Flávio Bolsonaro condiciona presença em debates à participação de Lula

Ancelotti, grande malandro, sabe tratar de si, mas não sabe cuidar da seleção

Ancelotti volta ao Brasil e retoma trabalho de olho em próximas convocações

Carlo Ancelotti pintou o cabelo para mudar o clima…

Vicente Limongi Netto

Carlos Ancelotti voltou das férias tipo laranjão, imitando Donald Trump, depois de o Brasil conquistar o vexatório décimo primeiro lugar na copa do mundo. Anunciou que vai renovar a seleção e mostrou-se indiferente à decisão de Neymar de não jogar mais pela seleção.

Ancelotti vai se arrepender se deixar Neymar fora dos planos. Neymar é e continuará sendo, por muito tempo, nosso único e verdadeiro craque.

COMEÇAR DE NOVO – Ancelotti vai começar tudo do zero. Tarefa árdua. Não será fácil transformar o atual grupo bisonho em uma seleção competitiva e respeitada.  

Além de renovar o elenco, será necessário ganhar entrosamento. Até final do ano a seleção fará amistosos com as fortes e temíveis seleções da Índia, Austrália e Singapura… Por enquanto Ancelotti não entregou nada de positivo a seleção.  Em 2030 Neymar estará com 36 anos.   Nossos adversários têm conjunto. Jogam por música. Estão juntos faz tempo. 

Neymar, com a técnica apurada que tem e respeitado pelos adversários e pelos companheiros, poderá render na seleção jogando no mínimo um tempo. Reitero o que já frisei diversas vezes.  Se não fossem as duras e demoradas contusões que sofreu,  Neymar estaria jogando no nível técnico de Messi e Cristiano Ronaldo. Tem momentos no jogo que a técnica, a experiência, o raciocínio rápido e o talento individual valem mais do que a velocidade.

GRANDE FIASCO – Ancelotti foi um grande fiasco na copa de 2026. Não apresentou nada de atraente nem de positivo na seleção. Cuidou da vida dele. De bobo não tem nada. Renovou rico contrato com a CBF antes mesmo de começar a copa do mundo. Inacreditável. Nunca se viu tamanho disparate no futebol mundial.

Atualmente a CBF é dirigida por deslumbrados amadores. Não conhecem futebol nem administração. Adoram mordomias e viagens internacionais. Últimos balancetes da entidade foram amargamente deficitários. Previsão para este ano é de déficit novamente.

Antigamente todas os presidentes da entidade apresentavam superavit em suas gestões. Foi com os ex-presidentes da CBF que o Brasil conquistou o pentacampeonato.  Nos planos da seleção, vencer a Copa América é importante. Para dar moral na caminhada. O último título que o Brasil conquistou na competição foi em 2019.

HUMORISMO – A governadora de Brasília, Celina Leão, candidata à reeleição, anda esbanjando a veia humorística de radiante brincalhona.

Conta a boa coluna “Do alto da torre”, do Jornal de Brasília no dia 29, que Celina Leão anunciou que vai providenciar casamento para a senadora Damares Alves. Para opinião da governadora, Damares é “a senadora mais bonita do Brasil”.

A enfática observação de Celina causou oceânicas controvérsias no mundo político. 

TALENTO –  “No furor da tua víscera”, nome poético da primeira mostra individual da talentosa Manu Dib.  A artista, de 25 anos de idade, apresenta  pinturas expressivas com cores fortes que atraem e compõem o universo do cotidiano.

A abertura da mostra será nesta sexta-feira, na Galeria Risofloras, na Praça do Cidadão, em Ceilândia, Brasília. Exposição aberta ao público até 4 de setembro.

Aluna de Artes Plástica da Universidade de Brasília, Manu  carrega no coração o marcante DNA artístico da mãe dela, a artista plástica e cineasta Joana Alice Limongi. O avô e pai, autor destas linhas, respira saudável orgulho. 

Lula avança sobre antigos aliados de Bolsonaro para ampliar base eleitoral

Condenado e inelegível, Eduardo Bolsonaro abandona plano de integrar chapa ao Senado

Cientista política diz que Moraes ultrapassa limites no caso de vídeo com IA

Governo Lula reage aos EUA e rejeita acusação de ameaça à segurança americana

Beijos implacáveis e insaciáveis, na poética modernista de Mário de Andrade

5 frases realistas do Mário de Andrade - Viagem em PautaPaulo Peres
Poemas & Canções

O romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte, fotógrafo e poeta paulista Mário Raul de Moraes Andrade (1893-1945), no poema “Beijos Mais Beijos”, fala de milhões de beijos insaciáveis trocados com a pessoa amada.

BEIJOS MAIS BEIJOS
Mário de Andrade

Beijos mais beijos,
Milhões de beijos preferidos,
Venho de amores com a minha amada,
Insaciáveis.

Rosas mais rosas,
Milhões de rosas paulistanas,
Venho de sustos com a minha amiga,
Implacáveis.

Luzes mais luzes,
Luzes perdidas na garoa,
Trago tristezas no peito vivo,
Implacáveis.

Ideais, ideais,
Ideais raivosos do insofrido,
Trago verdades novas na boca,
Insaciáveis.

Jornais, jornais,
Notícias que enchem e esvaziam,
– Me dá uma bomba sem retardamento,
Implacável!

Horas mais horas,
Rio do meu mistério esquivo,
– Me dá violetas pelos meus dedos
Insaciáveis…

Flávio Dino cobra que Congresso assuma responsabilidade sobre emendas parlamentares

Dino cobra transparência e prestação de contas

Pepita Ortega
O Globo

Em uma nova decisão relacionada ao uso de emendas parlamentares, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Congresso e governo federal estabeleçam as responsabilidades de todos que participam do processo de indicação e execuções dos recursos. O ministro destacou, especificamente, a responsabilidade de deputados e senadores que fazem a indicação da alocação das verbas, que também deverá constar das informações a serem apresentadas à Corte.

Segundo Dino, há uma visão de que os poderes dos parlamentares sobre o orçamento, com a indicação das emendas, foram ampliados sem a ” simétrica ampliação de responsabilidade”. No entanto, para o ministro, o dever de prestar contas “recai sobre todos aqueles que, de algum modo, administram ou assumem responsabilidade pela gestão e aplicação de recursos públicos”.

PRAZO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, terão dez dias para apresentar os dados ao STF. Como a decisão é assinada no recesso judiciário, no entanto, o prazo para a prestação das informações se encerra somente no dia 19 de agosto.

Depois, a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República terão cinco dias, cada, para darem seus pareceres sobre o caso. Dino ainda determinou que, em seguida, a ação seja diretamente analisada pelo Plenário do STF.

A decisão foi assinada em uma nova ação, apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade, contra a dinâmica das emendas individuais — que incluem as emendas Pix — e as emendas de bancada.

DIFICULDADE – A legenda argumentou que o modelo atual de gestão do orçamento, com a possibilidade de parlamentares decidirem, individualmente, para onde serão destinados determinados recursos implica em uma dificuldade de delimitar as responsabilidades pela aplicação de tais verbas. Isso porque, enquanto cabe ao parlamentar definir os beneficiários do repasse, a execução é feita pelos órgãos do governo.

Assim, a ação questiona a “assimetria” entre aqueles que decidem sobre a alocação dos recursos e quem tem de prestar contas sobre a aplicação das verbas, “fragilizando” o controle da gestão do orçamento.

Ao analisar a ação, Dino ponderou que não há dúvidas da “altíssima participação parlamentar na execução orçamentária” ainda que os atos administrativos sejam praticados pelo Executivo. Na prática, a decisão indica que a responsabilidade pela má aplicação de recursos públicos deve alcançar, também, os parlamentares.

CONTRADIÇÃO – Segundo Dino, é contraditório que um parlamentar, em tese responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, fique “imune” a mecanismos de controle quando sua atuação interfere na destinação do dinheiro público.

“Aquele que exerce poder sobre o ciclo da despesa não pode invocar “independência” ou “prerrogativa” do mandato parlamentar para se afastar dos mecanismos constitucionais e legais de controle. Em síntese, não é admissível que haja poder de fiscalização sem correspondente sujeição à fiscalização”, anotou o ministro.

RESPONSABILIDADE – O relator destacou ainda o quadro de reiterada má aplicação de recursos de emendas parlamentares. Ponderou que, em diferentes operações da Polícia Federal sobre o tema, os parlamentares alegam que “se limitam a indicar emendas sem, qualquer responsabilidade sobre a boa ou má aplicação dos recursos”.

Nesse contexto, Dino advertiu que o uso do dinheiro público está sujeito a regras previstas na Constituição, relacionadas ao devido processo orçamentário. “Dizendo de modo mais óbvio: indicar uma “emenda PIX” não é o mesmo que “passar um PIX” para uma pessoa da família ou um comércio da esquina”, ressaltou.

Em 2025, o Brasil selou seu destino de vetor da guerra ideológica global

A tragédia de uma elite – Por Francisco Carneiro Junior

Perseguição a Jair Bolsonaro repercute muito no exterior

Francisco Carneiro Júnior
Site BrasilAgro

Ao tentar aniquilar Jair Bolsonaro, o regime brasileiro acendeu um alarme no coração do trumpismo: o de que nenhuma liderança conservadora estaria segura caso o precedente brasileiro triunfasse. A resposta americana, portanto, não é diplomática — é doutrinária. Não protege apenas um aliado: protege um paradigma.

Agora, Brasília encontra-se diante de um dilema insolúvel. A perseguição a Bolsonaro, tratada internamente como jogo de poder, transformou-se em pauta de segurança internacional.

IMPÉRIO PÓS-MODERNO – Trump, diferentemente dos burocratas do Departamento de Estado, não age com distanciamento tecnocrático: ele age com a força de um imperador pós-moderno, decidido a vingar um aliado que vê como reflexo.

Recuar é admitir fraude narrativa. Avançar é desafiar sanções que podem implodir a economia nacional. A elite brasileira, em seu delírio tecnocrático, criou uma armadilha perfeita: qualquer saída agora significa perder tudo.

Este não é apenas um embate entre um regime e um ex-presidente. É um capítulo da nova guerra civilizacional que divide o Ocidente: de um lado, o globalismo institucional, burocrático, moralmente relativista; do outro, o populismo nacional-conservador, com raízes populares e apelo emocional.

UM SÍMBOLO – Bolsonaro tornou-se, por força das circunstâncias, um símbolo continental — não apenas do Brasil, mas de toda uma corrente de pensamento em ascensão no mundo. A tentativa de destruí-lo criou, paradoxalmente, sua maior blindagem: a da transcendência política.

O mais devastador nesse episódio é a constatação de que tudo poderia ter sido evitado. Bastava sensibilidade estratégica, leitura geopolítica mínima, compreensão dos vetores do poder em 2025.

Mas a elite brasileira, viciada em sua bolha midiática e seduzida por sua autopercepção iluminista, riu de Eduardo Bolsonaro e ignorou os sinais gritantes que vinham do norte. As visitas a Mar-a-Lago. Os acenos de Trump. As falas inflamadas de congressistas republicanos. A cobertura intensa da mídia conservadora americana. Tudo foi tratado como ruído. Agora, é tarde.

ALÉM DAS FRONTEIRAS – O terremoto político reverbera para além das fronteiras. Governos latino-americanos observam com atenção: se os EUA intervêm — política e economicamente — para proteger um ex-presidente em outro país, qual será o novo limite do jogo hemisférico? A lição é clara: o preço da repressão política interna pode ser cobrado em escala internacional.

E, num paradoxo cruel, o regime que buscava apagar Bolsonaro do mapa político acabou por elevá-lo à condição de ícone continental.

Quando a história se vira contra os arquitetos do poder, não há mais zona cinzenta. Ou se rende completamente — com anulação de processos, restauração de direitos políticos e reconhecimento de abusos — ou se enfrenta o colapso: econômico, diplomático e moral.

ARMADILHA – O regime criou uma armadilha da qual não consegue sair, porque a própria sobrevivência passou a depender da destruição de um homem — e, agora, desse homem depende a estabilidade do país.

Os historiadores do futuro serão implacáveis. Identificarão 2025 como o ano em que o Brasil selou seu destino como peão no tabuleiro de uma nova guerra ideológica global. Não foi a desigualdade. Não foi a polarização. Não foi a corrupção. Foi a cegueira estratégica. Tentaram destruir um homem. Destruíram a si mesmos.
E o homem de quem riam, por “fritar hambúrgueres” em Missouri, agora observa — sereno, estratégico, firme — enquanto seus adversários marcham em direção ao colapso que eles próprios arquitetaram. A História, afinal, não perdoa arrogância acompanhada de ignorância. E jamais subestima os homens que, em silêncio, constroem o futuro.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

PF avalia incluir Flávio Bolsonaro em lista da Interpol para rastrear recursos de ‘Dark Horse’

Investigação apura destino dos R$ 61 milhões de Vorcaro

Patrik Camporez
O Globo

A Polícia Federal avalia pedir a inclusão do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chamada difusão prateada da Interpol (polícia internacional, mecanismo internacional recém-criado para localizar bens e ativos ligados a investigações criminais).

A medida é discutida após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de inquérito que para apurar repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

IDENTIFICAÇÃO DE PATRIMÔNIO – A ferramenta funciona de forma semelhante à difusão vermelha da Interpol — utilizada para localizar pessoas procuradas pela Justiça —, mas tem como objetivo facilitar a identificação de patrimônio e valores mantidos em outros países. O mecanismo foi utilizado pela primeira vez no início de 2025 contra um mafioso italiano e viabiliza a cooperação internacional na identificação de bens.

A possibilidade passou a ser analisada após a abertura do inquérito motivado pelo áudio, revelado pelo site The Intercept Brasil, em que Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro recursos destinados ao filme. Os investigadores trabalham com a hipótese, já mencionada por pessoas próximas ao senador, de que os recursos foram integralmente enviados ao exterior e podem ter sido desviados de sua finalidade.

Procurada, a defesa de Flávio não respondeu. Quando foram divulgadas as informações sobre o financiamento do filme, o senador negou que os recursos tenham sido destinados ao irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA. Em nota, o parlamentar afirmou que se trata de “falsa a insinuação” e sustentou que “os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”.

ALTERNATIVA – Segundo integrantes da investigação, ainda não há pedido formal para incluir Flávio na lista da Interpol. A medida é considerada uma alternativa caso os instrumentos tradicionais de cooperação jurídica internacional não sejam suficientes para rastrear os valores.

A avaliação da Polícia Federal é que Flávio poderá ter dificuldades para comprovar como os recursos foram efetivamente empregados na produção do filme. Em maio, após a divulgação do áudio, ele chegou a afirmar que apresentaria uma prestação de contas, o que não foi feito. Mas como cabe à investigação demonstrar o eventual desvio de finalidade, os investigadores estudam ampliar a cooperação internacional para reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.

Como antecipou o jornal Valor Econômico, a Polícia Federal também pretende pedir a inclusão de Vorcaro na difusão prateada da Interpol. A corporação já sinalizou a Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF, o interesse em ampliar o rastreamento internacional dos bens do empresário.

COMPARTILHAMENTO – Paralelamente, a Polícia Federal vem compartilhando informações com o Banco Central. Após decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, a autoridade monetária nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante da instituição. Desde então, o órgão atua judicialmente para localizar e bloquear bens e ativos que, em sua avaliação, possam ter sido desviados para beneficiar Vorcaro e pessoas ligadas a ele.

Criada em 2025, a difusão prateada é uma iniciativa ainda em fase piloto da Interpol voltada ao rastreamento internacional de bens e ativos. Caso a inclusão seja autorizada, a Polícia Federal informará aos países-membros onde há suspeitas de que os investigados mantenham patrimônio ou recursos financeiros.

A partir da difusão prateada, as autoridades estrangeiras poderão localizar ativos vinculados aos investigados e, conforme a legislação de cada país, comunicar sua existência às autoridades brasileiras ou até adotar medidas para bloqueá-los.

Desenrola e o timing eleitoral: os limites entre governar e fazer política

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Pedro do Coutto

O combate ao endividamento das famílias brasileiras dificilmente encontra oposição. Em um país onde milhões convivem com restrições de crédito, juros elevados e renda comprimida, programas de renegociação de dívidas podem aliviar o orçamento doméstico, estimular o consumo e reduzir a inadimplência. Sob essa perspectiva, o Desenrola cumpre uma função legítima de política pública.

A controvérsia, entretanto, não está na existência do programa, mas no momento escolhido para sua prorrogação. O governo decidiu estender por mais 30 dias a vigência do Desenrola, cujo encerramento ocorreria nesta semana. A decisão, revelada por reportagem de O Globo, ocorre já em pleno calendário eleitoral, período em que a legislação impõe restrições para impedir que a máquina pública seja utilizada de forma a influenciar a disputa política.

NEGOCIAÇÕES – É importante separar duas discussões. A primeira é econômica; a segunda, institucional. Sob o ponto de vista econômico, há argumentos plausíveis para defender a prorrogação. Se ainda existe demanda significativa pela renegociação de dívidas, interromper o programa poderia limitar seus resultados. Negociações dessa natureza exigem tempo para que consumidores, bancos e empresas concluam acordos.

Mas essa lógica não elimina o debate democrático. As regras eleitorais estabeleceram limites justamente para evitar que governos utilizem benefícios públicos capazes de gerar vantagem política durante a campanha. Ainda que a prorrogação do Desenrola não seja, por si só, automaticamente ilegal, sua continuidade em pleno período eleitoral inevitavelmente mistura política pública e ambiente de disputa eleitoral.

Em uma democracia, não basta que um ato seja legal. Também é fundamental que preserve a confiança na imparcialidade das instituições. Existe ainda outro aspecto relevante: a previsibilidade. Políticas públicas precisam transmitir segurança quanto aos seus prazos e critérios. Quando uma data de encerramento é alterada às vésperas do fim do programa, cria-se um precedente que reduz essa previsibilidade e abre espaço para novas dúvidas sobre futuras prorrogações.

RETORNO POLÍTICO – Também não se pode ignorar o retorno político proporcionado por programas como o Desenrola. Diferentemente de reformas estruturais, cujos efeitos demoram a aparecer, a renegociação de uma dívida gera benefício imediato e facilmente percebido pelo cidadão. Em ano eleitoral, esse tipo de medida naturalmente ganha maior peso político.

Isso não significa afirmar que a decisão tenha sido motivada exclusivamente por interesses eleitorais. Seria uma conclusão sem provas. Significa, porém, reconhecer que o calendário eleitoral exige cautela redobrada, justamente porque decisões desse tipo inevitavelmente serão interpretadas também sob uma perspectiva política.

O debate, portanto, vai além do Desenrola. Ele envolve a capacidade do Estado de executar políticas públicas sem comprometer a percepção de neutralidade que deve orientar as instituições durante as eleições. Ao final, permanece uma pergunta inevitável: se a prorrogação era considerada necessária, por que ela não foi definida antes do início do período eleitoral? Mais do que os 30 dias adicionais, é essa coincidência de calendário que alimenta o debate sobre os limites entre governar e disputar uma eleição.

STF volta a entrar na disputa entre Lula e Congresso pelo controle do orçamento

Emendas de deputados estaduais e vereadores atingem R$ 15,4 bilhões no ano eleitoral

Você é livre para fazer suas escolhas, lembre-se disso ao decidir seu voto

Voto de cabresto: contexto histórico e práticas atuais | Politize!

Charge do Benett (Folha)

Carlos Newton

Pode-se dizer, sem medo de errar, que a vida é feita de escolhas, e isso se verifica a cada momento desde o despertar, porque a viver é recomeçar todo dia. Se você não é miserável e tem um mínimo de condições, a primeira escolha é optar se vai tomar banho ou não antes de sair; depois o que vai vestir e calçar, o que vai comer no desjejum, qual condução tomará, e assim por diante.

É uma rotina diária que as pessoas normalmente nem reparam, embora estejam condenadas a tomar uma decisão atrás da outra, pelo resto da vida.

ESCOLHER O VOTO – As ideologias já estão mais do que desmoralizadas. Essa história de direita e esquerda ficou totalmente anacrônica. Nos países democráticos, o importante é que o governante faça a coisa certa, independentemente da suposta ideologia dele.

Para o cidadão, a coisa certa é exercer o direito ao voto, para escolher quem vai governar a todos. Nessa busca para encontrar o candidato que mais mereça exercer o poder, somente os militantes – ou militontos – sabem de antemão em quem votar, porque geralmente quem é ativista fez da política uma profissão que o obriga a votar em causa própria, embora muitos aleguem que militam por paixão ideológica, o que é raro, muito raro mesmo.

Na maioria dos casos, apenas uma pequena parcela dos eleitores tem voto previamente decidido, acha que vai indicar o melhor candidato, por esses ou aqueles motivos. Quase sempre, a grande maioria demora a escolher.

BRASIL À PARTE – Na eleição que se aproxima, ao contrário do que se diz, a polarização não ocorre por embate ideológico propriamente dito. Flávio Bolsonaro até pode ser considerado de direita, mas dizer que Lula seria de esquerda é forçar demais a barra – na verdade, ele nunca nem soube o que significa esquerda.

Desde os tempos em que atuava como informante do regime militar, sob o codinome “Barba”, o ideal político de Lula foi apenas se dar bem. Mas ele sabe fingir ser de esquerda. Como dizia Brizola, Lula cacareja na esquerda, mas põe ovos na direita. Por isso, seu governo é adorado pelos banqueiros, que sempre têm o direito de escolher o presidente do Banco Central.

Como se sabe, na falsa esquerda de Lula, os bancos cobram mais de 450% de juros anuais por atraso de pagamento no cartão de crédito. E somente os pobres deixam de pagar em dia os cartões. Isso é esquerdismo? Não é preciso dizer mais nada.

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P.S. 1 – Justamente devido a essa esculhambação ideológica, no Brasil o ato de votar no candidato considerado “menos ruim” ou “menos pior” tornou-se uma estratégia eleitoral recorrente e legítima, mais conhecida como “voto útil”.  Essa situação ocorre quando o eleitor não se sente representado pelos candidatos da polarização e decide escolher uma terceira via que seja menos prejudicial ao país.

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P.S.
– Independentemente de quem é candidato ou não, o importante é votar. A democracia é uma imitação de todos nós, cheia de defeitos e erros, mas vale a pena lutar por ela. A grande vantagem da democracia é a liberdade de escolha. Se sua consciência permanecer tranquila, é sinal de que você votou certo, dentro de seus princípios.

P.S. 3 – Quem ganha, assume o poder, porque a escolha da maioria deve ser respeitada, e o voto dos outros, também. Ser democrata é opção única; não há alternativa. Em tradução simultânea, vote em quem você quiser e não encha a paciência de quem prefere outro candidato. (C.N.)

Planalto espera agravamento da crise diplomática com os Estados Unidos

Governo reclama de falta de transparência sobre bônus bilionário da AGU

Informações são uma ‘caixa preta’

Fábio Zanini
Folha

Integrantes do alto escalão do governo federal têm se queixado da dificuldade para ter acesso aos dados sobre os honorários de sucumbência distribuídos às carreiras jurídicas do Executivo. Segundo um servidor graduado que acompanha a área, as informações são uma “caixa preta”.

A AGU (Advocacia Geral da União), responsável pelas carreiras jurídicas do Executivo, vem resistindo à tentativa de dar transparência aos dados. O órgão enviou pedido à Controladoria-Geral da União (CGU) pedindo para que seja negado acesso feito pela ONG Transparência Brasil.

BÔNUS – Os honorários de sucumbência da AGU foram criados em 2016 e implementados em 2017 como uma espécie de bônus pago aos servidores da área jurídica do Executivo pela atuação na defesa dos interesses do governo federal. Eles beneficiam advogados da União e procuradores da PGF (Procuradoria-Geral Federal), da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e do Banco Central.

O repasse é feito pelo CCHA (Conselho Curador dos Honorários Advocatícios), entidade de natureza privada gerida por representantes das próprias carreiras beneficiadas. De acordo com o integrante do governo, os dados são enviados à CGU e ao Ministério da Gestão sem atender a critérios adequados de transparência. Membros da AGU receberam R$ 6,1 bilhões em honorários de sucumbência em 2025, um recorde.

Ex-ministros de Lula terão quarentena remunerada mesmo após entrar em campanha

Bolsonaro diz a Moraes que não autorizou vídeo com IA exibido pela campanha de Flávio

Defesa afirma que Bolsonaro não tem contato com o filho

Mariana Muniz
O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que não autorizou o uso de sua imagem e de sua voz no vídeo produzido com inteligência artificial e divulgado pela campanha de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em petição apresentada nesta quarta-feira, a defesa sustenta que Bolsonaro sequer poderia ter dado essa autorização em razão das restrições de contato impostas pelo ministro no âmbito da execução penal.

Os esclarecimentos foram enviados após Moraes determinar que Bolsonaro explicasse se havia participado da produção do material. A preocupação do ministro é apurar se o ex-presidente descumpriu as medidas cautelares que restringem sua atuação e seu contato com terceiros.

SEM CONTATO – Na manifestação, os advogados afirmam que Bolsonaro “não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção do vídeo elaborado mediante inteligência artificial”. A defesa acrescenta que, desde a decisão proferida em 17 de julho, o ex-presidente está com o direito de visitas suspenso por 30 dias, enquanto Flávio Bolsonaro está proibido de visitá-lo por 90 dias, circunstância que, segundo os advogados, demonstra a inexistência de qualquer contato destinado à obtenção dessa autorização.

Os advogados também argumentam que, muito antes das medidas cautelares, os filhos de Bolsonaro já utilizavam sua imagem pública em atividades político-partidárias. Segundo a petição, desde o período em que exercia a Presidência da República, eles reproduzem fotografias, gravações, discursos, entrevistas e outras manifestações públicas do ex-presidente, prática que teria ocorrido de forma contínua e sem qualquer oposição do pai.

Ainda de acordo com a defesa, essa prática decorre da relação de confiança entre pai e filhos e da própria condição de Bolsonaro como figura pública. Com esse argumento, os advogados buscam afastar a hipótese de que a divulgação do vídeo tenha envolvido qualquer contato entre o ex-presidente e seu filho em descumprimento das restrições impostas por Moraes.

Sem Michelle, Flávio ainda aposta que pode conquistar o voto feminino

Sem fortes alianças, Flávio Bolsonaro empurrará a escolha do vice até o limite