Alckmin sai em defesa de Lula e da PF após operação que atinge Jaques Wagner

Lula acelera a liberação de emendas em meio a críticas sobre impacto eleitoral

TCU lidera ranking de pagamentos de diárias e amplia discussão sobre gastos oficiais

Governo pede que STF barre pautas-bomba e contenha avanço do Congresso

Piada do Ano! Após mensalão e Lava Jato, Delúbio alega ser “inocente” e se candidata

Delúbio diz que mensalão foi uma “mentira”

Juliana Arreguy
Folha

Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, 70, está de volta. Preso duas vezes pelos escândalos que macularam a imagem do partido –mensalão e Lava Jato–, quer se candidatar a deputado federal em 2026 por Goiás, seu estado natal. Não será o único mensaleiro, como foram chamados os condenados pelo esquema denunciado em 2005, que retornará às urnas.

O ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal João Paulo Cunha também tentarão vagas na Câmara dos Deputados. “Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, disse ele nesta segunda-feira (15), em entrevista à Folha.

INOCÊNCIA – Em duas horas de conversa por vídeochamada, Delúbio defendeu sua inocência. Com a bandeira do PT ao fundo, camisa polo vermelha, broche do partido e um chapéu-panamá, não chama o mensalão pelo nome como ficou conhecido, mas por “ação penal 470”, número do processo no STF (Supremo Tribunal Federal).

Para ele, a denúncia foi a porta de entrada para anos de perseguição política ao PT. Apontado como o operador do mensalão, sempre negou o pagamento de mesada a deputados aliados. Mas admitiu a existência de caixa dois em campanhas petistas e assumiu a responsabilidade pela prática. Foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, cumpriu pena por mais de dois anos (sendo um ano e meio em prisão domiciliar) e recebeu indulto em março de 2016.

Dois anos depois, foi condenado a seis anos de prisão pela Lava Jato sob acusação de ter obtido empréstimos fraudulentos. A prisão foi revogada em novembro de 2019, quando o STF decidiu que a pena só poderia ser cumprida depois que todos os recursos da ação fossem esgotados –decisão que também permitiu a soltura de Lula naquele ano. Em 2023, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a sentença por entender que a tramitação deveria ter ocorrido na Justiça Eleitoral e não na Justiça Comum.

SITUAÇÕES DA POLÍTICA – Delúbio sustenta que não fez nada de errado, chama outros presos da Lava Jato de “colegas de infortúnio” e reduz muitas de suas agruras a situações “da política”, como quem diz, no jargão futebolístico, que aquilo “é do jogo”. Ele diz não guardar mágoas nem mesmo de sua expulsão do PT, partido que ajudou a fundar e do qual ficou longe entre 2005 e 2011.

Abraçado por Lula publicamente no início do mês, Delúbio recebeu menção de destaque durante encontro do PT em agosto de 2025. O ex-tesoureiro foi citado nominalmente pelo presidente em um discurso que pedia reparação pelos “erros que cometemos”.

O sr. só havia se candidatado uma vez, em 1986. Por que a volta agora?
Tenho 40 anos na política nacional: 20 anos de sucesso e 20 anos com algumas dificuldades. Nos anos de sucesso, estruturamos o PT e lançamos Lula candidato a presidente. Aí teve a denúncia do mensalão, em 2005. Uma mentira. Fui expulso do PT por seis anos. Passei os últimos 20 anos me defendendo de acusações falsas. Não sei por que ele [Roberto Jefferson] fez essa loucura e todo mundo achou que era verdade. Fui intimado 93 vezes para ir à Polícia Federal e todas as perguntas eram repetidas. Mas faz parte da vida, é da política. Não tem nada contra Delúbio Soares hoje.

Qual será a sua bandeira eleitoral?
Quero estar no Congresso para ajudar Lula a governar. Não adianta ficar brigando com o Congresso se você não se dispõe a ser candidato. Além disso, precisamos aumentar a bancada progressista de Goiás. Tenho também pautas específicas: energia, com Goiás sofrendo com a Equatorial [empresa responsável também pela concessão da Sabesp em São Paulo], a ampliação do modal de transporte e muitas na educação. Vou defender a criação de um fundo soberano para sustentar a educação básica e deixar o governo federal responsável pela educação infantil e pelo ensino médio.

O sr. avalia que hoje é mais difícil negociar com o Congresso?
Essa é uma pergunta que você deve fazer para os ministros da articulação política, não para mim (risos). Em uma entrevista para o Jô Soares, Ulysses Guimarães disse que no Congresso não tem nenhum bobo. Podem até achar que as pessoas não estão votando com os seus, mas elas estão, sim, votando com os interesses de quem as elegeu. Se o deputado eleito for financiado pelos bancos, ele vai votar com os banqueiros. É um jogo de interesses que não mudou.

Por que o sr. insistiu em retornar ao PT depois da sua expulsão? Nunca pensou em se filiar a outro partido?
Nas eleições de 2010, quando ainda estava expulso do PT, outros partidos me convidaram para fazer parte de suas fileiras. Mas eu sou fundador do PT, o PT faz parte da minha vida e eu faço parte da vida do PT. Não me interessava.

Caso Lula seja reeleito, o que esperar dos próximos quatro anos?
A eleição do Lula é vital para o futuro do país, e precisa ser no primeiro turno, para ter mais capacidade e respeito. Em 2022, Lula fez uma série de propostas com base num plano de reconstrução e transformação do Brasil. Foi possível fazer o processo de recuperação: reinvestimento na educação, reestruturação dos programas sociais, elevação do poder aquisitivo e do salário mínimo. Tudo isso com muita dificuldade.

Agora precisamos de mais um mandato para fazer a transformação. A única igualdade que nós temos é no voto. Precisamos trabalhar para que em 2030 [próxima eleição presidencial] poucas pessoas necessitem do Bolsa Família. Ele é importante neste momento, mas não pode ser um programa permanente. Outros países acabaram com a pobreza extrema, como a China, e nós temos condições de fazer isso no Brasil.

Falando nas próximas eleições, o que o campo progressista tem feito para formar novas lideranças?
A juventude de hoje viu o PT sofrer ataques muito fortes no mensalão e na Lava Jato. O mensalão tirou da política, por mais de 20 anos, o presidente do PT, que era o José Genoíno, o principal ministro do Lula, que era o José Dirceu [então na Casa Civil], o presidente da Câmara, que era o João Paulo Cunha. Eu fiquei no xadrez, como se diz, junto com o Valdemar Costa Neto [presidente do PL], o Bispo Rodrigues [ex-deputado federal do PL-RJ], o Pedro Corrêa [ex-presidente do PP] e vários aliados do PT.

O que isso sinalizou naquele momento? Que o PT é um partido que vai para a cadeia e leva junto os seus principais aliados. O PT sofreu um desgaste e isso se intensificou com a Lava Jato. Nem por isso saímos com mágoa do mundo. Temos que trabalhar e fazer com que a nossa explicação evite que novas gerações passem pelo que passamos.

E a reestruturação é muito difícil em um partido. Veja aí há quantos anos o Valdemar é presidente do PL, a Renata Abreu é presidente do Podemos, e o Aécio manda no PSDB. Um partido político é uma associação de pessoas, e o PT tem procurado a sua renovação junto à juventude, temos cotas. Não é fácil, porque os espaços políticos são limitados.

Tanto o sr. quanto José Dirceu e João Paulo Cunha estão retornando às urnas em 2026. É uma forma de justiça após as prisões pelo mensalão?
Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT. Vou continuar fazendo o que eu sempre fiz: lutando por um Brasil sem fome, solidário e soberano. A eleição não muda a minha vida, ela é importante para que eu possa integrar o debate.

Se eu não fosse candidato, não estaria falando com você e nem você comigo. Por isso é importante a disputa política: trocar experiências. A mesma Folha que fez a matéria com o Roberto Jefferson está me dando a oportunidade de explicar, depois de 21 anos, o que aconteceu em junho de 2005. Na época ninguém queria me ouvir: eu ia à CPI e, mesmo falando por horas, publicavam o contrário. A gente recuperou a imagem do PT, mas é importante consolidar a democracia no Brasil.

Já que o sr. citou de novo o mensalão: se arrepende de ter assumido sozinho a responsabilidade pelo esquema do caixa 2?
O caixa 2 clássico, no Brasil, é quando você tem uma despesa não registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o dinheiro não tem origem. No caso que virou a ação penal 470, ao fim das eleições [de 2002], vários aliados e diretórios estaduais do PT saíram com dívidas que não foram registradas no TSE. Existia a oportunidade de pegar empréstimos com dois bancos, mas o PT não era elegível. O empresário Marcos Valério tinha capacidade financeira para receber e pegou os empréstimos. Pagamos as despesas saindo do banco, com dinheiro de origem, e por isso eu denominei como não contabilizadas.

Quando você é responsável pelas finanças de um partido ou de uma empresa você tem que assumir um tipo de responsabilidade. A do presidente Lula é de governar o país. A do partido, de fazer articulações políticas. A minha, de encontrar uma solução, e foi a que eu encontrei no momento. Não houve crime.

Eu não me arrependo de nada porque não fizemos nada de errado. Não coloquei a culpa em ninguém porque fazia parte do momento político, que foi totalmente superado. Sou uma pessoa sem mágoas, nunca tive mágoa de ninguém, mesmo quando fui preso.

Também fui condenado na Lava Jato por uma suposição, de que eu teria pedido empréstimo ao Banco Schahin, e não era verdade. Fiquei passando frio numa cela em Curitiba, cheia de ratos e baratas. Mas não reclamo disso, faz parte da vida política. Eduardo Cunha, João Vaccari, Gim Argello, cada um na sua cela, éramos colegas de infortúnio. Demorou 20 anos, mas essa fase foi superada, graças a Deus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Delúbio era tesoureiro do partido. Foi condenado e preso pelo escândalo do mensalão. Foi alvo também da Operação Lava Jato, mas o processo foi anulado em 2021, na leva causada pela decisão do STF que beneficiou ilegalmente Lula. Ele tem direito de se candidatar, mas é tão “inocente” quanto Lula, que foi condenado em três instâncias, por 10 magistrados e sempre por unanimidade. A “inocência” de Delúbio é mais uma Piada do Ano. Ele quer ser deputado federal pelo PT em Goiás. (C.N.)

Sem regras para devolução, senadores “embolsam” as sobras de suas diárias

Um desesperado poema de amor, dedicado a Castro Alves por Adélia Prado

Frases diárias: “O sonho encheu a noite Extravasou pro meu dia Encheu minha  vida E é dele que eu vou viver Porque sonho não morre.” — Adélia PradoPaulo Peres
Poemas & Canções

A consagrada professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Bilhete em Papel Rosa”, faz uma bela declaração de amor à Castro Alves.

BILHETE EM PAPEL ROSA
Adélia Prado
(A meu amado secreto, Castro Alves)

Quantas loucuras fiz
por teu amor, Antônio.
Vê estas olheiras dramáticas,
este poema roubado:
“O cinamomo floresce
em frente ao teu postigo.
Cada flor murcha que desce,
morro de sonhar contigo”.

Ó bardo, eu estou tão fraca
e teu cabelo é tão  negro,
eu vivo tão perturbada,
pensando com tanta força
meu pensamento de amor,
que já nem sinto mais fome,
o sono fugiu de mim.

Me dão mingaus, caldos quentes,
me dão prudentes conselhos,
eu quero é a ponta sedosa
do teu bigode atrevido,
a tua boca de brasa, Antônio,
as nossas vias ligadas.

Antônio lindo, meu bem,
ó meu amor adorado,
Antônio, Antônio.
Para sempre tua.                          

Reunião com Lula definirá futuro de Jaques Wagner e aliados pressionam por afastamento

Wagner virou bomba-relógio para Lula e Vorcaro ainda não desistiu de delatar

Mariosan | O Popular

Charge do Mariosan (O Popular)

Elio Gaspari
O Globo

A entrada do senador Jaques Wagner no panelão do Banco Master era uma questão de tempo. A oposição repetia há meses que as delinquências de Daniel Vorcaro começaram na Bahia. Lá atrás, durante a Lava Jato, a polícia encontrou 15 relógios de luxo na casa do senador. Um deles, mimo da empreiteira Odebrecht, foi avaliado pela Polícia Federal em US$ 20 mil.

Ele explicou que eram imitações chinesas. Passaram-se dez anos, a PF foi lá e voltou a achar relógios. O senador voltou a dizer que eram imitações chinesas. A reprise transforma Wagner num caso raro de colecionador de falsificações chinesas.

LULA E VORCARO – O PT já havia deixado uma digital no caminho de Daniel Vorcaro quando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega levou-o a Lula no final de 2024.

Em 2016, quando uma parte do PT foi apanhada pela Lava Jato, Wagner disse que “o PT se lambuzou”. Na quinta-feira, lambuzou-se o líder do governo no Senado. Depois do mensalão e do petrolão, o PT foi jogado na panela do caso Master. A ver como lida com ele às vésperas de uma eleição.

A diligência da PF ainda tem um longo caminho a percorrer. Em 2025, antes de sua primeira prisão, Daniel Vorcaro teria ameaçado “contar toda a história do Master”. Correndo o risco de mofar numa cela, Vorcaro fingiu, por duas vezes, contar a história do Master; suas propostas de delação eram seletivas e foram rejeitadas.

FESTAS DE ARROMBA – Há uma curiosidade na trajetória de Vorcaro. Até 2020, eram raros os seus contatos com a cúpula da turma de Brasília. Era conhecido por suas festas milionárias e pela liberalidade com que recorria aos serviços femininos para entreter convidados. Quando percebeu que estava sentado numa pirâmide, Vorcaro atropelou.

Promoveu farofas no circuito Elizabeth Arden. Seu cunhado comprou o resort da família de um ministro do Supremo. Seu banco contratou por dinheiro gordo a mulher de outro, que voava em seus jatinhos.

Cerejas do bolo: Guido Mantega levou-o a Lula sem registro na agenda, e o senador Ciro Nogueira apresentou um projeto que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

FILME ELEITORAL – Além disso, decidiu bancar um filme que contaria a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro para estrear durante a campanha do seu filho, Flávio.

Com outro braço, segundo a Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma milícia privada para quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Esse crime ficou na intenção.

Eram ações de um banqueiro radioativo, lidando com os políticos a partir da imagem que tinha deles. Os fatos mostraram que seus alvos foram bem escolhidos.

PODERÁ MOFAR – A menos que ofereça uma colaboração veraz, Vorcaro mofará anos numa penitenciária, como mofou o patrono de sua classe, o americano Charles Ponzi (1882-1949), que ralou 14 anos na cadeia. Depois, ele veio para o Brasil e morreu pobre no Rio.

A chegada da Polícia Federal a Jaques Wagner mostrou a Vorcaro que falar pode se tornar o melhor negócio de sua vida.

Talvez ele tenha percebido o que vários figurões não perceberam: a Polícia Federal sabe muito mais do que supõem os intocáveis de Brasília.

BOMBA-RELÓGIO – Depois da ação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner transformou-se numa bomba-relógio na liderança do governo. Se a oposição pudesse, mandaria um abaixo-assinado ao Planalto pedindo que o mantivesse até outubro.

O senador Jaques Wagner poderia redimir-se da promiscuidade que manteve com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, doando cinco ingressos para shows de Taylor Swift aos estudantes baianos melhor colocados no Enem.

Eles viajariam no jatinho de algum amigo do doutor.

A seleção não tem uma só identidade, porque precisa se adaptar a cada jogo

Carlo Ancelotti: por quais clubes passou, títulos e histórico completo do  treinador

Carlo Ancelotti mudou o esquema e deu certo contra o Haiti

Tostão
Folha

A seleção iniciou o jogo contra o Haiti com uma nova formação tática, com um trio no meio-campo (Casemiro pelo centro, Bruno Guimarães pela direita e Paquetá pela esquerda), dois atacantes (Raphinha e Vini Jr), além de Matheus Cunha centralizado, entre o meio-campo e os dois atacantes.

Vini pela esquerda e Raphinha pela direita entravam em diagonal e recebiam a bola entre o zagueiro e o lateral ou nas costas dos defensores bastantes adiantados. Assim saíram os três gols. E a seleção poderia ter feito outros, facilitada pela fragilidade do adversário.

SEMPRE ELE… – Vini, mais uma vez, foi brilhante. No segundo tempo, com a vitória garantida, a equipe relaxou, mas mesmo assim criou mais umas três chances claras de gol. Entraram vários jogadores e com isso mudou a maneira de jogar do time brasileiro.

A formação tática foi a ideal para esse jogo. Provavelmente, Ancelotti viu as partidas do Haiti e organizou a equipe de acordo com o momento. Em outras situações, ele deverá mudar a escalação e a estratégia.

Essa flexibilidade é um dos pontos positivos da carreira do técnico. Ele já disse que a seleção não tem uma só identidade. Baseado nisso, contra os mais fortes adversários penso que a melhor estrutura tática seria recuar um pouco a marcação para contra-atacar e aproveitar a velocidade dos atacantes brasileiros e os espaços aumentados na defesa do outro time.

OS RIVAIS – Após a primeira rodada, a Argentina foi o time mais regular durante toda a partida, repetindo a estrutura tática e quase a mesma escalação do time campeão em 2022.

Messi atua livre, sem precisar marcar, entre o trio de meio-campistas e o centroavante. Ele continua preciso, conciso, minimalista. Bastam poucos movimentos para clarear e definir as jogadas com belas e eficientes finalizações.

A Inglaterra, como a Argentina, foi um time organizado e eficiente. Não tem um Messi, mas possui um craque plural, Kane, ótimo no ataque, no meio-campo e até na marcação. Thomas Tuchel é um treinador que define a estratégia para depois escolher os jogadores. Prefiro o contrário, organizar a formação tática de acordo com a qualidade e características dos jogadores.

CRAQUE EXPLOSIVO – A França contra Senegal jogou muito mal o primeiro tempo e brilhantemente o segundo, com belíssimos lances dos atacantes. Mbappé une muita velocidade, habilidade e técnica, um craque explosivo.

Espanha e Portugal decepcionaram pelo mesmo motivo. Faltaram qualidade individual e coletiva aos dois ataques para ultrapassar as retrancas adversárias.

Muitas coisas vão mudar durante a Copa. O futebol é muito complexo, nós é que tentamos simplificá-lo com nossas racionalizações e pretensiosas sabedorias.

BRASIL 70 – Nas minhas caminhadas diárias, para fortalecer o corpo e a alma, um leitor perguntou se é verdade que, durante a Copa de 1970, eu lia Machado de Assis e me preparava para o vestibular, como mostrou o filme da Netflix “A Saga do Tri”.

Eu lia Machado de Assis, o Shakespeare brasileiro, mas não é verdade que estudava para o vestibular, pois queria jogar futebol por muito tempo.

Alguns anos depois, tive que parar de jogar por orientação médica, fiz vestibular e me tornei médico e professor de medicina. Após uns 20 anos, voltei ao futebol, como comentarista e colunista, onde estou nos últimos 20 anos. Tive várias vidas. Gosto de todas. A vida pulsa.

Crise de credibilidade que cerca Jaques Wagner se agrava por falta de explicações

Operação apreendeu US$ 55 mil e € 33,5 mil ligados ao senador

Pedro do Coutto

Há momentos em que uma investigação criminal produz efeitos políticos muito antes de qualquer sentença. Não porque a culpa tenha sido estabelecida, mas porque a credibilidade das explicações passa a ocupar o centro do debate público. É exatamente esse o estágio em que se encontra o senador Jaques Wagner,.

A apreensão, pela Polícia Federal, de US$ 55 mil e € 33,5 mil em endereços ligados ao parlamentar acrescentou um novo componente a uma investigação que já vinha ganhando dimensão nacional em razão das suspeitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, o Banco Master e supostas vantagens indevidas concedidas a agentes públicos.

A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, integra mais uma fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

CONTRADITÓRIO – Em qualquer democracia madura, a simples apreensão de valores em espécie não constitui prova de crime. O devido processo legal exige investigação, contraditório e julgamento. Entretanto, quando se trata de um dos principais articuladores políticos do governo federal, a exigência de transparência torna-se ainda maior. Foi justamente nesse aspecto que a defesa apresentada pelo senador encontrou dificuldades.

Jaques Wagner afirmou que os dólares e euros apreendidos correspondem, em grande parte, a diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior ao longo dos últimos anos, além de moeda estrangeira adquirida legalmente para compromissos internacionais.

Segundo ele, como costuma utilizar cartão de crédito durante essas viagens, o dinheiro permaneceu guardado em espécie, inclusive em envelopes do próprio Senado Federal. A explicação, embora juridicamente possível, abriu novas frentes de questionamento.

PERÍCIA – O montante apreendido equivaleria a aproximadamente R$ 482 mil, valor superior às diárias oficialmente recebidas pelo senador desde o início do atual mandato. Além disso, a Polícia Federal pretende submeter as cédulas à perícia, verificando a numeração de série das notas para identificar sua origem, o período em que foram emitidas e eventual compatibilidade com os saques realizados pelo parlamentar em viagens oficiais. Trata-se de um procedimento técnico que poderá confirmar ou afastar a versão apresentada pela defesa.

Esse detalhe talvez seja o mais relevante de toda a investigação. Ao contrário de declarações políticas, documentos e perícias possuem objetividade. As cédulas carregam uma espécie de identidade própria. A sequência numérica permite rastrear lotes, períodos de emissão e, em determinadas circunstâncias, reconstruir parte de sua circulação. Caso a perícia demonstre compatibilidade com os saques informados pelo senador, sua versão ganhará consistência. Caso contrário, as dúvidas naturalmente aumentarão.

Enquanto isso, o problema deixa de ser apenas jurídico para assumir uma dimensão política. Governos dependem de confiança para exercer liderança no Congresso. O líder do governo não representa apenas seu partido; representa a própria Presidência da República nas negociações legislativas. Quando essa figura passa a concentrar sucessivas manchetes relacionadas a investigações policiais, o desgaste inevitavelmente ultrapassa sua esfera pessoal.

LEGITIMIDADE – Não se trata de antecipar condenações, mas de reconhecer um princípio elementar da vida pública: a autoridade política também repousa sobre a percepção de legitimidade. Esse aspecto ganha ainda mais importância porque a investigação não se restringe ao dinheiro encontrado.

A Polícia Federal também apura suspeitas de que Jaques Wagner teria recebido outras vantagens, como a promessa de aquisição de um apartamento em Salvador, viagens em aeronaves privadas, ingressos para eventos internacionais e eventual atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master. Todas essas suspeitas são negadas pelo senador, que afirma jamais ter praticado qualquer ato ilegal e sustenta que poderá esclarecer integralmente os fatos ao longo da investigação.

Do ponto de vista institucional, talvez o maior desafio recaia agora sobre o presidente Lula da Silva. Segundo diferentes veículos de imprensa, Lula deverá discutir pessoalmente com Jaques Wagner sua permanência na liderança do governo. A decisão não será simples.

ASSOCIAÇÃO – Mantê-lo no cargo transmite confiança em um aliado histórico, mas prolonga a associação entre o Palácio do Planalto e uma investigação criminal em curso. Substituí-lo, por outro lado, poderia ser interpretado como reconhecimento de fragilidade política antes mesmo da conclusão das apurações.

Esse é um daqueles momentos em que a política precisa equilibrar dois valores igualmente importantes. De um lado, a presunção de inocência, fundamento indispensável do Estado de Direito. Nenhum agente público deve ser tratado como culpado antes da decisão definitiva da Justiça.

RESPONSABILIDADE – De outro, existe o princípio da responsabilidade política. Cargos de elevada relevância institucional exigem não apenas inocência jurídica, mas também capacidade de preservar a credibilidade das instituições que representam. O caso de Jaques Wagner evidencia exatamente essa tensão.

A investigação seguirá seu curso, a perícia poderá confirmar ou refutar as justificativas apresentadas e caberá ao Judiciário decidir se existem elementos para eventual responsabilização criminal. Até lá, permanece uma realidade incontornável: em política, muitas vezes, a força de uma liderança não depende apenas da legalidade de seus atos, mas também da capacidade de convencer a opinião pública de que suas explicações resistem ao escrutínio dos fatos. É justamente nesse terreno — o da confiança — que se trava, neste momento, a principal batalha política do líder do governo.

Ministro revela: “25,2 milhões de pessoas fazem apostas em bets ilegais no Brasil”

YouTube

Charge do MM (Arquivo Google)

Arthur Bambini
CNN Brasil

O Ministro de Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, denunciou nesta sexta-feira (19) que 25,2 milhões de brasileiros apostam em casas de apostas ilegais. Segundo cálculos do governo, as perdas econômicas com apostas somam R$ 38,8 bilhões por ano, sendo 80% em danos à saúde.

A declaração foi feita em meio ao anúncio do governo de bloqueio das bets ilegais e repasse dos recursos dessas casas de apostas para ações de segurança pública.

DADOS ASSUSTASORES – “Temos números que ilustram essa dimensão. Estamos falando de que as bets ilegais significam algo entre 41% e 50% das plataformas”, destacou o Wellington Lima.

O ministro afirmou também que a SPA (Secretária de Prêmios Apostas) já bloqueou mais de 40 mil domínios de casas de apostas que não operam de acordo com a lei brasileira.

Segundo estimativas do governo federal, um a cada quatro brasileiros aposta diariamente, e metade da população aposta pelo menos uma vez por semana.

BAIXA RENDA – Os dados apontam que os apostadores são jovens de baixa renda. Segundo o levantamento do ministério, 69% de quem aposta em bets tem entre 19 e 29 anos, e 63% do público desses sites tem renda familiar de até dois salários mínimos.

As apurações indicam que significativo volume de apostas é feito com recursos do programa Bolsa Família, destinado a garantir a alimentação de famílias carentes.

Em publicação nas redes sociais, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que os recursos bloqueados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e reforçarão o combate às estruturas financeiras do crime organizado no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Lula prometeu proibir as bets, caso prejudicasse a população, o que é óbvio, mas até agora nada vez. A proibição das apostas em bets está sendo reivindicada na Justiça em processo movido pelo ex-deputado paulista Afanásio Jazadji, através do escritório do advogado Luiz Nogueira. O processo está aguardando decisão da Justiça Federal em Brasília (18ª Vara Cível), que está retardando demais a decisão. A importantíssima ação judicial somente é acompanhada pela Tribuna da Internet. Nenhum outro órgão de comunicação demonstra interesse. Por que será? (C.N.)

Trump debocha de Lula, que responde duramente, e as relações se complicam

Trump ameaça dobrar a aposta se Lula retaliar tarifaço

Trump e Lula já têm 80 anos, mas ainda agem como crianças

Vicente Limongi Netto

Assisti  na TV a uma entrevista em que Donald Trump debocha de Lula, chamando-o de “volátil” e dizendo não dar a mínima para ele.  Interessante lembrar que Trump já recebeu lula na Casa Branca duas vezes. Numa delas até elogiou a boa química que havia entre eles.

Agora, Trump quer descontar em Lula a condenação pelo Supremo Tribunal federal (STF) do ex-deputado fujão Eduardo Bolsonaro.

OUVIR CALADO? – Não está escrito em nenhum manual de boas condutas que Lula tem que ouvir calado as diatribes de Trump.

O presidente brasileiro havia comentado que Trump não deve se meter nas eleições no Brasil. Foi seco e enfático.  Mas Trump tenta desgastar Lula com opiniões que também servem para ele. Típico tiro no pé.

Chamou Lula de volátil. Isso significa que precisa mandar colocar um espelho grande no salão oval da Casa Branca. As ações de Trump, muitas delas recuando e voltando atrás em exageradas declarações, equivalem dizer que também é tão volátil quanto Lula. Ainda em doses maiores.

DOIS VELHINHOS – Trump e Lula são oitentões. Ambos costumam falar bobagens pelos cotovelos.  Brasil e Estados Unidos não se equivalem em grandeza, mas são nações soberanas e respeitadas no mundo. Como presidente da república brasileira, Lula não pode nem deve admitir grosserias ou ironias de outros governantes.  Nada deve ficar sem resposta.

Sem respeito mútuo e cordialidade, não existe civilidade, não é possível estreitar relações diplomáticas e comerciais. As eleições estão perto, no Brasil e nos Estados Unidos. Trump que cuide dos problemas norte-americanos e deixe lula cuidar dos dramas brasileiros. 

Cada um no seu quadrado.  Trump e Lula têm pavio curto. Melhor assim. Leviandades e exageros verbais dos dois lados não ficarão sem resposta.

LIXO POLÍTICO – Para demonstrar a que ponto chegamos, é revoltante ver o roto Davi Alcolumbre elogiando o esfarrapado Jaques Wagner.

Os dois representam a escória imunda de canalhas que desgraçadamente dominam a vida pública brasileira. 

Erro do Supremo é interpretar a Constituição e as leis, ao invés de obedecê-las

Associações criticam busca e apreensão de Moraes contra jornalista | Blogs | CNN Brasil

Moraes manipulou claramente algumas leis e descumpriu outras

Carlos Newton 

Ao assumir o cargo, em compromisso solene na sessão de posse, antes da assinatura do termo que oficializa o início do mandato, todo presidente brasileiro promete “manter, defender e cumprir a Constituição da República, observar as suas leis, promover o bem geral do Brasil, sustentar-lhe a união, a integridade e a independência“.

Vejam como é importante a chamada Carta Magna, expressão latina que designa o documento assinado em 1215 pelo rei João da Inglaterra, conhecido historicamente como “João Sem-Terra”.

PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO – Inicialmente chamado de Carta das Liberdades, o documento foi a primeira Constituição criada na História, e tinha objetivo de pacificar o país, que sofria uma rebelião dos nobres ingleses, insatisfeitos com os impostos, abusos de poder e derrotas militares.

Sob a ameaça da guerra civil, João Sem-Terra preferiu assinar um acordo que limitava os poderes da Coroa e garantia direitos fundamentais aos “homens livres”.

O texto protegia a Igreja, proibia prisões arbitrárias, garantia o direito a julgamento justo e estabelecia que ninguém — nem mesmo o rei — estava acima da lei. Tornou-se, assim, a base do futuro regime democrático, que passaria a ser adotado cinco séculos depois, através da Teoria dos Três Poderes, criada em 1748 pelo barão de Montesquieu, um dos filósofos do Iluminismo, ao lado de John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Denis Diderot, Adam Smith e François-Marie Arouet, conhecido como Voltaire.

NADA FÁCIL – Pode-se até pensar que seria fácil manter uma democracia, pois basta seguir a Constituição, mas na verdade ainda é muito difícil. Entre os 193 países que compõem a ONU, no máximo 80 podem ser considerados democráticos, e entre eles está o Brasil, com a segunda Constituição mais extensa do mundo, superada apenas pela indiana.

É lamentável que a Constituição e as leis do Brasil tenham passado a ser desprezadas a partir de 2019, quando o então ex-presidente Lula da Silva foi libertado ilegalmente pela Suprema Corte, após ser condenado por corrupção em três instâncias, por 10 magistrados e sempre por unanimidade.

O pior é que os descumprimentos às leis foram num crescendo, até culminar com a incriminação de mais de 1,5 mil manifestantes do 8 de Janeiro, ridiculamente considerados como terroristas, e depois houve a condenação também ilegal dos envolvidos no golpe que não houve.

INOVAÇÃO BRASILEIRA – No Direito Universal, não existe punição para planejamento de crime, e o Supremo então atropelou as leis para condenar os chamados golpistas.

Na verdade, esse exagero do STF não era necessário, porque existem normas legais determinando punição para quem planeja golpe de estado, mas não o concretiza. É a Lei 1079, de 1950 (governo Eurico Dutra).

Bolsonaro infringiu claramente três dispositivos: 1) Provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis; 2) Incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina; 3) Praticar ou concorrer para que se perpetre qualquer dos crimes contra a segurança interna.

NA FORMA DA LEI – Por excesso de rigor e desprezo às leis vigentes, o relator Alexandre de Moraes levou o Supremo a infringir a Constituição, quando deveria fazer cumprir a legislação atual, que puniria Jair Bolsonaro com suspensão dos direitos políticos por 8 anos.

A mesma condenação deveria ser estendida aos generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, ao almirante Almir Garnier e aos outros militares e civis comprovadamente envolvidos na trama golpista, aquela que foi planejada, mas não se concretizou.

Se preferisse agir assim, dentro da lei, o ministro Moraes teria alcançado o mesmo impacto de desmoralização de Bolsonaro e seus cúmplices, sem esse abuso de condená-los a longas penas de prisão, um absurdo que radicalizou perigosamente a polarização já existente no país.

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P.S. 1 –
Para chegar a penas longas, o relator Moraes agiu de forma totalmente irregular, ao duplicar várias leis excludentes entre si (ou se comete um crime ou o outro, jamais os dois simultaneamente).

P.S. 1 – O que Alexandre de Moraes deveria ter feito era  alertar o Congresso para a necessidade de regulamentar mais adequadamente os crimes de responsabilidade do presidente da República, para criar penas de prisão que não existem na legislação em vigor e foram inventadas pelo Supremo. Realmente, não dá para entender que não haja pena de reclusão para crimes de responsabilidade que coloquem em risco a democracia. Mas quem se interessa? (C.N.)

Mendonça proíbe PL de impulsionar propaganda negativa contra Lula nas redes sociais

Polícia Federal expõe políticos de direita e esquerda como “amigos” de Vorcaro

Ala do STF se mobiliza para revisar decisões eleitorais e amplia tensão no TSE

Ministros do STF desafiam comando de Kassio

Luísa Martins
Raphael Di Cunto
Folha

Decisões envolvendo as eleições inauguraram um novo ponto de atrito entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Um grupo de magistrados da corte se prepara para atuar como uma espécie de instância revisora de decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e fazer frente à gestão de Kassio Nunes Marques.

O embate ficou exposto quando a Primeira Turma do Supremo e o plenário do TSE começaram a julgar simultaneamente, em seus respectivos plenários virtuais, um caso envolvendo as eleições suplementares em Roraima. A discussão gira em torno do prazo para que candidatos deixem os cargos públicos para disputar o pleito, marcado para este domingo naquele estado.

DIVERGÊNCIAS – Após uma liminar do ministro Flávio Dino, no STF, determinando que a desincompatibilização ocorresse de três a seis meses antes da eleição, e não as 24 horas previstas em resolução do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Roraima, Kassio quis marcar posição e também pautou a discussão no TSE. Os dois ministros têm posições divergentes sobre o tema.

Dino obteve maioria na turma, acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin (o colegiado tem apenas quatro integrantes, faltando a posição da ministra Cármen Lúcia). Kassio também conseguiu maioria no TSE, com os votos de Dias Toffoli, André Mendonça e Antônio Carlos Ferreira, mas houve pedido de vista da ministra Estela Aranha.

Interlocutores de Kassio afirmam que o ministro quer defender o papel da Justiça Eleitoral e a jurisprudência do próprio TSE, que aponta para a possibilidade de haver prazos mais flexíveis em eleições suplementares. Em seu voto, o presidente da corte eleitoral afirmou que a liminar de Dino cita precedentes que não se aplicam ao caso de Roraima.

ACORDO – Na semana passada, integrantes do STF também fizeram chegar a Kassio que a corte derrubaria sua decisão de censurar a pesquisa Atlas/Bloomberg que apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após diálogos entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O presidente do TSE afirmou a aliados que já tinha isso no radar, mas que a possibilidade de costurar um acordo pode ser salutar para que a crise não escale.

Segundo relatos feitos à Folha, Kassio tem reclamado com parlamentares sobre o receio de que uma ala do Supremo tome para si questões eleitorais na tentativa de esvaziar suas atribuições no comando do TSE. Esse grupo, por outro lado, afirma que o STF tem a prerrogativa de atuar se houver indícios de violação a alguma questão constitucional.

Um dos pontos de maior embate pode ser a remoção de conteúdo nas redes sociais durante a campanha. Ex-presidente do TSE, Moraes teve em 2022 uma atuação rígida em relação às plataformas, sob ameaça de altas multas e prazos exíguos para retirada de publicações. Já Kassio sinalizou que vai atuar de forma mais contida nessas situações.

CASO DE CLÁUDIO CASTRO – Outro caso que ilustra o conflito entre Supremo e TSE em temas eleitorais é o do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo em março às vésperas de ser condenado à inelegibilidade por abuso de poder. Ministros do STF criticaram a incongruência entre o que foi debatido pela corte eleitoral e o acórdão (resumo) do julgamento.

O esclarecimento sobre a cassação é considerado tecnicamente crucial para que o STF decida se as novas eleições no Rio devem ser diretas, com voto popular, ou indiretas, em que a deliberação cabe à Assembleia Legislativa. O julgamento do caso, de relatoria de Zanin, está suspenso por pedido de vista de Flávio Dino.

Dois ministros da ala oposta à de Kassio no Supremo têm lembrado, em conversas reservadas, que em 2022 o próprio deu decisões monocráticas (individuais) para derrubar cassações impostas pelo TSE, caso dos então deputados Valdevan Noventa e Fernando Francischini. As liminares acabaram revertidas pela Segunda Turma.

DEFERÊNCIA – Em geral, a postura do Supremo é de deferência às decisões do TSE envolvendo cassação de políticos, em especial as que são tomadas por unanimidade. Em 2023, por exemplo, o STF manteve a condenação do ex-deputado federal e ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol.

Ações ajuizadas no Supremo contra resoluções eleitorais também não costumam prosperar. A corte validou, por exemplo, a norma da gestão de Moraes que, às vésperas do segundo turno de 2022, aumentou os poderes da corte eleitoral sobre conteúdos publicados na internet. Uma abordagem de maior interferência, portanto, seria uma “mudança de tradição”, conforme classificou um integrante da área jurídica do TSE.

DESINFORMAÇÃO –  Defensores da continuidade do inquérito das fake news, Moraes e o ministro Gilmar Mendes manifestaram a pessoas próximas preocupação com uma postura potencialmente menos rigorosa do TSE em relação ao combate à desinformação e sinalizaram que o Supremo poderá atuar nesse tema se alguma omissão for identificada.

Em seu discurso de posse, Kassio disse que a corte eleitoral tem o dever de combater ameaças concretas ao processo democrático, especialmente com os desafios do uso da inteligência artificial, mas alertou que o TSE não pode “incorrer em excessos incompatíveis com o Estado democrático de Direito”.

Vorcaro soube corromper, ao mesmo tempo, os Três Poderes da República

Vorcaro muda de patamar... - Blog da Denise

Charge do Caio Gomez (Correio Braziliense)

José Casado
Veja

O suave aroma de cerejeiras em flor na primavera parisiense invadiu o jantar de Ciro Nogueira, senador, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e presidente do partido Progressistas. À saída, ele nem precisou se preocupar com a conta de 121.500 reais.

O roteiro daquele abril de 2024, escolhido pelo amigo banqueiro, previa também périplos noturnos por ambientes enfumaçados, decorados em vermelho-pecado, com mesa íntima para duas pessoas ao custo de cinco salários-mínimos – comida, bebidas e gorjetas à parte.

UM MÊS DEPOIS… – Maio foi em Lisboa, com dias longos, secos, céu de azul sublime e múltiplos fóruns de brasileiros inebriados na ficção útil de localizar no passado uma ponte para o futuro do Brasil.

— Vou precisar do hotel (Four Seasons), de segunda a sábado — disse ao secretário o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em mensagens resgatadas pela polícia. — Preciso (de) mais dois quartos lá… Ciro (Nogueira) e Hugo (Motta, presidente da Câmara dos Deputados).

— O.K. Tem a lista de homens? Senão, como saberemos quem pode entrar de homem?

O banqueiro relaciona: — Fábio Faria (ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro); Hugo Motta (deputado federal); Ciro Nogueira (senador); Luizinho (Luiz Antonio Teixeira Jr., deputado federal); … Bruno Ferrari (acionista da Oncoclínicas); eu…

PRIVACIDADE – A conta de hospedagem ultrapassaria 90 000 reais por cabeça. Vorcaro estava preocupado com a privacidade:

— A gente não pode deixar acontecer igual aconteceu em Nova York… Que venham pessoas, falam que vai pegar um elevador para outro andar, e clica lá no nosso andar. Tem que ficar alguém dentro do elevador…

No maio anterior todos estiveram em Nova York, onde também florescem fóruns de brasileiros debatendo problemas seculares do Brasil. Aquela primavera nova-iorquina foi inesquecível para Cláudio Castro, então governador do Rio.

FILÉ DOURADO – Castro se apaixonou por um filé banhado em ouro de 24 quilates. O bife custou 10.000 reais. Vinho, sobremesa e café, outros 50.000 reais.

Mais tarde, um grupo de quinze amigos do cartão de crédito de Vorcaro esticou a noite num clube de jazz, onde se pode fumar e beber sem culpa.

Na entrada, brut francês de 3.380 reais. Depois, uísque irlandês de 5.000 reais a garrafa. Por fim, conhaque francês de 2.800 reais para acompanhar a queima de charutos dominicanos de 1.100 reais cada. A conta total ficou em 5,2 milhões.

GRANDE NEGÓCIO – A primavera nova-iorquina rendeu um dos melhores negócios já feitos por Vorcaro. Ele pagou um jantar de 60.000 reais para o governador fluminense e, no almoço seguinte, recebeu 80 milhões de reais do fundo de previdência dos servidores estaduais para aplicação em títulos Master

Reais resgatáveis somente no endereço imaginado pelo poeta Vinicius de Moraes: Rua dos Bobos, Número Zero. Lucrou 1.300 em cima de cada real que investiu no prato, no copo e no prazer do governador do Rio.

Vorcaro se distinguiu pela ousadia nos laços com o condomínio do poder. Não doava, distribuía dinheiro. Aceitava pedido de 134 milhões de reais do candidato presidencial do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro.

Requisitava consultoria de um ex-presidente da República, Michel Temer, e de um ex-presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Comprava a parte do juiz Dias Toffoli num hotel, enquanto contratava escritório familiar de outro juiz do Supremo, Alexandre de Moraes.

CORROMPENDO GERAL – Enlaçou tanto ministros e ex-ministros, como Rui Costa, Walfrido Mares Guia, Guido Mantega e Flávia Péres, quanto líderes do Centrão e do Partido dos Trabalhadores, como Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e Jaques Wagner (PT).

Usou todas as moedas disponíveis, inclusive festas com mulheres bonitas em pouca ou nenhuma roupa, recrutadas no Leste Europeu.

Corrompeu executivos do Banco Central, pagou altas comissões na Faria Lima e montou uma pirâmide financeira de 800 000 clientes. Os prejuízos superam 80 bilhões de reais.

MAIOR SONHO – Vorcaro sonhou o sonho de lobistas: mudar a Constituição para benefícios privados. O projeto do Master foi chancelado pelo senador Ciro Nogueira. Passou despercebido num Legislativo que reescreve a Carta a cada trimestre (já são 139 emendas).

A proposta foi rejeitada no Senado e ressuscitou na Câmara pelas mãos do deputado Filipe Barros, líder da bancada bolsonarista.

Na prisão, Daniel Vorcaro, 42 anos, agora resolveu apostar no tempo. Acha que até as eleições amigos do seu cartão de crédito conseguem retirá-lo da cadeia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Grande texto de José Casado, enviado por Júlio Di Giorgi. O artigo sintetiza a podridão dos Três Poderes, que parece resistir a tudo neste país com autoridades à venda. (C.N.)

PL mira Ceará como estado estratégico, mas aliança com Ciro divide bolsonarismo

Aproximação entre o PL e Ciro é criticada por Michelle

Luis Felipe Azevedo
O Globo

Estado que divide a família Bolsonaro, o Ceará ocupa posição estratégica nos planos eleitorais do PL nesta eleição. Segundo o senador Rogério Marinho, que coordena a pré-campanha de Flávio ao Planalto, a sigla projeta eleger seis deputados federais — a bancada é composta atualmente por três.

Até o momento, não há definição se a legenda estará na chapa do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. A aproximação entre o PL e o tucano é criticada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e motivou divergências internas no núcleo bolsonarista.

PONTO ESTRATÉGICO – “O Ceará, para nós, é estratégico. Vamos estar lá no dia 10 de julho para dar apoio às nossas candidaturas. Faremos seis deputados federais, essa é a nossa expectativa. Também teremos candidato ao Senado”, disse Marinho a jornalistas nesta semana. O estado deu vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. O petista teve 69,97% dos votos, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alcançou 30,03%.

O PL deve reunir Flávio e Michelle no evento do mês que vem, que não terá a presença de Ciro Gomes. O diretório do PL no Ceará deseja lançar o deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado na chapa do tucano. A articulação conta com o apoio de Flávio. Por outro lado, a possibilidade de aliança com Ciro é desaprovada pela ex-primeira-dama, que defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual.

Michelle irá ao Ceará para participar do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas. Já Flávio acompanhará o lançamento da pré-candidatura de Alcides. O PL deve decidir até o fim da convenção partidária, no fim de julho, se optará pela candidatura de Fernandes ou de Costa ao Senado.

ROMPIMENTO –  A relação de Michelle com Flávio azedou quase um mês antes do anúncio dele como pré-candidato ao Planalto, em dezembro do ano passado. O afastamento ocorreu após o senador ter feitos críticas públicas à madrasta, classificando a postura da ex-primeira-dama como “autoritária”.

A fala do senador ocorreu após Michelle se posicionar contra uma aliança costurada no Ceará para que o bolsonarismo apoiasse Ciro ao governo estadual. A ex-primeira-dama tentou articular o apoio da legenda à Girão, que se coloca como oposição ao tucano. Na época, as negociações para que um acordo entre Ciro e o PL fosse firmado foram rompidas diante da exposição da divergência. Nos últimos meses, entretanto, há sinais de reaproximação entre a ala do tucano e o bolsonarismo no estado.

“MOMENTO CERTO” – Recentemente, Michelle afirmou que apoiará a candidatura do enteado “no momento certo”, sem detalhar quando pretende se engajar de forma mais direta na campanha, se é que isso vai acontecer. Apesar disso, não há previsão de que ela faça manifestações explícitas de apoio ao senador durante a agenda no Ceará.

Reservadamente, integrantes do partido avaliam que a simples presença dos dois no mesmo palco já terá peso político e poderá ser interpretada como um gesto de unidade dentro do grupo bolsonarista. A avaliação, porém, não significa que exista qualquer ação coordenada para transformar o evento em uma demonstração formal de apoio da ex-primeira-dama à pré-candidatura presidencial de Flávio.

Governo pede retorno de policiais cedidos e medida atinge equipe de André Mendonça