Na memória de Schmidt, o amor àquela garota vestida de vermelho, junto ao piano

Veredas da Língua: Augusto Frederico Schmidt – PoemasPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, conselheiro político, editor, empresário e poeta carioca Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), na “Elegia”, fala poeticamente da lembrança que guarda de um grande amor.

ELEGIA
Augusto Frederico Schimidt

Entrou na sala e ficou em pé tocando piano,
Sua mão pequena batia no teclado duramente.

Lembro que estava de vermelho
Lembro que tinha nas tranças finas uma fita preta
Lembro que era de tarde
E entrava pelas janelas abertas o vento do mar.

Não lembro se tinha flores perto dela
Mas nascia um perfume do seu corpo.

Que amor o meu!

PF sinaliza um avanço em negociações para delação com ex-presidente do BRB

Defesa de Paulo Henrique aguardava resposta da polícia

Larissa Rodrigues
Matheus Teixeira
CNN

A Polícia Federal sinalizou interesse em avançar nas negociações de delação premiada com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, após o veto da corporação e da PGR (Procuradoria-Geral da República) à segunda proposta de colaboração do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A defesa do ex-chefe da instituição financeira da capital negocia a assinatura do termo de confidencialidade, primeiro passo para posterior formalização da proposta. O documento garante sigilo às conversas e estabelece que informações prestadas não podem ser usadas contra o investigado caso o acordo não seja fechado. Assim como a PF, a PGR (Procuradoria-Geral da República) teve conversas preliminares com Paulo Henrique, mas não considerou os relatos iniciais suficientes para fechar um acordo.

ACUSAÇÃO – Paulo Henrique está preso desde 16 de abril por decisão do relator, ministro André Mendonça, que foi confirmada pela Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele é acusado de negociar o recebimento de R$ 140 milhões em imóveis de luxo como forma de propina para viabilizar a compra do Master pelo BRB.

O Banco de Brasília vive sérias dificuldades financeiras decorrentes da negociação do Master e ainda não apresentou o balanço financeiro da instituição, que deveria ter sido apresentado em 31 de março.

TRANSFERÊNCIA – Após ser detido, Paulo Henrique foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde fica em um espaço maior e mais confortável, o que foi interpretado à época como indicativo de avanço no processo de negociação por delação premiada.

No entanto, a PF não havia mais sinalizado dar andamento à colaboração. Recentemente, a defesa do ex-chefe do BRB enviou mais um ofício questionando a Polícia Federal sobre o acordo e, agora, recebeu como resposta uma sinalização favorável.

Defesa de Bolsonaro tem até hoje para explicar apreensão de pistola ligada ao ex-presidente

Ex-diretor do Banco Central alertou Vorcaro sobre reação à “emenda Master”

BC: Processo interno descobriu indício de repasses de Vorcaro a servidores

Paulo Sérgio Neves Nogueira, do BC, aviaou Vorcaro

Pepita Ortega
Eduardo Gonçalves
Sarah Teófilo
O Globo
 
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Nogueira alertou o então dono do Banco Master sobre a reação do mercado à chamada “emenda master”. A proposta, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), previa a ampliação do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que beneficiaria o negócio do Master.

“Você não acha que virá uma reação ainda maior agora?”, escreveu Paulo Sérgio a Vorcaro em agosto de 2024, quando o mercado “colocava na conta” do ex-banqueiro a edição da emenda. O então dono do Master respondeu: “Mais do que tá vindo acho difícil. Campanha aberta contra. Folha solta semana que vem. Pra ser sincero eu não queria isso agora. Não fui eu quem pedi. Tinha perdido lá atrás algo do tipo. Mas a turma vendo o movimento dos grandes decidiu fazer. Eu não teria entrado nessa briga agora. Só no ano que vem.

DESTINADO A “CIRO” – O diálogo faz parte dos indícios que levaram a PF a apontar que a emenda apresentada por Ciro Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido redigida dentro do Banco Master. De acordo com a investigação, o texto foi elaborado pela assessoria da instituição financeira, encaminhado a Vorcaro, impresso e entregue em um envelope destinado a “Ciro” no endereço residencial do parlamentar.

Segundo a PF, o conteúdo protocolado por Ciro no Senado teria reproduzido de forma integral a versão preparada pelo banco. Mensagens obtidas pela investigação indicam que Vorcaro comemorou a apresentação da proposta afirmando que o texto “saiu exatamente como mandei”.

A medida, que não chegou a ser aprovada no Congresso, beneficiaria o Master, que tinha a garantia do fundo como uma das principais estratégias de negócio para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).

“HECATOMBE” – Apesar de Vorcaro minimizar a reação à emenda no diálogo com Paulo Sérgio, em outras mensagens apreendidas pela PF ele se refere à proposta encampada por Ciro como uma “hecatombe”. O ex-banqueiro chegou a encaminhar, pelo whatsapp, a emenda publicada no site do Senado Federal e anotou: “Vai ser hecatombe isso”.

Pouco tempo depois, ainda segundo a PF, Vorcaro enviou uma mensagem a sua então companheira, Martha Graeff, afirmando: ““Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes! Está todo mundo louco”. “Se fosse filme não teria tantos desdobramentos loucos”, completou.

Outro contato questionou Vorcaro se ele “faria passar” a emenda”. O ex-banqueiro respondeu a mensagem com um emoji e afirmou: “Nego tá louco já. Fgc me ligando kkk”. Na sequência, o interlocutor destacou que o ex-banqueiro “sextuplicaria” seu negócio se o texto fosse aprovado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ muita ingenuidade pensar que Vorcaro comprova apoio e proteção no Congresso e no Supremo, mas  não subornava ninguém no Banco Central. É claro que ele tinha muitos diligentes servidores do BC sacando no seu generoso caixa eletrônico, digamos assim. Pensar o contrário é Piada do Ano. (C.N.)

Planilhas apreendidas revelam caixa paralelo de Vorcaro com despesas de R$ 114 milhões

O cerco se fecha sobre Vorcaro e a decisão agora está nas mãos de Mendonça

Material da nova delação não trouxe novidades relevantes

Pedro do Coutto

A segunda rejeição da proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro marca um novo e delicado capítulo em um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil. Após a Polícia Federal já ter descartado a possibilidade de acordo, a Procuradoria-Geral da República decidiu seguir o mesmo caminho, encerrando, ao menos por ora, a tentativa do ex-controlador do Banco Master de obter benefícios judiciais em troca de informações sobre os fatos investigados.

O gesto da PGR tem um significado que vai muito além do aspecto processual. Em acordos de delação premiada, o Estado busca informações novas, provas consistentes e elementos capazes de ampliar ou aprofundar investigações. A avaliação dos investigadores e dos procuradores foi de que a proposta apresentada por Vorcaro não atingiu esse patamar.

SEM NOVIDADES – Segundo relatos divulgados pela imprensa, os órgãos responsáveis entenderam que o material não trouxe novidades relevantes nem evidências capazes de justificar os benefícios pretendidos.

A consequência imediata é o agravamento da situação jurídica do ex-banqueiro. Desde março, Vorcaro permanece preso no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e outras possíveis ramificações do caso.

O fracasso das negociações reduz significativamente suas alternativas de defesa e aumenta a pressão para que o processo avance sem a colaboração que seus advogados buscavam construir.

PRÓXIMOS PASSOS – Neste momento, os olhos se voltam para o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Caberá a ele decidir os próximos passos da situação prisional de Vorcaro. Como a permanência do investigado em uma cela especial estava vinculada às tratativas para eventual acordo de colaboração, a tendência é que o magistrado reavalie as condições de custódia diante do encerramento das negociações. A decisão poderá influenciar diretamente a estratégia da defesa e o rumo político-jurídico do caso.

O episódio também reforça uma mensagem importante das instituições de investigação e controle: não basta oferecer nomes, relatos ou insinuações para obter os benefícios de uma delação premiada. O sistema exige consistência, comprovação e efetiva contribuição para a descoberta da verdade. Essa postura busca evitar que acordos sejam utilizados apenas como instrumento de redução de pena ou de melhoria das condições processuais dos investigados.

Politicamente, o caso continua cercado de enorme interesse público. As investigações sobre o Banco Master alcançaram dimensões que ultrapassam o universo financeiro, envolvendo suspeitas sobre relações entre empresários, agentes públicos e figuras influentes dos Três Poderes. É justamente essa possibilidade de conexão entre interesses econômicos e centros de poder que mantém o caso no centro do debate nacional.

NOVAS PROPOSTAS –  A rejeição da segunda delação não encerra a história. A legislação permite que novas propostas sejam apresentadas futuramente. No entanto, cada negativa aumenta o grau de desconfiança das autoridades e reduz o espaço para negociações futuras. Para Daniel Vorcaro, o relógio político e jurídico parece correr cada vez mais rápido.

Agora, a palavra está com André Mendonça. E sua decisão poderá definir não apenas o destino imediato do ex-banqueiro, mas também os próximos capítulos de uma investigação que já entrou para a história como uma das mais impactantes já enfrentadas pelo sistema financeiro brasileiro.

PF aponta depósitos em espécie e repasses de R$ 4,1 milhões a empresa ligada a Ciro Nogueira

Funcionário fazia depósitos fracionados em dinheiro vivo

Dimitrius Dantas
O Globo

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu R$ 4,1 milhões da empresa da qual é sócio após uma série de depósitos em espécie realizados por um funcionário na conta da companhia. Os dados aparecem em um relatório da Polícia Federal baseado em alertas de movimentações financeiras feitos pelo Coaf. A suspeita dos investigadores é que os depósitos foram feitos para ocultar a origem dos recursos.

Segundo o documento, empresas como a CN Motos e suas filiais registraram o ingresso de recursos após depósitos em dinheiro vivo. Os depósitos eram fracionados, prática típica para evitar alertas pelos mecanismos de controle do banco.

TRANSFERÊNCIAS – “Posteriormente, esses valores são redistribuídos ao próprio Senador sob a forma de transferências empresariais, mascarando, em tese, a real natureza do ingresso patrimonial”, afirma a Polícia Federal.

Ao todo, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, funcionário registrado na CN Motos desde 2012 na função de despachante realizou, entre julho de 2016 e outubro de 2024, 265 depósitos em espécie nas contas da matriz da CN Motos, empresa de Ciro Nogueira, totalizando R$ 3,5 milhões.

Apenas entre agosto de 2023 e julho de 2024, R$ 1,7 milhão foi depositado em espécie na conta da empresa. No mesmo período, o senador recebeu R$ 1,8 milhão da conta da empresa. Em todo o período analisado, entre 2020 e 2024, o relatório aponta que Nogueira recebeu R$ 4,1 milhões em repasses da empresa.

EVIDÊNCIAS – “Diversos indexadores vinculados às empresas CN MOTOS e suas filiais evidenciam o ingresso reiterado e volumoso de recursos em espécie, frequentemente fracionados, padrão tipicamente associado a tentativas de burla aos mecanismos de controle e rastreabilidade do sistema financeiro. Destaca-se, nesse contexto, a atuação de Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, responsável por 265 de depósitos em numerário que totalizam mais de R$ 3,5 milhões, em períodos coincidentes com transferências subsequentes da empresa à pessoa física do Senador”, afirmam os investigadores.

A Polícia Federal suspeita que a empresa funcionava como um duto para o recebimento de vantagens indevidas do Banco Master. “Portanto, à luz do conjunto de elementos expostos nesta IPJ, mostra‑se plausível inferir que a empresa CN MOTOS, da qual Ciro Nogueira figura como sócio, vem sendo utilizada como instrumento para o ingresso de valores em espécie, inclusive mediante fracionamento de depósitos, e para a posterior transferência desses recursos à conta bancária pessoal do Senador”, afirmam os investigadores.

Defesa de Moraes pela AGU, nos EUA, é inócua e não evitará sua condenação

Após Moraes suspender aplicação da lei da dosimetria, oposição fala em  possível reação no Congresso, enquanto governistas comemoram

Moraes está acuado e não tem argumentos para se defender

Carlos Newton

Conforme informamos aqui na Tribuna da Internet, a petição que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou à Justiça Federal dos Estados Unidos na Flórida, pedindo que encerre o processo contra o ministro Alexandre de Moraes, é uma tremenda Piada do Ano, que desmoraliza o conhecimento das autoridades brasileiras sobre Direito Internacional.

A Advocacia-Geral da União é um órgão do Poder Executivo e foi colocada nessa péssima situação a pedido do próprio Moraes, que fez o presidente do Supremo, Edson Fachin, “autorizar” a AGU a fazer a defesa, porque dispõe de um Departamento Internacional, que representa o Estado brasileiro em controvérsias externas, como pendências comerciais, extradições, emigrantes ilegais etc.

SEM DEFESA – Além de não ter experiência específica na questão, jamais tendo participado de processo no exterior contra autoridade brasileira, o Departamento Internacional da Procuradoria da União, subordinado à AGU, defrontou-se com uma barreira intransponível – não há argumentos para defender Moraes.

O processo aberto contra o ministro pela plataforma Rumble e pela Trump Media, empresa criada pelo presidente Donald Trump, está montado rigorosamente de acordo com as leis americanas infringidas em determinações judiciais de Moraes, que descumpriu a famosa Segunda Emenda, base jurídica da democracia americana e mundial.

Sem ter como defender o ministro, a AGU alegou que “decisões judiciais proferidas pela Suprema Corte do Brasil não podem ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros”.

ARGUMENTO INÚTIL – A justificativa é infantil e inadequada, por dois motivos. O primeiro é que os EUA não estão descumprindo decisão do Supremo, porque se trata de determinações monocráticas de Moraes.

E o segundo motivo é que a Justiça americana, além de não estar obrigada a cumprir ordens judiciais de Moraes ou qualquer magistrado estrangeiro, não pode aceitar descumprimento da Segunda Emenda, adotada em 1791.

Moraes errou grotescamente ao determinar que as redes sociais americanas retirassem do ar determinados conteúdos e proibissem novas postagens de seus autores, uma atitude que configura censura prévia nos Estados Unidos e outros países democráticos. É crime grave. Por isso, a defesa de Moraes, feita pela AGU, não tem a menor chance de prosperar.

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P.S. –
Não há informações de que Moraes tenha apresentado defesa através de advogado americano. Se não o fez, está sujeito a ser condenado à revelia. Poderá até recorrer à segunda instância, mas submetido a uma série de limitações processuais. Ou seja, o ilustre ministro tem tudo para ser condenado. (C.N.)

Sonhar com Wagner, Costa e Alcolumbre se entregando à Polícia é um perigo

Rui Costa sela paz com Wagner e articula frente para Lula - 02/04/2022 - Poder - Folha

Jaques Wagner e Rui Costa brigaram, mas fizeram as pazes

Vicente Limongi Netto

Jaques Wagner e Rui Costa, ambos ex-governadores da Bahia, se entregam a Policia Federal para fazer delação premiada, em troca da redução da pena, pelo mal que fizeram ao povo baiano.  A bomba repercutiu no mundo inteiro.

Acordei antes do tempo. Pena. O sonho estava bom. Com tons de verdadeiro. Basta acompanhar a trajetória política de Wagner e Costa para ver que meu sonho estava perto da realidade.
 
E ALCOLUMBRE? – Nessa linha de políticos puros e imaculados, registro que também já sonhei muitas vezes com Davi Alcolumbre sendo preso em casa. Algemado e colocado no camburão da PF.
 
O patife Daniel Vorcaro  confessou à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República que deu 30 milhões de reais para o senador presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.  Forneceu todos os detalhes da propina dada, em depósito no exterior. É o fenômeno climático El Nino  dando as caras no Brasil.
 
Em outros países onde zelam pela Constituição e normas políticas sérias, homens públicos, por mais poderosos que sejam, flagrados  em corrupção, são exemplarmente punidos , no mínimo, com a perda do cargo e jogados no ostracismo.
 
IMPUNIDADE – No Brasil, os acusados engomados fazem uma força danada para fingir indignação, declarando que são inocentes, prometendo processas os acusadores com rigor. O tempo passa, a imprensa destaca a resposta cretina dos envolvidos e fica por isso mesmo.
 
A escória imunda continua dando as cartas, deitada no berço esplêndido das mordomias,  debochando da Policia Federal e da Procuradoria, que às vezes cumprem com  seu dever.  Assim como a imprensa, que às vezes publica o que precisa ser publicado.
 
Tenho ânsias de vômito.

Jornalista perseguido por Zambelli paga multa e juiz revoga a ordem de prisão

Mendonça suspende exame de recurso de Jefferson contra multa de R$ 452 mil

Seis ministros votaram para rejeitar recurso da defesa

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu vista e suspendeu o julgamento do recurso apresentado por Roberto Jefferson contra a decisão que condicionou sua progressão de regime ao pagamento de uma multa de R$ 452 mil.

A análise foi interrompida nesta segunda-feira (15), quando já havia maioria formada para rejeitar o pedido da defesa. Até o momento, os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes votaram para manter a decisão.

MANUTENÇÃO DO PAGAMENTO – Relator do caso, Moraes defendeu a manutenção do pagamento da multa como condição para que o ex-deputado obtenha a progressão do regime de cumprimento da pena. O entendimento foi acompanhado pelos demais ministros que já se manifestaram.

Na decisão questionada, Moraes havia rejeitado o pedido de dispensa da multa e autorizado seu parcelamento em 24 parcelas mensais de R$ 18.847,30, totalizando R$ 452.335,03. A defesa de Jefferson alegou que o valor da multa é excessivo e tem caráter confiscatório. Os advogados também sustentaram que o parcelamento imposto pela Corte compromete a subsistência do ex-parlamentar e de sua família.

ERRO MATERIAL – Pediram o reconhecimento de um suposto erro material na fixação da multa ou, alternativamente, que as parcelas fossem limitadas a 20% do valor da aposentadoria recebida por Jefferson.

Ao votar, Moraes afirmou que o recurso não apresentou argumentos capazes de afastar os fundamentos da decisão anterior. Segundo o ministro, a jurisprudência do STF admite exceção ao pagamento da multa apenas quando há comprovação de impossibilidade econômica absoluta, situação que, na avaliação do relator, não foi demonstrada pela defesa.

O ministro também ressaltou que o entendimento consolidado pelo Supremo prevê que o não pagamento de multas impostas pela Justiça pode impedir a progressão de regime, salvo nos casos em que o condenado comprova incapacidade financeira para cumprir a obrigação.

ELEMENTOS INSUFICIENTES – A PGR (Procuradoria-Geral da República) também se manifestou contra o recurso. Para o órgão, os elementos apresentados pela defesa são insuficientes para comprovar um quadro de incapacidade financeira que justifique a revisão das condições impostas para a progressão de regime.

Jefferson foi condenado pelo plenário do STF em dezembro de 2024 a uma pena total superior a nove anos de reclusão e detenção, além do pagamento de multa, por diversos crimes previstos na antiga Lei de Segurança Nacional, no Código Penal e na Lei do Racismo.

Primeira Turma do STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos por coação contra o Judiciário

Ex-deputado afirma que julgamento é sem pé nem cabeça

Isadora Albernaz
Folha

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou nesta terça-feira (16), por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto pelo crime de coação no curso do processo por ele ter atuado nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista.

Com a condenação, o ex-parlamentar se torna “ficha suja” e ficará impedido de disputar as eleições por até oito anos. Ele também deverá pagar 50 dias-multa (no valor de dois salários mínimos cada dia-multa) e perderá o cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual está afastado. Ainda cabe recurso da decisão.

NOTIFICAÇÃO – Em nota à imprensa, Eduardo, que mora nos EUA desde fevereiro do ano passado, afirmou que seu endereço no país é conhecido e defendeu que deveria ter sido notificado por carta rogatória. O argumento também foi usado pela DPU (Defensoria Pública da União) para tentar a anulação do caso.

“Qualquer sentença sem respeito ao devido processo legal é nula, e, depois de tantas derrotas internacionais, até Moraes sabe disso. Por isso o real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições”, afirmou o ex-deputado no comunicado.

Relator do caso, Alexandre de Moraes foi o primeiro a se manifestar e disse, durante seu voto, que “não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”. Ele foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

DESINFORMAÇÃO – Moraes afirmou que a “desinformação” levada por Eduardo e pelo jornalista Paulo Figueiredo ao governo de Donald Trump, que resultou na aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, prejudicou todo o país apenas com o intuito de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“A atuação criminosa do então deputado licenciado Eduardo Bolsonaro prejudicou todo o país e não amedrontou essa corte como jamais amedrontaria o Supremo Tribunal Federal”, disse.

Paulo Figueiredo, que também é réu na trama golpista, foi denunciado junto com o filho de Bolsonaro. O processo, no entanto, acabou desmembrado. Moraes determinou que Eduardo fosse intimado por edital, sob alegação de que ele dificultava o andamento do processo, enquanto a orientação para Figueiredo, que mora nos EUA há mais de dez anos, foi de notificação pessoalmente, por meio de cooperação jurídica internacional.

PRELIMINARES – Ao iniciar seu voto, Moraes rejeitou todas as preliminares apresentadas pela DPU para tornar nula a ação contra Eduardo. O órgão pedia, por exemplo, que o ministro fosse declarado impedido e não pudesse participar do julgamento da ação.

Em sustentação oral, o defensor público federal Antonio Ezequiel Inácio Barbosa, que representa Eduardo Bolsonaro, afirmou que a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) aponta que Moraes seria um dos alvos das ações atribuídas ao ex-parlamentar e por isso não poderia julgar o caso.

“Aqui, há uma vítima direta, determinada, indicada, com nome, sobrenome e CPF. Tem inclusive um tópico [na denúncia] sobre as sanções que, segundo o Ministério Público, foram postuladas pelo acusado direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, disse Barbosa. “Se há uma suspeição ou impedimento, todas as demais garantias caem por terra.”

EVASÃO – Moraes, no entanto, defendeu que, no crime de coação no curso do processo, a vítima seria a própria administração da Justiça e que, portanto, “não há confusão entre vítima e julgador”. O relator afirmou que ainda Eduardo “faz questão de se evadir da Justiça” e tem pleno conhecimento da ação.

O ministro também exibiu uma linha do tempo da atuação do ex-deputado nos EUA, com vídeos e declarações em que ele e Figueiredo detalham reuniões com integrantes do governo americano e defendem sanções a autoridades brasileiras.

Segundo Moraes, os atos de Eduardo Bolsonaro não se inseriram em um contexto de livre manifestação com imunidade parlamentar, como defendeu a DPU. Afirmou que se tratou de uma “tentativa ostensiva de coagir” o Supremo.

CONTRADITÓRIO – “Processo penal não é palhaçada. Aplicação da justiça não é palhaçada. As normas existem para garantir o contraditório, a ampla defesa dentro da paridade de armas, não para que fraudes e crimes praticados para outros crimes continuem se perpetuando”, disse Moraes.

“Vamos brincar que o réu pode ficar foragido, reiterando seus crimes pelas redes sociais e não pode ser processado?”, questionou Moraes.

Eduardo foi denunciado pela PGR em setembro de 2025. O órgão afirma que o ex-deputado atuou no país americano para pressionar ministros do Supremo com o objetivo de impedir a condenação de seu pai. O ex-presidente recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele está atualmente em prisão domiciliar.

DESCREDIBILIZAÇÃO –  O julgamento pela Primeira Turma teve início com a leitura de relatório por Moraes. Na sequência, a PGR se manifestou pela condenação de Eduardo. Último a votar, Flávio Dino afirmou que a tentativa de descredibilização do Poder Judiciário brasileiro opera “em uma intensidade incomparável”. “Poucos países do mundo têm hoje a intensidade, a repetição da agressividade a sua corte suprema como acontece no Brasil”, disse.

Como mostrou a Folha, o resultado pela condenação pode gerar um novo desafio para a gestão do presidente do Supremo, Edson Fachin, diante da abertura de um novo ponto de atrito do Brasil com os Estados Unidos. Fachin tem se queixado de “pressões externas” de outros países a constranger a corte no exercício do seu papel. A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma do STF em novembro passado.

O crime de coação, para ser configurado, exige que a ação tenha grave ameaça. Em seu voto para aceitar tornar Eduardo réu, Moraes afirmou que essa ameaça se materializou na “articulação e obtenção de sanções” do governo Trump, citando a imposição de tarifas contra produtos brasileiros, a suspensão de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação da Lei Magnitsky a ele próprio.

DEFENSORIA PÚBLICA – Como não apresentou seus advogados à corte, o ex-deputado foi defendido pela Defensoria Pública. Ao longo do processo, o órgão já havia defendido que a PGR “confunde atuação política com poder de coação”. Afirmou que não há provas de crime por parte do réu, cujas falas estavam protegidas pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão.

Eduardo Bolsonaro teve seu mandato na Câmara dos Deputados cassado por decisão da maioria dos membros da Mesa Diretora da Câmara, presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), em dezembro. A decisão se deu por excesso de faltas às sessões da Casa no último ano.

O ex-deputado tentava participar do pleito deste ano como primeiro suplente do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), André do Prado (PL), pré-candidato ao Senado.

Piada do Ano! Advogado do caso Master ofereceu ao STF uma “delação seletiva”

André Mendonça é eleito presidente da Segunda Turma do STF

Mendonça relatou proposta de um advogado do caso Master

Aguirre Talento e Gustavo Côrtes
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, durante a sessão de julgamento sobre prisões preventivas do caso Master, que recebeu a proposta de um advogado de fazer uma “delação seletiva”. “Perderam o pudor”, disse.

Mendonça não disse o nome do advogado e nem deixou claro se tratar de alguém da defesa de Daniel Vorcaro, que teve sua delação rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta semana, após a recusa também da Polícia Federal.

RESPOSTA A GILMAR – Mendonça comentou o episódio dirigindo a palavra ao ministro Gilmar Mendes, que votou por revogar a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, e fez duras críticas ao uso da delação premiada.

Apesar de não citar nomes, André Mendonça frisou que a conversa não envolveu o criminalista José Luís de Oliveira Lima, o Juca, que começou a negociar a delação premiada de Vorcaro mas deixou o caso após a primeira proposta ter sido rejeitada.

“Não é o advogado que deixou o caso, o Juca, mas me chegou uma proposta por um advogado… perderam o pudor, ministro Gilmar. ‘Queremos fazer uma delação seletiva’. Falaram na minha cara isso. Eu disse: ‘não faço questão de delação, agora, delação seletiva, comigo não’”, afirmou Mendonça, que até recebeu dos advogados uma cópia da primeira proposta de delação de Vorcaro, mas preferiu não ler, porque ainda não caberia a ele a análise.

MORTE DE SICÁRIO – Mendonça afirmou ter duvidado de que a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, tenha sido de fato um suicídio. Em março, o executor de ações violentas contra adversários de Vorcaro, tirou a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais.

“Foi um choque para todos nós a morte do senhor Phllipi Mourão, conhecido como Sicário. Meu custou a acreditar que fosse um suicídio. Infelizmente, eu tive que ver a cena, uma cena dura, ver um ser humano tirando a própria vida”, lembrou Mendonça, relator do processo no STF.

Ele reforçou que as apurações apontam que o caso, de fato, foi um suicídio. “Mandamos investigar com a suspeita de que pudesse ser uma queima de arquivos, alguma coisa do tipo. Mas todos os indicativos até agora, da Polícia Federal, indicam que não foi isso. Foi um ato voluntário dele. As razões nós não sabemos ao certo.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Mendonça deu a entender que o advogado tentou suborná-lo. Se tivesse aceitado, é claro que a segunda parte da conversa seria o preço. Ou seja, Mendonça deveria ter mandado prender o advogado de Vorcaro. (C.N.)

AGU pede arquivamento de processo da Rumble e Trump Media contra Moraes nos EUA

Petição foi apresentada a um tribunal da Flórida

Márcio Falcão
G1

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Justiça dos Estados Unidos que encerre o processo movido pelo grupo Trump Media e pela plataforma Rumble nos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A petição foi protocolada na segunda-feira (15) em um tribunal federal da Flórida, segundo informado nesta terça-feira (16) pelo órgão. “A medida tem por objetivo promover a defesa dos interesses do Estado Brasileiro e sustenta, sobretudo, que decisões judiciais proferidas pela Suprema Corte do Brasil não podem ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros”, diz a nota publicada pela AGU.

JUSTIFICATIVA – Segundo a lei brasileira, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não podem ser processados ou responsabilizados pessoalmente por decisões tomadas no exercício de suas funções. No entanto, as empresas têm buscado reverter determinações do magistrado na Justiça dos Estados Unidos.

As duas companhias recorreram à Justiça norte-americana para tentar barrar a aplicação de ordens de restrição e bloqueio emitidas por Moraes no Brasil, sob o argumento de que elas configuram censura e violam garantias constitucionais dos EUA.

Como a ação foi apresentada apenas contra Moraes, a AGU solicitou o ingresso formal do Estado brasileiro no processo. Na petição, o governo sustenta que o Brasil é a parte efetivamente interessada no caso, não apenas o ministro, uma vez que a disputa envolve decisões tomadas pelo STF no exercício de suas atribuições constitucionais.

O QUE DIZ A AGU –  Entre os argumentos apresentados está o de que a análise de decisões judiciais brasileiras por tribunais de outro país violaria o princípio da imunidade de jurisdição, previsto no Direito Internacional e reconhecido pela legislação norte-americana. De acordo com esse princípio, atos praticados por autoridades de um Estado soberano não podem ser julgados por cortes estrangeiras sem o seu consentimento.

O documento afirma ainda que o Brasil “não consentiu e não consentirá” com a revisão de decisões de sua Suprema Corte por juízes de outros países. Para a AGU, eventuais questionamentos a decisões do STF devem ser feitos exclusivamente dentro do sistema judicial brasileiro.

PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS –  O presidente do Supremo, Edson Fachin, havia solicitado no início deste mês que a AGU tomasse providências sobre o processo nos Estados Unidos. Segundo o presidente do STF, o que está em jogo no processo é a independência do Judiciário e a soberania do país.

A medida foi tomada após a Justiça dos Estados Unidos autorizar que Moraes fosse notificado por e-mail sobre a abertura da ação contra ele nos Estados Unidos, permitindo que o processo avançasse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPelo visto, Alexandre de Moraes não apresentará defesa dos autos, deixando a cargo da AGU, cujo despreparo em Direito Internacional chega a ser constrangedor. Desse jeito, o ministro brasileiro será sumariamente condenado, à revelia. Poderá até recorrer à segunda instância, mas submetido a uma série de limitações processuais. (C.N.)

Valdemar aposta em Michelle para impulsionar campanha de Flávio na reta final

Centro desaparece da corrida presidencial e transforma eleição em duelo entre Lula e a direita

Mendonça avalia para onde irá Vorcaro após fracasso de acordo de colaboração com a PGR

Mendonça decidirá qual será o destino do banqueiro

Eduardo Gonçalves
Pepita Ortega
O Globo

Após a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitar a proposta de delação de Daniel Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deve decidir nos próximos dias onde o banqueiro ficará preso.

Há por enquanto três opções na mesa: continuar na carceragem da Superintendência da Polícia Federal ou ser transferido para o presídio federal de Brasília ou o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.

ALTERAÇÕES NA ROTINA – A PF já manifestou ao ministro que a manutenção de Vorcaro no local tem impactado a rotina da Superintendência, cuja carceragem funciona apenas como “passagem” para unidades estaduais. E pediu a sua transferência para o presídio federal de Brasília, que, por sua vez, não tem perfil para abrigar detentos como Vorcaro no estabelecimento.

As unidades federais foram idealizadas para o encarceramento de líderes de facções que são isolados da massa carcerária com a finalidade de evitar rebeliões, fugas e a manutenção da influência deles sobre as organizações criminosas. Por isso, esses presos não têm direito a visitas íntimas nem a privacidade nas conversas com os seus advogados e familiares, que são gravadas ininterruptamente.

Internamente, a Polícia Penal, responsável pela administração das penitenciárias federais, é contrária à transferência. O envio de Vorcaro ao presídio federal também já foi criticado abertamente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, decano da corte. O ministro afirmou que medida era mais severa do que o necessário.

ALTERNATIVA – O envio para o 19º Batalhão da Polícia Militar, a Papudinha, também é considerada uma possibilidade remota, pois o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa já está preso no local, que é pequeno. Nos bastidores, a administração do presídio avisou que não poderia garantir que os dois não teriam nenhum contato. Além disso, autoridades a par das investigações apontam que Vorcaro é um preso de risco e demanda mais cuidados do que um detento comum.

Um dos motivos alegados é a morte de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, que faleceu após supostamente tentar se matar na carceragem da PF, em Minas Gerais. Ele era investigado por atuar como um dos operadores de Vorcaro, que atendia a ordens do banqueiro para fazer pagamentos e vigiar desafetos. Diante desse cenário, Mendonça tomará a decisão.

LOCAL ADEQUADO – Nesta segunda-feira, a PGR afirmou que cabe ao Supremo apontar um local que seja adequado ao cumprimento da pena de acordo com o risco que ele oferece. O silêncio da PGR sobre onde Vorcaro deveria ficar especificamente foi interpretado como um argumento a favor de mantê-lo na carceragem da PF sem se indispor com a corporação. A PF, por sua vez, disse explicitamente que não gostaria de tê-lo em suas dependências em manifestação enviado a Mendonça na última semana.

Vorcaro está preso atualmente em uma cela especial na Superintendência, a mesma onde ficou o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no caso da trama golpista. Ele foi colocado no local para facilitar a visita dos advogados em meio ao processo de colaboração premiada.

Como a delação por ora foi descartada, é possível que ele seja encaminhado para uma das celas de passagem da superintendência, que é menos espaçosa e e mais escura do que a cela especial. A interlocutores, o banqueiro disse que um dos seus maiores temores era voltar ao local.

O despertar da manhã, à beira do cais, e a vontade de partir, na poesia de Ribeiro Couto

Rui Ribeiro CoutoPaulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), membro da Academia Brasileira de Letras, no poema “Cais Matutino”, faz uma reflexão sobre uma noite de chuva nas docas do mundo e a vontade de partir para bem  longe.

CAIS MATUTINO
Ribeiro Couto

Mercado de peixe, mercado de aurora:
Cantigas, apelos, pregões e risadas
À proa dos barcos que chegam de fora.

Cordames e redes dormindo no fundo;
À popa estendida, as velas molhadas;
Foi noite de chuva nos mares do mundo.

Pureza do largo, pureza da aurora.
Há visgos de sangue no solo da feira.
Se eu tivesse um barco, partiria agora.

O longe que aspiro no vento salgado
Tem gosto de um corpo que cintila e cheira
Para mim sozinho, num mar ignorado.

Lula rompe pontes com Alcolumbre e crise ameaça pautas prioritárias do governo

Falta talento no meio-campo, troca de passes, domínio da bola, mas tudo tem jeito

Vini Jr. marca golaço, mas Brasil só empata com Marrocos na estreia da Copa  | CNN Brasil

Numa jogada individual, Vini salvou o Brasil da derrota

Tostão
Folha

No empate por 1 a 1, resultado justo, Marrocos, coletivamente, foi melhor, mas o Brasil possui mais excepcionais jogadores. As chances de gols foram iguais. O Brasil começou a partida com um quarteto pelo centro (Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha), além dos atacantes Vini e Igor Thiago. Durante a partida, houve, progressivamente, várias mudanças individuais e de posicionamento.

Vini fez um belíssimo gol, mas errou muitos lances. Faltou, principalmente, mais talento no meio-campo, troca de passes e domínio da bola e do jogo. Igor Thiago não esteve bem, sendo substituído.

OS FAVORITOS – Espanha (que foi mal) Portugal e Argentina, por terem excepcionais meio-campistas e por filosofia, preenchem mais o meio-campo, têm mais domínio da bola e alternam a troca de passes com as jogadas rápidas. Já a França, por ter excelentes atacantes, prioriza a velocidade em direção ao gol. A Alemanha avança com muitos jogadores, porém deixa enormes espaços na defesa. E a Inglaterra busca o equilíbrio entre os setores.

A seleção brasileira tem sido criticada por não ter, próximo ao Mundial, uma definição da escalação e da estratégia. A justificativa quase sempre usada é que Ancelotti só teve um ano no cargo. Não vejo isso como problema.

Vários grandes times e seleções que ficaram na história foram formados em pouco tempo. Mais importante é unir as características e qualidades dos jogadores do que o tempo.

VÁRIOS EXEMPLOS – Zagallo assumiu o comando da seleção de 1970 poucos meses antes da estreia. A escalação e a estratégia foram definidas perto do Mundial, com a troca de um ponta esquerda (Edu) por um terceiro jogador no meio-campo (Rivellino), a escolha do volante Piazza como zagueiro, além da definição de que eu seria o centroavante.

A Argentina, dirigida por Scaloni, mudava a equipe a cada partida, tornando-se campeã mundial de 2022.

Cruyff dizia que, na Copa de 1974, a Holanda de Rínus Michels definiu duas semanas antes da estreia a maneira revolucionária de jogar que encantou o mundo.

ACERTOS E ERROS – Diferentemente das outras seleções, Ancelotti, nas últimas semanas, mudou várias vezes a escalação e o posicionamento de alguns jogadores. O técnico não é refém de nenhum dogma, de nenhuma estratégia. Define a maneira de jogar e a escalação de acordo com o momento, a qualidade e as características dos jogadores do time brasileiro e do adversário.

Ancelotti é flexível, capaz de, diante de circunstâncias inesperadas e negativas, tomar decisões corretas. Ele não tem filosofia, sua grande qualidade, o que não significa que não cometa erros.

Assim é a vida. Vivemos de acertos, erros e incertezas. Os treinadores mais vitoriosos são os que fazem as melhores escolhas. Nada é definitivo. “As coisas vão e voltam, a vida nem é da gente” (João Guimarães Rosa).

FESTA NO AZTECA – Ao ver a belíssima festa de abertura do Mundial no estádio Azteca, lembrei-me da final da Copa de 1970, no mesmo local. Depois de muitas comemorações da torcida e dos jogadores dentro de campo, voltamos para o hotel e depois fomos para um jantar promovido pela Fifa.

Antes da sobremesa, saí de fininho, peguei uma carona com um mexicano e voltei para o hotel, onde encontrei meus pais. Choramos abraçados.

Dormi pouco, pensando em tudo. Estava feliz e aliviado. A vida continuava.

SAUDADES DO BRITO – Meus sentimentos aos familiares do Brito, excelente zagueiro, eleito o atleta com a melhor forma física da Copa de 70 pela Fifa.

No México, Brito telefonava para a família e pedia para colocarem o seu cachorro para latir, para ter certeza de que ele estava bem.