um crime ou o outro, jamais os dois simultaneamente).

P.S. 1 – O que Alexandre de Moraes deveria ter feito era  alertar o Congresso para a necessidade de regulamentar mais adequadamente os crimes de responsabilidade do presidente da República, para criar penas de prisão que não existem na legislação em vigor e foram inventadas pelo Supremo. Realmente, não dá para entender que não haja pena de reclusão para crimes de responsabilidade que coloquem em risco a democracia. Mas quem se interessa? (C.N.)

Mendonça proíbe PL de impulsionar propaganda negativa contra Lula nas redes sociais

Polícia Federal expõe políticos de direita e esquerda como “amigos” de Vorcaro

Ala do STF se mobiliza para revisar decisões eleitorais e amplia tensão no TSE

Ministros do STF desafiam comando de Kassio

Luísa Martins
Raphael Di Cunto
Folha

Decisões envolvendo as eleições inauguraram um novo ponto de atrito entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Um grupo de magistrados da corte se prepara para atuar como uma espécie de instância revisora de decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e fazer frente à gestão de Kassio Nunes Marques.

O embate ficou exposto quando a Primeira Turma do Supremo e o plenário do TSE começaram a julgar simultaneamente, em seus respectivos plenários virtuais, um caso envolvendo as eleições suplementares em Roraima. A discussão gira em torno do prazo para que candidatos deixem os cargos públicos para disputar o pleito, marcado para este domingo naquele estado.

DIVERGÊNCIAS – Após uma liminar do ministro Flávio Dino, no STF, determinando que a desincompatibilização ocorresse de três a seis meses antes da eleição, e não as 24 horas previstas em resolução do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Roraima, Kassio quis marcar posição e também pautou a discussão no TSE. Os dois ministros têm posições divergentes sobre o tema.

Dino obteve maioria na turma, acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin (o colegiado tem apenas quatro integrantes, faltando a posição da ministra Cármen Lúcia). Kassio também conseguiu maioria no TSE, com os votos de Dias Toffoli, André Mendonça e Antônio Carlos Ferreira, mas houve pedido de vista da ministra Estela Aranha.

Interlocutores de Kassio afirmam que o ministro quer defender o papel da Justiça Eleitoral e a jurisprudência do próprio TSE, que aponta para a possibilidade de haver prazos mais flexíveis em eleições suplementares. Em seu voto, o presidente da corte eleitoral afirmou que a liminar de Dino cita precedentes que não se aplicam ao caso de Roraima.

ACORDO – Na semana passada, integrantes do STF também fizeram chegar a Kassio que a corte derrubaria sua decisão de censurar a pesquisa Atlas/Bloomberg que apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após diálogos entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O presidente do TSE afirmou a aliados que já tinha isso no radar, mas que a possibilidade de costurar um acordo pode ser salutar para que a crise não escale.

Segundo relatos feitos à Folha, Kassio tem reclamado com parlamentares sobre o receio de que uma ala do Supremo tome para si questões eleitorais na tentativa de esvaziar suas atribuições no comando do TSE. Esse grupo, por outro lado, afirma que o STF tem a prerrogativa de atuar se houver indícios de violação a alguma questão constitucional.

Um dos pontos de maior embate pode ser a remoção de conteúdo nas redes sociais durante a campanha. Ex-presidente do TSE, Moraes teve em 2022 uma atuação rígida em relação às plataformas, sob ameaça de altas multas e prazos exíguos para retirada de publicações. Já Kassio sinalizou que vai atuar de forma mais contida nessas situações.

CASO DE CLÁUDIO CASTRO – Outro caso que ilustra o conflito entre Supremo e TSE em temas eleitorais é o do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo em março às vésperas de ser condenado à inelegibilidade por abuso de poder. Ministros do STF criticaram a incongruência entre o que foi debatido pela corte eleitoral e o acórdão (resumo) do julgamento.

O esclarecimento sobre a cassação é considerado tecnicamente crucial para que o STF decida se as novas eleições no Rio devem ser diretas, com voto popular, ou indiretas, em que a deliberação cabe à Assembleia Legislativa. O julgamento do caso, de relatoria de Zanin, está suspenso por pedido de vista de Flávio Dino.

Dois ministros da ala oposta à de Kassio no Supremo têm lembrado, em conversas reservadas, que em 2022 o próprio deu decisões monocráticas (individuais) para derrubar cassações impostas pelo TSE, caso dos então deputados Valdevan Noventa e Fernando Francischini. As liminares acabaram revertidas pela Segunda Turma.

DEFERÊNCIA – Em geral, a postura do Supremo é de deferência às decisões do TSE envolvendo cassação de políticos, em especial as que são tomadas por unanimidade. Em 2023, por exemplo, o STF manteve a condenação do ex-deputado federal e ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol.

Ações ajuizadas no Supremo contra resoluções eleitorais também não costumam prosperar. A corte validou, por exemplo, a norma da gestão de Moraes que, às vésperas do segundo turno de 2022, aumentou os poderes da corte eleitoral sobre conteúdos publicados na internet. Uma abordagem de maior interferência, portanto, seria uma “mudança de tradição”, conforme classificou um integrante da área jurídica do TSE.

DESINFORMAÇÃO –  Defensores da continuidade do inquérito das fake news, Moraes e o ministro Gilmar Mendes manifestaram a pessoas próximas preocupação com uma postura potencialmente menos rigorosa do TSE em relação ao combate à desinformação e sinalizaram que o Supremo poderá atuar nesse tema se alguma omissão for identificada.

Em seu discurso de posse, Kassio disse que a corte eleitoral tem o dever de combater ameaças concretas ao processo democrático, especialmente com os desafios do uso da inteligência artificial, mas alertou que o TSE não pode “incorrer em excessos incompatíveis com o Estado democrático de Direito”.

Vorcaro soube corromper, ao mesmo tempo, os Três Poderes da República

Vorcaro muda de patamar... - Blog da Denise

Charge do Caio Gomez (Correio Braziliense)

José Casado
Veja

O suave aroma de cerejeiras em flor na primavera parisiense invadiu o jantar de Ciro Nogueira, senador, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e presidente do partido Progressistas. À saída, ele nem precisou se preocupar com a conta de 121.500 reais.

O roteiro daquele abril de 2024, escolhido pelo amigo banqueiro, previa também périplos noturnos por ambientes enfumaçados, decorados em vermelho-pecado, com mesa íntima para duas pessoas ao custo de cinco salários-mínimos – comida, bebidas e gorjetas à parte.

UM MÊS DEPOIS… – Maio foi em Lisboa, com dias longos, secos, céu de azul sublime e múltiplos fóruns de brasileiros inebriados na ficção útil de localizar no passado uma ponte para o futuro do Brasil.

Vou precisar do hotel (Four Seasons), de segunda a sábado — disse ao secretário o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em mensagens resgatadas pela polícia. — Preciso (de) mais dois quartos lá… Ciro (Nogueira) e Hugo (Motta, presidente da Câmara dos Deputados).

O.K. Tem a lista de homens? Senão, como saberemos quem pode entrar de homem?

O banqueiro relaciona: Fábio Faria (ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro); Hugo Motta (deputado federal); Ciro Nogueira (senador); Luizinho (Luiz Antonio Teixeira Jr., deputado federal); … Bruno Ferrari (acionista da Oncoclínicas); eu…

PRIVACIDADE – A conta de hospedagem ultrapassaria 90 000 reais por cabeça. Vorcaro estava preocupado com a privacidade:

A gente não pode deixar acontecer igual aconteceu em Nova York… Que venham pessoas, falam que vai pegar um elevador para outro andar, e clica lá no nosso andar. Tem que ficar alguém dentro do elevador

No maio anterior todos estiveram em Nova York, onde também florescem fóruns de brasileiros debatendo problemas seculares do Brasil. Aquela primavera nova-iorquina foi inesquecível para Cláudio Castro, então governador do Rio.

FILÉ DOURADO – Castro se apaixonou por um filé banhado em ouro de 24 quilates. O bife custou 10.000 reais. Vinho, sobremesa e café, outros 50.000 reais.

Mais tarde, um grupo de quinze amigos do cartão de crédito de Vorcaro esticou a noite num clube de jazz, onde se pode fumar e beber sem culpa.

Na entrada, brut francês de 3.380 reais. Depois, uísque irlandês de 5.000 reais a garrafa. Por fim, conhaque francês de 2.800 reais para acompanhar a queima de charutos dominicanos de 1.100 reais cada. A conta total ficou em 5,2 milhões.

GRANDE NEGÓCIO – A primavera nova-iorquina rendeu um dos melhores negócios já feitos por Vorcaro. Ele pagou um jantar de 60.000 reais para o governador fluminense e, no almoço seguinte, recebeu 80 milhões de reais do fundo de previdência dos servidores estaduais para aplicação em títulos Master

Reais resgatáveis somente no endereço imaginado pelo poeta Vinicius de Moraes: Rua dos Bobos, Número Zero. Lucrou 1.300 em cima de cada real que investiu no prato, no copo e no prazer do governador do Rio.

Vorcaro se distinguiu pela ousadia nos laços com o condomínio do poder. Não doava, distribuía dinheiro. Aceitava pedido de 134 milhões de reais do candidato presidencial do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro.

Requisitava consultoria de um ex-presidente da República, Michel Temer, e de um ex-presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Comprava a parte do juiz Dias Toffoli num hotel, enquanto contratava escritório familiar de outro juiz do Supremo, Alexandre de Moraes.

CORROMPENDO GERAL – Enlaçou tanto ministros e ex-ministros, como Rui Costa, Walfrido Mares Guia, Guido Mantega e Flávia Péres, quanto líderes do Centrão e do Partido dos Trabalhadores, como Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e Jaques Wagner (PT).

Usou todas as moedas disponíveis, inclusive festas com mulheres bonitas em pouca ou nenhuma roupa, recrutadas no Leste Europeu.

Corrompeu executivos do Banco Central, pagou altas comissões na Faria Lima e montou uma pirâmide financeira de 800 000 clientes. Os prejuízos superam 80 bilhões de reais.

MAIOR SONHO – Vorcaro sonhou o sonho de lobistas: mudar a Constituição para benefícios privados. O projeto do Master foi chancelado pelo senador Ciro Nogueira. Passou despercebido num Legislativo que reescreve a Carta a cada trimestre (já são 139 emendas).

A proposta foi rejeitada no Senado e ressuscitou na Câmara pelas mãos do deputado Filipe Barros, líder da bancada bolsonarista.

Na prisão, Daniel Vorcaro, 42 anos, agora resolveu apostar no tempo. Acha que até as eleições amigos do seu cartão de crédito conseguem retirá-lo da cadeia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGGrande texto de José Casado, enviado por Júlio Di Giorgi. O artigo sintetiza a podridão dos Três Poderes, que parece resistir a tudo neste país com autoridades à venda. (C.N.)

PL mira Ceará como estado estratégico, mas aliança com Ciro divide bolsonarismo

Aproximação entre o PL e Ciro é criticada por Michelle

Luis Felipe Azevedo
O Globo

Estado que divide a família Bolsonaro, o Ceará ocupa posição estratégica nos planos eleitorais do PL nesta eleição. Segundo o senador Rogério Marinho, que coordena a pré-campanha de Flávio ao Planalto, a sigla projeta eleger seis deputados federais — a bancada é composta atualmente por três.

Até o momento, não há definição se a legenda estará na chapa do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. A aproximação entre o PL e o tucano é criticada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e motivou divergências internas no núcleo bolsonarista.

PONTO ESTRATÉGICO – “O Ceará, para nós, é estratégico. Vamos estar lá no dia 10 de julho para dar apoio às nossas candidaturas. Faremos seis deputados federais, essa é a nossa expectativa. Também teremos candidato ao Senado”, disse Marinho a jornalistas nesta semana. O estado deu vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. O petista teve 69,97% dos votos, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alcançou 30,03%.

O PL deve reunir Flávio e Michelle no evento do mês que vem, que não terá a presença de Ciro Gomes. O diretório do PL no Ceará deseja lançar o deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado na chapa do tucano. A articulação conta com o apoio de Flávio. Por outro lado, a possibilidade de aliança com Ciro é desaprovada pela ex-primeira-dama, que defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual.

Michelle irá ao Ceará para participar do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas. Já Flávio acompanhará o lançamento da pré-candidatura de Alcides. O PL deve decidir até o fim da convenção partidária, no fim de julho, se optará pela candidatura de Fernandes ou de Costa ao Senado.

ROMPIMENTO –  A relação de Michelle com Flávio azedou quase um mês antes do anúncio dele como pré-candidato ao Planalto, em dezembro do ano passado. O afastamento ocorreu após o senador ter feitos críticas públicas à madrasta, classificando a postura da ex-primeira-dama como “autoritária”.

A fala do senador ocorreu após Michelle se posicionar contra uma aliança costurada no Ceará para que o bolsonarismo apoiasse Ciro ao governo estadual. A ex-primeira-dama tentou articular o apoio da legenda à Girão, que se coloca como oposição ao tucano. Na época, as negociações para que um acordo entre Ciro e o PL fosse firmado foram rompidas diante da exposição da divergência. Nos últimos meses, entretanto, há sinais de reaproximação entre a ala do tucano e o bolsonarismo no estado.

“MOMENTO CERTO” – Recentemente, Michelle afirmou que apoiará a candidatura do enteado “no momento certo”, sem detalhar quando pretende se engajar de forma mais direta na campanha, se é que isso vai acontecer. Apesar disso, não há previsão de que ela faça manifestações explícitas de apoio ao senador durante a agenda no Ceará.

Reservadamente, integrantes do partido avaliam que a simples presença dos dois no mesmo palco já terá peso político e poderá ser interpretada como um gesto de unidade dentro do grupo bolsonarista. A avaliação, porém, não significa que exista qualquer ação coordenada para transformar o evento em uma demonstração formal de apoio da ex-primeira-dama à pré-candidatura presidencial de Flávio.

Governo pede retorno de policiais cedidos e medida atinge equipe de André Mendonça

PGR rejeita pedido para barrar lei que flexibiliza penas dos condenados do 8 de Janeiro

Lula abre dez pontos sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno, aponta Datafolha

“Desilusão, desilusão… Danço eu, dança você, na dança da solidão”   

Desilusão, desilusão, na dança da solidão

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. A letra de “Dança da Solidão” retrata quando a pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento, ou seja, quando ela percebe a sua condição humana de ser ou ficar sozinha em seus sentimentos e em seus pensamentos.

A música foi gravada por Paulinho da Viola no LP A Dança da Solidão, em 1972, pela Odeon.

DANÇA DA SOLIDÃO
Paulinho da Viola

Solidão é lava
que cobre tudo,
amargura em minha boca
sorri seus dentes de chumbo
Solidão, palavra
cavada no coração,
resignado e mudo
no compasso da desilusão.

Desilusão, desilusão.
Danço eu, dança você
na dança da solidão

Carmélia ficou viúva,
Joana se apaixonou,
Maria tentou a morte
por causa do seu amor.
Meu pai sempre me dizia
meu filho tome cuidado,
quando penso no futuro
não esqueço meu passado.

Desilusão, desilusão.
Danço eu, dança você
na dança da solidão.

Quando chega a madrugada
meu pensamento vagueia,
corro os dedos na viola
contemplando a lua cheia.
Apesar de tudo existe
uma fonte de água pura,
quem beber daquela água
não terá mais amargura.

Desilusão, desilusão.
Danço eu, dança você
na dança da solidão.   

Após fracasso da delação, André Mendonça avalia manter Daniel Vorcaro na PF

Damares Alves quer ver Moraes bem longe do Brasil e poderia ir junto com ele

Durante sessão da Comissão de Segurança Pública do Senado, realizada nesta quarta-feira (30/4), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) causou polêmica ao sugerir que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (

A senadora bolsonariana poderia pegar carona 

Vicente Limongi Netto 

A colunista Denise Rothenburg (Correio Braziliense – 17/06) informa que a senadora Damares Alves jogou praga no ministro Alexandre de Moraes, depois de saber da condenação de Eduardo Bolsonaro. Para Damares, frisou Denise,  o relator do STF precisa fazer exame de saúde mental.

A parlamentar diz que “a única saída para Alexandre de Moraes é se afastar do Supremo e do Brasil, de preferência para uma ilha bem longe”.

Bem, na minha opinião, acredito que a senadora bolsonariana poderia pegar carona com o ministro Alexandre de Moraes e ir embora junto com ele.

MENSAGEM DE IGNÁCIO – Sobre o apodrecimento dos Três Poderes e as imundícies que caracterizam hoje a política brasileira, recebi nova mensagem do escritor Ignácio de Loyola Brandão, da Academia Brasileira de Letras, mostrando sua revolta em relação à crise ética que atinge o país:

“Vicente, não tenho mais o que vomitar. Começaram a sair e fugir de mim os órgãos vitais – fígado, estômago, pâncreas, rins, intestinos, estou me esvaziando.  No entanto, como tudo que nos causa enjoo e repulsa física e emocional acaba sendo expelido, espero que esses políticos que dizem representar os eleitores sejam atirados aos esgotos da vida, que no Brasil estão quase explodindo de tanta sujeirada.”

Após recado de Lula, Trump reage e chama presidente brasileiro de “volátil”

O escândalo do Banco Master aumenta a corrosão da representação política

Investigações da PF atingiram o senador Jaques Wagner

Pedro do Coutto

A democracia não se sustenta apenas pelo voto. Ela depende, sobretudo, da confiança de que os representantes eleitos atuam em nome do interesse público e não em benefício de grupos econômicos específicos. Quando surgem suspeitas de que o poder político pode ter sido colocado a serviço de interesses privados mediante vantagens indevidas, o dano ultrapassa a esfera criminal. Atinge diretamente a credibilidade das instituições e alimenta a percepção de que a influência financeira passou a ocupar um espaço cada vez maior na definição dos rumos do Estado.

As investigações que envolvem o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, inserem-se exatamente nesse contexto. A Polícia Federal sustenta que há indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens indevidas, entre elas um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, em troca de atuação favorável aos interesses do Banco Master durante a tramitação de matérias legislativas.

CONSISTÊNCIA – A apuração foi considerada suficientemente consistente para justificar mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. O senador, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que jamais recebeu propina ou atuou em benefício do banco.

Independentemente do desfecho judicial, que deve respeitar integralmente o devido processo legal e a presunção de inocência, o episódio lança luz sobre um problema estrutural da política brasileira: a crescente capacidade de grandes grupos econômicos de influenciar decisões públicas. O risco não reside apenas na existência de corrupção comprovada, mas também na simples possibilidade de que agentes privados possam adquirir acesso privilegiado aos centros de decisão política.

O poder econômico sempre exerceu influência sobre a política. Financiamentos eleitorais, lobby, relações empresariais e articulações institucionais fazem parte de qualquer democracia moderna. O problema surge quando essa influência deixa de ocorrer dentro de regras transparentes e passa a depender de benefícios ocultos, favores pessoais ou vantagens patrimoniais. Nesse cenário, o representante deixa de responder prioritariamente ao eleitor e passa a responder aos interesses daqueles capazes de oferecer contrapartidas.

RELEVÂNCIA DO CASO – A suspeita envolvendo um dos principais articuladores políticos do governo amplia ainda mais a relevância institucional do caso. O líder governista no Senado desempenha papel central na construção de consensos, na negociação de projetos estratégicos e na interlocução entre Executivo e Congresso. Qualquer investigação sobre eventual captura dessa função por interesses privados inevitavelmente produz reflexos sobre a imagem do próprio governo e sobre a confiança na atividade parlamentar.

Mais preocupante do que um episódio isolado é a percepção de recorrência. O Brasil convive há décadas com sucessivas operações policiais que revelam esquemas nos quais decisões públicas, contratos, medidas provisórias, projetos de lei ou benefícios regulatórios passam a integrar uma lógica de troca de favores. Mudam os personagens, mudam os partidos, mas permanece a sensação de que parte da política continua excessivamente vulnerável ao peso do dinheiro.

Esse fenômeno produz efeitos profundos sobre a democracia. O cidadão comum passa a acreditar que sua participação eleitoral vale menos do que a capacidade financeira de determinados grupos de exercer influência sobre autoridades públicas. A consequência natural é o crescimento da desconfiança institucional, da polarização e do descrédito nas próprias regras democráticas.

DESAFIO SISTÊMICO – É importante reconhecer que as investigações não atingem apenas integrantes da atual base governista. Nos últimos meses, a apuração sobre o Banco Master também alcançou figuras ligadas à oposição, demonstrando que o problema não pode ser reduzido a uma disputa entre esquerda e direita, mas deve ser compreendido como um desafio sistêmico à integridade das instituições.

Por isso, a resposta não pode limitar-se à responsabilização individual, caso as acusações venham a ser confirmadas. É necessário fortalecer mecanismos permanentes de transparência, ampliar o controle sobre conflitos de interesse, aperfeiçoar as regras de relacionamento entre agentes públicos e setores privados e garantir maior capacidade de fiscalização por parte dos órgãos de controle e da sociedade.

LIMITES – A política sempre exigirá diálogo com o setor produtivo, instituições financeiras, empresas e organizações da sociedade civil. O problema não é a interlocução em si, mas a ausência de limites claros que impeçam sua transformação em moeda de troca. Quando decisões públicas passam a ser percebidas como consequência do poder econômico, e não da deliberação democrática, instala-se uma crise silenciosa de legitimidade.

O caso envolvendo Jaques Wagner ainda será submetido ao crivo da Justiça, e somente uma decisão definitiva poderá estabelecer responsabilidades. Entretanto, independentemente da conclusão processual, a investigação já evidencia uma realidade que merece reflexão: em democracias fragilizadas pela desconfiança, a simples suspeita de que o dinheiro possa comprar influência política é suficiente para corroer um dos ativos mais valiosos de qualquer República — a confiança do cidadão de que seus representantes governam em nome do interesse público e não dos interesses daqueles que possuem maior capacidade de financiar poder.

Soberania é disputada antes do voto, no desentendimento entre Lula e Trump

No caso Master, ainda não é desta vez que o Brasil consegue se livrar da corrupção

MP realizará seminário alusivo à campanha “O que você tem a ver com a corrupção?"Hélio Schwartsman
Folha

Por que não conseguimos nos livrar da corrupção? A resposta curta é “porque ela funciona”. Para cada esquema que identificamos e desbaratamos, como o caso Master ou o Petrolão, é razoável supor que existam vários outros que permanecem abaixo do radar, satisfazendo as necessidades daqueles diretamente envolvidos, isto é, corruptores e corruptos.

Já o dano é coletivo e extrapola os rombos bilionários que os economistas se esforçam para calcular. Há prejuízos também para a eficiência econômica, pela via da redução da competição, e para a própria coesão social, já que muitos cidadãos se sentem, com razão, vilipendiados pela roubalheira com participação de agentes públicos.

COMPLICAÇÕES – O mundo, porém, é um lugar mais complicado do que nossas mentes gostam de imaginar. Por mais que amaldiçoemos a corrupção, ela ainda é, como gosto de afirmar aqui, a segunda melhor forma de organização da sociedade que existe.

É obviamente inferior a um sistema no qual tudo funcione direitinho, segundo regras impessoais previamente estabelecidas, mas é superior a um regime no qual empreendimentos e a prestação de serviços possam ser bloqueados apenas pelo capricho de autoridades ou, ainda pior, um esquema no qual as “concorrências” e outras disputas se resolvam à bala.

Passar do estágio da corrupção generalizada, que é a marca dos países subdesenvolvidos, para um em que ela seja residual é um processo gradual e que exige a punição a casos identificados, a fim de que os efeitos dissuasórios da aplicação da lei possam se multiplicar. Mas isso vai acontecer agora?

DIFÍCIL ACREDITAR – Reservo-me o direito ao ceticismo. O caso Master é ecumênico. Atinge direita, esquerda e até instituições de controle como o próprio STF.

Nenhum dos atores principais tem, portanto, interesse em investigar o escândalo muito a fundo. E isso, obviamente, favorece um acordão, pelo qual as punições ficariam limitadas a alguns bodes expiatórios.

Não frequento bets, mas existem duas apostas em que é difícil perder dinheiro: guerra no Oriente Médio e pizza no Brasil.

Com Lula em idade avançada, petistas sonham em eliminar Alckmin da chapa

Quem inventa muito nome é porque não tem nenhum, afirma Lula sobre candidatos da direita para 2026 | Política | Valor Econômico

Janja esqueceu de mandar fazer uma plástica no pescoço de Lula

Carlos Newton

Lula da Silva é um nome na História e está disputando sua derradeira eleição. Se perder, ficará eternamente marcado pela rejeição dos brasileiros, porque o país se desenvolveu pouco durante o longo período sob administração do PT. Mas se vencer, ele terá mais quatro anos para reverter esse quadro.

Lula vai disputar o segundo turno com 81 anos, a mesma idade que fez o americano Joe Biden desistir da candidatura em 2024. Se vencer, será o mais velho político do mundo a desfrutar do poder, eleito em país tido como democrático.

FUTURO SOMBRIO – Por enquanto, Lula é favorito para ganhar a eleição, porque o principal adversário Flávio Bolsonaro é muito fraco e inexperiente, e o país precisa de um gestor que racionalize os gastos públicos e diminua o endividamento, o que jamais acontecerá caso Lula vença.

Caso o vencedor seja o filho Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro, o futuro também será sombrio, porque o candidato do PL é tão inapto quanto Lula, com um passado tão nebuloso quando o dele, ambos envolvidos em corrupção e sem demonstrar condições de lutar contra a criminalidade e a insegurança.,

Lula não tem sucessor, porque jamais permitiu o surgimento de uma segunda liderança no PT, boicotando todos os que podiam se destacar, conforme as denúncias de dois importantes fundadores do partido – o jurista Hélio Bicudo e o sociólogo Francisco de Oliveira.

VICE DE DIREITA – O fato concreto é que Lula precisa de alguém de direita em sua chapa. Por isso, em 30 de março, confirmou o falso socialista Geraldo Alckmin (PSB) como vice, e desde então não fala no assunto, embora nos bastidores os dirigentes petistas rejeitem Alckmin, por temerem que Lula não tenha condições de saúde para mais quatro anos de mandato.

A maioria dos petistas acha que, se Lula deixar o cargo, Alckmin será presidente e pode trair o partido, que então entraria em processo de extinção.

Lula realmente está em fim de carreira. Em outubro, completa 81 anos, com histórico de comorbidades e desgaste da máquina, digamos assim. Portanto, a probabilidade de não completar o mandato é real e motiva os dirigentes petistas a pretender que Lula reconsidere a questão e um novo vice seja escolhido entre eles.

ALCKMIN NA MIRA – Lula chegou a confirmar Geraldo Alckmin em 30 de março, mas agora é pressionado para rever a posição, devido ao futuro incerto do partido. Os pretendentes são três ex-ministros: Rui Costa, da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha, da Articulação Política. 

O assunto, importantíssimo, tem de estar resolvido até 15 de agosto e vai depender da evolução das pesquisas.  Faltam dois meses, e a briga no galinheiro petista tem o mesmo valor da sucessão presidencial. Pensem nisso.

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P.S.
Já existem mais de dez pré-candidatos dispostos a disputar o primeiro turno, daqui a três meses e meio. Se estiver correta a pesquisa Alfa, que indicou 14% para a dupla Caiado/Zema (ou vice-versa), pode será um primeiro turno eletrizante, com um duplo azarão atropelando por fora. Caso contrário, recairemos naquele velha e apodrecida polarização. (C.N.)