Só um terço das falas de políticos foi considerado verdadeiro, aponta estudo

Quatro meses de silêncio: Nunes Marques segura ação que pode liberar a CPI do Banco Master

O pré-sal chega à maturidade e o Brasil precisa pensar no futuro

País deve repor reservas para manter autossuficiência

Pedro do Coutto

Vinte anos após a descoberta do pré-sal, o Brasil consolidou-se entre os grandes produtores mundiais de petróleo. A exploração em águas profundas transformou a economia nacional, ampliou as exportações e fortaleceu a posição estratégica do país no mercado internacional. Mas esse sucesso traz um desafio que não pode ser ignorado: como garantir que essa riqueza continue sustentando o desenvolvimento brasileiro nas próximas décadas?

A questão vai além do volume de petróleo disponível. O verdadeiro desafio é preservar reservas, assegurar o abastecimento interno e aproveitar economicamente um recurso que, por natureza, é finito.

DIMENSÃO – Os números mostram a dimensão dessa transformação. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Brasil produziu, em maio de 2026, cerca de 4,3 milhões de barris de petróleo por dia. O pré-sal respondeu por mais de 80% dessa produção, confirmando sua importância para a matriz energética nacional.

O desempenho, entretanto, esconde uma realidade importante. Quanto maior a produção atual, maior também é a necessidade de descobrir novas reservas capazes de substituir os campos que naturalmente perderão produtividade ao longo do tempo. Nenhuma província petrolífera é inesgotável.

Outro aspecto pouco compreendido é que produzir muito petróleo não significa independência total. O Brasil exporta grande parte do petróleo bruto, mas continua importando determinados derivados, como diesel e gasolina, em razão das características do parque de refino e das exigências do mercado. Isso evidencia que a segurança energética depende não apenas da extração, mas também da capacidade de transformar essa matéria-prima em produtos de maior valor agregado.

REPOSIÇÃO – Por isso, a reposição das reservas deve ocupar posição central na política energética brasileira. A continuidade da produção exige investimentos permanentes em pesquisa geológica, exploração de novas áreas e desenvolvimento tecnológico. Sem isso, a atual liderança pode se transformar, no futuro, em declínio produtivo.

Ao mesmo tempo, o debate precisa considerar a transição energética. O petróleo continuará sendo essencial por muitos anos, mas sua exploração deve servir para financiar a economia do futuro. Os recursos gerados pelo pré-sal podem impulsionar inovação, infraestrutura, educação, ciência e energias renováveis, reduzindo gradualmente a dependência dos combustíveis fósseis.

Também é necessário ampliar a agregação de valor. Exportar petróleo bruto e importar derivados significa abrir mão de parte da riqueza que poderia ser gerada internamente. Fortalecer o refino, a petroquímica e a indústria associada aumenta a competitividade do país e reduz vulnerabilidades externas.

CONDIÇÕES RARAS – O Brasil reúne condições raras: grandes reservas, domínio tecnológico na exploração em águas profundas e uma matriz energética relativamente diversificada. A questão não é apenas produzir mais, mas definir uma estratégia capaz de transformar essa vantagem em desenvolvimento sustentável.

A discussão sobre novas fronteiras exploratórias também deve seguir critérios técnicos, econômicos e ambientais. Não se trata de escolher entre preservação e crescimento, mas de encontrar um equilíbrio que permita aproveitar os recursos naturais sem comprometer o futuro.

O maior risco seria acreditar que a abundância atual garante segurança permanente. O pré-sal representou uma conquista extraordinária da engenharia brasileira, mas seu legado dependerá das decisões tomadas agora.

FORMA DE UTILIZAÇÃO – Mais importante do que perguntar quanto petróleo ainda existe é definir como essa riqueza será utilizada. Se servir apenas para ampliar exportações, o país desperdiçará uma oportunidade histórica. Se financiar inovação, industrialização e a transição energética, poderá deixar um legado que sobreviva ao próprio petróleo.

O pré-sal colocou o Brasil entre as grandes potências energéticas. O desafio dos próximos anos será provar que o país é capaz não apenas de extrair essa riqueza, mas de transformá-la em um projeto duradouro de desenvolvimento nacional.

Planalto já considera que PEC 6×1 pode ficar para depois da eleição

Lula pode levar o embate para as urnas

Victoria Azevedo
O Globo

O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalha com a possibilidade de a votação de projetos de interesse do governo federal no Senado, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6×1, ocorram após a eleição de outubro.

São lembradas também a PEC da Segurança Pública e o projeto que cria regras e busca incentivar a indústria nacional na exploração dos minerais críticos. Esses temas são prioritários para o Planalto e considerados possíveis vitrines a serem exploradas na campanha do petista à reeleição.

SEM DIÁLOGO – De acordo com dois interlocutores frequentes do petista, a avaliação é que dificilmente essas propostas avançarão com o Congresso esvaziado e os parlamentares de olho nas eleições em seus estados, além da falta de diálogo entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Os dois políticos se afastaram após o Senado rejeitar o nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), impondo derrota histórica ao petista.

O Planalto acredita que o parlamentar orquestrou esse movimento e, desde então, as duas autoridades não se falam. Alcolumbre sinalizou a interlocutores de Lula que as propostas de interesse do governo só devem andar no Senado após uma conversa com o chefe do Executivo, o que ainda não ocorreu.

Um ministro do governo diz, sob reserva, que já chegou ao Planalto a intenção da cúpula do Congresso em deixar esses temas para serem apreciados após as eleições e que esse cenário tem sido dado como certo no entorno do presidente. Esse auxiliar do petista afirma, no entanto, que Lula poderá usar isso a seu favor na campanha, já que o presidente poderá usar discurso que o governo fez a sua parte, mas o Congresso não, reforçando crítica usada por aliados do petista e incentivada pelo Planalto de que o “Congresso é inimigo do povo”.

MOBILIZAÇÃO POPULAR – Por outro lado, há uma ala do governo que fala que é preciso forçar o debate e buscar a votação dessas propostas diante do que consideram riscos de que os textos sejam amplamente modificados após as eleições. Um auxiliar de Lula diz que o Planalto atuará para que isso ocorra na volta do recesso parlamentar, em agosto. Ele afirma que é preciso aproveitar a mobilização popular em torno da PEC da 6×1 e a projeção do assunto no contexto eleitoral, já que isso pressiona os parlamentares, para forçar a discussão do tema e sua aprovação sem grandes modificações ao texto.

Esse interlocutor frequente de Lula diz que o Planalto monitora a situação e avalia que há um risco de modificações em pontos-chave do texto, como por exemplo aumentar o período de transição para que a redução de jornada passe a valer. A proposta aprovada na Câmara prevê a redução de 44 horas para 40 horas semanais de trabalho em uma transição de um ano. Além disso, há o receio de que possam ser incluídas outras compensações no texto.

A PEC foi aprovada na Câmara, em dois turnos, no dia 27 de maio, mas não andou no Senado. Alcolumbre sequer despachou a matéria para ser analisada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que gerou queixa de ministros, aliados do presidente da República e da militância de partidos de esquerda. A avaliação de governistas é que o tema mobiliza o lobby do setor empresarial e é preciso manter a discussão junto à opinião pública para forçar o seu andamento no Congresso.

ESFORÇO CONCENTRADO – Historicamente, o Congresso fica esvaziado durante as eleições, já que parlamentares focam sua atuação em seus redutos eleitorais. A cúpula do Legislativo definiu duas semanas em que haverá um esforço concentrado para sessões deliberativas na Câmara e no Senado: entre 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro.

A PEC da Segurança Pública era uma das apostas do governo Lula para a área, que deverá ser um dos principais temas discutidos nessas eleições. A PEC foi aprovada na Câmara em março deste ano e, desde então, não avançou no Senado. Cabe ao presidente da Casa despachar o tema para análise das comissões, o que ainda não foi feito.

A proposta das terras raras, por sua vez, é lembrada pela importância de discutir esse assunto num momento em que o governo Donald Trump, dos Estados Unidos, impôs novas tarifas aos produtos brasileiros. O projeto também foi aprovado por deputados, em maio, mas não teve andamento no Senado.

MEDIDAS PROVISÓRIAS – Além dessas propostas, o Planalto acompanha a tramitação de algumas medidas provisórias (MPs) editadas pelo governo e que estão próximas dos prazos em que perdem validade. A principal delas é a que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais, que tem validade até 8 de setembro. O tema precisa ser analisado numa comissão mista (formada por deputados e senadores) antes de ser votado nos plenários da Câmara e do Senado. Essa comissão ainda não foi instalada.

Esse foi um tema de desgaste ao Planalto e revertido neste ano após a avaliação de que essa cobrança poderia prejudicar eleitoralmente Lula. A avaliação de aliados do presidente é que o Congresso pode atuar para deixar essa MP perder a validade, impondo grande revés político a Lula às vésperas das eleições. Um integrante da articulação política do petista diz que haverá um esforço junto aos parlamentares para que esse tema seja tratado logo na volta dos trabalhos legislativos.

A desinformação ficou mais sofisticada: agora, a verdade também pode enganar

Se vivessem hoje, Marx e Engels estariam empolgados com o fim das ideologias

Karl Marx: conheça a vida e a obra do pensador alemão - Revista Galileu | História

Engels e Marx provocaram a humanização do capitalismo

Carlos Newton

Há muitos anos, na década de 80, ainda no regime militar, tive a honra de ser autor de uma série de artigos que motivaram debates entusiásticos na Escola Superior de Guerra. Publicada antes da queda do muro de Berlim e da derrocada da União Soviética, a série de artigos tinha um título profético – “O Fim das Ideologias”.

Infelizmente, não fui convidado a participar dos debates, porque minha ficha no Serviço Nacional de Informações (SNI) indicava que eu era membro do Partido Comunista”, ao qual jamais fui ligado, embora continue a ser ardoroso admirador de Karl Marx e Friedrich Engels, dois pensadores que conseguiram mudar o mundo.

GRANDES AMIGOS – Sem Engels, não existiria Marx, que era um intelectual pobretão, sem dinheiro para sustentar a família, enquanto Engels era de família rica e seu pai se tornara um dos primeiros empresários multinacionais, com fábricas de tecido na Alemanha e na Inglaterra.

Assim, sem o dinheiro de Engels, que o sustentou a vida inteira, Marx não teria tempo para estudar e desenvolver suas teorias humanitárias, junto com o amigo.

Engels era um intelectual de primeira linha, porém Marx se tornou muito mais importante do que ele, porque assinava como autor os estudos desenvolvidos em conjunto, cuja autoria Engels jamais poderia assumir, para não entrar em choque com os interesses de sua família, que enriquecia cada vez mais com indústria e comércio no ramo têxtil – linhas, fios e tecidos.

SEGUNDO PLANO – Engels tinha de ficar em segundo plano e só podia assinar ensaios que não defendessem diretamente as classes trabalhadoras, como a monumental obra “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, em 1884.

Na época, o trabalho ainda caminhava próximo à escravidão; o único direito trabalhista era a folga semanal aos domingos, adotada desde o Império Romano. E a possibilidade de descansar também aos sábados só viria a ser adotada no Século XX.

O sofrimento dos trabalhadores incomodava o capitalista Engels, que se transformou num grande defensor dos direitos humanos, quando a exploração do homem pelo homem era considerada normal, porque ocorria totalmente dentro da lei.

DIREITOS HUMANOS – Os criadores do comunismo se conheceram em Colônia, capital da Renânia (antiga Prússia e hoje Alemanha), onde Marx nasceu e a família de Engels instalara uma de suas fábricas.

Engels tinha alma de jornalista, colaborou ativamente na “Gazeta Renana” onde Max trabalhava e depois fundou com ele a “Nova Gazeta Renana”. Assim, desde sempre foi ele quem sustentou Marx  e assim seguiram pelo resto da vida na Alemanha e depois em Paris, Bruxelas (onde escreveram o Manifesto Comunista) e Londres.

Portanto, Engels usou o dinheiro do capitalismo para patrocinar e criar o comunismo, regime político que ele e Marx julgavam mais humano, sem saber que poderia ser desvirtuado por líderes ditatoriais, tão exploradores quanto os capitalistas.

GRANDES PREVISÕES – Juntos, os dois pensadores previram em detalhes o que aconteceria ao capitalismo, inclusive o surgimento dos “rentistas”, termo criado por eles para designar as pessoas que hoje vivem da renda do dinheiro investido, como é comum aqui no Brasil, onde quem possui R$ 2 milhões aplicados pode viver com renda superior a R$ 20 mil mensais, e sob proteção de bancos estatais, que não têm risco de ir à falência.

O que não poderiam prever é que os profundos estudos que realizaram fossem utilizados para humanizar o capitalismo e garantir a defesa dos direitos humanos em todos os sentidos, de tal forma que tornou totalmente inviável aquele comunismo com o qual os dois sonhavam.

Hoje, os principais países que se diziam comunistas não podem mais ser considerados assim. Rússia, China e Vietnã, por exemplo, tiveram de adotar o capitalismo de estado e hoje caminham para a social democracia, a alternativa ideal seguida pelos  escandinavos, que se tornaram os países mais desenvolvidos do mundo, através do Estado do Bem-Estar Social.

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P.S. 1 –
Sempre que faço reflexões sobre a morte das ideologias, fico entusiasmado com a obra de Marx e Engels (ou de Engels e Marx, conforme prefiro), que redundou na abençoada Social Democracia.

P.S. 2 – Embora tanta gente hoje despreze Engels e Marx, eu cada vez os admiro mais. E fico orgulhoso quando me chamam de comunista, como aconteceu no regime militar, quando o coronel Costa Júnior, que trabalhara no Serviço Nacional de Informações (SNI), ofereceu-se para limpar minha ficha e eu recusei, dizendo-lhe que todo jornalista de verdade se orgulhava de ser fichado. E vida que segue, como dizia meu amigo João Saldanha, que também era fichado como comunista. (C.N.)

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STF cobra reação mais dura de Nunes Marques contra ataques às urnas

Nota divulgada por Marques foi considerada tímida 

Valdo Cruz
G1

O episódio dos vistos negados pelo Itamaraty a dois assessores do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, gerou uma reação muito negativa dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ministros das duas Cortes defendem que o presidente do TSE, Nunes Marques, condene duramente os últimos ataques às urnas eletrônicas e à missão dos Estados Unidos que viria ao Brasil para minar o sistema eleitoral brasileiro.

NOTA TÍMIDA – Na avaliação destes magistrados, a nota divulgada pela equipe de Nunes Marques foi considerada tímida e fraca, que não refletiria a gravidade do momento. A expectativa é que o presidente do TSE também mande esse recado na reunião com embaixadores, agendada para depois do recesso do Judiciário.

Segundo reportagem do jornal americano “The Washington Post”, os dois funcionários de alto nível do Departamento de Estado dos EUA viriam ao Brasil para levantar dúvidas sobre a integridade e confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Os dois pediram audiência com Nunes Marques, mas que não foi agendada por causa do recesso do Judiciário. Mesmo assim, mantiveram a viagem para encontros com lideranças políticas e religiosas. Os dois são jovens de extrema-direita. Um deles já foi enviado em missão a outros países para apoiar candidaturas de diretas e tentar influenciar no processo eleitoral local.

Zema cogita Joaquim Barbosa para vice e ainda tenta fechar chapa presidencial

‘Pessoa que admiro muito’, disse Zema sobre o ex-ministro

Deu no O Globo

Pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema afirmou, neste sábado, que seu partido “tem cogitado” a possibilidade de ter como vice o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC). O presidenciável contou que pretende se reunir presencialmente com ele, além de ressaltar ter muita admiração pelo jurista.

— Já comentei com o ministro Joaquim Barbosa que, indo ao Rio de Janeiro, quero, sim, ter um encontro com ele. É um mineiro do norte de Minas que fez um belíssimo e reconhecido trabalho combatendo a corrupção. E nós temos aí diversas conversas. É uma pessoa que eu admiro muito e que o partido tem cogitado (para a vice) — disse Zema, em declaração a jornalistas durante agenda no Rio Grande do Sul.

PONTUAÇÃO – Em maio, Barbosa se filiou ao Democracia Cristã (DC) e, desde então, passou a ser cotado para concorrer à Presidência pelo partido. Na última pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês, com margem de erro de dois pontos percentuais, ele aparecia com 1% das intenções de voto.

Devido à dificuldade de ganhar tração, de fechar alianças e de obter recursos para estruturar uma campanha nacional, Barbosa desistiu, há duas semanas, de concorrer ao Palácio do Planalto. A desistência foi antecipada pela “Folha de S. Paulo”, embora o jurista ainda não tenha comunicado sua decisão oficialmente.

— Ele não comunicou que iria desistir. Desde que se filiou ao partido, disse que seguiria com a candidatura com a seguinte ressalva: “Preciso da mínima estrutura para seguir. Uma coligação, um possível apoio logístico” — disse João Caldas, presidente do DC, ao jornal Valor Econômico.

PRAZO – Os partidos têm até 5 de agosto para realizar as convenções e deliberar sobre coligações e escolha de candidatos. Em 2018, Barbosa chegou a se filiar ao PSB também com o intuito de tentar o posto ao Planalto, mas terminou não emplacando a candidatura.

Outro nome ventilado para ocupar a vice na chapa presidencial, o empresário Geraldo Rufino decidiu se lançar candidato ao Senado por São Paulo pelo Podemos, em decisão anunciada no domingo passado (19).

RECUO – No mesmo final de semana, Zema também citou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como uma opção para o posto, mas voltou atrás e negou a existência de um convite feito a ela. Publicamente, Michelle afirmou não haver “nenhuma possibilidade” de tal aliança ocorrer.

“Estou filiada ao PL. Um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários. Portanto, não há nenhuma possibilidade de isso acontecer. Neste momento, continuo priorizando os cuidados com o meu marido”, disse Michelle, nas redes sociais.

AINDA EM VICE –  O Novo oficializa nesta segunda-feira a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República, em convenção nacional que marca o início de uma nova fase da campanha do partido. O evento será realizado a partir das 11h30 em Brasília e contará com a presença do presidente do partido, Eduardo Ribeiro.

Depois de meses concentrando esforços na construção de alianças e na aproximação com setores estratégicos, como o agronegócio, o empresariado e lideranças evangélicas, a expectativa da campanha é que a largada oficial da disputa permita ao presidenciável se tornar mais conhecido junto ao eleitorado nacional.

Hoje, ele ainda seria bastante desconhecido em comparação com adversários como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A aposta é que o horário eleitoral gratuito, os debates e o aumento da exposição do candidato ajudem a apresentar o ex-governador a eleitores que ainda conhecem pouco sua trajetória.

Sem citar Trump, Cármen Lúcia faz defesa da soberania e das urnas

O arco-íris poético de Olegário Mariano se exibia no céu como uma bandeira

CLUBE DE POETAS: OLEGÁRIO MARIANO

Olegário Mariano, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O arco-íris marca bela presença na visão poética do diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958). 

Olegário Mariano era membro da Academia Brasileira de Letras. Em sua época o arco-íris era também chamado de “arco-da-velha”, uma expressão popular da língua portuguesa usada para descrever coisas antigas, espantosas, inacreditáveis ou exageradas. Dizia-se que “são coisas do arco-da-velha”…

ARCO-ÍRIS
Olegário Mariano

Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.

A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como os tangarás:

“Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol.” 
De repente, no céu desfraldado em bandeira,

Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.

Em resposta a Trump e Milei, China declara apoio à soberania brasileira

BTG/Nexus: Lula marca 47% contra 43% de Flávio em novo teste de segundo turno

Em simulação de 1º turno, Lula tem 42% e Flávio 33% 

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

O presidente Lula (PT) tem 47% das intenções de voto em simulação de segundo turno das eleições presidenciais de outubro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que marca 43%, de acordo com nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27). Na rodada anterior, de meados de julho, o petista marcou os mesmos 47%. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha 44%.

O levantamento foi feito por telefone dos dias 24 a 26 de julho com eleitores de 16 anos ou mais residentes em território nacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o código BR-01489/2026.

DIANTEIRA – No cenário de primeiro turno, o atual presidente aparece na frente, com 42%, ante 40% da última aferição feita pela Nexus. O senador vem na sequência, com 33% das intenções, após marcar 34% na última pesquisa. As oscilações ocorrem dentro da margem de erro.

Ronaldo Caiado (PSD) registra 6%, Renan Santos (Missão) marca 5%, e Romeu Zema (Novo) tem 3%. Augusto Cury (Avante) pontua com 2%, e Cabo Daciolo (Mobiliza) faz 1%. Nos demais cenários de segundo turno, o petista teria 46% a 42% contra Zema e venceria Renan por 47% a 39%. Caiado empata com o mandatário. Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 43% do ex-governador de Goiás, o que configura empate técnico.

REJEIÇÃO – Com esta configuração de nomes, Flávio e Lula são os mais rejeitados pelos eleitores. Dos entrevistados, 50% dizem que não votariam de jeito nenhum no senador; 48% afirmam o mesmo do petista. Daciolo é rejeitado por 38%, e Zema, por 32%. Não votariam de jeito nenhum em Caiado, em Renan e em Cury, respectivamente, 29%, 27% e 26%.

A avaliação do governo Lula se mantém estável. Para 43%, a gestão do petista é negativa, enquanto 36% dizem que ela é positiva. Outros 20% a veem como regular. No mês passado, esses percentuais eram de 41%, 35% e 24%, nesta ordem.

Campanha curta favorece quem já está no poder e dificulta renovação política

O risco de transformar a eleição brasileira em palco da direita internacional

Sem projeto, Flávio recorre ao espetáculo

Pedro do Coutto

O lançamento oficial da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência deveria representar a afirmação de um projeto político nacional. O que se viu, porém, foi uma cerimônia marcada menos pela apresentação de uma agenda própria e mais pela tentativa de reafirmar a continuidade do bolsonarismo, pela presença simbólica de Jair Bolsonaro e pela intervenção de um presidente estrangeiro no debate eleitoral brasileiro. Em vez de projetar autonomia, o evento expôs a dependência de uma candidatura que ainda parece procurar sua própria identidade.

Flávio atacou o PT, criticou o governo Lula e prometeu chegar ao Palácio do Planalto acompanhado do pai, a quem atribui papel central em uma eventual vitória. A promessa tem força emocional para a base bolsonarista, mas também revela um paradoxo: uma candidatura que pretende representar o futuro continua organizada em torno da figura de um ex-presidente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O passado, nesse caso, não aparece apenas como herança eleitoral. É o eixo da narrativa.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – A própria convenção deixou isso evidente. Impedido de participar presencialmente, Jair Bolsonaro esteve presente por meio de uma mensagem produzida com inteligência artificial. A tecnologia permitiu reproduzir a presença política de um líder ausente, mas também criou uma imagem carregada de simbolismo: o candidato que busca representar a continuidade de um projeto precisou recorrer a uma versão virtual do próprio pai para ocupar o espaço que, em outras circunstâncias, seria naturalmente dele. A mensagem reforça a força do sobrenome, mas evidencia também a dificuldade de Flávio em se apresentar como liderança plenamente autônoma.

O elemento mais controverso, contudo, foi Javier Milei. A presença do presidente argentino transformou o lançamento em algo maior do que uma convenção partidária brasileira. Milei subiu ao palco, atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes e associou a candidatura de Flávio a uma suposta ofensiva continental contra o socialismo. A eleição brasileira passou, assim, a ser apresentada como parte de uma disputa ideológica latino-americana.

A estratégia tem lógica eleitoral. Flávio tenta transformar uma candidatura ainda marcada por dificuldades de articulação em um capítulo de uma onda conservadora internacional. Ao lado de Milei, busca transmitir a ideia de que não está isolado e de que existe uma corrente política regional capaz de enfrentar a esquerda. O problema é que essa associação pode funcionar para consolidar uma base já convencida, mas não necessariamente para ampliar o eleitorado.

PROJETO DEFINIDO – A eleição brasileira, afinal, não será decidida em Buenos Aires. Será disputada diante de uma sociedade que enfrenta problemas concretos, como segurança pública, custo de vida, emprego, saúde e educação. A presença de líderes estrangeiros pode produzir imagens fortes e alimentar as redes sociais, mas dificilmente substitui a necessidade de apresentar ao eleitor um projeto consistente para o país.

Há ainda uma questão institucional que não deveria ser minimizada. Um chefe de Estado estrangeiro participar ativamente do lançamento de uma candidatura presidencial no Brasil é algo incomum e politicamente sensível. Não se trata de afirmar que a presença de Milei constitua, por si só, uma interferência ilegal no processo eleitoral.

Mas sua participação introduziu uma dimensão externa em uma disputa que deveria, essencialmente, ser decidida pelos brasileiros. Ao atacar diretamente o presidente brasileiro e um ministro do Supremo Tribunal Federal durante um evento partidário, Milei deixou de ser apenas um convidado internacional e assumiu o papel de protagonista de uma disputa política doméstica.

REFERÊNCIA EXTERNA – O contraste é significativo. Enquanto Flávio procura se afirmar como alternativa para governar o Brasil, o palco do lançamento foi ocupado por referências externas: Milei, Jair Bolsonaro e até a inteligência artificial usada para recriar a presença do ex-presidente. A impressão que fica é a de uma candidatura que ainda precisa responder a uma pergunta fundamental: o que há de Flávio Bolsonaro além do sobrenome Bolsonaro?

Esse será um dos maiores desafios de sua campanha. O apoio de Milei pode oferecer entusiasmo à militância e reforçar a imagem de pertencimento a uma direita internacional. Mas uma eleição presidencial exige mais do que mobilizar os já convencidos. Exige conquistar eleitores que não votaram no candidato anterior, dialogar com setores moderados e apresentar uma agenda capaz de ultrapassar as fronteiras ideológicas de sua própria base.

Flávio precisa administrar três forças: a fidelidade ao pai, que continua sendo seu principal patrimônio eleitoral; a necessidade de conquistar uma direita menos confrontacional e mais capaz de formar alianças; e a pressão para integrar uma articulação internacional que tem em Milei um de seus principais símbolos. O equilíbrio entre essas dimensões será decisivo para saber se sua candidatura conseguirá crescer ou permanecer restrita ao núcleo mais fiel do bolsonarismo.

MAIS DO MESMO– Por isso, o lançamento merece ser observado menos pelo espetáculo e mais pelo que revela. Ao colocar Milei no centro da cerimônia, apresentar Jair Bolsonaro por meio da inteligência artificial e fazer da crítica a Lula e Alexandre de Moraes um dos principais eixos do discurso, a candidatura parece ter escolhido reafirmar suas trincheiras antes de demonstrar capacidade de ampliar seu território político.

Milei pode ter ajudado Flávio a ocupar as manchetes e oferecido à campanha uma fotografia poderosa para sua base. Mas a mesma imagem que fortalece sua identidade ideológica também pode reforçar a percepção de dependência de referências externas e de uma política cada vez mais internacionalizada por líderes que não disputarão a Presidência do Brasil.

ARTIFÍCIO –  A presença de Milei produziu um efeito ambíguo. Para os que já estão com Flávio, foi um gesto de força e solidariedade política. Para os que estão fora desse campo, pode ter parecido justamente o contrário: a demonstração de que uma candidatura que pretende governar o Brasil ainda precisa recorrer a um presidente estrangeiro para ampliar sua estatura.

A eleição, entretanto, será brasileira. E o desafio de Flávio Bolsonaro será provar que consegue ser mais do que o herdeiro político de Jair Bolsonaro e mais do que o aliado brasileiro de Javier Milei. Precisará convencer o eleitor de que existe, em sua candidatura, um projeto próprio de país. Até aqui, o lançamento ofereceu muitas referências ao passado e ao exterior. O que ainda falta apresentar, com clareza, é o futuro que pretende construir para o Brasil.

Polarização ameaça democracia porque a política deixou de produzir renovação

BELA, RECATADA E ENVERGONHADA" SOBRE A CHARGE ACIMA RESPONDA: O SIGNIFICADO DA PALAVRA DEMOCRACIA ESTÁ - brainly.com.br

Charge do Duke (Itatiaia)

Marcus André Melo
Folha

Vista em perspectiva histórica, a atual eleição presidencial é singular. De um lado, o presidente da República, aos 80 anos, disputa a reeleição depois de exercer a liderança de um partido por quase meio século. Há casos de outsiders que chegaram ao poder em idade avançada (ex. Trump), mas a dependência em relação a uma única liderança é excepcional nas democracias atuais.

Do outro lado, temos o candidato-substituto de um clã familiar, escolhido porque o titular se encontra encarcerado por seu envolvimento em uma conspiração. Seu apoio deriva, em larga medida, da chancela paterna e do que chamo de voto por exclusão.

CINISMO CÍVICO -O traço fundamental do pleito, contudo, é o elevadíssimo cinismo cívico. Ambos os candidatos, seus familiares e dirigentes de suas respectivas agremiações carregam acusações gravíssimas de envolvimento em corrupção, com características que o ministro André Mendonça chamou de “mafiosas.”

As instituições brasileiras nunca haviam se degradado a ponto de alcançar cortes superiores, como o STF e o STJ. A degradação se manifestou em momento crítico da democracia brasileira e comprometeu profundamente sua defesa.

Nossa quadra histórica assiste, assim, a uma mudança qualitativa. Não estamos apenas diante do problema recorrente do patrimonialismo. A corrupção mudou de escala e passou a se articular com a criminalidade organizada e violenta.

FRACASSO COLETIVO – Arrisco dizer que, em poucos momentos de nossa história republicana, o sentimento público de fracasso coletivo foi maior que o atual. É certo que, na Primeira República, no pós-guerra e durante a ditadura, também houve momentos de forte frustração e cinismo cívico.

Mas há uma distinção importante. Naqueles contextos existiam ideias-força que mobilizavam grandes energias cívicas e ofereciam projetos de transformação institucional.

Depois de pouco mais de três décadas de regime republicano, Vicente Licínio Cardoso resumiu a frustração de sua geração: “A grande e triste surpresa de nossa geração foi sentir que o Brasil retrogradou”.

Licínio Cardoso falou também no “rotundo fracasso” da primeira geração republicana. A ironia da história é que o projeto surgido desse diagnóstico conduziu ao Estado Novo e, posteriormente, ao populismo nacional-desenvolvimentista. A percepção do fracasso institucional gerou energia transformadora, mas não necessariamente instituições melhores.

RECENTEMENTE – No final dos anos 1970 e início dos 1980, as perspectivas de mudança de regime também alimentaram projetos de transformação de ampla envergadura. A instabilidade fiscal e política dos primeiros anos da Nova República deu lugar a uma nova onda de reformas institucionais virtuosas.

Um ciclo histórico esgotou-se. Os atores principais deste jogo operam em modo sobrevivência. Partidos, interesses organizados e instituições procuram preservar posições, proteger seus integrantes. A sobrevivência tornou-se programa e a polarização, o mecanismo de sua reprodução.

Esta é a nova armadilha institucional: quanto maior a rejeição a cada um dos polos, mais necessário o outro parece aos seus seguidores. O desgaste não os expulsa do jogo; torna-os reciprocamente indispensáveis. A competição democrática deixou de produzir renovação