Flávio escolhe SP para sediar candidatura e sinaliza mudança de estratégia

Pesquisa indica liderança de Lula, enquanto Flávio Bolsonaro tenta contornar caso Dark Horse

Pesquisa mostra estabilidade em relação ao mês passado

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa Datafolha traz um retrato que merece uma análise além dos números. O presidente Lula da Silva continua liderando a corrida presidencial tanto no primeiro quanto no segundo turno, preservando uma vantagem importante sobre o senador Flávio Bolsonaro. No entanto, o dado politicamente mais relevante do levantamento não é apenas a manutenção da liderança do petista, mas a percepção de que o impacto eleitoral do caso Dark Horse sobre a candidatura de Flávio parece ter perdido intensidade, devolvendo competitividade à disputa.

No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%. Já em uma eventual segunda etapa da eleição, o presidente venceria por 47% a 43%. Embora a vantagem permaneça favorável ao Palácio do Planalto, a diferença está distante de representar uma situação confortável para qualquer um dos lados, sobretudo diante da polarização que continua caracterizando o ambiente político brasileiro.

FINANCIAMENTO – O episódio envolvendo o filme Dark Horse havia produzido um dos momentos mais delicados da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A controvérsia surgiu após a divulgação de informações relacionando o senador a pedidos de financiamento para a produção cinematográfica que retrata a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A repercussão negativa atingiu diretamente a imagem do candidato, alimentando questionamentos sobre sua relação com empresários investigados e sobre os bastidores da produção do longa.

Nas semanas seguintes ao escândalo, pesquisas indicaram uma perda perceptível de apoio ao senador. Entretanto, a nova rodada do Datafolha sugere que esse desgaste foi, ao menos temporariamente, contido. Em linguagem política, trata-se de um sinal de que a candidatura conseguiu impedir que a crise continuasse produzindo danos sucessivos. Não significa recuperação plena da popularidade, mas indica que parte do eleitorado conservador permaneceu fiel ao candidato, relativizando os efeitos da controvérsia.

Para Lula, o levantamento também traz mensagens ambíguas. De um lado, permanece na liderança e mantém vantagem suficiente para vencer uma eventual disputa em dois turnos. De outro, não consegue ampliar essa diferença de forma consistente, mesmo após semanas em que seu principal adversário enfrentou uma crise de imagem. Em qualquer campanha presidencial, espera-se que escândalos relevantes provoquem migrações expressivas de voto. Quando isso não ocorre, abre-se espaço para a interpretação de que a capacidade de convencimento do eleitor já se aproxima de um teto.

PREFERÊNCIAS POLÍTICAS – Outro aspecto importante revelado pelo cenário eleitoral é o elevado grau de cristalização das preferências políticas no país. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro possuem eleitorados altamente identificados com seus respectivos campos ideológicos. Isso reduz o impacto de acontecimentos isolados e faz com que fatores econômicos, percepção sobre segurança pública, inflação, emprego e renda tendam a exercer peso crescente conforme a campanha avança.

A estabilidade observada pelo Datafolha também evidencia que a eleição continua aberta. Uma vantagem de quatro pontos percentuais em um eventual segundo turno, embora relevante, não elimina a possibilidade de mudanças ao longo dos próximos meses, especialmente considerando a margem de erro da pesquisa e o elevado número de eleitores que ainda podem rever suas escolhas diante dos debates, da propaganda eleitoral e de novos acontecimentos políticos.

NOVAS REVELAÇÕES – O desafio de Flávio Bolsonaro será convencer o eleitor de que o episódio Dark Horse pertence ao passado e impedir que novas revelações tragam o tema novamente ao centro da campanha. Já Lula precisará transformar sua vantagem estatística em uma percepção mais sólida de favoritismo, evitando que a disputa permaneça excessivamente equilibrada na reta final.

Em uma eleição marcada por forte polarização, nenhum dos dois lados pode considerar o cenário consolidado. A pesquisa mostra um presidente que segue liderando, mas sem margem confortável, e um adversário que sobreviveu ao maior desgaste de sua pré-campanha e permanece competitivo. A partir de agora, mais do que escândalos isolados, será a capacidade de cada candidato de apresentar respostas convincentes para os problemas concretos do país que poderá definir o resultado das urnas em outubro.

Professora de Direito que enfrentou a ditadura exige rigor contra penduricalhos etc.

Novo penduricalho dá seis meses de folga a cada ano para os juízes e procuradores

Charge reproduzida do Arquivo Google

Raphael Di Cunto
Folha

Já agraciados por 60 dias de férias por ano, juízes e integrantes do Ministério Público flexibilizaram regras para parcelamento do período de descanso de modo a poderem folgar seis meses por ano –número que pode ser ampliado por outras licenças criadas. A mudança também permite elevar o pagamento de indenizações sem abrir mão de períodos longos de descanso.

O benefício contrasta com o de trabalhadores da iniciativa privada. Um empregado na escala 6×1, que o Congresso discute proibir por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), tem 78 dias de folga por ano. Já um juiz federal ou procurador pode ficar 178 dias sem trabalhar –128% a mais. Um funcionário ou servidor na jornada 5×2 tem 124 dias de descanso anuais.

E O FERIADOS? – A conta, feita pela Folha, não considera feriados, que variam ano a ano, e licenças que podem ampliar os dias não trabalhados de magistrados e procuradores. Organizações que fiscalizam o Judiciário e o Ministério Público apontam o risco de que o uso de folgas seja intensificado após o STF (Supremo Tribunal Federal) limitar o pagamento de penduricalhos dessas carreiras a R$ 33 mil por mês, para além do salário.

“Há receio de que façam uma interpretação muito específica, de deixar de pagar a licença compensatória em pecúnia e transformar em descanso. É quase como se você tivesse uma greve, uma operação tartaruga, com o usufruto máximo dos privilégios de descanso dessas carreiras para compensar uma perda financeira”, afirma o coordenador de projetos da Transparência Brasil, Cristiano Pavini.

PARCELAMENTO – Antes mesmo da decisão do STF, a Procuradoria-Geral da República e o Conselho da Justiça Federal aprovaram no ano passado a possibilidade de que as férias de 60 dias sejam parceladas em até 12 períodos de cinco dias cada, o que permite juntar dois fins de semana e feriados para otimizar o uso das folgas e evitar a sobreposição com sábados e domingos. A divisão só vale para procuradores e magistrados.

Somados aos 104 sábados e domingos e aos 18 dias de recesso forense (dos quais 4 a 6 dias coincidem com fins de semana, a depender do ano), os 60 dias de férias corridos permitirão que eles possam folgar 178 dias por ano e trabalhar apenas 187 –praticamente um dia de descanso para cada dia de trabalho.

A possibilidade de tirar férias sem sobreposição com fins de semana pode servir também para potencializar a própria remuneração. Uma juíza de Pernambuco com salário de R$ 33.689,11, por exemplo, recebeu R$ 1,3 milhão em um único mês com a indenização de férias não usufruídas.

FOLGAS DEMAIS – Ao juntar com quatro dias do fim de semana, do anterior e do seguinte, o magistrado ou procurador folgará na prática nove dias, mas só terá o desconto de cinco dias de férias. Dessa forma, poderá tirar férias 12 vezes no ano ou vender até 20 dias para aumentar o salário e ainda folgar mais do que os demais trabalhadores.

Além disso, o STF autorizou que até 30 dias de férias sejam indenizados em dinheiro quando não forem utilizados no período de um ano. Esse valor é livre de imposto de renda.

A mudança aprovada no ano passado tem ainda uma brecha e não veda que as férias sejam usadas em períodos de cinco dias em semanas consecutivas, apenas pulando o fim de semana para não haver a “perda de dias” de descanso. Até então, os procuradores tinham que parcelar as férias em, no máximo, seis períodos de dez dias e os juízes federais, em duas etapas de 30 dias cada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Folha questionou há um mês o Conselho e a Procuradoria, mas não teve resposta. Já era esperado. Não há justificativa para tantos penduricalhos, quando a Justiça Federal agora só funciona das 11 às 17 horas, e os juízes e procuradores raramente comparecem, pois desde a pandemia só trabalham sem sistema de home office. (C.N.)

Polarização é estúpida, e o que importa mesmo é haver desenvolvimento social

A quatro meses das eleições, especialistas comentam polarização política entre os brasileiros – Lide Jornal

Charge reproduzida do Lide Jornal

Luiz Felipe Pondé
Folha

Lênin, num artigo para o jornal bolchevique Pravda, em abril de 1917, escreveu que “uma marca altamente relevante da nossa revolução é que ela trouxe à tona um poder dual”.  Esse poder dual ao qual Lênin fazia referência era o conflito entre o então governo provisório russo, liderado por Kerenski — que era desqualificado pelos bolcheviques, como sendo afeminado e, supostamente, tendo fugido da Rússia vestido de mulher, coisa que diziam ser um gosto pessoal dele — e o soviete dos trabalhadores e soldados de Petrogrado.

Este nome foi dado a cidade de São Petersburgo para que, durante a primeira guerra contra a Alemanha, sua então capital fosse russificada.

NADA DE NOVO – Entretanto, esse caráter dual da soberania no início da Revolução Russa, que implicava um impasse para esta mesma soberania, não era exatamente novidade na história das revoluções. Lênin comparava a situação do soviete bolchevique à chamada Comuna de Paris de 1871, que então enfrentara o governo nacional francês.

Lênin descrevia em seu artigo para o Pravda três fatores que marcaram a Comuna de Paris de 1871 —”uma iniciativa direta do povo a partir de baixo, em suas áreas locais”, “população armada” e “governo direto do próprio povo”.

O sociólogo e historiador Charles Tilly, no seu “From Mobilization to Revolution”, de 1978, descreveu como processos revolucionários foram marcados por um governo único inicial revolucionário, seguido por uma tendência ao fenômeno de múltiplas soberanias em conflito, muitas vezes, levando a violência a se alastrar pelo tecido social. Ou seja, diferentes grupos organizados reclamando serem eles o soberano legítimo.

COMUNA DE PARIS – Para Dan Edelstein, no seu “Revolution to Come, a History of an Idea of Revolution from Thucydides to Lenin”, de 2025, essa semelhança entre o soviete bolchevique e a Comuna de Paris de 1871 replicava o mesmo fenômeno que se passou na Revolução Francesa, quando a Comuna de Paris de 1792 entrou em conflito com a Assembleia Geral revolucionária.

A partir de 1789, todos os republicanos revolucionários franceses concordavam que a soberania deveria ser do povo. O conflito não era, portanto, quanto a quem deveria ter a soberania, mas, sim, quem representava de fato o povo soberano.

Esta questão ainda hoje se aplica, por exemplo, no Brasil, ou seja, a quem de fato faz a defesa da democracia, o Supremo Tribunal Federal e sua dobradinha com o PT ou os bolsonaristas.

ESTÚPIDA POLARIZAÇÃO – O discurso público desses dois “partidos”, para quem tem algum repertório que vai além da estúpida polarização que assola o país, é, evidentemente, marcado por essa controvérsia acerca de quem, verdadeiramente, detém a legítima representação do povo brasileiro soberano na defesa da sua democracia.

Na França revolucionária, os conflitos entre os atores políticos versavam, em grande parte, sobre quais desses atores falavam em nome do povo francês. Como bem sabemos, esse processo de esgarçamento da soberania levou à violência que devastou a França por anos.

Mas, ainda seguindo Edelstein, devemos dar um passo atrás, se quisermos, consistentemente, compreender qual era a raiz filosófica e política dessa multiplicidade de partidos a disputar a legítima representação do povo francês soberano, ou, dito de outra forma, quem era o soberano legítimo que recebia essa soberania de quem, de fato, a possuía — o povo.

FÉ PROGRESSISTA – E aqui, revela-se uma disputa acerca de quem representava de modo consistente o princípio filosófico e histórico que animou todas as revoluções modernas até aqui, a saber, a crença de que a história progride. A fé no progresso da humanidade estava por trás de tudo.

Se o progresso implica uma linearidade de ações políticas que se somam para realizá-lo no horizonte, a disputa é por quem realizaria o progresso ao longo do tempo histórico e quem tentaria, a todo custo, impedi-lo.

Se há vários partidos que dizem representar o progresso, alguém mente ou erra. Quem não concorda comigo, a rigor, é contra o progresso. É nesse lugar que deita raízes o conceito de progressista.

AVANÇO POSITIVO – Há, portanto, um postulado metafísico por trás do progressista: a história avança para melhor.

O oposto desse postulado não é o conservador ou o contrarrevolucionário, que formam um par dialético com o progressista, mas, sim, quem pensa como os antigos: a história anda e se repete em círculos, indo para lugar nenhum. Tucídides e não Hegel ou Marx.

Há, entretanto, um impasse, hoje, para os progressistas, à diferença das revoluções modernas: não se pode mais defender, abertamente, matar os contrarrevolucionários. “O que fazer?”, como escreveu Lênin.

Cartão consignado vira peça-chave do escândalo que atinge Jaques Wagner

Processo judicial para suspender as bets destaca que Lula prometeu fechá-las

Charge 24/09/2024 - Marco Jacobsen

Charge do Marco Jacobsen

Carlos Newton

O advogado Luiz Nogueira, que representa o ex- deputado paulista Afanasio Jazadji na ação popular para suspender as apostas em bets, encaminhou nova petição à 18ª Vara Federal Cível de Brasília, pedido celeridade no exame e julgamento do processo, devido aos prejuízos causados aos brasileiros, especialmente às camadas mais carentes.

No requerimento, a defesa classifica o esquema de apostas como ilegal, imoral e lesivo ao erário público. Em seguida, transcreve trecho de editorial do jornal “O Estado de S. Paulo”, enfatizando que “enquanto critica apostas, o governo Lula impede que o País saiba como foram autorizadas”.

DISSE LULA – Segundo o “Estadão”, há dois meses o presidente Lula aventou a possibilidade de proibir as bets no Brasil.

“Se dependesse de mim, a gente fecha as bets”. A declaração de Lula sugere um governante alarmado com os efeitos de um setor que se transformou em problema de saúde pública, alimenta o endividamento de famílias e já começa a cobrar sua conta do Estado. Pena que o próprio governo não demonstre o mesmo entusiasmo quando o assunto é lançar luz sobre esse mercado. “Lula diz que fecharia as bets, por enquanto, parece mais empenhado em fechar os olhos”.

O advogado Luiz Nogueira lamenta-se que a 18ª Vara não tivesse, em tempo, atentado para a retificação da petição inicial e do objeto da ação, na qual tenta-se impugnar a Portaria SPA 1231/2024, do Ministério da Fazenda, que regulamentou a jogatina.

AÇÃO POPULAR – A título ilustrativo, a defesa argumenta que, para diversas e conceituadas correntes jurídicas “a Justiça admite a ação popular para atacar leis de efeitos concretos, que embora tenham a forma de lei (geral e abstrata), na verdade, possuem destinatários específicos e finalidades certas, quando a lei materialmente se confunde com um ato administrativo e que pode ser combatida pela Ação Popular”.

E mais: “A existência de um decreto de regulamentação (Portaria SPA no. 1231/2024) reforça a ideia de que a lei está saindo do mundo abstrato e operando no mundo prático e produzindo efeitos concretos”.

Com base nessa justificativa, a defesa afirma ser cabível a ação popular, porque a portaria e as consequências da lei violaram a moralidade administrativa

SUSPENDER AS BETS – Em seguida, a petição requer que seja suspensa a comercialização das bets e sua “mendaz propaganda”, assim como a posterior condenação da União e de outros citados, ressarcindo-se o erário público dos danos sofridos, a ser apurado em regular execução de sentença.

Por fim, cita o princípio da razoável duração do processo (art. 5º., inciso LXXVIII da Constituição Federal), que exige celeridade. E argumenta que, ações que tutelam a moralidade administrativa ou interesses difusos (como a Ação Popular), “o juiz não pode usar a sobrecarga de trabalho como justificativa para o atraso de decisões de urgência e de proteção de 210 milhões de brasileiros”.

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P.S.
1 1029773-82.2026.4.01.3400 – este é o número do importantíssimo processo que a grande imprensa está desprezando, pois apenas a Tribuna da Internet vem cobrindo sua letárgica tramitação. Por óbvio, o juiz tem obrigação de dar prioridade a uma causa de tamanha importância. Mas quem se interessa?
(C.N.)

P.S. 1 – Não perca amanhã, com absoluta exclusividade:
Parecer de Nunes Marques (a favor) fará
a condenação  de Bolsonaro  ser anulada

Ano eleitoral amplia gastos dos estados e ameaça o equilíbrio fiscal

Congresso mais poderoso exige eleitor mais atento – eis o desafio pós-2026

Próximo Congresso não tem que ser pior que o atual

Dora Kramer
Folha

O crescimento do poder do Parlamento não serviu só para inverter o equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo. Servirá nesta eleição para dar chance ao eleitorado de desmentir a escrita de que o próximo Congresso será sempre pior que o anterior.

Para isso é preciso observar alguns pré-requisitos na escolha de deputados e senadores. Renúncia ao pertencimento a bolhas ideológicas é um deles, mas há outros: atenção máxima ao cardápio de candidatos, prioridade semelhante à dada aos postulantes à Presidência e abandono de badulaques tais como carisma e venda de terrenos na Lua.

IDENTIFICAÇÃO PROGRAMÁTICA – Conta também para um Legislativo alinhado às regras do presidencialismo a conjugação de parlamentares à opção por um candidato a presidente que tenha com eles identificação programática —de novo, não necessariamente ideológica— que facilite o ato de governar.

Não se trata de interditar o essencial ofício da oposição, mas de distinguir os papéis dos Poderes, seus deveres e direitos, no sistema presidencialista. Há dúvida sobre o interesse dos beneficiários da atual distorção de explicar que se eles querem exercer o controle do Orçamento devem ter também responsabilidade na execução das políticas públicas.

Sem essa atribuição clara de prerrogativas, vamos continuar na toada em que o Congresso dita ações do governo sem ter responsabilidade sobre as consequências. Situação muito confortável para o Parlamento, mas de evidente distorção institucional. Urgente, portanto, que se corrija a deformação.

VOTO CONSCIENTE – Se não for pela mudança de sistema —duas vezes recusada em plebiscito—, que seja pelo voto consciente. Convencida de que a eleição de congressistas influi no ato de governar, altera decisões, prospera ou interdita decisões, a população tem a chance de dar o seu jeito.

E qual seria o melhor jeito? Decerto prestar atenção, empregar rigoroso escrutínio ao que dizem candidatos sobre a utilidade que pretendem dar aos futuros mandatos e questioná-los sobre o que acreditam ser o papel do Congresso.

Ala ideológica do bolsonarismo pressiona Flávio a radicalizar seu discurso

Bolsonarismo “raiz” quer discurso mais ideológico

Deu na CNN

Uma ala do bolsonarismo considerada mais ideológica tem pressionado Flávio Bolsonaro a adotar um discurso mais alinhado às origens do movimento, em contraste com a postura de neutralidade e moderação que ele vem tentando construir para a pré-campanha presidencial de 2026. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao Hora H.

A tensão interna ganhou visibilidade pública e passou a reverberar nas redes sociais. Segundo Venceslau, houve uma mudança significativa na correlação de forças dentro do bolsonarismo em relação às eleições anteriores. “Nas duas eleições anteriores, o núcleo mais ideológico, mais radicalizado do bolsonarismo tinha lugar de fala naquele núcleo duro da pré-campanha e depois da campanha”, afirmou. Desta vez, porém, prevalece o núcleo moderado, com uma campanha descrita como “muito mais profissionalizada do que nas versões anteriores”.

PESQUISAO desconforto do setor ideológico ficou ainda mais evidente após a divulgação de uma pesquisa Quest, que apontou crescimento de Lula e queda de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto. Diante disso, Fabio Wajngarten — que em eleições anteriores ocupou papel central nas discussões sobre os rumos da campanha, mas agora está mais à margem — publicou uma mensagem na rede social X afirmando que “os ideológicos jamais serão problema, eles são a solução, desde que façam um discurso sinérgico” com a questão ideológica e as propostas de campanha, explica o analista.

Wajngarten também declarou ser “um erro enorme afastar o candidato das pautas de direita ideológicas” e fez críticas diretas aos “marqueteiros que não entendem a direita e os coordenadores oportunistas”. Segundo Venceslau, essa fala conta com o apoio de outros bolsonaristas.

Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio segue numa direção oposta, ampliando as ações do pré-candidato para além da chamada bolha bolsonarista. As viagens realizadas e as próximas agendas programadas indicam uma estratégia de narrativa cada vez mais distante do bolsonarismo original. Wajngarten chegou a afirmar que “as tias do Zap perceberam isso e estão se afastando da candidatura do Flávio Bolsonaro”.

Alckmin sai em defesa de Lula e da PF após operação que atinge Jaques Wagner

Lula acelera a liberação de emendas em meio a críticas sobre impacto eleitoral

TCU lidera ranking de pagamentos de diárias e amplia discussão sobre gastos oficiais

Governo pede que STF barre pautas-bomba e contenha avanço do Congresso

Piada do Ano! Após mensalão e Lava Jato, Delúbio alega ser “inocente” e se candidata

Delúbio diz que mensalão foi uma “mentira”

Juliana Arreguy
Folha

Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, 70, está de volta. Preso duas vezes pelos escândalos que macularam a imagem do partido –mensalão e Lava Jato–, quer se candidatar a deputado federal em 2026 por Goiás, seu estado natal. Não será o único mensaleiro, como foram chamados os condenados pelo esquema denunciado em 2005, que retornará às urnas.

O ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal João Paulo Cunha também tentarão vagas na Câmara dos Deputados. “Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, disse ele nesta segunda-feira (15), em entrevista à Folha.

INOCÊNCIA – Em duas horas de conversa por vídeochamada, Delúbio defendeu sua inocência. Com a bandeira do PT ao fundo, camisa polo vermelha, broche do partido e um chapéu-panamá, não chama o mensalão pelo nome como ficou conhecido, mas por “ação penal 470”, número do processo no STF (Supremo Tribunal Federal).

Para ele, a denúncia foi a porta de entrada para anos de perseguição política ao PT. Apontado como o operador do mensalão, sempre negou o pagamento de mesada a deputados aliados. Mas admitiu a existência de caixa dois em campanhas petistas e assumiu a responsabilidade pela prática. Foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, cumpriu pena por mais de dois anos (sendo um ano e meio em prisão domiciliar) e recebeu indulto em março de 2016.

Dois anos depois, foi condenado a seis anos de prisão pela Lava Jato sob acusação de ter obtido empréstimos fraudulentos. A prisão foi revogada em novembro de 2019, quando o STF decidiu que a pena só poderia ser cumprida depois que todos os recursos da ação fossem esgotados –decisão que também permitiu a soltura de Lula naquele ano. Em 2023, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a sentença por entender que a tramitação deveria ter ocorrido na Justiça Eleitoral e não na Justiça Comum.

SITUAÇÕES DA POLÍTICA – Delúbio sustenta que não fez nada de errado, chama outros presos da Lava Jato de “colegas de infortúnio” e reduz muitas de suas agruras a situações “da política”, como quem diz, no jargão futebolístico, que aquilo “é do jogo”. Ele diz não guardar mágoas nem mesmo de sua expulsão do PT, partido que ajudou a fundar e do qual ficou longe entre 2005 e 2011.

Abraçado por Lula publicamente no início do mês, Delúbio recebeu menção de destaque durante encontro do PT em agosto de 2025. O ex-tesoureiro foi citado nominalmente pelo presidente em um discurso que pedia reparação pelos “erros que cometemos”.

O sr. só havia se candidatado uma vez, em 1986. Por que a volta agora?
Tenho 40 anos na política nacional: 20 anos de sucesso e 20 anos com algumas dificuldades. Nos anos de sucesso, estruturamos o PT e lançamos Lula candidato a presidente. Aí teve a denúncia do mensalão, em 2005. Uma mentira. Fui expulso do PT por seis anos. Passei os últimos 20 anos me defendendo de acusações falsas. Não sei por que ele [Roberto Jefferson] fez essa loucura e todo mundo achou que era verdade. Fui intimado 93 vezes para ir à Polícia Federal e todas as perguntas eram repetidas. Mas faz parte da vida, é da política. Não tem nada contra Delúbio Soares hoje.

Qual será a sua bandeira eleitoral?
Quero estar no Congresso para ajudar Lula a governar. Não adianta ficar brigando com o Congresso se você não se dispõe a ser candidato. Além disso, precisamos aumentar a bancada progressista de Goiás. Tenho também pautas específicas: energia, com Goiás sofrendo com a Equatorial [empresa responsável também pela concessão da Sabesp em São Paulo], a ampliação do modal de transporte e muitas na educação. Vou defender a criação de um fundo soberano para sustentar a educação básica e deixar o governo federal responsável pela educação infantil e pelo ensino médio.

O sr. avalia que hoje é mais difícil negociar com o Congresso?
Essa é uma pergunta que você deve fazer para os ministros da articulação política, não para mim (risos). Em uma entrevista para o Jô Soares, Ulysses Guimarães disse que no Congresso não tem nenhum bobo. Podem até achar que as pessoas não estão votando com os seus, mas elas estão, sim, votando com os interesses de quem as elegeu. Se o deputado eleito for financiado pelos bancos, ele vai votar com os banqueiros. É um jogo de interesses que não mudou.

Por que o sr. insistiu em retornar ao PT depois da sua expulsão? Nunca pensou em se filiar a outro partido?
Nas eleições de 2010, quando ainda estava expulso do PT, outros partidos me convidaram para fazer parte de suas fileiras. Mas eu sou fundador do PT, o PT faz parte da minha vida e eu faço parte da vida do PT. Não me interessava.

Caso Lula seja reeleito, o que esperar dos próximos quatro anos?
A eleição do Lula é vital para o futuro do país, e precisa ser no primeiro turno, para ter mais capacidade e respeito. Em 2022, Lula fez uma série de propostas com base num plano de reconstrução e transformação do Brasil. Foi possível fazer o processo de recuperação: reinvestimento na educação, reestruturação dos programas sociais, elevação do poder aquisitivo e do salário mínimo. Tudo isso com muita dificuldade.

Agora precisamos de mais um mandato para fazer a transformação. A única igualdade que nós temos é no voto. Precisamos trabalhar para que em 2030 [próxima eleição presidencial] poucas pessoas necessitem do Bolsa Família. Ele é importante neste momento, mas não pode ser um programa permanente. Outros países acabaram com a pobreza extrema, como a China, e nós temos condições de fazer isso no Brasil.

Falando nas próximas eleições, o que o campo progressista tem feito para formar novas lideranças?
A juventude de hoje viu o PT sofrer ataques muito fortes no mensalão e na Lava Jato. O mensalão tirou da política, por mais de 20 anos, o presidente do PT, que era o José Genoíno, o principal ministro do Lula, que era o José Dirceu [então na Casa Civil], o presidente da Câmara, que era o João Paulo Cunha. Eu fiquei no xadrez, como se diz, junto com o Valdemar Costa Neto [presidente do PL], o Bispo Rodrigues [ex-deputado federal do PL-RJ], o Pedro Corrêa [ex-presidente do PP] e vários aliados do PT.

O que isso sinalizou naquele momento? Que o PT é um partido que vai para a cadeia e leva junto os seus principais aliados. O PT sofreu um desgaste e isso se intensificou com a Lava Jato. Nem por isso saímos com mágoa do mundo. Temos que trabalhar e fazer com que a nossa explicação evite que novas gerações passem pelo que passamos.

E a reestruturação é muito difícil em um partido. Veja aí há quantos anos o Valdemar é presidente do PL, a Renata Abreu é presidente do Podemos, e o Aécio manda no PSDB. Um partido político é uma associação de pessoas, e o PT tem procurado a sua renovação junto à juventude, temos cotas. Não é fácil, porque os espaços políticos são limitados.

Tanto o sr. quanto José Dirceu e João Paulo Cunha estão retornando às urnas em 2026. É uma forma de justiça após as prisões pelo mensalão?
Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT. Vou continuar fazendo o que eu sempre fiz: lutando por um Brasil sem fome, solidário e soberano. A eleição não muda a minha vida, ela é importante para que eu possa integrar o debate.

Se eu não fosse candidato, não estaria falando com você e nem você comigo. Por isso é importante a disputa política: trocar experiências. A mesma Folha que fez a matéria com o Roberto Jefferson está me dando a oportunidade de explicar, depois de 21 anos, o que aconteceu em junho de 2005. Na época ninguém queria me ouvir: eu ia à CPI e, mesmo falando por horas, publicavam o contrário. A gente recuperou a imagem do PT, mas é importante consolidar a democracia no Brasil.

Já que o sr. citou de novo o mensalão: se arrepende de ter assumido sozinho a responsabilidade pelo esquema do caixa 2?
O caixa 2 clássico, no Brasil, é quando você tem uma despesa não registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o dinheiro não tem origem. No caso que virou a ação penal 470, ao fim das eleições [de 2002], vários aliados e diretórios estaduais do PT saíram com dívidas que não foram registradas no TSE. Existia a oportunidade de pegar empréstimos com dois bancos, mas o PT não era elegível. O empresário Marcos Valério tinha capacidade financeira para receber e pegou os empréstimos. Pagamos as despesas saindo do banco, com dinheiro de origem, e por isso eu denominei como não contabilizadas.

Quando você é responsável pelas finanças de um partido ou de uma empresa você tem que assumir um tipo de responsabilidade. A do presidente Lula é de governar o país. A do partido, de fazer articulações políticas. A minha, de encontrar uma solução, e foi a que eu encontrei no momento. Não houve crime.

Eu não me arrependo de nada porque não fizemos nada de errado. Não coloquei a culpa em ninguém porque fazia parte do momento político, que foi totalmente superado. Sou uma pessoa sem mágoas, nunca tive mágoa de ninguém, mesmo quando fui preso.

Também fui condenado na Lava Jato por uma suposição, de que eu teria pedido empréstimo ao Banco Schahin, e não era verdade. Fiquei passando frio numa cela em Curitiba, cheia de ratos e baratas. Mas não reclamo disso, faz parte da vida política. Eduardo Cunha, João Vaccari, Gim Argello, cada um na sua cela, éramos colegas de infortúnio. Demorou 20 anos, mas essa fase foi superada, graças a Deus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Delúbio era tesoureiro do partido. Foi condenado e preso pelo escândalo do mensalão. Foi alvo também da Operação Lava Jato, mas o processo foi anulado em 2021, na leva causada pela decisão do STF que beneficiou ilegalmente Lula. Ele tem direito de se candidatar, mas é tão “inocente” quanto Lula, que foi condenado em três instâncias, por 10 magistrados e sempre por unanimidade. A “inocência” de Delúbio é mais uma Piada do Ano. Ele quer ser deputado federal pelo PT em Goiás. (C.N.)

Sem regras para devolução, senadores “embolsam” as sobras de suas diárias

Um desesperado poema de amor, dedicado a Castro Alves por Adélia Prado

Frases diárias: “O sonho encheu a noite Extravasou pro meu dia Encheu minha  vida E é dele que eu vou viver Porque sonho não morre.” — Adélia PradoPaulo Peres
Poemas & Canções

A consagrada professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Bilhete em Papel Rosa”, faz uma bela declaração de amor à Castro Alves.

BILHETE EM PAPEL ROSA
Adélia Prado
(A meu amado secreto, Castro Alves)

Quantas loucuras fiz
por teu amor, Antônio.
Vê estas olheiras dramáticas,
este poema roubado:
“O cinamomo floresce
em frente ao teu postigo.
Cada flor murcha que desce,
morro de sonhar contigo”.

Ó bardo, eu estou tão fraca
e teu cabelo é tão  negro,
eu vivo tão perturbada,
pensando com tanta força
meu pensamento de amor,
que já nem sinto mais fome,
o sono fugiu de mim.

Me dão mingaus, caldos quentes,
me dão prudentes conselhos,
eu quero é a ponta sedosa
do teu bigode atrevido,
a tua boca de brasa, Antônio,
as nossas vias ligadas.

Antônio lindo, meu bem,
ó meu amor adorado,
Antônio, Antônio.
Para sempre tua.                          

Reunião com Lula definirá futuro de Jaques Wagner e aliados pressionam por afastamento

Wagner virou bomba-relógio para Lula e Vorcaro ainda não desistiu de delatar

Mariosan | O Popular

Charge do Mariosan (O Popular)

Elio Gaspari
O Globo

A entrada do senador Jaques Wagner no panelão do Banco Master era uma questão de tempo. A oposição repetia há meses que as delinquências de Daniel Vorcaro começaram na Bahia. Lá atrás, durante a Lava Jato, a polícia encontrou 15 relógios de luxo na casa do senador. Um deles, mimo da empreiteira Odebrecht, foi avaliado pela Polícia Federal em US$ 20 mil.

Ele explicou que eram imitações chinesas. Passaram-se dez anos, a PF foi lá e voltou a achar relógios. O senador voltou a dizer que eram imitações chinesas. A reprise transforma Wagner num caso raro de colecionador de falsificações chinesas.

LULA E VORCARO – O PT já havia deixado uma digital no caminho de Daniel Vorcaro quando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega levou-o a Lula no final de 2024.

Em 2016, quando uma parte do PT foi apanhada pela Lava Jato, Wagner disse que “o PT se lambuzou”. Na quinta-feira, lambuzou-se o líder do governo no Senado. Depois do mensalão e do petrolão, o PT foi jogado na panela do caso Master. A ver como lida com ele às vésperas de uma eleição.

A diligência da PF ainda tem um longo caminho a percorrer. Em 2025, antes de sua primeira prisão, Daniel Vorcaro teria ameaçado “contar toda a história do Master”. Correndo o risco de mofar numa cela, Vorcaro fingiu, por duas vezes, contar a história do Master; suas propostas de delação eram seletivas e foram rejeitadas.

FESTAS DE ARROMBA – Há uma curiosidade na trajetória de Vorcaro. Até 2020, eram raros os seus contatos com a cúpula da turma de Brasília. Era conhecido por suas festas milionárias e pela liberalidade com que recorria aos serviços femininos para entreter convidados. Quando percebeu que estava sentado numa pirâmide, Vorcaro atropelou.

Promoveu farofas no circuito Elizabeth Arden. Seu cunhado comprou o resort da família de um ministro do Supremo. Seu banco contratou por dinheiro gordo a mulher de outro, que voava em seus jatinhos.

Cerejas do bolo: Guido Mantega levou-o a Lula sem registro na agenda, e o senador Ciro Nogueira apresentou um projeto que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

FILME ELEITORAL – Além disso, decidiu bancar um filme que contaria a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro para estrear durante a campanha do seu filho, Flávio.

Com outro braço, segundo a Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma milícia privada para quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Esse crime ficou na intenção.

Eram ações de um banqueiro radioativo, lidando com os políticos a partir da imagem que tinha deles. Os fatos mostraram que seus alvos foram bem escolhidos.

PODERÁ MOFAR – A menos que ofereça uma colaboração veraz, Vorcaro mofará anos numa penitenciária, como mofou o patrono de sua classe, o americano Charles Ponzi (1882-1949), que ralou 14 anos na cadeia. Depois, ele veio para o Brasil e morreu pobre no Rio.

A chegada da Polícia Federal a Jaques Wagner mostrou a Vorcaro que falar pode se tornar o melhor negócio de sua vida.

Talvez ele tenha percebido o que vários figurões não perceberam: a Polícia Federal sabe muito mais do que supõem os intocáveis de Brasília.

BOMBA-RELÓGIO – Depois da ação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner transformou-se numa bomba-relógio na liderança do governo. Se a oposição pudesse, mandaria um abaixo-assinado ao Planalto pedindo que o mantivesse até outubro.

O senador Jaques Wagner poderia redimir-se da promiscuidade que manteve com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, doando cinco ingressos para shows de Taylor Swift aos estudantes baianos melhor colocados no Enem.

Eles viajariam no jatinho de algum amigo do doutor.

A seleção não tem uma só identidade, porque precisa se adaptar a cada jogo

Carlo Ancelotti: por quais clubes passou, títulos e histórico completo do  treinador

Carlo Ancelotti mudou o esquema e deu certo contra o Haiti

Tostão
Folha

A seleção iniciou o jogo contra o Haiti com uma nova formação tática, com um trio no meio-campo (Casemiro pelo centro, Bruno Guimarães pela direita e Paquetá pela esquerda), dois atacantes (Raphinha e Vini Jr), além de Matheus Cunha centralizado, entre o meio-campo e os dois atacantes.

Vini pela esquerda e Raphinha pela direita entravam em diagonal e recebiam a bola entre o zagueiro e o lateral ou nas costas dos defensores bastantes adiantados. Assim saíram os três gols. E a seleção poderia ter feito outros, facilitada pela fragilidade do adversário.

SEMPRE ELE… – Vini, mais uma vez, foi brilhante. No segundo tempo, com a vitória garantida, a equipe relaxou, mas mesmo assim criou mais umas três chances claras de gol. Entraram vários jogadores e com isso mudou a maneira de jogar do time brasileiro.

A formação tática foi a ideal para esse jogo. Provavelmente, Ancelotti viu as partidas do Haiti e organizou a equipe de acordo com o momento. Em outras situações, ele deverá mudar a escalação e a estratégia.

Essa flexibilidade é um dos pontos positivos da carreira do técnico. Ele já disse que a seleção não tem uma só identidade. Baseado nisso, contra os mais fortes adversários penso que a melhor estrutura tática seria recuar um pouco a marcação para contra-atacar e aproveitar a velocidade dos atacantes brasileiros e os espaços aumentados na defesa do outro time.

OS RIVAIS – Após a primeira rodada, a Argentina foi o time mais regular durante toda a partida, repetindo a estrutura tática e quase a mesma escalação do time campeão em 2022.

Messi atua livre, sem precisar marcar, entre o trio de meio-campistas e o centroavante. Ele continua preciso, conciso, minimalista. Bastam poucos movimentos para clarear e definir as jogadas com belas e eficientes finalizações.

A Inglaterra, como a Argentina, foi um time organizado e eficiente. Não tem um Messi, mas possui um craque plural, Kane, ótimo no ataque, no meio-campo e até na marcação. Thomas Tuchel é um treinador que define a estratégia para depois escolher os jogadores. Prefiro o contrário, organizar a formação tática de acordo com a qualidade e características dos jogadores.

CRAQUE EXPLOSIVO – A França contra Senegal jogou muito mal o primeiro tempo e brilhantemente o segundo, com belíssimos lances dos atacantes. Mbappé une muita velocidade, habilidade e técnica, um craque explosivo.

Espanha e Portugal decepcionaram pelo mesmo motivo. Faltaram qualidade individual e coletiva aos dois ataques para ultrapassar as retrancas adversárias.

Muitas coisas vão mudar durante a Copa. O futebol é muito complexo, nós é que tentamos simplificá-lo com nossas racionalizações e pretensiosas sabedorias.

BRASIL 70 – Nas minhas caminhadas diárias, para fortalecer o corpo e a alma, um leitor perguntou se é verdade que, durante a Copa de 1970, eu lia Machado de Assis e me preparava para o vestibular, como mostrou o filme da Netflix “A Saga do Tri”.

Eu lia Machado de Assis, o Shakespeare brasileiro, mas não é verdade que estudava para o vestibular, pois queria jogar futebol por muito tempo.

Alguns anos depois, tive que parar de jogar por orientação médica, fiz vestibular e me tornei médico e professor de medicina. Após uns 20 anos, voltei ao futebol, como comentarista e colunista, onde estou nos últimos 20 anos. Tive várias vidas. Gosto de todas. A vida pulsa.