Ministros do STF seguem “roteiro” da Lava Jato para tentar anular o caso Master

Charge: Enquanto isso no STF. - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Carlos Newton

As notícias de que a Polícia Federal determinou o afastamento do perito João Cláudio Nabas, por vazamento de informações incriminando os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, indicam que integrantes da Suprema Corte realmente estão empenhados em evitar a punição dos envolvidos no escândalo do Banco Master.

O esquema segue o roteiro da ardilosa manobra feita em 2019, que conseguiu anular todas as condenações da Lava Jato, com base em provas ilegais apresentadas pelo hacker Walter Delgatti, contratado para gravar ilegalmente os celulares do então juiz Sérgio Moro e de procuradores federais

PROVAS ILÍCITAS – Destaque-se que, para destruir a Lava Jato, os ministros do STF aceitaram usar provas ilícitas sem ao menos periciá-las, e foi assim, desprezando as exigências legais, que rapidamente declararam uma suposta “imparcialidade” da força-tarefa da Lava Jato.

Com essa manobra, não somente anularam todas as condenações, mas também providenciaram que muitos bilhões de reais fossem devolvidos aos empresários corruptos.

Agora, no caso Master, o novo esquema de impunidade tentará se basear no vazamento de provas contra ministros, atribuído ao perito federal João Cláudio Nabas, além de outros argumentos que já estão sendo colocados por Gilmar Mendes, o decano do STF.

NO RODA-VIVA – Em recente entrevista no programa Roda-Viva, ao comparar o caso Master à Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes citou o vazamento de mensagens pessoais das conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com sua então noiva Martha Graeff. Disse ele: 

“O ministro André [Mendonça] libera uma ordem que havia sido dada pelo então relator no sentido de não permitir que a CPI [do INSS] fizesse aquela quebra de sigilo. E houve aquilo que nós conhecemos, a quebra de sigilo, inclusive de conversas íntimas e a revelação. […] Muitos vazamentos, prisões de familiares, são elementos que levam a pelo menos uma preocupação e similitudes com o que ocorreu anteriormente”.

O ministro também fez críticas sobre uma reunião de Mendonça com um advogado que lhe falou sobre delação premiada no caso do Master. “Na conversa que nós tivemos, por exemplo, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade. Por quê? A lei não permite que o relator ou o juiz participe da delação. O acordo é entre Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator. Então, aqui, já há algo de erro crasso.”

CONTESTADO NO ATO – O ministro foi imediatamente contestado pelos jornalistas, porque Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, discutia normalmente com advogados a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Bolsonaro, e assim Gilmar ficou numa saia justa no Roda-Viva. 

Os jornalistas lembraram também que, na Lava Jato, um dos episódios mais emblemáticos envolveu a divulgação de escutas telefônicas de conversas entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, em 2016, quando ex-presidente estava respondendo a vários processos e teve seu celular grampeado judicialmente.

Lula, na época, foi impedido de tomar posse na Casa Civil por decisão do próprio Gilmar Mendes. O ministro aceitou usar como prova as gravações que tinham sido feitas com o prazo legal já encerrado e até  citou os diálogos com a então presidente como argumento para a tese de “desvio de finalidade” na nomeação dele para ministro, para evitar ser preso por corrupção e lavagem de dinheiro, o que depois acabou acontecendo.

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P.S. – As situações não são semelhantes, mas o grupo de ministros integrado por Gilmar, Moraes,  Toffoli e outros, sem a menor dúvida, fará o possível e o impossível para tumultuar o caso do Banco Master e garantir a mesma impunidade conseguida na Lava Jato. Para conseguir essa neta, porém, terão de neutralizar o relator André Mendonça, e isso não será nada fácil. (C.N.)

O maior desafio do Itamaraty é blindar da polarização política a diplomacia

Após maratona de entregas, Lula concentra forças na largada oficial da campanha

Lula decidiu realizar em SP ato que marca a nova fase

Sérgio Roxo
O Globo

Depois de concluir a fase de inaugurações de obras do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se concentrar a partir desta semana em um período de preparação para o lançamento de sua candidatura à reeleição, previsto para acontecer na convenção do PT no dia 2 de agosto.

Até lá, a previsão de aliados é que o petista se dedique, à noite e nos fins de semana, a atividades em locais fechados como encontros setoriais. A convenção que estava prevista inicialmente para acontecer em Brasília no dia 1º foi mudada para São Paulo no dia 2 a pedido de Lula. Só depois disso, é que o petista começará oficialmente a campanha de rua.

BERÇO POLÍTICO – O presidente avaliou que era importante realizar o ato no estado que é o berço político do PT e será decisivo para o resultado da eleição. O entorno do presidente entende que há necessidade de, pelo menos, repetir o desempenho de 2022 entre os paulistas. No segundo turno daquela disputa, Lula teve 44,76% dos votos válidos no estado contra 55,24% de Jair Bolsonaro.

Na sexta-feira, o presidente concluiu a fase de inaugurações do governo com uma cerimônia no Palácio do Planalto para acompanhar entregas simultâneas nas áreas de educação, saúde e habitação em diferentes estados do país.

A legislação eleitoral proíbe, nos três meses que antecedem o primeiro turno, a participação de candidatos em inaugurações de obras públicas e restringe a realização de atos que possam ser interpretados como promoção institucional de agentes públicos em disputa eleitoral

INTERAÇÕES – A cerimônia de sexta-feira contou com interações por vídeo com representantes do governo em 12 cidades de sete estados: Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Piauí, Alagoas e Pernambuco.

Ao longo da semana passada, Lula teve uma sequência de compromissos que incluiu o lançamento do programa Desenrola para adimplentes, os anúncios do Plano Safra 2026/27 para a agricultura empresarial e familiar e viagens à Bahia, ao Rio Grande do Norte e ao Ceará para inauguração de obras e entrega de equipamentos públicos.

A passagem pelo Nordeste, porém, também foi marcada por um contratempo. Na quinta-feira, em Luís Gomes (RN), Lula inaugurou o Túnel Major Sales, no ramal do Apodi da transposição do Rio São Francisco, antes de a água chegar ao local da cerimônia.

“ERO DE CÁLCULO” – O presidente afirmou que esperava acompanhar a entrada da água no túnel e atribuiu o episódio a um “erro de cálculo”. O Palácio do Planalto informou posteriormente que não houve falha na estrutura e que a água ainda percorria o sistema de canais da transposição no momento da inauguração.

A equipe de campanha de Lula também será reforçada com pessoas que deixarão o governo a partir desta semana. Um deles é o fotógrafo Ricardo Stuckert, um dos auxiliares mais próximos do presidente. Stuckert deixará o cargo de secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual da Presidência e ficará responsável pela coordenação das redes sociais de Lula, incluindo Instagram e TikTok, em parceria com Nicole Briones, responsável pela estratégia digital do PT.

Republicanos temem custo político de apoiar Flávio e avalia optar pela neutralidade

Aécio Neves desiste da disputa presidencial e PSDB ficará sem candidato em 2026

Aliados de Eduardo Bolsonaro ampliam pressão sobre campanha de Flávio

Valdemar apela por união da direita para pôr fim à crise entre Flávio e Michelle

Lula insiste na candidatura do PT em Minas após a recusa de Marília Campos

Patrus Ananias vira opção consensual para o partido

Catia Seabra
Augusto Tenório
Mariana Brasil
Folha

Frustrada a tentativa de convencimento da ex-prefeita de Contagem Marília Campos para a disputa pelo Governo de Minas Gerais, o presidente Lula (PT) reiterou, nesta terça-feira (7), a necessidade de definição de seu palanque no estado. Foi apresentado como alternativa o nome do deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT).

Lula recebeu cerca de 30 auxiliares da campanha no Palácio da Alvorada, como o senador Camilo Santana (PT-CE) e o ex-ministro Gilberto Carvalho. Lá, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que há expectativa de escolha de cabeça de chapa nesta semana.

DEFINIÇÃO – O presidente endossou sua fala, afirmando que os nomes de Minas Gerais precisam ser definidos em breve. A reunião durou cerca de três horas e foi a prioridade de Lula, que precisou encurtar uma agenda com o ministro da Defesa, José Múcio, segundo pessoas que estavam na residência oficial do presidente.

O impasse em Minas Gerais envolveu inicialmente a objeção do PT mineiro ao lançamento de um nome de outro partido. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) é cotado para concorrer e desejava reunir apoio da esquerda. Mesmo sem endosso dos petistas, ele mantém a pré-candidatura.

Além disso, houve a resistência de Marília aos apelos para que disputasse o governo. Segundo relatos, ela cogitou a possibilidade de não concorrer a cargo algum caso insistissem para que entrasse na corrida pelo Palácio da Liberdade.

ARGUMENTO – A ex-prefeita de Contagem é pré-candidata ao Senado. Segundo aliados, ela considera que tem mais chances de ser eleita senadora do que governadora. Um dos argumentos é que o PT não poderia arriscar perder uma cadeira na Casa, na qual bolsonaristas planejam ter maioria a partir de 2027, para sacrificá-la em uma eleição difícil ao governo do estado.

Como o PT defende, oficialmente, uma candidatura própria, o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias passou a figurar como alternativa do partido. Veterano do partido, Patrus, 74, foi prefeito na década de 1990. Também foi ministro de Lula nos primeiros mandatos petistas, de 2004 a 2010 (Desenvolvimento Social), e no governo Dilma Rousseff (Desenvolvimento Agrário), entre 2015 e 2016.

Ainda na reunião desta terça, o nome do ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), foi apresentado pelo presidente como novo integrante do comando de sua campanha, tendo como tarefa a organização do palanque em Minas.

RELEVÂNCIA – O estado é considerado crucial para as campanhas presidenciais. Desde 1950 um presidente não é eleito sem conquistar a maioria dos votos desse estado. Além de Minas, Edinho afirmou que o partido deverá definir sua candidatura em Goiás, onde uma ala do partido ainda insiste no nome da deputada petista Adriana Accorsi para o governo. Ela, no entanto, já lançou sua candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Segundo participantes, a reunião foi convocada para apresentação geral das áreas da campanha e planejamento de atividades até a convenção de 2 de agosto. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), falou, por exemplo, sobre o lançamento de comitês de pré-campanha.

PLANO DE GOVERNO – Lula também ouviu o relato sobre a elaboração do plano de governo para os próximos quatro anos. Ainda segundo participantes, o petista mostrou-se otimista para as eleições, repetindo que a ideia é mostrar como recebeu o governo do antecessor, Jair Bolsonaro (PL), e como será entregue ao brasileiro.

Mais uma vez, o presidente disse que o desafio será mostrar à população tudo o que foi feito durante sua gestão, uma vez que, nas palavras dele, nem sequer todos petistas têm conhecimento das ações implementadas. O presidente repisou ainda que não discriminou prefeitos por sua coloração partidária, mas que muitas vezes seu trabalho não chega à ponta.

Ibaneis desiste do Senado e redesenha o tabuleiro político do DF

Romário diz que a CBF deveria ter
rasgado o contrato com Ancelotti

Deu em O Globo

A eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo aumentou a pressão sobre Carlo Ancelotti. Depois da derrota por 2 a 1 para a Noruega, Romário subiu o tom contra o treinador italiano e pediu publicamente sua saída do comando da Seleção.

Em vídeo publicado no canal RomarioTV, o campeão mundial de 1994 afirmou que Ancelotti não deveria permanecer no cargo. “Ele não pode continuar como técnico do Brasil, de jeito nenhum. Disse que, se estivesse no comando da CBF, teria entrado no vestiário, mandado ele embora e rasgado o contrato na hora, mandando ele recorrer à Justiça, se estivesse insatisfeito. “A partida contra a Noruega foi uma vergonha” — afirmou Romário.

TOMAR DECISÕES – O ex-jogador, que já vinha fazendo críticas à Seleção nos últimos dias, direcionou desta vez as cobranças diretamente a Ancelotti. Para Romário, o Brasil precisa tomar decisões mais duras se quiser mudar o cenário após mais uma Copa sem o título.

Ele também comparou a situação atual com o ciclo de Tite, que permaneceu no cargo após a eliminação para a Bélgica nas quartas de final da Copa de 2018 e só deixou a Seleção depois da queda diante da Croácia, em 2022.

Romário ainda questionou decisões tomadas por Ancelotti durante a partida contra a Noruega. Uma das críticas foi à substituição de Bruno Guimarães por Ederson, improvisado em uma função que, segundo ele, expôs problemas na convocação.

PERGUNTA – “Eu nem entendi o que ele estava pensando: tirar o Bruno Guimarães para colocar o Ederson na lateral. E você faz isso porque não convocou nenhum outro lateral? Um lateral se machuca e você convoca um zagueiro?” — disse.

A cobrança também se estendeu à imprensa brasileira. Romário afirmou que Ancelotti estaria sendo menos pressionado por ser estrangeiro e disse que um técnico brasileiro já teria recebido críticas mais duras no mesmo cenário.

“se ele fosse um técnico brasileiro, já o teriam massacrado. Mas, como é estrangeiro, ninguém diz uma palavra” — completou.

Apesar da insatisfação manifestada por Romário e por parte da torcida, Ancelotti segue no comando da Seleção e pretende cumprir o contrato com a CBF, até 2030, ganhando R$ 6 milhões mensais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe tivessem vergonha na cara, esses caipiras da CBF teriam demitido o retranqueiro Ancelotti no vestiário, como diz Romário, e depois renunciado a seus cargos na Confederação. O Brasil não merece sofrer mais quatro anos nas mãos do enganador Ancelotti. Já temos problemas demais por aqui, aturando os dirigentes dos Três Poderes. (C.N.)

“Covarde sei que me podem chamar, porque não calo no peito essa dor…”

Eu fiz um acordo com o tempo. Nem ele me... Mário Lago ...Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, ator, radialista, poeta e letrista carioca Mário Lago (1911-2002) é autor de alguns clássicos da MPB, entre eles, “Atire a Primeira Pedra”, em parceria com Ataulfo Alves.

A letra versa sobre o grande desejo de um homem de se reconciliar com a mulher, a despeito do que os demais e até a própria amada, pensem a respeito. O título faz referência às palavras de Jesus Cristo em João 8:7. O samba “Atire a Primeira Pedra”foi gravado por Orlando Silva, em 1943, pela Odeon.

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
Ataulfo Alves e Mário Lago

Covarde sei que me podem chamar
Porque não calo no peito essa dor.
Atire a primeira pedra, ai, ai, 
Aquele que não sofreu por amor.

Eu sei que vão censurar meu proceder.
Eu sei, mulher,
Que você mesma vai dizer
Que eu voltei pra me humilhar…

É, mas não faz mal,
Você pode até sorrir,
Perdão foi feito pra gente pedir                      

Piada do Ano! Zema promete privatizar todas as estatais e restringir o Bolsa Família

Zema quer evitar ‘geração de imprestáveis’

Bernardo Lima
O Globo

O pré-candidato à Presidência do Novo, Romeu Zema, defendeu nesta quarta-feira que beneficiários de programas sociais que recusem ofertas de emprego devem ter o auxílio cortado. Segundo Zema, a medida é necessária para que não seja criada uma “geração de imprestáveis”.

“Se eu for eleito, beneficiário de programa social que recusar duas, três ofertas de emprego, terá o benefício cortado. Caso contrário, vamos conviver com essa geração de imprestáveis que estamos vendo. Enquanto ele não estiver trabalhando, ele terá que necessariamente concluir o ensino fundamental, médio ou profissionalizante, se não tiver”, disse Zema a empresários nesta quarta.

OVACIONADO – Zema participou do evento “Agenda dos Presidenciáveis”, organizado pela CNC nesta quarta. A fala foi aplaudida pelos presentes. Em seu discurso, Zema voltou a defender também uma flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) entre as medidas necessárias para a economia brasileira.

O pré-candidato mineiro também voltou a afirmar que, caso eleito, vai privatizar todas as estatais brasileiras em busca de abater dívidas e investir em infraestrutura. O presidenciável e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) também compareceu à cerimônia.

No final de junho, Zema já havia defendido regras diferentes para homens, como a exigência de estudo e curso técnico, para receber o Bolsa Família. “Viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens. Os homens hoje são convidados a trabalhar, e as pessoas não vão por um motivo muito simples: elas têm a segurança de receber um benefício”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom um programa desse tipo, é melhor Zema abandonar logo a candidatura e apoiar Ronaldo Caiado, que não é nenhum gênio, mas pelo menos não diz tanta besteira. No discurso, esqueceu de explicar como conseguiria saber quando um homem recusou proposta de emprego... (C.N.)

Prepare-se! Os Três Poderes se reunirão para conseguir sepultar o caso do Master

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Luiz Felipe Pondé
Folha

O simples fato de que Lula —ou qualquer outro presidente de qualquer outro partido— pode ser reeleito no Brasil “n” vezes para o primeiro cargo da República prova que somos uma República das bananas. Trata-se de uma anomalia republicana. Neste momento, parece não haver esperança política para o Brasil no horizonte. Brasília é uma Babilônia.

Seremos enganados pela gangue do PT por décadas sob a ladainha de que “progressista corrompe para o bem” ou seremos objeto de líderes incapazes —os Bolsonaros. E, também, seremos vítimas dos abusos do STF que tem no Brasil o seu quintal. Enfim, a grande virtude do povo brasileiro parece ser não desesperar da vida diante de tantos delinquentes que assolam as elites do país.

CASO GRITANTE – O caso do Lula —ou qualquer outro presidente por décadas— poder ser reeleito até chegar à condição de faraó imortal do país é gritante.

Para além de que o Lula será presidente pela quarta vez com idade muito avançada —como Joe Biden e Donald Trump nos Estados Unidos— e que não se fala muito disso na mídia profissional porque ele é “progressista”, há o dado inegável de que o PT não consegue gerar nenhum outro candidato viável porque o Lula transformou o partido no seu galinheiro privado.

A direita, por sua vez, se afoga na herança maldita de uma família, os Bolsonaros, que se arvorou, com palmas da maior parte daqueles que se dizem conservadores, no direito de também ter um galinheiro para chamar de seu. A democracia brasileira hoje pode escolher entre dois galinheiros: o do Lula ou o dos Bolsonaros.

CANDIDATOS PÉSSIMOS – A reeleição é objeto de crítica por grandes filósofos, em momentos distintos da história, mas essa platitude parece ter sido esquecida nessas terras de dois candidatos péssimos.

Talvez, a única forma menos indecente de votar esse ano seria recusar ambos. Mas, quem disse que, num regime numérico como a democracia, deveríamos esperar outra coisa além da estupidez em grande escala?

Para citar alguns poucos famosos, Aristóteles, Montesquieu, Rousseau, Tocqueville e mesmo Karl Popper, epistemólogo, todos eram contra, de uma forma ou de outra, a ideia de que representantes do povo se eternizassem no poder. Para eles, a não alternância no poder representaria, basicamente, dois tipos de degeneração.

DEGENERAÇÕES – A primeira é a corrupção do caráter do líder —digamos, a pessoa física do líder. A segunda sendo a corrupção institucional do Estado —digamos, a pessoa jurídica, ou seja, a máquina do Estado cooptado pela gangue.

Quando um mesmo líder e seu partido permanecem muito tempo no poder, necessariamente ele colonizará o Estado de tal forma que, por anos, mesmo se não reeleito, o Estado será deles.

De forma sucinta, haveria duas razões básicas, apesar de distintas à primeira vista, para se recusar tanto o Lula quanto o Flávio Bolsonaro nessas eleições.

DOIS DESGASTADOS – Contra o Lula é o fato indiscutível de que ele é um líder populista barato, desgastado, que quer ser o imperador louco do Brasil, que mantém sua gangue sugando o país até virarmos uma ameixa seca.

Contra seu opositor, a coisa é aparentemente mais simples de enunciar: além de também querer ascender à condição de líder de gangue, ungido pelo papai e não mais apenas capo de quadrilha de batedor de carteiras, Flávio Bolsonaro parece carregar consigo uma herança maldita, a saber, uma reduzida capacidade cognitiva e epistêmica.

Literalmente, estamos no mato sem cachorro. E logo começará o triste espetáculo da propaganda eleitoral, o circo da democracia. Uma das maiores contradições da democracia são as eleições —um circo de mentiras. Mas quem disse que apenas a democracia detém o monopólio da mentira na política? Política e mentira são inseparáveis.

MENTIRAS A VALER – Política e mentira andam de mãos dadas desde sempre, sendo a diferença específica da democracia nessa parceria, apenas, o fato de que na democracia mentir está ao alcance de todos. Democratizamos a mentira, que passou a ser um direito universal de todo cidadão.

Nas formas monárquicas ou tirânicas, oligárquicas  ou aristocráticas, o direito à mentira era para poucos. Na democracia, todos têm acesso à prática da mentira. Vale lembrar que desde a Antiguidade só se conhece essas três formas de governo.

A polarização enquanto tal nos remete ao fato de que o conjunto social tende à pobreza semântica, ou dito de outra forma, tende à estupidez. Com as redes sociais como agente político nessa escalada, esse traço das multidões alcançou a imortalidade. E para coroar a Babilônia, uma aposta: o caso Master será enterrado com honra zero. Os Três Poderes se reunirão para sepultá-lo.

Busca por vice mulher une aliados de Flávio, mas aprofunda disputa entre alas do PL

Entre Washington e Brasília, a política externa se torna palco da disputa eleitoral

Flávio buscou reposicionar sua imagem nos EUA

Pedro do Coutto

A política externa raramente ocupa o centro do debate nas campanhas presidenciais brasileiras. Em geral, temas como economia, segurança pública, emprego e saúde dominam as preocupações do eleitorado. O atual embate em torno das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, porém, alterou essa lógica.

A decisão da administração de Donald Trump de propor uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações nacionais transformou-se em um dos principais capítulos da pré-campanha presidencial, aproximando interesses comerciais, diplomacia e estratégia eleitoral.

REPOSICIONAMENTO – Foi nesse contexto que o senador Flávio Bolsonaro buscou reposicionar sua imagem. Depois de semanas sendo associado por adversários à escalada das tensões entre Brasília e Washington, o parlamentar viajou aos Estados Unidos para participar de audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Diante das autoridades norte-americanas, afirmou defender o cancelamento — e não apenas o adiamento — das novas tarifas, procurando afastar a narrativa de que seu grupo político teria contribuído para o endurecimento da posição americana.

A iniciativa revela um movimento de contenção de danos políticos. Em campanhas eleitorais, a percepção pública costuma ser tão importante quanto os fatos objetivos. A associação entre um candidato e medidas que possam produzir prejuízos econômicos tende a gerar custos eleitorais elevados, sobretudo quando atingem setores exportadores, produtores rurais, indústria e empregos.

Ao mesmo tempo, o governo federal procurou reafirmar seu protagonismo institucional. O Palácio do Planalto sustentou que as negociações comerciais pertencem ao campo da diplomacia oficial, conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores, e criticou a atuação paralela de lideranças políticas brasileiras junto à administração Trump. Essa disputa pela legitimidade da interlocução internacional passou a fazer parte da narrativa eleitoral de ambos os campos.

INTERNACIONALIZAÇÃO – Mais do que uma divergência comercial, o episódio evidencia uma característica crescente da política contemporânea: a internacionalização das disputas domésticas. Cada vez mais, atores nacionais buscam apoio, legitimidade ou influência junto a governos estrangeiros para fortalecer posições internas. Trata-se de um fenômeno observado em diferentes democracias e que tende a produzir efeitos complexos sobre a percepção da soberania nacional.

Nesse ambiente, também circularam especulações sobre uma eventual possibilidade de intervenção militar norte-americana no Brasil, hipótese atribuída por alguns interlocutores a discussões ocorridas nos bastidores diplomáticos. Entretanto, um porta-voz do Departamento de Estado classificou tal cenário como absurdo, afastando oficialmente qualquer possibilidade dessa natureza. A manifestação contribuiu para reduzir a temperatura política em torno do tema e esvaziar uma narrativa que alimentava forte polarização nas redes sociais e no debate público.

O episódio ilustra como rumores e hipóteses geopolíticas podem ganhar enorme repercussão durante períodos eleitorais, sobretudo quando envolvem a maior potência mundial. Em contextos de elevada polarização, informações ainda não confirmadas frequentemente passam a influenciar a disputa política antes mesmo de serem verificadas pelos canais oficiais.

AGENDA BILATERAL – Outro aspecto relevante da viagem de Flávio Bolsonaro foi a tentativa de ampliar a agenda bilateral para além das tarifas comerciais. Entre os temas apresentados às autoridades americanas estiveram o combate ao crime organizado transnacional, especialmente em relação ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, organizações criminosas que vêm sendo tratadas por setores da política americana como potenciais ameaças de alcance internacional.

A cooperação em segurança permanece um dos pilares históricos das relações entre Brasil e Estados Unidos, embora qualquer mudança de classificação jurídica dessas organizações dependa exclusivamente das autoridades norte-americanas e de seus critérios legais.

A tentativa de deslocar o debate para a segurança pública também possui evidente dimensão eleitoral. Trata-se de uma agenda tradicionalmente favorável à direita brasileira e que busca dialogar com parcelas do eleitorado preocupadas com criminalidade e violência urbana. Entretanto, sua eficácia política dependerá da capacidade de separar cooperação internacional legítima de eventual percepção de interferência externa em assuntos internos.

PESQUISAS – Enquanto isso, as pesquisas começam a medir os efeitos dessa sucessão de episódios. Levantamentos recentes indicam estabilidade da intenção de voto do presidente Lula da Silva, ao mesmo tempo em que registram oscilações negativas para Flávio Bolsonaro em alguns cenários simulados de segundo turno. Ainda é cedo para interpretar esses movimentos como tendência consolidada, mas eles sugerem que a controvérsia envolvendo o tarifaço passou a produzir efeitos políticos concretos sobre a campanha.

Paralelamente à disputa presidencial, o cenário eleitoral também apresenta mudanças relevantes nas eleições proporcionais e para o Senado. Em São Paulo, pesquisas recentes apontam desempenho competitivo das candidaturas de Marina Silva e Simone Tebet na corrida pelas duas vagas em disputa, indicando que o eleitorado paulista poderá protagonizar uma das eleições senatoriais mais disputadas dos últimos anos.

O episódio envolvendo as tarifas americanas deixa uma lição importante sobre o atual momento político brasileiro. A fronteira entre política interna e política externa tornou-se cada vez mais tênue. Questões comerciais, relações diplomáticas, cooperação em segurança e disputas geopolíticas passaram a influenciar diretamente o ambiente eleitoral, ampliando o peso estratégico da atuação internacional dos candidatos.

PRESSÃO POLÍTICA – Num mundo marcado pela competição entre grandes potências, pela reorganização das cadeias produtivas e pela crescente instrumentalização da economia como ferramenta de pressão política, campanhas presidenciais dificilmente conseguirão manter a política externa em segundo plano. O caso do tarifaço demonstra que decisões tomadas em Washington podem alterar narrativas em Brasília, influenciar expectativas econômicas e repercutir imediatamente nas urnas.

Mais do que uma disputa sobre tarifas, trata-se de um exemplo de como a geopolítica passou a integrar definitivamente o cálculo eleitoral brasileiro. Para qualquer governo — seja qual for sua orientação ideológica — o desafio permanece o mesmo: preservar os interesses nacionais, fortalecer a credibilidade das instituições diplomáticas e impedir que divergências partidárias fragilizem a posição do país perante seus principais parceiros internacionais.

Alcolumbre reage a ultimato do PT e endurece discurso sobre PEC 6×1

Alcolumbre só avançará após conversa com Lula

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), procurou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para se queixar de fala do PT na Câmara, Pedro Uczai, que afirmou que o senador vai ser tratado como “inimigo dos trabalhadores” se não pautar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6×1. Prioridade número um do governo federal, a PEC foi aprovada na Câmara em 27 de maio e, desde então, não andou no Senado.

Alcolumbre sinalizou a auxiliares que esses temas só deverão avançar após uma conversa com o presidente, o que não ocorreu nem tem previsão de ocorrer no curto prazo, segundo aliados do petista. Os dois se afastaram após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em articulação capitaneada por Alcolumbre.

TRÉGUA – Uczai afirmou na última terça-feira que o PT dará uma “trégua” a Alcolumbre até a próxima semana para que a proposta seja despachada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro passo no rito regimental para a proposta avançar.

 — Nós vamos dar uma trégua para o Davi Alcolumbre para ele pegar a pasta e mandar para a Comissão de Constituição e Justiça. Até semana que vem, se ele não encaminhar para a Comissão de Justiça, nós vamos elegê-lo como inimigo também. Inimigo dos trabalhadores e da pauta — afirmou o deputado.

Horas depois, Alcolumbre rebateu as declarações do líder do PT na Câmara. Em nota divulgada pela Presidência do Senado, o parlamentar afirmou que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado” e que a definição da pauta e da tramitação das matérias “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.

PRERROGATIVA – No posicionamento, o senador afirmou que a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da Presidência e “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”. Ele disse ainda que qualquer tentativa de constranger a condução dos trabalhos da Casa representa afronta à independência entre os Poderes.

Segundo relatos, Alcolumbre telefonou para Teresa Leitão. A conversa seguiu os mesmos termos explicitados pelo presidente na nota. O parlamentar já vinha se queixando —nos bastidores e publicamente— dos ataques e pressões que têm recebido de governistas e da militância petista.

A declaração do deputado petista repercutiu mal até mesmo entre aliados do parlamentar. Integrantes do PT no Senado se queixaram em conversas reservadas dessa postura, afirmando que todos estão atuando para a PEC avançar e que esse tipo de comportamento só atrapalha. A avaliação é que já há um ruído na relação do Planalto com a cúpula do Senado e que é preciso evitar um maior tensionamento.

GESTOS DE APROXIMAÇÃO – Além disso, dizem que a nova líder do governo tem feito gestos de aproximação com Alcolumbre e atuado para distensionar a relação dele com Lula. Além dela, há outros interlocutores buscando aproximar as duas autoridades.

Outro governista interlocutor de Alcolumbre diz que também provocou críticas o fato de a fala de Uczai ocorrer dias após uma reunião do presidente do Senado com lideranças sindicais que foi considerada positiva pelos presentes. No encontro, na semana passada, Alcolumbre sinalizou que vê com bons olhos a possibilidade de retirar o período de transição da redução da jornada 6×1 do texto, pleito defendido pelo Planalto.

Um senador do PT afirma que é possível pressionar o andamento da PEC e defender a pauta sem direcionar críticas à figura de Alcolumbre. Ele citou como exemplo a mobilização que levou o Senado a enterrar a PEC da Blindagem, em 2025. Naquele momento, diz, não houveram críticas diretamente ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas ao projeto como um todo, mobilizando a sociedade civil e enterrando uma proposta considerada ruim por parlamentares.

PRESSÃO – Essa não é a primeira vez que Alcolumbre se queixa de ataques de governistas e da militância direcionados a ele. No fim de junho, o presidente do Senado criticou uma “autoridade importante do Brasil” que teria pressionado o andamento da PEC, sem citar nominalmente a quem se referia. No mesmo dia, mais cedo, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) havia cobrado o andamento da proposta.

— Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6×1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso — afirmou Alcolumbre.

Governistas reconhecem que a tramitação da PEC 6×1 no Senado deve começar apenas após o recesso parlamentar, a partir de agosto. Um integrante do governo que despacha no Palácio do Planalto diz que não há nem garantias neste momento de que Alcolumbre dê início ao rito regimental antes das eleições, em outubro. Ele afirma que o presidente do Senado tem dado sinais dúbios sobre as propostas de interesse do Executivo que estão paradas no Senado.

“Dark Horse” transforma Mendonça em protagonista da crise entre Michelle e Flávio

Ministro é amigo de Michelle, mas diz que será imparcial

Luísa Martins
Folha

A escolha do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), como relator das investigações sobre o caso “Dark Horse” coloca o magistrado como peça-chave no embate entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, de quem é amigo, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem não tem relação de proximidade.

O inquérito para apurar os repasses do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao filme ainda não foi formalmente aberto, mas Mendonça disse a auxiliares que não vai aliviar para Flávio caso veja elementos suficientes para autorizar uma operação policial —o que pode dar munição para Michelle na campanha de descrédito contra o enteado.

DESCONFIANÇA – Aliados de Flávio têm manifestado desconfiança com uma possível ação coordenada de Mendonça com Michelle para prejudicar o senador. O ministro, contudo, diz a pessoas do seu entorno que suas decisões vão sempre ter como base as evidências juntadas aos autos pela PF (Polícia Federal), independentemente de ideologias ou preferências pessoais.

Michelle e Flávio travam uma briga pública com origem em divergências sobre as alianças do PL nas eleições para o Governo do Ceará. O auge do atrito ocorreu em 24 de junho, quando ela publicou nas redes sociais vídeos em que acusa o senador de desrespeitá-la e de maltratá-la.

Aliados do filho mais velho de Jair Bolsonaro afirmam que a ex-primeira-dama tem atuado para minar a pré-candidatura de Flávio, sinalizando que sabe de informações capazes de abalar a reputação do enteado. Segundo três magistrados do tribunal, eventuais decisões de Mendonça contra o senador podem reforçar essa narrativa.

GRANDE TESTE -Dois desses ministros avaliam que esse será o grande teste de Mendonça desde que tomou posse, em 2021 —indicado, aliás, pelo então presidente Bolsonaro. Para esses integrantes do tribunal, a proximidade do relator com a família coloca sob escrutínio público o rigor que ele prometeu adotar para os casos do Master.

A interlocutores o relator diz que não tem qualquer tipo de relação próxima com Flávio que possa colocar em xeque a sua imparcialidade, ao mesmo tempo em que admite a amizade com Michelle. Apesar disso, Mendonça rechaça a possibilidade de que os atritos familiares possam interferir, de alguma maneira, nas suas ordens judiciais.

A relação fraterna com Michelle começou no início do governo Bolsonaro, quando ele era advogado-geral da União. Evangélicos, ambos se aproximaram em razão da religião. A então primeira-dama teve um papel fundamental na indicação do ministro para o Supremo. Flávio, por exemplo, defendia o nome do ex-procurador-geral Augusto Aras para a vaga.

REQUERIMENTO DA PGR – A instauração de um inquérito contra Flávio no STF ainda depende de um requerimento formal da PGR (Procuradoria-Geral da República). Na semana passada, Mendonça solicitou o parecer do órgão sobre os rumos do pedido de investigação feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), mas a manifestação não tem prazo definido para ser enviada.

Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme que conta a trajetória do pai. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”, mas um áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil mostra o senador cobrando mais recursos para finalizar o longa-metragem.

A suspeita é de que os valores tenham origem nas fraudes financeiras perpetradas pelo Master e que levaram à prisão preventiva de Vorcaro. Além disso, a PF suspeita que o dinheiro tenha sido usado para financiar as despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, como mostrou a Folha.

RECURSOS PARA O FILME – Flávio e Eduardo negam irregularidades. O senador disse que só tratou com Vorcaro para conseguir angariar recursos para realizar o filme e que omitiu essa informação de aliados devido a uma cláusula de confidencialidade no contrato. Já o ex-deputado afirmou que a suspeita da PF sobre ele é “tosca”.

Auxiliares de Mendonça já admitem que as investigações do Master e seus desdobramentos vão invadir o período da campanha eleitoral e inevitavelmente levar o ministro a proferir decisões com potencial de embaralhar o xadrez político. Deputados e senadores também atribuem ao magistrado um papel decisivo no pleito de outubro.

Vexame! PCC é perseguido nos EUA, mas continua a ter “apoio” da Justiça brasileira

Justiça manda soltar mulher acusada pelos EUA de elo com PCC

Stella Stefanie, a primeira-dama do PCC, já está solta

Carlos Newton

É uma situação surrealista, que chega a ser inacreditável. Enquanto nos Estados Unidos a facção criminosa brasileira PCC (Primeiro Comando da Capital) é considerada organização terrorista, para facilitar a ofensiva policial destinada a enfrentá-la, no Brasil a Justiça continua apoiando esses criminosos de uma forma acintosa e desafiadora.

Figura de destaque na lista dos integrantes do PCC divulgada pelo governo americano, a brasileira Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa na semana passada pela Operação Exchange da Polícia Federal, mas cinco dias depois a Justiça Federal de São Paulo mandou soltá-la, junto com outros integrantes da quadrilha, sob alegação de que não existiriam motivos para manter a prisão.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Justamente numa época em que se discute a possibilidade de uso da Inteligência Artificial (IA) no funcionamento da Justiça, surge essa decisão estarrecedora e estapafúrdica da juíza Monica Aparecida Bonavina Camargo, lotada em Santos (SP), ao soltar Stella Stefanie e outros investigados, alegando falta de fatos novos que justificassem as prisões.

Foi realmente uma decisão tipo Inteligência Artificial, porque o inaceitável e abominável ato demonstra que a juíza federal não é humana e raciocina como um robô, que vive à parte da sociedade, pois está absolutamente alheia ao que acontece no Brasil e no mundo.

Além disso, ela agiu como um robô apresentando defeito, pois foi um ato revestido de ilegalidade, abertamente mal intencionado, porque a juíza não deu a menor importância às informações da Polícia Federal, que pedira a prisão preventiva devido ao risco de fuga e à alta periculosidade da primeira-dama do PCC, uma alegação que qualquer Inteligência Artificial entenderia.

TUDO AO CONTRÁRIO – Ao justificar a assombrosa e revoltante decisão, a juíza argumentou que não havia motivos para converter a prisão temporária em preventiva, porque as buscas já haviam sido concluídas…

O mais incrível é que, na mesma decisão, a magistrada Monica Aparecida Bonavina Camargo determinou a prisão preventiva do chefão Victor Henrique de Oliveira Shimada, que comanda o PCC ao lado de Stella Stefanie. Ou seja, nenhum rigor em relação aos criminosos já presos, porém máximo rigor contra quem está foragido e bem longe das garras da lei, como se uma coisa justificasse a outra, num raciocínio calhorda e também robótico.

Repete-se, assim, aquela longa lista de decisões judiciais que libertam criminosos de grosso calibre e alto poder corruptivo, como André de Oliveira Macedo, o célebre André do Rap, um dos mais importantes líderes do PCC.

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P.S.
Recordar é viver. O megatraficante foi preso em setembro de 2019, mas ficou pouco tempo na cadeia. Em outubro de 2020, ganhou liberdade com um habeas corpus concedido por Marco Aurélio Mello, do Supremo, em pleno sábado. O ministro, que também parece precursor da Inteligência Artificial, justificou a soltura com base no artigo 316 do Código de Processo Penal, que determina a renovação da prisão preventiva a cada 90 dias. Como a prisão do megatraficante não havia sido renovada dentro do prazo, Marco Aurélio entendeu que ele estava detido ilegalmente… No domingo, ao tomar conhecimento da decisão, o então presidente do STF, Luiz Fux, mandou o criminoso ser novamente preso. Mas ele já estava longe e nunca mais foi encontrado. Na época, Fux lamentou, dizendo: “Ele debochou da Justiça”. E até hoje há juízes que continuam debochando. (C.N.)

Fux presidirá Segunda Turma nos julgamentos do Caso Master, do INSS e de Bolsonaro

Fux será presidente do colegiado no lugar de Gilmar Mendes

Raisa Toledo
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux será o próximo presidente da Segunda Turma da Corte. Ele assume o colegiado no lugar do ministro Gilmar Mendes em agosto, no retorno do recesso do Judiciário, e herdará uma pauta marcada pelos casos Master e INSS, além do novo julgamento de Bolsonaro, que já está em andamento, tendo como relator o ministro Nunes Marques.

A troca ocorre em um momento de tensão envolvendo as investigações sobre o Master. Gilmar Mendes tem feito sucessivas críticas à condução do inquérito pelo relator da Operação Compliance Zero, ministro André Mendonça, comparando métodos adotados na investigação a “tristes reminiscências” da Operação Lava Jato e questionando, por exemplo, os fundamentos das prisões preventivas no caso.

INCLUSÃO NA PAUTA – No último dia 16, o decano incluiu na pauta de forma repentina a retomada do julgamento sobre a soltura de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Mendonça reagiu retirando o sigilo de duas investigações que miram os envolvidos nos esquemas de corrupção e fraude bilionária do banco.

O relator justificou que as informações reunidas pela Polícia Federal (PF) ilustravam os possíveis crimes e mereciam ser expostas para que as pessoas pudessem compreender o que estava em jogo no julgamento sobre a prisão preventiva do pai do banqueiro.

Na semana seguinte, com a derrota de Gilmar na soltura dos investigados, Mendonça restabeleceu o segredo de justiça para preservar a investigação diante das novas diligências em curso.

DIVERGÊNCIA – A sessão em que a Segunda Turma votou a prisão preventiva de Henrique e Felipe Vorcaro foi marcada por divergência entre os ministros. Gilmar, que havia pedido vista do processo em maio, defendeu a flexibilização das cautelares, com domiciliar para Henrique e soltura de Felipe.

Mas foi vencido pelo restante dos magistrados, que decidiram manter os réus presos. O resultado da votação foi 3 a 1, porque o outro ministro da Segunda Turma, Dias Toffoli, não participa de votações do caso Master, por ter admitido sua suspeição, pois é um dos investigados.

Na ocasião, Gilmar Mendes alegou que a prisão preventiva dos réus pode servir como forma de pressioná-los a firmar acordo de delação premiada e comparou a medida a ações da Lava Jato.

DISSE GILMAR – “Quando um acordo é celebrado em ambiente de pressão, há a completa erosão da voluntariedade que necessariamente deve nortear qualquer colaboração”, disse.

Mas Mendonça reagiu, lembrando os indícios de condutas violentas de grupo que agia a mando de Daniel Vorcaro: “Não estamos aqui a julgar a Lava-Jato”, disse, afirmando que o caso Master é “mais do que um crime de colarinho branco” e tem “contornos de máfia”.

Com Fux na presidência da Segunda Turma, a expectativa é de que a condução da pauta ocorra de forma mais alinhada à relatoria do caso. Cabe ao presidente da Turma definir a pauta de julgamentos e conduzir as sessões do colegiado, decidindo quando os processos serão levados a julgamento, inclusive após a devolução de pedidos de vista.

SISTEMA DE RODÍZIO – A mudança segue o sistema de rodízio previsto no Regimento Interno do STF. Pelas regras da Corte, cada Turma é presidida por um de seus cinco integrantes durante um ano, sem possibilidade de recondução até que todos os ministros tenham ocupado o cargo.

A escolha obedece ao critério de antiguidade entre aqueles que ainda não exerceram a função.

Fux passou a compor a Segunda Turma em outubro de 2025. Ele pediu transferência da Primeira Turma com a vaga aberta após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Justiça manda Caiado reduzir sua escolta para apenas quatro policiais militares

Decisão é provisória e prevê multa diária de R$ 10 mil

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

O juiz Vinícius Caldas da Gama e Abreu, da 2ª Vara da Fazenda Pública do Estado de Goiás, decidiu na última segunda-feira, em tutela provisória, que o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) deve reduzir a quantidade de seguranças dele e de familiares para quatro policiais militares do estado.

Em junho, a Folha mostrou que o ex-governador de Goiás contava com um grupo de 51 agentes para fazer a segurança dele e de familiares. Caiado afirma que necessita do efetivo em decorrência de ações contra o crime organizado enquanto foi governador.

IMPROBIDADE – O Ministério Público de Goiás entrou com uma ação por improbidade administrativa contra Caiado, a ex-primeira-dama, Gracinha Caiado, que também usa os serviços, e o coronel Marco Aurélio Godinho, secretário-chefe da Casa Militar de Goiás que assinou uma portaria estendendo o benefício a familiares de ex-governadores.

O Ministério Público pediu ressarcimento dos danos ao erário, declaração de inconstitucionalidade da portaria de Godinho e limitação do quantitativo a quatro agentes para o ex-governador, sem extensão aos familiares.

O juiz Vinícius Caldas da Gama e Abreu atendeu parcialmente o pedido. Ele entendeu que os policiais podem ser usados na segurança dos familiares, mas que o valor total não pode se sobrepor a quatro.

ESTRUTURA ILIMITADA – O magistrado afirmou que, embora haja coerência na extensão da segurança institucional a familiares do ex-governador, uma vez que eles também podem ser alvos de ataques, “isso não significa autorização para estrutura ilimitada, autônoma, cumulativa ou desproporcional”. A extensão aos familiares, como toda medida de segurança, submete-se à proporcionalidade e aos limites constantes da legislação de regência”.

O juiz afirmou que o Estado de Goiás não negou que a Constituição limita o quantitativo a quatro agentes, mas que sustentou que “esse número não deve ser compreendido, necessariamente, como quatro pessoas físicas empregadas de modo permanente e sem substituição, mas como referência operacional compatível com escalas, turnos, rendições, descanso e revezamento”.

Para o juiz, entretanto, o limite corresponde a quatro policiais militares disponibilizados no total, e não a quatro agentes em atuação simultânea. “Caso seja necessária a proteção de familiares sem que haja a presença do ex-governador, será necessário o destacamento de policiais desse contingente de 4. Dessa forma, é possível preservar a proteção pessoal de ex-governador e seus familiares, impedindo-se apenas a criação de equipes próprias, paralelas ou cumulativas em favor dos familiares, situação que poderia tirar diversos policiais das ruas, causando prejuízo à segurança pública, e gerar evidente prejuízo ao erário”.

RELATÓRIO – O juiz também determinou que Godinho adeque a equipe no prazo de cinco dias, período em que a Secretaria de Estado da Casa Militar de Goiás também precisa enviar “relatório contendo a relação das diárias, passagens, hospedagens, combustíveis, veículos funcionais, aeronaves e demais despesas” com o serviço associado a Caiado.

O descumprimento injustificado da decisão gera multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 300 mil, “sem prejuízo de posterior revisão do valor, adoção de outras medidas executivas necessárias e apuração de eventual responsabilidade da autoridade competente”.

O estado de Goiás sustenta que as medidas estão de acordo com a legislação e não configuram ato doloso ou de má-fé. Ronaldo Caiado já afirmou à Folha que ‘escolta não é mordomia’ e falou da necessidade de segurança em razão de sua gestão ter combatido o crime organizado.