PT destinará R$ 105 milhões do fundo eleitoral para a campanha de Lula

Uma música de Luiz Gonzaga, para comemorarmos hoje a festa de São João

7 ideias de Luiz Gonzaga | luiz gonzaga, musicas trechos de, musicaPaulo Peres
Poemas & Canções

A festa de São João (24 de junho), o ápice dos festejos juninos, com a trezena de Santo Antônio (13 de junho) e São Pedro (29 de junho), inspirou o sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, a compor em parceria com José Fernandes a música “Olha Pro Céu Meu Amor”, cuja letra retrata uma estória de amor numa noite de São João.

Essa “marcha joanina” foi gravada por Luiz Gonzaga em 1951, pela RCA Victor. 

OLHA PRO CÉU MEU AMOR
José Fernandes e Luiz Gonzaga

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro
O teu olhar, que incendiou
Meu coração!

TSE manda petistas removerem publicações que ligavam Flávio Bolsonaro ao crime organizado

Defesa de Bolsonaro pede a Moraes prorrogação da prisão domiciliar por tempo indeterminado

Primeira mulher general diz que mérito e preparo marcaram sua ascensão

Militar nega ter enfrentado resistência por ser mulher

Isadora Albernaz
Folha

“Quando fui promovida, talvez nem tivesse essa noção toda do que poderia representar”, afirma Claudia Lima Gusmão Cacho, 57, primeira mulher a alcançar o posto de general do Exército brasileiro, ao relatar encontros com jovens que dizem se inspirar nela para seguir a carreira militar. “Gente que sou eu 30 anos atrás”, diz.

Com três décadas na Força Terrestre, Claudia atribui sua ascensão pioneira ao generalato ao trabalho próprio e a uma adaptação das Forças Armadas para receber mulheres. “Existe uma combinação de fatores. Não foi uma coisa abrupta. Foi construída ao longo dos anos”, afirma em entrevista à Folha.

RESISTÊNCIA – A general nega ter enfrentado resistência de colegas no meio militar por ser mulher. Habituada a um ambiente meritocrático, diz nunca ter se considerado uma feminista, mas defende que todos devem ter oportunidades iguais. “E aí, cabe a cada um. Você tem opções, escolhas e vai lutar por aquilo que quer.”

A oficialização de Claudia como general de brigada, um dos principais postos da hierarquia da Força, aconteceu em cerimônia no dia 1º de abril. O Exército completou 378 anos semanas depois, no dia 19. O ingresso feminino em turmas oficiais da linha militar bélica, o que permite a promoção ao cargo, foi autorizado apenas em 2012.

A militar reconhece que o ineditismo abre portas para outras mulheres, mas diz que “não é porque é mulher”. “É porque trabalhou, estudou, teve competência e mérito para chegar até lá. Isso, sim, serve de inspiração para que outras venham e virão. Elas estão vindo, várias.”

MANIFESTAÇÕES – Natural do Recife, a médica pediatra passou também por Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia e Rio Grande do Norte e, em abril, assumiu a direção do Hospital Militar de Área de Brasília. A unidade fica localizada no Setor Militar Urbano, próximo ao Quartel-General do Exército. O local foi palco, após as últimas eleições, de manifestações de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) que pediam golpe militar.

Em 2026, ano eleitoral, Claudia evita questões políticas. Questionada se episódios do tipo podem voltar a se repetir e se a trama golpista está superada dentro do Exército, ela afirma que a instituição é “permanente e apartidária”.

A ascensão como primeira general do Exército foi em maior parte resultado de seu trabalho ou também tiveram mudanças estruturais da Força que contribuíram para isso?
Existe uma combinação de fatores. Não foi uma coisa abrupta, foi construída ao longo dos anos. Casa a questão da carreira e, ao longo desse tempo, a Força foi também abrindo mais espaço para as mulheres. Foi se adaptando e, com a entrada cada vez maior do segmento feminino, as portas foram se abrindo.

Houve resistência, seja explícita ou velada, à sua ascensão, por ser mulher?
Não. Pelo contrário, a gente [homens e mulheres] tinha as mesmas ações a fazer, os mesmos direitos, os mesmos deveres. Todas éramos voluntárias. A gente estava lá porque a gente queria estar. Sempre fomos apresentadas às mesmas atividades.

O contingente feminino no Exército pode chegar a patamares maiores, como 20% ou 30%?
A diretriz do Serviço Militar Inicial Feminino foi muito bem recebida. A gente viu a quantidade de mulheres que se alistou e que foi selecionada. E hoje elas estão integradas. Vejo isso como muito positivo, pela aceitação e pela oportunidade. Esse aumento vai ser gradual, para chegar ao percentual estabelecido pelo Ministério da Defesa [de 20% até 2035].

O que era exceção quando eu entrei já virou natural. O Exército ganhou muito com a chegada das mulheres. Abriu seu leque de atrair, de captar recursos, valores.

No ano passado, um grupo de militares foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado. A trama golpista está superada dentro do Exército? Manifestações no QG podem se repetir?
O Exército se mantém como uma instituição nacional permanente, que é apartidária e vem mantendo a sua missão constitucional, como sempre aconteceu. O Exército permanece como essa instituição que conhecemos, que presta serviço, tem entregas à sociedade e está em constante evolução.

Como militares temos a nossa missão constitucional, que está bem estabelecida: a defesa da pátria.

Quais são as suas prioridades à frente do Hospital Militar de Brasília?
A gestão de organizações militares de saúde é sempre muito complexa. Tem que agregar a parte técnica com a logística. A gente tem que estar preparado para uma necessidade operacional. A saúde se insere na dimensão humana da Força dentro dos projetos estratégicos. Os objetivos não são da general Claudia.

A senhora se vê como inspiração para outras jovens? Como é ser referência?
É uma coisa que tenho escutado bastante. Quando fui promovida, talvez nem tivesse essa noção toda do que poderia representar. [Ouvi] de muitas pessoas que eu não conhecia. Gente que sou eu há 30 anos. Achei muito interessante ver que você abre portas. Mulheres, de uma maneira geral, que chegam num patamar que antes ninguém havia chegado abrem porta para outras, inspiram.

Lembrando que não é por ser mulher. É porque trabalhou, estudou, teve competência e mérito para chegar até lá. Isso serve de inspiração para que outras venham e virão. Elas estão vindo, várias. Cheguei primeiro porque percorri o caminho necessário.

A senhora se considera feminista? Como vê esse debate por igualdade de gênero?
Nunca me considerei feminista. Acredito que a gente deve ter igualdade de oportunidades. E aí, cabe a cada um. Você tem opções, escolhas e vai lutar por aquilo. “Ah, eu quero chegar a…”. Então, vou me preparar, me capacitar, estudar, trabalhar e chegar ao objetivo.

Como foi conciliar a maternidade com a carreira militar? Houve desafios adicionais?
Quando eu entrei no Exército já tinha a minha filha mais velha. São 12 anos de diferença entre elas. Deu para conciliar, mas eu sempre tive muito apoio da minha família, do meu esposo, de amigos também. A gente acaba criando esse vínculo, porque, se não tiver esse apoio, realmente fica bem complicado. Tive tempo de licença-maternidade normal. O meu marido é militar.

Qual seu objetivo dentro do Exército? Chegar ao Alto Comando?
O general médico só chega a general de divisão, seja homem ou mulher. O nosso objetivo é continuar fazendo o trabalho. Não vejo por que parar. Vestir a farda é um propósito. É servir o país e eu consigo fazer isso dentro da minha área, na direção do hospital. Tem esse período como general de brigada e posso, mais adiante, concorrer ao posto de diretor de saúde, mas não é o pensamento agora.

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RAIO-X

Claudia Lima Gusmão Cacho, 57

General de brigada do Exército brasileiro e diretora do Hospital Militar de Área de Brasília. É pediatra, ingressou na Força em 1996 como oficial temporária, no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia. Concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998. Já foi chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro, e diretora do Hospital de Guarnição de Natal e do Hospital Militar de Área de Campo Grande.

Jacques Wagner amplia crise no Planalto e expõe novo desafio político para Lula

Lula e Jaques têm uma parceria política de mais de 40 anos

Pedro do Coutto

A sucessão de crises envolvendo integrantes do governo voltou a colocar o Palácio do Planalto diante de um problema que ultrapassa o campo jurídico e alcança diretamente a esfera política. A pressão crescente para que o senador Jaques Wagner deixe a liderança do governo no Senado revela que, mais do que uma investigação policial, o Executivo enfrenta um desgaste de imagem capaz de influenciar sua estratégia para a disputa eleitoral de 2026.

A operação da Polícia Federal que cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar, no âmbito das investigações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, provocou forte repercussão dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Embora Wagner negue qualquer irregularidade e sua defesa questione a legalidade das medidas adotadas, setores da legenda avaliam que sua permanência na liderança do governo tornou-se politicamente difícil de sustentar.

REUNIÃO – Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, parlamentares e dirigentes petistas passaram a defender reservadamente uma solução que reduza o desgaste para o presidente Lula da Silva. A expectativa gira em torno da reunião entre Lula e Jacques Wagner, interpretada por interlocutores como um momento decisivo para definir os próximos passos do governo diante da crise.

O aspecto mais delicado, contudo, não está apenas na investigação em si, mas na percepção pública produzida pelo episódio. Em política, a imagem frequentemente pesa tanto quanto os fatos juridicamente comprovados. Um líder do governo submetido a uma investigação dessa magnitude inevitavelmente passa a ocupar espaço negativo no noticiário, desviando o foco das pautas prioritárias do Executivo.

A estratégia adotada pela defesa do senador também enfrenta desafios. Os advogados recorreram ao Supremo Tribunal Federal buscando anular a operação da Polícia Federal, sustentando questionamentos sobre aspectos processuais da investigação. No entanto, especialistas costumam observar que, em casos dessa natureza, discussões exclusivamente sobre a forma dificilmente eliminam o impacto político causado pelo conteúdo das suspeitas. Ainda que eventuais irregularidades processuais possam ser reconhecidas pela Justiça, o desgaste perante a opinião pública tende a permanecer enquanto as investigações continuam em curso.

PARCERIA POLÍTICA – Outro fator relevante é a relação histórica entre Lula e Jacques Wagner. Os dois construíram uma parceria política ao longo de mais de quatro décadas, fazendo do senador um dos principais conselheiros e aliados do presidente. Essa proximidade torna qualquer decisão especialmente delicada. Um eventual afastamento poderia ser interpretado como um gesto de preservação institucional, mas também representaria um custo pessoal e político para Lula.

Ao mesmo tempo, manter Wagner na liderança do governo também traz riscos. A oposição encontra terreno fértil para associar o episódio ao discurso de combate à corrupção, enquanto aliados avaliam que o governo poderá enfrentar dificuldades adicionais na articulação política caso a crise permaneça ocupando espaço na agenda nacional.

O caso ganha ainda maior relevância porque ocorre pouco tempo depois de outra crise enfrentada pelo governo envolvendo denúncias de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Embora os episódios tenham naturezas distintas, ambos reforçam uma percepção de sucessivos desgastes administrativos justamente no momento em que o Planalto busca recuperar sua popularidade e reorganizar sua base parlamentar.

DESCONFIANÇA – As pesquisas de opinião mostram que esse cenário merece atenção. Levantamento recente do Instituto Ipsos-Ipec indica que mais da metade dos brasileiros afirma não confiar no presidente Lula, enquanto pouco mais de quatro em cada dez declaram manter confiança no chefe do Executivo. Embora tenha havido pequena recuperação em relação ao levantamento anterior, os índices permanecem elevados de desconfiança, sugerindo que novos episódios de crise podem dificultar a recuperação da imagem do governo.

Analistas políticos observam que investigações envolvendo figuras centrais do Executivo costumam produzir efeitos que vão além dos envolvidos diretamente. A repercussão afeta a capacidade de articulação do governo no Congresso, amplia o espaço para críticas da oposição e influencia a percepção dos eleitores sobre a condução da administração federal.

COPA DO MUNDO –  Outro elemento que reduziu momentaneamente o impacto político do episódio foi a concentração da atenção pública em grandes eventos esportivos internacionais. Ainda assim, esse efeito tende a ser passageiro. À medida que o ciclo de notícias esportivas perde intensidade, é provável que o foco volte para os desdobramentos das investigações e para as decisões que o governo precisará tomar.

No campo eleitoral, o episódio representa um desafio estratégico para Lula. Com pouco mais de um ano para o início efetivo da campanha presidencial, preservar a credibilidade da administração tornou-se uma prioridade. Qualquer percepção de tolerância com investigações envolvendo integrantes do núcleo político pode ser explorada pelos adversários e influenciar a formação da opinião pública.

PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA – É importante ressaltar, contudo, que Jacques Wagner não foi condenado e continua amparado pelo princípio constitucional da presunção de inocência. As investigações ainda estão em andamento e caberá às autoridades competentes apurar os fatos, garantindo o devido processo legal e o direito à ampla defesa.

Independentemente do desfecho jurídico, a dimensão política da crise já está posta. A reunião entre Lula e Jacques Wagner poderá definir não apenas o futuro do senador na liderança do governo, mas também sinalizar qual estratégia o Palácio do Planalto pretende adotar para enfrentar uma crise que combina investigação policial, desgaste institucional e impacto eleitoral. Em um ambiente político cada vez mais polarizado, preservar a governabilidade sem ampliar o custo político tornou-se um dos maiores desafios do governo federal.

Primeiras-damas avançam nas urnas e ampliam o peso das famílias na política brasileira

Ex-presidente do BRB pede liberdade ao STF devido à demora da PGR em acordo de delação

É espantoso que ainda existam pessoas que acreditam nas pesquisas eleitorais

Pesquisas eleitorais - Espaço Vital

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em países como o Brasil, as pesquisas eleitorais são um ramo promissor no setor de serviços, não há dúvida. O faturamento cresce a cada eleição, batendo seguidos recordes. Basta dizer que até maio deste ano, foram feitos mais de 700 levantamentos sobre perspectivas das eleições de outubro, com investimentos de R$ 40 milhões.

É muito dinheiro rolando por baixo da ponte que conduz ao poder. O TSE informa que 2024, foram realizadas 14 mil pesquisas, com gastos quase R$ 172 milhões em levantamentos sobre intenção de voto para os cargos de prefeitos e vereadores. Estas são apenas as pesquisas oficiais, registradas na Justiça Eleitoral, mas existem milhares de outras que são feitas por baixo do pano… e que até custam muito mais caro.

EXCITAÇÃO – A imprensa contribui generosamente para o sucesso comercial dos institutos, que gostam de serem chamados assim, e divulgam os resultados como se fossem infalíveis, oriundos do Oráculo de Delfos, centro religioso mais importante e reverenciado da Grécia Antiga, nas encostas do Monte Parnaso.

Mas a realidade não é bem assim, e a melhor definição de pesquisa é a que define essa atividade como “a arte de torturar os números até que eles confessem os resultados pretendidos”.

O fato concreto é que toda eleição é marcada por erros grotescos, em que os resultados das urnas têm sido absurdamente diversos daqueles apontados às vésperas da votação.

ERROS BIZARROS – Lembrem o que ocorreu em 2018 com a vitória de três azarões em Estados importantes – Romeu Zema em Minas Gerais, Wilson Witzel no Rio de Janeiro, e Carlos Moisés em Santa Catarina.

Os disparates foram ainda piores na disputa para o Senado, quando favoritos absolutos, indicados por todas as pesquisas, acabaram chegando em terceiro ou quarto lugar, como Dilma Rousseff em Minas Gerais, Eduardo Suplicy em São Paulo, Roberto Requião e Beto Richa no Paraná, ou José Fogaça no Rio Grande do Sul.

Em 2022, também houve muitas mancadas dos institutos. Tarcísio Freitas, por exemplo, venceu o primeiro turno com 7 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad, que liderava amplamente as pesquisas.

MAIS VEXAMES – Foi mais uma sucessão de vexames. No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro foi reeleito no primeiro turno, embora as pesquisas indicassem que haveria segundo turno contra Marcelo Freixo.

Para o Senado foi um festival. No Paraná, Sergio Moro venceu e o favorito Alvaro Dias ficou em terceiro lugar; e no Espírito Santo, Magno Malta derrotou a líder Rose de Freitas.

Em São Paulo, o astronauta Marcos Pontes venceu o líder Márcio França com 13,5 pontos de vantagem; e no Rio Grande do Sul o general Hamilton Mourão, que estava derrotado nas pesquisas, elegeu-se senador.

DATAFOLHA – Vejam agora a nova pesquisa Datafolha. O respeitado instituto quer nos convencer de que, entre cada grupo de 1.784 pessoas que encontrarmos nas ruas e irão mesmo votar, cerca 80% delas vão votar em Lula ou Flávio Bolsonaro, e apenas 20% delas estariam dispostas a sufragar algum dos outros 12 candidatos alternativos. Somado aos brancos e nulos, esse total chegaria a menos de 26%.

Mas não é isso que as pesquisas apresentam no quesito rejeição. Bolsonaro é repudiado por 48% dos eleitores e Lula por 46%, no próprio Datafolha. E pesquisa mais recente, do Instituto Ipsos-Ipec, indica que 56% dos brasileiros não confiam em Lula.

Apenas uma pesquisa, feita pelo Alfa Inteligência, independente e sem patrocinador, indica Ronaldo Caiado e Romeu Zema com 7 pontos cada. Todas as demais jogam no abismo os dois candidatos alternativos. Por que será?

P.S. – Os números precisam ser torturados com arte. Caso contrário, entregam em choque entre si. Nas regras da probabilidade, é praticamente impossível que candidatos vençam o pleito tendo 48% (Flávio) ou 46% (Lula) de rejeição. Isso só acontece se eles forem os vencedores do primeiro turno. Porque qualquer outro candidato, com menos rejeição, pode derrotá-los no segundo turno. Justamente por isso, as pesquisas precisam manter a polarização, a qualquer custo.  Pense sobre isso, antes de acreditar em pesquisas eleitorais num país corrupto como o Brasil. (C.N.)

Decisão do governo sobre delegados da PF acende alerta no gabinete de Mendonça

Mendonça vê risco de interferência em investigações

Bela Megale
O Globo

O movimento do Ministério da Justiça de determinar que policiais federais cedidos a outros órgãos retornem às suas funções de origem levantou desconfianças do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e de alas da própria PF. O magistrado sinalizou a pessoas próximas que qualquer iniciativa que atinja integrantes de seu gabinete será vista como tentativa de embaraçar investigações dos processos dos quais é relator.

Desde abril, quando o presidente Lula afirmou que mandou o Ministério da Justiça convidar delegados da Polícia Federal que estão “fingindo” trabalhar fora da corporação a retornarem, um alerta acendeu em Mendonça e seus auxiliares. A fala foi vista como um recado velado que poderia culminar na retirada do delegado Thiago Marcantonio do gabinete de Mendonça.

DESVIOS DO INSS – Assessor do ministro desde 2025, Marcantonio auxilia Mendonça em todos seus casos, incluindo os desvios do INSS, que tem Lulinha entre os investigados, e o escândalo do Master. O ofício do Ministério da Justiça que determinou o retorno de profissionais da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aos seus órgãos de origem causou estranheza especialmente pelo timing.

Chamou atenção entre alas da PF e do gabinete de Mendonça o governo federal ter suspendido as cessões em junho deste ano, já que a maior parte delas foi autorizada pelo próprio Executivo a partir de 2023.

Por ora, o STF ficou de fora da ordem do Ministério da Justiça. Se a determinação chegar à corte, além de Marcantonio, outros delegados cedidos aos gabinete de Alexandre de Moraes e Luiz Fux também terão que voltar à corporação. Mendonça já sinalizou que, se o caso atingir seu gabinete, o governo terá uma resposta.

Em depoimento, Bolsonaro afirma que pistola apreendida estava a caminho da manutenção

Pistola foi apreendida em blitz no Distrito Federal

Deu no O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal e afirmou que pediu ajuda ao militar que posteriormente teve a arma apreendida em uma blitz ao perceber que a pistola não funcionava e necessitava de conserto, informou a defesa de Bolsonaro. As informações são do portal G1.

O depoimento durou cinco minutos, de acordo com os advogados, e Bolsonaro prestou as informações que já haviam sido apresentadas pela defesa na peça entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).

DEPOIMENTO EM CASA – A oitiva ocorreu na residência de Bolsonaro, onde ele cumpre prisão domiciliar, após autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Civil havia solicitado que o depoimento fosse realizado por videoconferência, mas o ministro determinou que os investigadores se deslocassem até o endereço do ex-presidente.

O depoimento faz parte do inquérito aberto pela Polícia Civil após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma estava em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança do ex-presidente.

Segundo a investigação, o armamento foi recolhido durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal porque não estava acompanhada do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento exigido para o transporte da arma. Em depoimento prestado à polícia, o militar afirmou que a pistola estava sendo levada para manutenção e que seria posteriormente devolvida a Bolsonaro.

INTIMAÇÃO – Ao autorizar a oitiva, Moraes também registrou que uma tentativa anterior de intimar pessoalmente o ex-presidente não foi concluída. Segundo ofício encaminhado ao STF, a equipe policial não conseguiu efetivar a intimação porque integrantes da escolta responsável pela segurança de Bolsonaro impediram o cumprimento do ato.

As informações produzidas no inquérito serão compartilhadas com o gabinete de Moraes, responsável pela execução penal do ex-presidente. Na quinta-feira, termina o prazo inicial de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro do STF em março para que o ex-presidente se recuperasse de um quadro de broncopneumonia.

Na peça apresentada ao STF, a defesa de Bolsonaro afirmou que a equipe de segurança do ex-presidente retirou um item da arma de fogo que ele tinha em casa com o objetivo de torná-la inoperante. Os advogados afirmam que a medida foi adotada porque os medicamentos psiquiátricos que Bolsonaro toma afetam sua “cognição”.

ALEGAÇÃO – “Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário (Bolsonaro), capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, diz a peça apresentada ao ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF. Percussor é um componente que atua no disparo da arma de fogo. A defesa também negou haver irregularidades na posse, pelo ex-chefe do Executivo

Os advogados de Bolsonaro sustentam que, recentemente, o ex-presidente percebeu, pelo “simples acionamento do ferrolho e sem qualquer necessidade de disparo”, que o mecanismo da pistola não estava funcionando regularmente. O ex-chefe do Executivo não conseguiu identificar a causa do problema e então entregou o armamento para um segundo-sargento do Exército, para que ele verificasse o ocorrido, sustentou a defesa.

Governo e STF temem derrota em pedido de extradição de Eduardo Bolsonaro

Moraes ainda não enviou pedido ao Ministério da Justiça

Patrícia Campos Mello
Folha

O desgaste político de o Brasil ter um pedido de extradição de Eduardo Bolsonaro negado pelos Estados Unidos gera preocupação dentro do governo brasileiro e do STF (Supremo Tribunal Federal), na esteira da negativa da Justiça da Itália de extraditar a ex-deputada Carla Zambelli.

Eduardo foi condenado pelo STF  na última semana, a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo por sua atuação nos Estados Unidos, que resultou em sanções contra ministros do Supremo durante o julgamento da trama golpista. O ex-deputado mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

CHANCES MÍNIMAS – A avaliação no governo e no STF, semelhante à de advogados ouvidos pela Folha, é que seriam mínimas as chances de o governo Donald Trump aceitar o pedido de extradição de Eduardo.

No trâmite normal de um processo de extradição ativa, o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, enviaria um mandado de prisão e pedido de extradição ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. Após confirmada pelo departamento a admissibilidade do pedido de extradição, o documento seria enviado ao Itamaraty ou ao governo americano.

A percepção no governo, no entanto, é que mais uma negativa de extradição por parte de um governo estrangeiro fortaleceria as críticas de que o sistema judicial brasileiro não é imparcial.

VIOLAÇÃO – Na decisão divulgada em 12 de junho, a Corte de Cassação da Itália afirmou que houve violação no direito de defesa de Zambelli, porque, entre outros fatores citados, Moraes assumiu “dupla função”, de julgador e vítima. A mesma interpretação poderia ser usada no caso de Eduardo Bolsonaro, condenado por sua interferência junto ao governo estrangeiro para impor sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do STF.

Nos Estados Unidos, o pedido de extradição seria examinado primeiro por um tribunal federal, que determinaria a admissibilidade do pedido à luz do acordo de extradição entre os dois países e da legislação americana. Depois, seria direcionado ao secretário de Estado, Marco Rubio.

Advogados veem risco de um pedido de extradição de Eduardo não sobreviver nem à avaliação pelo Judiciário americano. Isso porque o tratado de extradição assinado por Estados Unidos e Brasil em 1965 veda a extradição quando o crime que ocasionou o pedido “for de caráter político”.

CRIME POLÍTICO – Não existe, no entanto, uma definição taxativa sobre o que configuraria um crime político. “O juiz americano pode entender que houve motivação política no crime de coação”, diz Raphael Rocha, professor de direito internacional da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Mas, ainda que passe por esse primeiro filtro, é improvável passar pelo segundo. Cabe ao secretário de Estado, de forma discricionária, a última palavra em relação à extradição. Rubio é próximo da família Bolsonaro –recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recentemente em Washington. Além disso, é crítico contumaz de Moraes.

“As perseguições políticas por parte do violador de direitos humanos Alexandre de Moraes continuam, já que ele e outros ministros do Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos responderão de forma adequada a essa caça às bruxas”, postou Rubio em rede social em setembro passado.

REQUISITOS LEGAIS – “A decisão final é sempre política, mesmo em casos em que estão presentes todos os requisitos legais previstos em tratado”, diz Elaini Silva, doutora em direito internacional pela USP e professora da PUC-SP. Uma ideia em discussão seria desacelerar o processo de envio do pedido de extradição ao Ministério da Justiça, a análise na pasta e comunicação ao governo Trump, como forma de adiar o desgaste político.

Os EUA, sob Trump, já negaram o pedido de extradição do influenciador bolsonarista Allan dos Santos, em 2024. O governo dos EUA informou ao Brasil que não extraditaria Santos por delitos que os americanos veem como crimes de opinião, que estariam garantidos no direito à liberdade de expressão. Esses crimes não teriam correspondente no ordenamento jurídico americano e os crimes de calúnia, injúria e difamação não constam da lista de passíveis de extradição do acordo entre os dois países.

Em dezembro passado, Moraes determinou a abertura do processo de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pela trama golpista, que atualmente vive na Flórida. E a Justiça da Espanha decidiu, em abril de 2025, negar o pedido de extradição do influenciador bolsonarista Oswaldo Eustáquio. Ele é alvo de dois mandados de prisão do Supremo e é suspeito de crimes contra a democracia e corrupção de menores. Argumentou-se que a solicitação tinha motivação política e que não há acordo entre os dois países permitindo a extradição nesse tipo de situação.

Fachin defende punir com rigor as plataformas digitais para preservar democracia

Neymar precisa entrar em campo no segundo tempo, para ganhar ritmo de jogo

Neymar tem problema no voo e perde primeiro treino da seleção na Itália -  Diário do Noroeste

Neymar ainda é o maior craque da seleção brasileira

Vicente Limongi Netto

Sei que serei alvo da ira de alguns, mas se as tantas contusões não tivessem atrapalhado a carreira de Neymar, ele também alcançaria a altura técnica consagradora de Messi e Cristiano Ronaldo. Ambos conseguiram manter o alto nível técnico exatamente por este motivo,  poucas contusões.

Ao contrário de Neymar que apanha muito em campo. Só é parado com faltas violentas. Cada atleta reage de um jeito às lesões. Nesta Copa. não será diferente para Neymar. É claro que não será poupado pelos brutamontes.

A meu ver, Neymar é nosso único craque. Tem técnica refinada. Visão de jogo, excelente driblador. Cobra falta e pênalti com precisão. Respeitado pelos companheiros, técnicos e jogadores adversários. Acredito que não decepcionará. Entra um pouco contra a Escócia para ganhar ritmo. Depois vem com tudo para a etapa dura e mortal do mata-mata.

WAGNER AMEAÇA – O enrolado e santo de araque Jaques Wagner diz que vai entrar no STF contra os resultados das investigações da Policia Federal sobre dele. O mau caratismo e a cretinice de tipos imundos como o senador baiano é uma afronta aos cidadãos decentes.

Evidente que o senador venal quer ganhar tempo. Ele pensa que as roubalheiras dele cairão no esquecimento. A exemplo de outros desprezíveis da política, igualmente capachos de Daniel Vorcaro, como o também senador  Ciro Nogueira.

Justiça dos EUA autoriza Brasil a atuar em ação movida por Trump Media e Rumble contra Moraes

Após Irã e Venezuela, Trump mira Cuba em busca de nova vitória geopolítica

Trump faz guerras como quem joga fliperama

Elio Gaspari
Folha

Ninguém sabe por que Donald Trump atacou o Irã e ninguém sabe por que ele suspendeu os bombardeios. Nem ele sabe que resultados conseguirá depois de uma guerra que já custou aos americanos perto de US$ 30 bilhões. Esse é o preço das guerras teatrais.

Trump foi atrás do Irã depois de um êxito surpreendente contra a Venezuela. Sequestrou o ditador, absorveu a ditadura e embolsou o petróleo. Começou a guerra com o Irã matando o líder supremo Ali Khamenei, tentou decapitar o regime dos aiatolás e atolou.

EXIGÊNCIA – Nos primeiros dias da guerra Trump soltou uma exigência e uma ameaça. Primeiro, disse que os ataques prosseguiriam até que se conseguisse a “rendição incondicional” do Irã, depois ameaçou mandar milhões de iranianos “de volta à Idade da Pedra”. Nenhuma das duas expressões era original.

Uma foi posta na mesa dos Aliados, em 1943 pelo presidente americano Franklin Roosevelt. Dois anos depois, quando os alemães assinaram a rendição, o general americano Dwight Eisenhower nem sequer estendeu a mão ao alemão. A ameaça foi uma bravata do general Curtis Le May contra os vietnamitas. Falhou e os americanos voltaram para casa depois de terem perdido 58 mil militares. (Desde então os presidentes americanos evitam usar a infantaria em suas guerras.)

As duas falas indicam que Trump faz guerras como quem joga fliperama. Se der, deu. Se não, proclama-se vitória e sai-se de campo. Ao fim. A oposição iraniana que se levantaria, ficou menor.

CUBA NA MIRA – Até novembro, quando uma eleição poderá tirar os republicanos do controle da Câmara dos Representantes, Trump sairá atrás de uma vitória e Cuba é a primeira candidata. A Venezuela mostrou-se uma barbada porque a ditadura era corrupta, impopular e mantida às custas de uma eleição roubada.

O Irã está encravado na confusão do Oriente Médio e Trump tem um aliado em Israel, com sua agenda própria. No Caribe, passado mais de meio século da revolução castrista, com sua aura romântica, a pista parece livre.

Em Cuba, a crise energética levou a ruína para o cotidiano dos habitantes, gostem ou não do regime. O estabelecimento de uma nova ordem em Cuba dá a Trump uma vitória cuja extensão ainda é imprevisível. Dá ao secretário de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos), um êxito que o coloca mais perto da Casa Branca em 2028 e pode dar alguma sobrevida ao complexo comercial e burocrático das Forças Armadas, como sucedeu na Venezuela.

ATRATIVO – Cuba tem um especial atrativo para Trump e sua turma: uma mudança de regime, mesmo parcial, trará consigo um boom imobiliário de grandes proporções. Grosseiramente, pode-se estimar que com a venda de um estúdio em Miami será possível comprar um apartamento de três quartos e sala novo na ilha.

Nenhum iraniano ganharia com a guerra de Trump. No caso de Cuba, o negócio é outro, e o primeiro a ganhar será ele mesmo, que pensou em fazer uma Riviera na Faixa de Gaza.

O último sinal de que os Estados Unidos preparam alguma encrenca com Cuba veio do secretário da Guerra, Pete Hegseth, que ameaçou com um confronto se Havana comprar armas capazes de atingir o território americano, ou o da base militar de Guantánamo. Ora, Guantánamo fica em Cuba.

Investigação da PF abre corrida pela sucessão de Jaques Wagner no Senado

Reunião com Lula deve selar destino do senador

Lauriberto Pompeu
O Globo

A possível saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado após a operação da Polícia Federal que expôs as relações dele com o Banco Master abriu as conversas na bancada sobre e eventual substituição. Uma reunião nesta quarta-feira entre Wagner e o presidente Lula deve definir o destino do parlamentar, e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) são cotados caso a mudança ocorra.

Integrantes da cúpula do PT e do entorno de Lula dão como certa a troca, mas Wagner ainda resiste. A avaliação de governistas é que a permanência dele no cargo dá munição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal rival de Lula na eleição.

LICENÇA DA LIDERANÇA – O caminho que pode ser adotado por Wagner é pedir licença da liderança do governo, abrindo o caminho. Ex-ministro da Educação, Camilo é apontado por parte do PT como o melhor nome por conta da interlocução política com Lula e também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O ex-ministro se aproximou do presidente da República durante a terceira gestão presidencial de Lula.

Além disso, mesmo em momentos de distanciamento entre Lula e Alcolumbre, acentuado desde o final do ano passado por conta da queda de braço pela nomeação no Supremo Tribunal Federal, Camilo manteve proximidade com o presidente do Senado e chegou a acompanhá-lo em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá.

No entanto, há uma avaliação de que o senador não poderia assumir o cargo porque ele precisa focar nas articulações das eleições. Há um entendimento de que Camilo precisará ficar muito tempo no Ceará para evitar que o governo do estado saia das mãos do PT.

AMEAÇA – O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio nome de Camilo é citado como possibilidade de candidato a governador caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide um favoritismo.

Por conta disso, o entendimento é que a líder do PT na Casa, Teresa Leitão, pode ser um nome melhor para assumir a tarefa de substituir Wagner. O mandato dela como senadora vai até 2030 e ela teria mais disponibilidade para ficar em Brasília nesta reta final das sessões do Congresso antes das eleições.

Apesar da indefinição, aliados do governo não veem uma disputa que divida o partido para a definição do cargo. Há um entendimento que a função neste momento está esvaziada por conta da proximidade das eleições e que qualquer senador do PT poderia exercer a função.

ESCALA 6 X 1 – O governo ainda deseja votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá fim a escala de trabalho 6×1, mas o entendimento é que o andamento dessa medida se dará por um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre. Na semana passada, Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal que investigam suspeitas de que ele teria recebido ‘vantagens indevidas’ para favorecer os interesses do banco Master.

O entendimento de governistas é que, toda vez que ele fizer um encaminhamento ou até dar qualquer discurso no Senado na condição de líder do governo, será uma maneira de trazer o caso Master para perto de Lula.

CRÍTICAS – Também foram feitas críticas à maneira como Wagner respondeu às perguntas de uma entrevista à BandNews na quinta-feira. Integrantes do partido se queixaram que o senador expôs Lula ao mencionar que ele procurou Jaques Wagner para conversar e trouxe ainda mais para perto do presidente o escândalo. Lula ainda não comentou publicamente sobre o caso.

Uma declaração do senador, quando disse que Lula já enfrentou casos piores, provocou insatisfação no entorno do presidente e em diversos integrantes do PT. “Ele (Lula), já teve até problemas maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, porque foi preso”, disse o senador na entrevista. Flávio Bolsonaro usou trechos da entrevista de Wagner, inclusive essa fala, para associar o escândalo de Master a Lula.

INOCÊNCIA – Mesmo com a insatisfação, a cúpula do partido diz confiar que Wagner vai provar sua inocência e que a legenda vai dar estrutura para ele fazer sua defesa política, além de contar com o apoio para a campanha de reeleição ao Senado.

Há um entendimento de aliados do governo de que o escândalo do Master ainda tem mais potencial de desgastar Flávio do que Lula. Petistas citam que o próprio Flávio já teve relações com Daniel Vorcaro, dono do Master, expostas, e que, no caso da campanha do PT, o que apareceu foi uma relação envolvendo um senador do PT, não do candidato à Presidência.

Um poema desesperado com as desgraças da vida, na visão de Abgar Renault

Paulo Peres
Poemas & Canções

Renault era da Academia Brasileira de Letras

O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995), membro da Academia Brasileira de Letras, no soneto “A Vida Tem Sempre Uma Faca Na Mão”, questiona a utilidade da poesia.

A VIDA TEM UMA FACA NA MÃO
Abgar Renault

Vamos parar de ler. Paremos de escrever
Olhos e mãos circulam no papel
ao serviço da dor e da desgraça,
mas as palavras são frias e sem fel
para exprimir o desespero dessa taça.

Ninguém sabe escrever. E ninguém pode ler
o que fica, depois de tanta luta fútil,
da escuridão desvirginada do teu ser 
na indiferença de uma folha de papel.

Hoje, ontem, amanhã – amanhã sobretudo –
a vida sempre tem uma faca na mão,
vai sob as unhas, vai direto ao coração,
dói nos olhos, nos pés, dói na alma, dói em tudo,
torna toda a poesia um jogo raso e inútil.

Alvo da PF, Jaques Wagner recorre ao STF para tentar derrubar buscas do caso Master

Defesa ala em ‘erros graves’ que comprometeram a medida

Victoria Azevedo
O Globo

A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão contra o parlamentar na semana passada. Líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, o parlamentar foi alvo de operação da Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master.

A PF apontou que o senador foi o beneficiário central de vantagens econômicas pagas por integrantes do banco de Daniel Vorcaro, apontando relação próxima de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A polícia suspeita da atuação parlamentar do senador em temas de interesse do Master, como na tramitação de propostas sobre crédito consignado e o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

VANTAGENS ECONÔMICAS – A PF apontou uma correlação entre essas atuações e supostas “vantagens econômicas indevidamente” recebidas por Wagner. Em nota, a defesa do senador diz que apresentou recurso e busca a anulação “apontando erros graves que comprometem a medida”. A nota é assinada por Pablo Domingues.

No texto, a defesa diz que há equívocos na decisão porque o parlamentar “jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer” a instituição financeira. Ele afirma que uma prova disso é que “a única emenda de sua autoria sobre o tema”, apresentada numa Medida Provisória (MP) “propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do banco”. A defesa diz ainda que o senador se apresentou contra emenda apresentada por Ciro Nogueira (ainda que sem citar nominalmente o senador).

ORIGEM LÍCITA  – O advogado também diz que os valores em espécie encontrados em endereços ligados ao parlamentar têm “origem lícita e comprovada”. A PF apreendeu US$ 49 mil (o equivalente a R$ 253 mil na cotação atual) em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde ele costuma ficar em Brasília. Além disso, também foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em seu endereço em Salvador, na Bahia.

“Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens”, diz a nota. Por fim, a defesa afirma que confia que o Supremo “corrigirá os equívocos e reafirma tranquilidade do senador quanto à sua conduta”.

Tecnologias digitais humilham os idosos, que se tornaram dependentes funcionais

Fácil assim! O que vc acha disso? Charge excelente de @tomcotrim_

Charge do Tom Cotrim (Arquivo Google)

Ruy Castro
Folha

Minha amiga Ana Luiza recebeu e me mandou. Num cartum, um idoso de capa, cachecol e bengala está diante de um balcão de informações. A atendente lhe mostra o celular e o instrui: “O senhor baixa o aplicativo e entra em ‘gerar código de acesso’. Aqui tem o certificado digital. Faz o login e clica em ‘escolher o arquivo’. Ele vai pedir um código de liberação do acesso nas extensões JPG, PNG ou PDF… Entendeu?”.

O cartum é assinado por Tom Cotrim. Mostra uma realidade que está acontecendo neste momento no seu bairro, com macróbios quase centenários como eu ou talvez você.

EXCLUDÊNCIAS – Sob o cartum, segue-se um texto não assinado: “Uma sociedade que obriga uma pessoa de 90 anos a usar um smartphone para acessar os seus próprios direitos não é moderna. É uma sociedade que decidiu se livrar de seus idosos.

Em 2026, tudo virou um aplicativo, um código, um portal. Mas quem construiu este país com as próprias mãos vê-se hoje analfabeto dentro da própria casa. Para marcar uma consulta ou pagar uma conta, é preciso um filho ou neto, quando existe um”.

O texto continua: “Isso é exclusão. A tecnologia deve ajudar, não selecionar quem tem direito à dignidade. Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo —apenas nos tornando mais cômodos e egoístas”.

DITADURA DIGITAL – Há anos, no começo da ditadura do smartphone, observei as tentativas de gente da minha geração para se entender com o bicho, assim como se entendia com as novidades da antiga tecnologia.

Não queriam parecer velhos ou superados. Mas eles se superestimaram. Não foram capazes de acompanhar a velocidade com que o smartphone evoluiu. Hoje, a tecnologia acha normal que a enorme parcela da população que se recusa a morrer antes da hora —a nossa— seja diariamente humilhada por aquela joça.

Levei a vida me aplicando para escrever direito, ficar atento à história, entender o que lia. Não tenho mais idade, capacidade ou vontade de me converter em engenheiro eletrônico. E acho burro o sistema binário, o do sim ou não. Prefiro o talvez.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Nosso amigo Ruy Castro, um jornalista e escritor absolutamente genial, tem toda razão, como sempre. A tecnologia não pode ser excludente. Ele sempre se recusou a usar celular. Quando entrou na Academia Brasileira de Letras, foi obrigado a aceitar o uso do aparelho digital, mas sempre a contragosto. Eu também nunca me adaptei aos celulares modernos e parei de usar. Mas assim passei a depender do telefone de minha mulher, e agora estou me sentindo dependente funcional. Por isso, vou comprar um novo celular e ir em frente. (C.N.)